Cartografia mapa

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<ul><li> 1. CAPTULO 1 O que cartograa cognitiva e por que mapear redes de conhecimento? Alexandra Okada1. Por que cartograa cognitiva? Um dos grandes desaos do contexto atual encontrar caminhos para en-frentar a avalanche de informaes buscando selecionar o que relevante e estabe-lecer associaes signicavas. O volume de dados cresce assustadoramente a cadaminuto. Os acontecimentos ocorrem mais rapidamente do que somos capazes deacompanh-los. O uxo de produo de conhecimentos maior do que pode darconta uma formao educacional e prossional regular. Embora os seres humanostenham exisdo neste planeta por talvez dois milhes de anos, a rpida escalada paraa civilizao moderna nos lmos duzentos anos foi possvel devido ao fato de que ocrescimento do conhecimento cienco exponencial; isto , seu ritmo de expanso proporcional ao quanto j conhecido. Quanto mais sabemos, mais rapidamentepodemos saber mais (KAKU, 2000, p. 296)Novas estratgias de pesquisa e aprendizagem, indicadas na tabela 1, tor-nam-se importantes para desenvolver habilidades necessrias neste cenrio marcadopela era digital, sociedade do conhecimento e mundo globalizado.CenrioHabilidadesEstratgiasAbertura do conhecimento cientficoSaber buscar e selecionar Mapeamento de fontes cientficas.na web atravs de portais acadmicos,conhecimentos na web para aplic -los Categorizao e estruturao debibliotecas online, revistas no prprio contexto.conhecimentos de acordo com asespecializadas eletrnicas, repositrios necessidades de pesquisa.de universidades e centros depesquisa.Grande desenvolvimento de recursos Saber explorar novos recursos Mapeamento de tecnologias, sites detecnolgicos, softwares de acessotecnolgicos, identificar as vantagens, download e guias de utilizaogratuito e fonte aberta na web,limitaes e aplicaes.inclusive fontes de atualizaointerfaces simples visando altaautomtica (RSSfeeds).acessibilidade e usabilidade.Diversidade de canais de comunicao Saber utilizar, remixar e criar Mapeamento de arquivose grande rapidez na circulao deprodues mais significativas e compartilhados na web integrandoinformaes digitais em diversos criativas. Saber valorizar a prpriamultimdia hipertexto para produesformatos e mdias (imagem, som e autoria.de alta qualidade.vdeo) principalmente na internet.Emergncia de uma nova gerao web Saber construir colaborativa mente eMapeamento de comunidades e redes(web 2.0) baseada em dispositivosampliar suas prprias redes sociais decolaborativas para desenvolvimentointerativos em rede como wikis, blogs, aprendizagem. profissional e acadmico.aplicativos de comunicaoinstntanea e web videoconferncias.Tabela 1 - Cartograa Cogniva - Cenrio, habilidades e Estratgias Nesse sendo, tcnicas para o mapeamento de redes do conhecimento podempropiciar organizao do saber, estruturao da pesquisa e registro da aprendizagem tanto</li></ul><p> 2. Fundamentosno ensino presencial quanto principalmente na educao online. Mapas para organizar osaber podem favorecer reconstruo e a troca de novos signicados. Redes de conheci-mento so bem mapeadas propiciam maior compreenso e tomadas de decises. Pesqui-sadores podem desenvolver com maior ecincia suas pesquisas; aprendizes podem apro-fundar com maior criavidade na sua aprendizagem, professores e formadores de docentespodem avaliar e reconstruir com mais rigor suas prcas pedaggicas (OKADA, 2006).Mapas so extremamente teis, no apenas para representar o espao -sico e suas relaes, mas tambm o espao informacional principalmente digital(ciberespao) e o espao mental (o pensamento humano e sua rede de mlplas co-nexes). Representaes grcas de estruturas conceituais propiciam esclarecimentodo pensamento (BRNA, COX, &amp; GOOD, 2001), tornando o raciocnio