Calado Machado Callado Machado Almeida 2007 Custos-e-Formacao-De-precos-no 26178

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<p>AdministraoFinanceira52RESUMO Estetrabalhotemporobjetivoanalisaragestodecustoseoprocessodeformaodepreosdas agroindstriasparaibanas.Apesquisaenvolveuumestudoempricocom20empresasdosetorda agroindstriapertencentesaseteatividadesdistintas.Osdadosforamobtidosatravsdaaplicaode um questionrio. Observou-se que a maioria das empresas possui sistema de custos ou alguma forma de estrutura de custos, sendo o gerente geral o responsvel pelo registro dos custos do processo produtivo. Quantoaosfatoreslimitantesparaaimplantaodosistemadecustos,partedasempresasanalisadas alegou que a contabilidade gerencial fornece dados suficientes para a gesto dos seus negcios. Constatou-se que o principal critrio utilizado no processo de formao do preo de venda das empresas analisadas foi o mark-up, aplicado sobre o custo de produo. Uma parcela das empresas pesquisadas utiliza o mark-up sobre o valor da matria-prima. PALAVRAS-CHAVEgesto de custos, formao de preos, agroindstrias.ABSTRACTThis paper aims to analyse cost management and prices formation process of agribusiness organizations in Paraba. This research covered an empiric study with 20 agribusiness companies related to 7 distinct activities. Data were collected by the application of a series of questions. It was observed that most of these companies have cost systems or some kind of cost structuring process, and managers are generally responsible for the recordingofproductioncosts.Severalkeyfactorsprovidedifficultiesovercostssystems.Somecompanies claimed that managerial accounting provides enough information for management activities. The most important criteria used for prices formation was the mark-up methodology over production costs. Other companies apply mark-up over supplies. KEYWORDScost management, prices formation, agribusiness.Aldo Leonardo Cunha CaladoUniversidade Federal da ParabaMrcia Reis MachadoUniversidade Federal da ParabaAntnio Andr Cunha CalladoUniversidade Federal Rural de PernambucoMrcio Andr Veras MachadoUniversidade Federal da ParabaMoiss Arajo AlmeidaUniversidade Federal da ParabaCUSTOS E FORMAO DE PREOS NO AGRONEGCIOCOSTS AND PRICE FORMATION IN THE AGRIBUSINESSFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007ADMINISTRAO FINANCEIRA53ALDO LEONARDO CALADO MRCIA R. MACHADO ANTNIO ANDR CALLADO MRCIO A. MACHADO MOISS ARAJO ALMEIDAFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007Empresas,comfimlucrativoouno, enfrentamdificuldadesparadeterminaropreo deseusprodutosouservios,vistoqueopreo sofregrandeinflunciadomercado,levandoem contaopoderaquisitivodapopulao,qualidade, oferta e alternativas de escolha em funo de suas preferncias.Omercadorequerqueempresasofeream produtoseserviosdequalidadecompreosque oconsumidorestejadispostoapagar.Ospreos devem ser suficientes para cobrir todos os custos e despesas,almdecontermargemsuficientepara retornosobreocapitalaplicado.Oentendimento dapolticaeformaodepreosfundamental paraqueasorganizaesconheamseuslimites financeiros.Adefiniodepreostemsidoumassunto bastanteabordadoempesquisas,nabuscada eficinciaempresarial.umtemacomplexo,que pode ser tratado com os conceitos da microeconomia, administrao financeira, contabilidade e marketing. Independentementedaabordagem,ficaevidente suaimportncia,poisatravsdosresultados obtidospelavendadeprodutose/ouservios queempresasasseguramacontinuidadedesuas atividades no longo prazo.A aplicao de preos corretos fundamental paraquesejamatingidasasmetasdevendas, mantidas ou ampliadas as participaes da empresa no mercado.Apresentepesquisabuscaabordarpreos sob a tica da contabilidade, enfatizando a gesto decustoscomomeiodedeterminaodepreos para a