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  • CATIA PARANHOS MARTINS

    POSSIBILIDADES, LIMITES E DESAFIOS DA HUMANIZAO NO SUS

    ASSIS

    2010

  • CATIA PARANHOS MARTINS

    POSSIBILIDADES, LIMITES E DESAFIOS DA HUMANIZAO NO SUS

    Dissertao apresentada Faculdade de Cincias e Letras de Assis UNESP Universidade Estadual Paulista para obteno do ttulo de Mestre em Psicologia (rea de Conhecimento: Psicologia e Sociedade). Orientadora: Dr Cristina Amlia Luzio

    ASSIS

    2010

  • Ficha Catalogrfica

    Martins, Catia Paranhos.

    Possibilidades, limites e desafios da humanizao

    do SUS / Catia Paranhos Martins. Assis - SP, 2010.

    104 p.

    Dissertao UNESP. Mestrado em Psicologia

    2010.

    Orientadora: Dr Cristina Amlia Luzio.

    1. Psicologia. 2. Sade Pblica Brasil. 3. Sade Coletiva. I. Luzio, Cristina Amlia, orientadora. II.

    Universidade Estadual Paulista Jlio de Mesquita Filho

    (UNESP).

    CDU: 614.39(81)

    CDU: 159.9:614.39(81)

    CDU: 172.16

  • CATIA PARANHOS MARTINS

    POSSIBILIDADES, LIMITES E DESAFIOS DA HUMANIZAO NO SUS

    Dissertao apresentada Faculdade de Cincias e Letras de Assis UNESP Universidade Estadual Paulista para obteno do ttulo de Mestre em Psicologia (rea de Conhecimento: Psicologia e Sociedade).

    COMISSO EXAMINADORA

    _________________________________ Orientadora: Dr Cristina Amlia Luzio

    Universidade Estadual Paulista

    _________________________________ Dr. Silvio Yassui

    Universidade Estadual Paulista

    _________________________________ Dr Maria Elizabeth Barros de Barros

    Universidade Federal do Esprito Santo

    Assis, ______ de _______________ de 2010.

  • Aos trabalhadores e usurios do

    Hospital Universitrio de Dourados

    por tudo que me ensinaram.

    E a Branca e Frida pela companhia...

  • AGRADECIMENTOS Nati pela dedicao, pacincia e inmeras sugestes e leituras desses escritos;

    Aos meus pais, Marie e Muru, e meus irmos, Cinthia, Raquel e Rafael, pelo

    permanente incentivo os meus estudos;

    Aos trabalhadores, gestores e usurios do Hospital Universitrio de Dourados.

    impossvel citar todos. Para alguns dos muitos que no abandonaram o barco ou

    exatamente pelo contrrio: Elenita, Lucia, Carla, Terezinha, Jferson, Jussara, Dr.

    Afrnio, Dr. Idalgo, Silvio, equipe do Acolhimento, da Recepo e tantos outros;

    Prof. Cristina Amlia, orientadora dessa pesquisa, que me ensinou em sua defesa

    de Doutorado, em 2003, que estar numa cidade pequena no necessariamente

    pensar pequeno... Obrigada Cristina pela tranqilidade com que conduziu este

    processo!

    Aos Professores Silvio Yasui e Beth Barros pelas contribuies e ensinamentos

    sobre a PNH e a Sade Coletiva antes e depois do exame de qualificao;

    Beth Mori, Beth Barros e Esther Vilela, queridas companheiras da PNH, que s

    conheci depois;

    Prof. Marlia Muylaert que sempre est to perto e to longe...

    Aos Samuzeiros, em especial para o Dr. Irapuan e o Enf Samir, que suportaram e

    possibilitaram as minhas ausncias;

    Aos amigos que fiz em Assis e que espero levar para toda a vida. Obrigada Ariana,

    Ricardo, Anderson, Jama, Dani e Fernandinha pelas contribuies, empurres,

    carinho e leituras!

  • Denise, Alex e Milena pela casa, comida, roupa lavada e, principalmente, por

    deixarem tudo isso um pouco menos difcil. Denise tambm por me convencer que

    eu estava pronta, mesmo quando duvidava disso;

    Famlia Coco, cada um a sua maneira, sempre me fazendo pensar;

    Cia, que acompanhou minhas viagens, pelas conversas que temos sem ter.

  • sempre mais difcil ancorar um navio no espao.

    Ana Cristina Csar

  • RESUMO

    MARTINS, Catia Paranhos. Possibilidades, limites e desafios da humanizao no SUS. Assis, 2010. 104p. Dissertao (Mestrado em Psicologia) Faculdade de Cincias e Letras UNESP - Universidade Estadual Paulista Jlio de Mesquita Filho.

