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    doenas

    O caro transmissor da leprose dos

    citros (Brevipalpus phoenicis) uma

    espcie polfaga, ou seja, hospeda-se em

    inmeras plantas, muitas das quais de

    grande importncia agrcola, como cafe-

    eiro, feijoeiro, algodoeiro, maracujazeiro,

    mamoeiro, alm de cercas vivas e plantas

    daninhas. Dissemina-se para os citros

    pelo vento, atravs de aves, insetos e do

    homem, nesse caso durante as prticas

    culturais. Sua presena foi constatada

    nas vrias espcies ctricas. todavia,

    nas laranjas, tangerinas e tangores sua

    ocorrncia mais freqente do que nos

    limes. Nos citros, sua disseminao

    ocorre, dentre outros modos, por meio

    de seu caminhamento entre as plantas

    dispostas em linha, com as quais esto

    em contato. Estudo sobre sua disperso,

    por caminhamento sobre superfcie

    constituda de areia fina, mostra que ela

    bastante limitada, atingindo distncias

    de 40 a 50 cm, aps sete dias da liberao

    do caro (Alves, 2004). Sobre coberturas

    vegetais, distncias maiores poderiam

    provavelmente ser atingidas.

    Embora pesquisa recente em labo-

    ratrio mostre que a disseminao do

    caro pelo vento, com velocidade de 23

    a 40 km/h, aps exposio contnua de

    30 e 60 minutos, seja tambm limitada,

    no se pode desprezar um possvel ar-

    rastamento, por ventos com velocidades

    superiores a essas e de modo intermiten-

    te, a despeito da morfologia externa do

    caro e de sua capacidade de se proteger

    nas reentrncias, rugosidades do fruto

    e ramos. Sua ocorrncia na cultura se

    d durante todo o ano; mas nos meses

    secos que se atingem os mais elevados

    Cercas vivas, quebra-ventos

    nveis populacionais. Se comparados a

    outras espcies acarinas, esses nveis

    so de baixa densidade, mas suficientes

    para disseminar a doena, o que ocorre

    atravs de seus estiletes, ao se alimentar.

    Como raramente se atingem altos nveis

    populacionais, o dano no decorre do

    simples ato do caro se alimentar, mas

    por ele transmitir o vrus intra e inter-

    plantas.

    A caracterstica no-sistmica do

    vrus ressalta a grande importncia do

    transmissor, pois sua presena con-

    dio essencial para a distribuio do

    patgeno. O caro torna-se virulfero

    somente aps se alimentar sobre leses

    da doena, em reas adjacentes ou em

    reas assintomticas, mas que tenham

    servido, anteriormente, de alimento

    a caros infectados. Na citricultura, o

    emprego de cercas-vivas, quebra-ventos

    e a ocorrncia de plantas daninhas so

    comuns e, dependendo das espcies,

    podem constituir-se excelentes hospe-

    deiras para o caro e, qui, para o vrus,

    razo pela qual vrias pesquisas esto

    sendo realizadas, com o intuito de melhor

    conhecer o comportamento do caro e do

    vrus sobre essas plantas. Entre as vrias

    tticas adotadas, num sistema de manejo

    integrado de pragas, sobressai o uso das

    cercas vivas e quebra-ventos, que evitam

    a entrada de pessoas estranhas, o trfego

    de maquinrios e veculos indesejveis

    sem a devida desinfestao e contribuem

    para diminuir a velocidade do vento.

    tambm protegem contra outras pragas

    e plantas daninhas

    Galho com sintomas de leprose: cercas vivas, quebra-ventos e plantas daninhas ajudam a disseminar a doena

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    no manejo da leproseCarlos Amadeu Leite de Oliveira*

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    e doenas e da poeira que favorece o de-

    senvolvimento do acarino, propiciando

    nichos adequados que os protegem dos

    inimigos naturais.

    As cercas vivas e/ou os quebra-ventos

    podem, porm, ser uma sria ameaa ao

    pomar ctrico, pois, considerando apenas

    o manejo do caro, comportam-se como

    hospedeiros alternativos. A preferncia

    de B. phoenicis por uma ou outra esp-

    cie vegetal um fator importante a ser

    considerado, quando da sua escolha. A

    colonizao do caro sobre cercas vivas

    e/ou quebra-ventos d-se de maneira

    diferenciada. tem-se verificado que mal-

    vavisco (Malvaviscus mollis), hibisco

    (Hibiscus rosa-sinensis) e urucum (Bixa

    orellana) proporcionam melhores con-

    dies para a colonizao do caro, en-

    quanto que grevlea (Grevilea robusta),

    ponciros (Poncirus trifoliata), jambolo

    (Eugenia laevigata) e sanso-do-campo

    (Mimosa caesalpiniaefolia) funcio-

    nam como intermedirias capacidade

    de colonizao do acarino; primavera

    (Bougainvillea spectabilis), pinus (Pi-

    nus sp.) e coroa-de-cristo (Euphorbia

    splendens) so as menos favorveis ao

    desenvolvimento de B. phoenicis (Ulian

    e Oliveira, 2002; Maia e Oliveira, 2002).

