CÂNCER DE PELE

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<p>UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE UERN FACULDADE DE CINCIAS DA SADE FACS CURSO DE MEDICINA</p> <p>CAMILA GABRIELLA DA SILVA QUEIROZ SAMILA MARISSA PINHEIRO GOMES</p> <p>ANLISE DA OCORRNCIA DE LESES CUTNEAS MALIGNAS E PR-MALIGNAS NA CIDADE DE MOSSOR</p> <p>MOSSOR-RN AGOSTO/2009</p> <p>CAMILA GABRIELLA DA SILVA QUEIROZ SAMILA MARISSA PINHEIRO GOMES</p> <p>ANLISE DA OCORRNCIA DE LESES CUTNEAS MALIGNAS E PRMALIGNAS NA CIDADE DE MOSSOR</p> <p>Projeto de pesquisa apresentado Universidade do Estado do Rio Grande do Norte UERN, como parte das exigncias da disciplina de Metodologia da Pesquisa Cientfica.</p> <p>Orientadora: Prof. D. Sc. Karidja Kalliany Carlos de Freitas Moura.</p> <p>MOSSOR-RN AGOSTO/2009</p> <p>SUMRIO</p> <p>1 INTRODUO....................................................................................................................03 1.1 Situao problemtica.........................................................................................................04 1.2 Justificativa ........................................................................................................................04 1.3 Objetivos.............................................................................................................................05 1.3.1 Geral ...............................................................................................................................05 1.3.2 Especficos ......................................................................................................................05 2 REFERENCIAL TERICO...............................................................................................07 2.1 Fatores de risco no desenvolvimento do cncer de pele.....................................................07 2.2 Carcinogenicidade da radiao ultravioleta.......................................... .............................08 2.3 Principais tipos de leses malignas e pr-malignas............................................................09 2.3.1 Leses malignas (no-melanoma e melanoma)...........................................................10 2.3.2 Leses pr-malignas......................................................................................................11 2.4 O papel da preveno na reduo da incidncia neoplsica...............................................12 3 METODOLOGIA................................................................................................................15 CRONOGRAMA....................................................................................................................17 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS..................................................................................18 ANEXOS..................................................................................................................................20</p> <p>1 INTRODUO A pele o maior rgo do corpo humano. dividida em duas camadas: uma externa, a epiderme, e outra interna, a derme. A pele protege o corpo contra o calor, a luz e as infeces. Ela tambm responsvel pela regulao da temperatura do corpo, bem como pela reserva de gua, vitamina D e gordura (OKUNO &amp; VILELA, 2005). De acordo com o Instituto Nacional de Cncer (INCA/2009), as neoplasias cutneas correspondem ao tipo de cncer de maior ocorrncia no Brasil, sendo equivalentes a um quarto dos tumores malignos registrados no pas. Apesar de sua elevada incidncia, esse tipo de neoplasia apresenta altos ndices de cura quando detectado precocemente. Quanto etiologia das neoplasias cutneas, sabe-se que estas se apresentam relacionadas a alguns fatores de risco, sendo o principal a exposio solar excessiva. Os outros fatores compreendem: a exposio a agentes qumicos (como o arsnico) e radiao ionizante. H ainda estudos que uma maior susceptibilidade ao cncer de pele a fatores fenotpicos como tipo de pele, presena de sardas ou ainda histria familiar de neoplasias cutneas. Pelo fato de a pele ser um rgo heterogneo, h diversas linhagens de neoplasias cutneas, sendo as principais: carcinoma basocelular, carcinoma epidermide ou espinocelular e melanoma. O primeiro, apesar da maior ocorrncia, o tipo de cncer de pele menos agressivo. Assim como o epidermide, o carcinoma basocelular classificado como cncer de pele no melanoma. J o melanoma denominado cncer de pele melanoma, juntamente com outras neoplasias de origem nos melancitos (clulas produtoras de melanina - substncia envolvida na determinao da cor da pele e que responsvel pela absoro e difuso dos raios ultravioleta). Esse tipo de cncer, embora apresente menor incidncia, tem letalidade elevada. No que se refere s neoplasias cutneas, importante considerar a ocorrncia de dermatoses pr-cancerosas, as quais consistem em leses que podem evoluir para um cncer de pele. Nesse grupo, a leso mais freqente a ceratose actnica (tambm conhecida por ceratose senil). Estimativas do INCA (2009), relacionadas incidncia dos diversos tipos de cncer no Brasil no ano de 2008, mostraram que a incidncia (casos novos) de cncer de pele no melanoma estimada para o referido ano de 59 casos novos a cada 100 mil homens e de 61para cada 100 mil mulheres. Quanto ao melanoma, a incidncia baixa (2.950 casos novos, em homens, e 2.970 casos novos, em mulheres). Em relao ao estado do Rio Grande do Norte, os dados correspondem a uma incidncia de 1.210/100.000 para o cncer de pele no melanoma e de 20/100.000 para o cncer de pele melanoma.