Casos Paradigmáticos de Investimento do BNDES. Sumário Executivo*

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Resumen Ejecutivo en portugus de la publicacin "Casos paradigmticos de inversin del Banco Nacional de Desarrollo Econmico y Social de Brasil (BNDES) en Sur Amrica"

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  • A S O C I A C I NAMBIENTE SOCIEDAD

    Organizaes que promovem:

    Com o apoio de:

    CASOSPARADIGMTICOSDE INVESTIMENTO DO BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONMICO E SOCIAL DO BRASIL (BNDES) NA AMRICA DO SUL

    NECESSIDADE E OPORTUNIDADE DE MELHORAR POLTICAS INTERNAS

    SUMRIO EXECUTIVO*

  • Casos ParadigmtiCos

    ABRIL 2014

    De InvestImento Do Banco nacIonal De DesenvolvImento econmIco e socIal Do BrasIl (BnDes) na amrIca Do sul

    necessIDaDe e oportunIDaDe De melhorar poltIcas Internas

    sumrIo executIvo*

    Impulsam:asocIacIn amBIente y socIeDaD aasasocIacIn InteramerIcana para la Defensa Del amBIente - aIDacentro De Derechos econmIcos y socIales - cDescentro De estuDIos para el Desarrollo laBoral y agrarIo ceDlaconfeDeracIn De pueBlos InDgenas De BolIvIa cIDoBDerecho, amBIente y recursos naturales - Darforo cIuDaDano De partIcIpacIn por la JustIcIa y los Derechos humanos - focofunDacIn amBIente y recursos naturales farnproyecto soBre organIzacIn, Desarrollo, eDucacIn e InvestIgacIn - poDerInternatIonal rIvers - IrInstItuto socIoamBIental Isa

  • Casos ParadigmtiCos De Investimento do Banco nacional de Desenvolvimento econmico e social do Brasil (BnDes) na amrica do sul.necessidade e oportunidade de melhorar polticas Internas. sumrio executivo*

    impulsamasociacin ambiente y sociedad aasasociacin Interamericana para la Defensa del ambiente - aIDacentro de Derechos econmicos y sociales - cDescentro de estudios para el Desarrollo laboral y agrario ceDlaconfederacin de pueblos Indgenas de Bolivia cIDoBDerecho, ambiente y recursos naturales - Darforo ciudadano de participacin por la Justicia y los Derechos humanos - focofundacin ambiente y recursos naturales farnproyecto sobre organizacin, Desarrollo, educacin e Investigacin - poDerInternational rivers - IrInstituto socioambiental Isa

    autoreshernn medinaBiviany rojasBrent millikanomar escamillatamar ayrikyanBenjamin cokeletsilvia molinaJavier gmezramn ginestetnayana romnnora fernndezpierina egsquizaIns riverapa marchegianimara marta Di paola

    EditorDerecho, ambiente y recursos naturales:calle coronel zegarra no. 260, Jess mara (lima 11)telfono: (511) 2662063correo electrnico: dar@dar.org.pepgina web: www.dar.org.pe

    desenho e impressorealidades s.a.augusto tamayo # 190 of. 5correo electrnico: informes@realidades.pepgina web: www.realidades.pe

    guia para citar a publicao:casos paraDIgmtIcos De Investimento do Banco nacional de Desenvolvimento econmico e social do Brasil (BnDes) na amrica do sul. necessidade e oportunidade de melhorar polticas Internas. sumrio executivo. ass, aIDa, cDes, ceDla, cIDoB, Dar, foco, farn, poDer, Ir, Isa. 16 pginas

    coordenador da publicao:Israel gordaliza carrillo

    primeira edio:abril 2014, consta de 1000 exemplareshecho el Depsito legal en la Biblioteca nacional del per n 2014-04787IsBn: 978-612-4210-14-3

    permitida a reproduo parcial ou total deste livro, seu tratamento informtico; e sua transmisso por qualquer forma ou meio, seja eletrnico, mecnico, fotocpia ou outros com a simples indicao da fonte.

    esta publicao apresenta a opinio dos autores e no necessariamente a viso da Open Society Foundations, rainforest foundation noruega, global Witness y Charles Stewart Mott foundation.

    esta publicao foi possvel graas ao financiamento Open Society Foundations, rainforest foundation noruega, global Witness y charles stewart mott foundation.

    Impresso y feito no peru.

