caderno linha azul 23 de janeiro 2015

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Jornal O Estado (Ceará)

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  • Linha Azul FORTALEZA - CEAR - BRASILSexta-feira, 23 de janeiro de 2015

    (SALMOS 6.9)

    IRATU FREITAS

    O Senhor j ouviu a minha splica, o Senhor aceitar a minha orao

    A Igreja - patrimnio histrico do Estado - foi construda em 1730, em tapa por negros da irmandade Nossa Senhora do Rosrio, poca em que existia separao de raas e classes sociais nos templos religiosos. Era espao ex-

    clusivo dos negros, at ser usada como matriz entre 1821 e 1854. O templo fica localizado na Praa General Tibrcio(Praa dos Lees), prximo ao Pa-lcio da Luz - atual Academia Cearense de Letras e antiga sede do Governo local. O local concentrou grande nmero de sepultamentos no sculo XIX

    todos sem identificao, a no ser o do Major Facundo, que foi sepultado em p, numa parede lateral, justamente para ficar de frente pro Palcio da

    Luz. Tombado em 1986, o espao foi totalmente recuperado em 2000.

    Igreja do Rosrio

  • 2LINHA AZUL

    E D I TO R A: Wanda Palhano C O O R D E N A O G E R A L :

    Soraya de Palhano COLABORAO: Iratu Freitas PROJE TO: Kelton Vasconcelos DIAGRAMAO E ARTE FINAL: J. Jnior e Rafael F. Gomes

    EXPEDIENTE

    Outro dia falava com uma amiga sobre a questo do medo. E, conclumos que mesmo com maturidade e tantos outros ensinamentos adquiridos com a passagem do tempo, no conseguimos nos libertar do medo. comum adiar projetos por no ter segurana sufi ciente, isso ter medo. Parece ser mais natural deixar se levar pelas guas., mesmo que saibamos nadar, evita-mos mudar o percurso. Por conta dessa resistncia o que no poderia ser sofrimento, passa a ser. E, o tempo vai passando e , seguimos carregando nossos medos. Muitas vezes quando nos damos conta de que est na hora de chutar o balde, pode ser tarde demais. aquela histria defendida por Jos Saramago ,no tenhamos pressa, mas no percamos tempo. A vida breve. Pense nisso!

    CONVERSANDO A GENTE SE ENTENDE

    O mundo inteiro um palco, disse Shakespeare.

    E, foi com o cenrio de uma tragdia que 2015 nos abriu suas cortinas no dia 15 de janeiro e nos brindou com este triste ato.

    2014 foi um ano amigo e tranquilo. Nenhuma intemprie surgiu no horizon-te de nossas vidas. De repente chega 2015 e inesperadamente invade nossas vidas jorrando uma surpresa dolorosa e jamais imaginada por nenhum de ns.

    Dentro de poucos minutos perdemos uma pessoa super amada! Amada pela sua alegria, pela sua jovialidade, pela forma de ver a vida por um ngulo mais acessvel, menos complicado, e pela sua filosofia de no olhar para trs. Pas-sou, passou, era a sua maneira de ser.

    Trazia com ela a convico de que tnhamos vindo para este mundo com a obrigao de sermos felizes, e as-sim procurou viver este axioma criado por ela prpria.

    Viveu muito pouco, 45 anos, mas viveu a forma que ela se considerava feliz. Muito amada pela extrema sim-patia, por ter casado com quem ama-va, pelos dois filhos que tinha, pela prestimosidade que lhe era peculiar e por amar seu trabalho, ser amada e respeitada no mesmo.

    A alegria era sua companheira constante e a descomplicao sua marca registrada.

    De repente, no mais que de repente, tudo se desmorona. Um ataque fulmi-nante desfaz todos seus planos e em-pobrece nosso ncleo familiar. O luto cala seu gargalhar sonoro, emudece para sempre seu trinado de alegria.

    Desta forma minha querida Soraya Maria partiu! com o corao sangran-do que aceito a dolorosa realidade de que no mais a verei e nem to pouco ouvirei sua voz, o cruel nunca mais de Alan Poe!

    Fazer o qu? Deus sabe o que faz!

    DE REPENTE...

    IAN GOMESian.gomes2008@gmail.com

    Variedades

    MATUSAHILA SANTIAGOmatusahilasantiago@hotmail.com

    Toque Social

    A tua salvao espero, SENHOR!GNESIS 49 : 18

    CHANCE - Esto abertas as inscries para o Prmio Melhoria da Qualidade do Ar 2015, nos estados do Cear, Piau e Maranho. As inscri-es pelo sitewww.cepimar.org.br, at 27 de fevereiro.