mais visvel parasi e para os outros (ROSCHELLE, 1996). Mapas podem desenvolver o pensamentocriavo atravs da emergncia de novas idias (BUZAN, 1993), a aprendizagem signi-cava atravs de associaes de conhecimentos prvios com novos conhecimentos(NOVAK, 1998) e a reexo crca atravs do quesonamento, argumentao e cone-xes com evidncias (OKADA, 2008).No entanto, no basta apenas dominar tcnicas de mapeamento e recursostecnolgicos. essencial apoiar-se em alguns princpios para desenvolver o pensamen-to crco, interpretao de signicados e integrao de mlplas perspecvas sobremapeamento visando desenvolvimento da autonomia (FREIRE,1987) e autoria (DEMO,captulo 2) e ca (ALMEIDA, captulo 21). O que so mapas? O que so mapas cogni-vos? Quais as tcnicas para mapear redes de conhecimento? Quais as aplicaes destastcnicas de mapeamento na pesquisa e aprendizagem? Quais as contribuies, limita-es e desaos do uso de mapas na pesquisa, aprendizagem e docncia?O objevo deste captulo introduzir o conceito de Cartograa Cogniva,apresentando fundamentos, tcnicas e soware para mapeamento de conhecimen-tos. Mapas cognivos podem ser aplicados para integrar saberes prvios, individuaise colevos, novos conceitos, referncias, questes de invesgao e avaliar processosde pesquisa e aprendizagem. Atravs da Cartograa Cogniva, pesquisadores, apren-dizes e docentes podem desenvolver seus prprios mapas de conhecimentos visandoao pensamento crco (FREIRE, 1987; JONASSEN, 2000; PAUL, 1992).2. O que so Mapas? Mapa uma das formas mais angas de representao e comunicaogrca que facilita a compreenso espacial das coisas, conceitos, condies, pro-cessos ou eventos no mundo humano (HARLEY e WOODWARD, 1987:ii). Os mapasantecedem o surgimento da escrita e do sistema numrico; e, por sculos, tm sidoamplamente ulizados para representar o conhecimento de territrios geogrcose tambm reas conceituais. Eles trazem um signicado de como o mundo pode serexplicado e compreendido.Existem muitas dvidas sobre o mapa mais ango do mundo: o GA-SUR em2500 a.C. feito num tablete de argila foi considerado como o mapa da Babilnia. Commenos detalhes e em maior escala, o CATAL HYK uma parede pintada datando de6297 a.C. e parece descrever a planta provavelmente da cidade Catal Hyk, na atualTurquia. Esta representao tem o formato do po colmia com 80 edicaes.38 3. O que cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento?Na era Medieval, interessante observar que os mapas representavamno apenas regies e territrios, mas tambm reas conceituais, a natureza dascoisas e formas de classicao do conhecimento. Isidore de Seville, escritor quenasceu em Cartagena aproximadamente em 560 d.C., cou bem conhecido comsuas diversas obras ilustradas com representaes grcas, dentre muitas delas,Dierenae uma exposio das diferenas entre as palavras e as coisas, NaturaRerum sobre a natureza das coisas e Etymologies, uma enciclopdia do conheci-mento. Uma metfora que surgiu em 1300 e destacou-se tambm no sculo XVI foio mapa em formato de rvore para visualizar o sistema de conhecimento atravsde mapas conceituais. A rvore do conhecimento (Arbor scienae) escrita por voltade 1300 foi reeditada vrias vezes nessa poca. Surgiu tambm a rvore da lgica(rvore de Porrio), rvore da gramca, rvore das batalhas, rvore do patrimnioe rvore da jusa (Arbor judiciaria) (BURKE, 2003).Atualmente, mapas so considerados como poderosas ferramentas gr-ficas para classificar, representar e comunicar as relaes entre diversos elemen-tos de qualquer rea do conhecimento, servindo como ponto de referncia paratomadas de deciso e novas descobertas cientficas. Por exemplo, na biologia, omapeamento de microestruturas como o mapa do DNA trouxe grandes avanospara a gentica.Mapas como mediadores do mundo abstrato interno e sico externo