    * este resumo executivo foi preparado por todos os autores com a colaborao de valeria enrquez e florencia ortzar, da associao Interamericana para a Defesa do ambiente (aIDa).

  • 4o BnDes foi fundado em 1952 para apoiar as polticas de desenvolvimento social e econmico do Brasil e seu processo de industrializao. De acordo com seu prprio estatuto, o principal instrumento de investimento do governo federal e com o tempo tem conseguido ter uma presena cada vez maior em toda a amrica latina, regio que concentra a metade de seu portflio de emprstimos. o ltimo relatrio anual do Banco assinala que durante 2012, os desembolsos da instituio atingiram o equivalente a us$64,9 bilhes de dlares, o que significa um crescimento de 12% em comparao com a soma liberada em 2011, e representa o dobro do que o Banco mundial emprestou no mesmo ano. este documento surge da necessidade de fazer um chamado para que o BnDes inicie um processo

    1 os autores deste grupo de trabalho representam s seguintes organizaes: associao Interamericana para a Defesa do ambiente (aIDa) regional; centro de Direitos econmicos e sociais (cDes) equador; centro de estudos para o Desenvolvimento trabalhista e agrrio (ceDla) Bolvia; confederao de povos Indgenas de Bolvia (cIDoB); Direito, ambiente e recursos naturais (Dar) peru; foro cidado de participao pela Justia e os Direitos humanos (foco) argentina; fundao ambiente e recursos naturais (farn) argentina; Instituto socioambiental (Isa) Brasil; International rivers (Ir) - estados unidos; projeto sobre organizao, Desenvolvimento, educao e Investigao (poDer) regional.

    de reviso, formulao e implementao de suas polticas de salvaguardas sociais e ambientais e de seus mecanismos de transparncia. com isso procura-se garantir a proteo do ambiente e o respeito aos direitos fundamentais das pessoas, comunidades e territrios onde o Banco financia operaes. a iniciativa nasceu do grupo BnDes na mira, grupo formado por diversas organizaes no governamentais de diferentes pases do continente americano, com o fim comum de compartilhar informao e aes encaminhadas a conhecer e melhorar as polticas e atuao do BnDes. neste contexto criou-se um subgrupo de trabalho1 interessado em documentar casos de estudo e compilar a informao para ser publicada e utilizada em uma estratgia de incidncia planejada conjuntamente.

    introduoI.

  • Casos ParadigmtiCos de InvestImento do Banco nacIonal de desenvolvImento econmIco e socIal do BrasIl (Bndes) na amrIca do sul 5

    o documento apresenta dez casos de projetos de desenvolvimento nos quais o BnDes participou outorgando financiamento, atravs do setor pblico ou privado, no Brasil e em outros pases da regio. Incluem outros dois casos nos que, conquanto haja indcios suficientes para concluir a participao do BnDes como financista, no se conta com a confirmao oficial ao respeito. a anlise dos casos sugere que as operaes do Banco tm carecido de transparncia, faltando assim poltica da instituio de brindar informao clara e precisa sobre o uso e destino de seus recursos financeiros.

    o documento foi elaborado em base a critrios lembrados coletivamente pelos autores do estudo. De acordo com estes critrios, privilegiaram-se projetos que implicassem nveis considerveis de deflorestao, de emisso de gases de efeito estufa (geI) e de afetao a direitos humanos

    e coletivos; fazendo nfase no direito consulta e o consentimento livre, prvio e informado, especialmente quando se envolve a povos indgenas e afrodescendentes.

    os autores documentaram seus estudos de casos mediante investigaes pessoais e depois, a modo de concluso, realizaram-se pesquisas a cada autor para obter determinados dados particulares de cada caso. com a informao de ditas entrevistas levou-se a cabo uma anlise comparativa em torno do rendimento do BnDes, quanto transparncia, participao e salvaguardas sociais e ambientais.

    por ltimo, o documento contm uma seo de recomendaes na que se sugerem as principais aes e reas de oportunidade detectadas para abordar as problemticas mais prioritrias.

    Estrutura E mEtodologia

    II.

