CEMITRIOS COMO FONTES POTENCIAS DE CONTAMINAO

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UNIVERDIDADE DE PERNAMBUCO ESCOLA POLITCNICA DE PERNAMBUCO ENGENHARIA CIVIL GEOTECNIA AMBIENTAL

CEMITRIOS COMO FONTES POTENCIAS DE CONTAMINAO

RECIFE, NOVEMBRO DE 20111

UNIVERDIDADE DE PERNAMBUCO ESCOLA POLITCNICA DE PERNAMBUCO ENGENHARIA CIVIL GEOTECNIA AMBIENTAL

Cemitrio como fontes potenciais de contaminao

Trabalho apresentado pelos discentes do curso de Engenharia Civil da Escola Politcnica de Pernambuco como requisito para composio da nota do 2 Exerccio Escolar da disciplina de Geotcnica Ambiental, ministrada pela Profa. Dra. Stela Fucale.

RECIFE, NOVEMBRO DE 20112

Sumrio1. 2. 3. Introduo.............................................................................................................. 6 Objetivo ................................................................................................................. 8 Reviso de Literatura............................................................................................. 9 I. Princpios de transporte e disperso no solo A movimentao do necrochoorume no solo. ............................................................................................ 9 II. Transmisso de organismos patognicos .......................................................... 9 III. Riscos sade decorrentes da utilizao de gua contaminada .................. 10 IV. Impactos causados por necrochorume ......................................................... 10 4. Os cemitrios atravs dos tempos Um breve histrico...................................... 11 5. O necrochorume .................................................................................................. 12 I. Definies ........................................................................................................ 12 II. O processo de formao do contaminante ....................................................... 12 III. Caracterizao do contaminante .................................................................. 12 6. A contaminao por necrochorume ..................................................................... 14 I. Do solo ............................................................................................................. 14 II. Das guas subterrneas .................................................................................. 15 III. Das guas superficiais .................................................................................. 16 7. Resoluo CONAMA n335 ................................................................................. 16 I. Normas e definies......................................................................................... 17 8. Tecnologias de Remediao................................................................................ 18 9. Casos Estudados................................................................................................. 19 I. Cemitrio da Vrzea......................................................................................... 19 II. Cemitrio Memorial Guararapes....................................................................... 23 10. Consideraes Finais ....................................................................................... 23 I. Tecnologias Inovadoras ................................................................................... 23 II. Custos .............................................................................................................. 23 11. Concluses ...................................................................................................... 23 12. Referncias Bibliogrficas ................................................................................ 24

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Lista de quadrosQuadro 1 - Exemplo de dados aplicados ...................................................................... 6 Quadro 2 - Composio aproximada do necrochorume do corpo de um homem adulto de 70 kg ...................................................................................................................... 13

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Lista de FigurasFigura 1 - Constituio do necrochorume ..................................................................... 7 Figura 3 - A distribuio da gua no solo produzindo zonas distintas ......................... 14 Figura 4 - Vulnerabilidade das reas dos cemitrios contaminao ambiental......... 15 Figura 5 - Risco de contaminao das guas subterrneas por necrochorume .......... 16 Figura 6 - Localizao do cemitrio e sua proximidade com o Rio Capibaribe ............ 20 Figura 7 - Cova do tipo rasa e gavetas no cemitrio da Vrzea .................................. 20 Figura 8 - Cova sendo aberta para sepultamento no cemitrio da Vrzea .................. 21 Figura 9 - Mapa potenciomtrico do cemitrio da Vrzea ........................................... 22

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1. IntroduoEm pocas antigas se pensava que os gases liberados dos cadveres que estavam dispostos nos cemitrios poderiam contaminar as pessoas que o inalassem com a mesma doena que veio a ser a causa do bito do individuo enterrado. Anos a frente viu-se que nada disso acontecia, a explicao cientifica estivera na decomposio do corpo humano, que ao ocorrer libera gases e lquidos para o ambiente. Essa liberao de gases e lquidos causa a contaminao do solo onde esta localizado o cemitrio, em outras palavras, uma grande carga orgnica e outros compostos presentes no corpo humano alcana o meio ambiente envolta, podendo causar danos irreparveis (WHO, 1998). Os cemitrios nada mais so do que depsito de corpos humanos, que necessitam de uma destinao correta, pois a degradao dos mesmos pode se constituir em focos de contaminao. A decomposio dos corpos depende das caractersticas fsicas do solo onde o cemitrio est implantado ou ser implantado. O crescimento populacional tem gerado a necessidade de construo de mais cemitrios, sendo que existem locais totalmente inadequados utilizados com tal finalidade. Devido a falta de planejamento e metodologia adequada, cemitrios que se situavam em locais distantes das cidades, hoje fazem parte dela, propiciando o aparecimento de reas de risco potencial ao meio ambiente. O Necrochorume o liquido resultante da decomposio do cadver humano ao longo do tempo. Apresenta uma densidade mdia de 1,23 g/cm, a relao entre o volume de necrochorume produzido e o peso do corpo de uma pessoa igual a 0,6 l/Kg. PESO (Kg) 70 65 60 55 75 50

PESSOA Emmanuel Rosiane Nathalia Luane Rogrio Annima

QUANTIDADE DE NECROCHORUME (L) 42 39 36 33 45 30

Quadro 1 - Exemplo de dados aplicados Fonte: Rogrio Antonio

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Figura 1 - Constituio do necrochorume Fonte: Carneiro, 2008

O conhecimento da mobilidade do necrochorume no solo fundamental para saber para qual meio fsico o contaminante vai percolar: solo ou aquoso. Para isso necessrio analisar no apenas o lquido, mas tambm o tipo de solo onde est instalado o cemitrio. Quando o necrochorume alcana o aqfero subterrneo ele contamina a gua que pode estar sendo usada como fonte de gua potvel. Se pessoas desinformadas beberem a gua contaminada podem pegar patogenias graves como a febre tifide, hepatite A, ttano, tuberculose e outras. Diante desta problemtica, torna-se necessrio um estudo que avalie o impacto gerado por estas fontes poluidoras. As pesquisas sobre a contaminao por necrochorume e suas propriedades fsicoqumicas so muito escassas o que dificulta a melhor compreenso do fenmeno.

