Caderno-revista 7faces 1a. edição

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Edio do caderno-revista de poesia organizado pelo poeta Pedro Fernandes

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<ul><li><p>Obra da homenageada poesia Rosa de pedra (1953); </p><p>Salinas (1958); </p><p> O arado (1959); </p><p>Exerccio da palavra (1975); </p><p>Navegos (1978, antologia mais o indito Corpo a corpo); </p><p>A herana (1984) </p><p>crtica literria </p><p>Lus da Cmara Cascudo: 50 anos de vida intelectual, 1918-1968 (1970). 2v.; Civil geometria (1987). </p></li><li><p> 7faces caderno-revista de poesia</p><p>ISSN 2177-0794 </p><p> Natal - RN </p></li><li><p>Porque essa a face (no a mais amada) desnuda face, voz que te define Zila Mamede, A (outra) face In Salinas </p></li><li><p> sumrio Apresentao Um galo sozinho no tece a manh: ele precisar sempre de outros galos por Pedro Fernandes </p><p>10 Zila, Rosa de Pedra; liquefeita por Filipe Mamede </p><p>14 7 vozes, 15 poemas Jaci Santana Osis Tropical; Funda ausncia; As amazonas O retorno </p><p>17 Rodrigo Srvulo Contra(verso), Contraveno; Poema de duas faces; Essncia </p><p>21 Suely Costa Efemeridades; Meu espao </p><p>26 Geraldo Magela Rua Erma </p><p>29 Thiago Tonussi T; Sombras das sobras </p><p>31 Jos Heber Frustrao; Triste fim, as grandes partidas </p><p>34 Leo Durval A busca </p><p>37 </p></li><li><p> Entremeio A trade mamediana: poesia plantada na terra e nascida no mar Por Janaina Alves </p><p>39 </p><p> +7vozes,17 poemas Edivan Santos Vertigem; Insnia </p><p>44 Marciana de Morais Infncia </p><p>47 Alexandre Brum Correa Sem ttulo (1); Vera Bala; Regras de Alejandro </p><p>59 Gutemberg Fox Aqua,; Cansaos e descansaos </p><p>54 Andr Giusti 'Inda a pouco eram sete horas; Agora que anoiteceu; Em silncio; Um com o outro </p><p>57 </p><p> Paulo Roberto Ferreira, Somnia </p><p>63 Iracema Albuquerque Soneto a Poesia; Quero; Grito; Decifrado </p><p>65 </p></li><li><p> nota do editor Caro leitor, O caderno-revista que voc tem agora em mos faz parte de uma ideia minha, das muitas que me acompanham desde meu lanamento na rede mundial de computadores com o blogue Letras in.verso e re.verso. Com a colaborao dos nomes de zeyir Lokman ayci, que gentilmente me cedeu material grfico; de Filipe Mamede, jornalista e sobrinho-neto da poeta Zila Mamede, e Janaina Alves, mestranda em Letras e estudiosa da obra da poeta, meus convidados; e de Jaci Santana, Rodrigo Srvulo, Suely Costa, Geraldo Magela, Thiago Tonussi, Jos Heber, Leo Durval, Edvan Santos, Marciana de Morais, Alexandre Brum Correa, Gutemberg Fox, Andr Giusti, Paulo Roberto Ferreira, Iracema Albuquerque, poetas eleitos por excelncia a compor essas pginas, o caderno-revista pretende trazer ao espao literrio virtual novos ventos, novas escritas, sem necessariamente serem de solo potiguar, porque a ambio da ideia do tamanho da Web, no tem fronteiras, e o propsito maior estabelecer correntezas de dilogos entre os nomes daqui e os de outros lugares. Pedro Fernandes poeta e editor da ideia </p></li><li><p> apresentao </p><p> Um galo sozinho no tece a manh: ele precisar sempre de outros galos </p><p>Joo Cabral de Melo Neto </p><p> Um galo sozinho no tece a manh eis o elemento impulsionador da ideia para confeco deste material. Na nota de agradecimento s contribuies recebidas, o caderno-revista eletrnico que antes pensava em juntar em si apenas poemas e poetas, expande-se para a ideia de recepo de textos de outros gneros. E agora, na recepo do 7faces, o leitor haver de notar que a ideia novamente se v modificada. E, parece que, enfim, consegui encontrar a modelagem do que realmente pretendia com esse material. </p><p>Ele precisar sempre de outros galos eis o interesse/pretenso minha com esse veculo. No surge ele para transgredir nada e nem com ambies maiores do que a de congregar em torno de um mesmo esprito, o da poesia, faces de todo mundo. Eis o princpio de quando lanada na rede que