  • 61. central hIDroeltrIca garaB-panamBforo cidado de participao pela Justia e os Direitos humanos (foco) argentina.

    a represa garab, na bacia do rio uruguai, localizada na fronteira entre a argentina e o Brasil, um projeto de infraestrutura que de ser construdo no prazo pactuado de cinco anos, inundar populaes inteiras em ambos pases.

    as obras estaro a cargo da empresa estatal argentina empreendimentos energticos Binacionais sociedade annima (eBIsa) e da tambm estatal brasileira centrais eltricas Brasileiras (electroBras). pelo setor privado, o consrcio energtico do rio uruguai ganhou a pr-adjudicao.

    o projeto tem o potencial de gerar altos impactos no ambiente e em habitantes da argentina e do Brasil, incluindo comunidades indgenas, em uma regio cujos rios fornecem alimento inclusive para a exportao.

    os principais impactos so a deflorestao, emisses de geI, afetao de reas protegidas, e a inundao de 40 mil hectares, o que afetaria a 17 mil famlias. tudo isso implica deslocaes foradas e danos sade das pessoas.

    existe hoje uma ordem de amparo pendente porque o avano do projeto levou-se a cabo sem um processo de consulta prvia e sem a correspondente avaliao de Impacto ambiental (eIa). tambm no se cumpriu com a divulgao de informao bsica que ordena a lei domstica e o direito internacional, para executar megaprojetos de infraestrutura.

    Crdito: chediak.

    vista area do rio uruguai, onde se instalaria a represa garabi.

    ProjEtos com PartiCiPao do BndEs

    III.

  • Casos ParadigmtiCos de InvestImento do Banco nacIonal de desenvolvImento econmIco e socIal do BrasIl (Bndes) na amrIca do sul 7

    Crdito: am

    azon Watch.

    Crdito: chediak.

    2. mIna De potssIo rIo coloraDofundao ambiente e recursos naturais (farn) argentina; e projeto sobre organizao, Desenvolvimento, educao e Investigao (poDer) - regional

    o projeto de explorao da mina de potssio rio colorado, localizado entre as provncias de mendoza e neuqun na argentina, d conta da estreita relao que existe entre o BnDes e a empresa mineira executante, vale s.a. este nexo poderia sustentar conflitos de interesse. a empresa vale, executante de quatro dos casos que se descrevem neste trabalho, foi considerada em 2012 como a pior empresa do mundo por suas atuaes sociais e ambientais, de acordo com o prmio Internacional olho pblico (public eye).

    o BnDes, atravs de seu brao financeiro BnDes participaes s.a. (BnDespar), controla o 5,58% das aes da empresa vale e proprietrio de doze aes ouro que lhe do direito de veto sobre as aes que possa tomar a mineira.

    o objetivo do projeto extrair 4,35 milhes de toneladas anuais de cloreto de potssio para export-las ao Brasil (quase em sua totalidade), para ser utilizadas como fertilizante natural na agricultura.

    os principais impactos, de acordo com a eIa do projeto, so: riscos de contaminao do rio colorado, afetao a 150 mil hectares de terras produtivas, emisses de geI, um elevado consumo de gua que inclui 86,4 milhes de litros de gua dirios por quarenta anos, e um alto consumo de gs ao dia, demandando o desenvolvimento e uso de shale gs (tambm conhecido como gs de xisto), explodido mediante a fissurao hidrulica, com os impactos ambientais que isso implica.

    pese a que este caso tem sido amplamente coberto pelos meios de comunicao, no existe informao ao respeito na pgina oficial do BnDes. a informao sobre a participao do Banco foi obtida dos relatrios anuais da empresa vale.

    atualmente, o projeto est suspendido devido em parte enorme resistncia social derivada das irregularidades e afetaes ambientais que se preveem com sua implementao. no entanto, provvel que seja retomado j que de acordo com dados da mineira, tem lhe investido us$2,229 milhes de dlares e alternativas esto sendo negociadas para solucionar o conflito que lhe antecede.

    3. central hIDroeltrIca Belo montepor: Instituto socioambiental (Isa) Brasil; e International rivers (Ir) estados unidos

    este estudo de caso revela o projeto da polmica hidroeltrica Belo monte, detalhando sua longa histria de irregularidades e envolvimentos legais, ambientais, sociais, polticas e econmicas.

    o projeto est em construo no rio xing, estado de par, na amaznia brasileira, e pretende converter-se na terceira represa maior do mundo. relevante por ser receptor do maior emprstimo na histria do BnDes e tambm pela resistncia social e o envolvimento meditico que lhe acompanharam.

    o caso exemplifica as principais limitaes do BnDes para garantir independncia e integridade tcnica nas operaes financeiras que envolvem interesses de grupos polticos que controlam o setor eltrico no governo federal e seus scios do setor privado, como as grandes empresas de construo odebrecht, camargo correa e andrade gutierrez. assim mesmo, expe as fraquezas do sistema de licenciamento ambiental no Brasil, e da precariedade e vulnerabilidade da atual poltica socioambiental do BnDes.

