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CAMINHO DAS GUAS, O TRATAMENTO DAS REAS VERDES URBANAS COM FOCO NA DRENAGEM: RESULTADOS APLICADOS NA PRAA ACYR S.

LOYOLA, NO BAIRRO HUGO LANGE, EM CURITIBA R. M. Arajo, M. Gabado, C. E.C. Gallego e C. A. A. O. Pereira

RESUMO Considerando os impactos da urbanizao no agravamento dos eventos de cheia, o presente trabalho estuda as alternativas de tratamento das reas verdes urbanas, com nfase para funes de drenagem. So investigadas, dentro do conceito de drenagem sustentvel, as medidas de preveno de cheias urbanas e os resultados so aplicados na rea de estudo, Praa Acyr S. Loyola, no Bairro Hugo Lange, em Curitiba, e no seu contexto de insero, a Bacia Hidrogrfica do Rio Belm. Na escala macro, da bacia hidrogrfica, as diretrizes propostas priorizam a integrao dos espaos livres urbanos em corredores verdes permeveis, aproveitando eixos virios, ciclovias, fundos de vale e a desativao da linha frrea. Na escala da praa, as intervenes priorizam o escoamento e percolao das guas pluviais, adotando uma linguagem que faz referncia ao movimento das guas, tirando partido da funo de bacia de deteno, no deixando de valorizar a passagem da ferrovia e as demandas dos usurios locais. 1 INTRODUO O objetivo geral do trabalho foi investigar as alternativas de tratamento das reas verdes urbanas com nfase para as funes de drenagem, contribuindo para a reduo dos volumes de guas pluviais que chegam aos sistemas de coletas convencionais e reduzindo os impactos da urbanizao sobre as cheias. De maneira especfica, no projeto resultante desta pesquisa, que revitaliza uma rea verde destinada ao uso de bacia de deteno, busca-se estabelecer, atravs dos elementos compositivos do espao, canais de comunicao com o usurio que ressaltem o ciclo da gua no meio urbano, valorizando, simultaneamente, aspectos particulares do espao: o traado da linha frrea, a ciclovia e a oportunidade de integrao com as demais reas verdes do entorno. Neste contexto, iniciam-se os estudos atravs da sntese dos componentes de sustentabilidade nos modelos atuais de drenagem e os reflexos destes no tratamento de reas verdes sujeitas inundao. Por fim, os resultados refletem-se nas proposies de interveno na rea de estudo, Praa Acyr S. Loyola, em Curitiba, e na macro rea de insero, a Bacia do Rio Belm.

2 SUSTENTABILIDADE NO SISTEMA DE DRENAGEM URBANA Como forma de prevenir ou amenizar as cheias urbanas, muito se tem evoludo em solues de planejamento, projeto urbano e engenharia. No modelo de drenagem urbana sustentvel, trs so os fundamentos que orientam novos sistemas : (i) novos desenvolvimentos no podem aumentar a vazo de pico das condies naturais; (ii) a bacia hidrogrfica deve ser planejada como um todo para controle do volume de vazo de chuvas; (iii) as intervenes de controle e preveno no devem resultar em transferncia dos impactos para jusante. Tradicionalmente as medidas de controle de cheias no meio urbano esto classificadas em estruturais e no estruturais. As primeiras envolvem intervenes fsicas nos rios ou bacias, como diques e barragens, e as segundas correspondem a todas as formas de atividades que envolvem as praticas de gerenciamento e mudanas de comportamento, como reso da gua, zoneamento e legislao. Entre as solues de projeto destacam-se as medidas de controle na fonte. 2. 1 Medidas de controle na fonte Com objetivo de atender as premissas de drenagem urbana sustentvel, entre as solues de projeto, as principais medidas estruturais que atuam na fonte so a permeabilidade dos pavimentos, as trincheiras, as valas ou planos de infiltrao e a deteno . A Tabela 1 exemplifica tais medidas, suas caractersticas, funes e efeitos.

Tabela 1 Medidas de controle na fonte

Tipo Caracterstica Variante Funes Efeitos

Pavimento Permevel

Pavimento permevel com base porosa e

reservatrio

Concreto ou asfalto poroso, blocos

vazados

Armazenamento temporrio no

solo e infiltrao

Reduo do escoamento superficial

e amortecimento Trincheira

de Infiltrao

Reservatrio linear enterrado, preenchido com material poroso

Com ou sem drenagem e

infiltrao no solo

Infiltrao no solo e drenagem

eventual

Reduo do escoamento superficial

e amortecimento

Vala de infiltrao

Depresso linear em terrenos permeveis

Gramadas e proteo a eroso com pedras

ou seixos

Reduo da velocidade de

infiltrao

Retardo do escoamento e

infiltrao

Planos de infiltrao

Superfcies de cascalho ou grama com capacidade de infiltrar

Com ou sem drenagem, gramadas

ou com seixos

Infiltrao e armazenamento

temporrio

Infiltrao e eventual amortecimento

Deteno Reservatrio que ocupa o espao

disponvel no lote

Reservatrio tradicional, com

limitao de drenagem

Reteno temporria

Amortecimento do escoamento superficial

Fonte: I Simbradem, Simpsio Brasileiro de Desastres Naturais Riscos Naturais Geoambientais Relacionados a Episdios Pluviais Intensos, Carlos E. M. Tucci (1997) A fim de destacar o objeto deste estudo, a medida correspondente deteno foi detalhada.

