Cenários, tendências e o mundo do trabalho

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Cenrios, tendncias e o mundo do trabalho

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<ul><li><p>Cenrios, Tendncias e o Mundo do Trabalho</p><p>Janana Carla Rodrigues Borsagli</p></li><li><p>1 Disciplina: Cenrios, Tendncias e o Mundo do Trabalho</p><p>SumrioUNIDADE 1: CENRIOS ATUAIS E TRANSFORMAES SOCIAIS: MUDANAS ECONMICAS, TECNOLGICAS E DE GESTO 2</p><p>1.1 Os Cenrios Atuais 21.2 A era da informao 21.3 A sociedade da informao 51.4 Importncia da Tecnologia da Informao para as organizaes 7REFERNCIAS 13</p><p>UNIDADE 2: A INTELIGNCIA EMPRESARIAL COMO VANTAGEM COMPETITIVA AOS CENRIOS MODERNOS DO MUNDO DO TRABALHO 14</p><p>2.1 A inteligncia empresarial como vantagem competitiva 142.2 A criao do conhecimento organizacional 172.3. Aprendizagem Organizacional e Gesto do Conhecimento 18REFERNCIAS 25</p><p>UNIDADE 3: O CARTER INOVADOR DAS ORGANIZAES ATUAIS 27</p><p>3.1 Panorama geral 273.2 Aprendizado, conhecimento, inovao e criatividade 303.3 O processo criativo individual e organizacional 313.4 Conhecimento tcito e intuio 35REFERNCIAS 41</p><p>UNIDADE 4: A REESTRUTURAO DO MUNDO DO TRABALHO: APRENDIZAGEM E GESTO DO CONHECIMENTO NAS ORGANIZAES QUE APRENDEM 43</p><p>4.1 Organizaes que aprendem 434.2 Capital intelectual 52REFERNCIAS 55</p><p>UNIDADE 5: GESTO DO CONHECIMENTO: UM NOVO CENRIO DE REDES DE COOPERAO E INOVAO ORGANIZACIONAL 57</p><p>5.1 Um novo cenrio 575.2 A transferncia do conhecimento inserida no contexto da gesto contempornea 63REFERNCIAS 67</p></li><li><p>2 Disciplina: Cenrios, Tendncias e o Mundo do Trabalho</p><p>UNIDADE 1: CENRIOS ATUAIS E TRANSFORMAES SOCIAIS: MUDANAS ECONMICAS, TECNOLGICAS E DE GESTO</p><p>1.1 Os Cenrios AtuaisAtualmente o cenrio mundial demonstra significativas transformaes tecnolgicas, </p><p>organizacionais, informacionais, culturais e sociais. Com o objetivo de entender as particularidades </p><p>da nova ordem mundial, autores de diferentes reas vm desenvolvendo formas de categoriz-</p><p>la. Tais esforos tendem sempre a refletir as prprias preocupaes e enfoques particulares das </p><p>reas a que tais autores pertencem. </p><p>A diversidade da caracterizao e interpretao dessa nova ordem proporcional variedade </p><p>de abordagens de autores de diferentes reas. Assim, economistas vm dando maior </p><p>destaque dimenso econmica, socilogos, social, administradores, administrao </p><p>moderna e assim por diante. Como decorrncia, tambm diversas designaes e descries </p><p>tm sido utilizadas para caracterizar a atual nova ordem mundial, as quais tm sido </p><p>impregnadas por tais influncias. Dentre outras, destacam-se as seguintes: Era, Economia ou </p><p>Sociedade da Informao ou do Conhecimento. </p><p>Para melhor apreender a essncia e alcance das atuais transformaes, mostra-se oportuno </p><p>conhecer a importncia da informao, do conhecimento e da tecnologia da informao na </p><p>nova ordem em conformao.</p><p>1.2 A era da informaoAs empresas esto a meio caminho de uma transformao revolucionria. A competio da era </p><p>industrial est transformando-se na competio da era da informao. </p><p>Durante a era industrial, de 1850 at cerca de 1975, o sucesso das empresas era determinado </p><p>pela maneira como se aproveitavam dos benefcios das economias de escala e do escopo. </p><p>A tecnologia era importante, porm as empresas bem-sucedidas eram sempre aquelas que </p><p>incorporavam as novas tecnologias aos ativos fsicos que permitem a produo em massa </p><p>eficiente de produtos padronizados. (KAPLAN, 1997).