CERVICITES EM MULHERES ATENDIDAS EM UMA ?· a abordagem sindrômica, que se baseia na identificação…

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRINGULO MINEIRO

CURSO DE ESPECIALIZAO EM ATENO BSICA EM SADE DA FAMLIA

GLEYDSON LIMA DOS SANTOS

CERVICITES EM MULHERES ATENDIDAS EM UMA ESTRATGIA

DE SADE DA FAMLIA DE ALAGOAS: PROJETO DE

INTERVENO

MACEI/AL

2014

GLEYDSON LIMA DOS SANTOS

CERVICITES EM MULHERES ATENDIDAS EM UMA

ESTRATGIA DE SADE DA FAMLIA DE ALAGOAS: PROJETO

DE INTERVENO

Trabalho de Concluso de Curso apresentado ao

Curso de Especializao em Ateno Bsica em

Sade da Famlia, Universidade Federal do

Tringulo Mineiro, para obteno do Certificado

de Especialista.

Orientadora: Prof Ms. Nathlia Silva Gomes

MACEI/AL

2014

GLEYDSON LIMA DOS SANTOS

CERVICITES EM MULHERES ATENDIDAS EM UMA

ESTRATGIA DE SADE DA FAMLIA DE ALAGOAS: PROJETO

DE INTERVENO

Banca Examinadora

Prof Ms. Nathlia Silva Gomes UFTM

Prof Ms. Fernanda Carolina Camargo UFTM

Aprovado em Belo Horizonte, em ____/ ____/ ____

AGRADECIMENTOS

Agradeo minha famlia por todo carinho, amor e incentivo dedicado a mim durante

toda jornada acadmica, em especial ao meu filho Pedro pelo amor incondicional.

minha orientadora Prof. Ms. Nathlia Silva Gomes pela dedicao e pacincia

durante a elaborao, construo e concluso desse trabalho, muito obrigada.

Aos colegas de trabalho da USF de Costa Dourada, pelo apoio e companheirismo.

comunidade de Costa Dourada, em especial as mulheres por terem contribudo para a

anlise deste trabalho.

todas as professoras da especializao, por repassar seus conhecimentos, pelos

conselhos dados e por colaborarem na minha construo profissional.

RESUMO

As cervicites so inflamaes do Colo do tero, causadas pela ao de patgenos como

a Neisseria gonorrhoeae e Chalamydia trachomatis, bastante comuns nas mulheres em

idade frtil. No Brasil, o Programa de Sade da Famlia, utiliza-se da abordagem

sindrmica na identificao de sinais e sintomas de cervicites. O interesse pelo tema

surgiu devido ao nmero alarmente de mulheres com diagnostico de Cervicites

atendidas na ESF Costa Dourada. Objetivou-se elaborar uma proposta de interveno

para interromper a cadeia de transmisso dos agentes causadores das cervicites; orientar

a comunidade adscrita a cerca da preveno e identificao das cervicites, e capacitao

multiprofissional da EFS na busca ativa, educao em sade e abordagem sindrmica

das cervicites. Realizou-se um levantamento bibliogrfico e leitura exploratria

utilizando base de dados virtuais (Lilas, scielo, Bireme e Ministrio da Sade); tese de

doutorado e revistas de grande circulao acadmica. O presente trabalho visa contribuir

na reduo da incidncia de casos de cervicites no municpio, contribuindo para melhor

qualidade de vida destas mulheres. E auxiliar tambm no conhecimento acerca desta

temtica, ainda escasso, principalmente em relao realidade local.

Palavras-chave: Cervicite Uterina; Programa de Sade da Famlia; Doenas

Sexualmente Transmissveis.

