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  • Rural Dynamics

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    Caracterizao e Evoluo do Uso das Terras na Sub-bacia Tiet-Cabeceiras

    Jener Moraes, Joo Paulo de Carvalho, Alfredo A Carlstrom Filho Instituto Agronmico APTA

    Resumo Os trabalhos de levantamento do uso e ocupao atual das terras foram realizados na rea da sub-bacia Tiet-Cabecerias, parte integrante da Bacia do Alto Tiet. Os estudos abrangeram os anos de 1977, 1986-1988 e 2001. No primeiro perodo considerado, as informaes sobre o uso e ocupao das terras foram extradas da Carta de Utilizao da Terra do Estado de So Paulo (1993), que mapeou o uso das terras com auxlio de fotos areas de 1977 e 1978. Para 1986-1988 e 2001, o uso da terra foi obtido atravs do processamento digital de imagens dos satlites Landsat-5 e Landsat-7, respectivamente. Constatou-se que as reas preservadas, com mata primria ou mata secundria representam apenas 35% da rea total da sub-bacia, sendo que as reas de mata primria encontram-se principalmente nas partes preservadas do Parque da Serra do Mar que ocorrem dentro dos limites do Tiet-Cabeceiras. Um fato preocupante, mas j esperado, a grande representatividade das reas urbanizadas, perfazendo 22% do total. Observando-se os trs perodos considerados, o que chama mais a ateno em termos de preservao dos recursos hdricos da rea a reduo das reas de vrzea que passaram de 14224 ha em 1978 para 8804 ha em 2001 e a exploso da urbanizao entre 1978 e 1988, com um aumento de 95% da rea ocupada entre 1978 e 1988.

    1. Introduo A humanidade tem se defrontado, historicamente, com desafios ligados ocupao territorial do planeta, bem como com a explorao de seus recursos naturais. Estes desafios so de naturezas diversas, mas esto essencialmente atrelados tanto ao conceito de progresso humano, quanto sobrevivncia e bem-estar de suas comunidades.

    A combinao produtividade - competitividade j no mais suficiente para caracterizar um moderno sistema de produo agrcola. O mundo passa atualmente por uma exacerbada, porm oportuna, preocupao com a escassez futura dos recursos naturais e com a qualidade de vida de sua populao. Assim sendo, no somente as atividades agropecurias, mas qualquer atividade econmica produtiva que seja desenvolvida em consonncia com a conservao dos recursos naturais e minimizao da degradao ambiental, passam a ser destacadas pelo mrito da sustentabilidade (Carrieri & Bastos Filho, 1994).

    O processo de desmatamento nos trpicos e a fragmentao das formaes florestais, tm levado vias de extino muitas espcies vegetais e animais, processo esse acompanhado de uma drstica reduo na quantidade e qualidade da gua para fins de abastecimento. A drstica reduo das matas ciliares e a fragmentao das florestas em geral verificadas nos ltimos anos no Brasil, tm causado aumento significativo dos processos de eroso dos solos, com prejuzos hidrologia regional, evidente reduo da biodiversidade e a degradao de imensas reas.

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    A severa presso exercida para o desmatamento nestas reas est ligada expanso da agricultura e das pastagens, alm da implantao de agroindstrias e da construo de grandes empreendimentos, principalmente em reas com forte presso da expanso populacional e desenvolvimento, como no caso do presente projeto. Ao mesmo tempo, nas reas mais populosas do Brasil, as matas ciliares foram reduzidas drasticamente e, quando presentes, esto em geral bastante perturbadas.

    Para Carmo (1990), a economia e ecologia se inter-relacionam num sistema de causa e efeito cada vez mais acentuado. A tecnologia da produo, ao aperfeioar-se, na tentativa de prescindir da natureza, engendra possibilidades e novos tipos de poluio, que colocam em xeque o rumo natural da evoluo biolgica e social. Os impactos econmicos sobre o ambiente logo podem tornar-se coisa do passado. possvel que a situao em breve se inverta, e tenhamos que nos preocupar com os impactos que a crescente degradao ambiental - eroso, alterao do regime hdrico, desertificao, poluio, etc. - acarretam nas nossas atividades econmicas.