    algumas das irregularidades que destacam neste caso so: incio de envolvimento do BnDes depois de tomada a deciso poltica do governo brasileiro de construir a represa, e um processo de planejamento e licenciamento ambiental marcado por graves irregularidades, conflitos de interesses e intervenes polticas; ausncia de transparncia do Banco respeito aos critrios e procedimentos de anlise prvia de riscos e viabilidade social, econmica e ambiental do projeto, como base para a tomada de deciso sobre a aprovao do financiamento; graves violaes da legislao sobre proteo do ambiente e direitos humanos, documentadas exaustivamente em 20 aes do ministrio pblico; falta de monitoramento independente dos graves impactos socioambientais e de situaes de no cumprimento de condicionantes das licenas ambientais; e por ltimo, o evidente conflito de interesses que impede o controle e a rendio de contas do Banco e demais atores pblicos pelos impactos socioambientais gerados pela obra.

    no momento, o projeto est em execuo, pese a que a comisso Interamericana de Direitos humanos solicitou sua suspenso em 2011. ademais, vrias decises da justia brasileira tm ordenado sua paralisao, mas tm sido invalidado mediante um artifcio processual autoritrio do governo brasileiro, conhecido como suspenso de segurana.Infraestrutura do projeto rio colorado em Bahia Blanca, na argentina.

    em protesto pela construo da represa Belo monte ativistas retiraram uma faixa de terra para restaurar o fluxo do rio xingu.

  • 84. estraDa De ferro caraJspor: projeto sobre organizao, Desenvolvimento, educao e Investigao (poDer) - regional

    o caso da estrada ferro carajs descreve o projeto de ampliao de uma via ferroviria propriedade da empresa vale, j mencionada em um caso anterior, para o transporte de minerais nos estados do maranho e par, no Brasil.

    aqui, o BnDes outorgou financiamento atravs de uma empresa privada, modalidade que lhe permitiu amparar na exceo de segredo bancrio para no divulgar informao de grande interesse pblico.

    mais ainda, o BnDes dono de aes da empresa mineira que lhe do poder de veto sobre suas decises, o qual implica que atua como acionista e financiador em um mesmo projeto. Isto suscita um possvel conflito de interesse que deveria ser abordado como tal, j que o Banco, ao ser uma empresa pblica que administra dinheiro dos contribuintes brasileiros, est obrigado a responder com a mxima rigorosidade.

    os impactos particulares do projeto tm sido: deslocao de comunidades, desmatamento ilegal da floresta amaznica, emprego de trabalho escravo, impactos sobre a sade das pessoas e criminalizao de defensores de direitos humanos que procuram transparncia e rendio de contas nas atividades da mineira.

    a empresa privada, tem exercido grande poder e influncias para reprimir qualquer movimento social que pretenda exigir respeito aos direitos fundamentais das comunidades e territrios afetados. neste sentido, tem sido acusada de beneficiar-se do desmatamento ilegal da amaznia e do trabalho escravo empregado pelas carbonferas que abastecem suas siderrgicas.

    5. fertIlIzantes fosfataDos s.a. (fosfertIl)projeto sobre organizao, Desenvolvimento, educao e Investigao (poDer) - regionals

    o caso da mina de fertilizantes fosfatados aborda o financiamento outorgado pelo BnDes empresa vale, atravs de uma das unidades produtivas de fosfatos de vale fertilizantes s.a., para a expanso de sua produo de cido fosfrico e cido sulfrico na cidade de uberaba, estado de minas gerais, Brasil. ainda que o projeto concluiu, o passivo ambiental e social gerado continua sem ser corrigido.

    as implicaes so de grande envergadura e entre elas a contaminao das guas subterrneas destaca como o maior problema. comprovou-se ademais que fosfertIl filtrou fosfogesso nos rios de uberaba, superando em uma alta porcentagem os nveis de fsforo permitidos. Isso conduziu ao ministrio federal a responsabilizar juridicamente s dependncias a cargo por no ter realizado a devida fiscalizao para evitar derrames e filtragens dos passivos que fosfertIl produzia em guas superficiais e subterrneas.

    assim como nos outros dois casos que envolvem a empresa vale, os autores deste estudo no encontraram registros que indicassem com clareza o uso e destino dos recursos financiados pelo BnDes, colocando novamente de manifesto a falta de implementao de uma poltica de transparncia adequada de parte do Banco.

