Caderno MÍDIA & SAÚDE PÚBLICA - ESPMG

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Health & Medicine

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com grande satisfao e sentimento de co-responsabilidade na construo de um Sistema nico de Sade (SUS) capaz de dialogar abertamente com a sociedade que lanamos o II Seminrio Mdia e Sade Pblica: Comunicao em Sade pela Paz, da qual resulta a produo do Caderno Mdia e Sade Pblica II. A publicao, assim como no ano anterior, rene artigos e relatos de prticas em comunicao e sade e mobilizao social apresentados pelos palestrantes nos dois dias de Seminrio. A iniciativa tem como objetivo promover a reflexo sobre o papel da mdia no sistema de defesa sanitria ancorado nos princpios ticos, na cidadania e no controle social. Entendemos que a promoo da sade, articulada com o conceito de sade ampliada, est intimamente ligada aos fatores ambientais, sociais e culturais. Neste ano, algumas novidades: a apresentao do Coral dos Idosos da Associao dos Funcionrios Aposentados de Minas Gerais (AFAEMG), a apresentao da pea A revelao do Grupo Teatral Sade em Cena da Secretaria de Estado da Sade de Minas Gerais e o lanamento do livro Rdio Favela escuta a mulher de Marisa Sanabria, mestre em Filosofia pela UFMG, alm da participao dos Doutores da Alegria e um bate-papo com o idealizador do Projeto Manuelzo. No caderno, o leitor ter a oportunidade de ampliar os conhecimentos adquiridos no Seminrio, por meio dos artigos sobre: medicamentos e mdia, controle social, popularizao da sade na internet, judicializao, acolhimento, meio ambiente, cultura de paz e no-violncia, AMAMENTAO, PATERNIDADE e violncia. A escolha dos temas revela uma parte da dimenso e dos inmeros desafios para o fortalecimento e defesa do Sistema nico de Sade. Desejamos que voc encontre neste caderno inspirao para novas realizaes e reflexes para o exerccio profissional no dia-a-dia. Boa leitura! Adriana Santos

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<ul><li> 1. mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:281 </li></ul><p> 2. mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:282 3. mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:283 4. mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:284 5. APRESENTAO....................................................................................................... 7 EDITORIAL................................................................................................................. 9 ARTIGOS A BESTEIROLOGIA E SEUS EFEITOS COLATERAIS....................................................... 13 Wellington Nogueira O IMAGINRIO DO PROJETO MANUELZO.................................................................. 17 Apolo Heringer Lisboa COMUNICAO, EDUCAO E PROMOO DA SADE NA INTERNET....................... 37 Nilton Bahlis dos Santos JUDICIALIZAODASADE........................................................................................ 49 Antonio Joaquim Fernandes Neto VIOLNCIA DA PRODUO DA INFORMAO COMUNICAO NA MDIA.............. 53 Kathie Njaine SADE, CULTURA DE PAZ E NO-VIOLNCIA ........................................................... 61 Rose Marie Inojosa MDIA, CONTROLE PBLICO E CIDADANIA ................................................................. 71 Valdir de Castro Oliveira MEDICAMENTO, COMUNICAO E CULTURA............................................................. 81 Marilene Cabral do Nascimento PRTICASEMCOMUNICAOEMSADE ALEITAMENTO.COM.................................................................................................... 99 Marcus Renato de Carvalho SUMRIO mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:285 6. 6 HOSPITALALEGRE.......................................................................................................105 Christina Marandola POR UMA COMUNICAO MAIS ACOLHEDORA: PRTICAS E DESAFIOS DA ASSESSORIA DE COMUNICAO SOCIAL DA ESP-MG....................111 Adriana Santos DE PORTA EM PORTA: A EXPERINCIA DAS AGENTES COMUNITRIAS DE SADE DO BAIRRO HELIPOLIS, EM BELO HORIZONTE, NA CONSTRUO DA CULTURA DE PAZ E NO-VIOLNCIA....................................... 123 Daniela Venncio e Marina Queiroz mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:286 7. 