Calado Machado Callado Machado Almeida 2007 Custos-e-Formacao-De-precos-no 26178

Download Calado Machado Callado Machado Almeida 2007 Custos-e-Formacao-De-precos-no 26178

Post on 18-Aug-2015

222 views

Category:

Documents

9 download

DESCRIPTION

LIVRO

TRANSCRIPT

AdministraoFinanceira52RESUMO Estetrabalhotemporobjetivoanalisaragestodecustoseoprocessodeformaodepreosdas agroindstriasparaibanas.Apesquisaenvolveuumestudoempricocom20empresasdosetorda agroindstriapertencentesaseteatividadesdistintas.Osdadosforamobtidosatravsdaaplicaode um questionrio. Observou-se que a maioria das empresas possui sistema de custos ou alguma forma de estrutura de custos, sendo o gerente geral o responsvel pelo registro dos custos do processo produtivo. Quantoaosfatoreslimitantesparaaimplantaodosistemadecustos,partedasempresasanalisadas alegou que a contabilidade gerencial fornece dados suficientes para a gesto dos seus negcios. Constatou-se que o principal critrio utilizado no processo de formao do preo de venda das empresas analisadas foi o mark-up, aplicado sobre o custo de produo. Uma parcela das empresas pesquisadas utiliza o mark-up sobre o valor da matria-prima. PALAVRAS-CHAVEgesto de custos, formao de preos, agroindstrias.ABSTRACTThis paper aims to analyse cost management and prices formation process of agribusiness organizations in Paraba. This research covered an empiric study with 20 agribusiness companies related to 7 distinct activities. Data were collected by the application of a series of questions. It was observed that most of these companies have cost systems or some kind of cost structuring process, and managers are generally responsible for the recordingofproductioncosts.Severalkeyfactorsprovidedifficultiesovercostssystems.Somecompanies claimed that managerial accounting provides enough information for management activities. The most important criteria used for prices formation was the mark-up methodology over production costs. Other companies apply mark-up over supplies. KEYWORDScost management, prices formation, agribusiness.Aldo Leonardo Cunha CaladoUniversidade Federal da ParabaMrcia Reis MachadoUniversidade Federal da ParabaAntnio Andr Cunha CalladoUniversidade Federal Rural de PernambucoMrcio Andr Veras MachadoUniversidade Federal da ParabaMoiss Arajo AlmeidaUniversidade Federal da ParabaCUSTOS E FORMAO DE PREOS NO AGRONEGCIOCOSTS AND PRICE FORMATION IN THE AGRIBUSINESSFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007ADMINISTRAO FINANCEIRA53ALDO LEONARDO CALADO MRCIA R. MACHADO ANTNIO ANDR CALLADO MRCIO A. MACHADO MOISS ARAJO ALMEIDAFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007Empresas,comfimlucrativoouno, enfrentamdificuldadesparadeterminaropreo deseusprodutosouservios,vistoqueopreo sofregrandeinflunciadomercado,levandoem contaopoderaquisitivodapopulao,qualidade, oferta e alternativas de escolha em funo de suas preferncias.Omercadorequerqueempresasofeream produtoseserviosdequalidadecompreosque oconsumidorestejadispostoapagar.Ospreos devem ser suficientes para cobrir todos os custos e despesas,almdecontermargemsuficientepara retornosobreocapitalaplicado.Oentendimento dapolticaeformaodepreosfundamental paraqueasorganizaesconheamseuslimites financeiros.Adefiniodepreostemsidoumassunto bastanteabordadoempesquisas,nabuscada eficinciaempresarial.umtemacomplexo,que pode ser tratado com os conceitos da microeconomia, administrao financeira, contabilidade e marketing. Independentementedaabordagem,ficaevidente suaimportncia,poisatravsdosresultados obtidospelavendadeprodutose/ouservios queempresasasseguramacontinuidadedesuas atividades no longo prazo.A aplicao de preos corretos fundamental paraquesejamatingidasasmetasdevendas, mantidas ou ampliadas as participaes da empresa no mercado.Apresentepesquisabuscaabordarpreos sob a tica da contabilidade, enfatizando