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  • ENCICLOPDIA BIOSFERA, Centro Cientfico Conhecer - Goinia, v.11 n.21; p. 2015

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    CAPTAO E APROVEITAMENTO DA GUA DA CHUVA PARA FINS NO

    POTVEIS E POTVEIS

    Bruno Vincius Castro Guimares1, Elias Brasilino de Souza2, Ana Maria Alves Abreu3, Srgio Luiz Rodrigues Donato4, Ignacio Aspiazu5

    1Prof.Mestre em Fitotecnia, Instituto Federal do Amazonas Campus So Gabriel da Cachoeira, (bvinicius20@yahoo.com.br) So Gabriel da Cachoeira, Brasil

    2Prof. Mestre em Sociedade e Cultura do Amazonas, Instituto Federal do Amazonas Campus So Gabriel da Cachoeira, So Gabriel da Cachoeira, Brasil

    3Gerente de Relacionamentos, Banco do Brasil S/A, So Gabriel da Cachoeira, Brasil

    4Prof. Dr. em Fitotecnia, Instituto Federal Baiano Campus Guanambi, Guanambi, Brasil

    5Prof. Dr em Fitotecnia, Universidade Estadual de Montes Claros Campus Janaba MG, Brasil

    Recebido em: 31/03/2015 Aprovado em: 15/05/2015 Publicado em: 01/06/2015

    RESUMO

    O aproveitamento da gua da chuva caracteriza-se por ser um processo milenar, adotado por civilizaes como Astecas, Maias e Incas. Assim sendo, o aproveitamento da gua da chuva refere-se a um sistema relativamente simples, que consiste na captao, filtragem, armazenamento e distribuio da gua que precipita no telhado da edificao. Objetivou-se com este trabalho avaliar o potencial de captao, filtragem, armazenamento e aproveitamento da gua da chuva para fins no potveis e potveis no Instituto Federal do Amazonas Campus So Gabriel da Cachoeira. Para otimizar o aproveitamento da gua da chuva, observou-se o regime pluviomtrico de So Gabriel da Cachoeira, por meio dos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Meteorologia INMET. Em mdia, para a regio Amaznica, uma chuva apresenta ndice de 20 mm a 30 mm. Neste contexto, pode-se coletar e armazenar de 20 a 30 litros por m de telhado, respectivamente. Com base no Instituto Nacional de Meteorologia INMET, observou-se os dados climticos referente precipitao no perodo de 2010 a 2014. Assim, diante da grande abundncia pluvial da regio noroeste do amazonas, possvel s unidades de ensino, pesquisa e extenso se tornarem autossuficientes na utilizao de gua da chuva para atender as demandas hdricas no potveis e potveis dos diversos setores, sem, portanto, necessitar de fontes de gua externas. Por fim, a gesto dos recursos hdricos assegura a preservao da gua no meio ambiente, conservando um dos bens naturais mais escassos. PALAVRAS-CHAVE: gesto, recursos hdricos, sustentabilidade.

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    WATER CAPTURE AND EXPLOITATION OF RAIN FOR PURPOSES NOT DRINKING AND DRINKING

    ABSTRACT The use of rainwater is characterized for being an ancient process, adopted by civilizations like the Aztecs, Mayas and Incas. Therefore, the rainwater utilization refers to a relatively simple system, which consists in capturing, filtering, storage and distribution of water that precipitates on the roof of the building. This study aimed to evaluate the potential of capturing, filtering, storage and use of rainwater for non-potable and potable at the Federal Institute of Amazonas, Campus So Gabriel da Cachoeira. To optimize the use of rainwater, the rainfall regime of So Gabriel da Cachoeira was observed, using data provided by the National Institute of Meteorology - INMET. On average for the Amazon region, the rain has 20 mm to 30 mm index. In this context, one can collect and store 20-30 liters per m roof, respectively. According to the National Institute of Meteorology - INMET, climatic data on precipitation was observed in the period from 2010 to 2014. Thus, before the great abundance of rain northwestern Amazon region is possible to the teaching, research and extension units become self-sufficient in the use of rain water to meet the water demands non-potable and potable of the various sectors, without therefore require external water sources. Finally, the management of water resources ensures the preservation of water in the environment, maintaining one of the scarcest natural resources. KEYWORDS: management, water resources, sustainability.

    INTRODUO

    A gua pluvial um recurso natural de grande abundncia no bioma da maior floresta tropical do mundo, garantindo as condies para a constituio da bacia Amaznica. No entanto, a distribuio irregular das chuvas apresenta impactos naturais, sociais e econmicos em eixos opostos, de forma que o perodo mais chuvoso est associado com as enchentes, eroso e assoreamento dos rios e igaraps, ao passo que os meses com menor ndice pluviomtrico, veranicos prolongados (CABRAL et al., 2012).

