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  • Os autores dedicam este livro s geraes futuras, que dependem das aes do presente para sua sobrevivncia.

    Os autores agradecem:

    A Raquel Carnivalle Silva, Patrcia F. Silvrio, Carlos Alberto Coimbro, e Thais Gulim de Carvalho, pela disponibilidade e sugestes. CETESB, pela oportunidade do aprendizado.

    Nota dos autores:

    Este livro no pretende ser um guia tcnico para aplicao da resoluo CONAMA 357/2005. Ele apenas aborda o tema de forma simplificada e amigvel, procurando despertar no leitor o interesse pelas bases legais e tcnicas relacionadas gesto do recurso hdrico superficial. Os temas foram escolhidos de forma a apresentar e esclarecer as principais dvidas que vm sendo elencadas pelos usurios desta norma, com base na experincia de mais de 20 anos dos autores ministrando palestras e cursos sobre o assunto.

    Sites Recomendados

    www.mma.gov.brwww.cetesb.sp.gov.br

    www.comitepcj.sp.gov.brwww.comiteps.sp.gov.br

    FICHA CATALOGRFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNICAMP

    ndices para Catlogo Sistemtico

    1. Poltica ambiental 344.810462. guas superficiais - 628.173. Recursos hdricos 333.91

    Umbuzeiro, Gisela de Arago.Fundamentos da gesto da qualidade das guas superficiais: resoluo CONAMA 357/2005 / Gisela de Arago Umbuzeiro, Maria de Lourdes Lorenzetti. -- Limeira, SP : Biblioteca da Unicamp/CPEA, 2009. 11p. : il. Inclui glossrio.

    1. Poltica ambiental. 2. guas superficiais. 3. Recursos hdricos. I. Lorenzetti, Maria de Lourdes. II. Ttulo.

    Um1f

    CDD 344.81046- 628.17- 333.91ISBN: 978-85-7625-193-4

    Expediente

    Publicao elaborada pela CPEA Consultoria Paulista de Estudos AmbientaisEdio: Image Nature Meio Ambiente e ComunicaoImpresso: Grfica NEOBANDImpresso em Papel Certificado

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  • 4

    A resoluo do Conselho Nacional de Meio Ambiente CONAMA de n 357 de 2005 a norma legal brasileira para gesto da qualidade das guas superficiais.

    Esta norma dispe sobre a classificao dos corpos de gua, d diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece condies e padres de lanamento de efluentes.

    Mas para chegar gesto da qualidade das guas, necessrio conhecer algumas normas legais anteriores.

    Podemos comear a falar da Lei 6.938, de 1981 que dispe sobre a Poltica Nacional do Meio Ambiente. Esta lei cria o Sistema Nacional do Meio Ambiente e tambm apresenta como um dos instrumentos da poltica de meio ambiente o estabelecimento de padres de qualidade ambiental.

    Em 1986, o CONAMA aprovou uma resoluo a Resoluo n 20, que estabeleceu a classificao das guas do territrio nacional. Esta resoluo ficou em vigor durante quase 20 anos, tendo sido substituda por uma nova verso revisada, a Resoluo CONAMA n 357/2005.

    Adicionalmente, em 1997, um grande avano na viso legal sobre o recurso gua ocorreu pela promulgao da Lei 9.433 de 08/01/97, que institui a Poltica Nacional dos Recursos Hdricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hdricos.

    A Poltica Nacional dos Recursos Hdricos foi criada com o objetivo de assegurar gua em quantidade e qualidade adequada para todos, hoje e no futuro. Para isso, criou alguns instrumentos: o enquadramento dos corpos de gua, a outorga, a cobrana pelo uso da gua e o sistema de informao sobre os recursos hdricos.

    O enquadramento dos corpos de gua se d em classes de qualidade, que hoje so definidas pela Resoluo CONAMA 357/2005.

    As classes de qualidade previstas para as guas superficiais so definidas de acordo com os usos mais importantes do recurso hdrico: para guas doces foram estabelecidas as classes especial, 1,2, 3 e 4, para guas salinas as classes especial, 1, 2 e 3 e para guas salobras as classes especial, 1, 2 e 3.

    Cada classe engloba um conjunto de usos, e os principais usos previstos na resoluo so: proteo da vida aqutica, consumo humano, irrigao, dessedentao de animais, recreao e aquicultura.

    Como exemplo, apresentamos na Tabela 1 os usos previstos para as classes de guas doces.

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  • 5

    Tabela 1 Usos previstos para as classes de gua doce.

    CLASSE USOS PREVISTOS

    ESPECIAL

    Abastecimento para consumo humano com desinfeco;

    Preservao do equilbrio natural das comunidades aquticas;

    Preservao dos ambientes aquticos em unidades de conservao de proteo integral.

    1

    Abastecimento para consumo humano aps tratamento simplificado;

    Proteo das comunidades aquticas;

    Recreao de contato primrio (natao);

    Irrigao de hortalias que so consumidas cruas e de frutas que se desenvolvem rentes ao solo;

    Proteo das comunidades aquticas em terras indgenas.

