caminho das aguas

Download Caminho Das Aguas

Post on 31-Oct-2015

191 views

Category:

Documents

20 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • Bacias Hidrogrficas, Bairros e Fontes

    ORGANIZADORESElisabete Santos

    Jos Antonio Gomes de Pinho Luiz Roberto Santos Moraes

    Tnia Fischer

  • Bacias Hidrogrficas, Bairros e Fontes

    ORGANIZADORESElisabete Santos

    Jos Antonio Gomes de Pinho Luiz Roberto Santos Moraes

    Tnia Fischer

    2010

  • Cidade do Salvador

    Universidade Federal da BahiaNaomar Monteiro de Almeida Filho Reitor

    Escola de Administrao - UFBAReginaldo Souza Santos Diretor

    Centro Interdisciplinar de Desenvolvimento e Gesto Social CIAGS-EA/UFBATnia Fischer Coordenadora

    Jos Antnio Gomes de Pinho Vice-Coordenador Maria Elisabete Pereira dos Santos Escola de Administrao - UFBA

    Luiz Roberto Santos Moraes - Escola Politcnica - UFBA

    FInAnCIAmEntoConselho nacional de Desenvolvimento Cientfico e tecnolgico CnPq

    Marco Antonio Zago Presidente

    PArCEIroSGoverno do Estado da BahiaJaques Wagner Governador

    Secretaria do meio Ambiente do Estado da Bahia SEmAJuliano de Sousa Matos Secretrio

    Adolpho Ribeiro Netto Chefe de GabineteWesley Faustino Diretor Geral

    Instituto do meio Ambiente do Estado da Bahia ImAElizabeth Maria Souto Wagner Diretora Geral

    Instituto de Gesto das guas e Clima InG Jlio Cesar de S da Rocha Diretor Geral

    Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia ConDErMilton de Arago Bulco Villas Boas Presidente

    Maria del Carmen Fidalgo Puga Presidente (20072008 )Lvia Maria Gabrielli de Azevedo Diretor de Planejamento Urbano e Habitao

    Fernando Cezar Cabussu Filho Coordenador do Sistema de Informaes Geogrficas Urbanas do Estado da Bahia INFORMS

    Empresa Baiana de guas e Saneamento S. A. EmBASA

    Abelardo de Oliveira Filho Diretor Presidente Eduardo B. de Oliveira Arajo Diretor de Operao

    Prefeitura municipal do SalvadorJoo Henrique Barradas Carneiro Prefeito

    Secretaria municipal de Desenvolvimento Urbano, Habitao e meio Ambiente SEDHAm / PmS

    Antnio Eduardo dos Santos de Abreu Secretrio Ktia Carmello Secretria (20062008)

    Edson Pitta Lima SubsecretrioJos Henrique Oliveira Lima Diretor Geral de Urbanismo e Meio Ambiente

    Edvaldo Machado Assessor do Secretrio

    Superintendncia do meio Ambiente SmA / PmSLuiz Antunes A. A. Nery Superintendente

    Ary da Mata e Souza Superintendente (2007-2008)Adalberto Bulhes Filho Assessor da Superintendncia

    Fundao ondAzulLarissa Cayres de Souza Presidente

    Armando Ferreira de Almeida Junior Presidente (2006-2008)

    ColABorAoSistema Integrado de Atendimento regional SIGA / PmS

    Oneilda Costa da Silva Lbo

    Superintendncia de Controle e ordenamento de Uso do Solo do municpio SUCom / PmS

    Cludio Souza da Silva Superintendente

    Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica IBGE Artur Ferreira da Silva Filho Chefe da Unidade Estadual do IBGE na BahiaJoilson Rodrigues de Souza Coordenador Tcnico do Censo Demogrfico

    Unidade Estadual do IBGE na Bahia

    Fundao mrio leal Ferreira FmlF/PmSVilma Barbosa Lage Presidente

    Instituto de radiodifuso Educativa da Bahia IrDEBPaulo Roberto Vieira Ribeiro Diretor Geral

    Sahada Josephina Mendes Dietora de Operaes

    _______________

    Projeto Grfico e DiagramaoAntnio Eustquio Barros de Carvalho

    Fotos Andr Carvalho, Danilo Bandeira, Janduari Simes,

    Jos Carlos Almeida, Elba Veiga, Alilne Farias Souza, Aucimaia Tourinho, Fernando Teixeira e Tonny Bittencourt, Fundao Gregrio de Matos FGM/PMS,

    Joo Torres GPE/Fundao Mrio Leal Ferreira FMLF

    Assistente de Fotografia: Renata Souto Maior

    Produtora Executiva: Ftima Fres

    PUBlICAo

    C146 O Caminho das guas em Salvador: Bacias Hidrogrficas, Bairros e Fontes / Elisabete Santos, Jos Antonio Gomes de Pinho, Luiz Roberto Santos Moraes, Tnia Fischer, organizadores. Salvador: CIAGS/UFBA; SEMA, 2010. 486p. :il.; .- (Coleo Gesto Social)

    ISBN - 978-85-60660-08-7

    1. Recursos Hidricos . 2. guas. 3. Bacias Hidrogrficas. 4. Bairros. I. Santos, Elisabete. II. Pinho, Jos Antonio Gomes de. III. Moraes, Luiz Roberto Santos. IV. Fischer, Tnia.