    Dada a importncia que essas plantas

    representam para o agroecossistema ci-

    trcola, tem-se procurado avaliar a capa-

    cidade de infectabilidade dessas plantas

    pelo vrus e sua transmissibilidade para

    citros atravs de B. phoenicis. Consta-

    tou-se que o caro virulfero no perde a

    capacidade de transmitir a leprose para

    as variedades Natal e Valncia, aps um

    perodo de alimentao de sete dias so-

    bre malvavisco, hibisco, urucum, grevlea

    e sanso-do-campo, e que caros no

    infectados, que tiveram acesso alimentar

    por trs dias sobre plantas de urucum

    anteriormente infestadas com caros

    virulferos, transmitiram leprose para

    plantas ctricas. Embora seja desejvel,

    sob vrios aspectos, manter plantas

    daninhas nas entrelinhas das plantas

    ctricas, principalmente em perodos

    estratgicos, com o intuito de preservar

    as caractersticas fsicas do solo e servir

    de criatrio para inimigos naturais, tal

    prtica pode acarretar srios problemas

    cultura. Algumas dessas plantas, como

    pico-preto, guanxuma, mentrasto e

    trapoeraba, mostram-se to favorveis

    ao desenvolvimento de B. phoenicis

    como as ctricas.

    trabalhos conduzidos em laborat-

    rio mostraram que o tecido lesionado

    de laranjeiras, inoculado com caros

    provenientes de grevlea e trapoeraba,

    apresenta alteraes citoplasmticas no

    parnquima caracterizadas por partcu-

    las baciliformes no interior do retculo

    endoplasmtico, semelhante a partcu-

    las virais rhabidoviriformes, tambm

    observadas em laranjeiras inoculadas

    com caros provenientes de laranjeira

    (Nunes et al., 2004). Um rigoroso moni-

    toramento da espcie transmissora nas

    plantas ctricas (para fins de controle),

    a realizao de vistorias nas cercas vi-

    vas e quebra-ventos e a eliminao das

    plantas daninhas hospedeiras do caro

    e do vrus so de suma importncia para

    o xito no controle da leprose, pois,

    alm de contribuir para a diminuio

    do uso indiscriminado de agrotxicos,

    reduzindo o custo de controle, auxiliam

    na manuteno em equilbrio do agroe-

    cossistema citrcola.

    * Carlos Amadeu Leite de Oliveira profes-sor do Departamento de Fitossanidade da Unesp/FCAV de Jaboticabal-SP (amadeu@fcav.unesp.br).

    reFernCIAS bIblIogrFICASALVES, E. B. Dinmica da resistncia de Bre-

    vipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (Acari: Tenuipalpidae) ao acaricida dicofol. 2004. 79 p. tese (Doutorado) Escola Superior de Agricultura Luiz de queiroz, Universidade de So Paulo, Piracicaba, 2004.

    MAiA, O. M. A.; OLiVEirA, C. A. L. de. Capacidade de colonizao de Brevipalpus phoenicis (gei-jskes, 1939) (Acari: tenuipalpidae) em cercas vivas, quebra ventos e plantas daninhas. in: CONgrESSO BrASiLEirO DE ENtOMOLOgiA, 19., Manaus, 2002. Resumos. Manaus: iNPA, 2002. p. 249.

    NUNES, M. A.; OLiVEirA, C. A. L. de; KitAjiMA, E. W. Constatao da transmissibilidade do vrus da leprose dos citros por Brevipalpus phoenicis (geijskes, 1939) em cercas-vivas, quebra-ventos e plantas daninhas atravs da microscopia eletrnica de transmisso. in: CONgrESSO BrASiLEirO DE ENtOMOLOgiA, 20., gramado-rS, 2004. Resumos. gramado--rS, 2004. p. 171.

    ULiAN, L. F.; OLiVEirA, C. A. L. de. Comportamento do caro da leprose dos citros em diferentes cercas-vivas e quebra-ventos utilizados em pomares ctricos da regio de Bebedouro-SP. Revista da Agricultura, v. 77, n. 1, p. 103-112, 2002.

    Fruto com sintomas da leprose-dos-citros

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