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  • Srie de Publicaes ILSI Brasil

    Volume 1

    Funes Plenamente

    Reconhecidas de Nutrientes

    Clcio

    Fora-tarefa Alimentos Fortificados e SuplementosComit de Nutrio

    ILSI BrasilFevereiro 2014

    Natasha Aparecida Grande de FranaEspecialista em Medicina do Exerccio Fsico e do Esporte pela Faculdade de Medicina da UNESP Botucatu;

    Mestranda do Programa de Ps-graduao em Nutrio e Sade Pblica da Faculdade de Sade Pblica FSP/USP

    Lgia Arajo MartiniProfa. Livre-docente e Associada nvel III do Departamento de Nutrio da Faculdade de Sade Pblica FSP/USP;

    membro do Ncleo de Apoio a Pesquisas em Alimentos e Nutrio NAPAN USP

    2 edio revisada

  • 2014 ILSI Brasil International Life Sciences Institute do Brasil

    ILSI BRASILINTERNATIONAL LIFE SCIENCES INSTITUTE DO BRASIL

    Rua Hungria, 664 - conj.11301455-904 - So Paulo - SP - Brasil

    Tel./Fax: 55 (11) 3035 5585 e-mail: ilsibr@ilsi.org.br 2014 ILSI Brasil International Life Sciences Institute do Brasil

    ISBN: 978-85-86126-42-0

  • Funes Plenamente Reconhecidas de Nutrientes - Clcio / ILSI Brasil (2014) 3

    1. INTRODUO

    O clcio o mineral mais abundante no corpo humano, essencial para a mineralizao de ossos e dentes e para a regulao de eventos intracelulares em diversos tecidos. O esqueleto o seu principal reservatrio no organismo, uma vez que abriga, juntamente com os dentes, 99% do total de clcio, sendo um dos responsveis pela manuteno da concentrao do clcio srico.

    Necessrio durante a infncia para o adequado processo de crescimento, o principal papel da ingesto de clcio no adulto e idoso compensar as perdas dirias desse mineral, uma vez que, quando a excreo excede a absoro (como em casos de ingesto insuficiente), pode ocorrer desmineralizao do esqueleto, visto que o clcio srico fundamental para funes fisiolgicas vitais ao organismo (Heaney, 2006).

    1.1 Estrutura e distribuio

    O clcio presente na frao mineral dos ossos e dentes encontra-se sob a forma de cristais de hidroxiapatita [Ca10 (PO4)6 (OH)2], estrutura que garante a caracterstica de sustentao associada ao esqueleto.

    Do total de clcio presente no organismo humano, 1% est distribudo no sangue, fluido extracelular e tecidos moles, sendo que 50% desse encontra-se na forma ionizada (frao biologicamente ativa), 40% ligado a protenas no difundveis, principalmente albumina (frao biologicamente inativa) e os 10% restantes sob a forma de complexos com ons fosfato e citrato.

    Os valores sricos de clcio total normalmente variam entre 8,5 e 10,5 mg/dL (2,12 a 2,62 mmol), e do clcio ionizado, entre 4,65 e 5,25 mg/dL (1,16 a 1,31 mmol). Quando h variao nas concentraes proteicas, como em casos de desidratao, o clcio total tambm varia, porm o clcio ionizado se mantm estvel. Alm disso, alteraes no pH sanguneo tambm podem afetar o equilbrio do complexo protena-Ca2+, com a acidose reduzindo a capacidade de ligao e a alcalose aumentando-a (Favus; Goltzman, 2008).

    1.2 Metabolismo

    A manuteno das concentraes de clcio nos fluidos extracelulares de extrema importncia, uma vez que o clcio est envolvido em inmeras funes, como diviso celular, contrao dos msculos, secreo de hormnios e coagulao sangunea. A homeostase do clcio regulada pela ao de clulas clcio-sensveis, as quais modulam a produo de hormnios que atuam no esqueleto, no intestino e nos rins (Favus; Goltzman, 2008).

    A diminuio do clcio plasmtico estimula a produo do paratormnio (PTH), o qual aumenta a reabsoro de clcio no osso, elevando sua concentrao na circulao, e tambm nos rins, garantindo reduo em sua excreo. Adicionalmente, o PTH, assim como a hipocalcemia per se, estimula a converso da vitamina D em sua forma ativa, o calcitriol [1,25(OH)2D3], o qual, por sua vez, estimula a absoro intestinal de clcio (Figura 1). Tal conjunto de aes garante a normalizao das concentraes nos fludos extracelulares (Favus; Goltzman, 2008).

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    A calcitonina outro hormnio envolvido na homeostase do clcio, porm com efeito hipocalcmico, principalmente via inibio dos osteoclastos, acarretando reduo da reabsoro do clcio do osso, o que confere proteo contra a perda excessiva durante perodos de alta demanda (Davey; Findlay, 2013).

    A absoro intestinal de clcio e a adequada atuao dos hormnios envolvidos so fundamentais na manuteno da massa ssea. Qualquer fator, diettico ou no, que interfira neste sistema comprometer a massa ssea.

    Figura 1 Homeostase do clcio em situaes de reduo do clcio srico.

    Fonte: adaptado de Linus Pauling Institute (s.d).