    6. estraDa vIlla tunarI san IgnacIo De moxoscentro de estudos para o Desenvolvimento trabalhista e agrrio (ceDla) - Bolvia

    este e o seguinte projeto, desenvolvidos atravs do conselho sul-americano de Infraestrutura e planejamento (cosIplan) da unio de naes sul-americanas (unasul), so parte da ambiciosa meta geopoltica de unificao infraestrutural de subcontinente.

    o primeiro projeto pretende ligar vila tunari com san Igncio de moxos, atravessando o corao do territrio Indgena e parque nacional Isiboro scure (tIpnIs) na amaznia boliviana, zona protegida e habitada por povos indgenas desde antes da colonizao. o lugar alberga tambm grande abundncia de espcies endmicas e fundamental para a regulao das guas e o clima dos vales circundantes, que so altamente produtivos. Devido resistncia do movimento indgena em frente ameaa de perda territorial, o projeto mantm-se paralisado por agora.

    apesar de que a Bolvia conta com uma norma legal que probe os assentamentos ilegais, o aproveitamento florestal com fins comerciais e projetos que provoquem impactos ambientais em regies vulnerveis, o projeto foi inaugurado pelo presidente da Bolvia evo morales em 2010.

    seu desenvolvimento tem estado marcado por irregularidades, entre elas figuram o incremento no processo de adjudicao a uma empresa privada e a represso das mobilizaes indgenas

    operaes da fosfertIl em uberaba.

    Crdito: Dario zalis

    Crdito: Jornal folha de so paulo

    trecho da via ferroviria estrada ferro carajas.

  • Casos ParadigmtiCos de InvestImento do Banco nacIonal de desenvolvImento econmIco e socIal do BrasIl (Bndes) na amrIca do sul 9

    Crdito: for skyscrapercityCrdito: D

    iario la hora

    Crdito: Info regin

    que tem surgido para defender seu direito consulta. o caso tem sido denunciado ante diversos organismos internacionais como o alto comissionado das naes unidas, a comisso Interamericana de Direitos humanos e a organizao Internacional do trabalho. estas denncias ainda esto em processo de ser resolvido.

    entre os principais impactos do projeto esto o acelerado processo de deflorestao, a desestabilizao do sistema hidrolgico, o incremento das inundaes para as populaes localizadas guas abaixo, a diminuio da fauna silvestre, e deslocaes da populao indgena pela expanso da rea ocupada pelos colonizadores.

    7. estraDa rurrenaBaque rIBeraltaconfederao de povos Indgenas da Bolvia (cIDoB)- Bolvia

    o segundo projeto, financiado pelo BnDes, uma estrada interocenica que ligar o oceano atlntico com o pacfico. esta via, parte do denominado corredor norte, considerada essencial para integrar o nordeste boliviano e funcionar como rota comercial para exportaes brasileiras para o continente asitico.

    no entanto, para alm da necessidade e utilidade da estrada, fundamental reconhecer a ameaa que implica para quatro territrios indgenas considerando que, apesar do reconhecimento pblico do governo nacional da obrigatoriedade de realizar um processo de consulta, no existe ao momento nenhuma informao oficial sobre as medidas que o estado boliviano pretende implementar em favor da proteo territorial dos indgenas afetados.

    os impactos deste projeto, que incluem deflorestao, contaminao dos rios, conflitos para os povos indgenas, vulnerao de reas protegidas, entre outros, j foram reconhecidos oficialmente em uma avaliao ambiental estratgica (eae), elaborada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e reconhecida oficialmente pelo estado boliviano. no entanto, o estado ainda no implementou o respectivo plano de ao estratgico (pae) para prevenir e mitigar os impactos negativos do corredor norte.