    Os governos dos pases em desenvolvimento esto cada vez mais conscientes de que a degradao dos recursos naturais e ambientais compromete o desenvolvimento a longo prazo. Conseqentemente, h uma receptividade crescente para a implantao de medidas que incorporem aos projetos de desenvolvimento os impactos oriundos da utilizao dos recursos naturais e ambientais (Cavalcanti, 1995).

    A conduo de atividades de pesquisa voltadas ao diagnstico, monitoramento e avaliao do impacto ambiental se faz necessria para orientar o manejo adequado dos recursos naturais nas exploraes agropecurias, bem como auxiliar na modelagem de cenrios sobre conflitos entre a demanda por recursos hdricos e o uso e ocupao das terras. Estudos desse tipo so ainda escassos no Brasil, em funo das limitaes financeiras e de ordem institucional, uma vez que a multidisciplinaridade necessria para a pesquisa em meio ambiente (Carrieri & Bastos Filho, 1994).

    O levantamento do uso da terra e de outras informaes sobre o meio fsico de uma rea apresentam como caractersticas a grande quantidade de informaes e a dinmica temporal/espacial, requerendo uma fonte de coleta de dados que atenda essas exigncias de forma gil e que apresente custo relativamente baixo. Nestes termos, as tcnicas de geoprocessamento so extremamente eficientes para integrao e planejamento de dados em bacias hidrogrficas, possibilitando a coleta e anlise das informaes temticas e oferecendo subsdios ao planejamento agrcola e ambiental (Valrio Filho, 1994; Moraes, et al., 2000).

    O Sistema de Informao Geogrfica (SIG) um sistema capaz de armazenar, manipular, transformar, analisar e exibir informaes georeferenciadas, contidas em mapas e/ou bancos de dados, gerando novas informaes, que, por sua vez, auxiliaro o processo de tomada de decises (Burrough, 1986).

    De uma maneira geral, um SIG pode atuar de forma eficiente no planejamento de todas as aplicaes que fazem uso de mapas. Assim, todas as atividades que envolvem a coleta de dados sobre a superfcie terrestre podem ser beneficiadas por um sistema dessa natureza, aumentando, por exemplo, a eficincia no manuseio de dados cartogrficos, como tambm possibilitando a combinao de informaes geogrficas em uma grande variedade de formas (Valrio Filho, 1994).

    2. Material e Mtodos 2.1. Uso e ocupao das terras O levantamento do uso e ocupao das terras na sub-bacia Tiet-Cabeceiras, foi realizado atravs de tcnicas de sensoriamento remoto, compreendendo a compilao de mapeamentos j existentes, processamento digital de imagens de satlite e interpretao de ortofotos areas. Para o caso da sub-bacia Tiet-Cabeceiras, o uso da terra foi levantado para os anos de 1977, 1988 e 2001. A Figura 1 esquematiza as atividades e o encadeamento requeridos na metodologia de mapeamento do uso do solo. A legenda de uso e ocupao das terras para todos os perodos estudados compreendeu as seguintes classes de uso e ocupao: Mata Primria, Mata Secundria, Reflorestamento, Pastagem, Horticultura e Fruticultura, Culturas anuais, Reservatrios/Represas, rea urbana, Minerao ou Solo Exposto. Um trabalho de campo para obteno de pontos de apoio para a interpretao das classes de uso nas imagens de satlite foi realizado percorrendo-se toda a rea da bacia do Tiet-Cabeceiras com um equipamento DGPS marca Trimble,modelo PRO-XR (figura 2.).

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    Uso e ocupao das terras 1977 O levantamento do uso da terra para o ano de 1977 foi obtido atravs da compilao da Carta de Utilizao da Terra do Estado de So Paulo, executado pelo Instituto Agronmico de Campinas com auxlio de fotografias areas de 1977/1978. Aps o georreferenciamento dessa carta de acordo com projeo cartogrfica UTM e datum horizontal SAD-69, procedeu-se a vetorizao dos polgonos de uso da terra compreendidos na rea do Tiet-Cabeceiras, obtendo-se em seguida o mapa de uso da terra para o ano de 1977.