a gesto decustoscomomeiodedeterminaodepreos para a agroindstria.A contabilidade uma das ferramentas menos utilizadaspelasagroindstriasbrasileiras,pois vista como uma tcnica complexa em sua exceo e que apresenta baixo retorno prtico. Outra limitao consistiria no fato de que a contabilidade de custos quasesempreconhecidaporsuasfinalidades fiscais,nopossuindograndeinteresseporuma aplicao gerencial.Sobreaprecariedadedaqualidadedas informaescontbeisgeradasemempresas rurais brasileiras, Crepaldi (1993) destaca que essa caractersticanoatributoapenasdepequenas propriedadesrurais,prevalecendotambmentre as mdias e grandes, com economia de mercado e elevados nveis de renda, comprometendo qualquer meta de resultados financeiros diante do processo de globalizao dos mercados.A presente pesquisa encontra-se vinculada a um projeto financiado pelo CNPq. O objetivo deste artigo consiste em analisar a gesto de custos e o processo de formao de preos nas agroindstrias paraibanas.REVISO DA LITERATURAAGROINDSTRIAAsatuaisdinmicasdosmercadose dosconsumidores,nomundoglobalizado,tm introduzidonovosparadigmasedesafiosparao ambiente dos negcios, indistintamente da natureza corporativa das empresas.Nesseambiente,ogestordeveestarapto aidentificareventuaisameaaseoportunidades emseuhorizontegerencialparasubsidiara elaborao de um plano estratgico cada vez mais contextualizado,considerandoasespecificidades decadasetoreconmico,principalmenteno quesereferedinmicaindustrialdesuacadeia produtiva.Aagroindstria,segundoBatalha(1997), consistenasomadasoperaesdeproduo edistribuiodesuprimentosagrcolas,das operaesdeproduonasunidadesagrcolas, doarmazenamento,processamentoedistribuio dosprodutosagrcolaseitensproduzidosapartir deles. Esse um conceito amplo, pois abrange as diversas reas da cadeia produtiva.NavisodePereira(1996),aempresa agroindustrialcompreendeaunidadeprodutiva quetransformaoprodutoagropecurionaturalou manufaturadoparasuautilizaointermediriaou final. Esse conceito mais restrito, uma vez que se limita atividade de transformao e processamento dosprodutosdeorigemanimalouvegetal.sob essaperspectivaquetrataremosdaagroindstria no decorrer deste trabalho.Vilela (2004) aponta que o agronegcio abriga aproduoagropecuria,damaistecnificada mais tradicional, da agricultura familiar de grande porte,aindstriaqueproduzinsumoseprocessa alimentos, os servios e comrcio afins.SegundodadosdoBancodoBrasil(2005), o agronegcio brasileiro responsvel por 34% do PIB e 32% dos empregos gerados. Sua importncia paraopasresideemproporcionarempregos, renda, divisas e desenvolvimento. Devido ao saldo dabalanacomercialdoagronegcio(US$25,8 bilhes em 2003), o saldo total brasileiro foi positivo em US$ 24,8 bilhes, podendo ampliar-se para US$ 28 bilhes em 2004.54CUSTOS E FORMAO DE PREOS NO AGRONEGCIOFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007Nosltimosanos,oagronegciobrasileiro teveumcrescimentoexpressivonocomrcio internacional.Em1993,asexportaesdosetor eramdeUS$15,94bilhes,comumsupervitde US$11,7bilhes.Emdezanos,opasdobrouo faturamentocomasvendasexternasdeprodutos agropecurioseteveumcrescimentosuperiora 100% no saldo comercial. Representandoumadasprincipais competncias nacionais, o agronegcio importante paraaeconomiadopassobdiversosaspectos, entre os quais destacam-se:a) ParticipaonoPIB:osfluxosfinanceiros entreosdiversosagentesintegrantesdo agronegcio representavam cerca de 29% do PIBbrasileiro,ouR$424bilhes,conforme dadosdoCentrodeEstudosAvanados emEconomiaAplicada(Cepea/USP), (UNIVERSIDADE DE SO PAULO, 2003).b) Desempenhodabalanacomercial:o agronegcio o setor que mais tem contribudo para melhorar a balana comercial brasileira, sendo responsvel por 42% das exportaes brasileiras.Em2003,produziuumsupervit deUS$25,8bilhes,conformeoMinistrio daAgricultura,PecuriaeAbastecimento (BRASIL,2004).Em2004,aprevisode atingir um supervit de US$ 30 bilhes.c) Participaodosprodutosagrcolasno mercado mundial: o Brasil lder mundial nos seguintes produtos:-Laranja:detm81,9%domercadomundial do suco de laranja.