    8. central hIDroeltrIca san francIscocentro de Direitos econmicos e sociais (cDes) - equador

    o presente caso trata do conflito em torno da construo da central hidroeltrica san francisco, situada 130 quilmetros ao sul de quito, no equador, e desenhada para prover o 12% da demanda energtica do pas.

    o megaprojeto foi financiado pelo BnDes e adjudicado ao consrcio brasileiro odebrecht-ansaldo por encarrego de hidropastaza s.a. (da que odebrecht acionria).

    um principal aspecto que diferencia este projeto dos outros que no teve grandes conflitos sociais nem ambientais em torno do mesmo, pois no se trata de uma hidroeltrica subterrnea. no entanto, os autores no tiveram acesso ao documento de avaliao de impacto ambiental e social que confirmasse tal suposio.

    o conflito que deixa ver o caso ocorreu entre a empresa executora e o estado equatoriano quando se detectaram irregularidades no processo de construo e se iniciou um processo de auditoria.

    a auditoria, realizada pela comisso de auditoria Integral do crdito pblico (caIc), entidade autnoma do governo, encontrou indcios de ilegitimidade, ilegalidade e condicionalidades que afetavam os interesses do equador. graas a esse processo foi possvel aceder a informao relevante e poucas vezes pblica sobre as bases pr-contratuais e o contedo dos contratos de construo e do convnio de crdito.

    Devido a falhas na construo, a central parou atividades durante cinco meses, ocasionando pesadas perdas e dando lugar expulso da empresa do pas. a isso lhe seguiu um processo legal ante a

    parte da bacia do rio huallaga, onde est sendo construda a central hidroeltrica chaglla.

    parte do trecho que une a estrada rurrenabaque con riberalta no oriente boliviano.

    funcionrios da odebrecht trabalham em obras da represa san francisco.

  • 10

    2 os princpios de equador so diretrizes que as instituies financeiras adotam voluntariamente com respeito ao gerenciamento social e meio ambiental dos projetos que financiam.

    Crdito: for skyscrapercity

    cmera de comrcio Internacional, com sede em paris, a qual falhou a favor do BnDes. Depois se chegou a um acordo de reparao com odebrecht, quem finalmente entregou a obra reparada em 2012.

    o destacvel deste caso que evidncia a maneira como o BnDes negocia e faz contratos com pases externos quando outorga financiamento, oferecendo muitas vezes termos vantajosos para o Brasil atravs da transferncia de impostos, aumentos e adjudicaes diretas a suas empresas, e afetando em ocasies a economia do pas muturio, neste caso o equador.

    9. central hIDroeltrIca chagllaDireito, ambiente e recursos naturais (Dar) - peru

    a hidroeltrica chaglla trata-se de um projeto que promete melhores resultados, precisamente porque, de acordo com a informao que se teve acesso, se estabeleceram e levado a cabo, desde a etapa de planejamento, boas prticas sociais e ambientais que deveriam servir como lies aprendidas a ser replicadas em futuros emprstimos do BnDes.

    a central hidroeltrica chaglla est em construo a cargo da empresa brasileira odebrecht no rio huallaga, no departamento de hunuco. uma vez que entre em funcionamento, cobrir aproximadamente o 13% da capacidade instalada de energia hidroeltrica do pas e ser a segunda maior do peru. sua posta em operao est prevista para o ano de 2016.

    o projeto financiado pelo BnDes e o BID. a ltima uma instituio financeira que conta com polticas de salvaguardas sociais e ambientais setoriais definidas e especficas para certas reas e mais exigentes que as de sua contraparte, o BnDes.

    alguns dos pontos que refletem o bom planejamento do projeto so:

    Oprojetocontemplaprogramasambientaisesociaisbaseadosnos princpios de equador2, dos quais o BID signatrio e o BnDes no.

    O projeto se construir a nomenos de 30 quilmetros darea natural protegida mais prxima.

    Oreservatriodacentralters4,7quilmetrosquadradoseno afetar a nenhum residente.

    10. mIna Bayvar e Baa De sechuraprojeto sobre organizao, Desenvolvimento, educao e Investigao (poDer) - regional

    o ltimo caso apresentado na primeira seo do documento aborda um projeto mineiro executado atualmente pela empresa vale no peru. Bayvar uma mina a cu aberto localizada no distrito e provncia de sechura, departamento de piura. Iniciou operaes em 2010 e tem capacidade para produzir 791 mil toneladas de fosfato ao ano.

    o estudo narra um processo cheio de irregularidades que violam o direito das comunidades originrias ao consentimento livre, prvio e informado respeito dos projetos de desenvolvimento. menciona, por exemplo, que as pessoas que participaram nas assembleias comunitrias no eram os proprietrios dos terrenos, seno acarretados da vale e que, ainda assim, o procedimento serviu para aprovar a permisso de execuo.

    outro fator que se expe a intimidao e violncia que a empresa emprega para reprimir os movimentos sociais que se opem ao projeto ao contratar, por exemplo, pessoal de segurana armados com escopetas na zona de explorao. pese a isso, as greves e os protestos majoritrios conseguiram deter o projeto temporariamente.

    as principais demandas sociais concentraram-se na contaminao ambiental de terras comunais e da baa, ocasionada pela transportao e processamento de fosfatos extrados pela vale.