sointerfaces fundamentais ajudando o ser humano a fazer sendo do seu universo emdiferentes escalas (HARLEY and WOODWARD, 1987). O mapeamento tem sido umimpulso para a construo de conhecimentos de reas geogrcas ou intelecuais emdiferentes nveis de complexidade. A experincia de mapear implica num processo derepresentao grca de interpretaes no qual necessrio desconstruir, ressigni-car, reconectar e construir conhecimentos explcitos explorando espaos desconhe-cidos (OKADA et al, 2008).Na astronomia, o mapeamento de macrossistemas, por exemplo, a GrandeParede de Galxias, possibilitou visualizao de reas extremamente gigantescas egrandes descobertas sobre o universo. Este mapa representa galxias situadas a umadistncia de 20 milhes de anos-luz de ns, que se estende cerca de 750 milhes deanos-luz em comprimento. Este mapeamento teve incio em 1985 e em quase 20anos ainda est para ser concludo (CHEN, 2003). A arte de representar reas complexas de forma clara e simples implicaem selecionar apenas o que relevante. Mapas so formas especulavas (POLANYI,1959), nas quais espaos reduzidos so delimitados para armazenar conhecimen-to numa forma condensada e fcil de ser manuseada. Mapas oferecem tambm odesao de reorganizar o conhecimento a parr de vrios ngulos, pontos de vista eescalas.Uma das representaes grcas considerada extremamente complexa o mapa desenhado em 1869, por Charles Joseph Minard, um engenheiro francs,para mostrar a marcha do exrcito de Napoleo durante a tentava para conquis-tar a Rssia em 1812, na qual 422 mil franceses parram em junho de 1812 e98% dos parcipantes morreram pelo caminho. A genialidade do mapa est emconseguir, em um espao pequeno, apresentar diferentes variveis: o tamanho doexrcito francs, a sua rerada, sua localizao em uma supercie bidimensional,39 4. Fundamentosas direes do movimento do exrcito e a temperatura em vrias datas. O mapa,nesse contexto, permiu compreender as causas da derrota de Napoleo.As representaes grcas como uma combinao da reduo da realidadee a construo de um espao analgico (ROBINSON,1982) so habilidades do pensa-mento abstrato de alssima ordem, por possibilitar a descoberta de estruturas quepermaneceriam desconhecidas se no fossem mapeadas. Os mapas so imprescin-dveis para compreenso. Mapas bem desenhados so uma efeva fonte de comu-nicao porque eles exploram as habilidades da mente para ver relaes em suasestruturas sicas, permitem compreenso das complexidades do ambiente, reduz otempo de procura e revela relaes espaciais que de outra forma no seriam nota-das (DODGE e KITCHIN, 2001, p. 65). Em muitos casos a informao abstrata no automacamente traduzidapara o mundo sico. Mapear signica reer sobre informaes e conhecimentotcito que no tm uma representao sica bvia e natural. Os mapas nunca someramente descrivos, eles so disposivos heurscos (HARPOLD, 1999) que ins-gam a explorao e a localizao de informaes parculares atravs de conexescom variveis diversas. Trata-se de metforas visuais (GERSHON et al., 1998) quefocam a informao abstrata que relevante para elaborao de estratgias e so-lues de problemas.Um dos mapas mais famosos como estratgia para soluo de problemasfoi o mapa que permiu visualisar a causa de uma epidemia considerada gravssimana Inglaterra no m do sc. XIX. Mais de 500 pessoas, na mesma rea de Londres,morreram de clera dentro de um perodo de 10 dias em setembro 1854. O pesqui-sador Dr. John Snow resolveu mapear a distribuio da doena. Com esse mapa, eleconseguiu idencar que uma grande concentrao de vmas morava prximo deuma determinada regio, principalmente ao redor de uma bomba de gua da rua.Essa bomba, causa da transmisso, foi fechada pelas autoridades e a epidemia foiresolvida. O mapeamento, a parr de ento, tornou-se uma metodologia de pesquisana rea da medicina