- Soja: detm 38,4% do mercado mundial.-Caf: vende 28,5% do caf em gros consu-mido no planeta e 43,6% do caf solvel.-Acar: vende 29% do volume consumido no mundo.-Carnes:assumiuem2003alideranana produodecarnebovina,com19%de participao no mercado. Primeiro em vendas de carne de frango, com exportaes de US$ 1,9 bilho.-Fumo: vende 23,1% do tabaco consumido no mundo.d) Internacionalizaodoagronegcio:asvan-tagens competitivas do agronegcio brasilei-ro vm atraindo investimentos internacionais, sejapelaaquisiodeempresasdosetor, sejapelaimplantaodenovasunidades produtivasnopas.Hoje,todasasgrandes empresas que operam com agronegcios no mundoestopresentesnoBrasil.Almde capital,elastrazemtecnologiasmodernas, que favorecem ainda mais o desenvolvimen-to do setor. SegundoVilela(2004),dentreasbarreiras enfrentadaspeloagronegciobrasileiro,umadas maisimportantesoestabelecimentodepreos competitivos aos seus produtos.FORMAO DO PREO DE VENDAA tomada de decises no mbito empresarial consistenaescolhadecustosalternativosque melhor se ajustem a seus interesses. A identificao e ponderao dos principais aspectos relacionados adeterminadocontextotmumimportantepapel no processo de tomada de decises, agindo como refernciacoletoradedadosrelevantessobre custos, despesas, mercado e tecnologias.Sardinha(1995)definepreocomoa quantidade de dinheiro que o consumidor desembolsa paraadquirirumprodutoequeaempresarecebe emtrocadacessodoproduto.Apartirdessa definio,preoseriaovalormonetriopagopelo consumidoraofornecedordebense/ouservios, parasatisfazersuasnecessidades,enquantoeste visa a obter lucro ou retorno financeiro.Para Bernardi (1996) e Cogan (1999), o preo podeserestabelecidoapartirdomercado.Dessa forma, lucro ser representado em funo do valor relativo ao preo aceito menos os custos e despesas [L = P (C + D)].Deacordocomesseentendimento,as empresasdevemprocurardiminuirseuscustos edespesas,paraqueamargemdecontribuio, preomenoscustosedespesasvariveis,possa sermaior,bemcomoelaborarestudossobreseus limites,nooferecendoprodutosouservioscom preosinferioresaoscustosedespesasoucom margeminsuficienteparaoretornodocapital aplicado.RessaltamHorngren,DatareFoster(2004) queopreodeumprodutoouserviodepende daofertaedaprocura.Astrsinflunciasque incidem sobre oferta e procura so: os clientes, os concorrentes e os custos.Osclientesinfluenciamaformaodos preos na medida em que analisam o valor cobrado pelobemouservioeosbenefciosqueterose osadquirir.Osconsumidoresconsideramsuas prefernciasemtermosdosbenefciosrecebidos pelopreopago.Dessaforma,serviosebens semelhantes tendem a ter preos semelhantes.55ALDO LEONARDO CALADO MRCIA R. MACHADO ANTNIO ANDR CALLADO MRCIO A. MACHADO MOISS ARAJO ALMEIDAFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007ParaKotler(1993),nofinaldascontas,o consumidor que decidir se o preo de um produto correto.Emtodocaso,omelhornocobrar preosmaisbaixos,masdiferenciaroproduto ofertado, para que ele valha um preo mais alto.Os custos e os preos dos concorrentes podem afetar os preos cobrados por uma empresa. Produtos alternativos ou similares podem afetar a demanda e forar uma empresa a baixar seus preos. Por outro lado, uma empresa livre de concorrncia pode elevar seus preos sem grandes problemas.Oscustosinfluenciamospreosnamedida em que afetam a oferta. Quanto menor for o custo de um produto em relao ao seu preo, maior ser acapacidadedefornecimentopelaempresa.No outroextremo,aempresaqueapresentareduo de custos pode baixar seus preos, aumentando a procura, ou em caso de aumento de custos elevar seus preos, diminuindo a procura.A precificao tambm varia de acordo com omercado.Rossetti(2000)eVasconcelos(2002) reconhecemquatrotiposdemercado,cadaum