    CDD 333.91

    Perto de muita gua, tudo feliz.Guimares Rosa

    UFBA

  • Italo Calvino, em Marcovaldo e as Estaes na Cidade, relata um interessante exemplo de tentativa de reencontro com a natureza, com a boa e velha natureza, nas grandes cidades. Marcovaldo, melanclico e sonhador, no tem olhos propcios leitura dos signos da vida urbana, da sociedade de consumo, e est sempre atento aos vestgios da na-

    tureza na cidade. Em sua incansvel busca pela natureza perdida, v-se enredado em situaes em que as coisas mais simples parecem encerrar as mais estranhas armadilhas, em que a natureza parece uma fraude. Afinal, todos os dias a imprensa noticiava descobertas as mais espantosas nas compras do mercado: do queijo feito de matria plstica, a manteiga com velas de estearina, na fruta e na verdura o arsnico dos inseticidas estavam mais concentrados do que as vitaminas, para engordar os frangos enchiam-nos com certas plulas sintticas que podiam transformar em frango quem comesse uma coxa deles. O peixe fresco havia sido pescado o ano passado na Islndia e seus olhos eram maquiados para que parecessem de ontem. Como fugir destas armadilhas seno buscando um lugar onde a natureza seja prdiga e intocada, onde a gua seja realmente gua e o peixe realmente peixe?

    Nessa busca constante, os dias de Marcovaldo tornaram-se longos e ele passa a olhar a cidade e arredores em bus-ca de um rio. Sua ateno voltava-se, principalmente, para os trechos em que a gua corria mais distante da estrada as-faltada. Certa vez se perdeu, andava e andava por margens ngremes e cheias de arbustos, e no achava nenhum ata-lho, nem sabia mais para que lado ficava o rio: de repente, deslocando alguns ramos, viu, poucos metros abaixo, a gua silenciosa era um alargamento do rio, quase uma bacia pequena e calma com um tom azul que lembrava um lagui-nho de montanha. A emoo no o impediu de averiguar embaixo entre as sutis encrespaes da corrente. E, portanto, a sua obstinao fora premiada! Uma pulsao, o deslizar inconfundvel de uma barbatana aflorando na superfcie, e de-pois outro, e outro ainda, uma felicidade a ponto de no acreditar nos prprios olhos: aquele era o local de reunio dos peixes do rio inteiro, o paraso dos pescadores, talvez ainda desconhecido de todos, exceto dele.

    Retornando para casa, cheio de alegria e de peixes, Marcovaldo depara-se com o que parecia-lhe um guarda municipal. Voc a! Numa curva da margem, entre os lamos, estava parado um tipo com bon de guarda, que o olhava de

    cara feia. Eu? Qual o problema? retrucou Marcovaldo, pressentindo uma ameaa desconhecida contra suas trencas. Onde que pegou estes peixes a? disse o guarda. H? Por qu? E Marcovaldo j sentia o corao na garganta. Se os apanhou l em baixo, jogue fora rpido: no viu a fbrica aqui em cima? E indicava exatamente uma constru-

    o comprida e baixa que agora, superava a curva do rio, se avistava, alm dos salgueiros, e que deitava fumaa no ar, e na gua uma nuvem densa de uma cor incrvel entre turquesa e violeta. Pelo menos a gua, ter notado de que cor ! Fbri-ca de tintas: o rio est envenenado por causa daquele azul e os peixes tambm. Jogue fora rpido, seno apreendo tudo.

    Marcovaldo agora queria atir-los longe o mais depressa possvel, livrar-se deles, como s o cheiro bastasse para en-venen-lo. Mas no queria fazer m figura na frente do guarda.

    E se os tivesse pescado mais acima? A j seria outra histria. Alm da apreenso, haveria uma multa. Acima da fbrica existe uma reserva de pesca.

    No v o cartaz? Bem na verdade apressou-se a dizer Marcovaldo carrego a vara por carregar, pra mostrar aos ami-gos, mas os peixes foram comprados numa peixaria da cidade aqui perto.

    Ento nada a dizer. S falta o imposto a ser pago para lev-lo para a cidade: aqui estamos fora do permetro urbano. Marcovaldo j abrira a cesta e emborcava no rio. Alguma das trencas ainda devia estar viva, pois deslizou toda con-

    tente.

    Italo Calvino, 1994.

    Gilb

    erto

    Fer

    rez,

    199

    9

  • O Almanaque das guas

    Esse trabalho fruto do Projeto de Pesquisa Qualidade Ambiental das guas e da Vida Urbana em Salvador, aprovado pelo Edital MCT/CNPq / CT-Hidro / CT-Agro e realizado en-tre os anos de 2006 e 2009, pelo Grupo GUAS do Centro Interdisciplinar de Desenvol-vimento e Gesto Social CIAGS da EA-UFBA, com a participao de pesquisadores do Departamento de Engenharia Ambiental da Escola Politcnica, do Departamento de Botni-ca do Instituto de Biologia e da Fundao OndaAzul.

    Esse Projeto contou ainda com o apoio do Governo do Estado da Bahia por meio da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia - CONDER; da Empresa Baia-na de guas e Saneamento S. A. - EMBASA; da Secretaria do Meio Ambiente do Estado da Bahia - SEMA; do Instituto de Gesto das guas e Clima ING; do Instituto do Meio Am-biente do Estado da Bahia - IMA; da Prefeitura Municipal do Salvador, por meio da Secreta-ria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Habitao e Meio Ambiente - SEDHAM; da Su-perintendncia do Meio Ambiente - SMA; alm da participao do IBGE. Contamos ainda com a colaborao da Fundao Mrio Leal Ferreira - FMLF; do Sistema Integrado de Aten-dimento Regional - SIGA; da Superintendncia de Controle e Ordenamento de Uso do Solo do Municpio - SUCOM; da Prefeitura Municipal de Salvador; alm do Instituto Brasileiro de Geogra