dizia tratar-se 7faces da gnese de uma rede poetas que ambicionava reunir as vozes de poetas de todas as tendncias, raas, cores, nacionalidades, temticas, do que pudesse caber nas infinitas pginas da Web. Logo, mesmo a ideia tendo se modificado ao longo de sua gnese e com a possibilidade de lanamento de um caderno-revista eletrnico, creio que esse propsito do seu princpio ainda prevalece. </p></li><li><p>S tenho a agradecer, evidentemente, a todos os que contriburam com esta edio, cujos nomes j foram citados; verdade que, sem os contributos, ela no haveria. Ou fazendo jus epgrafe cabralina que em sua lmina vaza essa ideia de que um galo sozinho no tece a manh foram eles, os que contriburam, galos-poetas, que me fizeram de uma forma ou de outra pensar e re-pensar diversas vezes num formato para o tecido desse veculo. O nmero que agora sai dedicado a poeta potiguar Zila Mamede (1928-1985). Se fosse ser publicado no tempo oportuno estaramos pelo cinquentenrio de O arado obra singular que vem trazer aos ventos literrios do Estado um estgio outro do fazer potico, j demonstrado quando do surgimento das obras anteriores da poeta; cito, para ser mais especfico, Rosa de pedra e Salinas. </p><p>A ideia dessa edio j estava pronta e, mesmo fora do tom, devido a no anuncia de uma data comemorativa prefixada no calendrio, permanentemente pronta sai, porque nunca se data fixa homenagear aqueles nomes que de maneira singular contribuem para uma percepo outra de ns mesmos e do mundo onde nos inserimos. A escolha pelo nome de Zila, deu-se, antes da celebrao de uma data, mas a celebrao de um nome que alia-se com o material agora publicado. A escolha por uma mdia digital simples. Alm dos custos serem quase apenas o do tempo do editor, tambm o meio eleito por excelncia ao grande pblico, dando a liberdade de o leitor consumir o produto da maneira que achar conveniente: na tela do computador ou impresso, por completo o texto ou por pedaos. Fica esta edio disponvel para download no espao dedicado sua divulgao, o set7aces.blogspot.com. Digo, para finalizar, que este trabalho que agora publicado j , desde ento, um sucesso por congregar no seu ventre to variadas faces, to variadas vozes. </p><p> Pedro Fernandes poeta e editor da ideia </p></li><li><p> Zila Mamede (1928-1985) </p></li><li><p>a homenageada </p><p> o cho onde nasci, e eu gostaria que ela (Nova Palmeira) fosse no Rio Grande do Norte, porque me sinto to norte-riograndense, que tenho susto quando olho a minha carteira de identidade. Nisso no h nenhum preconceito contra a Paraba. Apenas fui transplantada muito pequena, a tempo de me sentir enraizada no Rio Grande do Norte. Da porque eu digo que gostaria que Nova Palmeira, a vila fundada pelo meu av e pelo meu padrinho de batismo, fosse no Rio Grande do Norte. Era uma fazenda, uma vila, hoje mais um municpio brasileiro, mas no como municpio, e sim, como stio do meu av que permanece na minha geografia sentimental. </p><p> Zila Mamede paraibana de Nova Palmeira, nascida em setembro de 1929. Ainda criana vem com seus pais para o Rio Grande do Norte, Currais Novos. Mais tarde para Natal. Fez Biblioteconomia pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e especializou-se na rea nos Estados Unidos. Seu retorno a Natal marca o incio da organizao das primeiras bibliotecas da cidade, como a da Universidade que hoje leva seu nome e a Biblioteca Estadual Cmara Cascudo. De ampla produo, Zila publicou cinco livros de poesia, reunidos mais tarde numa antologia a que intitulou Navegos. Alm, destes deixou dois estudos, um sobre o poeta maior Joo Cabral de Melo Neto e outro sobre Cmara Cascudo. </p></li><li><p> zeyir Lokman ayci </p><p>Zila, Rosa de Pedra; liquefeita _________________________________ </p><p> por Filipe Mamede </p><p> Em 1953, quando o neo-parnasianismo de 45 espalhava prodigamente suas flores de retrica, Zila Mamede estreou em livro, com Rosa de Pedra. (Nei Leandro de Castro com a devida