    A humanizao tem conquistado espao no debate acadmico da Sade Coletiva nos ltimos anos e tambm tem recebido destaque dos usurios, trabalhadores e gestores como um dos caminhos para as necessrias transformaes do Sistema nico de Sade. Nossa pesquisa de carter qualitativo, inspirao cartogrfica, em que fazemos um exerccio de reflexo sobre a nossa atuao profissional visando efetivar a Poltica Nacional de Humanizao da Ateno e da Gesto HumanizaSUS (PNH) no Hospital Universitrio de Dourados Mato Grosso do Sul. Fizemos um breve histrico poltico-institucional da humanizao at a sua constituio como uma poltica do SUS. Apresentamos os princpios, as diretrizes e os dispositivos da PNH. Depois, promovemos um dilogo entre a nossa experincia de trabalho no hospital e as estratgias que compem a Poltica. Ao longo do texto, citamos algumas situaes, nomeadas por ns como recortes do cotidiano, com o intuito de demonstrar as possibilidades, os limites e os desafios que vivenciamos na instituio. Em nossa discusso utilizamos as contribuies da Reforma Sanitria, Reforma Psiquitrica e da Sade Coletiva, pois tratam de inovaes que so reafirmadas nas propostas que constituem a PNH. Consideramos assim que a humanizao contribui com o processo que est em curso na superao do modelo hegemnico, e que aposta em outros modos de produzir sade que prescindam da tutela, do controle e da compaixo, na busca pela produo de autonomia e co-responsabilidade entre os atores.

    PALAVRAS-CHAVE: SUS, humanizao, Sade Coletiva.

  • ABSTRACT

    MARTINS, Catia Paranhos. Possibilities, limitations and challenges on humanization National Brazilian Health System (Sistema nico de Sade). Assis, 2010.104p. Dissertation (Masters in Psychology Faculdade de Cincias e Letras UNESP - Universidade Estadual Paulista Jlio de Mesquita Filho.

    Humanization has been carving its niche in academic debate of Collective Health over the last few years, and it has also been given notability by users, workers, and managers as one of the ways to perform the necessary changes in the National Brazilian Health System (Sistema nico de Sade - SUS). Our research, which has qualitative approach and is cartographically inspired, offers us an exercise to reflect over our performance as professionals aiming to put into effect the National Humanization Policy of Care and Management HumanizaSUS (NHP) at the University Hospital of Dourados Mato Grosso do Sul. A detailed political and institutional report on humanization was made until its establishment as a policy of the National Brazilian Health System. The principles, policies and precepts of the National Humanization Policy were presented. Then, a dialog was promoted between our work experience at the hospital and the strategies that form the Policy. Along the text we mentioned some situations, named as daily cuttings by us, in order to display the possibilities, limits and challenges faced in the institution. We used the contributions made by the Sanitary and Psychiatric Reforms as well by Collective Health, for they concern innovations which reassert the proposition of the National Humanization Policy. Stated thus, humanization contributes to the process in progress of overcoming the hegemoniac pattern, and believes in other ways to generate health which dispenses tutorship, control and compassion, producing autonomy and co-responsibility between the participants.

    KEY-WORDS: SUS (National Brazilian Healthy System), humanization, Collective Health

  • LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

    CAPS Centro de Ateno Psicossocial

    CCIH Comisso de Controle de Infeco Hospitalar

    CIB Comisso Intergestores Bipartite

    CNS Conferncia Nacional de Sade

    ECA Estatuto da Criana e do Adolescente

    EP Educao Permanente

    FUNASA Fundao Nacional de Sade

    GGHA Gerncia Geral de Humanizao e Acolhimento

    GTH Grupo de Trabalho de Humanizao

    HU Hospital Universitrio

    MTMS Movimento dos Trabalhadores em Sade Mental

    PNASS

    OMS

    Programa Nacional de Avaliao de Servios de Sade

    Organizao Mundial de Sade

    PEH Poltica Estadual de Humanizao

    PNH Poltica Nacional de Humanizao

    PNHAH

    Programa Nacional de Humanizao da Assistncia

    Hospitalar

    RPA

    SAMU

    Recuperao ps-anestsica

    Servio de Atendimento Mvel de Urgncia

    SEMS Secretaria Municipal de Sade

    SES

    SIH/SUS

    Secretaria Estadual de Sade

    Sistema de Informaes Hospitalares do SUS

    SODOBEN Sociedade Douradense Beneficente

    SUS Sistema nico de Sade

    UFGD Universidade Federal da Grande Dourados

    UFMS Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

    UNICEF Fundo das Naes Unidas para a Infncia

    UTI Unidade de Terapia Intensiva

  • SUMRIO

    1- CONSIDERAOES INICIAIS 14

    1.1- O SUS, a humanizao e os nossos questionamentos 14

    1.2- Percurso do trabalho 19

    2- A HUMANIZAO DAS PRTICAS NO SUS 24

    2.1- Algumas delimitaes da temtica 24

    2.2- Aes oficiais em prol da humanizao 27

    2.3- A Poltica Nacional de Humanizao HumanizaSUS como desvio 31

    2.3.1- Apostas e propostas 31

    2.4- Alinhavo de foras 37

    3- POSSIBILIDADES, LIMITES E DESAFIOS DA HUMANIZAO NO SUS 40

    3.1- Experimentaes possveis num hospital pblico 40

    3.2- Dourados e o Hospital Universitrio 41

    3.3.- A falta de mtodo ou o mtodo veio depois 43

    3.4- Trabalho, gesto e formao 45

    3.5- Comisso de humanizao: mais uma tarefa? 56

    3.6- O acolhimento na produo do