cap­tulo 3 - servi§os de f´rma, arma§£o e concretagem

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OS SERVIOS DE FRMAS, ARMAO, CONCRETAGEM E ALVENARIA

Neste captulo, para cada um dos servios em estudo, sero apresentados: Descrio geral do servio Tal descrio foi embasada em pesquisas bibliogrficas, bem como em experincias vivenciadas pelo autor nos canteiros de obras. O perfeito entendimento de cada um dos servios permitir, conseqentemente, melhor compreenso da produtividade. Diretrizes gerais adotadas na abordagem analtica que servir ao estudo de produtividade A padronizao das apropriaes das entradas caracterstica indispensvel para o estudo da produtividade. Para cada um dos servios em estudo preciso definir o que deve ser apropriado e como tal apropriao deve ser feita. Configura-se, assim, uma forma nica de levantamento, utilizada em todas as obras, que possibilitar a anlise conjunta de todos os dados. Quanto s sadas, preciso que se entenda, num primeiro momento, o que o servio a ser mensurado. Entendido o servio, passa-se diviso do mesmo em tarefas e subtarefas, de forma a detalhar a coleta de dados e aumentar a preciso do estudo. Como exemplo, tomando-se o caso genrico de um servio, aps seu entendimento, pode-se julgar pertinente dividi-lo em tarefas distintas. Cada uma dessas com suas particularidades, que devem ser entendidas e analisadas em separado para que, ao final, com o auxlio de fatores de converso, determine-se um ndice global de produtividade da mo-de-obra no servio. A necessidade de aumentar a preciso do estudo pode levar, ainda, diviso das tarefas nas subtarefas que as constituem. Permite-se, assim, uma abordagem analtica dos servios em estudo, que fundamental para a compreenso da produtividade.

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Caracterizao dos servios Quando se estuda a transformao de entradas em sadas, de suma

importncia a deteco de quais fatores podem ter influncia significativa sobre a eficincia desse processo, e a posterior anlise desses fatores. Para se chegar aos fatores, fez-se uma caracterizao de cada um dos servios dentro de uma estrutura previamente elaborada (comentada a seguir), consolidando-se assim uma base de dados (vide Anexo 2) que subsidiou a eleio dos fatores julgados relevantes e que foram considerados nas anlises feitas no captulo 6. A caracterizao dos servios foi dividida em 5 categorias distintas: Caractersticas do produto. A anlise do projeto do produto o primeiro passo no entendimento do servio. A no uniformidade dos projetos, caracterstica marcante na construo civil, gera produtos nicos. Dessa forma, o levantamento da produtividade da mo-de-obra, da forma pretendida neste trabalho, requer que tais caractersticas, inerentes a cada projeto, sejam conhecidas e levadas em considerao quando feitas as anlises dos dados relativos a cada servio. Materiais e Componentes. bastante variada a gama de materiais e componentes utilizados na realizao dos servios de frmas, armao, concretagem e alvenaria. A possibilidade de combinaes de materiais aumenta o grau de diversificao na maneira de se executar um mesmo servio e revela a preocupao em atingir maior grau de racionalizao, reduzir custos etc. Acredita-se que a utilizao de materiais e componentes distintos seja um dos fatores que poder influenciar a produtividade da mo-de-obra. Da a importncia de se conhecer os materiais e componentes usualmente utilizados. Equipamentos e Ferramentas. A execuo de um servio dentro de um mesmo sistema pode se dar fazendo uso de diferentes equipamentos e ferramentas. Seja por opo do operrio, procedimentos da empresa ou imposio de superiores, a escolha da ferramenta/equipamento deve levar a

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uma maior racionalizao do servio e garantir a melhora ergonmica quanto s atividades do trabalhador. O uso de ferramentas distintas constitui outro fator que se acredita capaz de influenciar a produtividade. Mo-de-obra. Igualmente importante o entendimento das caractersticas da mo-de-obra utilizada na realizao do servio. A composio das equipes que iro executar um determinado servio deve ser muito bem pensados dentro da obra. No h, at o momento, uma regra que defina a composio da equipe ideal para cada servio. Dessa forma, so vrias as estruturas de equipe possveis e admitidas, podendo ser significativa a influncia delas na produtividade da mo-de-obra. Organizao da Produo. As formas de organizar a produo dentro das obras completam o entendimento dos servios. Aqui se faro mais presentes fatores relacionados ao contexto do trabalho. Espera-se que venham a sensivelmente influenciar a produtividade, uma vez que incidem sobre o servio como um todo.