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2. ObjetivoEste trabalho tem por objetivo estudar os impactos gerados pela localizao de cemitrios em meio urbano, particularmente no que diz respeito s guas subterrneas de forma a complementar o assunto abordado em sala de aula pela professora Stela fucale de forma a enriquecer o curso quanto aos vrios tipos de contaminantes do solo e da gua subterrnea, entres as fontes de contaminao que armazenam substncia descartes no planejadas. So enfatizados no trabalho os riscos de sade pblica representados pela contaminao das guas subterrneas de reas de cemitrios. So feitas recomendaes sobre os critrios de ordem geolgica e hidrogeolgica que devem ser levados em conta quando da implantao dos mesmos. So ainda apresentados aspectos da legislao existente sobre o assunto.

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3. Reviso de LiteraturaI. Princpios de transporte e disperso no solo A movimentao do necrochoorume no solo.

O projeto, a construo, a operao e manuteno imprprias das sepulturas do cemitrio podem provocar problemas ao ambiente, em decorrncia da infiltrao do necrochorume do solo gua do subsolo. A infiltrao o processo mais importante de recarga de gua no subsolo, o volume e a velocidade de infiltrao dependem de vrios fatores (HIRATA, 2009) intrnsecos ao solo, como a sua estrutura e porosidade, e ao relevo local. Alm da fora gravitacional e das caractristicas dos solos, sedimentos e rochas, o movimento da gua no subsolo controlado tambm pela fora de atrao molecular e pela tenso superficial (HIRATA, 2009). Solos arenosos possuem gros maiores e consequentemente reas superficiais menores. Isto implica que no possuem capacidade de reter gua ou contaminante em seus interstcios. O solo argiloso consegue reter lquido, pois seus gros so muito pequenos e sua rea superficial maior, onde as molculas do lquido conseguem ficar sorvidas. Para retirar gua ou contaminante de solos argilosos necessria uma presso maior do que em solos arenosos. Isto explicado pela capilaridade existente no solo argiloso interstcio mais fino gera maior presso de reteno (CARNEIRO, 2008). A preocupao com a poluio das guas subterrneas se refere, fundamentalmente, aos aqferos no confinados, e em menor grau, aos aqferos confinados. O principal motivo de preocupao consiste nos elementos patognicos excretados como as bactrias e vrus e podem ser transportados atravs da percolao dos efluentes, desde os sistemas sanitrios locais at os aquferos, (Lewis et al., 1986 apud FUNASA, 2007). O contaminante, de uma maneira geral, ao entrar no solo sofre algumas reaes que podem ret-lo, deix-lo passar livremente ou atenu-lo no meio slido. O comportamento do contaminante depende de suas propriedades fsico-qumicas e do meio onde foi derramado. A mobilidade do poluente no solo medida pela condutividade hidrulica do mesmo. A condutividade hidrulica depende do peso molecular e densidade do poluente e significa a velocidade de infiltrao em solo saturado. No existem grandes quantidades de pesquisas que estudam o comportamento do necrochorume no solo. sabido apenas que sua densidade maior que a da gua. Isto favorece a infiltrao pelo solo at atingir o aqufero subterrneo (CARNEIRO, 2008). A chuva ajuda a percolao e infiltrao do necrochorume no solo at atingir o aqufero. Com a chuva, a carga hidrulica maior sobre o solo o que aumenta a velocidade de infiltrao. Quanto mais rpido o contaminante atravessar o solo, menos tempo ter para ser degradado e adsorvido pelo solo. O necrochorume quando no interior do aqfero pode ser dissolvido (a depender da solubilidade), carreado no sentido de fluxo do aqfero ou se depositar na camada inferior impermevel do mesmo. Apesar da densidade do necrochorume ser maior que a da gua (d = 1,23 g/cm), seu valor no to elevado a ponto de todo o poluente atravessar o aqfero at sua camada impermevel. Com isto, parte do necrochorume dever ser carreada com o aqufero no sentido do fluxo da gua e ser espalhado pela regio (CARNEIRO, 2008).

II.

Transmisso de organismos patognicos

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Bactrias e vrus podem ser transportados pela percolao do efluente para a gua subterrnea e, se ingeridos, estes organismos podem causar infeces. O contgio ou no do indivduo depender da concentrao e persistncia do organismo patognico nas guas subterrneas e da dose infecciosa necessria para iniciar as doenas, (Lewis et al., 1986 apud FUNASA, 2007). Os vrus presentes no necrochorume ficam adsorvidos nos gros de argila, dificultando sua chegada ao aqufero. Porm em solos arenosos e cascalhos, os vrus podem alcanar longas distncias (CARNEIRO, 2008). Outros contaminates bastante comuns nas guas subterrneas so os microorganismos patognicos, incluindo as bactrias e os vrus. Para a medio de qualidade da gua tanto superficial quanto subterrnea, usado o padro de contagem de coliformes. Embora estas bactrias sejam inofensivas ao homem, elas so usadas devido a sua grande abundncia nas fezes de animais (HIRATA, 2009).

III.