citao). Comeava ali a trajetria da poeta, como gostava de se intitular. De verso limpo, elegante, despido de exageros e redundncias formais, profundamente ligada ao tema terra-mar-infncia-solido, Zila foi, antes de tudo, uma lutadora. </p><p>7faces Filipe Mamede14 </p></li><li><p> Final da dcada de 50, vindo do Rio de Janeiro Zila trouxe em sua bagagem um diploma de bibliotecria para Natal. Pioneira e combativa, deu incio a um trabalho novo, tcnico e extremamente especializado, encarado por muitos como uma simples atividade de arrumar livros em estantes. Zila parecia falar grego para as pessoas de que dependiam concesses, autorizaes e financiamentos. Mantendo um fino trato com as palavras e com a biblioteconomia, Zila cometia seus versos na mesma medida que organizava os livros. nica bibliotecria da cidade, em 1958, foi nomeada chefe do Servio Central de Bibliotecas. Nessa mesma poca, Salinas; seu segundo livro, repleto de solido e at um certo desespero. A poeta avanava no seu domnio verbal e j incitava um certo apelo telrico. Pouco tempo depois, em 1959, O arado. Considerado um momento alto da poesia brasileira, Zila toma posse da lavra da terra, substitui a vastido envolvente do Atlntico. Nessa hora, a poeta faz do verso o instrumento com que molda os objetos da poesia, tematizando sua infncia de pedra, sertaneja, sua geografia sentimental. O exerccio da palavra viria mais de 15 depois. Esse perodo de latncia, segundo os crticos no deixou o livro impune; peca por falta de unidade, por disperso temtica, mas traz a marca inconfundvel da grande poeta, admirada por nomes como Joo Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Manteve com os dois ltimos, intensa correspondncia. Trs anos se passam e Zila arremata com Corpo a corpo. Definido por ela mesma como uma volta sem mgoa a cada um dos lugares que marcam seu itinerrio potico. O mar foi um captulo parte na vida de Zila. Exercia um verdadeiro fascnio desde sua infncia, mesmo no tendo visto. As crianas que voltavam de suas frias beira-mar relatavam seus episdios praieiros. A Zila, s restava imaginar. Certa vez, viajando para Recife, viu uma superfcie ondulada, que se movimentava ao sopro do vento. Perguntou ao pai se era o mar. No. Era um canavial. Poucas horas depois a menina de 12 ou 13 anos estaria em frente ao oceano. Desde ento o mar passou a ter presena contnua. Todas as manhs a poeta caminhava na Praia do Forte e dedicava alguns minutos prtica da natao. At que em 13 de dezembro de 1985 Zila mergulharia para sempre. Foi levada pelo mar que tanto tematizou em sua lrica. Corajosa e precursora, tornou-se, merecidamente, um dos maiores nomes das letras potiguares. Mesmo nascida na Paraba, foi no Rio Grande do Norte onde Zila traou suas linhas. </p><p>7faces - Filipe Mamede15 </p></li><li><p> 7vozes, 15poemas </p></li><li><p>Jaci Leal Santana Rio de Janeiro, RJ jacilealsantana@yahoo.com.br </p><p> Osis Tropical; Funda ausncia; As amazonas O retorno </p><p> Em 2007, Jaci Santana teve seu livro Amor, Sexo e Poesia, editado pela Litteris Editora. Participou do Dirio do Escritor, entre os anos de 2006 e 2009, tambm pela Litteris. Tem poesias no sites Garganta da Serpente, Blocos, Luso Poemas, Sonetos, Jornal de Ville e na Antologia Canta Brasil, de Letras de Msica, pela Litteris . </p></li><li><p>Osis Tropical negro osis dos meus encantos! Ostentado de cristalinos diamantes, s frtil at onde finda o areal. Em ti pousei os ps, E na imensido de tuas entranhas me acolheste. Quando a noite fez-se anunciar, furtivo, um manto negro caiu , suavemente, envolvendo-me o corpo. E como a um filho esquecido pelo mundo, refestelado, abracei-te em mimos. E em longos tapetes em ti ornados, adormeci, At que a aurora festejasse em cnticos, um novo romper do dia. Perscrutei aquele intocvel solo, E vislumbrei a opulncia de tuas formas. O orvalhar matinal descortinava o horizonte. O vento, no arfar de uma brisa que soprava do sul, Despertou-te, serena. E