Cartilha Sus e Os Municipios

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<p>Ministrio da SadeSecretaria Executiva Departamento de Apoio Descentralizao</p> <p>O SUS no seu municpio Garantindo sade para todos</p> <p>Srie B. Textos Bsicos de Sade</p> <p>Braslia - DF 2004</p> <p> 2004 Ministrio da Sade. permitida a reproduo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra da rea tcnica. Srie B. Textos Bsicos de Sade Tiragem: 1. edio - 2004 - 15.000 exemplares Elaborao, distribuio e informaes: MINISTRIO DA SADE Secretaria-Executiva Departamento de Apoio Descentralizao Esplanada dos Ministrios, bloco G, Edifcio Sede, 3.o andar, sala 350 CEP: 70058-900, Braslia - DF Tels.: (61) 315 3442 / 315 2649 Home page: www.saude.gov.br/dad Coordenao da elaborao do guia: Ana Lucia Pereira - DAD Lumna Almeida Castro Furtado - DAD Elaborao do texto: Luis Andr Prado Reviso do texto: Alcides Silva de Miranda Drio Frederico Pasche Cipriano Maia de Vasconcelos Grupo colaborador: Antnio Srgio de Freitas Ferreira - SGTES Deo Ramos - Funasa Joo Carlos Saraiva - SCTIE Marcus Vincius Quito - SAS Maria Maurlia Queiroga - SGP Marinilde Campos Frana - Anvisa Rosaura Maria da Costa Hexsel - SGTES Silvana Souza da Silva Pereira - SAS Sonia Maria Feitosa Brito - SVS Suely Rebouas - ASCOM Sylvain Nahum Levy - SGP Impresso no Brasil / Printed in Brazil</p> <p>Ficha Catalogrfica O SUS no seu municpio: garantindo sade para todos / [Ana Lucia Pereira et al.]. - Braslia: Ministrio da Sade, 2004. 40 p.: il. color. - (Srie B. Textos Bsicos de Sade). ISBN 85-334-0829-3 1. SUS (BR). 2. Planejamento em sade. 3. Promoo da sade. I. Brasil. Ministrio da Sade. Secretaria Executiva. Departamento de Apoio Descentralizao. II. [Pereira, Ana Lucia. et al]. III. Ttulo. IV. Srie. NLM WA 30 DB8 Catalogao na fonte - Editora MS - 2004/0990 Ttulos para indexao: Em ingls: The SUS in your county assuring health to everybody Em espanhol: El SUS en el suyo ayuntamiento, garantizando salud para todos</p> <p>O SUS no seu municpio Garantindo sade para todosApresentao SUS, uma rede de sade e cidadania O que o SUS O conceito de sade Um direito assegurado pela Constituio O SUS promove e protege a sade pblica Intersetorialidade: a sade resulta de vrios fatores Princpios do SUS Principais leis Constituio Federal de 1988 Lei Orgnica da Sade (LOS), Lei n. 8.080/1990 Lei n. 8.142/1990 Responsabilizao sanitria Responsabilizao macrossanitria Responsabilizao microssanitria Participao e controle social O que participao social na sade? Canais municipais de participao preciso informar e saber escutar Gesto da sade Instncias de pactuao Comisso Intergestores Tripartite (CIT) Comisses Intergestores Bipartites (CIB) Espaos regionais Descentralizao Municipalizao exige novas competncias locais Regionalizao: consensos e estratgias O financiamento da sade pblica A EC n. 29/2000 deu previsibilidade aos recursos Como funcionam os Fundos de Sade? Transferncias automticas de recursos Monitoramento dos recursos e das aes Planejamento e informao Plano de sade fixa diretriz e metas sade municipal Sistemas de informaes ajudam a planejar a sade Ateno sade Nveis de ateno sade O que ateno bsica em sade? Por que as Unidades Bsicas so prioridade? Sade da Famlia a sade mais perto do cidado A sade municipal precisa ser integral A promoo da sade Vigilncia em sade Vigilncia expande seus objetivos Competncias municipais na vigilncia em sade Desafios da gesto em sade Desafios pblicos, responsabilidades compartilhadas Criatividade na conduo tcnica e administrativa Contatos 4 7 8 8 9 9 9 10 10 11 11 12 12 13 15 16 16 17 19 20 20 20 21 21 21 21 22 22 23 23 23 25 26 27 29 30 30 30 31 32 32 33 33 33 35 36 37 38</p> <p>Sumrio</p> <p>SUS, uma rede de sade e cidadaniaA cidade o nico lugar em que se pode contemplar