Cariri Revista - Edição 01

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Publicao bimestral sobre comportamento, economia, cultura, arte, gastronomia, meio ambiente, etc.

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<ul><li><p>CARIRI REVISTA 1</p><p>caririRevistaO Mundo para o Cariri. O Cariri para o Mundo</p><p>edio 01</p><p>ESpEditoSElEiro </p><p>chapadado araripE</p><p>#serto fashion</p><p>#meio ambiente</p><p>as peas exclusivas de mestre seleiro, arteso contemporneo e habitante de Nova Olinda, j desfilaram na so Paulo Fashion Week e conquistaram admiradores do Brasil inteiro. </p><p>@caririrevista</p></li><li><p>2 CARIRI REVISTA</p></li><li><p>CARIRI REVISTA 3</p><p>Promover a regio do Cariri, divulgando as conquistas concretas da economia, as potencialidades do desen-volvimento, a capacidade empreendedora da popu-lao, a riqueza cultural, a exuberncia da natureza. Mostrar ao mundo o que o Vale do Cariri presente e futuro a motivao que concretiza esta revista.</p><p>Uma iniciativa que pretende oferecer aos leitores de outras paragens inicialmente Fortaleza e Braslia histrias do Cariri que cresce, que se torna cosmopolita, que participa da modernidade. Nesta primeira edio apresentamos um panorama do desenvolvimento eco-nmico dos ltimos anos e das polticas pblicas vol-tadas para a dotao de infraestrutura. Empreendemos uma aproximao da Chapada do Araripe para evoluir em todos os seus detalhes nas edies subsequentes. </p><p>Contamos a histria do casario de Barbalha, dos cinemas do Crato, da arte em couro de Espedito Se-leiro de Nova Olinda. Na expresso do turismo religioso que possui mltiplas datas no calendrio, descobrimos quem o romeiro do sculo XXI e o que o leva ao Cariri em caravanas diversas. </p><p>Um roteiro de compras, a feira do Crato e a visita-o ao centenrio de Juazeiro do Norte empreendida pelo escritor Daniel Walker so outros pontos da nos-</p><p>Editora-Geral: Tuty Osrio</p><p>#caririeditorial</p><p>DO CaRiRiPaRa O muNDO</p><p>sa viagem por esse vale verde que est no centro do Nordeste, e compreende, alm do Cear, espaos do Piau, Paraba e Pernambuco. </p><p>DO muNDOPaRa O CaRiRiAo mesmo tempo em que mostramos o Cariri, nos co-locaremos em sintonia com outros centros, exibindo o que h de relevante para o nosso foco principal es-tabelecer conexes com o mundo de protagonistas de opinies e decises que agreguem informao de valor nossa regio. </p><p>Na nossa estreia, revelamos pinceladas do trabalho do designer de moda Mrio Queiroz, conversamos a respeito de desenvolvimento regional com o empre-srio e secretrio Ivan Bezerra e lanamos os nmeros e as reflexes dos desafios em torno dos transplantes de rgos. Ainda sobre sade, trazemos aos nossos leitores os conselhos cotidianos do Dr. Drauzio Varela, mdico que compartilha o seu conhecimento para a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros.</p><p>Cariri que se revela. Cariri que amplia o seu olhar. </p></li><li><p>4 CARIRI REVISTA</p></li><li><p>CARIRI REVISTA 5</p></li><li><p>6 CARIRI REVISTA</p><p>#edio o1</p><p>MEIO AMbIEnTE</p><p>COTIdIAnO</p><p>08</p><p>38</p><p>CAPA DESTA EDIO: Espedito SeleiroFOTO: Rafael Vilarouca</p><p>EXPEDIENTE</p><p>DIrETOrES Isabela BezerraRenato Fernandes</p><p>EDITOrA-GErAL Tuty Osrio | tuty@caririrevista.com.br</p><p>EDITOr DE ArTE Fernando Brito</p><p>EDIO DE TEXTOSClaudia Albuquerque</p><p>rEPOrTAGEM E rEDAO Raquel ParisSarah Coelho</p><p>FOTOGrAFIARafael Vilarouca</p><p>PubLICIDADE88 | 3085.1323 88 | 8855.3013contato@caririrevista.com.br</p><p>rEDAOredao@caririrevista.com.br</p></li><li><p>CARIRI REVISTA 7</p><p>dESIgn</p><p>F E TRAdIO</p><p>dESEnVOlVIMEnTO ECOnMICO</p><p>PERFIl</p><p>34</p><p>40</p><p>12</p><p>26</p><p>POltiCas PBliCas</p><p>CONveRsa</p><p>CultuRa</p><p>aRquitetuRa</p><p>saDe</p><p>liteRatuRa</p><p>gastRONOmia</p><p>ROteiRO De COmPRas</p><p>estilO</p><p>esPeCial</p><p>2022</p><p>7174</p><p>54</p><p>64</p><p>60</p><p>68</p><p>58</p><p>66</p></li><li><p>8 CARIRI REVISTA</p><p>Com mais de 300 