CENTENÁRIO DA GRANDE GUERRA A Grande Guerra e as ?· Conferência de Berlim e as ameaças aos territórios…

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<p>RELAES INTERNACIONAIS JUNHO : 2014 42 [ pp. 063 077 ] 063</p> <p>Neste artigo procuramos fazer uma revisitao aos antecedentes e causas prximas que ajudam a explicar a participao portuguesa na Grande Guerra e a opo do Partido Democrtico pelo envolvimento do Pas na frente europeia. No se trata de uma investigao nova, baseada em fontes primrias, mas de uma leitura e interpretao alicerada em alguns estudos dedicados a este tema. Um pleno entendimento da participao portuguesa na Grande Guerra exige no apenas um recuo temporal, mas uma viso abrangente entre dinmicas internas e externas. Nas primeiras, importa ter em considerao o binmio monarquia/repblica, e tambm as profundas divergncias que rapidamente dividiram o campo republicano. Nas segundas, h que ter em conta trs vectores tradicionais da poltica externa portuguesa: a aliana inglesa, a dualidade peninsular e o imprio.O texto encontra se dividido geogrfica e cronologicamente. Assim, a primeira parte dedicada questo colonial. O colonialismo europeu no final do sculo xix, a Conferncia de Berlim e as ameaas aos territrios africanos portugueses, so um factor determinante na poltica interna portuguesa na transio para o sculo xx e ajudam a explicar o posicionamento de Portugal perante a guerra. No entanto, estava tambm em causa a dualidade peninsular. Sem uma referncia situao ento vivida na Pennsula Ibrica e ao impacto da mudana de regime em Portugal no pas vizinho, dificilmente se pode compreender a evoluo da poltica externa portuguesa nestes conturba</p> <p>R E S U M O</p> <p>Neste artigo procuramos recuperar algumas das ideias que ajudam a explicar a participao portuguesa na Grande Guerra e a opo do Partido Democrtico pelo envolvimento do Pas na frente europeia. Um pleno entendimento da participao portuguesa na Grande Guerra exige no apenas um recuo temporal, mas uma viso abrangente entre dinmicas internas e externas. Nas primeiras, importa ter em considerao o binmio monarquia/repblica, e tambm as profundas divergncias que rapidamente dividiram o campo republicano. Nas segundas, h que ter em conta trs vectores tradicionais da poltica externa portuguesa: a aliana inglesa, a dualidade peninsular e o imprio.</p> <p>Palavras chave: I Guerra Mundial, Portugal, Monarquia, Repblica.</p> <p>A B S T R A C T</p> <p>TheGreatWarandthePortugueseInternationalRelations:fromtheMonarchytotheRepublic</p> <p>In this article we seek to recover some of the ideas that help to </p> <p>C E N T E N R I O D A G R A N D E G U E R R A</p> <p>AGrandeGuerraeasrelaesinternacionaisdePortugal.DaMonarquiaRepblica</p> <p>1</p> <p>David Castao</p> <p>&gt;</p> <p>RELAES INTERNACIONAIS JUNHO : 2014 42 064</p> <p>dos anos. desse aspecto que trata a segunda parte do artigo. Finalmente, a terceira parte centra se sobretudo nas dinmicas internas, e dedicada opo e ao empenho dos democrticos no envio de uma fora expedicionria para combater em solo europeu. esta complexa teia entre poltica interna e poltica externa que procuraremos articular, recuperando os principais pontos analisados por diversos historiadores que se dedicaram a este tema. </p> <p>FRICA</p> <p>No ltimo quartel do sculo xix, assistiu se a um fenmeno de extenso da influncia dos pases europeus nos continentes africano e asitico. Curiosamente, este movimento surgiu depois dos europeus terem progressivamente deixado de possuir colnias no continente </p> <p>americano, regio onde os Estados Unidos pretendiam assumir um papel preponderante de acordo com a clebre doutrina Monroe. Existem vrias teses que procuram explicar este fenmeno: motivos econmicos e financeiros, relacionados com a procura de matrias primas e de mercados para a colocao de produtos manufacturados; motivos religiosos (rivalidade entre missionrios catlicos e protestantes); motivos demogrficos; motivos estratgicos; psicolgicos; polticos Entre estes destacava se o