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  • 1

    Cartilha Peditrica deDoenas Infecto Parasitrias

  • Ficha tcnica

    REDAO

    EDIO

    Professores

    AlunosDaniela Carolina El-corab VasconcelosGabriella Santos SilvaGiane Moreira PraaJuliana Tavares SalgadoKnia da Silva CostaLusa Santos de AguiarLuiz Fernando de Oliveira SantanaMariana Pimenta Rocha

    Elaine Alvarenga de Almeida Carvalho Fabiana Maria KakehasiLilian Martins Oliveira Diniz Ericka Viana Machado Carellos

    Assessoria de Comunicao SocialCoordenao: Gilberto BoaventuraProjeto grfico: Juliana GuimaresDiagramao: Juliana Guimares e Las PetrinaIlustraes: Juliana GuimaresAtendimento: Desire Suzuki e Ragner Reis

  • Cartilha Peditrica deDoenas Infecto Parasitrias

    Departamento dePediatria

  • SUMRIO

    1 Leishmaniose 7

    17

    25

    33

    41

    49

    57

    65

    73

    81

    89

    97

    7 Ancilostomase

    2 Giardase

    8 Necatorase

    3 Amebase

    9 Toxocarase

    4 Esquistossomose

    10 Estrongiloidase

    5 Tenase

    11 Enterobase

    6 Ascaridase

    12 Tricurase

  • 6

  • 7

    Leishmaniose

    1

  • 9

    Leishmaniose

    Leishmaniose visceral

    Tambm conhecida por calazar ou kala-azar, uma doena infecciosa sistmica causada por um protozorio do gnero Leishmania, sendo nas Amricas, a espcie Leishmania chagasi a responsvel pela enfermidade. A transmisso ocorre por um inseto vetor flebotomneo denominado Lutzomyia longipalpis, popularmente conhecido como mosquito palha, cangalhinha e birigui.

    Devido ao fato de o inseto utilizar matria orgnica em decomposio para postura dos ovos, quintais com canis, galinheiros e muitas rvores so os locais ideais para criadouro do flebotomneo vetor. Os reservatrios podem ser raposa, gamb, rato domstico e cachorro, sendo este o principal elo na cadeia de transmisso.

    No Brasil h 90% dos casos de calazar das Amricas. tida como uma das cinco endemias prioritrias para as aes da Organizao Mundial de Sade.

    Ao fazer repasto sanguneo em hospedeiro infectado, as fmeas dos flebotomneos ingerem sangue com macrfagos e moncitos parasitados. No intestino mdio do inseto, as formas amastigotas so liberadas e aps diviso se transformam nas formas promastigotas, infectantes para o homem. A transmisso ocorre quando as fmeas infectadas se alimentam em invertebrados susceptveis. A saliva do Lutzomyia inoculada com as formas promastigotas do parasito, que caem na circulao e migram para os rgos do sistema retculo endotelial, como fgado, bao, medula ssea e linfonodos, sendo fagocitados pelos macrfagos.

    O perodo de incubao varia de 3 a 8 meses. A apresentao clnica da doena varia desde quadros assintomticos, at formas graves da doena. As formas assintomticas e oligossintomticas so as mais comuns, sendo o diagnstico feito por sorologia positiva para leishmaniose.

    Ciclo biolgico

    Quadro Clnico

    A

  • 10

    As formas oligossintomticas apresentam quadro clnico inespecfico, semelhante a IVAs, parasitoses intestinais ou gastroenterite. So descritas, febre baixa, inapetncia, adinamia, astenia, hepatomegalia discreta, perda de peso e algumas vezes esplenomegalia. Essas formas evoluem para a cura espontnea em 75% dos casos.As formas agudas caracterizam-se por febre elevada, diarreia, tosse e hepatoesplenomegalia discreta. H hipergamaglobulinemia.

    chamado calazar clssico, quando a doena segue curso subagudo ou crnico, apresentando-se com febre insidiosa sem caractersticas marcantes, palidez, emagrecimento, adinamia, hepatoesplenomegalia e atrofia da musculatura abdominal. Na ausncia de tratamento, a doena progride com sangramentos devido plaquetopenia e infeces decorrentes da imunossupresso.

    Alguns fatores relacionam-se pior prognstico, como idade menor que um ano ou maior que 45 e presena de comorbidades, como HIV.

    O tratamento inclui cuidados gerais, como uso de analgsicos e antitrmicos, hemotransfuses e antibioticoterapia. A medicao de escolha o antimoniato de

    N-metil glucamina, o Glucantime , apresentado em ampolas de 5 mL contendo 81 mg de antimnio pentavalente por mL. A dose recomendada de 20mg/kg/

    Tratamento

    O diagnstico feito com base no quadro clnico e epidemiolgico. As alteraes laboratoriais encontradas so pancitopenia com anemia normoctica e normocrmica, leucopenia, trombocitopenia e ausncia de eosinfilos no sangue perifrico. A inverso albumina/globulina caracterstica. Tambm podem ser encontradas outras alteraes inespecficas, como elevao das aminotransferases hepticas e bilirrubinas e diminuio da atividade de protrombina.

    O diagnstico parasitolgico o padro ouro para a leishmaniose visceral, sendo feito atravs do encontro de formas amastigotas do parasita na medula, no aspirado esplnico ou em qualquer outro rgo do sistema retculo endotelial.