fontes de gua perene em meio a uma rica e variada vegetao,a Chapada do Araripe acolhe uma Floresta Nacional, uma rea de Proteo Ambientale um Geopark. Sua beleza, porm, no est a apenas para o deslumbre de moradores do Cariri e ecoturistas brasileiros. A Chapada abriga tesouros capazes de melhorar a vida das comunidades mais carentes. </p><p>tesOuROs e segReDOs</p><p>Da CHaPaDa</p><p>#caririnatureza</p><p>Chapada do araripe: osis no serto</p><p>RAFAEl VIlAROUCA</p></li><li><p>CARIRI REVISTA 9</p><p>De longe, o serto nordestino parece uma coisa s. Seco, inspito, rstico. A imensa faixa de semi-rido d a impresso, para os mais apressados, de que o Nordeste, ex-</p><p>ceo do litoral, um imenso e montono deserto, com uma vegetao retorcida e animais mngua. Parece. </p><p>Um erro comum associado imagem do Nordeste e de seu povo. No de hoje que se retrata o nordestino como um eterno retirante, sempre pronto a abandonar a terra seca e degradada em busca de oportunidades. Um homem nmade, mudando de regio para regio medida que a seca avana. </p><p>Tal imagem, alimentada durante dcadas de hist-ria, gerou uma quadro imutvel na cabea de muitos: um Nordeste sem gua, sem terras frteis, sem vege-tao mida. Nesse processo de criao de discursos e mitos que caricaturam a regio, a despersonalizao do nordestino um caminho lgico. Retirante e para-ba so as denominaes frequentes que uniformizam milhes de homens e mulheres, to diversos quanto a regio que habitam.</p><p>uMA SurPrESA PArA OS OLHOSPara espanto de alguns e maravilhamento de muitos, incrustado em meio caatinga h um ecossistema sur-preendente, to rico quanto pouco estudado. Para todo canto que se olhe, l est ela: a Chapada do Araripe ergue-se orgulhosa e imemorial sobre o Vale do Cariri. Presena quase humana que todo caririense aprende a amar e a respeitar. Um paredo que se estende por mais de 10.000 km2 e abarca os estados do Cear, Per-nambuco e Piau. </p><p>Chamada de FlONA, a Floresta Nacional do Ara-ripe tornou-se, em 1946, a primeira Floresta Nacional do Brasil. Cinco dcadas depois, em 1997, foi criada a rea de Proteo Ambiental do Araripe APA, e em 2006, delimitado o Geopark do Araripe, que se esten-de por seis municpios do Cariri (Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Misso Velha, Nova Olinda e Santana do Cariri), com nove geosstios de valor histrico, geo-lgico e paleontolgico. A extenso de aproximada-mente 3.520 Km2.</p><p>Com enorme potencial paisagstico, ambiental e turstico, a rea oferece trilhas ecolgicas e uma vege-tao diversificada de florestas midas, cerrados e flo-restas secas, alm de animais de grande porte, como a ona pintada, e de pequeno porte, como o soldadinho do Araripe, pssaro smbolo da regio.</p><p>bELEZA AMEAADA, HISTrIA ANTIGAFormada h mais de 130 milhes de anos, a Chapada do Araripe constituda basicamente por rochas sedi-mentares. Trata-se de um dos principais stios paleon-tolgicos do planeta, com fsseis de diversas espcies, a exemplo do pterossauros (rptil voador do perodo Mesozico) e de pelo menos dois dinossauros, o Santa-naraptor e o Irritator, encontrados na regio. </p><p>A bacia sedimentar favorece tambm o apare-cimento de fontes perenes por todo o Vale do Cariri. O epteto osis do serto no toa. So mais de 300 fontes de gua que jorram dos canais fluviais que irrigam todo o Vale. Nesta rea, o clima ameno se evi-dencia devido vasta floresta que recobre a Chapada. </p><p>So 39.262,326 hectares de floresta, onde vivem muitas espcies de mamferos, 23 espcies de anf-bios e 59 espcies de rpteis entre estes h espcies raras como o lagarto Stenocercus squarrosus, com apenas um espcime encontrado, e a serpente Atrac-tus ronnie. J as aves aparecem em um nmero ainda maior. So 280 espcies, sendo que destas, 14 esto ameaadas de extino. </p><p>O soldadinho do Araripe, ave smbolo da regio, um exemplo de como a depredao da floresta chegou a um nvel crtico. Ele foi descoberto em 1996 pelo ento estudante de biologia Weber Giro, numa expedio Chapada do Araripe em companhia