ABSTRACT

The cervicitis is inflammation of the cervix, caused by the action of pathogens such as

Neisseria gonorrhoeae and Chlamydia Chalamydia quite common in women of

childbearing age. In Brazil, the Family Health Program, we use the syndromic approach

in identifying signs and symptoms of cervicitis. Interest in the subject has arisen due to

the alarming number of women with diagnosis of cervicitis treated at ESF Costa

Dourada. This study aimed to develop a proposal for intervention to interrupt the chain

of transmission of the causative agents of cervicitis; guide ascribed to about the

prevention and identification of cervicitis community and multidisciplinary training in

active search of EFS, health education and syndromic approach for cervicitis. We

conducted a literature review and exploratory reading using virtual data base (Lilas,

scielo, Bireme e Ministrio da Sade); PhD thesis and academic journals of great

movement. This paper aims to contribute in reducing the incidence of cervicitis in the

city, contributing to better quality of life for these women. And also assist in knowledge

about this topic is still scarce, especially in relation to local conditions.

Keywords: Uterine cervicitis; Program Family Health; Sexually Transmitted Diseases.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AbS Abordagem Sindrmica

ACS Agente Comunitrio de Sade

APS Ateno Primria Sade

DST Doena Sexualmente Transmissvel

ESF Estratgia de Sade da Famlia

HIV Vrus da Imunodeficincia Adquirida

MS Ministrio da Sade

NASF Ncleo de Apoio a Sade da Famlia

OMS Organizao Mundial de Sade

PSF Programa de Sade da Famlia

SUMRIO

1 INTRODUO.................................................................................................... 09

2 JUSTIFICATIVA................................................................................................ 12

3 OBJETIVOS........................................................................................................ 13

3.1 OBJETIVO GERAL........................................................................................... 13

3.2 OBJETIVOS ESPECFICOS............................................................................ 13

4 METODOLOGIA................................................................................................ 14

5 REVISO BIBLIOGRFICA............................................................................ 15

5.1 CONTEXTUALIZANDO AS CERVICITES.................................................... 15

5.2 ABORDAGEM SINDRMICA DAS CERVICITES NAS ESF....................... 16

6 PROPOSTA DE INTERVENO..................................................................... 18

7 CONSIDERAES FINAIS............................................................................... 20

REFERNCIAS........................................................................................................ 21

1 INTRODUO

As Doenas Sexualmente Transmissveis (DSTs) so consideradas um dos

problemas em sade publica mais frequentes no mundo e, embora no se saiba a real

proporo, sabe-se que elas esto entre as cinco causas mais comuns de busca pelos

servios de sade nos pases em desenvolvimento (BRASIL, 2008).

Estima-se que haja cerca de 340 milhes de casos a nvel mundial, com cerca de

12 milhes somente no Brasil, sendo a faixa etria mais afetada a de jovens entre 15 e

25 anos, com uma incidncia de aproximadamente 19 milhes de novos casos

mundialmente por ano, segundo Romanelli (2010). Com nmeros to alarmantes foi

readquido um olhar mais atento a tais doenas, devido no somente ao fato de estarem

diretamente ligadas transmisso do vrus da imunodeficincia adquirida (HIV), s

complicaes ginecolgicas e obsttricas, como a sua alta prevalncia, que so de

grande repercusso na sade pblica (CORDEIRO, 2008).

Ressalta-se a falta de dados concretos em relao situao epidemiolgica das

DSTs, mesmo em pases desenvolvidos, por muitos casos serem sub ou no notificados

nos servios pblicos e privados. Isso acontece porque muitos profissionais de sade,

no cumprem o protocolo de notificao, alm do fato de que muitas pessoas no tem

acesso aos servios de sade ou mesmo apresentam a doena de forma assintomtica

(BRASIL, 2008).

Dentre as DSTs, destacam-se as cervicites que pode ser definida como as

inflamaes do colo do tero, causadas em geral pela ao de patgenos como a

Neisseria gonorrhoeae e Chalamydia trachomatis, sendo bastante comuns entre nas

mulheres em idade frtil (BRASIL, 2006). Porm, sua definio varia de acordo com a

anlise sobre vrios aspectos, em geral o clnico, colposcpico, histolgico e citolgico

(TAVARES, 2007).