Riscos sade decorrentes da utilizao de gua contaminada

A contaminao por necrochorume pode ser pelo aumento da carga orgnica no meio ambiente, que desencadeia uma srie de alteraes prejudiciais harmonia do ecossistema, ou pode ser ainda pela disseminao de microrganismos patognicos como vrus e bactrias (CARNEIRO, 2008). As doenas relacionadas ao uso da gua de poos contaminados podem ser divididas entre as causadas por agentes biolgicos tais como organismos patognicos e as causadas por substncias qumicas (FUNASA, 2007). Dentre as substncias qumicas o nitrato o de mais fcil ocorrncia nos aquferos, a grnade preocupao ambiental associada a este composto est na sua grande mobilidade e persistncia em condies aerbicas, os metais pesados possuem baixa mobilidade, que faz com que passem mais tempo no meio. Todavia, nos pases em desenvolvimento, as doenas oriundas de contaminao qumica so muito menos frequentes do que as primeiras, que, na verdade, constituem a maior causa de doenas e mortes. Alguns casos histricos de sade pblica relacionados ao necrochorume, aconteceram em Berlim que entre os anos de 1863 e 1867 ocorreu uma epidemia de febre tifide, um caso grave de contaminao do solo por bactrias gerando muitos casos de infeces gastrointestinais, no Brasil j foram detectados em aquferos subterrneos presena de coliformes totais, fecais, estreptococos fecais. De uma forma geral causam doenas de veiculao hdrica: ttano, febre tifide e paratifide, intoxicao alimentar, hepatite A.

IV.

Impactos causados por necrochorume

Os cemitrios podem ser fonte geradora de impactos ambientais. A localizao e operao inadequadas de sepultamentos em meios urbanos podem provocar a contaminao de mananciais hdricos por microorganismos que se proliferam do processo de decomposio dos corpos. Se o aqfero for contaminado na rea interna do cemitrio, esta contaminao poder fluir para regies prximas, aumentando o risco para a sade das pessoas que venham a utilizar da gua captada dos poos rasos e poos tubulares. O impacto depende de vrios fatores: condies metereolgicas locais (precipitao, umidade, temperatura, etc); a geologia e geomorfologia; condies de operao do cemitrio (sepultamento direto no solo ou impermeabilizao da sepultura); topografia (rea e perfil do terreno); caractersticas do solo (determina a condutividade hidrulica); hidrogeologia (comportamento do lenol fretico). Depois de morto, o corpo humano se transforma. Passa a ser um ecossistema de populaes formado por artrpodes, bactrias e outros microorganismos

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patognicos, degradadores de matria orgnica e outros, podendo pr em risco o meio ambiente e a sade pblica. Por estarem muito prximos aos centros urbanos, os cemitrios, principalmente os pblicos, expem sim a populao a uma variedade imensa de doenas. Primeiramente com a contaminao das guas subterrneas de menor profundidade (aqufero fretico) ou de guas superficiais, como canais, crregos, ribeires etc. Quem ainda no foi a cemitrios onde as covas esto abertas, rachadas, onde os ossos ou materiais dos mortos esto visveis para quem quiser ver? O maior perigo est nos cemitrios que enterram os mortos diretamente em contato com a terra. Para os pesquisadores, muitos cemitrios esto contaminando o solo e as guas subterrneas inclusive com metais pesados. Ao contaminar o solo, o lenol fretico, responsvel por 95% da gua que se consome no planeta, segundo a ABAS Associao Brasileira de guas Subterrneas -, est invariavelmente contaminado e ningum se d conta, nada mais importante hoje em dia que uma poltica ambiental e cuidados sanitrios. J sabemos do descaso do poder pblico que no est nem a para os seus contribuintes, e que continua com a mesma poltica do melhor no falar, melhor no alertar, melhor no resolver, afinal, eles tm os animais para culpar e,que, na verdade, sempre pagam o pato pelas desordens fsicas que a populao possa vir a ter por causa dos necrochorumes!

4. Os cemitrios atravs dos tempos Um breve histricoA palavra cemitrio (do grego koumetrion, de kmo, eu durmo), designava, a princpio, o lugar onde se dorme, quarto, dormitrio. Foi sob a influncia do cristianismo que o termo tomou o sentido de campo de descanso aps a morte. Tem como sinnimos; necrpole, carneiro, sepulcrrio, campo santo, cidade dos ps juntos e ltima moradia (SOBRINHO, 2002). Os corpos de pessoas mortas, ao longo da antiguidade, j foram enterrados, mumificados, cremados, jogados ao mar, etc. A partir do sculo XVII foi adotado mais comumente o enterro dos corpos dos mortos. No incio, as pessoas eram enterradas no interior ou ao redor das Igrejas para que estivessem mais prximas da salvao divina. A Igreja incentivava, mas segregava os ricos e pobres pelos locais onde eram enterrados. Este comportamento comeou a ser criticado por membros da comunidade que se incomodavam com o odor gerado pela decomposio dos cadveres dentro das Igrejas. Comeou a se desconfiar que os gases liberados poderiam contaminar as pessoas que o inalassem com a mesma doena que veio a matar o indivduo enterrado A proibio desta prtica no demorou muito para sair em todos os lugares do mundo, principalmente na Europa, continente mais desenvolvido quela poca. Gerou confuso e irritao na comunidade crist que no aceitava ser enterrada longe do caminho para a salvao. Por fim, foi proibida no sculo XX pela prpria Igreja que reconheceu que esta prtica no era higinica e saudvel para os fiis. Entre os antigos hindus a incinerao crematria era o destino dado aos seus mortos. O cadver era consumido pelo fogo, e as cinzas eram lanadas ao vento, ou nas guas dos rios, sendo o morto despojado de todos os seus traos de identidade. A cremao representava a purgao de todos os pecados, sendo a prpria vida individual considerada uma transgresso que deveria ser expiada pela morte. [...] o verdadeiro sentido da vida consiste no despojamento do corpo e na preparao para a morte. [...] Na antiga Grcia, o ritual fnebre diferenciava os tipos dos mortos. Apesar de haver a incinerao em ambos os casos, a cerimnia dos homens comuns era distinta dos grandes heris. Os primeiros eram cremados coletivamente e suas cinzas enterradas em valas comuns. O grande heri era merecedor de homenagens durante 11

a cremao. Ele teve a vida digna de ser lembrada e acreditava-se que sua morte era a prova de sua virtude. Para os judeus e cristos que acreditavam na ressurreio aps a morte, esta seria o acesso para outra dimenso da vida que poderia ser no inferno ou no paraso, conforme os seus feitos terrenos a partir da observao dos mandamentos de Deus. Somente na Idade Mdia que o cemitrio comeou a ser utilizado da forma que conhecemos. Nesta poca a morte era vista com naturalidade e os enterros aconteciam no centro da cidade, nos arredores da Igreja Catlica (CARNEIRO, 2008).