3.13.1.1

A estrutura de concreto armadoViso Geral

FAJERSZTAJN (1987) comenta que existe no pas grande tradio no emprego do concreto armado para execuo de estruturas. Desde edificaes mais simples, do tipo habitacional, at as mais complexas obras, todas so usualmente estruturadas neste material. Compartilham da mesma opinio diversos outros autores (LICHTENSTEIN, 1987; SOUZA, (1996a); ASSAHI, 1990) quando descrevem a importncia que as estruturas executadas em concreto armado adquiriram no pas desde o seu surgimento. BARROS; MELHADO (1993) descrevem inmeras etapas a serem vencidas durante a produo da estrutura de concreto armado. Pode-se citar: produo

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de frmas, preparo das armaduras, produo de concreto, transporte, lanamento etc. Tais etapas esto associadas aos servios de frmas, armao e concretagem. Salienta-se, aqui, a importncia de se estudar a produtividade da mo-de-obra em cada um dos servios em separado devido complexidade de cada um deles. Passa-se, a seguir, discusso, em separado, dos servios de frmas, armao e concretagem.

3.1.2

Frmas

3.1.2.1 Descrio Geral do ServioAs frmas tm sido estudadas por diversos autores [ALDANA, (1991), FAJERSZTAJN, (1987), ASSAHI, (1990), SMITH, (1993), SOUZA, (1996a)], que as tm definido, muitas vezes, de maneira convergente. Assim sendo, aceita-se, para este trabalho, a definio proposta por um destes autores (ALDANA, 1991), segundo a qual as frmas so uma estrutura provisria, construda para conter o concreto fresco, dando a ele a forma e as dimenses requeridas, e suport-lo at que ele adquira a capacidade de autosuporte. Segundo SOUZA (1996a), a principal funo de um sistema de frmas condicionar a geometria da estrutura acabada a certas tolerncias dimensionais, de modo a no causar interferncias ou danos a etapas subseqentes da construo como alvenaria, revestimentos e outras. O sistema deve ter caractersticas estruturais (resistncia e estabilidade) e funcionar como um equipamento, oferecendo praticidade, durabilidade, funcionalidade, custos operacional e de manuteno baixos. FAJERSZTAJN (1987) indica que as frmas para a estrutura de concreto armado devem apresentar as caractersticas mostradas na Tabela 3.1.

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Tabela 3.1 Caractersticas das frmas para estrutura de concreto armado. Fonte: FAJERSZTAJN (1987)Caracterstica Resistncia Descrio Suficiente para suportar os esforos provenientes do prprio peso, do empuxo do concreto, do adensamento, do trfego de pessoas e equipamentos. Para manter as dimenses e formas previstas no projeto de estrutura para os elementos de concreto. Com os devidos suportes e contraventamentos. Para evitar a perda de gua e finos durante a concretagem. As frmas devem ser projetadas e construdas visando a simplicidade, permitindo fcil desfrma e reaproveitamento. Para os trabalhadores A aderncia frma/concreto deve ser a menor possvel para facilitar a desfrma.

Rigidez Estabilidade Estanqueidade Economia Segurana Aderncia

A concepo estrutural do sistema de frmas considera que o carregamento se faz sobre o molde, que deve conferir a geometria e textura previstos em projeto; o molde constitudo de chapas enrijecidas e suportado por escoras e tirantes, encarregados de transferir e/ou equilibrar os esforos solicitantes. A partir da observao do servio de frmas nas obras contempladas neste trabalho, apresenta-se, a seguir, um conjunto de procedimentos de montagem e desmontagem que se mostrou mais utilizado. Essa descrio, embora de carter genrico, permitir que se conheam todas as etapas do servio, bem como servir de base para a abordagem analtica a se propor para o estudo da produtividade.

Montagem das Frmas 1. Transferncia dos eixos principais do edifcio para a laje em execuo; 2. Locao dos gastalhos a partir dos eixos principais; 3. Fixao de dois pontaletes-guia nos gastalhos, aprumando-os e travandoos nas duas direes do pilar;

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4. Marcao, no pontalete-guia, do nvel de referncia para se posicionar corretamente a extremidade superior de cada painel do pilar; 5. Montagem das faces laterais menores e da face de fundo dos pilares, pregando-as no pontalete-guia; 6. Verificao do prumo do conjunto; 7. Aps posicionada a armadura, fechamento da outra face, travando todas as laterais com tensores e castanhas ou por meio de barras roscadas; 8. Nas bordas dos painis pode-se usar sargentos de ao, encunhados contra os reforos de madeira dos painis ou os prprios sanduches de madeira travados por tensores ou barras roscadas; 9. Lanamento dos fundos de viga a partir das cabeas de pilares, apoiandoos em alguns garfos ao longo dos vos; 10. Nivelamento dos fundos de vigas e, em seguida, posicionamento dos demais garfos; 11. Posicionamento dos painis laterais das vigas; 12. Posicionamento das longarinas, devidamente escoradas, a partir dos sarrafos-guias presentes nas laterais dos garfos; 13. Lanamento do assoalho da laje sobre as longarinas; 14. Realizao de conferncias Desmontagem das Frmas 1. Retirada dos painis dos pilares; 2. Posicionar as reescoras das vigas para, em seguida, remover os garfos e retirar os painis laterais; 3. Posicionar o reescoramento nas tiras do assoalho da laje para, em seguida, remover as escoras e longarinas e desformar os painis das lajes (com exceo da tira de reescoramento); 4. Posteriormente, desformam-se os fundos de viga e as tiras de reescoramen