cecília meireles - romanceiro da inconfidência

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Ceclia Meireles Romanceiro da inconfidncia

Esta digitalizao de Romanceiro da Inconfidncia foi feita a partir do texto integrante da OBRA POTICA De Ceclia Meireles, PUBLICADA, em volume nico, pela Editora Nova Aguilar S/A, no Rio de Janeiro, em 1977.

NDICE DOS POEMAS DO ROMANCEIRO DA INCONFIDNCIA, DE CECLIA MEIRELES. Este SUMRIO no existe, na forma como est apresentado aqui, na edio que serviu de base para a digitalizao. Foi organizado para favorecer uma percepo global da obra e tambm para facilitar a eventual localizao de um determinado poema. A Autora numerou oitenta-ecinco Romances com algarismos romanos, grafia que preferimos respeitar, mesmo ao adaptar o texto para o uso a que se destina. Apesar de os algarismos romanos serem de difcil compreenso quando lidos pelo equipamento, a requerer, muitas vezes, que os soletremos, substitulos no texto ceciliano pelos arbicos seria arbitrariedade que o respeito desaconselhou. Neste Sumrio, porm, utilizamos os algarismos arbicos, perfeitamente lidos pelos nossos recursos. Um ltimo esclarecimento pode ser conveniente: para evitar a apresentao da obra em um nico arquivo muito extenso, agrupamos-lhe os poemas em cinco arquivos, tomando como critrio as cinco partes identificadas no Romanceiro da Inconfidncia por Darcy Damasceno, um dos tantos estudiosos que se tm debruado sobre a obra de Ceclia Meireles.

NDICE Parte 1 Fala Inicial Cenrio Romance 1 ou Da Revelao do Ouro Romance 2 ou Do Ouro Incansvel Romance 3 ou Do Caador Feliz Romance 4 ou Da Donzela Assassinada Romance 5 ou Da Destruio de Ouro Podre Romance 6 ou Da Transmutao dos Metais Romance 7 ou Do Negro nas Catas Romance 8 ou Do Chico-Rei Romance 9 ou De Vira-E-Sai Romance 10 ou Da Donzelinha Pobre Romance 11 ou Do Punhal e da Flor Romance 12 ou De Nossa Senhora da Ajuda Romance 13 ou Do Contratador Fernandes Romance 14 ou Da Chica da Silva Romance 15 ou Das Cismas de Chica da Silva Romance 16 ou Da Traio do Conde Romance 17 ou Das Lamentaes no Tejuco Romance 18 ou Dos Velhos no Tejuco Romance 19 ou Dos Maus Pressgios Parte 2 Cenrio Fala Antiga Vila Rica Romance 20 ou Do Pas da Arcdia Romance 21 ou Das Idias Romance 22 ou Do Diamante Extraviado Romance 23 ou Das Exquias do Prncipe Romance 24 ou Da Bandeira da Inconfidncia Romance 25 ou Do Aviso Annimo Romance 26 ou Da Semana Santa de 1789 Romance 27 ou Do Animoso Alferes Romance 28 ou Da Denncia de Joaquim Silvrio Romance 29 ou das Velhas Piedosas Romance 30 ou Do Riso dos Tropeiros Romance 31 ou De Mais Tropeiros Romance 32 ou Das Pilatas Romance 33 ou Do Cigano que viu Chegar o Alferes Romance 34 ou De Joaquim Silvrio