agroindstria.A contabilidade uma das ferramentas menos utilizadaspelasagroindstriasbrasileiras,pois vista como uma tcnica complexa em sua exceo e que apresenta baixo retorno prtico. Outra limitao consistiria no fato de que a contabilidade de custos quasesempreconhecidaporsuasfinalidades fiscais,nopossuindograndeinteresseporuma aplicao gerencial.Sobreaprecariedadedaqualidadedas informaescontbeisgeradasemempresas rurais brasileiras, Crepaldi (1993) destaca que essa caractersticanoatributoapenasdepequenas propriedadesrurais,prevalecendotambmentre as mdias e grandes, com economia de mercado e elevados nveis de renda, comprometendo qualquer meta de resultados financeiros diante do processo de globalizao dos mercados.A presente pesquisa encontra-se vinculada a um projeto financiado pelo CNPq. O objetivo deste artigo consiste em analisar a gesto de custos e o processo de formao de preos nas agroindstrias paraibanas.REVISO DA LITERATURAAGROINDSTRIAAsatuaisdinmicasdosmercadose dosconsumidores,nomundoglobalizado,tm introduzidonovosparadigmasedesafiosparao ambiente dos negcios, indistintamente da natureza corporativa das empresas.Nesseambiente,ogestordeveestarapto aidentificareventuaisameaaseoportunidades emseuhorizontegerencialparasubsidiara elaborao de um plano estratgico cada vez mais contextualizado,considerandoasespecificidades decadasetoreconmico,principalmenteno quesereferedinmicaindustrialdesuacadeia produtiva.Aagroindstria,segundoBatalha(1997), consistenasomadasoperaesdeproduo edistribuiodesuprimentosagrcolas,das operaesdeproduonasunidadesagrcolas, doarmazenamento,processamentoedistribuio dosprodutosagrcolaseitensproduzidosapartir deles. Esse um conceito amplo, pois abrange as diversas reas da cadeia produtiva.NavisodePereira(1996),aempresa agroindustrialcompreendeaunidadeprodutiva quetransformaoprodutoagropecurionaturalou manufaturadoparasuautilizaointermediriaou final. Esse conceito mais restrito, uma vez que se limita atividade de transformao e processamento dosprodutosdeorigemanimalouvegetal.sob essaperspectivaquetrataremosdaagroindstria no decorrer deste trabalho.Vilela (2004) aponta que o agronegcio abriga aproduoagropecuria,damaistecnificada mais tradicional, da agricultura familiar de grande porte,aindstriaqueproduzinsumoseprocessa alimentos, os servios e comrcio afins.SegundodadosdoBancodoBrasil(2005), o agronegcio brasileiro responsvel por 34% do PIB e 32% dos empregos gerados. Sua importncia paraopasresideemproporcionarempregos, renda, divisas e desenvolvimento. Devido ao saldo dabalanacomercialdoagronegcio(US$25,8 bilhes em 2003), o saldo total brasileiro foi positivo em US$ 24,8 bilhes, podendo ampliar-se para US$ 28 bilhes em 2004.54CUSTOS E FORMAO DE PREOS NO AGRONEGCIOFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007Nosltimosanos,oagronegciobrasileiro teveumcrescimentoexpressivonocomrcio internacional.Em1993,asexportaesdosetor eramdeUS$15,94bilhes,comumsupervitde US$11,7bilhes.Emdezanos,opasdobrouo faturamentocomasvendasexternasdeprodutos agropecurioseteveumcrescimentosuperiora 100% no saldo comercial. Representandoumadasprincipais competncias nacionais, o agronegcio importante paraaeconomiadopassobdiversosaspectos, entre os quais destacam-se:a) ParticipaonoPIB:osfluxosfinanceiros entreosdiversosagentesintegrantesdo agronegcio representavam cerca de 29% do PIBbrasileiro,ouR$424bilhes,conforme dadosdoCentrodeEstudosAvanados emEconomiaAplicada(Cepea/USP), (UNIVERSIDADE DE SO PAULO, 2003).b) Desempenhodabalanacomercial:o agronegcio o setor que mais tem contribudo para melhorar a balana comercial brasileira, sendo responsvel por 42% das exportaes brasileiras.Em2003,produziuumsupervit deUS$25,8bilhes,conformeoMinistrio daAgricultura,PecuriaeAbastecimento (BRASIL,2004).Em2004,aprevisode atingir um supervit de US$ 30 bilhes.c) Participaodosprodutosagrcolasno mercado mundial: o Brasil lder mundial nos seguintes produtos:-Laranja:detm81,9%domercadomundial do suco de laranja.