com dificuldades diferentes em relao ao preo.Bruni e Fam (2003) propem como principais objetivosnaformaodepreos:proporcionar, emlongoprazo,omaiorlucropossvel;permitira maximizao lucrativa da participao de mercado; maximizarascapacidadesprodutivas,evitando ociosidadeedesperdciooperacional;emaximizar o capital empregado para perpetuar os negcios de modo auto-sustentado.Sardinha (1995) comenta que, no curto prazo, o preo cobrado pela venda de um bem ou prestao de um servio pode ser influenciado pelo mercado, mas a sobrevivncia de uma empresa no longo prazo depende de suas decises sobre polticas consistentes de preo.No apenas o faturamento da empresa deve ser aumentado, mas a lucratividade nas vendas, uma vezqueoaumentodofaturamento,isoladamente, podeproporcionarefeitosnegativos,taiscomo excessodeestoques,fluxodecaixanegativo, sazonalidade, etc.Ospreosdevemconsideraracapacidade produtiva da empresa, pois preos baixos tendem a aumentar as vendas, podendo ocasionar problemas dequalidadedoatendimentoeprazodeentrega. Poroutrolado,preoselevadospodemreduzir asvendas,acarretandoaociosidadedaestrutura produtivaedepessoal,ouseja,ociosidadee desperdcio operacional.Bruni e Fam (2003) destacam que o retorno docapitald-sepormeiodelucrosauferidos aolongodotempo.Assim,somentepormeioda correta fixao e mensurao dos preos de venda possvel assegurar o correto retorno do investimento efetuado.Almdosconsumidores,concorrentese custos,queinfluenciamnaprecificao,tambm devem ser levadas em conta a conjuntura econmica, a recesso, inflao e taxas de juros, o governo e as preocupaes sociais.Para Santos (1991), estes so os mtodos de formao de preo:-Mtodo baseado no custo;- Mtodo baseado nos concorrentes;-Mtodobaseadonascaractersticasdo mercado;- Mtodo misto.Omtodobaseadonoscustosomais tradicional e o mais comum no mundo dos negcios. Costumaempregarosseguintesfatores:custo pleno, custo de transformao, custo marginal, taxa de retorno exigida sobre o capital aplicado e custo-padro.Seabaseusadaforocustototal,deveser aplicada uma margem de lucro desejada sobre os custos totais dos produtos. Utilizando-se os custos e despesas variveis, a margem adicionada deve ser suficienteparacobriroscustosedespesasfixas, alm dos lucros desejados.Amargemdeumproduto,expressacomo percentual do custo, a diferena entre o seu preo de venda e o seu custo. Esse processo de adicionar margemfixaaumcusto-baseconhecidocomo mark-up.SegundoGarrisoneNoreen(2000),duas perguntassofeitasquandoseempregamark-up: qual custo deve ser usado? Como se determinar a margem?Asegundametodologiadeformaode preosempregaaanlisedaconcorrncia.Sobre essa metodologia, Bruni e Fam (2003) afirmam que as empresas prestam pouca ateno a seus custos ou sua demanda a concorrncia que determina os preos a praticar. Os preos podem ser de oferta quando a empresa cobra mais ou menos que os concorrentes ou de proposta quando a empresa determina seu preo segundo seu julgamento sobre como os concorrentes iro fixar seus preos.Paraomtodobaseadonascaractersticas domercado,opreoestabelecidocombaseno valorpercebidodoprodutopelomercadoconsu-midor.Essemtodoexigeconhecimentoprofundo domercadopelaempresa.Oconhecimentodo 56CUSTOS E FORMAO DE PREOS NO AGRONEGCIOFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007mercado permite decidir se o produto ser vendido aumpreomaisalto,atraindoasclassesecono-micamente mais elevadas, ou a um preo popular, atendendo s camadas mais pobres.A quarta e ltima metodologia, mtodo misto, acombinaodosfatorescusto,concorrnciae mercado. Bruni e Fam (2003) destacam que a for-maodepreosdevesercapazdeconsiderara qualidade do produto em relao s necessidades do consumidor, a existncia de produtos substitutos apreosmaiscompetitivos,ademandaesperada doproduto,omercadodeatuaodoproduto,o controle de preos impostos pelo governo, os nveis