catálogo – clube de gravura: 30 anos

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  • cApA / COVER

    LAbbAte, AntoneLLo; SoLA, MAriA Prez e / And SeMAn, Luiz (Roma, Itlia, 1943; Santa Rosa, Argentina, 1942; So paulo, Sp, 1959)

    cartaz do Departamento de Artes Grficas Museu de Arte Moderna de So paulo, baseado em gravura de Lvio Abramo da srie Macumba / Graphic Arts Department Museu de Arte Moderna de So paulo poster, based on the print of Lvio Abramo from the series Macumba, 1985

    112,5 x 75,5 cm

    coleo / Collection MAM, doao / gift of cesare Rivetti

    Lvio AbrAMo (Araraquara, Sp, 1903 Assuno, paraguai, 1992)

    Sem ttulo / Untitled (da srie / from the series Macumba), 1955

    Linogravura / Linocut

    13,5 x 9,4 cm

    coleo / Collection MAM, doao / gift of cesare Rivett

  • Ministrio da cultura e Museu de Arte Moderna de So paulo apresentam

    CLUBE DE GRAVURA: 30 ANOS

    curadoria cau Alves

    20 De jUnho A 21 De AGoSto De 2016

  • SUMRIo | TAbLE Of COnTEnTs

    5 Apresentao

    7 2006 + 10: a atuao da curadoria do clube de Gravura do MAM cau Alves

    21 2006-2016

    97 1986-2005

    177 Reprodutibilidade e democracia: reflexes sobre o clube de Gravura do MAM, sua histria e o sistema da arte cau Alves

    186 obras em exposio | Works in Exhibition

    209 Verso em ingls | English Version

    223 crditos | Credits

  • ApReSentAo

    o clube de colecionadores de Gravura do Museu de Arte Moderna de So paulo fruto de uma iniciativa sem precedentes em uma instituio museolgica brasileira.

    Fundado em 1986 com o intuito de fomentar a produo de gravura, o clube revelou e consagrou diversos artistas, evidenciando tanto a excelncia quanto a peculiaridade da gravura brasileira.

    com imensa alegria que o MAM realiza a mostra comemorativa de 30 anos do clube de colecionadores de Gravura. com ela, o MAM expressa sua gratido aos artistas e aos scios do clube, graas aos quais a coleo do museu vem sendo enriquecida com obras de extrema importncia no cenrio artstico nacional.

    MIL VILLeLA

    presidente do Museu de Arte Moderna de So paulo

  • 1986/1996

  • 2006 + 10: A AtUAo DA cURADoRIA Do cLUbe De GRAVURA Do MAM

    nos ltimos dez anos, o clube de colecionadores de Gravura do MAM realizou uma srie de aes buscando divulgar, expor e refletir sobre a coleo de gravuras que construiu no museu. A proposta da curadoria foi a de continuar a trazer artistas consagrados ao lado de apostas da arte contempornea, bem como dar espao para artistas que j possuem algum reconhecimento no circuito e que no tenham necessariamente um trabalho constitudo no campo da gravura. Ao mesmo tempo, a curadoria do clube do MAM buscou expandir o seu campo de atuao a partir da realizao de convnios com instituies de outras localidades, tanto capitais no brasil e no exterior como tambm cidades no interior de So paulo e do restante do pas. o clube de Gravura fez parcerias com outros museus e centros culturais, desenvolveu projetos e realizou mostras em relevantes espaos do brasil e de pases vizinhos, tornando pblicos os eixos curatoriais adotados.

    entre as instituies nacionais que apostaram nas aes do clube de Gravura est o Museu de Arte de Ribeiro preto, que possui uma das programaes mais coesas entre os museus do estado de So paulo. em 2008, com o incentivo do diretor do MARp nilton campos, realizamos a mostra Entre a xilo e o mltiplo: Clube de Gravura do MAM, uma exposio que contou com uma significativa seleo de trabalhos comissionados pelo MAM a artistas de diversas geraes e poticas. entre os artistas que tiveram obras na exposio de Ribeiro preto esto Antonio Dias, cildo Meireles, hrcules barsotti, Athos bulco, nelson Leirner, Waltrcio caldas, mas tambm nuno Ramos, jos Damasceno, Mabe bethnico, Rivane neuenschwander, Marepe, Vnia Mignone, nicols Robbio e o coletivo espao coringa. Alm da mostra, a curadoria do clube do MAM realizou palestra em que discutiu a sua histria e a ampliada noo de gravura adotada.

    Durante os anos de 2008 e 2009, o clube de Gravura viabilizou tambm uma parceria com o centro cultural banco do nordeste do brasil, ccbnb, envolvendo as sedes do cariri e de Fortaleza. Alm de mostras realizadas em cada uma delas, a curadoria do clube de Gravura, a coordenadora e produtora dos clubes do MAM Ftima pinheiro, a ento coordenadora de artes visuais do ccbnb, jacqueline Medeiros, e o artista convidado da edio 2008, efrain Almeida, promoveram uma breve residncia na regio do cariri durante o ms de agosto, ocasio em que estabeleceram um dilogo prximo

  • 10

    com os gravadores da regio. o trabalho comissionado pelo clube do MAM ao artista efrain Almeida foi concebido em colaborao com artistas que vivem no cariri, a maioria deles ligados Lira nordestina. Alm de ponto de encontro, troca e organizao dos artistas, a Lira nordestina, hoje pertencente Universidade Regional do cariri, a mais antiga grfica de cordel do brasil. A xilogravura feita para o MAM, composta por um conjunto de autorretratos dos artistas, trouxe no apenas a imagem do rosto de cada gravador, a identidade deles, mas tambm os gestos, incises e o modo prprio de gravar de cada um. no trabalho final, composto pelo conjunto de gravuras, possvel reconhecer um panorama da produo de gravura da regio.