    Instalaes da mina Bayovar em pirua, no peru.

  • Casos ParadigmtiCos de InvestImento do Banco nacIonal de desenvolvImento econmIco e socIal do BrasIl (Bndes) na amrIca do sul 11

    ProjEtos ondE no tivEram informao ofiCial quE ProvassE a PartiCiPao do BndEs

    11. central hIDroeltrIca complexo KIrchner cepernIcfundao ambiente e recursos naturais (farn) - argentina

    este projeto aproveitaria o volume do rio santa cruz na provncia argentina homnima e foi pensado para gerar aproximadamente o 10% da energia que produz a argentina. hoje se encontra detento. a organizao a cargo deste estudo de caso realizou um exerccio de acesso informao detalhado na seo correspondente.

    o projeto foi adjudicado em 2010 ao consrcio integrado pelas Indstrias metalrgicas pescarmona s.a. (Impsa), camargo correa construes civis s.a. e corporao

    amrica s.a. no entanto, pese a sua adjudicao e posterior aprovao na legislatura da provncia, a obra nunca comeou.

    De acordo com a informao oficial, o projeto no pde ser executado por causas alheias a ambas partes, e em consequncia assinou-se um convnio de mtuo acordo que deixou sem efeito o atuado. a organizao autora solicitou informao sobre as causas alheias dependncia correspondente e a resposta foi que a informao devia ser solicitada provncia onde se pretendia construir a central hidroeltrica. esta segunda solicitao nunca foi respondida.

    em agosto de 2012, anunciou-se por terceira vez o chamado a licitao para a construo da central. Dos cinco consrcios de empresas que apresentaram ofertas,

    IV.

  • 12

    um deles composto pela empresa argentina pescarmona e as brasileiras odebrecht (sucursal local) e alston Brasil energia e transporte- teria oferecido como proposta de financiamento ao BnDes. no entanto, no existe informao oficial ao respeito.

    alguns dos principais impactos socioambientais que poderiam ser gerados com a construo e operao do projeto, de acordo com o estudo preliminar realizado no marco da folha de concurso, so: perda de solo por eroso e degradao qumica, fsica e biolgica; alterao da paisagem por grandes movimentos de solo; contaminao de guas superficiais e inundaes; desvios de canal de gua e redes de drenagem; e outros impactos relacionados com a flora, fauna e sade dos membros das populaes locais pelos efeitos mencionados.

    12. central hIDroeltrIca InamBarI/ Dar - peruDireito, ambiente e recursos naturais (Dar) - peru

    como parte do acordo energtico entre o peru e o Brasil (ainda em debate no congresso do peru), se contemplou a construo do projeto central hidroeltrica Inambari entre as regies de cusco, puno e me de Deus no peru. Dito acordo concordou com a preocupao de diversos grupos indgenas, ongs e atores da sociedade civil devido

    ao potencial impacto que teriam na amaznia grandes centrais hidroeltricas que, no marco do convnio, se construiriam por seu potencial para exportar eletricidade ao Brasil. o projeto Inambari, atualmente paralisado, ainda priorizado em diversos documentos do estado e estudos de planejamento energtico como um projeto que deveria entrar em funcionamento no ano de 2040. o caso relevante no s pelo contexto do acordo de exportao de eletricidade ao Brasil e seus envolvimentos na soberania energtica do peru, seno tambm pelos possveis impactos sociais e ambientais que sua construo acarretaria e pelo papel que o BnDes jogaria como financista, pese a que sua participao no projeto ainda no est assegurada.

    Crdito: servInD

    I

    curva maior do rio Inambari, muito prxima ao lugar proposto para a construo da represa que leva o mesmo nome.