Segundo Brasil (2006) 40% da populao feminina j enfrentou algum tipo de

cervicite, sendo assintomtica em 70-80% dos casos. Ela configura um estgio prvio

da Doena Inflamatria Plvica (DIP), doena grave que requer medidas teraputicas

mais complexas, onera o estado e pode at levar a morte da paciente (BRASIL, 2008).

Assim, mesmo a inflamao sendo assintomtica em grande parte dos casos, a cervicite

pode gerar srias complicaes se no for tratada precocemente (BRASIL, 2005).

Silva (2010) aponta que mesmo com os avanos na sade, a falta de

infraestrutura, a ausncia de ensino, a precria presena de servios de sade, o

preconceito e a falta de informao, entre outros, so fatores que tem contribudo para

uma srie de distores acerca do conhecimento sobre a sade e o alcance de metas de

polticas de promoo de sade e preveno de doenas. Ela ainda afirme que:

Com relao as DST, a informao a ferramenta fundamental para

a preveno e o enfrentamento, o que torna de fundamental

importncia buscar conhecer qual o nvel de conhecimento sobre o

assunto entre a populao, para, a partir da, buscar solues e

polticas pblicas (SILVA, 2010, p 111).

No Brasil, o Programa de Sade da Famlia (PSF) a principal estratgia de

implantao da Ateno Primria a Sade (APS). Criado em 1994, o PSF foi posto em

prtica pelo Ministrio da Sade (MS), em parceria com os municpios, passando, em

seguida, a ser considerado como uma estratgia de reorientao do modelo assistencial,

com potencial carter substitutivo das prticas convencionais (COSTA, 2009).

Atualmente o PSF conhecido como Estratgia de Sade da Famlia (ESF) por

no possuir um carter programtico, e sim, caractersticas estratgicas para mudana

do padro de ateno sade da populao, com o propsito de resolver e de enfrentar

os problemas identificados de forma articulada e perene, o que foge do padro usual dos

programas tradicionais, concebidos pelo ministrio (QUEIROZ, 2013).

Porm, os programas preconizados so validos e utilizados de forma positiva na

deteco de problemas enfrentados pela comunidade, como o caso do Programa de

Ateno Sade da Mulher, que proporciona aos profissionais da equipe a descoberta e

o acompanhamento das DSTs com destaque para as cervicites (QUEIROZ, 2013).

Dentre as atividades realizadas para o atendimento dos usurios da ESF conta-se

a abordagem sindrmica, que se baseia na identificao de sinais e sintomas verificados

no momento da avaliao. Especificamente em relao s DSTs, esta forma de

abordagem muito eficaz, pois constitui o mtodo mais rpido de identificao de um

agravo e, por no necessitar de muitos recursos laboratoriais, o tratamento facilitado e

agilizado (MS, 2008).

Este tratamento imediato fundamental para o controle das cervicites, pois

independente de serem causadas por um grande nmero de microorganismos, a cura da

doena, a preveno das suas complicaes e as sequelas acabam por quebrar a sua

cadeia de transmisso, um dos principais focos da abordagem sindrmica (MS, 2008).

No ESF Costa Dourada do municpio de Maragogi- Alagoas (AL) a equipe

multidisciplinar composta por um mdico, uma enfermeira, duas tcnicas em

enfermagem, um odontlogo, um auxiliar de odontologia, oito agentes comunitrios de

sade (ACS) e profissionais do Ncleo de Apoio a Sade da Famlia (NASF). Tal

equipe oferece servio a uma populao de cerca de 4.400 pessoas, com uma mdia

aproximadamente de 1.300 mulheres em idade frtil (dez a 49 anos), sendo que destas,

845 esto cadastradas no Programa de Planejamento Familiar. Mensalmente realiza-se

cerca de 80 exames de Papanicolaou, percebe-se que muitas mulheres ainda no o

realizam por vergonha ou simplesmente falta de informao a respeito da importncia

do mesmo.

uma populao que vive na sua maioria em condies precrias, sem

infraestrutura e saneamento bsico, onde as numerosas famlias sobrevivem com um

salrio mnimo ou at menos do que isso. As mulheres normalmente so donas de casa,

possuem baixa escolaridade e buscam, na maioria das vezes, os servios da Unidade de

Sade para o tratamento de alguma doena e no para preveno. Com destaque para as

adolescentes, grupo de menor adeso ESF, acrescenta-se a isso a pratica sexual com

mais de um parceiro.