nacionalismo que se fez sentir na Europa de duas maneiras distintas. Por um lado como movimento unificador, no caso da Alemanha e da Itlia, e, por outro, como movimento pulverizador que seria particularmente sentido no seio do Imprio Otomano. Independentemente da perspectiva adoptada, a verdade que se assistiu a uma corrida e a uma partilha de vastas zonas do globo que at essa data no estavam sob dominao efectiva de qualquer pas europeu. Do Norte de frica ao Extremo Oriente, as principais potncias europeias lanaram se numa corrida aos imprios que dividiu, muitas vezes a regra e esquadro, o globo. No final do sculo xix, entre colnias e protectorados, os britnicos controlavam cerca de um quarto da populao mundial que vivia em todos os continentes. Por seu lado, os franceses tinham colnias no Norte de frica, na Costa do Marfim e na Indochina. Os holandeses, alm de pequenas possesses espalhadas pelo globo, detinham a Indonsia. E a Blgica e a Alemanha tinham passado a deter territrios coloniais em frica. Esta corrida, alm de sacrificar zonas que at essa data no tinham sido alvo de ocupao formal ou de disputa de esferas de influncia, colocou tambm grande presso nos territrios coloniais portugueses, cada vez mais cobiados pelos poderes europeus emergentes. O crescente interesse pelo continente africano conduziu realizao da Conferncia de Berlim (1884 1885), na qual ficou consagrado o princpio da ocupao efectiva em detrimento </p> <p>explain the Portuguese participation in the Great War and the option of the Democratic Party of sending troops to the European front. A full understanding of the Portuguese participation in the War requires not only a reference to its antecedents, but a comprehensive view of internal and external dynamics. In the domestic context we must take into consideration the monarchy / republic dichotomy and also the differences that quickly divided the Republican field. In the external context we must take into account three traditional vectors of Portuguese foreign policy: the Anglo Portuguese alliance; the peninsular duality and the empire.</p> <p>Keywords: World War I, Portugal, Monarchy, Republic.</p> <p>AGrandeGuerraeasrelaesinternacionaisdePortugaldaMonarquiaRepblicaDavid Castao 065</p> <p>do princpio dos direitos histricos, colocando em causa os interesses portugueses no continente. Na sequncia desta conferncia, Portugal empenhou se em garantir uma ocupao efectiva dos seus territrios e procurou assegurar que as restantes potncias europeias no se oporiam sua pretenso de unir Angola e Moambique, criando assim um vasto territrio que atravessava o continente africano ligando a costa atlntica costa do ndico.Curiosamente, a maior oposio pretenso portuguesa viria no da Frana ou da Alemanha, interessadas em reforar as suas posies no continente africano, mas da secular aliada que tinha interesses antagnicos (o projecto de unio do Cabo ao Cairo, preconizado por Cecil Rhodes). Quando uma expedio militar portuguesa, liderada por Serpa Pinto, entrou em territrio disputado com os britnicos, o governo de Sua Majestade prontificou se a exigir s autoridades portuguesas uma retirada. Era o clebre ultimat02.A nvel interno, a posio inglesa foi fortemente atacada, criando se um clima de patriotismo que viria mais tarde a ser aproveitado com sucesso pelos republicanos. Por outro lado, a luta entre regeneradores e progressistas inviabilizou o sonho da existncia de uma ligao entre as duas colnias, a frica Meridional portuguesa, j que, mesmo depois do ultimato, os ingleses garantiram a Portugal uma faixa de comunicao entre Angola e Moambique, na qual se situava o cobiado planalto de Manica. No entanto, rivalidades partidrias inviabilizaram esta soluo, e o que viria a ser acordado com a Inglaterra, desta vez sem oposio, foi um tratado pior do que aquele que tinha sido considerado uma infmia. Tambm a nvel externo as consequncias deste episdio seriam profundas. que, aps o ultimato, o governo de Lisboa procurou o apoio da Alemanha e da Frana nas suas pretenses