epidemologia.Mapas abrem novos caminhos, possibilitam descobrir novos atalhos e es-tabelecer novas conexes. Eles no tm um nico ponto de chegada ou de parda, edevem ser exveis e estar em connua atualizao e voltados para uma experimen-tao ancorada no real.O mapa no reproduz um inconsciente fechado sobre elemesmo, ele o constri. Ele contribui para a conexo dos campos, para o desbloqueio,para uma abertura mxima sobre um plano de consistncia. O mapa aberto, co-nectvel, em todas as suas dimenses, desmontvel, reversvel, suscevel de recebermodicaes constantemente (DELEUZE e GUATTARI, 2000, p. 22). O estudo sobre mapeamento tem propiciado novos atalhos para novas re-as do conhecimento, tais como visualizao da informao, infometria, bibliometriae cienciometria. Novas pesquisas na rea de Visualizao de informao tm sur-gido destacando a importncia do uso de mapas para visualizar redes informacionaise argumentavas (KIRSCHNER, BUCKINGHAM SHUM e CARR). Com o rpido cresci-mento da produo cienca, o processo de mapeamento tem contribudo tambmcomo uma forma de avaliar fontes de informao (infometria), documentao do co-nhecimento (bibliometria), disseminao e uso do conhecimento cienco (ciencio-metria). No caso da cienciometria, o mapeamento do nmero de citaes e uso de40 5. O que cartografia cognitiva e por que mapear redes de conhecimento?referncias ciencas tem possibilitado idencar novas reas emergentes, meto-dologias, ou mesmo a estrutura de centros de pesquisa. O mapeamento, neste caso,favorece a anlise dos aspectos quantavos referentes gerao, propagao e u-lizao do conhecimento cienco. Alm disso, contribui para visualizar a produode centros de pesquisas, instuies acadmicas e tambm pases (CHEN,2003).Os mapas como instrumentos socioculturais no so artefatos neutros(HARLEY,1989). O mapeamento um processo de representao do conhecimentoque revela decises que podem ser tomadas sobre o que includo e excludo, comoo mapa aparece e o que o mapa quer comunicar. (MACEACHREM, 1995). Os mapasso embudos de valores e julgamentos dos indivduos que o constroem. So o ree-xo da cultura que eles vivem. Assim, os mapas esto situados dentro de um contextohistrico e reetem o contexto sociocultural. Mapa uma fonte de comunicao que traz aspectos relevantes. Mapa no o territrio, mas sim, um conjunto de certos aspectos do territrio. Mapa um guiaque traz orientaes, um instrumento para angir algum objevo e tambm facilitarescolhas e aes. Os mapas so talvez o objeto cujo desenho est mais estritamentevinculado ao uso que se lhes quer desnar. Por isso, as regras de escala, da projeoe da simbolizao so modos de estruturar no espao desenhado, uma resposta ade-quada nossa subjevidade, inteno prca com que dialogamos com o mapa(SANTOS, 2000, p. 75).O mapa carrega uma intencionalidade e abertura para novas descobertas(OKADA e ALMEIDA, 2004). fundamental que o cartgrafo tenha uma viso do con-texto a ser mapeado e do contexto no qual o mapa ser ulizado. Assim, os mapasso um campo estruturado de intencionalidades, uma lngua franca que permite aconversa sempre inacabada entre a representao do que somos e a orientao quebuscamos (SANTOS, 2000, p. 75). Os mapas podem representar o espao geogrco do mundo exterior, comotambm, territrios do mundo interior. Numa verso reduzida, os mapas podem noapenas representar as coisas que vemos, mas tambm indicar as coisas que no ve-mos. A incompletude estruturada dos mapas a condio da criavidade com quenos movimentamos entre os seus pontos xos. De nada valeria desenhar mapas seno houvesse viajantes para os percorrer (SANTOS, 2000, p. 75).3. O que so Mapas Cognitivos?Denomina-se mapa cognivo como uma representao grca do mundointelectual da mente humana (OKADA, 2006). Trata-se de um termo diferente do con-ceituado inicialm...</p>