cartilha une

Download Cartilha UNE

Post on 12-Jan-2016

223 views

Category:

Documents

3 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Educação não é mercadoria

TRANSCRIPT

  • Sabemos que entrar em uma universidade particular no nada fcil: trabalhar durante o dia e estudar noite, contar em moedas a xerox, dormir em cima dos livros, passar o fim de semana se preparando para trabalhos e provas, dedicar-se ao mximo para no jogar dinheiro fora e aproveitar a chance de crescer e ajudar o desenvolvimento do Pas.

    Em troca, em vez de receberem apoio e respeito das instituies de ensino, mui-tas vezes os estudantes so vtimas da ganncia, dos abusos e das irregularida-des cometidas pelas faculdades privadas.

    Alm de sucateamentos e reajustes abusivos, o ensino superior privado do Bra-sil tem convivido com descredenciamento de universidades, falta de fiscalizao do MEC, ausncia de pesquisa e extenso, falta de democracia, intimidao do movimento estudantil, cobrana de taxas ilegais e punies aos inadimplentes.

    Estamos cercados de tubares estrangeiros. Cerca de 1.317.000 de matrculas no ensino superior privado esto nas mos de apenas quatro grupos interna-cionais, o que corresponde a mais de 25% do nmero total de estudantes das universidades particulares. Como um carro sem freio, a desnacionalizao da educao vai se apropriando velozmente dessa rede.

    A atual gesto da UNE vai prosseguir cada vez mais disposta a criar condies melhores para os alunos das instituies privadas, sem esquecer que a principal tarefa dos estudantes brasileiros a luta pela ampliao do ensino pblico, gra-tuito e de qualidade, passando por uma ampla reforma universitria.

    www.une.org.brfacebook.com/uneoficialtwitter.com/uneoficialyoutube.com/uneoficial

    flick.com/_une

    Propomos aos estudantes entenderem a realidade do ensino privado e cobrarem dos poderosos empresrios do ensino privado os pontos reivindicados pela UNE nessa campanha pela caa aos tubares do ensino.

  • Sua mensalidade aumenta todos os anos, mas os livros da biblioteca, o salrio dos professores, as instalaes, os laboratrios e a infraestrutura permanecem iguais? Ou s pioram?

    So cobradas taxas abusivas em muitas universidades e a regra, que deveria ser a exceo, so aumentos sem o menor dilogo com a comunidade acadmica e sem justificativa. Os mesmos problemas de sempre permanecem sem soluo.

    A legislao relaciona o valor das mensalidades ao investimento ou ao aumento efetivo das despesas. As universidades, na maioria dos casos, no so transparen-tes ao apresentarem suas planilhas, e argumentam que o aumento dos salrios dos professores e das despesas so justificativas para os preos abusivos. A men-salidade sobe, enquanto a qualidade desce.

    INADIMPLNCIA NO CRIME

    PLANILHA: A CAIXA PRETA DAS UNIVERSIDADES

    Ainda no temos a legislao ideal sobre o aumento de mensalidades, como a UNE defende h vrios anos. Contudo, os estudantes j dispem de alguns instrumentos para melhorar essa questo. A universidade s pode aumentar o valor das mensalidades uma vez por ano, e se comprovar que est repassando o aumento dos gastos em melhorias didtico-pedaggicas.

    A faculdade obrigada a abrir a pla-nilha de custos. Se a mensalidade for reajustada acima do que est compro-vado ou se a planilha no for fornecida, as entidades estudantis devem solicitar e brigar pela planilha nas instituies, inclusive de anos anteriores, para po-derem comparar os investimentos.

    Outra forma de combater os abusos pais e alunos procurarem o Procon ou outros rgos de defesa do consu-midor, como o Idec e as comisses de defesa do consumidor da OAB. Podem tambm entrar na justia comum por meio de um advogado, dizendo que o valor correto x e no o y que est sendo cobrado e depositar o valor em juzo at a deciso final.

    Se as mensalidades aumentam muito, para os estudantes s restam a ina-dimplncia, a evaso e a frustrao com os cursos de qualidade suspeita. Os ndices de inadimplncia so altos, chegando a 40% ou 50% em algumas instituies. Muitos alunos foram in-cludos em listas de maus pagado-res do Servio de Proteo ao Crdito (SPC) nos estados ou simplesmente tiveram que abandonar o curso.

    Mas inadimplncia no crime. A falta de pagamentos deriva da falta de condi-es para pagar. O desemprego alto e os jovens compem a parcela mais afe-tada pela ausncia de trabalho. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o ndice de de-semprego de 42%. De acordo com o IBGE, o percentual de evaso escolar de jovens nessa faixa etria de 67%.

    Quanto s punies, bom ficar atento, pois a faculdade no pode aplicar qual-quer sano didtico-pedaggica ao aluno inadimplente, como impedi-lo de fazer provas, assistir a aulas, frequentar a biblioteca ou qualquer atividade aca-dmica. Tambm no pode expuls-lo ou impedi-lo de ter acesso s aulas. Contudo, a atual Lei das Mensalidades d escola o direito de no aceitar a ma-trcula no ano posterior.