5. O necrochorumeI. Definies

O necrochorume o lquido que escorre dos corpos mortos em decomposio nos cemitrios, consiste um lquido viscoso, escuro, de odor forte e desagradvel, podendo ser considerado como gua residuria. um problema srio por causa do enorme potencial de contaminao do solo e da gua. Apresenta alto grau de patogenicidade devido presena de bactrias, vrus e outros agentes causadores de doenas, possuindo substncias orgnicas txicas (putrescina e cadaverina), que pode, muitas vezes, ser o causador de doenas infectocontagiosas, por este fato necessita de estudo para a definio da melhor tecnologia para o seu tratamento.

II.

O processo de formao do contaminante

Nos processos transformativos ocorrem reaes fisico-qumicas motivadas pela ao dos microorganismos aerbios e facultativos, e que resultam na decomposio e estabilizao dos componentes orgnicos, Nas condies normais a decomposio dos cadveres efetua-se em quatro fases, que na prtica podem se processar simultaneamente em vrias reas do corpo: perodo de colorao, perodo gasoso, perodo coliquativo ou humoroso e perodo de esqueletizao (MELO, 2010). No perodo de colorao d-se o inicio da putrefao dos corpos, h uma grande formao de gases principalmente na cavidade abdominal. No perodo gasoso, os gases originados na cavidade abdominal, comeam a se difundir por todo o corpo, originando a formao de bolhas cheias de lquido nos tegumentos e a um enfisema putrefativo facilmente visvel (MELO, 2010). No perodo coliquativo que se d a formao do contaminante, o necrochorume. Aqui acontece a dissoluo ptida, quando as partes moles tm seu volume reduzido devido desintegrao dos tecidos. Os gases se exalam, ficando o corpo reduzido a uma massa de odor ftido, perdendo pouco a pouco a sua forma. Nesse perodo, que dura cerca de 6 meses, alm dos microorganismos putrefativos, h grande participao de larvas de insetos em quantidade, que concorrem na destruio do cadver. Com a ao continuada das bactrias, e outros agentes externos, a matria orgnica do cadver chega ao estado pulverulento deixando os ossos limpos, caracerizando assim o perdodo esqueltico. O residual de matria orgnica dos ossos costuma liberar o fsforo sob a forma de fosfina, que reage com o oxignio atmosfrico, dando origem a um fenmeno luminoso de curtssima durao e de observao fortuita, conhecido como fogo ftuo.

III.

Caracterizao do contaminante

O necrochorume o produto da coliquao, apresentado forma lquida viscosa, acinzentado e ftido. Pertence ao grupo funcional amina. A constituio do necrochorume importante de ser conhecida para prever seu 12

comportamento no solo e na gua subterrnea. No apenas contamina o ambiente com microorganismos patognicos que podem alcanar o ser humano, como tambm insere compostos atpicos ao meio em que percolou. Em outras palavras, uma carga grande de materiais orgnicos e outros compostos presentes no corpo humano alcana o meio que no est preparado para receber isto, podendo sofrer danos irreparveis (WHO, 1998 apud CARNEIRO, 2008). O necrochorume contm quantidades elevadas de diferentes bactrias, como as causadoras de ttano (Clostridium tetani), gangrena gasosa (Clostridium perfringes), febre tifide (Salmonella typhi), febre parasitide (Salmonella paratyphi), disenteria (Shigella dysenteriae) e outras, alm de muitos tipos de vrus (como os da hepatite) (SILVA & MALAGUTTI FILHO, 2009). Essas substncias so produzidas pela hidrlise protica durante a putrefao de tecidos orgnicos. Ambas tm odores muito desagradveis e so solveis em gua, sendo um meio ideal para a proliferao de microorganismos e de doenas (MELO et al., 2010). Esto presentes ainda no necrochorume metais pesados, provenientes dos adereos dos caixes, alm de formaldedo e metanol, utilizados na embalsamao dos corpos (SILVA & MALAGUTTI FILHO, 2009). Existem muitos tipos de substncias qumicas que so utilizadas normalmente e historicamente na embalsamao, tanatopraxia e na construo de caixes funerrios, entre elas esto a laca, substncias de tingimento, colas, ferro e zinco, em alguns destes 5 produtos possuem em sua composio metais pesados,o formol utilizado na embalsamao, quase sempre superdosado, pois as funerrias tm procedimentos prprios (ainda no normatizados). Atualmente vem sendo usada a tcnica de tanatopraxia, que a tcnica de preparar, maquiar e, restaurar partes do falecido, no a mesma tcnica de embalsamao, pois serve apenas para melhorar o aspecto do cadver durante o velrio, prolongando por algumas horas este aspecto. A composio qumica dos produtos utilizados ainda desconhecida, utilizam ainda, cosmticos, corantes e enrijecedores. Macdo (2004) apud Almeida e Macdo (2005) apontam a composio aproximada do necrochorume do corpo de um homem de 70 kg, como mostrado no quadro 2, abaixo:

Quadro 2 - Composio aproximada do necrochorume do corpo de um homem adulto de 70 kg Fonte: Almeida e Macdo, 2005