7 Caderno Mdia e Sade Pblica II A comunicao agente indutor de desenvolvimento sustentvel e transformao de antigos paradigmas com relao ao processo sade-adoecimento. Nesse sentido, o Sistema nico de Sade (SUS), como poltica do Estado brasileiro para a melhoria da qualidade de vida, na perspectiva da sade ampliada, deve encontrar mecanismos de aproximao e fortalecimento das relaes sociais, por meio de uma comunicao transparente, objetiva, direta, multicultural, criativa e libertadora. Entender como a sociedade produz e se relaciona com as novas formas de media- o, em especial as eletrnicas, cada vez mais necessrio para a promoo e para o fortalecimento das polticas de sade. No entanto, devemos incentivar tambm as prticas interpessoais de comunicao, envolvendo agentes comunitrios, mdicos, enfermeiros, gestores e demais profissionais de sade, com o objetivo de atuar na cultura de paz que tanto desejamos. Com o objetivo de promover a reflexo sobre o papel da mdia no sistema de defesa sanitria e sobre as formas mais acolhedoras de comunicao, a Escola de Sade Pblica do Estado de Minas Gerais realiza o II Seminrio Mdia e Sade Pblica de Minas Gerais: Comunicao em Sade pela Paz. E como extenso dos debates e trabalhos apresentados, lanamos o Caderno Mdia e Sade Pblica II. Este caderno foi elaborado com a finalidade de oferecer algumas reflexes em relao comunicao em sade de forma a facilitar a prtica diria dos profissionais que atuam no SUS. Com uma linguagem acessvel, disponibiliza instrumentos e pro- move discusses atualizadas no sentido de auxiliar a adoo de uma comunicao mais efetiva. Rubensmidt Ramos Riani Diretor Geral APRESENTAO mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:287 8. 8 mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:288 9. 9 Caderno Mdia e Sade Pblica II com grande satisfao e sentimento de co-responsabilidade na construo de um Sistema nico de Sade (SUS) capaz de dialogar abertamente com a sociedade que lanamos o II Seminrio Mdia e Sade Pblica: Comunicao em Sade pela Paz, da qual resulta a produo do Caderno Mdia e Sade Pblica II. A publicao, assim como no ano anterior, rene artigos e relatos de prticas em comunicao e sade e mobilizao social apresentados pelos palestrantes nos dois dias de Seminrio. A iniciativa tem como objetivo promover a reflexo sobre o papel da mdia no sistema de defesa sanitria ancorado nos princpios ticos, na cidadania e no controle social. Entendemos que a promoo da sade, articulada com o conceito de sade ampliada, est intimamente ligada aos fatores ambientais, sociais e culturais. Neste ano, algumas novidades: a apresentao do Coral dos Idosos da Associa- o dos Funcionrios Aposentados de Minas Gerais (AFAEMG), a apresentao da pea A revelao do Grupo Teatral Sade em Cena da Secretaria de Estado da Sade de Minas Gerais e o lanamento do livro Rdio Favela escuta a mulher de Marisa Sana- bria, mestre em Filosofia pela UFMG, alm da participao dos Doutores da Alegria e um bate-papo com o idealizador do Projeto Manuelzo. No caderno, o leitor ter a oportunidade de ampliar os conhecimentos adquiridos no Seminrio, por meio dos artigos sobre: medicamentos e mdia, controle social, popularizao da sade na internet, judicializao, acolhimento, meio ambiente, cul- tura de paz e no-violncia, amamentao, paternidade e violncia. A escolha dos temas revela uma parte da dimenso e dos inmeros desafios para o fortalecimento e defesa do Sistema nico de Sade. Desejamos que voc encontre EDITORIAL mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:289 10. 10 neste caderno inspirao para novas realizaes e reflexes para o exerccio profissio- nal no dia-a-dia. Boa leitura! Adriana Santos Assessora de Comunicao Social Escola de Sade Pblica do Estado de Minas Gerais mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:2810 11. 11 Caderno Mdia e Sade Pblica II mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:2811 12. 12 mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:2812 13. 