o mundo com a esperana de produzir um futuro. Milton Santos</p> <p>V</p> <p>ivemos em um Pas cuja maior riqueza tambm nosso maior desafio: a grandeza e a diversidade de nosso territrio. A pluralidade de condies vivenciadas pelos municpios e suas regies lhes determina, tambm, distintas possibilidades e necessidades em todas as reas. Considerar essas diferenas ao desenhar as polticas pblicas uma tarefa to complexa, quanto fundamental. Nesse caminho, o dilogo com cada prefeito nos permite estabelecer contato direto com suas realidades locais. No outro o objetivo desta publicao, que rene, de forma concisa, propostas e desafios colocados hoje no processo de construo do SUS nos municpios. , acima de tudo, um convite a cada gestor municipal para que se integre ao debate acerca das polticas pblicas para o setor da sade.</p> <p>O prefeito tem papel central na definio da agenda da sade local, na elaborao do projeto de sade para seu municpio, na co-gesto regional da sade e no fortalecimento das estratgias intersetoriais de interveno, buscando melhor qualidade de vida e sade para sua populao. Aos prefeitos que estaro continuando seus mandatos, reafirmamos o propsito de estreitar ainda mais nossa relao de parceria. Aos que esto chegando, expressamos o desejo de estabelecer uma relao de cooperao slida, envolvendo sempre as trs esferas de governo. funo dos estados e da Unio oferecer apoio e cooperao tcnica e financeira aos municpios, objetivando fortalecer a descentralizao da gesto da sade. O processo de implementao do SUS tem operado uma reforma estrutural no Estado brasileiro, produzindo muitos avanos, nestes cerca de 15 anos. Entretanto, muitos problemas ainda so identificados, colocando novos desafios, que s podero ser superados pelo esforo conjunto de todos os sujeitos envolvidos gestores, equipes de sade, comunidades etc. , na construo de novos acordos e agendas comprometidas com uma sade pblica participativa, eficiente e equnime. Nessa direo, j foi discutida e aprovada na Comisso Intergestores Tripartite (CIT) a construo de um novo pacto de gesto, que representar, certamente, um salto de qualidade na gesto do SUS. Contamos com sua contribuio ativa nesse processo.</p> <p>Humberto Costa Ministro da Sade</p> <p>O QUE O SUS</p> <p>Um sistema nacional integradoO Sistema nico de Sade (SUS) constitudo pelo conjunto das aes eA Lei n. 8.080 determina, em seu artigo 9, que a direo do SUS deve ser nica, de acordo com o inciso I do artigo 198 da Constituio Federal, sendo exercida, em cada esfera de governo, pelos seguintes rgos: I - no mbito da Unio, pelo Ministrio da Sade; II - no mbito dos estados e do Distrito Federal, pela respectiva Secretaria de Sade ou rgo equivalente; e III - no mbito dos municpios, pela respectiva Secretaria de Sade ou rgo equivalente.</p> <p>dos servios de sade sob gesto pblica. Est organizado em redes regionalizadas e hierarquizadas e atua em todo o territrio nacional, com direo nica em cada esfera de governo. O SUS no , porm, uma estrutura que atua isolada na promoo dos direitos bsicos de cidadania. Insere-se no contexto das polticas pblicas de seguridade social, que abrangem, alm da sade, a previdncia (INSS) e a assistncia social.</p> <p>O SUS responsabilidade das trs esferas de governoA Constituio brasileira estabelece que a sade um dever do Estado. Aqui, deve-se entender Estado no apenas como o governo federal, mas como Poder Pblico, abrangendo a Unio, os estados, o Distrito Federal e os municpios. A implementao e a gesto do SUS so, portanto, tambm obrigaes das municipalidades, que devem trabalhar integradas s demais esferas de governo, na construo de polticas setoriais e intersetoriais que garantam populao acesso universal e igualitrio sade.