    2. FUNES

    Diante do crescente aumento na demanda por alimentos considerados saudveis e nas evidncias de benefcios relacionados ingesto destes ou de determinados nutrientes, a Comisso Europeia, visando promoo e proteo sade pblica, adotou uma proposta para a regulamentao de health claims nutricionais, segundo a qual todos os health claims para alimentos devem ser aprovados antes de sua liberao ao mercado.

    Segundo a UK Joint Health Claims Initiative (UK JHCI), health claims podem ser definidos como a informao direta, indireta ou implcita na rotulagem de alimentos ou publicidade, de que a ingesto do alimento confere benefcios especficos sade ou previne algum detrimento desta. Em 2003, juntamente com a Food Standards Agency, a UK JHCI elaborou um documento com a funo plenamente reconhecida de diversos nutrientes para utilizao como base de health claims (Joint Health Claims Initiative to the Food Standards Agency, 2003).

    A seguir, na tabela 1, esto descritas as funes aceitas e no aceitas pelo Comit de cientistas lderes, revisadas posteriormente por um Conselho da UK JHCI, para o clcio.

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    Tabela 1

    Efeitos Necessrio Contribuio FunoEstruturalFunoNormal

    Recomendadopelo Comit

    Recomendadopelo Conselho

    Ossos e dentes x x Sim Sim

    Funoneuromuscular x x Sim Sim

    Coagulao x x Sim Sim

    Transmissonervosa x x No No

    Permeabilidade demembrana x x No No

    Secreo hormonal x x No No

    Presso arterial x x No)dados inconsistentes(

    No

    Digesto x No)dados imprecisos(

    No

    Fonte: adaptado de UK JHCI (2003).

    2.1 Ossos

    O clcio um dos principais minerais constituintes da frao inorgnica do osso, a qual responsvel pela dureza e por garantir resistncia s foras mecnicas e proteo aos tecidos moles (Bonucci, 2012).

    O contedo de clcio dos ossos responsvel pelo ajuste entre a formao ssea (transferncia do mineral do sangue para o osso) e a reabsoro ssea (transferncia do mineral do osso para o sangue). Assim, a reduo da reserva esqueltica de clcio equivalente reduo de massa ssea, enquanto o aumento ou a adequao est relacionado ao ganho de massa do osso.

    Segundo recente reviso publicada por Zhu e Price (2012), a ingesto de clcio (principalmente via laticnios) influencia a reteno desse mineral no esqueleto durante o crescimento, afetando o pico de massa ssea alcanado no incio da idade adulta. Alm disso, desempenha papel fundamental na preveno da perda ssea e de fraturas com o decorrer da idade.

    Normalmente, o ganho de massa ssea lento, progressivo e acompanha o crescimento linear, desde o incio da infncia at o final da adolescncia. Quando o equilbrio entre a formao e a reabsoro ssea atingido, tem-se o pico de massa ssea, o qual indica maturao do esqueleto e tem sido considerado um dos principais determinantes para o risco de fraturas osteoporticas. A idade em que o pico alcanado varia de acordo com o sexo, tipo de mensurao, stio avaliado e maturao sexual (Boot et al., 2010), mas parece ocorrer em torno dos 20 anos e representa quase o dobro de massa ssea que ser perdida entre os 50 e 80 anos de idade, tornando esse momento bastante crtico (Baxter-Jones et al., 2011).

    Kalkwarf et al. (2003), ao avaliarem 3251 mulheres caucasianas do III National Health and Nutrition Examination (NHANES III), observaram menor densidade mineral ssea e maior risco de fraturas aps os 50 anos entre aquelas que ingeriam leite menos de uma vez por semana durante a infncia e adolescncia.

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    A partir da meia-idade, a perda de massa ssea em ambos os sexos ocorre na proporo de 0,5% a 1% ao ano, sendo mais acentuada entre as mulheres na primeira dcada aps a menopausa, atingindo valores de 2% a 3% ao ano (Nordin et al., 1998). Tal acentuao se d principalmente pela reduo na produo de estrgeno, levando a menor absoro intestinal e reabsoro renal de clcio e a maior secreo de PTH, elevando o remodelamento sseo (Prince, 1994).

    Em estudos de metanlise, Shea et al. (2002) e Tang et al. (2007) encontraram efeito benfico da suplementao de clcio na reduo do risco de fraturas de quadril e de coluna em mulheres idosas. Segundo Napoli et al. (2007), o efeito favorvel do clcio sobre o osso parece ser ainda mais evidente quando por via alimentar. Portanto, a oferta adequada de clcio neste perodo fundamental para a manuteno do contedo mineral sseo.

    Contudo, a atribuio deste efeito benfico ao clcio per se requer algumas consideraes, uma vez que a reserva de clcio no esqueleto pode sofrer interferncia de variveis de estilo de vida, como prtica de exerccios fsicos, exposio solar, qualidade da dieta, fumo, consumo de bebidas alcolicas, uso de determinados medicamentos, ou mesmo pelo perfil hormonal. Alm disso, muitos dos estudos com efeito positivo do clcio sobre a massa ssea utilizaram tratamento concomitante com a vitamina D.

    Dessa forma, a adequada ingesto clcio fundamental para a manuteno da massa ssea, porm a avaliao desta adequao deve considerar as diversas variveis que potencialmente interferem no metabolismo ss

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