    Com advento do processo de industrializao e o crescimento populacional, as fontes de gua utilizadas para abastecimento das residncias, empresas e unidades escolares, prximas zona urbana, tornam-se insuficientes, ou tm sua qualidade comprometida, devido ao aumento da demanda gerada nesses segmentos. O atual modelo de saneamento caracteriza-se pelo uso perdulrio dos recursos hdricos e de energia, levando escassez de gua e contaminao dos estoques aquferos disponveis e poluio dos recursos hdricos, o que se desdobra em um problema de sade pblica, limitando o desenvolvimento econmico e os recursos naturais (COHIM & KIPERSTOCK, 2008).

    Alm disso, a expanso das reas urbanas tem alterado a cobertura vegetal e, consequentemente, os componentes do ciclo hidrolgico natural. Acrescente-se a isso o fato do aumento da densidade populacional nos centros urbanos, que implica a construo de telhados, pavimentao de ruas, caladas e ptios, resultando no aumento da impermeabilizao do solo. Nestas condies, grande parte da gua

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    que, em condies naturais, abastecia os lenis freticos e ficava retida pelas plantas, espalha-se pelos pavimentos urbanos ocasionando alagamento e obstruo dessas vias de circulao (CRISPIM et al., 2013).

    A captao e o aproveitamento das guas pluviais caracterizam-se por ser um processo milenar, adotado por civilizaes como Astecas, Maias e Incas. Alguns registros mais antigos do aproveitamento da gua da chuva datam de 850 a.C., referindo-se as inscries em Pedra no Oriente Mdio, onde os governantes da poca sugerem a construo de reservatrios de gua da chuva em cada residncia (GIACCHINI, 2010). Neste sentido, a conservao da qualidade e quantidade da gua do planeta, atravs de prticas de economia, como o uso racional e as fontes alternativas, fazem parte dos princpios da sustentabilidade. Alm de ser uma prtica milenar adotada em diversos pases est atualmente em expanso, sobretudo nas reas urbanas brasileiras.

    O aproveitamento de gua da chuva tem sido liderado por pases como a Alemanha, Dinamarca, ndia, Japo e Austrlia com sistemas de armazenamento e linhas de distribuio. Os rgos legislativos nacionais em muitos destes pases esto elaborando leis que obrigam todas as novas construes a incorporar sistemas de aproveitamento de gua da chuva para fins no potveis (ALBRECHTSEN, 2002 citado por LYE, 2009).

    Em contextos diferentes, as guas pluviais - enquanto recurso natural disponvel em abundncia nas reas impermeveis - quando utilizadas como recurso no potvel dentro das instituies pblicas ou privadas e em residncias ajudam a conter as enchentes, represando parte da gua que teria de ser drenada para galerias e para rios.

    A viabilidade desse uso ajuda na diminuio da demanda de gua oferecida pelas companhias de saneamento tendo como consequncia a diminuio dos custos com gua potvel. A gua da chuva coletada atravs de calhas, condutores verticais e horizontais armazenada em reservatrio, podendo ser utilizada para consumo no potvel, como em bacias sanitrias, em torneiras de jardim, para lavagem de veculos e de roupas, limpeza das salas de aula e pavimentos escolares, dentre outros.

    Dessa forma, as guas pluviais podem ser manejadas como uma das solues para o abastecimento descentralizado. Porm, o manejo dessas deve buscar aproveitar a gua precipitada antes que ela entre em contato com substncias contaminantes, armazenando-a para uso domstico e criando condies de infiltrao do excedente; com isso, disponibiliza mais uma alternativa para abastecimento de gua local e descentralizado (LISBOA, 2011).

    Os sistemas de aproveitamento de gua da chuva podem ter baixos riscos associados sade no que depender do uso da gua e da manuteno dos sistemas. Um estudo aponta que, se adequadamente concebidos, construdos e mantidos, em sistemas envolvendo telhados como reas de captao e reservatrios de armazenamento, a gua da chuva pode ter qualidade aceitvel para beber e cozinhar (LYE, 2009).

    A captao direta de guas pluviais nas edificaes pode ser considerada como uma fonte alternativa, reduzindo a demanda dos sistemas pblicos de abastecimento. Porm, sua utilizao necessita de estudos acerca da viabilidade e eficincia no atendimento dos usos a que ser destinada, avaliao dos possveis riscos sanitrios, adequao das instalaes hidrulicas prediais, dimensionamento

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    do sistema de captao, coleta e armazenamento, observando as caractersticas locais, evitando a implantao de projetos inadequados que comprometam os aspectos positivos da alternativa.

    Diante do exposto, cabe ressaltar que a reduzida produo acadmica brasileira no tocante captao e armazenamento de gua da chuva, para fins potveis ou no potveis, contrasta com a crescente importncia que esta temtica tem adquirido nos ltimos anos e, consequentemente, coloca em evidncia o baixo impacto das pesquisas brasileiras sobre o tema na produo cientfica internacional (GOMES et al.

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