Aps a morte, o corpo humano sofre putrefao, que a destruio dos tecidos do corpo por ao das bactrias e enzimas, resultando na dissoluo gradual dos tecidos em gases, lquidos e sais. Os gases produzidos so H2S, CH4, CO2, NH3 e H2. O odor causado por alguns destes gases e por pequena quantidade de mercaptan substncia que contm sulfeto de hidrognio ligado a carbono saturado e dependendo das condies ambientais, a putrefao pode ser observada 24 horas aps a morte, 13

com a formao dos gases em dois ou trs dias. A decomposio do corpo pode durar de alguns meses at vrios anos, dependendo da ao ambiental. A toxicidade qumica do necrochorume diludo na gua fretica relaciona-se aos teores anmalos de compostos das cadeias do fsforo e do nitrognio, metais pesados e aminas. O necrochorume no meio natural decompe-se e reduzido a substncias mais simples e inofensivas, ao longo de determinado tempo. Em determinadas condies geolgicas, o necrochorume atinge o lenol fretico praticamente ntegro, com suas cargas qumicas e microbiolgicas, desencadeando a sua contaminao e poluio. Os vetores assim introduzidos no mbito do lenol fretico, graas ao seu escoamento, podem ser disseminadas nos entornos imediato e mediato dos Cemitrios, podendo atingir grandes distncias, caso as condies hidrogeolgicas assim o permitam (ROMAN, 2005).

6. A contaminao por necrochorumeVrios so os problemas que ocorrem quando um cemitrio encontra-se mal localizado, aos quais passamos a comentar. A putrefao dos cadveres influenciada por fatores intrnsecos e extrnsecos. Os intrnsecos so pertencem ao prprio corpo, tais como: idade, constituio fsica e causa-mortis. Os extrnsecos so pertinentes ao ambiente onde o corpo foi depositado, tais como: temperatura, umidade, aerao, constituio mineralgica do solo, permeabilidade, etc... Com a decomposio dos corpos h a gerao dos chamados efluentes cadavricos, gasosos e lquidos. Os primeiros que surgem so os gasosos, seguindose os lquidos. A toxicidade qumica do necrochorume diludo na gua fretica relaciona-se aos teores anmalos de compostos das cadeias do fsforo e do nitrognio, metais pesados e aminas. Desde o sculo passado, tem-se ligado a incidncia de endemias contaminao do subsolo, gerada por cemitrios. do consenso geral o potencial contaminador dos efluentes da decomposio cadavrica, em especial no que diz respeito ao lenol fretico e sua explotao para o consumo humano, nas circunvinhanas dos cemitrios.

I.

Do solo

O solo pode ser dividido, de modo simplificado, em duas zonas (figura 3). A zona no saturada (ou de aerao) composta de partculas slidas e de espaos vazios, ocupados por pores variveis de ar e gua. J a zona saturada aquela em que a gua ocupa todos os espaos. O limite entre essas zonas definido pelo nvel do lenol fretico. O movimento da gua tende a ser vertical na primeira e horizontal na segunda.

Figura 2 - A distribuio da gua no solo produzindo zonas distintas

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A zona no saturada atua como um filtro, por apresentar um ambiente (solo, ar e gua) favorvel modificao de compostos orgnicos e inorgnicos e reteno e eliminao de bactrias e vrus. A eficcia na reteno de micro-organismos depende de fatores como tipo de solo, aerao, baixa umidade, teor de nutrientes e outros. Para reter organismos maiores, como as bactrias, o mecanismo mais importante o de filtrao, relacionado permeabilidade do solo. Para reter vrus, bem menores, e evitar que atinjam o lenol fretico, mais relevante a adsoro (adeso de molculas de um fluido a uma superfcie slida), que depende da capacidade de troca inica da argila e da matria orgnica do solo. Nos terrenos destinados implantao de cemitrios, a espessura da zona no saturada e o tipo de material geolgico so fatores determinantes para a filtragem do necrochorume (figura 4). A proporo de argila no solo deve ficar entre 20% e 40%, para favorecer os processos de decomposio (que dependem da presena de ar) e as condies de drenagem do necrochorume.

Figura 3 - Vulnerabilidade das reas dos cemitrios contaminao ambiental

Solos com mdia permeabilidade e nvel fretico profundo so ideais para sepultamentos, pois favorecem a putrefao e a filtragem do necrochorume, o que significa baixa vulnerabilidade de contaminao. Se o material geolgico tem pouca permeabilidade e o nvel fretico quase aflorante, o solo extremamente vulnervel contaminao, pois favorece fenmenos como a saponificao. Tambm podem ocorrer diversas situaes intermedirias: se, por exemplo, a permeabilidade do solo for alta e o nvel fretico pouco profundo, a vulnerabilidade contaminao ser alta.

II.

Das guas subterrneas

Implantar cemitrios em locais onde as caractersticas geolgicas favorecem os fenmenos conservativos dos corpos ou reduzem a reteno do contaminante na camada superficial, e onde o lenol fretico pouco profundo, pode contaminar as guas subterrneas. Tmulos em runas ou com rachaduras, problemas causados principalmente pela compactao do solo, por razes de rvores e pela negligncia dos proprietrios, tambm favorecem a contaminao dessas guas. A infiltrao e percolao das guas pluviais atravs dos tmulos e solo provoca a migrao de uma srie de compostos qumicos orgnicos e inorgnicos atravs da zona no saturada, podendo alguns destes compostos atingirem a zona saturada e portanto poluir o aqufero. Esta vulnerabilidade deve-se ao seu posicionamento espacial no meio fsico e acesso facilitado aos vetores qumicos e microbiolgicos, cujo ingresso proporcionado pelo carreamento das guas superficiais infiltradas (chuvas). Este aporte hdrico subterrneo recarrega naturalmente o aqfero de maneira direta, perfazendo at 40% do total precipitado, em algumas situaes geolgicas.