</p></li><li><p>3UNIDADE 1: CENRIOS ATUAIS E TRANSFORMAES SOCIAIS: MUDANAS ECONMICAS, TECNOLGICAS E DE GESTO</p><p>Entretanto, o advento da era da informao nas ltimas dcadas do sculo XX tornou obsoletas </p><p>muitas das premissas fundamentais da concorrncia industrial. As empresas no conseguem </p><p>mais obter vantagens competitivas sustentveis apenas com a rpida alocao de novas </p><p>tecnologias a ativos fsicos. O impacto da era da informao ainda mais revolucionrio para </p><p>as empresas de servios do que para as indstrias. O ambiente da era da informao, tanto </p><p>para as organizaes do setor de produo quanto para as do setor de servios, exige novas </p><p>capacidades para assegurar o sucesso competitivo. A capacidade de mobilizao e explorao </p><p>dos ativos tangveis ou invisveis tornou-se muito mais decisiva do que investir e gerenciar ativos </p><p>fsicos tangveis. Segundo Kaplan (1997), os ativos intangveis permitem que uma empresa:</p><p> desenvolva relacionamentos que conservem a fidelidade dos clientes existentes e permitam que novos segmentos de clientes e reas de mercado sejam atendidos com </p><p>eficcia e eficincia;</p><p> lance produtos e servios inovadores desejados por seus clientes alvo;</p><p> produza bens e servios customizados de alta qualidade a preos baixos e com ciclos de produo mais curtos;</p><p> mobilize as habilidades e a motivao dos funcionrios para a melhoria contnua de processos, qualidade e tempos de resposta;</p><p> utilize tecnologia da informao, bancos de dados e sistemas.</p><p>O autor ressalta que as empresas da era da informao esto baseadas em um novo conjunto </p><p>de premissas operacionais.</p><p> Processos interfuncionais - as empresas buscam vantagens competitivas atravs da especializao de habilidades funcionais nas reas do conhecimento, administrao, </p><p>marketing e tecnologia. Essa especializao gera benefcios substanciais, mas, com </p><p>o passar do tempo, a maximizao da especializao funcional provocou enormes </p><p>ineficincias, troca de documentos internos entre departamentos e lentido nos processos. </p><p>A empresa da era da informao opera com processos de negcios integrados que </p><p>abrangem todas as funes tradicionais, combinando os benefcios da especializao </p><p>funcional com a agilidade, a eficincia e a qualidade da integrao dos processos.</p><p> Ligao com clientes e fornecedores - manter clientes e fornecedores a uma distncia segura. A tecnologia da informao permite que as empresas de hoje integrem os </p><p>processos de suprimentos, produo e entrega, de modo que as operaes sejam </p><p>puxadas pelos pedidos dos clientes, e no por planos de produo que empurrem bens </p></li><li><p>4 Disciplina: Cenrios, Tendncias e o Mundo do Trabalho</p><p>e servios pela cadeia de valores abaixo. Um sistema integrado permite que todas as </p><p>unidades organizacionais formadoras da cadeia de valores obtenham grandes melhorias </p><p>no que diz respeito a custo, qualidade e tempos de respostas.</p><p> Segmentao de clientes - as empresas prosperavam oferecendo produtos e servios a preos baixos, porm padronizados. As empresas da era da informao devem aprender </p><p>a oferecer produtos e servios customizados aos seus diversos segmentos de clientes, </p><p>sem serem penalizadas nos custos por operaes de alta variedade e baixo volume. </p><p> Escalas globais s fronteiras nacionais - a concorrncia de empresas estrangeiras mais eficientes e geis deixa de ser um obstculo. As empresas da era da informao concorrem </p><p>com as melhores empresas do mundo e os grandes investimentos necessrios para o </p><p>lanamento de novos produtos e servios podem exigir a busca de clientes no mundo </p><p>inteiro para gerar o retorno adequado. Essas empresas devem combinar as eficincias </p><p>e a agressividade competitiva do mercado global com a sensibilidade s expectativas </p><p>dos clientes locais. </p><p> Inovao - os ciclos de vida dos produtos continuam diminuindo. A vantagem competitiva numa gerao da vida de um produto no garante a liderana na prxima plataforma </p><p>tecnolgica. As empresas que competem em setores de rpida inovao tecnolgica </p><p>devem dominar a arte de prever as necessidades futuras dos clientes, idealizando </p><p>produtos e servios radicalmente inovadores, e incorporando rapidamente novas </p><p>tecnologias de produto para dar eficincia aos processos operacionais e de prestao </p><p>de servios (KAPLAN, 1997).