    Mapa de uso daterra do Estado

    1977

    Digitalizao evetorizao classes deuso Tiete-cabeceiras

    ProcessamentoPreliminar

    Apoio deCampo - GPS

    Processamentofinal das imagens

    Extraco dos polgonosde uso

    Extrao dos polgonosde uso da terra

    Mapa de usoe ocupao

    1977

    Mapa de usoe ocupao

    2001

    Mapa de usoe ocupao1986/1988

    ProcessamentoPreliminar e

    elaborao decomposies coloridas

    Sobreposio classesde uso 2001 sobre

    imagems 1986

    Reinterpretao classesde uso 1986/1988

    Evoluo do uso e ocupao dasterras 1977-1988-2001

    ImagensLandsat-7 2001

    Imagens Landsat-51986/888

    Figura 1. Fluxograma operacional para levantamento do uso das terras de 1977, 1988 e 2001.

    Uso e ocupao das terras 1988 e 2001 Para os anos de 1988 e 2001 o levantamento do uso da terra foi executado a partir do processamento de imagens Landsat-5/TM e Landsat-7/ETM, rbitas ponto 218/76 e 219/76, respectivamente. O processamento de imagens compreendeu as seguintes operaes: Ampliao linear de contraste Elaborao de composies coloridas Anlise por Componentes Principais Anlise do ndice de Vegetao Normalizado Visando proporcionar uma melhor identificao e separao das classes de uso da terra, adotou-se os seguintes procedimentos antes da classificao supervisionada da imagem: a) Diviso da rea do Tiet-Cabeceiras em cinco partes, de modo a separar zonas homogneas quanto as classes de uso e ocupao predominantes. Nessa diviso separou-se por exemplo aquelas reas com predominncia de reas urbanizadas, horticultura e fruticultura, das reas com predominncia de pastagem e reflorestamento.

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    Figura 2. Apoio de campo com GPS para levantamento do uso das terras.

    b) Separao das classes de maior ndice de biomassa vegetal (mata e reflorestamento) determinadas pelo ndice de Vegetao Normalizado, das demais classes de uso. Nesse caso, procedeu-se a classificao supervisionada considerando as duas situaes de forma distinta, ou seja, uma classificao abrangendo apenas as reas com mata e reflorestamento e outra situao com as demais classes de uso. Posteriormente as duas imagens resultantes foram agrupadas formando o mapa final de uso das terras.

    Uma vez elaborado o mapa com as classes de uso e ocupao das terras para cada perodo estudado, procedeu-se o cruzamento desses mapas com limites municipais e limites de sub-bacias para estratificao da distribuio das diferentes classes de uso levantadas.

    3. Resultados e Discusso 3.1 Uso atual das terras As reas de ocorrncia das classes de uso e ocupao atual das terras para a sub-bacia Tiet-Cabeceiras encontram-se na Tabela 1.

    Constatou-se que as reas preservadas, com mata primria ou mata secundria representam apenas 35% da rea total da sub-bacia, sendo que as reas de mata primria encontram-se principalmente nas partes protegidas pelo Parque da Serra do Mar que ocorrem dentro dos limites do Tiet-Cabeceiras. Um fato preocupante, mas j esperado, a grande representatividade das reas urbanizadas, perfazendo 22% do total. Nota-se claramente, pela Figura 3, o eixo de expanso urbana proveniente da grande So Paulo, estendendo-se para os municpios de Po, Ferraz de Vasconcelos, Suzano e Mogi das Cruzes, na rea do Tiet-Cabeceiras. Na seqncia temos as reas de reflorestamento e pasto, de ocorrncia generalizada, com maior concentrao entretanto, nas regies de Salespolis e Paraibuna. s reas agrcolas, principalmente horticultura e fruticultura, esto concentradas nos municpios de Suzano, Mogi das Cruzes e Biritiba Mirim ocupando uma rea de 13125ha, correspondendo a 7,3% do total.

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    Tabela 1. rea de ocorrncia e distribuio relativa das classes de uso e ocupao das terras 2001.

    rea

    Classes de uso e ocupao das terras Absoluta

    (ha)

    Relativa ao total

    (%)