13 Caderno Mdia e Sade Pblica II Este um texto inspirado em 16 anos de experincia na rea da besteirologia, a sutil arte de levar alegria a crianas hospitalizadas, seus pais e profissionais de sade atravs da arte do palhao e das tcnicas circenses, em carter profissional. Essa a misso dos Doutores da Alegria; portanto, todas as observaes aqui contidas so oriundas de percepes e constataes que, como artista dentro do hospital, aprendi a juntar no fazer dirio de desenvolver e refinar essa forma de expresso artstica para torn-la uma profisso de futuro. Por que o palhao entrou no hospital? Porque a porta estava aberta! Ser curioso que , o palhao precisa do outro para existir, para que possam brin- car juntos. Aps quase trs sculos de confinamento espontneo sob as lonas dos circos, no final do sculo passado mais precisamente 1986, em Nova Iorque, no Hospital da Universidade de Columbia , o palhao pega todo o refinamento e apren- dizado amealhado nesse perodo de trabalho circense e sai em direo ao mundo para retomar o contato prximo com o ser humano. E entra no hospital, nas alas peditri- cas, para interagir com as crianas, seus pais e profissionais de sade. Inteligente que , o palhao no invade o local, ele se integra a ele, se colocando no lugar da figura de maior autoridade reconhecida pelo pblico, o mdico; se existe um oncologista, um gastroenterologista, por que no um besteirologista? E assim, misturando-se com a paisagem, o besteirologista vai exercer a medicina da forma que ele a conhece: atravs dos transplantes de nariz vermelho e das cirurgias para extrao de chul en- cravado, entre outros procedimentos. Enquanto a medicina cuida do corpo, a besteiro- logia trabalha com a veia cmica. A BESTEIROLOGIA E SEUS EFEITOS COLATERAIS Wellington Nogueira* * Coordenador geral Doutores da Alegria. mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:2813 14. 14 Em suma, o palhao entrou no hospital para fazer o que sabia fazer melhor: levar alegria. Ao faz-lo com mtodo, treinamento e regularidade, foi possvel observar que os pacientes reagiam bem s interaes, bem como seus acompanhantes, familiares e profissionais de sade. O encontro com cada pessoa um espetculo com comeo, meio e fim; afinal, o palhao quando aparece, d a licena para o jogo ocorrer e nesse momento que, um mdico pode como j ocorreu em um dos hospitais onde trabalhamos se sentir vontade para emprestar o violo de um palhao e fazer uma breve serenata para um jovem paciente, surpreendendo a todos ao revelar um lado que normalmente no aparece no dia-a-dia de seu trabalho com o pblico do hospital. A partir de experincias como essa, ao fazermos reunies de avaliao sobre o trabalho do besteirologista nos hospitais onde atuvamos, ouvamos expresses como a alegria humaniza o ambiente hospitalar; assim, percebemos o termo humanizar tornando-se cada vez mais popular e disseminado, gerando o conceito de humaniza- o hospitalar, uma espcie de onda que virou movimento forte, culminando em um programa nacional do Ministrio da Sade em 1999. Como besteirologista, meu diagnstico para esse fenmeno : a rea da sade reagiu experincia da alegria tal qual uma criana que, entrando em contato com seu lado mais saudvel, resgata o controle sobre seu corpo, sua vida e encontra, em si prpria, a fora para promover mudanas; nesse caso, tornar o ambiente de trabalho mais leve, acolhedor ou divertido. Por outro lado, o termo humanizao hospitalar gera alguma controvrsia, uma vez que no existe uma definio clara ou um padro bsico que especifique o que , efetivamente, humanizar; por sua vez, o termo significa tornar humano, mas... no somos todos seres humanos dentro do hospital? O ser humano motivado tem a vonta- de de promover mudanas; o ser humano inspirado por exemplos concretos bem- sucedidos no descansa enquanto no promover as mudanas que envisiona e deseja. Ao mesmo tempo, a realizao das mudanas envolve, normalmente, um processo que comea com o que mais fcil de dominar: o discurso! Por exemplo, A partir de agora, vamos humanizar esse local! Em seguida ao domnio do discurso, domina-se a mudana fsica dos ambientes, com pintura, uso de cores, brinquedos e mobilirio. Mas as mudanas mais profundas, como as de conduta e cultura, demandam tem- po para se tornar assimiladas e orgnicas. Se olharmos para o movimento chamado humanizao como uma ao propositora de mudanas na rea da sade, o que realmente queremos mudar? Os espaos fsicos ou as prticas mdicas? Pode-se, nes- se processo, buscar uma re-significao do papel do mdico e do profissional de sade? mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:2814 15. 