cartilha construção civil

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  • 1. MINISTRIO PBLICO DO TRABALHO PROCURADORIA REGIONAL DO TRABALHO DA 1 REGIO Direitos do empregado, deveres do empregador e principais normas de sade e segurana na construo de obras

2. SUMRIO APRESENTAO 3 5 13 17 27 31 33 DIREITOS TRABALHISTAS DO EMPREGADO OBRIGAES DO CONTRATANTE/EMPREGADOR MINISTRIO PBLICO DO TRABALHO ENDEREOS E TELEFONES RECOMENDAES TCNICAS DE PROCEDIMENTOS/ NR-18 PRINCIPAIS NORMAS DE SADE E SEGURANA DO TRABALHO NA INDSTRIA DA CONSTRUO Equipamentos de Proteo Individual (EPI) reas de Vivncia Medidas de proteo contra quedas de altura Medidas de proteo contra queda de materiais Andaimes Serra circular Elevadores Choque eltrico Medidas de carter geral 18 19 21 22 23 24 25 26 26 RTP n 1 - Medidas de proteo contra quedas de altura RTP n 2 - Movimentao e transporte de materiais e pessoas (Elevadores de obras) RTP n 3 - Escavaes, fundaes e desmonte de rochas RTP n 4 - Escadas, Rampas e passarelas RTP n 5 - Instalaes eltricas temporrias em canteiros de obra 28 28 29 29 29 Registro Salrios Conveno Coletiva de Trabalho FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Servio) Jornada de Trabalho Aviso prvio Frias anuais remuneradas Dcimo terceiro salrio Vale-transporte Seguro-desemprego Adicional Noturno Salrio-famlia Abono salarial/PIS Programa de Alimentao do Trabalhador (PAT) 6 7 7 7 8 9 9 9 10 10 10 11 11 11 MINISTRIO PBLICO DO TRABALHO Procuradoria Regional do Trabalho da 1 Regio 3. APRESENTAO 3 com enorme satisfao que apresento a Cartilha sobre Trabalho na Construo Civil contendo, de forma resumida e com linguagem acessvel, os direitos do empregado, os deveres do empregador e as principais normas de sade e segurana na construo civil. Parabenizo, nesta oportunidade, os Procuradores do Trabalho que fomentam, na sua atuao institucional, a educao no trabalho, mormente quanto conscientizao de obrigaes das partes integrantes do contrato laboral na rea da construo civil. A importncia da presente cartilha ganha ainda mais relevo diante do atual momento econmico, pois o Rio de Janeiro vivencia expressivo incremento no segmento da construo civil, com multiplicidade de obras de construo de edifcios residenciais, comerciais e projetos relacionados ao PAC, Copa do Mundo, s Olimpadas, dentre outros. Sem olvidar que o contedo e a arte da presente cartilha foram aproveitados de exemplares similares oriundos das Procuradorias da 5 e 21 Regies, s quais apresento os agradecimentos de estilo, destaco, ainda, a importncia de se convolar as multas e indenizaes confeco de material educativo, pois a melhoria das condies de trabalho na rea da construo civil encontra-se intrinsecamente ligada ao conhecimento das normas de segurana e sua fiscalizao pelas prprias partes envolvidas. Teresa Cristina d'Almeida Basteiro Procuradora - Chefe MINISTRIO PBLICO DO TRABALHO Procuradoria Regional do Trabalho da 1 Regio 4. DIREITOS TRABALHISTAS DO EMPREGADO 5 MINISTRIO PBLICO DO TRABALHO Procuradoria Regional do Trabalho da 1 Regio 5. e acordo com o artigo 3 da Consolidao das Leis do Trabalho (CLT), considera-se empregado toda pessoa fsica que prestar servios de natureza no eventual a empregador, sob dependncia deste e mediante salrio. O empregador toda pessoa, fsica ou jurdica, que se prope a assumir o risco da atividade econmica, contratando e gerenciando a prestao de servios. O contrato de trabalho um acordo de vontades entre o empregado e o empregador e pode ser celebrado verbalmente ou por escrito. O contrato de trabalho pode ser celebrado por t e m p o indeterminado (sem data prevista para acabar) ou por tempo determinado (o trabalhador j sabe quando o contrato termina). A regra geral o contrato por tempo indeterminado, ou seja, o trabalhador contratado por uma empresa sem um prazo certo. O contrato por tempo determinado s poder ocorrer se estiver enquadrado em uma das hipteses de que trata o artigo 443 da CLT. O contrato por prazo determinado pode ser prorrogado uma nica vez, mas no pode durar mais de dois anos. O contrato de experincia uma modalidade especial de contrato por prazo determinado. Por ser um tipo de teste, a CLT determina que o contrato de experincia no pode durar mais do que 90 (noventa) dias. Na hiptese de o trabalhador ser despedido sem justa causa, antes do trmino do contrato de trabalho a prazo determinado, o empregador dever pagar uma indenizao equivalente metade dos salrios devidos at o fim do contrato. Registro D De acordo com o artigo 41 da CLT, em todas as atividades obrigatrio que o empregador registre os respectivos trabalhadores. O registro pode ser feito em livros, fichas ou sistema eletrnico. O empregador tambm deve efetuar a anotao do contrato na Carteira de Trabalho e Previdncia Social (CTPS) do empregado. na CTPS que o empregador anota informaes importantes sobre o trabalhador, como a funo exercida pelo empregado, o dia em que comeou e parou de trabalhar e as frias, alm do salrio e seus aumentos. 