caio fabio

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Mais uma obra de Caio Fbio.

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  • 1. Caio Fbio DArajo FilhoO Privilgio de PoderSimplesmente Dizer: T DOENDO

2. Caio Fbio DArajo Filho --- T DOENDO! Caio Fbio DArajo FilhoCapa:Carlos Franco Reviso:Sandra RegisEditorao eletrnica: Josnei e Vera Formagio 7 impresso, 1998Devidamente autorizado e com todos os direitos de publicao e distribuio dos ttulos com a marcaVINDE reservados MZ Produes Culturais Ltda.SCRN 716 Bl. F Loja 36 Braslia, DF CEP 70770-556Fone./Fax: (061) 349-6032 Filiada ABEC 2 3. Caio Fbio DArajo Filho --- T DOENDO!ISBN 85-86467-25-1Impresso na Colmbia Printed in ColmbiaDedicatriaA todos aqueles que entendem que ter f, quando no h milagres, um milagre maior do que ter f para operar milagres. 3 4. Caio Fbio DArajo Filho --- T DOENDO! O Privilgio de Poder Simplesmente Dizer: T Doendo Um Vo PerdidoNa quinta-feira 29 de julho, eu deveria ter embarcado no vo das 22horas, rumo aos Estados Unidos, a fim de pregar na sexta-feira e nosbado noite, bem como na manh de domingo, no encerramento docongresso da Youth For Christ International (MPC Internacional). Noentanto, na tera-feira 27, noite, comecei a ter fortes dores no estmago,na cabea e em todo corpo, alm de vmitos, diarria e sintomas degastrite. No dormi aquela noite.A quarta-feira foi marcada pelo agravamento daqueles sintomas. Dequarta para quinta-feira, a crise se acentuou tanto que minha mulher teveque me levar ao hospital, onde passei o resto da noite recebendo soro commedicamento apropriado. No momento de retornar a minha casa, amdica resolveu que eu no deveria viajar, sob pena de que a crisepudesse se agravar ou se repetir durante as 17 horas da viagem.4 5. Caio Fbio DArajo Filho --- T DOENDO!Para mim, foi muito desagradvel aceitar a recomendao mdica.Afinal, havia muita gente contando com minha ida quele evento. Almdisso, eu mesmo entendia tratar-se de um congresso extremamenteestratgico, em termos de evangelizao mundial. No entanto, eu nopodia tomar a deciso de ir, correndo o risco de ver a situao agravar-see deixando, com isso, minha famlia sobressaltada. Decidi acatar ainstruo mdica e no fui. Continuei a tomar a medicao e, dois diasdepois, j estava me sentindo bem melhor. Mas j era tarde para ir.Hoje, domingo, 1 de agosto, quatro dias aps o ocorrido, quandoestou escrevendo este livreto, o sentimento que me vem ao corao deprofunda alegria. Alegria por poder dizer que no me senti bemfisicamente, sem ter, contudo, que me justificar por isto. Alegria por noter a obrigao de achar que toda enfermidade seja obra direta do diabo.Alegria por poder aceitar uma orientao mdica como conselhodivino.Alegria por poder dizer a voc que no sou super-homem. Alegriapor poder compartilhar com voc a verdade da minha fraqueza. Alegriapor poder me regozijar na Graa de Deus (II Co. 12:7-10). A Angstia de Uma Orao NoRespondidaEssa experincia que acabei de narrar totalmente diferente de umaoutra que vivi h quase 19 anos. Naquele tempo, eu morava em Manaus etinha apenas um ano e meio de f consciente em Jesus. Desde que eu meconvertera para valer, no fazia outra coisa a no ser pregar o evangelhotodos os dias, expulsar demnios tambm diariamente (s vezes trssituaes de exorcismo no dia), orar pelos doentes (vendo muitos seremmilagrosamente curados) e ler livros sobre f. Foi naquele perodo quecomecei a ler alguns dos livros e teologias que hoje esto muito em vogano Brasil. Eram livros que garantiam a cura de Deus, sempre que vocora com f, ensinando tambm que, quando voc ora e no v a curachegar, voc tem que decretar a cura e ignorar os sintomas da doena.Pois bem, assim crendo e assim vivendo, adoeci de uma hepatite agudacontrada beira do Rio Negro, pintando um barco da igreja. Quando adoena chegou, pensei: Essa no vai ficar. Deus sabe que meu corao no duvida do Seupoder. Portanto, vou pedir a meu pai para me ungir com leo evamos mandar essa enfermidade sair em nome de Jesus.5 6. Caio Fbio DArajo Filho --- T DOENDO! Assim foi feito. Oramos com f e autoridade. A enfermidade, noentanto, parecia no se retirar. Decidi, ento, que somente os sintomas daenfermidade haviam permanecido e declarei: Mesmo que eu ainda tenha os sintomas, pela f, vou viver como sej estivesse curado.Assim fiz. Comi gordura; fiz esforo fsico; fui luta. Quase morri.A hepatite no apenas se agravou, como ainda se complicou de talmaneira que eu tive que ficar cinco meses na cama, tomando soro todosos dias e curtindo agonias espirituais quase insuportveis. Mil perguntasinvadiam minha mente de dia e de noite.O que teria acontecido? O que de errado fora feito? Ser que eu notivera f? Que Deus insensvel era aquele que me via entrar de cabea naexperincia e quebrar a cara?Foi horrvel. Minha alma gemia angustiada e perplexa em noites enoites insones. E o pior era quando chegavam os amigos de J, todoscheios de frmulas. Todos com uma receita de milagre. Todos com umaexplicao.Felizmente, foi ento que aprendi que pior do que no ficarcurado de uma