caderno profissao cientista

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A 27 de Novembro de 2005, o jornal Público apresentou, juntamente com a sua edição de domingo, o caderno “Profissão Cientista: Retrato de uma geração em trânsito”. O trabalho desenvolvido pela equipa da Viver a Ciência destacou o retrato de 14 jovens cientistas portugueses em início de carreira (até aos 40 anos), tendo sido distribuído gratuitamente pelo diário, numa escala de tiragem na ordem dos 80 mil exemplares.O "Profissão: Cientista" surgiu da vontade dos cientistas comunicarem o que fazem, indo para além dos seus Laboratórios e Institutos. Nele revelam-se trabalhos de grande genialidade, mas pouco conhecidos do público em geral. Trabalhos com impacto no nosso dia-a-dia e trabalhos muito promissores, que geram grandes expectativas futuras. Por todas estas razões e mais algumas, colocam Portugal no mapa de uma ciência competitiva e de qualidade, a qual não deixa, nem poderá deixar de ser, cada vez mais internacional. Os cientistas - os homens e mulheres desta geração que está, por natureza em trânsito – estão cá, por vezes lá, saltitando entre laboratórios, projectos, temas e bolsas. São pessoas comuns, curiosas, interessantes e interessadas, viajadas, lutadoras, que acreditam e trabalham.O "Profissão: Cientista" revela trabalhos de grande genialidade, mas pouco conhecidos do público em geral, apresentando-os numa linguagem acessível a todos. As temáticas vão desde a conservação da natureza à evolução do Universo e aos mecanismos da memória. Das moscas “telecomandadas” à utilização da matemática na luta contra doenças infecciosas, passando pela explicação para o facto de Vénus girar “ao contrário". Fála-se das partículas mais elementares que “surfam” o plasma, dos embriões de galinha que nos ensinam sobre o nosso próprio desenvolvimento, dos segredos da divisão celular e da evolução genética oculta nos padrões das asas das borboletas.

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  • 1.

2. Coordenao editorial: Joana Barros FICHA TCNICA Coordenao da equipa: Margarida Trindade Adjunta da coordenao editorial: Rita Car Concepo do Projecto: Antnio Jacinto, Sheila Vidal, Julie Contreras e Ana Paula Coutinho Interface com a Comisso Europeia: Sheila Vidal Redaco de textos e entrevistas: Joana Barros, Margarida Trindade, Vtor Faustino e Rita Car Fotograa e ilustrao: Consultar legendas das imagens Reviso de textos: Ana Coutinho, Leonor Sade, Paula Macedo e Sheila Vidal Reviso cientca: Investigadores dos trabalhos em destaqueDesign e projecto grco: Atelier Formas do Possvel (www.formasdopossivel.com) Ilustrao dos cientistas: Rodrigo Prazeres Saias Impresso e acabamento: M2, artes grcas Os contedos desta publicao so da exclusiva responsabilidade da Associao Viver a Cincia e no representam em nenhuma circunstncia a posio ocial da Comisso Europeia, sendo que esta no se responsabiliza por qualquer uso posterior desta informao. Reservados todos os direitos de acordo com a lei.Edio da Associao Viver a Cincia Edifcio Egas Moniz, Sala B-P3-40 - Av. Prof. Egas Moniz -1649-028 Lisboa Tel. +351 217 999 513 Tm. +351 965 847 410 E-mail: info@viveraciencia.org Website: www.viveraciencia.orgTiragem: 80 000 exemplares Novembro de 2005Distribuio gratuita com o jornal Pblico e disponibilizao em formato digital em www.viveraciencia.org Verso dos contedos em lngua inglesa disponvel em www.viveraciencia.org Traduo para ingls: Julie Contreras 02 | 03 PGINA 3. ndice 02Prefcio04 Nota de abertura 05Cientistas Ana Rodrigues08 UM PLANETA PARA TODOSAlexandre Correia 10 NA PRAIA, EM VNUS Gabriela Gomes 12 A MATEMTICA NA LUTA CONTRA AS INFECES Joo Coutinho14 DO FUNDO DO MARIsabel Palmeirim16O RELGIO Lus Oliveira Silva18O QUARTO ESTADO DA MATRIA Helder Maiato20O MILAGRE DA MULTIPLICAOMiguel Sousa Costa22 BIG? BANG. BURACOS NEGROS! Rui Loja Fernandes 24O ARTISTA SOLITRIOPatrcia Beldade26GENES E ASAS DE BORBOLETA Susana Lima28MOSCAS OBEDIENTES Ana Cannas da