</p> <p>1.1 Situao Problemtica</p> <p>O Brasil est situado entre os paralelos 516'19" de latitude norte e 3345'09" de latitude sul e entre os meridianos 3445'54" de longitude leste e 7359'32" de longitude oeste. Devido principalmente baixa latitude, os raios ultravioleta incidem diretamente (em direo perpendicular) sobre grande parte do territrio brasileiro. Esse fator contribui para que o Brasil seja um dos pases com maior incidncia de cncer de pele. Mossor, cidade norte-riograndense situada a 5 11' de latitude sul e 37 20' de longitude oeste, com 16 metros de altitude, possui clima semi-rido e temperaturas anuais oscilando entre 24 e 35 C, alm de irradiao solar que varia entre 120 e 320 horas/ms. Tais caractersticas fazem dos mossoroenses cidados mais suscetveis s leses dermatolgicas, quando se considera a exposio elevada incidncia solar um dos maiores fatores de risco ao surgimento do cncer. Embora a incidncia das neoplasias cutneas seja elevada, h geralmente um bom prognstico, determinado principalmente pelo diagnstico precoce. Quando possibilitado esse diagnstico nos estgios iniciais do cncer e o paciente submetido a um tratamento adequado, a probabilidade de obteno da cura elevada. Mesmo assim, muitas vezes esse diagnstico precoce no realizado devido falta de conhecimento ou descaso da populao relacionados aos sinais de leses dermatolgicas. Apesar desse prognstico, preocupante que a incidncia do cncer de pele seja to alta quando as medidas preventivas disponveis tm eficincia e acessibilidade bastante satisfatrias. Diante de tal situao, levanta-se a seguinte problemtica: qual a frequncia aproximada de mossoroenses com algum tipo de leso maligna ou pr-maligna?</p> <p>1.2 Justificativa</p> <p>Diversos estudos comprovam que as medidas de preveno de exposio ao sol no so praticadas efetivamente pela populao. Costa &amp; Weber (2001), em um dentre vrios trabalhos a respeito, comprovaram que a maioria dos adultos jovens se expe excessivamente ao sol, em horrios imprprios e sem efetiva proteo solar. At mesmo quando possuem informaes a</p> <p>respeito dos efeitos malficos dessas atitudes, os indivduos no procuram adotar as medidas preventivas adequadamente. Devido carncia de trabalhos relacionados anlise da incidncia de cncer de pele em Mossor, o presente estudo se mostra de extrema relevncia, uma vez que visa determinar a freqncia das leses cancergenas e pr-cancergenas na populao, relacionando essa informao com a prtica de medidas preventivas. A partir dos dados obtidos, ser possvel estabelecer associaes entre os principais fatores de risco, fazendo uma associao entre a incidncia dessas leses e as condies socioeconmicas dos indivduos, alm do conhecimento a respeito do cncer de pele e de sua preveno, por exemplo. Conhecendo-se a ocorrncia das leses, seus tipos, o nvel de informao da populao e os principais fatores de risco associados, pode-se determinar as formas mais efetivas de combate ao cncer de pele em Mossor. Estas incluem trabalhos de conscientizao da populao sobre preveno e diagnstico precoce desse tipo de cncer, enfocando especificamente os aspectos de maior relevncia no que concerne cidade, os quais sero detectados a partir desse estudo.</p> <p>1.3 Objetivos</p> <p>1.3.1 Geral</p> <p> Avaliar a ocorrncia de leses cutneas pr-malignas e malignas no municpio de Mossor/RN, identificando os principais fatores de risco associados.</p> <p>1.3.2 Especficos</p> <p> Detectar as leses malignas e pr-malignas mais freqentes na populao, alm dos locais do corpo mais acometidos por estas;</p> <p>Realizar uma pr-avaliao das leses cutneas identificadas e encaminhar os indivduos possivelmente afetados por dermatoses cancerosas ou pr-cancerosas para um profissional especializado;</p> <p>Identificar os principais fatores de risco relacionados a uma maior incidncia de neoplasias cutneas;</p> <p>Analisar o nvel de conhecimento da populao no que remete s informaes bsicas sobre o cncer de pele, observando se h relao entre esse conhecimento e a adoo de medidas preventivas;</p> <p> Orientar a populao a respeito da importncia do diagnstico precoce e da preveno no combate ao cncer de pele.</p> <p>2 REFERENCIAL TERICO</p> <p>2.1 Fatores de risco no desenvolvimento do cncer de pele</p> <p>De acordo com dados do Instituto Nacional do Cncer INCA (2009), o cncer de pele o tipo de neoplasia mais frequente no Brasil, correspondendo a 25% de todos os tumores malignos registrados no pas. Todavia, as leses so de fcil diagnstico e possuem ndices de cura superiores a 95% quando tratadas precoce e corretamente (DERGHAM et. al., 2004, p.556). Da a importncia da conscientizao da populao para preveno de tais leses. Koh afirma que:</p> <p>O "American Academy of Dermatology", em seu programa de rastreamento e diagnstico precoce do cncer de pele, aps 750.000 exames efetuados entre 1985 e 1994, mostrou que, em 90% dos casos de melanoma, o diagnstico foi realizado nas fases iniciais (apud ROCHA, 2002, p.102).