  • Casos ParadigmtiCos de InvestImento do Banco nacIonal de desenvolvImento econmIco e socIal do BrasIl (Bndes) na amrIca do sul 13

    atravs de um questionrio realizado aos autores, a organizao argentina farn rene neste apartado do documento a anlise dos dados provenientes dos estudos de caso e acima a concluses preliminares a partir deles. a informao apresenta-se em forma de indicadores socioeconmicos, ambientais, de participao e transparncia que sistematizam a informao do estudo.

    para um maior dinamismo e para facilitar a comparao de casos, atribuiu-se a cada um dos indicadores as cores de um semforo que indicam o grau de cumprimento individual, em cada uma destas reas.

    em geral, os indicadores mostram que os projetos, em sua maioria, implicam uma afetao negativa sobre as comunidades, o que em muitos casos deriva em uma nova localizao. ao mesmo tempo, em ocasies os projetos beneficiam mais ao pas que financia que ao pas

    receptor. outro aspecto a destacar que em uma alta proporo afetam reas protegidas e a proviso de gua potvel, e implicam altas emisses de geI. apesar de que em alguns projetos se elaboraram eIas, o processo de consulta pblica, includo geralmente como requisito para aprovar as avaliaes, no se realizou ou se levou a cabo de maneira insatisfatria.

    quanto aos canais de denncia existentes dentro do BnDes, a ouvidoria e o fale conosco so muito pouco utilizados e quando assim ocorre, a resposta no satisfatria.

    finalmente, o Banco adota uma atitude passiva quanto a suas obrigaes de transparncia, isto , a informao s se divulga quando existe uma solicitao de informao (ainda no sempre). o anterior no permite conhecer

    anlisE ComParativa

    V.

  • 14

    a ltima seo do documento apresenta uma srie de recomendaes que os autores sugerem para melhorar o desempenho do Banco, minimizando impactos ambientais e conflitos sociais.

    Dentro das principais, prope-se:

    1. Divulgar amplamente todas suas polticas socioambientais e seus mecanismos de verificao.

    2. Implementar uma poltica de manejo de risco ambiental e social que seja adicional s leis nacionais.

    3. assegurar a existncia e implementao de polticas socioambientais especficas para a cada um dos setores de alto impacto onde o Banco intervm, entre elas: Polticaparadeslocaesforcadas; Avaliaodeimpactosambientaiseemdireitos

    humanos dos projetos; Poltica de hidroeltricas baseada em

    recomendaes da comisso mundial de represas e do sistema universal da naes unidas;

    Polticademineraoeindstriasextrativas; Poltica de proteo especial a grupos em

    situao de vulnerabilidade como povos indgenas, tribais e outras comunidades tradicionais;

    Polticadeacesso informao,participaoetransparncia.

    4. subscrever os princpios do equador e exigir sua implementao durante a operao dos projetos.

    5. fortalecer a ouvidoria e o mecanismo fale conosco. 6. abrir a reviso das polticas socioambientais

    participao da sociedade civil em Brasil e nos pases onde o BnDes opera.

    7. promover espaos de dilogo permanente com organizaes e atores sociais, e incentivar o intercmbio de experincias com instituies financeiras internacionais que operam na regio.

    rEComEndaEsVI.

  • Casos ParadigmtiCos de InvestImento do Banco nacIonal de desenvolvImento econmIco e socIal do BrasIl (Bndes) na amrIca do sul 15

    a investigao revelou que a regra, mais que a exceo, que os projetos financiados pelo BnDes so aprovados e implementados em um ambiente de opacidade e discrio.

    a falta de aplicao de polticas socioambientais deriva no investimento em projetos daninos que afetam a comunidades gerando com isso descontentamento e conflito social.

    o documento contm fortes argumentos para exigir ao BnDes revisar suas prticas socioambientais e implementar mecanismos de transparncia que lhe permitam transformar em um lder positivo para a regio.

    necessria a elaborao de uma poltica de transparncia e um mecanismo de queixas que funcione baixo alinhamentos especficos e formais para todo projeto que o Banco financia, independentemente de sua modalidade e destino geogrfico.

    ao mesmo tempo, repete-se nos casos a necessidade da elaborao de polticas sociais e ambientais que assegurem que os investimentos que se levem a cabo gerem o menor impacto possvel, respeitem direitos fundamentais, e tomem em conta as melhores alternativas para prevenir, mitigar ou compensar os danos.

    finalmente, faz-se nfase na necessidade de que o Banco transforme seus procedimentos e maneiras tradicionais de operar e de relacionar com as partes interessadas, evitando situaes de conflito de interesses e vantagens discricionrias a determinadas empresas onde o Banco tem aes.

    este documento um passo mais no caminho para promover que o BnDes se atualize e adote os marcos legais atuais que protegem s pessoas, comunidades e territrios de projetos que impactam significativa e negativamente no ambiente que de todas e todos.

    ConClusEsVII.

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