</p> <p>O conceito de sadeUm direito assegurado pela ConstituioA sade , acima de tudo, um direito universal e fundamental do ser humano, firmado na Declarao Universal dos Direitos Humanos e assegurado pela Constituio Federal de 1988. A efetivao da sade como direito universal ou seja, de todos um desafio que s pode ser alcanado por meio de polticas sociais e econmicas que reduzam as desigualdades sociais e regionais em nosso Pas, assegurando a cidadania e o fortalecimento da democracia.</p> <p>O SUS no seu municpio. Garantindo sade para todos.</p> <p>8</p> <p>O SUS promove e protege a sade pblicaAo SUS cabe a tarefa de promover e proteger a sade, garantindo ateno qualificada e contnua aos indivduos e s coletividades, de forma eqitativa.</p> <p>Intersetorialidade: a sade resulta de vrios fatoresA atual legislao brasileira ampliou a definio de sade, considerando-a resultado de vrios fatores determinantes e condicionantes, como alimentao, moradia, saneamento bsico, meio ambiente, trabalho, renda, educao, transporte, lazer, acesso a bens e servios essenciais. Por isso mesmo, as gestes municipais do SUS em articulao com as demais esferas de governo devem desenvolver aes conjuntas com outros setores governamentais, como meio ambiente, educao, urbanismo etc., que possam contribuir, direta ou indiretamente, para a promoo de melhores condies de vida e da sade para a populao.</p> <p>Princpios do SUSSo conceitos que orientam o SUS, previstos no artigo 198 da Constituio Federal de 1988 e no artigo 7 do Captulo II da Lei n. 8.080/1990. Os principais so: Universalidade significa que o SUS deve atender a todos, sem distines ou restries, oferecendo toda a ateno necessria, sem qualquer custo;</p> <p>Democracia com fome, sem educao e sade para a maioria uma concha vazia. Nelson Mandela</p> <p>9</p> <p>O QUE O SUS</p> <p>Integralidade o SUS deve oferecer a ateno necessria sade da populao, promovendo aes contnuas de preveno e tratamento aos indivduos e s comunidades, em quaisquer nveis de complexidade; Eqidade o SUS deve disponibilizar recursos e servios com justia, de acordo com as necessidades de cada um, canalizando maior ateno aos que mais necessitam; Participao social um direito e um dever da sociedade participar das gestes pblicas em geral e da sade pblica em particular; dever do Poder Pblico garantir as condies para essa participao, assegurando a gesto comunitria do SUS; e Descentralizao o processo de transferncia de responsabilidades de gesto para os municpios, atendendo s determinaes constitucionais e legais que embasam o SUS, definidor de atribuies comuns e competncias especficas Unio, aos estados, ao Distrito Federal e aos municpios.</p> <p>Principais leisOs textos integrais das principais leis brasileiras referentes sade podem ser acessados no CD-ROM que acompanha esta publicao.</p> <p>Constituio Federal de 1988Estabelece que a sade direito de todos e dever do Estado, garantido mediante polticas sociais e econmicasOs textos da sade encontram-se no Ttulo VIII, Da Ordem Social, Captulo II, Da Seguridade Social, Seo II, Da Sade, artigos 196 a 200.</p> <p>que visem reduo do risco de doena e de outros agravos e ao acesso universal e igualitrio s aes e aos servios para sua promoo, proteo e recuperao. Determina ao Poder</p> <p>Pblico sua regulamentao, fiscalizao e controle, que as aes e os servios da sade integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um</p> <p>O SUS no seu municpio. Garantindo sade para todos.</p> <p>10</p> <p>sistema nico; define suas diretrizes, atribuies, fontes de financiamento e, ainda, como deve se dar a participao da iniciativa privada.