calendário mensal: julho 2010

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  • 1. Calendrio do ms de julho2010
    • by Rosely Lira

2.

  • Suavidade
  • Pousa a tua cabea dolorida To cheia de quimeras, de ideal, Sobre o regao brando e maternal Da tua doce Irm compadecida.
  • Hs-de contar-me nessa voz to qu'rida A tua dor que julgas sem igual, E eu, pra te consolar, direi o mal Que minha alma profunda fez a Vida.
  • E hs-de adormecer nos meus joelhos... E os meus dedos enrugados, velhos, Ho-de fazer-se leves e suaves...
  • Ho-de pousar-se num fervor de crente, Rosas brancas tombando docemente, Sobre o teu rosto, como penas de aves...
  • Florbela Espanca

01 de julho 3.

  • Via LcteaOra (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, plido de espanto... E conversamos toda a noite, enquanto A via lctea, como um plio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo cu deserto. Direis agora! "Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando esto contigo?" E eu vos direi: "Amai para entend-las: Pois s quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas". Olavo Bilac

02 de julho 4.

  • O eterno insatisfeito
  • Shantih percorria as cidades pregando a palavra de Deus, quando um homem veio procur-lo para que curasse seus males.
  • Trabalhe. Alimente-se. E louve a Deus, respondeu Shantih.
  • Acontece que quando como minha barriga queima com azia. Quando bebo, minha garganta arde com a bebida. Quando rezo, sinto que Deus no me escuta. E quando trabalho, sinto minhas costas que doem com o peso da lavoura, disse o homem.
  • Ento busque outra pessoa para ensin-lo.
  • O homem foi embora, revoltado. Shantih comentou com os que ouviram a conversa.
  • Ele tinha duas formas de encarar cada coisa, e escolheu sempre a pior. Quando morrer, possvel que tambm reclame do frio dentro do tmulo.

03 de julho 5.

  • De um lado cantava o sol
  • De um lado cantava o sol, do outro, suspirava a lua. No meio, brilhava a tua face de ouro, girassol!
  • montanha da saudade a que por acaso vim: outrora, foste um jardim, e s, agora, eternidade! De longe, recordo a cor da grande manh perdida. Morrem nos mares da vida todos os rios do amor?
  • Ai! celebro-te em meu peito, em meu corao de sal, flor sobrenatural, grande girassol perfeito!
  • Acabou-se-me o jardim! S me resta, do passado, este relgio dourado que ainda esperava por mim . . .
  • Ceclia Meireles

04 de julho 6.

  • Ensinamento
  • Minha me achava estudo a coisa mais fina do mundo. No . A coisa mais fina do mundo o sentimento. Aquele dia de noite, o pai fazendo sero, ela falou comigo: "Coitado, at essa hora no servio pesado". Arrumou po e caf, deixou tacho no fogo com gua quente, No me falou em amor. Essa palavra de luxo.
  • Adlia Prado

05 de julho 7.

  • D-me a tua mo
  • D-me a tua mo:Vou agora te contarcomo entrei no inexpressivoque sempre foi a minha busca cega e secreta.De como entreinaquilo que existe entre o nmero um e o nmero dois,de como vi a linha de mistrio e fogo,e que linha sub-reptcia.
  • Entre duas notas de msica existe uma nota,entre dois fatos existe um fato,entre dois gros de areia por mais juntos que estejamexiste um intervalo de espao,existe um sentir que entre o sentir- nos interstcios da matria primordialest a linha de mistrio e fogoque a respirao do mundo,e a respirao contnua do mundo aquilo que ouvimose chamamos de silncio.
  • Clarice Lispector

06 de julho 8.

  • Ontem noite
  • Ontem noite, depois da sua partida definitiva,
  • fui para aquela sala do rs-do-cho que d para o parque,
  • fui para ali onde fico sempre no ms de junho, esse ms que inaugura o Inverno. Tinha varrido a casa, tinha limpo tudo como se fosse antes do meu funeral.
  • Estava tudo depurado de vida, isento, vazio de sinais,
  • e depois disse para comigo:
  • vou comear a escrever para me curar da mentira de um amor que acaba.
  • Tinha lavado as minhas coisas, quatro coisas, estava tudo limpo, o meu corpo,
  • o meu cabelo, a minha roupa, e tambm aquilo que encerrava o todo,
  • o corpo e a roupa, estes quartos, esta casa, este parque.
  • E depois comecei a escrever...
  • Marguerite Duras

07 de julho 9.