- Soja: detm 38,4% do mercado mundial.-Caf: vende 28,5% do caf em gros consu-mido no planeta e 43,6% do caf solvel.-Acar: vende 29% do volume consumido no mundo.-Carnes:assumiuem2003alideranana produodecarnebovina,com19%de participao no mercado. Primeiro em vendas de carne de frango, com exportaes de US$ 1,9 bilho.-Fumo: vende 23,1% do tabaco consumido no mundo.d) Internacionalizaodoagronegcio:asvan-tagens competitivas do agronegcio brasilei-ro vm atraindo investimentos internacionais, sejapelaaquisiodeempresasdosetor, sejapelaimplantaodenovasunidades produtivasnopas.Hoje,todasasgrandes empresas que operam com agronegcios no mundoestopresentesnoBrasil.Almde capital,elastrazemtecnologiasmodernas, que favorecem ainda mais o desenvolvimen-to do setor. SegundoVilela(2004),dentreasbarreiras enfrentadaspeloagronegciobrasileiro,umadas maisimportantesoestabelecimentodepreos competitivos aos seus produtos.FORMAO DO PREO DE VENDAA tomada de decises no mbito empresarial consistenaescolhadecustosalternativosque melhor se ajustem a seus interesses. A identificao e ponderao dos principais aspectos relacionados adeterminadocontextotmumimportantepapel no processo de tomada de decises, agindo como refernciacoletoradedadosrelevantessobre custos, despesas, mercado e tecnologias.Sardinha(1995)definepreocomoa quantidade de dinheiro que o consumidor desembolsa paraadquirirumprodutoequeaempresarecebe emtrocadacessodoproduto.Apartirdessa definio,preoseriaovalormonetriopagopelo consumidoraofornecedordebense/ouservios, parasatisfazersuasnecessidades,enquantoeste visa a obter lucro ou retorno financeiro.Para Bernardi (1996) e Cogan (1999), o preo podeserestabelecidoapartirdomercado.Dessa forma, lucro ser representado em funo do valor relativo ao preo aceito menos os custos e despesas [L = P (C + D)].Deacordocomesseentendimento,as empresasdevemprocurardiminuirseuscustos edespesas,paraqueamargemdecontribuio, preomenoscustosedespesasvariveis,possa sermaior,bemcomoelaborarestudossobreseus limites,nooferecendoprodutosouservioscom preosinferioresaoscustosedespesasoucom margeminsuficienteparaoretornodocapital aplicado.RessaltamHorngren,DatareFoster(2004) queopreodeumprodutoouserviodepende daofertaedaprocura.Astrsinflunciasque incidem sobre oferta e procura so: os clientes, os concorrentes e os custos.Osclientesinfluenciamaformaodos preos na medida em que analisam o valor cobrado pelobemouservioeosbenefciosqueterose osadquirir.Osconsumidoresconsideramsuas prefernciasemtermosdosbenefciosrecebidos pelopreopago.Dessaforma,serviosebens semelhantes tendem a ter preos semelhantes.55ALDO LEONARDO CALADO MRCIA R. MACHADO ANTNIO ANDR CALLADO MRCIO A. MACHADO MOISS ARAJO ALMEIDAFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007ParaKotler(1993),nofinaldascontas,o consumidor que decidir se o preo de um produto correto.Emtodocaso,omelhornocobrar preosmaisbaixos,masdiferenciaroproduto ofertado, para que ele valha um preo mais alto.Os custos e os preos dos concorrentes podem afetar os preos cobrados por uma empresa. Produtos alternativos ou similares podem afetar a demanda e forar uma empresa a baixar seus preos. Por outro lado, uma empresa livre de concorrncia pode elevar seus preos sem grandes problemas.Oscustosinfluenciamospreosnamedida em que afetam a oferta. Quanto menor for o custo de um produto em relao ao seu preo, maior ser acapacidadedefornecimentopelaempresa.No outroextremo,aempresaqueapresentareduo de custos pode baixar seus preos, aumentando a procura, ou em caso de aumento de custos elevar seus preos, diminuindo a procura.A precificao