do professor Galileu Coelho, da Universidade Federal de Pernambuco. Mal foi encontrado e o soldadinho do Araripe j figura na lista de aves em extino, com uma populao estimada em 50 a 250 indivduos. Localizado apenas nos municpios de Crato, Barbalha e Misso Velha, seu habitat restrito a 28 km2 nas encostas da Chapada do Araripe. L h uma ressurgncia das guas absorvidas pelo plat da Chapada, o que propicia o aparecimento de uma mata bem mida, com rvores altas, bem diferente da caatinga e do cerrado, explica Thieres Pinto, bilogo do Aquasis, entidade sem fins lucrativos que congrega pesquisadores em torno da questo ambiental. </p><p>S.O.S SOLDADINHO</p></li><li><p>H um milho de anos atrs, uma floresta mida que ia do Amazonas ao Rio Grande do Norte, formava um imenso corredor ecolgico por toda regio Norte e Nordeste do pas. Com as mudanas climticas ocorridas no planeta, essa vegetao se retraiu. Da imensa floresta sobraram pequenos nichos isolados. Um deles a Floresta Nacional do Araripe. Lutando contra o processo alarmante de desmatamento, a FLONA instiga nos cidados o desafio de pr em prtica um desenvolvimento capaz de conciliar crescimento scio-econmico conservao dos recursos naturais. Temido por alguns e sonhado por muitos, o desenvolvimento sustentvel a nica alternativa vivel para as prximas geraes.</p><p>PRESERVAR PRECISORA</p><p>FAEl</p><p> VIlAR</p><p>OUCA</p></li><li><p>CARIRI REVISTA 11</p><p>CINCIA E rArIDADE NA FLOrESTAH tesouros escondidos na Chapada que os nossos olhos no captam. Uma descoberta feita pelo profes-sor e pesquisador Waltcio Almeida, da Universidade Regional do Cariri, promete contribuir com as pesqui-sas em torno da evoluo das espcies. Encontrado apenas na Chapada do Araripe, a espcie de onycho-phora Epiperipatus cratensis, pertence a um grupo in-termedirio entre aneldeos e artrpodes. </p><p>Conhecido popularmente como onicforo, um animal raro que j foi considerado o elo perdido entre os aneldeos (minhocas e sanguessugas) e os artrpodes (insetos, aranhas e crustceos), por pos-suir caractersticas comuns aos dois grupos. Para os leigos, a aparncia de uma minhoca com antenas e patas carnosas.</p><p>Os onicforos podem ser os animais mais antigos ainda vivos no planeta, pois seu aparecimento data de 500 milhes de anos atrs. So muito mais antigos que os dinossauros, que teriam aparecido h 150 mi-lhes e 200 milhes de anos. Neste tempo todo, eles sobreviveram s mudanas climticas e geogrficas da Terra, perdendo pouca ou nenhuma caracterstica original. Por isso, so considerados fsseis vivos e chamam a ateno de toda a comunidade cientfica.</p><p>No mundo inteiro so conhecidos 50 gneros e 150 espcies, que vivem na Oceania, frica, sia, e Amricas Central e do Sul. Estes animais ajudam a comprovar a teoria do Pangea, segundo a qual o pla-neta seria uma nica poro de terra, que se dividiu e formou os atuais continentes. Outra evidncia apon-tada por alguns cientistas a da evoluo das esp-cies, j que os onicforos possuem caractersticas de dois tipos de animais.</p><p>SAbEDOrIA POPuLAr COMPrOVADAEssa apenas uma das descobertas dos pesquisado-res que compem o Programa de Ps-Graduao em Bioprospeco Molecular da Universidade Regional do Cariri URCA. liderado pelos professores Waltcio Almeida, Galberto Martins e Irwin Menezes, o labora-trio pretende compreender a biodiversidade do semi-rido nordestino e reconhecer aspectos importantes da biodiversidade regional, inclusive caracterizando, planejando e modificando molculas bioativas com potenciais scio-econmicos. </p><p>Trata-se, portanto, de um projeto que ultrapassa a fronteira institucional e se apresenta como um fator de interesse regional, suprindo as necessidades de pes-quisa de alto nvel e a formao de recursos humanos. No centro das atenes esto plantas e animais de re-conhecida utilidade na medicina popular, que agora ga-nham respaldo cientfico atravs de um conjunto de pes-quisas que buscam a certificao dos produtos obtidos.