Romance 35 ou Do Suspiroso Alferes ou D Romance 36 ou Das Sentinelas Romance 37 ou D ou De Maio de 1789 Romance 38 ou Do Embuado Romance 39 ou De Francisco Antnio Romance 40 ou Do Alferes Vitoriano Romance 41 ou Dos Delatores Romance 42 ou Do Sapateiro Capanema Romance 43 ou Das Conversas Indignadas Romance 44 ou Da Testemunha Falsa Romance 45 ou Do Padre Rolim Romance 46 ou Do Caixeiro Vicente Romance 47 ou Dos Seqestros Fala aos Pusilnimes Parte 3 Romance 48 ou Do Jogo de Cartas Romance 49 ou De Cludio Manuel da Costa Romance 50 ou De Incio Pamplona Romance 51 ou Das Sentenas Romance 52 ou Do Carcereiro Romance 53 ou Das Palavras Areas Romance 54 ou Do Enxoval Interrompido Romance 55 ou Do Preso Chamado Gonzaga Romance 56 ou Da Arrematao dos Bens do Alferes Romance 57 ou Dos Vos Embargos Romance 58 ou Da Grande Madrugada Romance 59 ou Da Reflexo Dos Justos Romance 60 ou Do Caminho da Forca Romance 61 ou Dos Domingos do Alferes Romance 62 ou Do Bbedo Descrente Romance 63 ou Do Silncio do Alferes Romance 64 ou De Uma Pedra Crislita Parte 4 Cenrio Romance 65 ou Dos Maldizentes Romance 66 ou De Outros Maldizentes Romance 67 ou Da frica do Setecentos Romance 68 ou De Outro Maio Fatal Romance 69 ou Do Exlio de Moambique Romance 70 ou Do Leno do Exlio Romance 71 ou De Juliana de Mascarenhas Imaginria Serenata

Romance 72 ou De Maio no Oriente Romance 73 ou Da Inconformada Marlia Romance 74 ou Da Rainha Prisioneira Fala Comarca do Rio das Mortes Romance 75 ou De Dona Brbara Heliodora Romance 76 ou Do Ouro Fala Romance 77 ou Da Msica de Maria Ifignia Romance 78 ou De Um Tal Alvarenga Romance 79 ou Da Morte de Maria Ifignia Romance 80 ou Do Enterro de Brbara Heliodora Parte 5 Retrato de Marlia em Antnio Dias Cenrio Romance 81 ou dos Ilustres Assassinos Romance 82 ou Dos Passeios da Rainha Louca Romance 83 ou Da Rainha Morta ou D Romance 84 ou Dos Cavalos da Inconfidncia Romance 85 ou Do Testamento de Marlia Fala aos Inconfidentes Mortos

Guia do leitor do Romanceiro da Inconfidncia

Em suas linhas mestras, O romanceiro da Inconfidncia exibe uma bem lograda combinao de dados histricos e elementos inventivos, de relato, monologao e dilogo, de planos temporais e espaciais. Um fio narrativo passa atravs dessa centena de romances sem que a ao se sobreponha reflexo; cortes peridicos ora determinam a mudana de ambiente ou de figuras, ora permitem ao narrador surgir frente ao pblico e sugerir-lhe nova situao dramtica. Obra panormica no mais legtimo sentido, o Romanceiro deixa perceber, entretanto, cinco partes bem definidas: a do ambiente, a da trama e frustrao, a da morte de Cludio e Tiradentes, a do infortnio de Gonzaga e Alvarenga, e finalmente a da presena, no Brasil, da Rainha D. Maria. Na primeira parte (romances 1-19), iniciada pela evocao do sacrifcio de Tiradentes e por um retrospecto do cenrio em que surgiu a conjurao, entrelaam-se motivos folclricos e tradicionais: a descoberta do ouro, o trabalho servil, o esprito aventureiro, etc. A rememorao de certos episdios, como o da donzela assassinada pelo pai, a destruio de Ouro Podre, a troca dos quintos, o requesto de que foi agente o ouvidor Bacelar, prepara o clima de violncia em que fermentaro as idias libertrias. Sente-se na sucesso de tais fatos a fora incontrolvel da ambio deformando caracteres, armando braos e toldando espritos. A histria do abastado contratador Joo Fernandes e da Chica da Silva, que so levados desgraa pela cobia do Conde de Valadares, mostra bem a que ponto a riqueza da terra influa no corao dos homens. A segunda parte (romances 20-47), tambm precedida por indicaes locativas, revela a marcha da conspirao, seu malogro e o prenncio das desgraas que se ho de abater sobre os conluiados. Iniciados pela apresentao do fermento insurrecional, isto , as idias liberais ento em voga, focaliza as reunies preparatrias da conjura, a atividade aliciadora de Tiradentes, a delao e as medidas preventivas. Em torno do Alferes, figura central do episdio histrico, desenvolve-se uma srie de motivos poticos destinados a