Maragogi tem na sade 14 estabelecimentos de sade, sendo uma unidade de

atendimento secundrio que tem nove leitos e nove ESF. Possui no seu quadro mdico

cerca de 30 profissionais, distribudos nas diversas especialidades mdicas como

Mdico da Famlia, pediatria ,ginecologia, anestesiologia e cirurgia geral.Mesmo com

essa quantidade de mdicos os Indicadores de Sade no so otimistas. Em 2010

apresentou Taxa de Mortalidade Infantil/ 1000 nascidos vivos de 26,52 e apresentou 14

bitos Infantis no mesmo ano.Com relao s outras doenas como cervicite,

hipertenso e diabetes no foi encontrado dados passados e nem atuais no site do

Datasus e nem na secretaria municipal de sade ( PERFIL, 2013).

2 JUSTIFICATIVA

A escolha da cervicite como tema a ser abordado neste trabalho surgiu da

necessidade da equipe da ESF de Costa Dourada em conhecer mais a fisiopatologia

desta doena, pois dentre as consultas realizadas com mulheres em idade frtil, ela

lidera disparadamente como diagnstico. Alm da constatao de que esta patologia

uma constante entre as mulheres adscritas, o mais preocupante o atendimento das que

vo unidade em busca de atendimento por outras queixas, porm a maioria possui

sinais e sintomas da cervicite.

O corrimento vaginal visto por elas como algo normal, no as incomodando.

Dessa forma, tendo em vista a grande demanda, o fcil diagnstico clnico, a fcil

teraputica e as repercusses negativas que acarretam na sade da mulher de total

relevncia para a equipe e para as pacientes um entendimento mais acurado sobre a

referida entidade nosolgica.

Acrescenta-se ainda o interesse pelo estudo de tal temtica devido a baixa

adeso de alguns grupos de mulheres, como o das adolescentes e das gestantes, ao

Programa Sade da Mulher na ESF Costa Dourada. Surgindo assim a necessidade de

elaborar uma proposta de interveno a fim de amenizar as repercusses desta doena

na sade dessas mulheres, alm de orientar a comunidade acerca de tal problemtica,

atravs de aes executadas pela equipe multiprofissional desta ESF.

Com a realizao desse trabalho foi possvel oferecer aprofundamento terico do

assunto, salientando as possveis consequncias deste agravo no somente para a

qualidade de vida das mulheres, mas, tambm, para populao, uma vez que, gastam-

se absurdos do dinheiro dos cofres pblicos para o tratamento das cervicites.

3 OBJETIVOS

3.1 OBJETIVO GERAL

Elaborar uma proposta de interveno com o intuito de realizar imediata

interrupo da cadeia de transmisso dos agentes causadores das cervicites.

3.2 OBJETIVOS ESPECFICOS

Orientar a comunidade adscrita a cerca das medidas preventivas e identificao

dos sinais e sintomas das cervicites;

Capacitar a equipe multiprofissional da Estratgia de Sade da Famlia para a

realizao de busca ativa, educao em sade e abordagem sindrmica das

cervicites.

4 METODOLOGIA

Para a consecuo dos objetivos foi realizado um levantamento bibliogrfico e

leitura exploratria utilizando base de dados virtuais (Lilacs, SciELO, Bireme e

Ministrio da Sade), alm de teses e revistas de grande circulao no meio acadmico.

Para a captao de dados foi utilizado os seguintes descritores: Cervicite Uterina,

Programa de Sade da Famlia e Doenas Sexualmente transmissveis.