deproduoevendaspretendidosouquepodem seroperadoseoscustosedespesasdefabricar, administrar e comercializar o produto.METODOLOGIAA presente pesquisa, quanto aos fins, clas-sificada como exploratria e descritiva. Exploratria porque visa a ampliar o conhecimento sobre a for-mao de preo em agroindstrias, e descritiva por-queprocuroudescreverograudepercepodos gestores das agroindstrias quanto formao do preoeimportnciadagestodecustosparatal fim.Quanto aos meios, uma pesquisa de cam-po, desenvolvida no mbito das agroindstrias loca-lizadas na cidade de Joo Pessoa/PB, onde dados foram coletados ao longo das atividades propostas para a pesquisa. O universo da pesquisa foi constitudo pelas agroindstriassediadasnoEstadodaParaba,ca-dastradasnaFederaodasIndstriasdoEstado daParabaFiep-PB,emsualistapublicadaem 2004.Essasempresasdesenvolvemasseguintes atividades: abate e preparao de produtos de car-ne e de pescado; fabricao e refino de acar; lati-cnios; moagem e fabricao de produtos amilceos e raes balanceadas para animais; processamen-to,preservao,produodeconservasdefrutas, legumes, etc.; produo de lcool; torrefao e mo-agem de caf, totalizando 118 empresas.Acomposiodaamostrafoideterminada pelo recebimento dos questionrios (enviados para as 188 empresas cadastradas), distribudas confor-meaTabela1.Foramrecebidos20questionrios respondidos, representando 17% do universo.Para a tabulao e anlise dos dados, utilizou-se o pacote estatstico SPSS Statistical Package for the Social Sciences, a estatstica descritiva e tabelas de freqncia.RESULTADOS OBTIDOSEmrelaoaosmtodosdeapuraodos custosdeproduo,40%dasagroindstriaspos-suem um sistema de custos, 35% possuem alguma formadeestruturaoe20%noapresentamne-nhumaformadeestruturao,conformeTabela2.TABELA 1Universo e amostra da pesquisaSubatividades das indstrias Universo AmostraAbate e preparao de produtos de carne e pescado 10 5Laticnios 37 5Processamento, preservao e prod. de conservas de frutas, legumes e outros 23 4Produo de lcool 7 2Torrefao e moagem de caf 16 2Fabricao e refino de acar 5 1Moagem e fabricao de produtos amilceos e raes balanceadas p/ animais 20 1Total 118 20Fonte: Pesquisa de campo, 2005.Entretanto,atravsdealgumasanotaes espontneas,pde-severificaroreconhecimento daimportnciadaimplantaodeumsistemade controle de custos, que estaria em fase de implanta-o ou seria implantado num futuro prximo.OsdadosdaTabela3indicamqueem30% dasempresaspesquisadasogerentegeralque TABELA 2Mtodos de apurao dos custosMtodos de apurao N de empresas %Sistema de custos 8 40%Estruturao de custos 7 35%Nenhuma estruturao 4 20%Outros 1 5%Total 20 100%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.TABELA 3Profissional responsvel pelo registro dos custosProfissional responsvel N de empresas %Gerente geral 6 30%Contador 5 25%Tcnico 3 15%Chefe de produo 1 5%Outros 5 25%Total 20 100,0%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.57ALDO LEONARDO CALADO MRCIA R. MACHADO ANTNIO ANDR CALLADO MRCIO A. MACHADO MOISS ARAJO ALMEIDAFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007faz os registros dos custos do processo produtivo. Masoutrosprofissionaistambmefetuamesses registros,dentreosquaisocontadorem25%dos casos,otcnicoem15%,eochefedeproduo em apenas 5%.Quanto aos fatores limitantes para a implan-tao de alguma forma de estruturao de custos, a Tabela 4 mostra que 25% dos gestores das agroin-dstrias respondentes consideraram que os dados dacontabilidadegeralsosuficientes,20%consi-deraram que a produo pequena e no necessi-tam de um sistema de custos, 5% alegaram que as informaes de custos no interferem nas decises gerenciais, outros 5% informaram que no possuem orientao tcnica, mas contrataro algum qualifi-cado para essa funo ainda este ano.Alm desses fatores, 45% consideram a falta deumsistemadecontroledoscustos,aatuao doproprietriodaempresaouaindanenhumfator como forma de