    Mata Secundria 49023,48 27,2

    rea urbana 39625,13 22,0

    Reflorestamento 23657,64 13,1

    Pasto 23227,50 12,9

    Mata Primria 14418,02 8,0

    Vrzea 8975,95 5,0

    Horticultura e Fruticultura 13125,93 7,3

    gua 4590,98 2,6

    Cultura temporria 1880,96 1,0

    Minerao ou solo exposto 1086,05 0,6

    Edificaes 423,77 0,2

    Total 180035,40 100,0

    Na Figura 4 tem-se a distribuio relativa das principais classes de uso e ocupao das terras por municpio. A partir do municpio de So Paulo, e entre Guarulhos e Po at o municpio de Suzano, h uma predominncia da urbanizao dos territrios desses municpios. O ndice mdio de urbanizao est em torno de 63%, enquanto o ndice da agricultura no passa de 6%. Acompanhando esse processo de urbanizao, nota-se uma reduo das reas ocupadas com mata. Afastando-se da regio da grande So Paulo, em direo oeste, pode-se dizer que a agricultura, notadamente a hortifruticultura, apresenta-se como atividade de alguma representatividade apenas nos municpios de Suzano, Mogi das Cruzes e Biritiba Mirim, onde o ndice mdio das atividades agrcolas corresponde a 16%. J os municpios de Paraibuna e Salespolis tm no reflorestamento a sua principal atividade, enquanto que a horticultura e fruticultura praticamente insignificante nesses municpios.

    Uma anlise interessante para auxiliar no entendimento dos processos que nortearam o uso e ocupao das terras na rea do Tiet-Cabeceiras foi realizada a partir da estratificao das principais classes de uso e ocupao das terras entre as diferentes sub-bacias estudadas dentro da bacia do Tiet-Cabeceiras, conforme apresentado nas Figuras 5 e 6. Dividiu-se a rea em dois grandes grupos de sub-bacias, sendo um grupo formado pelas bacias dos rios Jundia e Taiaupeba, na poro sul do Tiet-Cabecerias e o outro grupo formado basicamente pelos rios Tiet e Paraitinga que cortam o Tiet-Cabeceira de leste para oeste. Uma anlise visual dessas duas figuras mostra de imediato uma diferena significativa na proporo de reas preservadas com mata entre esses dois grupos, podendo-se concluir que as sub-bacias que abrangem os reservatrios de Jundia e Taiaupeba encontram-se mais preservadas. No caso das sub-bacias que abrangem os reservatrios de Jundia e Taiaupeba (Figura 5), nota-se claramente que aquelas situadas nas reas de cabeceiras, (Balainho Cabeceira, Jundia-Cebeceira e Taiaupeba-Cabeceira) apresentam grande parte do territrio ocupado por uma cobertura vegetal mais densa, notadamente reflorestamento e mata. Na verdade a prpria condio de relevo forte ondulado tem inviabilizado uma ocupao com cultivos agrcolas mais intensos nessas reas. As reas das cabecerias so extremamente importantes para a preservao das nascentes e conseqentemente manuteno de boas condies da qualidade e quantidade da gua que drenada para os reservatrios. J nas reas das sub-bacias de Jundia, Jundia-Jusante e Taiaupeba, nota-se uma reduo significativa da cobertura vegetal natural e uma maior diversificao das formas de uso e ocupao das terras entre pasto, culturas e anuais e horticultura e fruticultura, sendo estas duas ltimas as principais atividades agrcolas dessas reas. A urbanizao ganha maior destaque nas sub-bacias de Taiaupeba e Jundia-Jusante.

  • Figura 3. Mapa de uso e ocupao das terras 2001.

    rifrocha6

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    Guaru

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    elat

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    (%)

    MataReflorestamentoAgriculturaUrbano

    Figura 4. Distribuio das classes de uso e ocupao nos municpios

    A outra seqncia de sub-bacias estudada, abrange todas as sub-bacias de contribuio do rio Tiet, desde sua nascente at o municpio de Mogi das Cruzes, e est representadaa na Figura 6. Ao contrrio da rea dos reservatrios de Taiaupeba e Jundia, essa rea apresenta em suas cabecerias grandes extenses de territrio ocupadas com reflorestamento e pasto, como o caso da sub-bacia de

    Paraitinga que abrange boa parte dos municpios de Paraibuna e Salespolis. A partir de Salespolis, nas sub-bacias de Tiet-Montante, Tiet-Paraitinga e Tiet-Cocuera, j nos municpios de Biritiba-Mirim, Mogi das Cruzes e Suzano, observa-se, uma maior diversificao do uso das terras, com aumento das reas de horticultura e fruticultura e culturas temporrias. Prximo ao municpio de Mogi das Cruzes nota-se maior influencia das reas urbanizadas que ocupam boa parte das sub-bacias de Tiet- Mogi e Tiet-Botujuru.