doena, ter que ficar curado dela. um inferno naalma.E por que estou lhe dizendo isto? A razo simples. Eu no agentomais ver lderes evanglicos tentando vender ao povo de Deus a imagemde que quem anda com Jesus no adoece, no passa por tribulaes, nose cansa, no conhece limitaes, no aceita sua prpria condiohumana. Meu desconforto com essa doutrina se fundamenta nos seguintesaspectos bsicos que passarei a descrever. A Bblia Passou LongeInicialmente, no me agrado dessa doutrina, porque ela no bblica. A tentativa de fazer da Cruz o ponto de anulao de toda dor eenfermidade falso. No tem apoio no texto bblico, nem nas doutrinasapostlicas, nem na experincia humana narrada na Bblia.A Palavra de Deus nos d conta de que o patriarca Jac morreu deuma enfermidade, mas com a mente cheia de bnos (Gn. 48:1-33).Eliseu, em quem o poder de Deus alcanou nveis de manifestaes scomparveis aos que foram manifestos na vida de Jesus, morreu, 6 7. Caio Fbio DArajo Filho --- T DOENDO!entretanto, de uma enfermidade fsica (II Reis 13:14). Paulo diz aosglatas que sua estada entre eles deveu-se a uma enfermidade fsica (Gl.4:13), e fala de Timteo, referindo-se a ele como algum suscetvel afreqentes enfermidades (I Tim. 5:23). Acerca de Epafrodito,companheiro de Paulo, diz-se que andou todo o processo gradual deaproximao da morte e saiu de l lentamente, aps um tempo natural derecuperao (Fp. 2:25-28).Alguns certamente perguntaro: Como pode ser isto se Isaas 53 dizque Jesus levou na Cruz nossas dores, enfermidades, transgresses einiqidades?!Ora, eu devo entender esse levar de duas maneiras: como umlevar expiatrio, ou seja, ele levou o que eu mereo sofrer e se ofereceu aDeus como oferta moral e espiritual substitutiva por mim. Isto tem a vercom a justificao que traz perdo de pecados, e com a salvao. A outramaneira de ver este levar na perspectiva da experincia da nossacondio humana, isto , como um que sabe o que padecer (Is. 53:3). por isso que o livro de Hebreus diz que Ele um Sumo sacerdote quepode se compadecer de nossas fraquezas, porque foi tentado em todas ascoisas a nossa semelhana e passou por todos os sentimentos que voc eeu experimentamos (Heb. 4:15). A prova disto que no texto de Isaas 53os resultados desse levar de dores, enfermidades, transgresses einiqidades so vistos apenas nas duas perspectivas expostas acima, quaissejam, ele justificar (Salvador) a muitos, porque as iniqidades deleslevar sobre si (Is. 53:11): e derramou a sua alma na morte; foicontado com os transgressores, contudo levou sobre si o pecado demuitos e pelos transgressores intercedeu (Sumo sacerdote; Is. 53:12).Vemos, portanto, que Isaas nos diz que as duas bnosdecorrentes da Cruz so a justificao do pecador e a ao intercessriado Salvador a nosso favor. Tenho motivos para lhe dizer que, mesmocrendo em Jesus, sendo salvo por Ele, e sendo objeto da Sua intercessosumo sacerdotal, continuo vulnervel dor (voc tem dvida disso?),passvel de doenas e de morte, sujeito a transgresses (eu no tenhodvida disso), lutando sempre contra minha tendncia iniqidade. EmJesus, eu recebi o poder justificador que j me absolveu dos meuspecados e que me fortalece para enfrentar as minhas inclinaes naturais;recebi, igualmente, a graa que cura, quando curar o que o Deus degraa acha que deve realizar em mim. Isto porque, s vezes, a fim decurar meu carter, Deus tem que me deixar enfermar no corpo, mesmoque eu esteja orando para ser curado. Se de um lado a Palavra de Deus 7 8. Caio Fbio DArajo Filho --- T DOENDO!manda orar com f, de outro ela diz que eu nem sempre sei orar comoconvm (Rm. 8:26). Concluo que nem sempre quando peo com f paraser curado estou pedindo o que convm a mim mesmo.H tambm ocasies em que, para que meu esprito aprenda ahumildade, a pacincia e o quebrantamento, eu tenho que sentir dor,muita dor. Enfim, no h nenhuma regra sobre cura fsica, porque muitasvezes esta cura pode significar a perpetuao de uma doena maisprofunda na alma, no carter. Nesse caso, o Deus que cura (e que entendeque almas so mais importantes que corpos devido a sua perpetuaoeterna), pode no curar um corpo para poder curar uma alma. O textopara tais pessoas o salmo 41:3: O Senhor assiste no leito daenfermidade....Outro texto que nos conduz concluso semelhante o salmo103:3, Ele o que sara todas as tuas enfermidades, pois para sararalgumas enfermidades, neste mundo ambguo e marcado pelascontradies impostas pelo pecado, Ele tem que deixar voc experimentarcertas dores e, muitas vezes, doenas. Afinal, as dimenses da vidararamente esto em plena harmonia neste mundo caracterizado por essanossa natureza cada onde corpo, alma e esprito no esto alinhadosharmonicamente em nenhum de ns, desde a queda. por isto quemuitas vezes, a fim de que uma destas dimenses seja curada, a outradimenso tem que padecer, sendo mesmo possvel que uma menteconflituada, em se acalmando, possa fazer muito bem ao corpo,realizando, eventualmente, at a sua cura. No entanto, o mesmo no podedizer do inverso, pois um corpo curado no desencadeia,necessariamente, processos automticos de cura da