    O diagnstico sorolgico baseia-se na presena de resposta humoral especfica, sendo encontrados anticorpos antileishmnia com ttulos elevados em pacientes imunocompetentes com calazar. Pode ser feito tambm o diagnstico molecular atravs do PCR.

    Deve ser feito diagnstico diferencial com outras doenas que apresente febre e hepatoesplenomegalia ou pancitopenia, como esquistossomose mansoni, malria, mononucleose infecciosa, toxoplasmose, doena de chagas aguda, leucemias e artrite reumatoide de incio sistmico.

    Diagnstico

  • 11

    Proteo individual contra o vetor transmissor atravs do uso de repelentes e diagnstico dos ces infectados.

    Profilaxia

    dia de 20 a 40 dias consecutivos, por via intramuscular ou intravenosa. Trata-se de uma droga cardiotxica, hepatotxia e nefrotxica. contraindicada em gestantes, cardiopatas, pacientes com insuficincia renal e em uso de beta bloqueadores.

    Outra droga utilizada a anfotericina B, podendo ser o desoxicolato ou a anfotericina lipossomal. Para o desoxicolato de anfotericina B posologia recomendada de 1mg/kg/dia por via intravenosa durante 20 dias consecutivos. Seus efeitos colaterais incluem febre, calafrios, cefaleia, hipotenso, artralgia, mialgia e vmitos, pode ocorrer flebite e comprometimento renal temporrio. A anfotericina B lipossomal mais bem tolerada e a posologia indicada de 5mg/kg/dia durante 7 dias por via intravenosa.

    Os critrios de cura so clnicos e devem ser observados: curva trmica normal, reduo da hepatoesplenomegalia e melhora dos parmetros hematolgicos. A cura completa com negativao do parasitismo.

    Leishmaniose tegumentarB

    A leismaniose tegumentar uma doena causada por parasitos do gnero Leishmania e que possui seu ciclo realizado em dois hospedeiros, um vertebrado e um invertebrado.Os hospedeiros vertebrados podem ser roedores, edentados (tatu, tamandu, preguila), marsupiais (gamb), candeos e primatas, incluindo o homem. Os hospedeiros invertebrados so pequenos insetos do gnero Lutzomyia.

    A infeco do inseto vetor ocorre quando a fmea faz repasto sanguneo em um hospedeiro contaminado e ingere macrfagos parasitados com a forma amastigota do parasito. No estmago do inseto, as formas amastigotas sofrem diviso binria e se transformam em promastigotas. Ao ingerir sangue de um hospedeiro susceptvel, as formas promastigotas existentes nos flebotomnios so introduzidas no local da picada, posteriormente os parasitos so interiorizados por macrfagos teciduais do

    Ciclo biolgico

  • 12

    O perodo de incubao varia de 2 semanas a 3 meses. As leses iniciais podem regredir espontaneamente, permanecer estacionria, ou evoluir para um ndulo drmico chamado histiocitoma, localizado sempre no stio da picada do vetor.

    O histiocitoma pode evoluir de diferentes formas dependendo da espcie do parasito. Ocorre uma reao inflamatria no local, posteriormente ocorre necrose resultando na desintegrao da epiderme e da membrana basal que culmina com a formao de uma leso ulcero crostosa. H perda da crosta e progresso para uma lcera tpica leishmanitica. Trata-se de uma lcera de configurao circular, bordas altas e fundo granuloso, vermelho intenso, recoberto por exsudato seroso ou seropurulento. Simultaneamente ou aps a leso inicial, pode ocorrer disseminao linftica ou hematognica, produzindo metstases cutnea, subcutnea ou mucosa.

    H basicamente trs formas clnicas de apresentao, ligadas ao estgio imunolgico do paciente e espcie do parasito. So elas:

    -Leishmaniose cutnea: infeco confinada na derme.

    -Leishmaniose cutaneomucosa: Infeces na derme com lceras. Pode ocorrer invaso de mucosas e destruio de cartilagens.

    -Leishmaniose cutnea difusa: Infeco confinada na derme. Disseminao por todo o corpo. Bastante ligada imunodeficincia.

    hospedeiro vertebrado. Nos macrfagos, as formas promastigotas se transformamem amastigotas e se multiplicam por diviso binria, posteriormente os macrfagos se rompem, liberando as amastigotas que sero novamente fagocitadas, dando origem a um processo inflamatrio.

    Manifestaes clnicas

    Figura 1 - Ciclo biolgico da Leishmania.

  • 13

    O diagnstico feito atravs da visualizao da leso caracterstica e da anamnese, associado a exames laboratoriais. Esses exames podem ser feitos pela demonstrao do parasito pelo exame direto de esfregaos corados, exame histopatolgico e cultura. Tambm pode ser realizada a pesquisa do DNA atravs de PCR. J como teste imunolgico, existe o teste de Montenegro que avalia a reao de hipersensibilidade retardada do paciente. Dentre os mtodos sorolgicos, a reao de imunofluorescncia indireta a mais utilizada.

    Atualmente, utiliza-se um antimonial pentavalente, Glucantime(antimoniato de N-metilglucamina). Realiza-se o esquema de 17 mg/kg de peso/ dia durante 10 dias. feito um intervalo de 10 dias e iniciado novamente o esquema por outros 10 dias. A dose mxima por injeo deve ser de 10 mL. Deve ser feita a continuao do tratamento at completa cicatriz