contra a Inglaterra. Acontece que a resposta no foi a esperada. Aproveitando os desentendimentos entre Lisboa e Londres, o kaiser alemo sugeriu que o seu pas e a Inglaterra dividissem entre si o Imprio Portugus. Por seu lado, os franceses, temendo um entendimento entre estes dois, deixaram claro que a diviso teria de ser tripartida3. Contudo, esta era uma soluo que no agradava os britnicos, pois, significaria entregar importantes territrios na frica Austral a dois competidores. Perante este cenrio, era prefervel a manuteno desses territrios em mos portuguesas. Foi esta posio que permitiu que nos anos seguintes, atravs de uma hbil poltica diplomtica conduzida em grande parte pelo prprio rei D. Carlos, se tivesse verificado um desanuviamento da tenso e uma reaproximao Inglaterra.Acontece que as crnicas necessidades financeiras do Estado portugus voltaram a trazer para a ordem do dia o problema colonial, uma vez que, alm de serem alvo de vrios apetites externos, as colnias representavam no final do sculo xix um peso no oramento portugus, havendo quem defendesse como soluo do problema a sua </p> <p>QUANDO UMA EXPEDIO MILITAR PORTUGUESA, </p> <p>LIDERADA POR SERPA PINTO, ENTROU EM </p> <p>TERRITRIO DISPUTADO COM OS BRITNICOS, O </p> <p>GOVERNO DE SUA MAJESTADE PRONTIFICOU SE A </p> <p>EXIGIR S AUTORIDADES PORTUGUESAS UMA </p> <p>RETIRADA. ERA O CLEBRE ULTIMAT0</p> <p>RELAES INTERNACIONAIS JUNHO : 2014 42 066</p> <p>alienao4. A via encontrada pelo Governo portugus no era aparentemente to drstica, mas comportava elevados riscos: em troca de um avultado emprstimo britnico, Portugal daria como garantia os rendimentos alfandegrios das colnias. Esta soluo no foi bem recebida por alemes e franceses que, vislumbrando um eventual incumprimento portugus (em 1892 Portugal tinha declarado uma bancarrota parcial), defendiam que o que estava realmente em causa era uma alterao do status quo em frica. O Governo alemo sugeriu ento que, em vez de um emprstimo britnico, se fizesse um emprstimo anglo alemo, garantido igualmente pelos rendimentos das colnias. Em caso de resposta negativa por parte dos britnicos, os alemes ameaavam celebrar um entendimento alargado com a Frana e a Rssia a fim de evitar o que entendiam ser uma manobra britnica para se apropriar das colnias portuguesas. O espectro de uma aliana entre os trs maiores poderes continentais obrigou a Inglaterra a recuar. No Vero de 1898, a Alemanha e a Inglaterra chegaram finalmente a um acordo: nenhum dos dois pases faria um emprstimo a Portugal sem o envolvimento do outro; no seria admitido o envolvimento de terceiros; o eventual emprstimo seria garantido pelos rendimentos de Moambique e Angola; caso Portugal viesse a pretender vender as colnias estas seriam repartidas entre as duas partes; e finalmente, ficava estipulada a diviso das respectivas esferas de influncia.Mais uma vez, esta era uma soluo que no agradava Inglaterra. No fundo estava a discutir a diviso de algo que de maneira informal j controlava. Por outro lado, uma das razes que a levou a celebrar este acordo com a Alemanha, relacionava se com a pretenso, que obteve, de garantir a neutralidade alem na guerra contra os beres. Por isso, uma vez celebrado o acordo, o Governo britnico informou o embaixador portugus em Londres sobre o seu contedo e deu a entender que Portugal deveria recusar o emprstimo conjunto. Alm disso, a Inglaterra ajudou Portugal a encontrar uma soluo alternativa que passava pela obteno de um emprstimo em bancos privados franceses. A fim de evitar problemas como os anteriores, o governo de Lisboa preparava se para aceitar que este emprstimo tivesse como contrapartidas as receitas alfandegrias de Portugal continental e das ilhas atlnticas. Esta hiptese foi, no entanto, duramente criticada pela Inglaterra que exigiu uma garantia escrita do governo de Lisboa em como os Aores jamais passariam a ser controlados por terceiros. Era um importante sinal, demonstrativo da importncia geoestratgica que o arquiplago iria desenvolver nas dcadas