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Download Captulo I Lei de Alimentos -    Lei de Alimentos 7. Distribuio por dependncia para Aes de Execuo, Reviso e Exonerao de Alimentos Por tradicional lio processual, a demanda

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    Captulo ILei de Alimentos

    LeI n 5.478, de 25 de juLho de 1968

    Dispe sobre ao de alimentos e d ou-tras providncias.

    o PReSIdenTe dA RePBLICA. Fao saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

    Art. 1. A ao de alimentos de rito especial, independente de prvia distribuio e de anterior concesso do benefcio de gratui-dade. 1 A distribuio ser determinada posteriormente por ofcio do juzo, inclusive para o fim de registro do feito. 2 A parte que no estiver em condies de pagar as custas do processo, sem prejuzo do sustento prprio ou de sua famlia, go-zar do benefcio da gratuidade, por simples afirmativa dessas condies perante o juiz, sob pena de pagamento at o dcuplo das custas judiciais. 3 Presume-se pobre, at prova em contrrio, quem afirmar essa condio, nos termos desta lei. 4 A impugnao do direito gratuidade no suspende o curso do processo de alimentos e ser feita em autos apartados.

    1. Contedo do Direito de Alimentos:

    O Direito de Alimentos abrange valores, prestaes, bens ou servios que digam respeito satisfao das necessidades de manuteno da pessoa, seja decorrente de relaes de parentesco, seja em face da ruptura de relaes matrimoniais ou unio estvel, seja dos direitos de amparo ao idoso. O exerccio do Direito de Alimentos perfaz-se, dentre outros modos, atravs da Ao de Alimentos e recproco entre pais e filhos.

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    Dimitre Braga Soares de Carvalho

    CF/88 Art. 227 Nova redao dada pela Emenda Constitucio-nal n 65/2010

    Art. 227. dever da famlia, da sociedade e do Estado assegurar criana, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito vida, sade, alimentao, educao, ao lazer, profissionali-zao, cultura, dignidade, ao respeito, liberdade e convivncia familiar e comunitria, alm de coloc-los a salvo de toda forma de negligncia, discriminao, explorao, violncia, crueldade e opres-so. (Redao dada Pela Emenda Constitucional n 65, de 2010)

    Doutrina:

    Os alimentos so prestaes para a satisfao das necessidades vitais de quem no pode prov-las por si, pois carregam em seu bojo o imprescindvel sustento vida da pessoa que precisa aten-der aos gastos para com a sua alimentao, vesturio, habitao, tratamento mdico, diverso, com recursos para a sua instruo e educao, se for menor de idade. Funda-se o dever de prestar alimentos na solidariedade humana reinante nas relaes fami-liares e que tm como inspirao fundamental a preservao da dignidade da pessoa humana, de modo a garantir a subsistncia de quem no consegue sobreviver por seus prprios meios, em virtude de doena, falta de trabalho, idade avanada ou qualquer incapacidade que a impea de produzir os meios materiais neces-srios diria sobrevida. MADALENO, Rolf. Renncia ao direito de Alimentos. Revista Brasileira de Direito de Famlia, n 27.

    Aplicao em Concurso Pblico:

    Defensoria Pblica/MAPodem os parentes, os cnjuges ou companheiros pedir uns aos outros alimentos

    (A) mas o cnjuge declarado culpado na separao judicial perde definitiva-mente o direito a qualquer penso alimentcia a cargo do cnjuge ino-cente.

    (B) sendo que na falta de ascendentes cabe a obrigao aos colaterais e na falta destes aos descendentes.

    (C) e sendo vrias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na mesma proporo.

    (D) porm, a obrigao jamais se transmite aos herdeiros do devedor.(E) de que necessitem para viver de modo compatvel com a sua condio

    social, mas sero apenas os indispensveis subsistncia, quando a situ-ao de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia.

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    Lei de Alimentos

    Resposta: alternativa e. A assertiva reproduz conceito previsto na legislao atual sobre a obrigao alimentar, embora haja, nos casos de divrcio, desde a edio da Emenda Constitucional n 66/2010, o enten-dimento doutrinrio no sentido de que no cabe discusso de culpa pelo fim do matrimnio.

    2. Rito especial da Lei de Alimentos.

    A Lei n 5.478/68 tem por objetivo tornar mais rpida a prestao de alimentos, por isso se utiliza de rito especial, a fim de colocar disposi-o do alimentando instrumentos para efetivao imediata do direito.

    2.1. A concesso ou no do benefcio da gratuidade ser analisada posteriormente ao despacho inicial do juiz, de modo que o trmite do processo no seja prejudicado por esse incidente.

    3. Desnecessidade de registro imediato para aes de alimentos.

    Em ordem inversa do que determina o CPC, nas aes de alimentos, a distribuio e o registro sero apenas realizados posteriormente ao despacho inicial do juiz, para fins de celeridade na prestao reque-rida pelo autor.

    4. Da concesso da justia gratuita.

    O benefcio da justia gratuita ser concedido mediante simples decla-rao de incapacidade econmica da parte requerente. Em casos de afirmao inverdica de pobreza, sero cobradas custas judiciais na ordem de dez vezes o valor devido.