</p><p> Trabalhadores de conhecimento (Knowledge Workers) - as empresas criam fortes distines entre dois grupos de funcionrios. A elite intelectual gerentes e engenheiros </p><p> utilizava suas habilidades analticas para projetar produtos e processos, selecionar e </p><p>gerenciar clientes e supervisionar operaes do dia a dia. A fora do trabalho direto </p><p>era o principal fator de produo nas empresas da era industrial, porm s utilizava a </p><p>capacidade fsica, no o intelecto, desempenhando tarefas e processos sob a superviso </p><p>de engenheiros e gerentes. </p><p>Segundo Kaplan (1997), no final do sculo XX, a automao e a produtividade reduziram o </p><p>percentual de funcionrios que desempenham funes tradicionais, enquanto a demanda </p><p>competitiva aumentou o nmero dos que desempenham funes analticas: engenharia, </p><p>marketing, gerenciamento e administrao. A funo das pessoas pensar, solucionar </p><p>problemas, garantir a qualidade.</p></li><li><p>5UNIDADE 1: CENRIOS ATUAIS E TRANSFORMAES SOCIAIS: MUDANAS ECONMICAS, TECNOLGICAS E DE GESTO</p><p>As pessoas so vistas como solucionadoras de problemas, no como custos variveis. </p><p>Devem agregar valor pelo que sabem e pelas informaes que podem fornecer. </p><p>Investir, gerenciar e explorar o conhecimento passou a ser fator crtico de sucesso para as </p><p>empresas da era da informao. </p><p>1.3 A sociedade da informao A expresso sociedade da informao passou a ser utilizada, nos ltimos anos do sculo </p><p>XX, como substituta para o conceito complexo de sociedade ps-industrial e como forma de </p><p>transmitir o contedo especfico do novo paradigma tcnico-econmico. </p><p>A realidade que os conceitos das cincias sociais procuram expressar refere-se s </p><p>transformaes tcnicas, organizacionais e administrativas que tm como fator-chave no </p><p>mais os insumos baratos de energia como na sociedade industrial mas os insumos </p><p>baratos de informao propiciados pelos avanos tecnolgicos na microeletrnica e </p><p>telecomunicaes. Essa sociedade ps-industrial ou informacional, como prefere Castells </p><p>(2000), est ligada expanso e reestruturao do capitalismo desde a dcada de 1980 </p><p>do sculo passado. As novas tecnologias e a nfase na flexibilidade ideia central das </p><p>transformaes organizacionais tm permitido realizar com rapidez e eficincia os processos de </p><p>desregulamentao, privatizao e ruptura do modelo de contrato social entre capital e trabalho </p><p>caractersticos do capitalismo industrial. </p><p>As transformaes em direo sociedade da informao, em estgio avanado nos </p><p>pases industrializados, constituem uma tendncia dominante mesmo para economias </p><p>menos industrializadas e definem um novo paradigma, o da Tecnologia da Informao, </p><p>que expressa a essncia da presente transformao tecnolgica em suas relaes </p><p>com a economia e a sociedade. Esse novo paradigma tem, segundo Castells (2000), </p><p>as seguintes caractersticas fundamentais:</p><p> A informao sua matria-prima - as tecnologias se desenvolvem para permitir ao homem atuar sobre a informao propriamente dita, ao contrrio do passado, quando </p><p>o objetivo dominante era utilizar informao para agir sobre as tecnologias, criando </p><p>implementos novos ou adaptando-os a novos usos. </p><p> Os efeitos das novas tecnologias tm alta penetrabilidade porque a informao parte integrante de toda atividade humana, individual ou coletiva e, portanto, todas essas </p><p>atividades tendem a ser afetadas diretamente pela nova tecnologia. </p></li><li><p>6 Disciplina: Cenrios, Tendncias e o Mundo do Trabalho</p><p> Predomnio da lgica de redes - essa lgica, caracterstica de todo tipo de relao complexa, pode ser, graas s novas tecnologias, materialmente implementada em </p><p>qualquer tipo de processo. </p><p> Flexibilidade - a tecnologia favorece processos reversveis; permite modificao por reorganizao de componentes e tem alta capacidade de reconfigurao. </p><p> Crescente convergncia de tecnologias - principalmente a microeletrnica, telecomunicaes, optoeletrnica, computadores, mas tambm e, crescentemente, a </p><p>biologia. O ponto central que trajetrias de desenvolvimento tecnolgico