    3.2 Evoluo da ocupao das terras entre 1977, 1988 e 2001 Uma sntese sobre a evoluo da ocupao das terras entre 1978,1988 e 2001 apresentada na Tabela 2, com a respectiva variao percentual das classes de uso e ocupao entre cada um desses perodos. Observando-se os trs perodos considerados, o que chama mais a ateno em termos de preservao dos recursos hdricos, a reduo das reas de vrzea que passaram de 14224 ha em 1978 para 8804 ha em 2001 e a exploso da urbanizao entre 1978 e 1988, com um aumento de 95% da rea ocupada entre 1978 e 1988. Para o perodo compreendido entre 1988 e 2001, deve-se destacar o aumento de 39% das reas de minerao ou solo exposto, 27,5% de reflorestamento e um aumento de 14% na urbanizao. Houve uma reduo significativa das reas cultivadas com culturas temporrias, mas por outro lado, o cultivo de hortalias e frutas manteve-se praticamente estvel nesse ltimo perodo, apesar de ter sofrido uma reduo de 40% entre 1978 e 1988.

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    Figura 5. Distribuio relativa do uso e ocupao das terras nas sub-bacias Balainho, Jundia e Taiaupeba.

    Figura 6. Distribuio relativa do uso e ocupao das terras nas sub-bacias Paraitinga e Tiet.

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    Tabela 2. reas de ocorrncia e distribuio percentual das classes de uso e ocupao das terras entre 1978, 1988 e 2001.

    1977 1988 2001 Uso e ocupao

    rea Absoluta (hectares)

    Variao Percentual

    (1977-1988)

    Variao Percentual

    (1988-2001)

    gua 3185.8 3263.7 4591.0 2.4 40.7

    rea urbana 17740.7 34725.4 39625.1 95.7 14.1

    Cultura Temporria 2655.0 1881.0 -29.2

    Edificaes 339.8 423.8 24.7

    Horticultura+Fruticultura 22376.5 13410.4 13125.9 -40.1 -2.1

    Mata 83266.9 68769.9 63441.5 -17.4 -7.7

    Minerao ou solo exposto 781.2 1086.1 39.0

    Pasto 18773.9 25790.5 23227.5 37.4 -9.9

    Reflorestamento 20002.2 18558.8 23657.6 -7.2 27.5

    Vrzea 14224.2 11582.1 8804.5 -18.6 -24.0

    Total 181864.9 181864.9

    A anlise da dinmica da ocupao das terras entre os anos de 1978, 1988 e 2001, conforme apresentado nas Tabelas 3 e 4, mostra que o aumento das reas urbanizadas nesse perodo ocorreu principalmente sobre reas de vrzeas. Entre 1978 e 1988, 20% das reas de vrzea foram urbanizadas, 13,4% foram ocupadas com horticultura e 13,5% com pastagem. A urbanizao foi uma das principais formas de substituio das reas cultivadas com horticultura nesse mesmo perodo, onde se verificou que 17,8% das reas ento cultivadas com horticultura e fruticultura, foram urbanizadas. Em torno de 15,7% das reas de mata foram substitudas pela urbanizao. No perodo compreendido entre 1988 e 2001, pode-se dizer que a urbanizao ainda foi a principal forma de ocupao tanto das reas de horticultura como tambm das reas de vrzeas.

    4. Concluses A caracterizao e evoluo do uso e ocupao das terras na sub-bacia Tiet-Cabeceiras resultou em informaes que de uma certa forma, confirmam a preocupao existente com a preservao dos recursos hdricos, e a relao desse fato com os conflitos pelo uso da gua nessa regio.