15 Caderno Mdia e Sade Pblica II Promover mudanas nos processos de sua formao acadmica? Seus propsitos face s demandas sociais e econmicas de hoje? Entender qual a sade que queremos e buscamos? Qual o nosso olhar para a instituio hospitalar? A estrutura que hoje conhece- mos como hospital teve incio nos campos de guerra com forte hierarquizao e na religio, uma vez que era tambm considerado um lugar de acolhimento de necessita- dos para uma morte mais tranqila e salvao de almas. Quais foram as mudanas que ocorreram nessa estrutura de l para c? Ser que poderamos repensar o hospital de maneira radical, bem como sua razo de ser, seu propsito, num mundo que culti- va cada vez mais doenas em suas relaes com a vida? Recentemente curiosamente, num Congresso de Humanizao Hospitalar tive a oportunidade de ouvir o relato de experincia de um hospital pblico que, situado numa regio de extrema violncia e pobreza numa capital da regio Sudeste, repensou seu papel e abriu espao em suas dependncias para o cultivo de uma horta comuni- tria, e para aulas de alfabetizao noturna, fazendo um movimento de aproximao com a comunidade. Como resultado, o hospital passou a ser olhado pela comunidade como um local de convergncia e construo de melhorias, os atos de vandalismo cessaram e a comunidade passou a cuidar do hospital. Um cuidou do outro, e o hos- pital acabou por curar uma comunidade inteira. No Nepal, um hospital pblico totalmente auto-sustentvel foi construdo por uma comunidade e o nico a no fechar as portas em um momento de crise. A meu ver, essas histrias apontam caminhos e oferecem belas provocaes no sentido de olharmos com novos olhos essa instituio, os ofcios ligados ela, o que entendemos por sade e como trat-la. Ancestralmente, os arqutipos do palhao e do curador sempre cruzaram cami- nhos em diversos momentos da histria. Como besteirologistas, aprendemos com as crianas que ALEGRIA o resultado de uma comunicao bem-estabelecida, com base em entender a necessidade do outro e agir para supri-la. Dessa forma, o que podemos aprender nos encontros entre crianas, palhaos, mdicos e profissionais de sade no hospital? Leituras recomendadas Solues de Palhaos Transformaes na Realidade Hospitalar de Morgana Masetti Boas Misturas A tica da Alegria no Contexto Hospitalar de Morgana Masetti mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:2815 16. 16 mdia e sade pblica II - 200907.pmd 29/2/2008, 12:2816 17. 17 Caderno Mdia e Sade Pblica II Histrico Manuelzo se entusiasmou com a idia de emprestar seu nome a um projeto ambien- tal. E o fez por amor natureza, por gostar de participar de reunies, fazer amigos, contar histrias e viajar. Participou de muitas reunies do Projeto Manuelzo, orgulhoso como membro e patrono. Foi sua segunda festa de amor, do serto da Samarra, perto da barra do Rio de Janeiro, pequeno afluente do Rio das Velhas, ao campus da Universidade Federal de Minas Gerais, que o reconheceu patrono. Vivera no serto mineiro, conhecendo o Cerrado antes dos cortes para a produo do carvo das usinas siderrgicas e do desmata- mento generalizado para o plantio de eucaliptais, soja e outras monoculturas extensivas. Abominava esse tipo de progresso sem conservao, que aniquila as veredas, a fauna das gerais, desfigurando suas caractersticas naturais e o modo de vida sertanejo. A linguagem de outro sertanejo, Joo Guimares Rosa, toda impregnada da relao homem-natureza, e o contador de histrias Manuelzo materializava essa situao e linguagem. Conheceu veredas no grande serto e a fora das guas do So Francisco com seus peixes, e no aceitava a destruio desses ecossistemas. Na bacia do Rio das Velhas viveu em Buenpolis, Corinto, Cordisburgo, mas transitou muito mais, e atri- bua capital de Minas a razo de tanta poluio das guas do mais importante afluente do So Francisco. Percebeu que seu nome seria uma bandeira de uma causa boa e estava feliz quando a morte o levou no dia 5 de maio de 1997, com quase 93 anos; nascera no dia 6 de julho de 1904 no distrito de Sade, hoje Dom Silvrio, Zona da Mata mineira. nico vaqueiro velado no salo de reunies da Congregao da Faculdade de Medicina da UFMG, instituio que conferiu a Guimares Rosa o diplo...</p>