em diversas </p><p>reas do saber tornam-se interligadas e transformam-se as categorias segundo as quais </p><p>so pensados todos os processos. </p><p>O foco sobre a tecnologia pode alimentar a viso ingnua de determinismo tecnolgico, segundo </p><p>a qual as transformaes em direo sociedade da informao resultam da tecnologia, seguem </p><p>uma lgica tcnica e, portanto, neutra e esto fora da interferncia de fatores sociais e polticos. </p><p>Nada mais equivocado: processos sociais e transformao tecnolgica resultam de uma </p><p>interao complexa em que fatores sociais preexistentes, a criatividade, o esprito empreendedor, </p><p>as condies da pesquisa cientfica afetam o avano tecnolgico e suas aplicaes sociais. </p><p>Assim, importante reproduzir um comentrio de Castells:</p><p> provvel que o fato da constituio desse paradigma tenha ocorrido nos EUA e, em </p><p>certa medida, na Califrnia e nos anos 70, tenha tido grandes conseqncias para </p><p>as formas e a evoluo das novas tecnologias da informao. Por exemplo, apesar </p><p>do papel decisivo do financiamento militar e dos mercados nos primeiros estgios da </p><p>indstria eletrnica, da dcada de 40 de 60, o grande progresso tecnolgico que se </p><p>deu no incio dos anos 70 pode, de certa forma, ser relacionado cultura da liberdade, </p><p>inovao individual e iniciativa empreendedora oriunda da cultura dos campi norte-</p><p>americanos da dcada de 60 [...] meio inconscientemente, a revoluo da tecnologia </p><p>da informao difundiu pela cultura mais significativa de nossas sociedades o esprito </p><p>libertrio dos movimentos dos anos 60 (CASTELLS, 2000, p. 25).</p><p>Alm do indevido determinismo, incorre-se muitas vezes tambm em despropositado </p><p>evolucionismo na discusso do novo paradigma tecnolgico, quando a sociedade </p><p>da informao vista como etapa de desenvolvimento. Como muito bem alerta </p><p>Guevara (2000), melhor seria referir-se a sociedades da informao, no plural, para identificar, </p><p>numa dimenso local, aquelas nas quais as novas tecnologias e outros processos sociais </p><p>provocaram mudanas paradigmticas. </p></li><li><p>7UNIDADE 1: CENRIOS ATUAIS E TRANSFORMAES SOCIAIS: MUDANAS ECONMICAS, TECNOLGICAS E DE GESTO</p><p>A expresso sociedade da informao, no singular, seria mais bem utilizada, numa dimenso </p><p>global (ou mundial), para identificar os setores sociais que participam como atores de processos </p><p>produtivos, de comunicao, polticos e culturais que tm como instrumento fundamental as </p><p>Tecnologias de Informao e Comunicao (TIC) e se produzem ou tendem a produzir-se </p><p>em mbito mundial (GUEVARA, 2000, p. 4). </p><p>O determinismo e o evolucionismo distorcem a anlise do complexo processo de mudana </p><p>social e alimentam uma atitude passiva, contemplativa, em relao a esse processo. Tais </p><p>posturas impedem ou ignoram que a sociedade, especialmente por intermdio do Estado, tem </p><p>desempenhado, no decorrer da histria, um papel muito ativo tanto para promover quanto para </p><p>sufocar o desenvolvimento tecnolgico e suas aplicaes sociais. Isso particularmente claro </p><p>no que se refere s novas tecnologias. O avano tecnolgico no novo paradigma foi em grande </p><p>parte o resultado da ao do Estado, e o Estado que est frente de iniciativas que visam ao </p><p>desenvolvimento da sociedade da informao nas naes industrializadas e em muitas daquelas </p><p>que ainda esto longe de ter esgotado as potencialidades do paradigma industrial. </p><p>Adotando a sugesto de Guevara (2000), um olhar sobre a experincia concreta das sociedades </p><p>de informao permite revelar como a reestruturao do capitalismo e a difuso das novas </p><p>tecnologias da informao lideradas e/ou mediatizadas pelo Estado esto interagindo com as </p><p>foras sociais locais e gerando um processo de transformao social. Em termos gerais, </p><p>consenso entre analistas que a realizao do novo paradigma se d em ritmo e atinge nveis </p><p>dspares nas vrias sociedades. Junto...</p></li></ul>

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