Durante a execuo da Proposta de Interveno de dados sero ministradas

palestras com temas relacionados aos descritores com os profissionais de sade da

unidade. Utilizar-se- recursos de udio e folders existentes na unidade de sade. As

palestras ocorrero nas salas de esperas nos dias de atendimento para o planejamento

familiar, de gestantes e para a coleta do exame de Papanicolau.

5 REVISO BIBLIOGRFICA

5.1 CONTEXTUALIZANDO AS CERVICITES

Frequentemente as cervicites so causadas pela Neisseria gonorrhoeae ou pela

Chlamydia trachomatis, esta ltima responsvel pela infeco sexualmente

transmissvel bacteriana de maior prevalncia nos Estados Unidos e na Europa,

causando em mdia trs milhes de infeces por ano (GOMES, 2013). A Chlamydia

trachomatis pode ficar latente por perodo prolongado e sua interao com a Neisseria

gonorrhoeae bastante comum, facilitando a persistncia das cervicites (NAZRIO et

al., 1997).

Dados da literatura mostram prevalncias de cervicite por Neisseria

gonorrhoeae ou por Chlamydia trachomatis variam de 0,1% a 34% na populao em

geral (MENEZES, 2003). Embora os dados epidemiolgicos existentes no abarquem o

Brasil, ao menos permitem, quando casadas com informaes internacionais, concluir

que h elevada frequncia de infeces sexualmente transmissveis no pas. Estima-se

que a prevalncia de infeces em mulheres brasileiras por Neisseria gonorrhoeae,

Chlamydia trachomatis, e tricomonase, seja respectivamente de 1,2%, 3,0% e 6,2%

(MS, 2008).

Sabe-se que entre mulheres com infeces no tratadas por gonorria e/ou

clamdia, 10 a 40% desenvolvem a DIP. Destas, mais de 25% se tornaro infrteis. A

nvel comparativo, observa-se que a taxa de infertilidade por causas no infecciosas

estimada em 3 a 7%, segundo Romanelli (2010). Dados de pases desenvolvidos

indicam que mulheres que tiveram DIP tm probabilidade seis a dez vezes maior de

desenvolver gravidez ectpica. Como mostra Cordeiro ao dizer que:

Nos pases em desenvolvimento, a gravidez ectpica contribui com

mais de 15% das mortes maternas (WHO, 2006). Abortos

espontneos, natimortos, baixo peso ao nascer, infeco congnita e

perinatal esto associados s cervicites no tratadas em gestantes

(CORDEIRO, 2008, p.18).

A grande variao na prevalncia de cervicites por bactrias, ocorrem de

acordo com a populao estudada e com o teste laboratorial adotado, sendo mais

elevadas em locais de referncia para atendimento de Infeces sexualmente

transmissveis, ou de ateno a grupos especficos como presidirias ou profissionais do

sexo, e quando se emprega testes de elevada sensibilidade e especificidade. Prevalncias

menores so referidas em clnicas de pr-natal e planejamento familiar (MOHERDAUI,

2012).

Diagnsticos como o da colpite e da vaginose bacteriana so relativamente

fceis, necessitando apenas de um mnimo de ateno ao exame ginecolgico e a

utilizao de exames laboratoriais simples, os quais no demandam muito custos. O

custo adicional do microscpio compensado pela reduo do gasto de tratamentos

inapropriados (IGLESIAS et al., 2000).

Por outro lado, de acordo com Menezes (2003) o diagnstico da cervicite,

caracteriza-se por dor manipulao do colo, muco cervical turvo ou amarelado e

friabilidade cervical (BRASIL, 2006). Outros sintomas como corrimento vaginal, febre,

dor plvica, dispareunia e disria, tambm podem estar associados (GOMES, 2013).