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Ao estabelecer que o lenol fretico deve estar, no mnimo, a 1,5 m do fundo das sepulturas, a resoluo do Conama ainda prev que, se no for possvel manter essa distncia ou se as condies do solo no forem apropriadas, os sepultamentos devem ser feitos acima do nvel natural do terreno para reduzir o risco de contaminao. A posio do lenol fretico, as caractersticas do solo e outros aspectos (entre eles as rachaduras nas sepulturas) influenciam (figura 3) os riscos de contaminao das guas subterrneas.

Figura 4 - Risco de contaminao das guas subterrneas por necrochorume

Quando o solo apresenta mdia permeabilidade e alta capacidade de adsoro e reteno do material argiloso, associada grande distncia at o lenol fretico, o necrochorume move-se lentamente e as substncias do contaminante so interceptadas na zona no saturada. Essa situao classificada como de mdio risco de contaminao de guas subterrneas. Se a sepultura estiver abaixo do nvel fretico, pode ser inundada, gerando uma situao de extremo risco, j que, em geral, os caixes no so impermeveis. Quando o solo tem elevada permeabilidade, o que permite a infiltrao profunda do necrochorume, ou a distncia para o lenol fretico inadequada, a situao de alto risco, porque os contaminantes chegam facilmente s guas subterrneas. Nesses casos, para diminuir a possibilidade de contaminao do aqufero, o sepultamento deve ocorrer acima do nvel natural do terreno. O maior impacto causado ao meio fsico o extravasamento do necrochorume e o seu aporte no nvel hidrosttico, onde a contaminao at ento localizada, poder disseminar-se (pluma de poluio). Desde os tempos imemoriais, o solo tem sido utilizado pelo homem para disposio de seus resduos, incluindo o seu prprio corpo aps a morte.

III.

Das guas superficiais

Em cemitrios em que o terreno est impermeabilizado pelos tmulos e pela pavimentao das ruas em torno, e onde o sistema de drenagem das guas das chuvas deficiente, estas podem escoar superficialmente e inundar os tmulos mais vulnerveis. Aps atravessarem a rea dos cemitrios, essas guas so em geral lanadas na rede pluvial urbana e canalizadas para os corpos dgua, contaminando-os com substncias trazidas do interior do cemitrio. Para minimizar esse problema, a Resoluo n 355 do Conama estabelece que a rea de sepultamento deva ter um recuo mnimo de 5m em relao ao permetro do cemitrio. Esse recuo deve ser ampliado se as caractersticas do solo da rea forem desfavorveis, como permeabilidade reduzida, distncia inadequada em relao ao nvel do lenol fretico e outras.

7. Resoluo CONAMA n335

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Existe a necessidade do monitoramento contnuo dos solos, das guas de superfcie e subsuperfcie dos cemitrios, pois os mesmos configuram fontes potenciais de contaminao. Coleta de solo e anlise de rotina a fim de detectar alterao dos padres estabelecidos, principalmente alterao de pH, acidez do solo e valores de Carbono e Matria orgnica. Como no Brasil no havia controle na construo de cemitrios, os problemas tem sido empurrados pelos governantes, o Estado no cuida do problema que repassa as responsabilidades aos municpios e estes por sua vez no tem tecnologia e muito menos interesse poltico de acompanhar o problema (GORGULHO, 1999). Para isso o Conselho nacional de Meio Ambiente (CONAMA) promulgou a Resoluo n 335, de 3 de abril de 2003, que dispe sobre o licenciamento ambiental de cemitrios (BRASIL,2003; COSTA,2004).

I.

Normas e definies

Coleta de solo e anlise de rotina a fim de detectar alterao dos padres estabelecidos, principalmente alterao de pH, acidez do solo e valores de Carbono e Matria orgnica. Na fase de Licena Prvia do licenciamento ambiental, devero ser apresentados, dentre outros, os seguintes documentos: a) levantamento topogrfico planialtimtrico e cadastral, compreendendo o mapeamento de restries contidas na legislao ambiental, incluindo o mapeamento e a caracterizao da cobertura vegetal; b) estudo demonstrando o nvel mximo do aqfero fretico (lenol fretico), ao final da estao de maior precipitao pluviomtrica; PLANO DE IMPLANTAO E OPERAO DO EMPREENDIMENTO proibida a instalao de cemitrios em reas de Preservao Permanente ou em outras que exijam desmatamento de Mata Atlntica primaria ou secundria, em estgio mdio ou avanado de regenerao, em terrenos predominantemente crsticos, que apresentam cavernas, sumidouros ou rios subterrneos, em reas de manancial para abastecimento humano, bem como naquelas que tenham seu uso restrito pela legislao vigente, ressalvadas as excees legais previstas Devero ser atendidas, entre outras, as seguintes exigncias para os cemitrios horizontais: a) - a rea de fundo das sepulturas deve manter uma distncia mnima de um metro e meio do nvel mximo do aqfero fretico; b) - nos terrenos onde a condio prevista no inciso anterior no puder ser atendida, os sepultamentos devem ser feitos acima do nvel natural do terreno; c) - adotar-se-o tcnicas e prticas que permitam a troca gasosa, proporcionando, assim, as condies adequadas decomposio dos corpos, exceto nos casos especficos previstos na legislao; d) - a rea de sepultamento dever manter um recuo mnimo de cinco metros em relao ao permetro do cemitrio, recuo que dever ser ampliado, caso necessrio, em funo da caracterizao hidrogeolgica da rea; Os corpos sepultados podero estar envoltos por mantas ou urnas constitudas de materiais biodegradveis, no sendo recomendado o emprego de plsticos, tintas, vernizes, metais pesados ou qualquer material nocivo ao meio ambiente. Os resduos slidos, no humanos, resultantes da exumao dos corpos devero ter destinao ambiental e sanitariamente adequada. MONITORAMENTO 17