inibir a estruturao dos custos. Isso demonstra,demodogeral,apoucapreocupao dos gestores para o acompanhamento e o controle dos custos de produo, uma vez que, em face das dificuldades e necessidades enfrentadas, ainda no dispem de um sistema de controle eficaz.TABELA 4Fatores limitantes da estruturao dos custosMotivoN de empresas%Os dados da contabilidade geral so suficientes 5 25%A produo pequena e no h necessidade 4 20%Os custos so irrelevantes para o gerenciamento 1 5%Por falta de orientao tcnica 1 5%Outros 9 45%Total 20 100%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.Nenhumaempresaalegou,comofatorlimi-tante na estruturao dos custos, a falta de recursos financeiros para contratar uma pessoa para fazer o controle de custos corretamente.Pela Tabela 5, todos os entrevistados utilizam algum critrio para a formao do preo de venda. O mais relevante um ndice sobre o custo de pro-duo, representando 70%, seguido da negociao casoacaso,feitaem20%dasagroindstrias.Em 5%aplica-seumndicesobreovalordamatria-prima e em outros 5% o preo de venda definido apsclculosquelevamemconsideraomuitas variveis no especificadas.ATabela6mostraque45%dasempresas pesquisadasnegociamnosomenteospreos, mastambmosprazos,40%vendempelosmes-mos preos das vendas vista e 15% acrescentam encargos financeiros em relao aos preos de ven-das vista.TABELA 5Critrios de formao do preo de vendaCritrio utilizado N de empresas %Utiliza-seumndicesobreo custo de fabricao 14 70%Negocia-seopreocasoa caso 4 20%Aplica-seumndicesobreo valor da matria-prima 1 5%Outros 1 5%Total 20 100%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.TABELA 6Critrios utilizados para definir o preo das vendas a prazoCritrios utilizadosN de empresas%Negociados caso a caso sobre valores e prazos 9 45%Mesmos preos das vendas vista 8 40%H acrscimos de encargos financeiros 3 15%Total 20 100%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.Osquestionriossugeremosmotivosdese efetuarem as vendas a prazo pelo mesmo valor das vendas vista, tipo de operao feito para os clien-tesquecompramfreqentementeeemquantida-dessatisfatrias.Comissoobjetivavammantera fidelizao do cliente.PelaTabela7,65%dasagroindstriasres-pondentes possuem e utilizam formulrios especfi-cos para controle dos custos de produo. Nenhu-ma empresa que possui esses formulrios deixa de utiliz-los.TABELA 7Utilizao de meios formais de apurao e controle dos custosFormulrios especficos N de empresas %Possui e utiliza 13 65%No possui 7 35%Total 20 100%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.58CUSTOS E FORMAO DE PREOS NO AGRONEGCIOFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007Em relao ao mtodo de custeio empregado para apropriao dos custos ao produto, a Tabela 11 mostra que o custeio direto o mais utilizado (50%), seguido do custeio por absoro (45%). Apenas uma empresa no identificou o mtodo de custeio que uti-liza para apropriao dos custos de produo.Pela Tabela 8, uma parcela de 805 empresas atesta que todos os registros so feitos corretamen-te, 15% no efetuam qualquer tipo de registro e 5% registram, mas de maneira incorreta.Quantoformadeorganizaodoregistro dos custos de produo, a Tabela 9 mostra que, em 75% dos casos, os dados so agrupados em contas e em 25% no h nenhuma forma de agrupamento em contas.TABELA 8Processo de registro dos custos de produoForma de registro N de empresas %Registrados corretamente 16 80%No so registrados 3 15%Registrados incorretamente 1 5%Total 20 100%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.Encontram-senaTabela10asbasesdeva-lorizaodosinsumosutilizadaspelasempresas agroindustriais.Abasedevalormaisutilizadao custodereposiodosinsumos,correspondendo a 45% do total, seguido do custo corrente com 30%, docustocorrentecorrigido,perfazendo15%,edo custo histrico corrigido em 5%.TABELA 9Forma de organizao do registro dos custos