seguintes. Essa garantia foi dada e os britnicos confirmaram os seus compromissos com o seu velho aliado5. Durante mais de dez anos a sorte das colnias portuguesas no voltou a estar no topo das preocupaes dos governantes portugueses. No entanto, essa situao alterou se em 1912. Em Maro desse ano, a Inglaterra, preocupada com o ritmo de crescimento da frota alem, procurou um entendimento com a Alemanha. A principal preocupao britnica era a manuteno da sua supremacia naval e existiam algumas contrapartidas que poderiam ser oferecidas caso a Alemanha estivesse disposta a desistir do seu programa de construes navais. Entre estas, encontrava se Angola.</p> <p>AGrandeGuerraeasrelaesinternacionaisdePortugaldaMonarquiaRepblicaDavid Castao 067</p> <p>Aps um ano de negociaes, os representantes dos dois pases chegaram a um entendimento que recuperava vrios pontos da conveno de 1898. Desta vez, no entanto, a Alemanha adoptou uma nova estratgia e, mesmo antes do acordo ter sido rectificado, o chanceler alemo reconheceu a sua existncia, procurando desta forma apresent lo como um facto consumado e criar problemas entre a Inglaterra e a Frana que, mais uma vez, tinha sido ignorada. Entretanto, a Alemanha continuava a desenvolver o seu programa naval, tendo este at sofrido uma acelerao. Nestas circunstncias a Inglaterra no estava disposta a ceder 6 e o Imprio Portugus permaneceu intacto.Como defendeu Hobsbawm, a sobrevivncia do Imprio Portugus em frica deveu se, em primeiro lugar, incapacidade dos seus modernos rivais para chegarem a um acordo preciso sobre a maneira de dividir entre eles aqueles territrios7.O incio das hostilidades, em Julho de 1914, constituiu assim mais do que uma ameaa, uma hiptese de clarificao e de reafirmao da presena de Portugal em frica. Logo em Setembro de 1914, foram enviadas para Angola e Moambique as primeiras expedies que tinham como principal objectivo travar as previsveis ofensivas alems oriundas do Sudoeste Africano, actual Nambia, no caso angolano, e da frica Oriental alem, actual Tanznia, no caso moambicano.No cabe aqui fazer o relato das operaes militares portuguesas nos teatros africanos. Deve, no entanto, sublinhar se que o resultado da aco das tropas portuguesas nos territrios africanos no foi positivo. Aniceto Afonso defende que esta se caracterizou por inmeras incapacidades, improvisaes e fragilidades com diviso de responsabilidades entre as autoridades polticas e administrativas e os comandos militares8. Referindo se concretamente campanha de Moambique, Antnio Jos Telo no traa um cenrio mais animador: </p> <p>O resultado final deste considervel esforo foi amplamente negativo. As reduzidas </p> <p>ofensivas portuguesas correram mal, o territrio da colnia no foi defendido e as baixas </p> <p>foram imensas escala nacional: 2007 europeus e 2804 militares indgenas mortos. </p> <p>Morreram mais portugueses em Moambique do que na frente da Frana, com a diferena </p> <p>que os mortos em Moambique foram fundamentalmente provocados por razes sani</p> <p>trias. No final da guerra, uma parte do Norte de Moambique estava sublevado e as </p> <p>campanhas de pacificao continuam por alguns anos.9</p> <p>Apesar destes balanos negativos, a verdade que o principal objectivo foi conseguido: no final do conflito, Portugal tinha ultrapassado diversos momentos crticos que tinham colocado em causa a integridade do Imprio e mantinha as colnias que vinham sendo cobiadas h dcadas por vrios pases europeus. Este resultado no se deveu a uma efectiva capacidade de controlo sobre os vastos territrios africanos mas a um conjunto de factores externos que propiciaram este desfecho. Complexa foi tambm a manuteno da dualidade peninsular, ameaada aps a queda do regime monrquico. Vejamos ento qual a situao poltica vivida na Pennsula Ibrica na primeira dcada do sculo xx.