tambm varia de acordo com omercado.Rossetti(2000)eVasconcelos(2002) reconhecemquatrotiposdemercado,cadaum com dificuldades diferentes em relao ao preo.Bruni e Fam (2003) propem como principais objetivosnaformaodepreos:proporcionar, emlongoprazo,omaiorlucropossvel;permitira maximizao lucrativa da participao de mercado; maximizarascapacidadesprodutivas,evitando ociosidadeedesperdciooperacional;emaximizar o capital empregado para perpetuar os negcios de modo auto-sustentado.Sardinha (1995) comenta que, no curto prazo, o preo cobrado pela venda de um bem ou prestao de um servio pode ser influenciado pelo mercado, mas a sobrevivncia de uma empresa no longo prazo depende de suas decises sobre polticas consistentes de preo.No apenas o faturamento da empresa deve ser aumentado, mas a lucratividade nas vendas, uma vezqueoaumentodofaturamento,isoladamente, podeproporcionarefeitosnegativos,taiscomo excessodeestoques,fluxodecaixanegativo, sazonalidade, etc.Ospreosdevemconsideraracapacidade produtiva da empresa, pois preos baixos tendem a aumentar as vendas, podendo ocasionar problemas dequalidadedoatendimentoeprazodeentrega. Poroutrolado,preoselevadospodemreduzir asvendas,acarretandoaociosidadedaestrutura produtivaedepessoal,ouseja,ociosidadee desperdcio operacional.Bruni e Fam (2003) destacam que o retorno docapitald-sepormeiodelucrosauferidos aolongodotempo.Assim,somentepormeioda correta fixao e mensurao dos preos de venda possvel assegurar o correto retorno do investimento efetuado.Almdosconsumidores,concorrentese custos,queinfluenciamnaprecificao,tambm devem ser levadas em conta a conjuntura econmica, a recesso, inflao e taxas de juros, o governo e as preocupaes sociais.Para Santos (1991), estes so os mtodos de formao de preo:-Mtodo baseado no custo;- Mtodo baseado nos concorrentes;-Mtodobaseadonascaractersticasdo mercado;- Mtodo misto.Omtodobaseadonoscustosomais tradicional e o mais comum no mundo dos negcios. Costumaempregarosseguintesfatores:custo pleno, custo de transformao, custo marginal, taxa de retorno exigida sobre o capital aplicado e custo-padro.Seabaseusadaforocustototal,deveser aplicada uma margem de lucro desejada sobre os custos totais dos produtos. Utilizando-se os custos e despesas variveis, a margem adicionada deve ser suficienteparacobriroscustosedespesasfixas, alm dos lucros desejados.Amargemdeumproduto,expressacomo percentual do custo, a diferena entre o seu preo de venda e o seu custo. Esse processo de adicionar margemfixaaumcusto-baseconhecidocomo mark-up.SegundoGarrisoneNoreen(2000),duas perguntassofeitasquandoseempregamark-up: qual custo deve ser usado? Como se determinar a margem?Asegundametodologiadeformaode preosempregaaanlisedaconcorrncia.Sobre essa metodologia, Bruni e Fam (2003) afirmam que as empresas prestam pouca ateno a seus custos ou sua demanda a concorrncia que determina os preos a praticar. Os preos podem ser de oferta quando a empresa cobra mais ou menos que os concorrentes ou de proposta quando a empresa determina seu preo segundo seu julgamento sobre como os concorrentes iro fixar seus preos.Paraomtodobaseadonascaractersticas domercado,opreoestabelecidocombaseno valorpercebidodoprodutopelomercadoconsu-midor.Essemtodoexigeconhecimentoprofundo domercadopelaempresa.Oconhecimentodo 56CUSTOS E FORMAO DE PREOS NO AGRONEGCIOFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007mercado permite decidir se o produto ser vendido aumpreomaisalto,atraindoasclassesecono-micamente mais elevadas, ou a um preo popular, atendendo s camadas mais pobres.A quarta e ltima metodologia, mtodo misto, acombinaodosfatorescusto,concorrnciae mercado. Bruni e Fam (2003) destacam que a for-maodepreosdevesercapazdeconsiderara qualidade do produto em relao s necessidades do consumidor, a...</p>