de produoForma de organizao dos registrosN de empresas %So agrupados em contas 15 75%No so agrupados 5 25%Total 20 100%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.TABELA 10Base de valorizao dos insumosBase de valor N de empresas %Reposio 9 45%Corrente 6 30%Corrente corrigido 3 15%Histrico corrigido 1 5%No responderam 1 5%Total 20 100%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.TABELA 11Mtodo de apropriao dos custos de produoMtodo de custeio N de empresas %Direto 10 50%Absoro 9 45%No responderam 1 5%Total 20 100%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.O perodo mais utilizado como base para ela-borao dos relatrios de custos o mensal, repre-sentado por 65% do total de empresas, seguido do trimestral,com10%.Osrelatriosdecustostam-bm so elaborados semanal e semestralmente, s que de forma menos significativa (5% para cada um dessesperodos).Haquelesquepossuemsiste-mas de custos e conseguem elaborar os relatrios diariamente ou no momento de aquisio da mat-ria-prima (15%), conforme a Tabela 12.ATabela13apontadificuldadesrelativasao correto controle dos custos de produo, pois no hcertezaquantoexistnciadelucros:35%dos entrevistados identificam a existncia de lucros atra-vsdassobrasdecaixaaofinaldoperodo,20% no tm certeza sobre a existncia de lucros e ou-tros 20% tm conhecimento da existncia de lucros, porm no os identifica por produto.TABELA 12Periodicidade de elaborao dos relatrios de custosPeriodicidade de elaborao N de empresas %Mensais 13 65%Trimestrais 2 10%Semanais 1 5%Semestrais 1 5%Outro 3 15%Total 20 100%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.59ALDO LEONARDO CALADO MRCIA R. MACHADO ANTNIO ANDR CALLADO MRCIO A. MACHADO MOISS ARAJO ALMEIDAFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007Umaparcelade25%dosgestoresno utilizanenhumdostrscritriosapontados paraaidentificaodolucro;amaiorpartedos entrevistadosnoesclareceuquaiscritriosutiliza eoutrosinformaramqueolucroacompanhado diariamenteatravsdeumsistemagerencialou tmconhecimentodesuaexistnciaatravsda identificao por produto.TABELA 13Critrios utilizados no processo de definio dos lucrosCritrio utilizado N de empresas %Sobras de caixa ao final do perodo7 35%No tem certeza da existncia de lucros4 20%Conhecimento de sua existncia sem identificar por produto4 20%Outro 5 25%Total 20 100%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.TABELA 14Periodicidade de atualizao dos relatrios de custosPeriodicidade de atualizaoN de empresas%Possuem atualizao peridica 8 40%Possuem atualizao constante 8 40%No possuem atualizao regular 4 20%Total 20 100%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.Osrelatriosdecustossoatualizados periodicamente em 40% das empresas entrevistadas, outros 40% sofrem atualizao constante e em 20% essaatualizaonofeitademaneiraregular, conforme Tabela 14.TABELA 15Forma de registro dos custos de produoRegistro dos custosN de empresas%Registrados em formulrios prprios 13 65%Registrados de maneira improvisada, mas regular 5 25%Registrados de maneira irregular 2 10%Total 20 100%Fonte: Pesquisa de campo, 2005.Oscustosdeproduosoregistradosem formulriosprpriosem65%dasempresas,25% registram os custos regularmente, mas de maneira improvisada,e10%reconhecemqueregistramde forma totalmente irregular (Tabela 15).CONCLUSESEstapesquisaexploratriaedescritivateve por objetivo analisar a gesto de custos e processo deformaodepreosdasagroindstriasparai-banas.Envolveuumestudoempricocom20em-presas do setor agroindustrial, pertencentes a sete subatividades industriais.Umaparcelasignificativadasempresasre-spondentespossuisistemadecustosoualguma formadeestruturadecustos,registradospeloge-rente geral.Quanto aos fatores limitantes para a implan-taodosistemadecustos,partedasempresas alegouqueacontabilidadegerencialforneciada-dossuficientesparaagestodosseusnegcios. Outras