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Casos Direito:

No incio de Janeiro deste ano, Antnio, empresrio de transportes, emprestou a Bernardo a quantia de 5000,00, tendo este para o efeito emitido um recibo, segundo o qual se

comprometia a devolver essa quantia passados seis meses, acrescida de juros taxa anual de

10%, o que no fez por, alegadamente, no dispor da mesma.

Entretanto, em Abril passado, Bernardo recorreu aos servios da empresa de Antnio para

mudar o recheio do seu consultrio, dentro da cidade de Lisboa, mas verificou com espanto

que os mveis foram transportados para um armazm dessa empresa, e no para o novo

consultrio.

Pretendendo indagar, junto de Antnio a razo da sua conduta, este disse-lhe que s

procederia entrega dos mveis quando Bernardo procedesse ao pagamento do transporte,

no montante de 2500,00 euros, e liquidasse o emprstimo, no montante de 5000,00,

acrescidos dos juros entretanto vencidos.

Bernardo entende que a reteno do recheio do seu consultrio ilegal, porque:

i) o emprstimo nem sequer era vlido, por no revestir a forma exigida pela lei, pelo que

no era devedor da quantia em causa; e muito menos dos juros!;

ii) s teria de proceder ao pagamento do transporte, quando os mveis fossem entregues em

boas condies no local de destino convencionado.

Considerando os factos ocorridos, pondere os argumentos de Antnio e Bernardo e

refira quem tem razo.

i) Quanto ao primeiro ponto, Bernardo no tem razo. O emprstimo era vlido e ele tinha que pagar os juros em causa. Segundo o artigo 1443, o contrato de

mtuo, sendo superior a 2500 e inferior a 25 000, apenas tem de ser assinado

pelo muturio. Ora, aqui, o Bernardo emitiu um recibo, que certamente contm

a sua assinatura, logo tem de pagar o que est previsto. Ainda para mais,

segundo o artigo 406, o contracto deve ser pontualmente cumprido. Aqui,

Antnio tem razo. Ainda para mais, no temos referncia quanto aos montantes

dos juros, logo no podemos dizer se h usura ou no. Segundo o artigo 1146,

s h usura se os juros anuais excedam em 3% ou 5% os legais, conforme haja

ou no garantia real.

ii) Bernardo aqui tambm no tem razo. Segundo o artigo 754, o devedor que disponha de um crdito contra o seu credor goza do direito de reteno, se

estando obrigado a entregar certa coisa, o seu crdito resultar de despesas feitos

por causa dela. Ora aqui, Antnio incorreu numa despesa com o transporte dos

mveis, logo tem direito a reter os bens de Bernardo. Isto vem ainda mais

reforado pelo aritgo 755-a, no qual nos dito que goza do direito de reteno o

transportador, sobre as coisas transportadas, pelo crdito resultante do

transporte. No entanto, o que no pode acontecer Antnio dizer que s lhe

entrega os mveis se ele pagar o mtuo, so contractos separados e isso ilegal.

Carmo, famosa escritora, concluiu no final do ms de Novembro o seu ltimo romance,

publicado com o ttulo Aventuras de um candidato a administrador de empresas.

Identifique e caracterize os bens jurdicos resultantes do ato de criao literria referido e

explique se este pode ser qualificado como negcio jurdico.

Os bens jurdicos que so resultantes do ato de criao literria so a prpria obra literria,

assim como os direitos de autor inerentes a essa criao.

Quanto ao negcio jurdico: Um facto jurdico todo o evento gerador de efeitos jridicos.

Pode dar-se um facto jurdico strictu sensu, no qual a produo de efeitos independente da

vontade humana ou ento pode dar-se um acto jurdico. Este acto jurdico pode ser simples,

se os efeitos jurdicos, embora hajam manifestao de vontade humana, no era aquele que

se queria produzir, ou ento pode ser intencional se o indivduo que manifestou a sua

vontade queria produzir aqueles efeitos. J o acto jurdico intencional pode ser bilateral ou

unilateral. Se Unilateral, quer dizer que s ressai a produo de um efeito jurdico. Este

acto unilateral pode ser plural, se h vrios sujeitos, mas s um efeito jurdico. Ser

unilateral plural conjunto se os vrios sujeitos manifestarem-se na mesma direco ou

disjunto se as vontades forem diferentes. No fim, s um efeito jurdico vai ser produzido. J

no acto jurdico bilateral (contracto), h vrios efeitos jurdicos. Aqui, em princpio, no h

negcio jurdico mas sim um acto jurdico simples, pois em princpio, a autora, quando

escreveu o livro, no queria os efeitos jurdicos da decorrentes.

O estado grave das finanas pblicas exigia, de facto, medidas graves tambm. No fora

com certeza a primeira vez que isto sucedia no pas, mas Ins Canto custava-lhe anunciar

a coisa j em Setembro, seis meses apenas como a primeira-ministra, a primeira mulher no

pas a ocupar este cargo.