5.2 ABORDAGEM SINDRMICA NAS CERVICITES

A Organizao Mundial de Sade (OMS) introduziu no ano de 1991, o conceito

de Abordagem Sindrmica (AbS), referente ao atendimento do portador de DSTs em

pases em desenvolvimento (NADAL & CARVALHO, 2004). Este mtodo consiste em

inserir a doena dentro de sndromes pr-estabelecidas, com base em sintomas e sinais

e, a partir da, estabelecer o tratamento imediato sem necessidade de esperar pelos

resultados de exames confirmatrios (CORDEIRO, 2008).

No Brasil, a AbS foi instituda no ano de 1993, atravs do Programa Nacional

de Controle das DST/Aids, que recomenda esta tipo de abordagem para o tratamento de

indivduos portadores de alguma DST (NADAL & CARVALHO, 2004).

A abordagem sindrmica permite que um indivduo seja considerado caso

sempre que, houver pelo menos um dos sinais ou sintomas caractersticos das DSTs

inclusive das cervicites como: corrimento muco purulento cervical, corrimento vaginal

associado a hiperemia, edema da mucosa vaginal, corrimento uretral em homens, lcera

genital de origem no traumtica e dor plvica descompresso ou defesa muscular

abdominal ou dor a mobilizao do colo ou anexos ao toque vaginal combinado

(BRASIL, 2008).

A existncia de fluxogramas especficos, nas unidades de sade, so

instrumentos que auxiliam o profissional no diagnstico sindrmico e na

implementao do tratamento correto, mas para isso fundamental que tais fluxogramas

sejam desenvolvidos e testados previamente (BRASIL, 2006). Coadunando com esta

afirmao Cordeiro ainda afirma que:

O sucesso de uma Abordagem Sindrmica se da pelo monitoramento e

avaliao constante das atividades previstas nos protocolos (lceras

genitais, corrimento uretral, corrimento vaginal e cervicite, dor

plvica) bem como superviso e treinamento do pessoal envolvido

(CORDEIRO, 2008, p.75 ).

Este tipo de abordagem de grande valia, pois embora no permita que haja um

diagnstico etiolgico com preciso, ele apresenta-se como uma alternativa vivel e de

baixo custo para inquritos epidemiolgicos de DSTs, uma vez que possibilita a

identificao dos casos sintomticos (BRASIL, 2008).

6 PROPOSTA DE INTERVENO

Com base nos objetivos propostos, este projeto visa informar sobre a cervicite

uterina e todas as DSTs a ela associada, alm da forma de contgio, apresentao

clnica e as consequncias quando contaminada por qualquer uma delas, que vai desde

um corrimento assintomtico, maioria das pacientes com diagnstico de cervicite, at

infertilidade ou a morte como o caso da Sndrome da Imunodeficincia Adquirida

(AIDS).

Pretende-se tambm, de imediato, realizar aulas de esclarecimento, que sero

ministradas pelos ACS, mdico e enfermeira nas escolas da comunidade e no posto de

sade, levando assim o mximo de informao para a comunidade. Sero priorizados os

jovens entre 12 e 25 anos, pois constitui-se o maior grupo de risco: incio da vida sexual

e no utilizao dos preservativos de barreira, nem com a finalidade de evitar uma

possvel contaminao, to pouco prevenir uma gravidez no planejada.

Nesses encontros sero distribudas camisinhas masculinas e femininas, assim

como orientaes relativas ao uso. Ser tambm um momento de triagem e busca

ativa, pois os ACS iro expor os principais sintomas da cervicite, bem como quais

pacientes so consideradas segundo o MS, como grupo de risco. Alm disso, sero

disponibilizadas, na agenda da enfermeira e do mdico, vagas especificas para consultas

e exame ginecolgico para a populao jovem em destaque.

Dentre as aes inclui-se ainda a busca ativa durante as visitas domiciliares,

onde sero ofertadas consultas para todas as mulheres em idade frtil, mesmo aquelas

que ainda no iniciaram sua vida sexual ou no apresentem queixas.

Haver capacitao com todos os profissionais da ESF, acerca da importncia do

papel de cada um e no processo de quebra da cadeia de transmisso imediata das

cervicites. As aulas sero ministradas no auditrio do prprio posto, sendo quatro aulas

de duas horas, sendo duas ministradas pela enfermeira e duas pelo mdico.