consideraram que a produo era pequena, no necessitando de um sistema de custos. Grande parte considerou a falta de um sistema para contro-le dos custos, a forma de atuao do proprietrio da empresa ou ainda nenhum fator como inibidores da estruturao dos custos.Oprincipalcritrioutilizadonoprocessode formaodopreodevendadasempresasana-lisadasfoiomark-up,aplicadosobreocustode produo. Algumas empresas utilizavam o mark-up sobre o valor da matria-prima.Em relao aos preos das vendas a prazo, grandepartedasempresasnegocianosomente ospreos,mastambmosprazos,vendepelos mesmospreosdasvendasvistaeapenasuma pequena parte acrescenta encargos financeiros aos preos de vendas vista. >60CUSTOS E FORMAO DE PREOS NO AGRONEGCIOFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007Aldo Leonardo Cunha Calado Universidade Federal da ParabaProfessor AssistenteEndereo: Campus Universitrio I jardim Cidade UniversitriaJoo Pessoa-PB. CEP: 58.051-900Fone: 083 - 32167459 aldocallado@yahoo.com.brMrcia Reis MachadoUniversidade Federal da ParabaProfessora AssistenteEndereo: Campus Universitrio I jardim Cidade UniversitriaJoo Pessoa-PB. CEP: 58.051-900Fone: 083 - 32167459 marciareis@yd.com.br Antnio Andr Cunha CalladoProfessor Adjunto Universidade Federal Rural de PernambucoAv D. Manoel de Medeiros, s/n Dois IrmosRecife-PE CEP. 52.071-030Fone: 081 - 33206460 andrecallado@yahoo.com.brMrcio Andr Veras Machado Professor AssistenteUniversidade Federal da ParabaEndereo: Campus Universitrio I jardim Cidade UniversitriaJoo Pessoa-PB. CEP: 58.051-900Fone: 083 - 32167459marciomachado@yd.com.br Moiss Arajo AlmeidaBolsista de Iniciao CientficaUniversidade Federal da ParabaEndereo: Campus Universitrio I jardim Cidade UniversitriaJoo Pessoa-PB. CEP: 58.051-900Fone: 083 - 32167459moaral@ig.com.brBANCO DO BRASIL. Relatrios gerenciais e prestao de contas de safras: 1995-2005. Braslia, 1995-2005. BATALHA, M. O. (Coord.). Gesto agroindustrial. So Paulo: Atlas, 1997.BERNARDI, L. A. Poltica e formao de preos: uma abordagem competitiva, sistmica e integrada. So Paulo: Atlas, 1966.BRASIL. Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento. Balana comercial. Disponvel em: http://www.agricultura.gov.br Acesso em 18 ago. 2004.BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Agrrio. Pronaf Programa Nacional de Agricultura Familiar. Disponvel em: http://mda.gov.br. Acesso em 20 out. 2004.BRUNI, A. L.; FAM, R. Gesto de custo e formao de preo: com aplicao na calculadora HP12C e Excel. So Paulo: Atlas, 2003.COGAN, S. Custos e preos: formao e anlise. So Paulo: Pioneira, 1999.CREPALDI, S. A. Contabilidade rural. So Paulo: Atlas, 1993.GARRISON, R. H.; NOREEN, E. W. Contabilidade gerencial. Rio de Janeiro: LTC, 2001.HORNGREN, C. T.; DATRA, S. M.; FOSTER, G. Contabilidade de custos: uma abordagem gerencial. So Paulo: Prentice Hall, 2004.KOTLER, P.; ARMSTRONG, G. Princpios de marketing. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1993.PEREIRA, E. Controladoria, gesto empresarial e indicador de eficincia em agribusiness. In: MARION, Jos Carlos (Coord.). Contabilidade e controladoria em agribusiness. So Paulo: Atlas, 1996.ROSSETTI, J. P. Introduo economia. So Paulo: Atlas, 2000.Referncias61ALDO LEONARDO CALADO MRCIA R. MACHADO ANTNIO ANDR CALLADO MRCIO A. MACHADO MOISS ARAJO ALMEIDAFACES R. Adm. Belo Horizonte v. 6 n. 1 p. 52-61 jan./abril 2007SANTOS, J. J. Formao de preos e do lucro.So Paulo: Atlas, 1991.SARDINHA, J. C. Formao de preo: a arte do negcio. So Paulo: Makron Books, 1995.UNIVERSIDADE DE SO PAULO. Centro de Estudos Avanados em Economia Aplicada (Cepea). Esalq. PIB do Agronegcio. Disponvel em:http://cepea.esalq.usp.br/. Acesso em 20 ago. 2004.VASCONCELLOS, M. A. S. Economia: micro e macro. So Paulo: Atlas, 2002.VILELA, L. Desafios do agronegcio: capital e conhecimento. Revista de Poltica Agrcola, n. 2,2004, p. 87-88.