</p><p>Exemplo disso o leo extrado da gordura do lagarto Tupinambis merianae, popularmente chama-do de tei. Muito encontrado na Chapada do Araripe, a gordura do tei usado na medicina popular para a cura de reumatismo, problemas de pele, doenas res-piratrias e inflamaes. </p><p>Recentemente, pesquisas feitas no laboratrio pelo prof. Irwin Menezes comprovaram que o leo re-tirado da gordura do lagarto reduz, de fato, a produo da atividade inflamatria no organismo. O estudo foi publicado na principal revista de etnofarmacologia do mundo, Journal of Ethno-pharmacollogy, e deixa cla-ra a importncia do conhecimento cientfico andar de mos dadas com o saber popular. </p><p>Segundo o prof. Galberto Martins, esse conheci-mento um dos pilares para a conservao e compre-enso da Chapada. Alm disso, atravs das pesquisas desenvolvidas no laboratrio, o conhecimento do povo pode ser confirmado, produzindo extratos de im-portncia econmica para as comunidades. </p><p>A Chapada do Araripe no apenas um jardim para nosso deslumbramento. Ela uma fonte inesgo-tvel de pesquisas cientficas srias, que engrande-cem, conservam e melhoram a vida de sua populao, finaliza Waltcio Almeida. </p></li><li><p>12 CARIRI REVISTA</p><p>O DeseNvOlvimeNtO</p><p>Campus da Universidade leo Sampaio: a educao como propulsora do desenvolvimento </p></li><li><p>CARIRI REVISTA 13</p><p>O escritor portugus Ea de Queiroz era um observador sagaz do seu tempo. Di-plomata, teve oportunidade de viver em Paris no final do sculo XIX e, assim, olhar o mundo a partir de seu centro a capital francesa era a capital do mundo. De l partia a divulgao exube-rante das experimentaes do progresso, pautadas pela velocidade e por tentativas hoje consideradas rudimentares de automao da indstria, dos servi-os pblicos e at da vida privada. Em seu romance A Cidade e as Serras, publicado em 1901, um ano aps o seu falecimento, Ea descreve uma srie de gerin-gonas bizarras destinadas a agilizar atividades coti-dianas como o abotoador de ceroulas e o colador de estampilhas. Expe o deslumbramento com a luz eltrica e com o automvel, convivendo com a dvida perturbadora se as mltiplas conquistas tecnolgicas corresponderiam a um mundo melhor de se viver. Na viso crtica do escritor, ricos seguiam entediados com o progresso e os pobres das cidades no usufruam de quaisquer vantagens dele advindas.</p><p>Quase 120 anos depois, aps a virada de mais um sculo, que aconteceu concomitante virada do milnio, a ironia criativa de Ea de Queiroz revela-se surpreendentemente atual. Ainda nos questionamos a respeito das virtudes do progresso e a fuligem que sujava as vidraas de Paris transformou-se numa pe-rigosa ameaa que atinge a camada de oznio, dese-quilibra o clima, prolifera ameaadoras bactrias cada vez mais resistentes aos modernos medicamentos. Em 2011 no existe alternativa a continuar avanando, enquanto consertamos as mazelas que o avano vai deixando. Como vantagem temos um mundo que am-plia o desenvolvimento, mesmo sem ter equacionado as desigualdades.</p><p> nesse contexto que se insere o recente cresci-mento econmico da regio do Vale do Cariri. Com-preendendo os estados do Cear, Piau, Pernambuco e Paraba, o Cariri encontra-se geograficamente locali-zado, exatamente, no centro do Nordeste brasileiro. O panorama aqui exposto aborda, nesta primeira edio </p><p>#cariridesenvolvimento</p><p>da Cariri Revista, o Cariri cearense, onde o esprito em-preendedor da populao local, aliado a investimentos pblicos e privados, conferiu regio um salto nos resultados da economia, com impactos na vida social significativos, embora, ainda, abaixo do desejvel.</p><p>O desenvolvimento mais visvel quando o con-tedo social mais evidente. Ainda temos no Cariri focos de pobreza, analfabetismo e mazelas como a violncia, entre outras. Entretanto, para a continuidade do crescimento, se faz necessrio maiores investimen-tos pblicos em infraestrutura, especialmente educa-o formal e profissional voltadas para a juventude, sublinha Erasmo Mendona, empresrio responsvel pela EBM...</p></li></ul>