Devero ser implantados sistemas de poos de monitoramento, instalados em conformidade com a norma vigente - ABNT NBR 13.895 - Construo de Poos de Monitoramento e Amostragem, estrategicamente localizados a montante e a jusante da rea do cemitrio, com relao ao sentido de escoamento fretico: a) os poos devero ser amostrados e as guas subterrneas analisadas, antes do incio de operao do cemitrio, para o estabelecimento da qualidade original do aqfero fretico, de acordo com os padres da Portaria n 1469/2000, do Ministrio da Sade e suas sucessoras; b) os poos devero ser amostrados, em conformidade com a norma NBR 13.895 e as amostras de gua analisadas para os seguintes parmetros: slidos totais dissolvidos, dureza total, pH, cloretos, chumbo total, ferro total, fosfato total, nitrognio amoniacal, nitrognio nitrato, coliformes fecais, bactrias heterotrficas e mesfilas, salmonella sp., clcio e magnsio. As amostras devero obedecer a seguinte tabela: Cemitrios implantados at 1 (um) ano Amostragem trimestral Cemitrios implantados de 1 (um) ano a 5 (cinco) anos - Amostragem semestral Cemitrios implantados acima de 5 (cinco) anos - Amostragem anual. Caso ocorram indcios de contaminao, devero ser analisados novamente os parmetros de qualidade da gua estabelecidos na Portaria n 1469/2000 do Ministrio da Sade ou sua sucessora, efetuando a descontaminao do mesmo, atravs de projeto especfico, devidamente previsto no EPIA/RIMA, devendo ainda, ser acompanhado de Anotao de Responsabilidade Tcnica - ART; Os columbrios para entumulamento de cadveres devero ser impermeabilizados, de forma a no permitir a passagem de gua ou outro efluente lquido ou gasoso para a rea externa;

8. Tecnologias de RemediaoDevido falta de pesquisas para a remediao dos solos, onde o que se encontra atualmente escassa as pesquisas relacionadas para a identificao e presena de materiais no necrochorume, metais pesados, bactrias e vrus. Por este motivo, fez-se necessrio que, a partir das aulas lecionadas pela professora Stela Fucale sobre Tcnicas de Remediao, que propusessem tcnicas para reduzir ou remediar a contaminao do solo. Por ser mais denso que a gua, o necrochorume quando atinge o aqfero subterrneo migra para sua parte inferior at atingir a camada impermevel. A partir da, parte dele pode seguir o fluxo da gua ou pode escoar por gravidade sobre o substrato impermevel do aqfero. Esta contaminao do aqfero mais problemtica de ser remediada j que geralmente encontra-se a grandes profundidades. De todas as contaminaes provocadas pelos cemitrios, os maiores problemas esto relacionados ao vrus, devido sua grande capacidade de sobrevivncia, mobilidade, adaptao ao meio adverso, mutao e permeao atravs at de meios semipermeveis. Foram encontrados vetores de contaminantes de vrus em lenol fretico h quilmetros de distncia dos cemitrios. Os vetores ainda poderiam causar problemas sade da populao desavisada que ingerisse a gua contaminada (LOPES, [200-]) PUMP AND TREAT Para descontaminar o aqfero necessrio a construo de barreiras hidrulicas para retirar a gua contaminada, de forma que o tratamento da mesma ocorra ex-situ, reduzindo a carga hidrulica do aqfero. (CARNEIRO, 200-) 18

Esta tcnica tem o nome de Pump and Treat. o mtodo mais utilizado de remediar aqferos contaminados. Este mtodo baseia-se em bombear a gua subterrnea contaminada para a superfcie utilizando uma srie de poos de extrao, realizando o tratamento da gua contaminada na superfcie para remover os contaminantes, para que somente apos a descontaminao possa reinjetar a gua na superfcie ou descart-la fora do local. Este mtodo ainda pode reduzir o nvel do lenol fretico, aumentando a distncia entre o contaminante. Pode impedir a disseminao do necrochorume. FITORREMEDIAO Para auxiliar na reteno dos contaminantes do chorume, podem ser plantadas rvores que retm microorganismos e consomem o excesso de matria orgnica que chega ao meio. Esta tcnica tem o nome de fitorremediao. A Fitoextrao a captao e armazenamento de poluentes no tronco, em plantas ou folhas. Algumas plantas so chamadas de hiperacumuladoras, pois so capazes de armazenar uma quantidade de metal maior ou igual a 0,1% de seu peso seco (FUCALE). Aps os poluentes se acumulam no caule e folhas das plantas so colhidas. Como comparao, estima-se um site contendo 5000 toneladas de solo contaminado ir produzir apenas 20-30 toneladas de cinzas (BLACK, 1995). Este mtodo particularmente til quando remediar principalmente os metais pesados encontrados na ornamentao dos caixes. Como as covas no so muito profundas, o cultivo de plantas sobre a terra pode ser eficaz para reduzir a quantidade de necrochorume, pois esta tcnica tem maior utilidade em profundidades mais rasas, alm de dar um aspecto esteticamente agradvel nos cemitrios.

9. Casos EstudadosI. Cemitrio da Vrzea

O Cemitrio da Vrzea o terceiro maior cemitrio do Recife em rea (21.700 m) e est dividido em 18 quarteires. Est localizado na poro oeste do municpio do Recife, ao sul da Avenida Caxang e contguo ao campus da Universidade Federal de Pernambuco, distante aproximadamente 800m a leste da margem direita do rio Capibaribe (figura 6).