Os reservatrios de deteno correspondem a um conjunto de medidas com a funo de aumentar a infiltrao e percolao de guas no solo, retardando e/ou armazenando o escoamento superficial para distribuir as cheias no tempo. Para Delmar Mattes (2005) o uso de reservatrios no controle de cheias em reas de alta densidade urbana uma alternativa que pode atender as premissas da drenagem dentro do conceito de sustentabilidade.

- Vantagens: (i) minimizar a transferncia de enchentes; (ii) custos reduzidos de implantao e (iii) reteno de sedimentos gerados por processos erosivos.

- Desvantagens: (i) custos de limpeza e manuteno; (ii) acmulo de sedimentos

contaminados e (iii) ociosidade em funo da baixa qualidade das guas acumuladas/ mau cheiro.

2.2 O tratamento da paisagem em reas sujeitas inundao Para Brian Edwards (2008), considerando a presso sobre o meio ambiente resultante dos impactos da urbanizao, torna-se mais emergencial projetar os espaos de forma sustentvel respeitando os sistemas naturais e os processos ecolgicos. Neste sentido, os projetos paisagsticos e de desenho urbano podem assumir um importante papel na absoro das guas pluviais e aliviar a sobrecarga dos sistemas fluviais e de drenagem. Os espaos livres pblicos e privados podem funcionar como efetivo sistema de drenagem de guas pluviais, absorvendo guas das cheias e prevenindo enchentes mais abaixo. (Spirn, 1995) Com este objetivo, faz-se necessrio o estudo de solues projetuais que melhorem a infiltrao das guas pluviais e/ou promovam o seu aproveitamento: dimensionado superfcies permeveis, utilizando-se materiais e tecnologias adequadas e de baixo impacto e trabalhando a vegetao de forma apropriada para o local e funo que se deseja. 3 REA DE ESTUDO 3.1 Localizao A rea de estudo corresponde Bacia de Deteno denominada Praa Desembargador Acyr Saldanha Loyola, localizada na Bacia do Rio Belm em Curitiba, Estado do Paran (Figura 1). O Rio Belm cruza os bairros centrais de Curitiba no sentido Norte-Sul, abrigando em sua bacia cerca de 20% do territrio do municpio e 34% da sua populao (IPPUC 2000). Segundo TUCCI (1997) trata-se de uma bacia 100% urbanizada e com 60% de rea impermeabilizada, o que resulta em uma estimativa de aumento na vazo mxima de escoamento das guas superficiais em at seis vezes.

Fig. 1 Localizao da rea de Estudo

As caractersticas fsico-ambientais da Bacia somadas ao processo de antropizao atriburam um histrico de cheias a regio. Inmeras medidas estruturais j foram realizadas com intuito de minimizar estes eventos, como exemplo: Lago do Passeio Pblico, Lago da Barreirinha, Lago do So Loureno e, em menor escala, a prpria Bacia de Deteno da Praa Desembargador Acyr Saldanha Loyola, no Bairro Hugo Lange. No Bairro Hugo Lange a estimativa populacional para o ano de 2006, segundo o Setor de Banco de Dados do IPPUC, foi de 3.569 habitantes, correspondendo a uma densidade mdia de 30hab/ha.

3.2 Insero no contexto do municpio e na Bacia do Rio Belm Curitiba ainda rene grande quantidade de reas verdes, o equivalente a 55m por habitante (IPPUC/ 1998). Se comparado ao nmero exigido pela Organizao Mundial de Sade, de 16 m por habitante, o ndice de Curitiba estaria bastante satisfatrio. Entretanto, estas reas concentram-se nas regies perifricas do municpio, com exceo dos limites nordeste (Pinhais, Piraquara e Quatro-Barras). Nas regies centrais, como na Bacia do Rio Belm, estas reas so escassas. A vegetao da faixa de proteo dos rios rarefeita e na Bacia do Rio Belm os cursos hdricos esto retificados ou canalizados na maior parte de seus trechos.

No h continuidade entre os espaos verdes ou livres da cidade, h conexo acontece pelo sistema virio e pela hidrografia, sendo a ltima predominantemente de forma no visvel. A relao mais direta da Praa Acyr S. Loyola com os demais espaos verdes da Bacia do Rio Belm acontece principalmente pela linha frrea, pela rede de ciclovias e pela hidrografia, e secundariamente pelo sistema virio estruturado pelos acessos principais Cidade (Figura 2).

Fig. 2 Insero da Praa Acyr S. Loyola no Contexto de reas Verdes

4 DIRETRIZES E PROPOSIES Considerando o embasamento terico e o objetivo de tratamento dos espaos verdes com foco na drenagem, o presente trabalho prope intervenes em duas escalas: (i) da Bacia de Drenagem do Rio Belm: diretrizes para a integrao e tratamento de espaos verdes na bacia e (ii) da Praa Acyr S. Loyola: rebatimentos da proposta da bacia, na escala da praa, com os devidos detalhamentos. 4.1 Bacia de drenagem do Rio Belm: diretrizes para a int