</p> <p>Lei Orgnica da Sade (LOS), Lei n. 8.080/1990Regulamenta, em todo o territrio nacional, as aes do SUS, estabelece as diretrizes para seu gerenciamento e descentralizao e detalha as competncias de cada esfera governamental. Enfatiza a descentralizao poltico-administrativa, por meio da municipalizao dos servios e das aes de sade, com redistribuio de poder, competncias e recursos, em direo aos municpios. Determina como competncia do SUS a definio de critrios, valores e qualidade dos servios. Trata da gesto financeira; define o Plano Municipal de Sade como base das atividades e da programao de cada nvel de direo do SUS e garante a gratuidade das aes e dos servios nos atendimentos pblicos e privados contratados e conveniados.</p> <p>Lei n. 8.142/1990Dispe sobre o papel e a participao das comunidades na gesto do SUS, sobre as transferncias de recursos financeiros entre Unio, estados, Distrito Federal e municpios na rea da sade e d outras providncias. Institui as instncias colegiadas e os instrumentos de participao social em cada esfera de governo.O recebimento de recursos financeiros pelos municpios est condicionado existncia de Conselho Municipal de Sade, em funcionamento de acordo com a lei.</p> <p>O senhor escute meu corao, pegue no meu pulso. O senhor avista meus cabelos brancos... Viver no ? muito perigoso. Porque aprender-a-viver que o viver mesmo. Guimares Rosa</p> <p>11</p> <p>O QUE O SUS</p> <p>Responsabilizao sanitriaDesenvolver responsabilizao sanitria estabelecer claramente as atribuies de cada uma das esferas de gesto da sade pblica, assim como dos servios e das equipes que compem o SUS, possibilitando melhorPactuar se dispor negociao e ao acordo com as demais partes envolvidas em um mesmo processo; no mbito do SUS, a pactuao entre os diversos sujeitos sociais envolve todas as etapas do processo de gesto e monitoramento das aes e dos servios, sempre com o objetivo de oferecer o melhor atendimento aos usurios.</p> <p>planejamento, acompanhamento e complementaridade das aes e dos servios. Os prefeitos, ao assumir suas responsabilidades, devem estimular a responsabilizao junto aos gerentes e equipes, no mbito municipal, e participar do processo de pactuao, no mbito regional.</p> <p>Responsabilizao macrossanitriaO gestor municipal, para assegurar o direito sade de seus muncipes, deve assumir a responsabilidade pelos resultados, buscando reduzir os riscos, a mortalidade e as doenas evitveis, a exemplo da mortalidade materna e infantil, da hansenase e da tuberculose. Para isso, tem de se responsabilizar pela oferta de aes e servios que promovam e protejam a sade das pessoas, previnam as doenas e os agravos e recuperem os doentes. A ateno bsica sade, por reunir esses trs componentes, coloca-se como responsabilidade primeira e intransfervel a todos os gestores. O cumprimento dessas responsabilidades exige que assumam as atribuies de gesto, incluindo: execuo dos servios pblicos de responsabilidade municipal; destinao de recursos do oramento municipal e utilizao do conjunto de recursos da sade, com base em prioridades definidas no Plano Municipal de Sade; planejamento, organizao, coordenao, controle e avaliao das aes e dos servios de sade sob gesto municipal; e participao no processo de integrao ao SUS, em mbito regional e estadual, para assegurar a seus cidados o acesso a servios de maior complexidade, no disponveis no municpio.</p> <p>O SUS no seu municpio. Garantindo sade para todos.</p> <p>12</p> <p>Responsabilizao microssanitria determinante que cada servio de sade conhea o territrio sob sua responsabilidade. Para isso, as unidades da rede bsica devem estabelecer uma relao de compromisso com a populao a ela adscrita e cada equipe de referncia deve ter slidos vnculos teraputicos com os pacientes e seus familiares, proporcionando-lhes abordagem integral e mobilizao dos recursos e apoios necessrios recuperao de cada pessoa. A alta s deve ocorrer quando da transferncia do paciente a outra equipe (da rede bsica ou de ou...</p>