    Analisando-se a ocupao do solo da rea, conclui-se que a agricultura uma atividade de menor representatividade dentro da sub-bacia do Tiet-Cabeceiras, como um todo, a exceo de alguns municpios como Mogi das Cruzes e Biritiba Mirim que apresentaram em torno de 16% do territrio ocupado com atividades agrcolas, onde pode-se destacar principalmente a hortifruticutura. Boa parte dessas atividades esto concentradas ao longo das vrzeas dos rios Jundia, Taiaupeba e Tiet, abrangendo os reservatrios de Jundia e Taiaupeba. Do ponto de vista da qualidade dos recursos hdricos, apesar desse aspecto no ter sido explorado neste trabalho, de se esperar que os principais problemas de contaminao das guas por resduos de agroqumicos, devam ocorrer nessas reas. Entre o perodo de 1977 e 2001 a urbanizao foi a principal forma de ocupao das reas ento utilizadas com horticultura e/ou fruticultura. No perodo de 1988 a 2001, 12,4% das reas de hortcolas e frutcolas, foram substitudas pela expanso urbana. Com o passar dos anos e com a grande ocupao das vrzeas o que se observa na regio uma ocupao das encostas e uso intensivo de sistemas de irrigao para o cultivo de hortalias.

    A alta taxa de expanso urbana um aspecto preocupante para a rea estudada visto que normalmente essa expanso vem ocorrendo de forma desordenada e na maioria das vezes, sem planejamento e sem respeitar as reas de proteo aos recursos hdricos. Os municpios de Guarulhos, Aruj, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos e Po apresentaram uma taxa mdia urbanizao de de 63%.

    Outra atividade importante na regio, mas concentrada em reas mais especficas da sub-bacia o reflorestamento, onde constatou-se um aumento de 27,5% da rea plantada entre 1988 e 2001, estando essa atividade mais concentrada nos municpios de Biritiba Mirim, Salespolis e Paraibuna.

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    Tabela 3. Evoluo do uso da terra no perodo de 1988 e 2001.

    2001

    Mata Reflorestamento Pasto Horticultura e Fruticultura

    Cultura Temporria rea Urbana Minerao Vrzea

    Mata 87,6 6,3 2,0 0,8 0,4 1,1 1,7

    Reflorestamento 5,5 93,1 0,6 0,6 0,3

    Pasto 3,1 7,5 73,5 5,1 0,5 9,0 0,7 0,3

    Horticultura e Fruticultura 1,8 0,4 8,4 71,8 1,9 12,4 0,0 1,2

    Cultura Temporria 2,8 1,2 16,0 25,9 45,1 0,9 7,8

    rea Urbana 0,1 2,2 0,9 96,3 0,3 0,2

    Minerao 0,6 17,4 81,8

    1988

    Vrzea 3,9 1,3 3,9 4,0 0,4 13,4 0,9 62,3

    Tabela 4 Evoluo do uso da terra no perodo de 1977 e 2001

    2001

    Mata Reflorestamento Pasto Horticultura e Fruticultura rea Urbana Vrzea

    Mata 54.1 9.2 9.7 5.0 15.7 4.3

    Reflorestamento 32.8 39.8 10.9 32.8 1.5

    Pasto 27.5 35.9 33.2 0.4 1.3 0.9

    Horticultura e Fruticultura 22.1 3.0 18.8 25.0 17.8 7.5

    rea Urbana 1.3 0.1 2.3 1.1 94.3 0.5

    1977

    Vrzea 15.5 4.4 13.5 13.4 20.0 22.9

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    Referncias Bibliogrficas Carrieri, A.P.; Bastos Filho, G.S. 1994. Diagnstico e descrio dos sistemas de produo da microbacia do Espraiado. Ribeiro Preto. Informaes Econmicas, 24(11), 18-23.

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    Barbosa,

    Carmo, M.S. Resenha do livro: Nosso futuro comum (Comisso Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento). In: Reforma Agrria - Seo de Livros e Publicaes (p. 100), 1990. (dez/1989 a mar/1990).

    Cavalcanti, J.E.A. 1995. Impacto econmico das perdas de solo no Vale do Rio So Francisco. in Proceedings of the 33rd Congresso Brasileiro De Economia E Sociologia Rural, Outubro de 1995, Curitiba.

    Moraes, J.F.L.; Donzeli, P.L.;Lombardi Neto, F.; Melo, A.R.; Negreiros, I.P. 2000. Land Planning For Sustainable Development In Watersheds Using Geographical Information System. Amsterdam. International Archives Of Photogrametry And Remote Sensing, 33(3), 895-900.

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    Spurr, S.H. Photogrammetry and photointerpretation. 2ed. New York: Roland Press, 1960. 462p.

    Agradecimentos Os autores agradecem as sugestes do Dr. Mrcio de Morisson Valerinao (INPE) nos trabalhos de processamento digital das imagens de satlite.

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