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    Cai o ritmo, aumentam os desafios: Perspectivas do FMI

    para a Amrica Latina e o Caribe

    Por Alejandro Werner

    24 de abril de 2014

    As perspectivas de crescimento mundial melhoraram nos ltimos meses, impulsionadas pela recuperao mais intensa das economias avanadas. Ainda assim, na Amrica Latina e no Caribe, o crescimento provavelmente continuar a perder flego, embora alguns pases devam apresentar desempenho melhor do que outros. Em nossa ltima edio do relatrio sobre as Perspectivas Econmicas Regionais, analisamos os desafios enfrentados pela regio e discutimos as melhores formas de lidar com os mesmos. Ainda perdendo velocidade O crescimento na regio vem registrando queda desde 2010. improvvel que 2014 seja exceo. Com base em nossas ltimas projees, o produto regional crescer apenas 2,5%, a taxa mais baixa em onze anos ( exceo de 2009, quando os efeitos da crise financeira mundial repercutiram fortemente sobre a atividade econmica). A desacelerao do investimento nos ltimos anos foi ainda mais acentuada (grfico 1). Segundo nossas projees, nem todos os pases sofrero desacelerao em 2014. De fato, o Mxico e vrias economias da Amrica Central e do Caribe esto bem posicionados para se beneficiar da intensificao do crescimento dos EUA. No entanto, a recuperao nesses pases provavelmente no ser forte o bastante para compensar a desacelerao em vrias das maiores economias sul-americanas. Ventos contrrios causados por preos de commodities mais baixos Um fator crucial que pesa sobre o crescimento regional o enfraquecimento dos preos internacionais das commodities. Nossa anlise sugere que o crescimento econmico de pases exportadores de commodities, como Chile, Colmbia e Peru, pode ser consideravelmente menor do que durante os anos de bonana entre 2003 e 2011, mesmo que os preos das

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    commodities permaneam estveis nos nveis relativamente elevados de hoje. Isto se deve ao fato de que o impulso sobre o crescimento advindo das commodities parece estar mais associado a um persistente aumento dos seus preos do que aos elevados nveis de preo per se. E as previses atuais sugerem claramente que o perodo de alta persistente dos preos das commodities chegou ao fim (grfico 2). Uma desacelerao mais acentuada do que o previsto nas principais economias importadoras de commodities pioraria a situao. Segundo nossa anlise, uma queda de 1% no PIB da China em relao ao cenrio de referncia reduziria os ndices de preos de commodities relevantes para os pases da regio entre 1% e 8%. Possvel turbulncia com a alta das taxas de juros dos EUA Outro fator a ser observado a normalizao da poltica monetria norte-americana, que comeou com a reduo gradual das compras de ttulos por parte do Federal Reserve no incio deste ano. Vrios argumentos indicam que a regio deve ser capaz de lidar com uma normalizao gradual e ordenada da poltica monetria dos EUA:

    Embora a poltica tenha comeado a se normalizar, nossas projees indicam que as taxas de

    juros dos EUA permanecero relativamente baixas por algum tempo.

    A recuperao mais vigorosa dos EUA, que alimenta as expectativas de elevao das taxas de

    juros, impulsionar a atividade econmica, sobretudo na parte norte da regio.

    A maioria dos governos da regio reduziu consideravelmente sua exposio direta s taxas

    de juros dos EUA ao diminuir a parcela de sua dvida pblica atrelada ao dlar.

    No obstante, a turbulncia experimentada pelos mercados em meados de 2013 mostrou que o ajuste ao aperto das condies de financiamento externo pode causar sobressaltos. Novas surpresas quanto trajetria da poltica monetria norte-americana ou um aumento generalizado dos prmios de risco podem gerar novos episdios de volatilidade e provocar sadas de capitais da regio. Com base na experincia recente, as economias mais afetadas provavelmente seriam aquelas com posies externas mais frgeis e desafios internos de poltica econmica. De fato, desde o incio da retirada do estmulo em maio de 2013, os rendimentos dos ttulos subiram mais em pases que enfrentam uma combinao de presses inflacionrias e cambiais, normalmente relacionada a elevados dficits em transaes correntes (grfico 3).

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    Menos combustvel no tanque Mas nem todos os desafios que a regio enfrenta so externos; h tambm fatores internos que restringem o crescimento. Os mercados de trabalho na maioria das grandes economias esto aquecidos, o que sugere um menor espao para o crescimento do produto. Os severos gargalos de infraestrutura (como estradas e portos congestionados) e o desempenho persistentemente fraco dos sistemas de educao tornam esse desafio ainda maior em muitos pases (grfico 4). Na ausncia de avanos nessas reas, possvel que a regio continue a carecer do impulso necessrio para sustentar um crescimento acelerado. Polticas para prosseguir a viagem com sucesso Confrontadas com a queda de preos das commodities, a elevao dos custos de financiamento externo e a desacelerao do crescimento, as autoridades podem ser ver tentadas a impulsionar a atividade econmica com um novo estmulo fiscal.

    Entretanto, esse caminho muito provavelmente seria contraproducente, visto que a maioria das economias j se encontra prxima de sua plena capacidade, e as margens de poltica fiscal, em todo caso, precisam ser fortalecidas para se preparar para novos choques negativos no futuro. Do contrrio, em breve a regio pode perder novamente sua capacidade recm-conquistada para executar polticas anticclicas.

    Uma estratgia mais promissora concentrar esforos em reformas estruturais que eliminem gargalos estruturais limitadores do crescimento. Entre as prioridades esto a destinao dos escassos recursos disponveis para necessidades crticas de infraestrutura, melhoria do desempenho do sistema educacional e promoo de um ambiente de negcios que incentive o investimento e a inovao.

    Enquanto isso, a credibilidade da poltica econmica, taxas de cmbio flexveis e adequada superviso prudencial do setor financeiro devem desempenhar funes importantes na suavizao de choques externos e na manuteno da estabilidade financeira. Assegurados esses elementos, a prxima etapa da viagem que a regio tem pela frente deve permanecer segura e vitoriosa, mesmo em condies mais desafiadoras.

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