  • O homem no ama
  • Jamais o seu peito mais duro que o ao, Palpita a no ser a louca ambio. Supe-se - orgulhoso - que soberano, Que todas as belas vassalas lhe so! Mais falso que a brisa que as flores bafeja, Se mil forem belas... a mil finge amar... Assim um j disse, e assim fazem todos, Embora no queiram jamais confessar, Cruis, como Nero, so todos os homens! Ateiam as chamas de ardente paixo, Depois... observam, sorrindo, os estragos... E dizem, covardes! que tm corao!!
  • Luiza Amlia de Queiroz

08 de julho 10.

  • Minha cor
  • Minha flor
  • Minha cara
  • Quarta estrela
  • Letras, trs
  • Uma estrada
  • No sei se o mundo bom
  • Mas ele ficou melhor
  • Quando voc chegou
  • E perguntou:
  • Tem lugar pra mim?
  • Espatdea
  • Gineceu
  • Cor de plen
  • Sol do dia
  • Nuvem branca
  • Sem sardas
  • No sei se o mundo bom
  • Mas ele ficou melhor
  • Quando voc chegou
  • E explicou
  • O mundo pra mim
  • No sei se esse mundo t so
  • Mas pro mundo que eu vim j no era
  • Meu mundo no teria razo
  • Se no fosse a Zo.
  • Nando Reis

09 de julho 11.

  • Assim como a mo tem o poder de esconder o sol,
  • a mediocridade tem opoder de esconder a luz interior.
  • No culpe os outros por sua prpria incompetncia.

10 de julho 12.

  • Algo existe
  • Algo existe num dia de vero, No lento apagar de suas chamas, Que me impele a ser solene.
  • Algo, num meio-dia de vero, Uma fundura - um azul - uma fragrncia, Que o xtase transcende.
  • H, tambm, numa noite de vero, Algo to brilhante e arrebatador Que s para ver aplaudo -
  • E escondo minha face inquiridora Receando que um encanto assim to trmulo E sutil, de mim se escape.
  • Emily Dickinson

11 de julho 13.

  • Vimos chegar as andorinhas conjugarem-se s estrelas impacientarem-se os ventos
  • Agora esperemos o vero do teu nascimento tranqilos, preguiosos
  • To inseparveis as nossas fomes To emaranhadas as nossas veias To indestrutveis os nossos sonhos
  • Espera-te um nome breve como um beijo e o reino ilimitado dos meus braos
  • Virs como a luz maior no solstcio de junho
  • Rosa Lobato de Faria

12 de julho 14.

  • ... Os meus passos no caminho
  • so como os passos da lua:
  • vou chegando, vais fugindo,
  • minha alma a sombra da tua.
  • Ceclia Meireles

13 de julho 15. 14 de julho Nha terra quel piquinino So Vicente que di meu"Nas praias Da minha infncia Morrem barcos Desmantelados. FantasmasDe pescadores Contrabandistas Desaparecidos Em qualquer vaga Nem eu sei onde. E eu sou a mesma Tenho dez anos Brinco na areia Empunho os remos... Canto e sorrio... A embarcao Para o mar! para o mar!... E o pobre barco O barco triste Cansado e frio No se moveu... Yolanda Morazzo 16.

  • Porque o que no se compreende geralmente interpretado mal,
  • distorcidamente,
  • e aquilo que se v sem pureza interior deixa em seu lugar um terrvel vazio para a alma.
  • De que valeria a um profano contemplar os Mistrios?
  • Somente geraria confuso,
  • um caminho seguro at a loucura e ao cepticismo.
  • Mais vale mostrar-lhes as coisas ao seu alcance, pois no sentir o vazio
  • nem abraar o erro, mas antes,
  • aproveitar ao mximo as suas potencialidades espirituais;
  • Da a utilidade das religies exotricas.
  • O gigante no pode calar a sandlia do ano, nem a este lhe serve a daquele.
  • Jorge Angel Livraga

15 de julho 17.

  • JURA SECRETAS uma coisa me entristeceO beijo de amor que no roubeiA jura secreta que no fizA briga de amor que eu no causeiNada do que posso me alucinaTanto quanto o que no fizNada do que eu quero me suprimeDo que por no saber ainda no quisS uma palavra me devoraAquela que meu corao no dizS o que me cega, o que me faz infeliz o brilho do olhar que eu no sofri.Sueli Costa/Abel Silva

16 de julho 18.

  • Quero escrever o borro vermelho de sangue com as gotas e cogulos pingando de dentro para dentro. Quero escrever amarelo-ouro com raios de translucidez. Que no me entendam pouco-se-me-d. Nada tenho a perder. Jogo tudo na violncia que sempre me povoou,