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Figura 5 - Localizao do cemitrio e sua proximidade com o Rio Capibaribe

De acordo com a Prefeitura do Recife, o cemitrio costuma receber mais de 4.500 visitas por ms. Este cemitrio se caracteriza por receber sepultamentos de moradores da rea de entorno (Vrzea, Iputinga, Roda de Fogo e Engenho do Meio). Na sua estrutura, possui 3.403 covas rasas, 40 catacumbas das irmandades (igrejas), 207 catacumbas municipais, 224 tmulos de famlia, 1295 ossurios perptuos e 595 ossurios das irmandades. Como exemplificado na figura 7.

Figura 6 - Cova do tipo rasa e gavetas no cemitrio da Vrzea

Nas suas quadras, predominante as covas rasas, com escavaes de 0,6 a 0,8m de profundidade, como na figura 8. H tambm tmulos em blocos prmoldados, constitudos por dois compartimentos revestidos com placas de alvenaria sem reboco, que alcanam a profundidade de 1,5m.

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Figura 7 - Cova sendo aberta para sepultamento no cemitrio da Vrzea

Em geral, as sepulturas no Cemitrio da Vrzea no so perptuas, havendo reutilizao das mesmas aps um perodo mnimo de dois anos, havendo uma mdia anual de 1.516 enterramentos (ESPNDULA, 2006). Nvel Fretico A superfcie fretica, no interior do cemitrio, igual ou maior que 2,9 metros de profundidade em relao superfcie do terreno, com distncias mnimas de 2,1 a 2,7 metros entre o fundo das sepulturas e a superfcie fretica.

Poos de Inspeo Foram construdos trs poos de observao no interior do cemitrio da Vrzea, entre os meses de fevereiro e abril de 2003, para monitoramento da superfcie fretica e da qualidade da gua subterrnea do aqufero fretico.

Caractersticas dos Sedimentos De acordo com a anlise granulomtrica realizada pelo Laboratrio de Geologia e Geofsica Marinha LGGM - da UFPE nas amostras coletadas durante a construo dos poos de inspeo, verifica-se que os sedimentos, na rea do cemitrio, apresentaram predominncia de gros do tipo areia, mal selecionado, concentrada nos 3,0 metros mais superficiais do terreno. Sedimentos com essas caractersticas (areia muito fina, areia siltosa e areia argilosa), segundo Ottmann (1987), apresentam uma m permeabilidade, com um coeficiente K = 10-6 a 10-9 m/s. Este parmetro aumenta a capacidade do solo tem em absorver o necrochorume, podendo comprometer o lenol fretico.

Indicadores Fsico-Qumicos Nas amostras analisadas, elementos mais predominantes no aqfero so o clcio, o sdio e o potssio. Esse ltimo apresentou concentrao elevada daquele 21

tido como mais freqente para as guas subterrneas. Estes valores acima da mdia podem estar relacionados decomposio dos corpos. Entre os metais pesquisados, o ferro, o cdmio, o mangans e o chumbo apresentaram concentraes que excederam os valores mximos permitidos estabelecidos pelo Ministrio da Sade. Geralmente, estas alteraes desses so relacionadas ocorrncia de tintas e guarnies utilizadas nos caixes.

Mapa Potenciomtrico Segundo Espndula, o mapa potenciomtrico do cemitrio mostra que as cargas hidrulicas, entre os poos de inspeo que foram construdos, apresentaram poucas variaes. Alm disso, a distribuio das cargas hidrulicas indica um divisor de gua no interior do cemitrio, de forma que o fluxo ocorre tanto no sentido oeste como leste (figura 9), o que dificulta o controle da disseminao do necrochorume.

Figura 8 - Mapa potenciomtrico do cemitrio da Vrzea

CONCLUSES De acordo com Espndula, as concluses que se pode tomar acerca dos resduos encontrados so as seguintes: O resultado das anlises da gua coletada nos poos construdos no interior do cemitrio da Vrzea indica que o referido cemitrio pode ser considerado como responsvel pela elevada densidade de microrganismos nas guas subterrneas imediatamente subjacentes ao mesmo. Valores de condutividade eltrica e de bactrias em alguns poos residenciais, no permitiram relacionar tais valores presena do cemitrio, dados a ocorrncia de nmeros mais baixos do que nos poos residenciais localizados mais prximos do mesmo.

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O alto teor do potssio pode est relacionado aos processos de decomposio dos corpos, enquanto o teor dos demais ons pode ter relao com os materiais utilizados nos atades para enterramentos (tintas, vernizes, guarnies).

Apesar de o cemitrio contribuir com a contaminao do solo, h outras reas fora dos limites do mesmo onde tambm h a contaminao. A avaliao, desta forma, se torna deficiente.

II.

Cemitrio Memorial Guararapes

10.I. II.

Consideraes FinaisTecnologias Inovadoras Custos

11.

Concluses

Este trabalho foi interessante, pois, considervamos cemitrios como um depsito de corpos humanos, mas sem a destinao correta, pode causar grandes riscos a sade humana e ao ecossistema. Desde sculos passados tem-se ligados a incidncia de endemias a contaminao do subsolo, gerado por cemitrios. E no Brasil no havia um controle na construo dos cemitrios e essas contaminaes eram muitas vezes empurradas pelos governantes. Mas no dia 03 de abril de 2003, foi promulgada a resoluo CONAMA N335, que dispe sobre o licenciamento ambiental do cemitrios, passando a ter uma rotina na coleta e anlise do solo, para detectar possveis alteraes dos padres estabelecidos. A sustentabilidade Ambiental traduz as prticas das atividades humanas que utilizamos recursos naturais do Planeta em seu prprio proveito, tendo como princpio fundamental a no destruio total destes recursos preservando-os para desfrute das geraes futuras. Portanto, necessitam de uma destinao correta, para que no venha ocorrer contaminao em nosso ecossistema. E segundo o Artigo 225 da Constituio Federal, diz que: Todos tem direito ao meio-ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Pblico e coletividade de defend-lo e preserv-lo para as presentes e futuras geraes.

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12.

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