Silva30 AGARRANDO O ESPAOMiguel Remondes 32 OS CAMINHOS DA MEMRIAMiguel Castanho 34PARA L DO VISVELAgradecimentos36 4. PROFISSO: cientistaRetratos DE UMA GERAO EM TRNSITOprefcio04 | 05 PGINA 5. Os grandes avanos da cincia so, em geral, feitos por jovens. Em 1905, h cem anos, o jovem Einstein tinha apenas 26 anos mudava as nossas ideias sobre a natureza da luz, sobre a constituio do mundo, sobre as proprie- dades do espao e do tempo e ainda sobre a natureza da matria e da energia. Foi um vendaval de ideias revolucionrias que a experincia veio conrmar! Mas, tendo em jovem sido o pai da teoria quntica, Einstein viria a distanciar-se dela. Foi ultrapassado por novos jovens: em 1925, um pequeno grupo onde pon- ticavam Heisenberg, com 24 anos, e Schredinger, com 28 anos, estabeleceu a Fsica Quntica que tem vindo a descrever correctamente o mundo atmico e que nos trouxe, entre outros, o computador e a Internet. Fizeram-no subindo aos ombros de Bohr, nessa altura com 40 anos, mas que tinha proposto o seu modelo do tomo com apenas 28 anos. Bohr props a alguns dos seus alunos que tentassem compreender o que era a vida. Foi a origem da Biologia Molecular, que logo se revelou uma nova fronteira da cincia e que veio mudar as nossas vidas. Crick tinha 37 anos em 1953 quando identicou a estrutura molecular do DNA, juntamente com o seu amigo Watson, ento com 25 anos. No s na Fsica, na Qumica e na Biologia que ser jovem um trunfo: tambm o em Matemtica. Em 1993, Wiles, ento com 40 anos, anunciou que tinha demonstrado o famosssimo ltimo teorema de Fermat. Foi por pouco que no ganhou a medalha Fields, a maior distino em Matemtica, dada apenas a mate- mticos com menos de 40... Os jovens so, na cincia, uma inesgotvel fonte de criativi- dade. So eles os autores de novas ideias e feitores de novas obras, os perma- nentes construtores do futuro. Em todo o mundo e tambm, obviamente, entre ns. A jovem Associao Viver a Cincia (com apenas um ano mas a quem se augura um longo e brilhante futuro) fez por isso muito bem em ter escolhido catorze jovens cientistas portugueses para apresentar o que de melhor, de mais criativo e inovador, se faz na cincia portuguesa. Trata-se apenas de alguns exemplos porque vrios outros, nas disciplinas escolhi- das ou noutras, poderiam ter surgido. O principal recurso de um pas em busca do desenvolvimento a sua massa cinzenta. Felizmente, como mostra este caderno, isso no nos falta. Falta-nos acarinh-la mais. Temos de dar a estes e a outros jovens as oportunidades e os meios que eles claramente merecem. Nos dias de hoje, em que a riqueza provm do conhecimento, incentivar e apoiar a prosso de cientista uma obrigao nacional. A cincia poder ser cara, mas a ausncia de cincia muito mais cara. Atrasar ou interromper o caminho que estes jovens esto a tra- ar signicaria atrasar ou interromper o futuro. Eles esto em trnsito e ns com eles em direco ao futuro.Carlos Fiolhais 6. PROJECTOS ...:::::::::::::://////////////////: Licenciatura em Biologia-Recursos Faunsticos e Ambiente, Faculdade de Cincias da Universidade de Lisboa, Mestrado em Matemtica Aplicada s Cincias Biolgicas pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade Tcnica de Lisboa Doutoramento em Biologia da Conservao pela Universidade de Sheeld, Reino Unido. nota de aberturaPROFISSO: CIENTISTA. RETRATOS DE UMA GERAO EM TRNSITO 06 | 07 PGINA 7. Este caderno surge da vontade dos cientistas comunicarem o que fazem, indo para alm dos seus La- boratrios e Institutos. Revela trabalhos de grande genialidade, mas pouco conhecidos do pblico em geral. Trabalhos com impacto no nosso dia-a-dia e trabalhos muito promissores, que geram grandes expectativas futuras. Por todas estas razes e mais algumas, colocam Portugal no mapa de uma cincia competitiva e de qualidade, a qual no deixa, nem poder deixar de ser, cada vez mais internacional. Os cientistas - os homens e mulheres desta gerao que est, por natureza em trnsito esto c, por vezes l, saltitando entre