</p> <p>Entre os principais fatores de risco para as neoplasias cutneas esto agentes qumicos como o arsnico, a radiao ionizante, processos irritativos crnicos e genodermatoses (como o xeroderma pigmentoso, deficincia gentica que impede o reparo de danos causados pela luz ultravioleta). Entretanto, a exposio excessiva aos raios solares ultravioletas a principal responsvel pelo surgimento da neoplasia. Outros fatores de risco importantes a serem levados em conta so a histria prvia de cncer de pele, histria familiar de melanoma, doenas imunossupressoras, nevo congnito (pinta escura), maturidade (a propenso ao cncer de pele aumenta aps os 15 anos de idade), e, principalmente, cor de pele clara, a qual revela menor proteo aos raios ultravioletas devido menor concentrao de melanina. Nas clulas epiteliais os grnulos de melanina localizam-se em posio supranuclear. Nessa localizao, oferecem proteo mxima ao DNA contra os efeitos prejudiciais da radiao solar (JUNQUEIRA, 2004, p. 362-363). De acordo com Popim et. al. (2008), a profisso, bem como a cor da pele, so fatores importantes no desenvolvimento da neoplasia. Desta maneira, pessoas de pele clara e trabalhadores como agricultores, carteiros, empregados da construo civil e demais trabalhadores expostos continuamente radiao merecem especial ateno no tocante ao risco para desenvolvimento de leses malignas. Sobre os riscos da radiao solar, Sampaio afirma que: o fator de risco controlvel primrio para o desenvolvimento do melanoma no apenas a exposio radiao, mas tambm a intensidade e freqncia de exposio ao sol durante os primeiros 20 anos de vida (apud OKIDA, 2001, p. 404). Tal afirmao nos revela o quo importante o posicionamento do indivduo ainda jovem em relao proteo de sua pele, uma vez que ele se refletir no aparecimento ou no de problemas dermatolgicos futuros. Logo, fundamental que o foco das</p> <p>campanhas preventivas se volte no somente para adultos e idosos, como tambm para o pblico adolescente e mesmo infantil. Em tempos de crise climtica, com a camada de oznio sendo progressivamente destruda pelo uso de clorofluorcarbonos nas ltimas dcadas, aumenta a incidncia de raios solares, em especial UVB; e eis que os erros do homem se voltam contra o prprio homem. Segundo Okida (2001), a depleo da camada de oznio vem sendo indicada como uma das causas de aumento da incidncia de cncer de pele. Somando-se a esse problema mundial, temos fatores geogrficos que interferem diretamente nos riscos ocorrncia de cncer cutneo, tais como latitude, temperatura e demais fatores que funcionem como indicadores de maior ou menor incidncia solar. Mossor, cidade norte-riograndense situada a 5 11' de latitude sul e 37 20' de longitude oeste, com 16 metros de altitude, possui clima semi-rido e temperaturas anuais oscilando entre 24 e 35 C, alm de irradiao solar que varia entre 120 e 320 horas/ms. Tais caractersticas fazem dos mossoroenses cidados mais suscetveis s leses dermatolgicas, quando se considera a exposio elevada incidncia solar um dos maiores fatores de risco ao surgimento do cncer, alm de reforar a necessidade de um trabalho dessa natureza no local.</p> <p>2.2 Carcinogenicidade da radiao ultravioleta</p> <p>O espectro da radiao ultravioleta subdivide-se em trs bandas de comprimento de onda: UVA, UVB e UVC (ultravioleta C). A banda UVA correspondente aos comprimentos de onda mais longos (315 nm a 400 nm), e apesar de ser a que menos causa eritema e melanognese, indutora de processos oxidativos, alm de causar envelhecimento precoce. Na banda UVB esto os comprimentos de onda intermedirios (315 nm a 280 nm), os quais produzem danos diretos ao DNA, foto-imunossupresso, eritema, espessamento do estrato crneo e melanognese. E a banda UVC, composta pelos comprimentos de onda mais curtos (280 nm a 100 nm), contm o pico de absoro pelo DNA puro (260 nm); raramente atingem a superfcie terrestre, mas quando o fazem podem causar queimaduras e cncer. Os dois mecanismos pelos quais a radiao ultravioleta pode danificar o DNA so a excitao direta das molculas (predominante na regio do UVB) e a gerao de espcies altamente reativas de oxignio (predominante na regio do UVA). Os danos oxidativos possivelmente so intermediados pela melanina.</p> <p>Os danos causados ao DNA podem ser prontamente reparados pelo sistema de excisoreparo de nucleotdeo. No entanto, algumas alteraes genticas podem levar a uma baixa capacidade de reparo do DNA, elevando o risco para o desenvolvimento de melanoma. Estudos realizados na dcada de 1960 identificaram a produo de mutaes em pontos especficos do DNA (onde h duas bases pirimidinas adjacentes), levando formao de fotodmeros de pirimidina em queratincitos e melanc...</p>