    Artigo correlato: Lei de Gratuidade Judicial Lei n 1060/50:Art. 4. A parte gozar dos benefcios da assistncia judiciria, mediante simples afirmao, na prpria petio inicial, de que no est em condies de pagar as custas do processo e os honorrios de advogado, sem prejuzo prprio ou de sua famlia. (Redao dada pela Lei n 7.510, de 1986)

    5. Impugnao da justia gratuita.

    Para que o processo no seja interrompido com discusses alheias prestao de alimentos, a impugnao da justia gratuita no paralisa o feito, sendo processada em apartado.

    6. Competncia da ao de alimentos.

    Ao contrrio do que dispe o art. 94 do CPC, que trata da regra geral de competncia para aes que digam respeito a direito pessoal e apre-

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    Dimitre Braga Soares de Carvalho

    senta o domiclio do ru como sendo o competente para a tramitao das aes dessa natureza, a matria relativa a direitos de alimentos regida pelo art. 100, II do CPC que prev que competente para as aes de alimentos o foro do domiclio do alimentado. De igual modo, cabe lembrar que a Justia brasileira sempre competente para este tipo de demanda, ainda que o devedor resida no estrangeiro, porque se trata de obrigao que deve ser cumprida no Brasil (CPC, art. 88, II). Apenas na hiptese de o alimentando residir no exterior, que a demanda deve ser proposta, consoante a regra geral, no foro do domiclio do devedor. Finalmente, a Lei dos Juizados Especiais excluiu de sua competncia as aes de natureza alimentar (Lei 9.099/95, art. 3, 2).

    CPC Art. 100: Foro de competncia nas aes de alimentos

    Art. 100. competente o foro:

    II do domiclio ou da residncia do alimentando, para a ao em que se pedem alimentos;

    Lei dos Juizados Especiais Excluso das aes de alimentos da sua competncia

    Art. 3 O Juizado Especial Cvel tem competncia para conciliao, processo e julgamento das causas cveis de menor complexidade, assim consideradas:

    (...)

    2 Ficam excludas da competncia do Juizado Especial as causas de natureza alimentar, falimentar, fiscal e de interesse da Fazenda Pblica, e tambm as relativas a acidentes de trabalho, a resduos e ao estado e capacidade das pessoas, ainda que de cunho patrimo-nial. (grifos nossos)

    Aplicao em Concurso Pblico:

    Exame Nacional da OAB. 2010.1Assinale a opo correta acerca da prestao de alimentos.

    (A) Os crditos alimentares prescrevem em cinco anos.(B) Somente os filhos tm o direito de pedir alimentos.(C) O direito a alimentos recproco entre pais e filhos.(D) Aps a separao judicial do casal, mesmo que o cnjuge venha a neces-

    sitar de alimentos, ele no mais poder pleitear ao outro cnjuge a pres-tao alimentcia.Resposta: alternativa c) A obrigao alimentar te como uma de suas caractersticas mais marcantes a reciprocidade.

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    Lei de Alimentos

    7. Distribuio por dependncia para Aes de Execuo, Reviso e Exonerao de AlimentosPor tradicional lio processual, a demanda originria em que foram decididos e fixados alimentos, atrai, por dependncia, as futuras Aes de Execuo, Reviso e Exonerao de Alimentos. Entretanto, alguns doutrinadores tem se manifestado contra essa disposio. Em algumas Comarcas, nas quais alm das antigas Varas de Famlias foram acrescidas de novos Cartrios e Varas especializados na matria, a distribuio por dependncia para demandas de revisionais, exone-ratrias ou executivas gera, consequentemente, o inchao das Varas mais antigas, uma vez que para ela sempre sero dirigidas as referidas aes, em detrimento das novas Varas, que apenas recebero proces-sos originrios ou dependentes de julgados por ela proferidos. Alm do mais, importa anotar que para muitos autores, com os quais nos alinhamos, as Aes de Reviso, Execuo e Exonerao de alimentos discutem, em regra, fatos novos, o que ensejaria sempre uma nova demanda, independente da antiga Ao. Em outras situaes, pode-mos nos deparar com casais que tramitaram a Ao de Alimentos em uma comarca, mas anos depois, no memento de discusso da Ao de Reviso, por exemplo, nenhum dos ex-cnjuges reside naquela local. Mais uma vez, no se justifica a distribuio por dependncia.

    Art. 2. O credor, pessoalmente, ou por intermdio de advoga-do, dirigir-se- ao juiz competente, qualificando-se, e expor suas necessidades, provando, apenas, o parentesco ou a obrigao de ali-mentar do devedor, indicando seu nome e sobrenome, residncia ou local de trabalho, profisso e naturalidade, quanto ganha aproxima-damente ou os recursos de que dispe. 1 Dispensar-se- a produo inicial de documentos probatrios;I quando existentes em notas, registros, reparties ou estabeleci-mentos pblicos e ocorrer impedimento ou demora em extrair cer-tides.II quando estiverem em poder do obrigado, as prestaes aliment-cias ou de terceiro residente em lugar incerto ou no sabido. 2 Os documentos pblicos ficam isentos de reconhecimento de firma.

    3 Se o credor comparecer pessoalmente e no indicar pro-fissional que haja concordado em assisti-lo, o juiz designar des

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