    UMA CAMPANHA DA UNE CONTRA O AUMENTO DAS MENSALIDADES

  • A UNE sempre teve a opinio de que a universidade estratgica para o desenvol-vimento do Pas, e de que o fortalecimento do seu carter pblico, a democratiza-o do seu acesso e a regulamentao por parte do poder pblico so eixos fun-damentais para que a educao superior brasileira possa produzir conhecimento, pesquisa e extenso favorveis ao Brasil.

    A educao no deve jamais ser versada como mercadoria, comparada a um pastel na feira ou a um vestido da Daslu.

    A prpria lgica do capital tem estimulado o movimento de fuses e a formao de grandes grupos que dominam o mercado do ensino privado como grandes tubares do ensino. Alm de rebaixar a qualidade da educao, esse processo coloca em risco a soberania nacional, na medida em que fundos internacionais passam a controlar um setor estratgico para o desenvolvimento do Pas.

    Nesse processo, as escolas realizam o que chamam de reestruturao adminis-trativa. Os grupos internacionais, como precisam apresentar resultados financeiros aos seus investidores, optam por uma educao de baixo custo e isso acaba por mercantilizar o ensino superior privado, o que traz malefcios diretos qualidade da formao oferecida aos alunos.

    Os grupos economizam, por exemplo, com a demisso de professores, mestres e dou-tores. S em So Paulo foram mais de 1.500 professores substitudos por graduados e especialistas, com salrios inferiores. Tambm cortam custos com a substituio de laboratrios e bibliotecas por salas de aula, alm de superlotar as j existentes.

    UNE na luta pela desnacionalizao do ensino superior DESNACIONALIzAO

    EM NMEROS

    76,6% dos estudantes matriculados no ensino superior brasileiro ou mais de 4,9 milhes de pessoas esto na rede privada de ensino.

    Aproximadamente 1.317.000 de matrculas esto nas mos de apenas quatro grupos estrangeiros (Anhaguera Educacional Participaes S/A, gerida pelo Citi-group; Estcio Participaes, do GP Investments; Kroton Educacional e Laureate).

  • Algumas medidas esto sendo tomadas para responder a essa situao ina-ceitvel da qualidade de ensino nas universidades. Est tramitando na Cmara dos Deputados o PL 4372/2012, encaminhado pelo MEC, que visa a criar uma autarquia federal para autorizar e renovar o reconhecimento de cursos de gra-duao e sequenciais.

    A autarquia em questo denominada INSAES (Instituto Nacional de Superviso e Avaliao da Educao Superior). Para a UNE, essa uma das principais ban-deiras na luta pela qualidade do ensino privado, pois poder assegurar a quali-dade do ensino superior no Pas e impedir a crescente mercantilizao.

    Como sano aos infratores da lei, o instituto poder desativar cursos, reduzir o nmero de vagas, suspender a autonomia e aplicar advertncias ou multas no valor de R$ 5 mil a R$ 500 mil. Por essas razes, a UNE acredita que o r-go representa mais capacidade do Estado em assumir seu papel na garantia da qualidade da educao, inclusive em instituies que vivem do dinheiro pblico.

    Grande parte das instituies de educao privada conta com o auxlio de recursos pblicos, por meio de programas como o ProUni e o Fies. No entanto, o setor priva-do se recusa a ser supervisionado e avaliado de acordo com as mesmas exigncias aplicadas educao pblica, alegando uma suposta ingerncia do Estado.

    A proposta foi enviada ao Congresso Nacional por meio do Projeto de Lei 4372/2012 e est em tramitao. Ele ainda precisa passar por algumas comisses e depois seguir para o Senado.

    preciso, contudo, ficar atento para que essa nova autarquia no seja absorvida pelos interesses dos tubares do ensino. A entidade continuar na luta pela re-gulamentao do ensino privado.

    A universidade brasileira ainda mantm a mesma estrutura criada pela ditadura militar, com afrontas graves democracia, como o processo de escolha do reitor. As particulares, em geral, padecem com processos internos extremamente antide-mocrticos. Algumas exigncias precisam ser reivindicadas pelas entidades e pelos estudantes, como eleies diretas para todos os cargos de direo, publicao das planilhas de custo e participao e paridade nos rgos colegiados.

    O aluno tem o direito de saber em que e como est sendo aplicado o dinheiro que gasta mensalmente em seus estudos, e pode exigir melhores resultados caso no esteja satisfeito com a qualidade do ensino que recebe em troca.

    Da mesma maneira, estudantes, professores e funcionrios tm direito de participar das decises da instituio. impossvel desenvolver um bom projeto didtico-pe-daggico sem que haja a participao de todos.

    Controlar a sede de dinheiro das mantenedoras das universidades particulares no fcil; conseguir a reduo das mensalidades, menos ainda. Por isso, preciso organizar o movimento de forma que sejam valorizadas a unidade das lutas das universidades e as aes conjuntas com outros rgos, como Procon, sees locais da OAB, Ministrio Pblico, Dieese, Sindicatos dos Professores, enfim, todas as or-ganizaes que possam dar orientaes e colaboraes nessa batalha.

    A mobilizao das entidades estudantis tambm fundamental. Por isso, impres-cindvel que haja a liberdade de organizao estuda