    Importante ressaltar que efrain Almeida, que vive no Rio de janeiro, cearense e j possua uma obra que, alm de abordar aspectos de sua biografia, faz referncias tradio religiosa e ao imaginrio do nordeste do brasil. em sua produo artstica a madeira j era material recorrente e a ida para a xilogravura foi um caminho autntico e espontneo. Ao longo do perodo de permanncia no cariri, o artista ministrou palestra sobre sua produo, que contou com a presena de artistas locais, enquanto a curadoria do clube apresentou algumas das gravuras j editadas at ento pelo MAM, o que gerou polmica entre os artistas defensores das tcnicas tradicionais de gravura. Mas tradies de origem moderna, popular e erudita esto direta ou indiretamente presentes na arte contempornea. como a histria nos mostra, classificaes estanques ou definies fechadas do que seja ou no arte contempornea no tm mais correspondncia com a realidade. o prprio termo arte popular, usado muitas vezes para qualificar a produo de gravura da regio, passvel de questionamentos. o que se convencionou chamar de arte popular, sem amarras com a tradio, costuma estar fora dos discursos hegemnicos da arte contempornea e literalmente fora da histria. Geralmente o termo popular aplicado pelos membros de outras classes sociais para definir o trabalho da populao mais pobre, designada como povo. Muitas vezes o popular identificado ao regional e ao tradicional, ou ento ao folclore, aquilo que vtima da modernidade. outras vezes o popular romantizado a ponto de ser compreendido como puro, o primitivo no contaminado pela vida urbana, portanto mais prximo da natureza e por isso annimo, sem assinatura.

    tendo como premissa essa amplitude de tradies e o dilogo constante entre elas que o projeto de parceria entre o MAM e o ccbnb se constituiu. o objetivo central foi o de promover o encontro entre os xilogravadores que vivem na regio do cariri, no interior do cear e a concepo ampla de gravura praticada pelo clube. A frutfera parceria entre o MAM e o ccbnb se desdobrou a partir do convite feito pelo clube de Gravura do MAM

  • 11

    para que um artista de juazeiro do norte, jos Marcionilio pereira Filho, o nilo, integrasse o clube de Gravura do MAM e participasse de uma residncia artstica em So paulo no ano seguinte. em maro de 2009, nilo foi pela primeira vez capital paulista conhecer as instituies culturais da cidade, entre as quais o Museu de Arte Moderna e seu acervo, e desenvolver seu projeto de gravura. Sua opo foi realizar um trabalho na regio conhecida hoje como baixo Augusta. Ao trazer a tradio da xilogravura do cariri ao MAM, o clube de Gravura no apenas fomentou a produo e difuso da gravura e do colecionismo de arte, como tambm colaborou para o alargamento do circuito da arte contempornea. h bastante tempo, pelo menos desde a arte pop, no se admitem mais definies excludentes entre a arte popular e a erudita. os trabalhos desenvolvidos tanto por efrain Almeida quanto por nilo nos mostram que as fronteiras entre estas tradies continuam borradas.

    A curadoria do clube do MAM j havia explorado as fronteiras entre o local e o global ao convidar artistas que promovem o contato entre noes de gravura de tradies distintas. Artistas como Marepe, que tambm traz algo do repertrio de cenas tpicas do nordeste do brasil, aliado apropriao de objetos cotidianos, foi um antecedente emblemtico para a parceria. Marepe costuma se apropriar de elementos populares, como trouxas e barracas de camel, e nos faz refletir sobre a mudana de contexto desses objetos. A gravura de Marepe para o clube foi feita com carimbos infantis que, justapostos, se transformam em outras imagens, subvertendo o carter burocrtico do carimbo, usado para autenticar, dar permisso ou impedir. o clube, entretanto, no deixou de convidar artistas que possuem uma pesquisa consistente dentro do campo da xilografia, como Ulysses bscolo. ele imprimiu pequenas xilogravuras sobre delicados guardanapos e construiu caixas de madeira para guard-las, uma espcie de livro de artista. Assim como na obra de Ulysses bscolo, os trabalhos de Fabrcio Lopez so impressos artesanalmente. Gravados em grandes compensados e tbuas de madeira, alguns possuem cerca de cinco metros de comprimento e dois de largura, a escala da obra de Fabrcio Lopez parece rivalizar com aquela usada nos grandes painis publicitrios e nos outdoors. o modo como o artista fixa as estampas diretamente na parede, montadas por partes e coladas com pincel, anlogo ao dos cartazes to recorrentes nos grandes centros urbanos. entretanto, suas gravuras se afastam completamente dos anncios que incitam ao consumo rpido. Ao