Em primeiro lugar, e com o pr-texto da necessidade de uma verdadeira unio nacional,

anunciava a entrada imediata em vigor de um Decreto-Lei emanado pelo seu Governo que

reorganizava o funcionamento do Tribunal Constitucional, que tantos entraves lhe tinha

colocado ultimamente. Publicado no Dirio de Repblica a 26 de Setembro, a Ins estava

irrequieta para ver o diploma em causa a produzir os seus efeitos ainda durante o ms de

Setembro, reduzindo drasticamente as competncias e os direitos do Tribunal.

Para alm desta medida, durante a legislatura do Governo da Ins, procedeu-se

criminalizao de alguns comportamentos de maior despesismo por via de alteras ao

Cdigo Penal. Com a entrada desta norma em vigor, a Ins estava espera de conseguir

fazer a justia em relao a alguns membros dos governos anteriores que, segundo ela,

impuseram um fardo insuportvel sobre o pas e geraes futuras.

Numa tentativa desesperada de acalmar os nimes da multido de jornalistas, garantiu que

no se iria proceder transposio do mais recente Regulamento da Comisso Europeia

relativo s empresas transfronteirias, enquanto no for garantido que as alteraes em

causa no iriam originar ainda mais falncias das empresas nacionais.

Terminava a conferncia com uma lgrima no canto do olho. Lembrara-se dos seus tempos

da faculdade. No era assim que imaginava os seus tempos da primeira-ministra na altura.

No era assim, certamente. i) Enuncie os vcios jurdicos dos quais padecem as medidas enunciadas pela Ins.

ii) Acha que, fruto dos vcios analisados na alnea anterior, poder haver lugar

represtinao da lei em algum dos casos enunciados? Justifique.

i) Aqui, temos antes de mais, ver quais so as matrias sobres as quais se est a legislar.

Interessa ver se so matrias com reserva abosulta/relativa da AG ou concorrentes com

as do Governo. Assim sendo, no artigo 164 da CRP, na alnea c), nos dito que de

reserva absoluta da AR legislar sobre a organizao, funcionamento e processo do TC.

Ora, aqui, foi emitido um DL sobre esta matria. um vcio jurdico e uma

inconstitucionalidade.

Quanto criminalizao de certos comportamentos, vemos no artigo 165, na alnea c,

que reformas do Cdigo Penal so matrias de reserva relativa de competncia

legislativa. Logo, se o Governo for autorizado pela AR, no h problema nenhum em

legislar sobre isto. No entanto, o problema que no existe a retroactividade da Lei

Penal. Segundo o artigo 29, 1 da CRP, ningum pode ser sentenciado criminalmente se

antes no existia lei que considerasse esse comportamento como censurvel.

Por fim, a no transposio do regulamento emanado da UE tambm contm um vcio

jurdico. Segundo o artigo 7, alnea 3, As normas emanadas dos rgos competentes

das organizaes internacionais de que Portugal seja parte vigoram directamente na

ordem interna, desde que tal se encontre estabelecido nos respectivos tratados

constitutivos. Ora, um regulamento emanada da UE tem de ter aplicao directa no

ordenamento de qualquer pas membro, logo no se pode proceder noi transposio.

J as directivas, so comandas, que tm de ser integrados na lei do Estado Membro, mas

que permitem alguma margem de manobra.

iii) Aqui, no primeiro caso, pode haver repristinao da lei. Fala-se em repristinao quando uma lei revogada volta a vigorar por a lei revogadora

ter perdido a sua vigncia. No entanto, esta represtinao s existe num caso,

segundo o artigo 282 da CRP. Ela s existe quando a lei revogadora

inconstitucional, algo que aconteceu com a lei que mudou o funcionamento

do TC.

Antnio teve um acidente de viao que envolveu uma outra viatura, conduzida por Beatriz,

e um motociclo, conduzido por Carla, conceituada advogada. Veio a apurar-se que, no

momento do acidente, Antnio tinha excesso de alcol, incorrendo numa contraordenao

grave. Na sequncia do acidente e do julgamento, o tribunal determinou a obrigao do

responsvel e da sua companhia de seguros assegurarem:

A) O custo da reparao dos veculos sinistrados;

B) A indemnizao a Carla, pelo custo dos tratamentos hospitalares, pelos prejuzos

sofridos com o tempo em que no pde trabalhar e como compensao pela cicatriz com

que ficou no lado esquerdo da cara.

C) Aplicar uma pena de multa a Antnio.

Antnio sofreu ainda uma coima e ficou inibido de conduzir por 3 meses.

i) Identifique as sanes e os ramos de Direito envolvidos. ii) Caso no fosse

apurada a culpa de Antnio, quem acha que responderia pe

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