o resplendedor de tua relva, musgosa, transfigurou a paisagem diurna, deixando-te plena em virtudes. E l estava Eu!...Um desconhecido! Um profano a tocar-te o seio. ! templo de rara beleza! s formosa, E em teu leito repousarei por mais um dia. </p><p>7faces Jaci Santana 18 </p></li><li><p>Funda Ausncia Este teu rosto de porcelana, cultivado como a um cristal polido em seda, na moldura me incendeia em lnguido e suave olhar fatal. Em dbil demonstrao de amor, fito este olhar de beleza triunfal, e arranco meu corao e dou-te em holocausto. Vem! Toma-o em tuas mos! antes que pare de por ti pulsar. Mas j tarde... Muito tarde, e estes teus olhos, que inda me lembro faz tempo Vestia-me a alma de ternura. E nestas horas em que me encontro com o pensamento em ti repousar, funda a tua ausncia, mais fundo ainda, meu desespero. Mas guardo-te com tanto zelo, que de mim esqueo o viver. Quando ausente em minha peregrinao noturna, e a lua vem banhar-me com sua luz fecunda, causa-me uma amarga saudade tua, e j no sinto o gozo de sentir o vu da noite, acariciando meu rosto, nem fixar o olhar no horizonte, e ouvir o marulhar das ondas adormecidas no oceano. Vivo mergulhada em sombras, eternas sombras de um passado que j foi teu. </p><p>7faces Jaci Santana19</p></li><li><p>As Amazonas O retorno </p><p>Mulheres guerreiras. Aventureiras. Maestrinas. Mulheres sonhadoras. Romnticas. Sensveis. A Amazonas Que transitam pela vida Entre engdos e utopias. Travando batalhas Com o mundo que as humilham. Que constroem alicerces Para esta nova mulher Que surge com f, Nas grandes metrpoles, Demarcando seu espao. Deixando sua marca. -Seu signo- Seu valor. Seu compromisso. O talento que as enobrece. No cuidado com seu ninho. Com seus filhos. Consigo mesma, Sem deixar a leveza, De ser mulher. Me. Amante. Porque Deus a fez assim... </p><p>7faces Jaci Santana20 </p></li><li><p>Rodrigo Srvulo Natal, RN rodrigoservulo@gmail.com engenharialaranja.blogspot.com </p><p> Contra(verso), Contraveno; Poema de duas faces; Essncia. </p><p>Rodrigo Srvulo estudante de Cincias Sociais pela Universidade Federal do Rio </p><p>Grande do Norte (UFRN), alm disso um dos editores da revista de arte, filosofia e </p><p>cincias humanas BULA+ (CCHLA-UFRN). </p></li><li><p> (Contra)verso, contraveno </p><p>Cumpre-sescrever organismo-poitico </p><p>: </p><p>(ex)orbitar, desa(bi)tar o lar </p><p>do falar, </p><p>como se no fosse nada </p><p>- (uni)verso (per)verso (di)verso (in)verso - </p><p>repetititivas - re-peties (or)nadas </p><p>- desculpas fundamentadas nos (a)versos do falar - </p><p>Dizer o que se quer no no-dizer </p><p> falar, </p><p>no-dizendo? </p><p>- o que quer isso dizer? - </p><p>contra-dizer o que (r)atos em (pr)atos </p><p>(ro)eram </p><p> dilaceraram, sem falar; </p><p>contra-dizer o mar, como o suicida </p><p>que se afogou, mas sem querer-morrer; </p><p>contra-dizer o dito que no- </p><p>no-foi, nunca-ser </p><p>no </p><p>deixar </p><p>se </p><p>de </p><p>ser... </p><p>Cumpre-sescrever mesmo no no-dizer </p><p>- o medo do silncio nos obrigam a falar </p><p>mesmo que nada tenhamos para, </p><p>mesmo que falemos do no-falar, </p><p>mesmo que no falemos... </p><p>7faces Rodrigo Srvulo22 </p></li><li><p>Poema de duas faces </p><p>- qual lao prende as palavras s coisas </p><p>que trao representando situaes amorfas </p><p>- como sentar sobre os prprios dentes </p><p>como morder nossa prpria bunda - </p><p>no exilam ns ausentes, redes armadas </p><p>em artrias de corpos ao avesso, </p><p>coisas no ditas, que s por ns saberemos? </p><p>7faces -Rodrigo Srvulo23 </p></li><li><p>Essncia </p><p>Seja qualquer a inteno de se fazer o exato </p><p>com caneta pedra martelo veneno ou plvora. </p><p>Seja ainda a diagramao de um ato </p><p>com fitas mtricas prvios esboos; </p><p>ainda que tudo seja premeditado </p><p>almejado ou estabelecido; </p><p>ainda que seja tudo isso a que exista, </p><p>rios com margens oceanos me...</p></li></ul>