6 MINISTRIO PBLICO DO TRABALHO Procuradoria Regional do Trabalho da 1 Regio 6. Aps a contratao, o empregador obrigado a assinar a CTPS do empregado no prazo mximo de 48 horas, sob pena de multa (art. 29 da CLT). O salrio o valor pago pelo empregador ao trabalhador como retribuio pelos servios prestados. O pagamento do s a l r i o estipulado por ms dever ser efetuado at o quinto dia til do ms subseqente ao vencido (salvo condio mais favorvel estipulada em Conveno Coletiva). A data do pagamento salarial deve constar no recibo dado pelo empregado. Preencher o recibo de pagamento com data falsa consiste em fraude aos direitos do trabalhador. Em se tratando de trabalhador analfabeto, o recibo ser dado mediante sua impresso digital, ou, no sendo esta possvel, a seu pedido, por outra pessoa, em seu nome (artigo 464 da CLT). O valor do salrio registrado na CTPS deve corresponder ao salrio efetivamente recebido pelo trabalhador. O registro na CTPS de salrio inferior ao que pago, comumente chamado de salrio por fora, tambm consiste em fraude aos direitos do trabalhador. A Conveno Coletiva de Trabalho prev direitos e obrigaes para contratos individuais em vigor ou que venha a celebrar-se entre empregador e empregado. Deve ser observada pelo empregador. Dentre os direitos trabalhistas previstos nas convenes coletivas pode-se incluir o piso salarial da categoria representada pelo sindicato. A Conveno Coletiva dos Trabalhadores da Construo Civil pode estabelecer o piso salarial para as funes de servente, mestre de obra, contra-mestre ou encarregado, dentre outros. A Constituio Federal estabelece que direito do trabalhador o Fundo de Garantia do Tempo de Servio. um depsito percentual (normalmente 8%) sobre parcelas salariais, habituais ou no (conforme Lei 8.036/90), realizado pelo empregador at o dia 7 de cada ms, em relao ao ms antecedente. A fiscalizao do recolhimento do FGTS, pelas empresas, compete ao Ministrio do Trabalho e Emprego, por meio das Superintendncias Regionais do Trabalho e Emprego. Salrio Conveno Coletiva de Trabalho FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Servio) 7 MINISTRIO PBLICO DO TRABALHO Procuradoria Regional do Trabalho da 1 Regio 7. Sempre que houver resciso de contrato de trabalho por iniciativa do empregador, sem justa causa, dever este depositar, em favor do empregado, na conta vinculada do FGTS (administrada pela Caixa Econmica Federal), uma multa rescisria equivalente a 40% do total depositado ou devido na vigncia do contrato de trabalho. A Constituio Federal, em seu artigo 7, inciso XII, determina como direito do trabalhador a durao do trabalho normal no superior a oito horas dirias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensao de horrios e a reduo da jornada, mediante acordo ou conveno coletiva de trabalho. Consideram-se extras as horas trabalhadas alm da jornada normal de cada empregado. A Constituio Federal determina que cada hora extra seja remunerada com um adicional de, no mnimo, 50% em relao hora normal. A conveno coletiva poder prever percentagem superior. O empregador no pode exigir trabalho extraordinrio superior a duas horas por dia. Apenas em situaes excepcionais a durao do trabalho poder exceder o limite legal. Alm das horas extraordinrias, o empregado mensalista tem direito ao repouso semanal de um dia remunerado por semana, desde que cumprida integralmente a jornada semanal de trabalho. O trabalhador tambm tem direito ao intervalo para repouso ou alimentao, cuja durao varia de acordo com sua jornada de trabalho (art. 71 da CLT), bem como ao intervalo mnimo de 11 horas consecutivas entre o fim de uma jornada de trabalho e o incio da outra (art. 66 da CLT). De acordo com a lei, o empregador que tiver mais de 10 empregados obrigado a registrar sua jornada de trabalho. O registro pode ser feito em carto de ponto, livro ou qualquer outro meio para controlar o horrio dos trabalhadores. O incio e o trmino da jornada de trabalho devem ser anotados pelo prprio trabalhador e o horrio registrado deve ser aquele que foi realmente trabalhado. O registro de horrios falsos, que no revelam a verdadeira jornada de trabalho, consiste em fraude aos direitos dos trabalhadores. Jornada de Trabalho 8 MINISTRIO PBLICO DO TRABALHO Procuradoria Regional do Trabalho da 1 Regio 8. A parte (patro ou empregado) que quiser rescindir o contrato de trabalho, dever pr-avisar outra com antecedncia de trinta dias, por escrito. Caso o empregador dispense o empregado do servio e no necessite do seu trabalho durante o perodo do aviso prvio, dever indenizar, no pagamento das verbas rescisrias, o seu valor equivalente (30 dias de salrio). Salvo no contrato de experincia e nos contratos por prazo certo, sempre devido o aviso prvio, pela parte que terminar o contrato de trabalho. Sempre que der o aviso prvio, o empregador deve permitir que o empregado trabalhe duas horas a menos por dia ou deixe de trabalhar por sete dias seguidos. Todo empregado tem direito anualmente ao gozo de um perodo de frias, sem prejuzo da remunerao. o que preceitua o art. 129