lhe emprestarem nimbo legendrio, como a fala dos velhos, a ironia dos tropeiros, os pressgios do cigano, o mistrio dos seguidores embuados, etc. Testemunhas e delatores, desfiando o interminvel dos disse-que-disse, sugerem o emaranhado de palavras levianas em que se vem presos afinal todos os denunciados. Aos que testemunharam sem ter visto e a quantos falaram sem ter ouvido se dirige a dura apstrofe que encerra a segunda parte. A morte de Cludio Manuel da Costa e a de Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, constituem o cerne da terceira parte (romances 48-64. A tragdia sugerida pelo jogo de cartas da pea inicial; o mistrio em torno do suicdio de Cludio favorece o clima lendrio que se deseja emprestar ao infortnio dos conjurados. No monlogo do carcereiro pressagia-se o fim de Tiradentes, ao mesmo tempo que se levanta contra o leviano poder das palavras acerba diatribe. Entre a morte de Cludio e o sacrifcio de Tiradentes, os romances dedicados a Gonzaga refletem a dolorosa expectativa dos prisioneiros ante a sorte que os aguarda; o enxoval da noiva, que o poeta bordava, interrompe-se como a boa fortuna deste; os recursos judicirios batem em vo contra os desgnios dos poderosos, enquanto se glosa uma das graves liras do poeta: Daqui nem ouro quero. Seguem-se os romances da agonia e da morte de Tiradentes: a madrugada precursora, a caminho da forca, o contraste entre o destino do condenado e o ambiente de festa que se forma, a evoluo do bbedo que viu o enforcado e a tentativa de se reconstituirem emocionalmente os instantes finais de amargura, abandono e solido do foragido. A quarta parte (romances 65 a 80) abre-se com um cenrio evocador do ambiente em que viveu Gonzaga, seguindo-se os passos do infortnio que sobre o poeta se abateu: a maledicncia dos pequeninos, a anteviso da frica inspita e a suposta despedida de Marlia. O romance de Juliana Mascarenhas, que em Moambique polarizar o afeto de Gonzaga, contrasta liricamente com a imaginria serenata de Marlia inconformada. Grandeza e misria de Alvarenga Peixoto, o estranho signo que presidia sua famlia so os temas imediatos: fidalguia de Brbara Heliodora mulher do inconfidente, morte da filha, Maria Ifignia, a princesa do Brasil e o imponente funeral de Heliodora. Remata esta parte a figurao de Marlia octogenria, a caminho da parquia da Antnio Dias. A quinta parte do Romanceiro representa um novo plano temporal: curta, incisiva, trata de D. Maria I, a mesma que vinte anos antes lavrara as sentenas

de morte e degredo a contemplar com olhos de loucura a terra onde se desenrolou o drama de soldados, poetas e doutores. Os remorsos que a atormentam culminam com a morte. A lrica exaltao dos cavalos da Inconfidncia, ao mesmo tempo que trai leve cepticismo com respeito durao das coisas, constitui uma denotao sociolgica: a participao do animal na vida brasileira da poca. O testamento de Marlia motivo do romance 85, afasta ainda mais no tempo a perspectiva dramtica, encerrando-se o Romanceiro com a solene fala aos inconfidentes mortos. Das personagens citadas no Romanceiro da Inconfidncia, so de importncia maior as que abaixo se relacionam: Conde de Assumar. Em julho de 1720 D. Pedro de Almeida Conde de Assumar, governador de Minas Gerais, entrou em Vila Rica (Ouro Preto) e man