catálogo orirerê cabeças iluminadas 2012

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  • 3

    Prmio

    Orirer Cabeas Iluminadas

    para projetos de aplicao

    das Leis 10.639/03 e 11.645/08 (selecionados em 2012)

    1 edio

    Curitiba

    Centro Cultural Humaita

    2014

  • GOVERNO DO ESTADO DO PARAN Carlos Alberto Richa SECRETRIO DE ESTADO DA EDUCAO Paulo Schmidt DIRETORIA GERAL Jos Eduardo Wekerlin SUPERINTENDENTE DA EDUCAO Eliane Terezinha Vieira Rocha DEPARTAMENTO DA DIVERSIDADE Marli Francisca Peron ASSESSORIA ADMINISTRATIVA Roseli Cristina de Miranda ASSESSORIA PEDAGGICA Josemary Delgado Moreno Rech COORDENAO DA EDUCAO DAS RELA-ES DA DIVERSIDADE ETNICO-RACIAL Edna Aparecida Coqueiro EQUIPE TCNICO-PEDAGGICA Eleuza Teles da Silva Joseane dos Santos Kenneth Dias dos Santos Tania Mara Pacfico Maria Daise Tasquetto Rech

    ORGANIZAO Centro Cultural Humaita CRDITOS ILUSTRAO Capa: Y Mukumbi, foto de Milton Dria REVISO ORTOGRFICA Dirceu Jos de Paula ARTE E EDITORAO Melissa Reinehr Adegmar J. Silva Candiero EDIO E DISTRIBUIO - SEED Secretaria de Estado da Educao Avenida gua Verde, 2140, Vila Isabel CEP 80.240-900 Curitiba - Paran - Brasil Telefone: (41) 3340-1500 FAX: (41) 3243-0415 www.educacao.pr.gov.br

    DISTRIBUIO GRATUITA

    CIP-BRASIL. CATALOGAO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

    P935 Prmio Orirer Cabeas Iluminadas: para projetos de aplicao das Leis 10.639/03 e 11.645/08 (Selecionados em 2012) - Curitiba, PR : Centro Cultural Humaita, 2014. 40p. : il. ; 30 cm Inclui bibliografia e ndice ISBN 978-85-66089-01-1 1. Educao - Brasil. 2. Etnologia - Brasil. 3. Antropologia. 4. Professores - Formao. 5. Indgenas do Brasil - Educao. 6. Educao indgena. 7. Cultura afro-brasileira - Estudo e ensino. 8. Negros - Brasil - Histria. 9. Currculos - Mudanas - Brasil. 10. Discriminao na educao. 12-6612. CDD: 370 CDU: 37 038875

    ISBN 978-85-66089-01-1

    permitida a reproduo total ou parcial desta obra, desde que seja citada a fonte.

  • 5

    MANIFESTO - POR AMOR A MUKUMBI

    No dia 3 de agosto de 2013 perdemos trs guerreiras, duas delas com trajetrias de lutas espiritu-ais, sociais e polticas fundamentais para nossa cidade e para o nosso pas e uma delas menina, no florescer da vida, com toda a promessa de coragem e luta que suas ancestrais lhe legavam.

    Olivia de Oliveira Santos, menina alegre, vibrante, era a esperana da av para legado dos conhe-cimentos ancestrais do Candombl. D. Allial de Oliveira dos Santos, Ekede Lembagemim de Oxal, foi a fora e o amparo amoroso da filha, na vida e nos rituais do terreiro. Vilma Santos de Oliveira, D. Vilma, nossa amada Y Mu-kumbi, Yalaorix Mukumbi Alagangue de Ogum, Mestre Gri, estandarte da cultura afro da cidade de Londrina, lder religiosa e poltica, me amorosa de todos e todas, confortava almas, alimentava bocas e coraes.

    "Trs geraes de guerreiras, trs Nzingas brasileiras, trs baluartes do nosso pas" foram brutal-mente tiradas de todos ns! Nas notcias sobre as investigaes observa-se a pressa, mal disfarada, de desracializar e desconectar essas mortes brutais da intolerncia religiosa, que afeta principalmente as pessoas que professam as religies de matriz africana no nosso pas.

    As declaraes do criminoso evidenciam o componente intolerncia. Ele afirma claramente que recebeu ordens divinas de libertar as almas dessas mulheres que eram hostes espirituais da maldade, expresso bblica que se encontra no Livro de Efsios e muito usada para justificar a demonizao das prticas religiosas afro-brasileiras.

    O criminoso era vizinho de muro das vtimas. Todos no bairro sabiam que D. Vilma era me de santo. Todas as imagens de santos da casa (e somente elas) estavam quebradas. Essas imagens ficavam numa peque-na saleta da casa, acima da mesa do computador. Tudo que havia no espao estava intacto, o que indica que no houve luta ou tentativa de defesa, mas a inteno deliberada de destruir apenas as imagens representativas da cren-a das vtimas. No se menciona o fato do autor da barbrie ser evanglico e frequentar uma igreja neopentecostal, segmento religioso que mais cresce atacando as diferenas e demonizando as crenas afro-brasileiras. No se men-ciona o fato de serem trs mulheres, negras e pobres. No se menciona o fato de o agressor ter investido contra elas pouco tempo depois da sada do nico homem que estava presente na casa.