    2

    Abastecimento para consumo humano aps tratamento convencional;

    Proteo das comunidades aquticas;

    Recreao de contato primrio;

    Irrigao de hortalias, plantas frutferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, onde o pblico possa vir a ter contato direto a gua;

    Aqicultura e atividade de pesca.

    3

    Abastecimento para consumo humano aps tratamento

    Convencional ou avanado;

    Irrigao de culturas arbreas, cerealferas e forrageiras;

    Pesca amadora;

    Recreao de contato secundrio;

    Dessedentao de animais.

    4 Navegao;

    Harmonia paisagstica.

    A cada classe se atribui valores mximos permitidos para uma srie de substncias, microorganismos ou organismos, tambm chamados de padres de qualidade, de forma a garantir que o corpo de gua sustente o conjunto de usos que foram definidos para esta classe, ao mesmo tempo. Esses valores so denominados padres de qualidade da classe.

    Para se estabelecer os valores mximos permitidos ou padres para uma determinada classe preciso saber inicialmente os valores mximos permitidos ou padres para cada uso da gua. Esses valores so estabelecidos com base em estudos cientficos para as substncias e microrganismos mais provveis de serem encontrados na gua, visando garantir cada um dos seus principais usos. Esses valores so denominados padres de qualidade para cada uso individualizado da gua.

    Por exemplo, para o metal cobre (Cu), foram estabelecidos valores mximos permitidos ou padres para a classe 1 de gua doce, com base nos padres de cada um dos usos previstos nesta classe (Tabela 2).

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  • 6

    Tabela 2 - Usos da gua previstos para Classe 1 de gua doce, padres de qualidade para cada um dos usos e padro de qualidade para a classe para o metal cobre.

    Usos da gua (Classe 1)

    Padro de qualidade (valor mximo permitido para o cobre)

    USO CLASSE

    (g/L) (g/L)

    Consumo humano 2.0009Preservao da vida aqutica 9

    Dessedentao de animais 500Que corresponde ao

    valor que garante todos os usos

    ao mesmo tempoIrrigao 200

    Recreao 1.000

    Observando os dados da tabela 2, pode-se perceber que uma gua contendo 2.000 microgramas por litro (g/L) de cobre segura para beber. Porm, prejudica a vida dos animais aquticos, como os peixes, por exemplo, tendo em vista que o valor estabelecido para a proteo de vida aqutica 9 g/L de cobre.

    Quando os legisladores tm que escolher um valor que garanta ao mesmo tempo um conjunto de usos de um corpo de gua, logicamente optam pelo menor valor. Neste caso, para o cobre, o valor 9 g/L de cobre, para a Classe 1 de gua doce (Tabela 2).

    Esse padro ir, portanto, garantir todos os usos previstos para a Classe 1 de gua doce, ou seja, poder ser usada para pessoas e animais beberem, para irrigar as plantas, nadar e garantir a sade dos animais e plantas aquticas.

    Mas, afinal, o que fazemos com essas classes? Para que elas servem?

    As classes refletem a qualidade do rio que queremos. Por exemplo se queremos um rio onde possamos nadar, utilizar a gua para beber, irrigar e dar de beber aos ani-

    mais, escolhemos a classe 1 de gua doce, pois ela foi pre-vista para garantir todos esses usos. Se entendermos que aquele corpo de gua deva ser usado somente para nave-gao e paisagismo, escolhemos a classe 4 (Tabela 1).

    O enquadramento a forma legal de garantir que as classes escolhidas para um trecho de um determinado corpo de gua sejam mantidas ou atingidas. Ento enquadramento corresponde a uma meta ou objetivo de qualidade.

    Na verdade, as metas de qualidade de gua pretendidas para um corpo hdrico refletem o rio que queremos e no necessariamente as condies atuais em que ele se encontra, ou seja, o rio que temos.

    Para atingir a qualidade futura, ou seja, o rio que queremos, muitas vezes necessrio reduzir sua contaminao, a fim de obter uma qualidade de gua compatvel com a classe escolhida.

    Para saber a qualidade do rio que temos fazemos anlises em laboratrios e estes dados so apresentados ao pblico atravs de Relatrios de Qualidade das guas, elaborados pelas agncias ambientais governamentais. Como exemplo, no Estado de So Paulo pode-se encontrar os dados da qualidade dos principais rios, praias e represas no site: www.cetesb.sp.gov.br/agua/relatrios.

    O enquadramento, seguindo um dos principais fundamentos da Poltica Nacional de Recursos Hdricos, deve ser feito de forma participativa e descentralizada, estando, portanto, de acordo com as expectativas e necessidades dos usurios, ou seja, dos cidados.

    Para iniciar o processo de enquadramento ou de reenquadramento de um trecho de um corpo de gua deve-se escolher uma classe, com base nos usos pretendidos (o rio que queremos), e fazer um plano para viabiliz