Aps esse momento, ser iniciada a segunda etapa do projeto onde as aulas sero

direcionadas ao pblico, atravs de salas de espera no posto e nas escolas, como j

mencionado anteriormente. Ser feita uma escala onde, a cada semana, dois ACS iro

visitar as escolas de sua rea e faro reunio com duas ou mais turmas de adolescentes.

Isso ser feito at que todas as turmas da rea de abrangncia da unidade sejam

contempladas.

No posto de sade ser feita palestras pelo mdico e pela enfermeira nos dias em

que houver agendadas consultas de livre demanda. Logo, o projeto tem dia para iniciar,

porm no tem data para terminar, pois todos os anos novas turmas precisaro desta

informao. Mesmo que mude, os profissionais mdico/enfermeiro, o projeto deve ter

continuidade, pois a demanda contnua.

Os recursos que sero investidos so basicamente humanos, pois as medicaes

e os preservativos j so insumos preconizados pelo MS, portanto j fazem parte da

farmcia bsica do municpio.

Espera-se mudana comportamental dos adolescentes no que diz respeito ao uso

de preservativos e a preveno das DSTs; aumento do nmero de diagnostico de

cervicites, principalmente nas mulheres assintomticas; aumento no nmero de

colpocitologia onctica, diminuio do nmero de casos de adolescentes e de gestante

apresentando corrimento vaginal e aumento do nmero de abordagem sindrmica na

unidade.

Ainda, pretende-se com a presente proposta de interveno, que haja um

aprofundamento do conhecimento acerca da temtica, capaz de subsidiar aes que

envolva outros profissionais de sade na busca pela minimizao dos agravos que as

cervicites causam a sade das mulheres na rea de abrangncia do ESF Campo

Dourado.

7 CONSIDERAES FINAIS

Este trabalho mostra a importncia de se realizar o rastreamento das cervicites

uterinas em mulheres sexualmente ativas, inclusive em gestantes e em jovens abaixo de

25 anos, com ou sem histria prvia de corrimentos vaginais ou outras DSTs, parceiros

sexuais mltiplos ou novos e uso inconsistente de preservativos.

De uma forma geral, busca-se tambm melhorar a qualidade de acesso

visando um diagnstico precoce e o tratamento das cervicites, aumentando a oferta das

aes de sade para grande parte das mulheres da ESF Costa Dourada. Alm de

proporcionar o fortalecimento do vnculo entre os profissionais de sade e a populao.

O esclarecimento da populao acerca dos sinais e sintomas relacionados a tal

patologia implicar numa busca constante aos servios de sade, servindo ento como

porta de entrada para sistema de sade e minimizao dos efeitos negativos da doena

na sade das mulheres que j possuem cervicite e da ocorrncia de casos novos.

O constante aperfeioamento dos profissionais de sade da ESF implicar

numa melhor qualidade de assistncia s mulheres, por parte dos mesmos,

principalmente nos processos de busca ativa, triagem e abordagem sindrmica.

Alm dos benefcios vistos acima, tal estudo amplia o interesse pela

problemtica em questo, uma vez que h a escassez de literatura relacionada

temtica, onde no foi possvel encontrar nenhum estudo relacionado cervicite no

estado da Alagoas. Sendo assim, este servir como base de informao nos meios

acadmicos, principalmente na realidade local.

Assim, as cervicites, por serem consideradas um problema de sade pblica no

Brasil, exigem maior empenho por parte de profissionais das diversas reas da sade, no

sentido de preveni-las e combat-las. Constituindo-se uma tarefa de alta relevncia

ateno e promoo da sade da mulher por parte dos rgos governamentais que

precisam investir mais recursos nos programas de ateno primria a sade da mulher.

REFERNCIAS

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http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_prevencao_hiv_aids_comunidades.pdf.>

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e AIDS. Manual de Controle das Doenas Sexualmente Transmissveis. Braslia. 1999.

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