    Ento como os responsveis pelo caso apressaram-se em afirmar que foram as prprias vtimas que quebraram as imagens ao tentar se defender? Como pode apressar-se em afirmar que o estopim do surto psi-ctico apenas uma briga entre o criminoso e sua companheira? Que no h motivaes externas a prtica desse crime brbaro? Que foi uma simples coincidncia ou azar, j que elas estavam no lugar errado na hora errada? Sabemos que a intolerncia religiosa que afeta as religies de matriz africana no Brasil uma con-sequncia do racismo. O racismo e a intolerncia so construes sociais. Elas so apreendidas individualmente, mas so transmitidas socialmente. Ningum nasce racista, sexista e intolerante. A intolerncia, o racismo e o sexismo se aprendem! Esses valores so repassados pelos pais, parentes, educadores e cuidadores e esto pre-sentes nas casas, nas escolas, nos servios de sade, em muitos templos e igrejas, na televiso, na internet, nas ruas. A intolerncia, o sexismo e o racismo so legitimados e justificados quando se banaliza a violncia que negros e negras, homens e mulheres pobres sofrem todos os dias no Brasil.

    O racismo e a violncia institucional reforam e legitimam atos individuais e diretos, como o ocor-rido no dia 3 de agosto de 2013. A violncia direta e individual destrutiva. Mas a violncia institucional ina-ceitvel! Essa violncia institucionalizada, difusa e sutil, mas efetiva, se manifesta na banalizao e na simplificao do que ocorreu com essas trs mulheres. Ela fere os direitos humanos, fere a dignidade dos negros e negras que Y Mukumbi representava. Fere o direito fundamental liberdade de crena e de pensamento, garantidas na nossa Constituio de 1988. Essa violncia desconsidera o que prev a Lei n 7.716/89, que combate o preconceito e cri-minaliza o racismo no Brasil.

    Sabemos que o crime cometido por Diego Ramos Quirino s pode ser imputado a ele. A autoria e a materialidade desse ato brbaro esto definidas. No queremos acusar mais ningum e no pretendemos impu-tar crime a nenhum outro segmento. Porm, os indcios de sexismo, racismo e intolerncia religiosa que motivaram esse crime no podem, de modo algum, ser desconsiderados.

    POR AMOR A MUKUMBY QUEREMOS PAZ E EXIGIMOS JUSTIA!

    NO BANALIZEM! (Produo coletiva)

  • SECRETARIA DE EDUCAO

    DO ESTADO DO PARAN

    A Secretaria de Estado da Educao, em suas aes, por meio do Departamento da Diversidade busca uma educao anti-racista e estabelece aes visando a educao para as relaes tnico-raciais, em conformidade com os indicativos legais: Artigo 26A da LDB n

    9394/96 (Lei 10.639/03 e 11.645/08), Parecer 03/04 (CNE) e Deliberao 04/2010 (CEE).

    A Coordenao da Educao das Relaes da Diversidade tnico-Racial reconhece e valoriza

    o comprometimento dos Centro Cultural Humaita pela indubitvel relevncia de suas proposies

    para a implementao da Educao das Relaes da Diversidade Etnico-Racial e para o Ensino

    da Histria e Cultura Africana, Afrobrasileira e Indgena. Os valores civilizatrios africanos,

    afrobrasileiros e indgenas so fundamentais para formao da sociedade brasileira.

    O 2 catlogo Orirer - Cabeas Iluminadas: Decnio dos Povos Afrodescendentes homenageia

    Y Mukumbi - Sra Vilma Santos de Oliveria, mulher negra, religiosa e representante ativa do

    movimento negro londrinense. Sua histria suscita inquietaes que nos levam a refletir sobre

    a existncia do racismo nas relaes inter-pessoais e nas estruturas da sociedade. A intolerncia

    religiosa contra as religies de matriz africana uma das formas onde o racismo se configura.

    A homenagem ressalta a importncia de que o respeito diversidade religiosa seja ensinado na escola.

    O Centro Cultural Humaita, atravs do Prmio Orirer - Cabeas Iluminadas, destaca profissionais

    da educao que realizam boas prticas referentes aos indicativos legais supra citados. Alguns

    dos excelentes trabalhos realizados por equipes Multidisciplinares nos estabelecimentos estaduais de

    ensino constam do catlogo Orirer - Cabeas Iluminadas.

    A SEE/DEDI/CERDE, ao publicar os referidos trabalhos, reconhece o empenho dos/as professores/as,

    incentiva o cumprimento das leis e a valorizao histrica e cultural da populao negra e indgena,

    em busca de uma educao justa e igualitria.

    Marli Peron

    Diretora do Departamento da Diversidade

    Edna Aparecida Coqueiro

    Coordenadora da Educao das Relaes da Diversidade tnico-Racial

  • 7

    CENTRO CULTURAL HUMAITA

    uma satisfao para o Centro Cultural Humaita estar lhe apresentando o resultado do Orirer Cabeas Iluminadas realizado em 2012. O objetivo da premiao, que foi instituda em 2009, valorizar e dar visibilidade queles(as) que fazem e fizeram a arte, a histria e a cultura afro florescer no Estado do Paran. Na primeira edio do projeto, foram agraciados artistas, mestres e comunicadores de relevncia para a comunidade, mas invisibilizados pela mdia. Em 2010, foram homenageados 75 templos de matriz africana de todo o Estado. Em 2011, no Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, a premiao Orirer - palavra yorub que significa cabeas iluminadas - aconteceu em trs lugares diferentes. Em Curitiba, ela foi entregue aos rep