</p> <p>RELAES INTERNACIONAIS JUNHO : 2014 42 068</p> <p>PENNSULAIBRICA</p> <p>Em Outubro de 1910 foi implantado um regime republicano em Portugal. A nvel externo, uma das principais preocupaes dos republicanos foi assegurar o reconhecimento do novo regime pela velha aliada. Para esse efeito, trs meses antes da revolta de Outubro, foi enviada a Londres uma delegao que foi recebida no Foreign Office pelo subsecretrio de Estado dos Negcios Estrangeiros. Obviamente que o Governo ingls no tomou nenhuma atitude que pudesse ser lida como um apoio causa republicana, mas tambm no manifestou qualquer inteno de apoiar a monarquia dos Bragana. Esta posio merece uma explicao.Desde 1906 assistia se a uma aproximao entre Londres, Paris e Madrid, que reagiram s declaraes pblicas do kaiser Guilherme II a favor da independncia de Marrocos, firmando os acordos de Algeciras e de Cartagena que pretendiam contrariar as pretenses alems na rea do estreito de Gibraltar. Esta aproximao permitiu que aps o regicdio de Fevereiro de 1908, que fez soar um alarme na vizinha Espanha, o rei Afonso XIII tenha revelado as suas ambies sobre Portugal, quer Frana quer Inglaterra10. A crise poltica vivida em Portugal servia assim de argumento s histricas ambies iberistas num momento em que a Espanha se recompunha da derrota sofrida em 1898.Os estudos do historiador Hiplito de la Torre Gmez, apesar de deixarem claro que se tratava de posies do rei e no de opes estratgicas do Governo espanhol, revelam que imediatamente aps o golpe de 5 de Outubro, alguns ministros espanhis defenderam em reunio do executivo o bombardeamento de Lisboa e que no final desse ms, o exrcito do pas vizinho tinha junto da fronteira trs divises prontas para entrar em Portugal. No se tratava, portanto, de uma mera fixao do monarca, verificando se a existncia, quer no governo, quer nas foras armadas, de sectores intervencionistas que foram em grande parte vencidos pela posio moderada do presidente do Conselho, Jos Canalejas11. De qualquer modo, estas confidncias tradicional aliada do pas vizinho eram inconcebveis anos antes. A aproximao entre a Inglaterra e a Espanha esvaziava a importncia da dualidade peninsular. Na opinio de Antnio Telo, a Inglaterra no estava muito preocupada com uma alterao do regime em Portugal, pois essa hiptese permitir lhe ia negociar um eventual novo enquadramento peninsular e um acordo com a Alemanha tendo como moeda de troca o Imprio Portugus12. Este cenrio ajuda a compreender a posio de wait and see adoptada pelos ingleses que, apesar de no terem tomado qualquer atitude contra o novo regime, foram sucessivamente adiando o reconhecimento da Repblica, at ao momento em que foram forados a agir como resposta aos franceses, que avisaram que iriam reconhecer a Repblica depois de aprovada a Constituio e de eleito o Presidente da Repblica. Logo de seguida, em Outubro de 1911, as incurses monrquicas a partir da Galiza, sublinharam a fragilidade dos laos externos do novo regime, que no conseguia obter da tradicional aliada qualquer tipo de apoio perante as ameaas originrias do outro lado da fronteira.</p> <p>AGrandeGuerraeasrelaesinternacionaisdePortugaldaMonarquiaRepblicaDavid Castao 069</p> <p>Nos anos que antecederam o conflito mundial a aliana luso britnica perdera assim muito do seu significado. Para os ingleses, o nico ponto fundamental passava por garantir que as ilhas atlnticas no viessem a ser usadas por um poder rival, havendo mesmo uma corrente que defendia que a amizade com Espanha e a sua adeso Entente poderia justificar uma eventual absoro de Portugal pelo seu vizinho. Entre os adeptos desta tese encontrava se Winston Churchill, ento primeiro lord do almirantado. Em 1912, um relatrio do almirantado defendia que a aliana luso britnica no trazia vantagens directas para a Inglaterra, implicando, pelo contrrio, pesadas responsabilidades, dada a situao crtica que se vivia nas foras armadas portuguesas, afectadas pela mudana de regime. Paralelamente, a Espanha e as suas ilhas atlnticas, eram vistas pela marinha britnica como peas cada vez mais importantes num xadrez europeu em movimento, que se aproximava de um conflito blico13.Dois anos mai

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