laboratrios, projectos, temas e bolsas. So pessoas comuns, curiosas, interes- santes e interessadas, viajadas, lutadoras, que acreditam e trabalham. Vai valer a pena conhecer-(nos)! Quando a Associao Viver a Cincia uma associao sem ns lucrativos criada por cientistas em 2004 aceitou o desao de levar avante este projecto, deparou-se com inmeras diculdades. Como escolher? Quem escolher? Que temas escolher? Teve por isso que estabelecer critrios e tomar decises. Decidimos mostrar aqui um conjunto de descobertas cientcas recentes, feitas por cientistas portugue- ses, abrangendo reas tais como as Cincias da Vida, a Qumica, a Fsica e a Matemtica. Deparmo-nos com casos em que esta classicao foi difcil de aplicar, porque a cincia moderna cada vez mais mul- tidisciplinar e a arte do cientista est, muitas vezes, em ligar dois ramos do saber at ento separados. Quisemos tambm escolher cientistas em incio de carreira at aos 40 anos procurando um equil- brio de pers, alternando entre o jovem cientista promissor e o lder de grupo embrenhado na aventura de ter a sua prpria equipa de investigao. Procurmos casos de cientistas que decidiram voltar a Portugal, aps longos perodos no estrangeiro. E tambm histrias de cientistas que nunca sentiram a necessidade de sair, mas que nem por isso deixa- ram de estar em contacto com o que se faz de melhor nas suas reas no estrangeiro. E casos de cientistas que nunca iro voltar. Porque estes so os dilemas com que se confrontam todos aqueles que se movem pelo desejo de fazer cincia. Consultmos a prpria comunidade cientca para que nomeasse, dentro das respectivas reas, os tra- balhos que mais se distinguissem. Consultmos jornalistas de cincia. Pesquismos a Internet e fomos utilizadores incansveis dos programas que nos ajudam a encontrar as publicaes mais citadas por colegas cientistas, os artigos mais recomendados, os cientistas mais premiados enm, aqueles que marcam a cincia actual. Fomos auxiliados por um grupo de personalidades do mundo da cincia, que nos garantiram a excelncia cientca e o impacto a nvel internacional de cada um dos trabalhos aqui apresentados. Muitas outras (tantas) histrias caram de fora, o que signica que teremos material para voltarmos a pblico com Prosso: Cientista II, III Conceber, pesquisar e elaborar este caderno foi um prazer para todos os envolvidos. Quisemos partilhar consigo o nosso entusiasmo pela cincia feita em portugus. Aqui est o resultado. Resta que o aprecie.Joana Barros e Margarida TrindadeAssociao Viver a Cincia 8. ID_Ana RodriguesPASSAPORTENOMEIDADE NOMEPERCURSO ACTUALMENTEAna RodriguesTEMPOS-LIVRES SABER MAISLicenciatura em Biologia-Recursos Faunsticos e Ambiente,Faculdade de Cincias da Universidade de Lisboa, Mestradoem Matemtica Aplicada s Cincias Biolgicas peloIDADEInstituto Superior de Agronomia da Universidade Tcnicade Lisboa Doutoramento em Biologia da Conservao pelaUniversidade de Sheeld, Reino Unido.32 anos PERCURSO1996 - Licenciatura em Biologia na Faculdade de Cincias da Uni-versidade de Lisboa1999 - Mestrado em Matemtica Aplicada s Cincias Biolgicas noInstituto Superior de Agronomia da Universidade Tcnica de Lisboa2002 - Doutoramento em Biologia da Conservao na Universidadede Sheeld, Reino Unido2002-2005 - Investigadora na Organizao No-Governamental,Conservation International em Washington DC, EUAACTUALMENTEA viajar pelo Brasil e Tailndia. Em Janeiro inicia um ps-douto-ramento na Universidade de Cambridge, Reino Unido TEMPOS-LIVRESPassar tempo com amigos em algum lugar com muito verde SABER MAIS...Lista vermelha do IUCN - www.iucnredlist.orgBiodiversity hotspots - www.biodiversityhotspots.orgGlobal amphibian assessment - www.globalamphibians.orgBirdLife International - www.birdlife.org 01. Orqudea, Ophrys ciliata Humberto Grcio02. Insecto Susana Aranha 08 | 09 PGINA 9. PROJECTOS ////////////////// PROJECTO Licenciatura em Biologia-Recursos Faunsticos e Ambiente, Faculdade de Cincias da Universidade de Lisboa, Mestrado em Matemtica Aplicada s Cin