    COMPRO-

    MISSO - O North Shopping Fortaleza recebe, at amanh, sbado , a unidade mvel do Hemoce, para realizao de campanha de doa-o de sangue.

    AGENDA - Os

    cantores Chico Czar e Paulinho Moska relembram

    sucessos individu-ais em temporada, na CAIXA Cultural Fortaleza, nos dias 31 deste ms e 01 de fevereiro.

    DIVERSO - A Cia Mix da Alegria montou, no Sho-ppingParangaba. O picadeiro do CircoParangaba, em cartaz at 8 de fevereiro para alegria da garotada.

    CHANCE - A Feminize aproveita a estao de preos mais baixos e reali-za a ao Achados Feminize. Peas com descontos de 30% a 70% at o dia 14 de fevereiro .

    FORTALEZA - CEAR - BRASILSexta-feira, 23 de janeiro de 2015

    HOMENAGENSPresidente da Almece (Academia de letras dos municpios do Cear) Lima Freitas comandou solenidade, no Pal-

    cio da Luz, em que homenageou alguns apoiadores da entidade e concedeu ttulo e empossou novos acadmicos.

    Mesa de Honra

    Odilon Aguiar, Domingos Neto e Domingos Filho Domingos Neto e Lvia Feitosa

    Acad micos

    Ana Maria Vasconcelos e Snia Nogueira

    Beatriz Lorena e Marie Melo

    Aldemir, Eunice e Ione Lemos

    Odilon Aguiar e Gilson Moreira

    Sylvia Braun, Zilma e Jos Raimundo Linhares Pontes

    Francisco de Assis e Lima Freitas

    Lima Freitas com Wanda e Solange Palhano

    Pio Barbosa Rachel do Vale e Emlio Freitas Maria Hayd e Campelo Dantas

    Lima Freitas, Maria do Carmo e Vicente Alencar

    Ana Max, Jos Wilson, Marie, Expedita e Keyla

    Marcelino Oliveira e Rosa Virginia

    Airton Marinho e Paulo Tadeu

    Leuda Moreira, Gilson Moreira e Mnica Aguiar

    Fatima Diniz, Glauber Lemos e Maria do Socorro Fernandes

    Gracielene Silveira e Dalton Marques

    Zinah Alenxadrino e Ftima Lemos

    Gabriel Barbosa e B rbara Lima Verde

    Francinete Azevedo e Arlene Portelada

    Jo o de Lemos e Antonio Mateus

    FOTOS: IRATU FREITAS

  • Carlos Eduardo, Rachel Dias e Gustavo Dias

    Karine de Morais e Giovana Pinheiro

    Thales Ayala, Karen Costa, Thereza Arrais e Emannuel Souza

    Ana C lia Soares, Yerec Andrade, Ana Clara Soares, Gustavo Henri-que e Elissandra Sales Carlos Oliveira, Eliana Amdenmatten e Douglas Oliveira

    Pedro e NicolliTaty Geronimo, Andrezza Chagas, Yasmin Guedes, B rbara Guedes, Davi de Paula e Andr a

    Mark Rocha, Virna Rocha, Joana Pereira, Mylena Vasconcelos, Soraya Morly, Brendon Neves, F tima Catunda e Felipe Farias

    3FORTALEZA - CEAR - BRASILSexta-feira, 23 de janeiro de 2015LINHA AZUL

    A quem tenho eu no cu seno a ti [Deus]? E na terra no h quem eu deseje alm de ti (SALMOS 73.25)

  • Deus o meu rochedo, nele confi arei; o meu escudo, e a fora da minha salvao, o meu alto retiro, e o meu refgio. meu Salvador, II SAMUEL 22 : 3

    No disse para o meu celular que estou quase desistindo dele. A.d.

    O telefone na casa dos meus pais apa-receu quando eu era meninote. Depois, fomos para o novssimo bairro de Ftima. rea quase virgem, areias brancas e um parco riacho. Calamento de pedra tosca, ruas sem rvores. Entre os bairros Joa-quim Tvora e Jos Bonifcio. Pois bem, assentamo-nos na Rua Monsenhor Otvio de Castro, casa nova, comprada por meu pai, em estilo dito funcional, seja l o que isso fosse. Sem telefone.

    Acredito que o projetista havia visto o fi lme francs, Meu Tio- Mon Uncle - de Jacques Tati, um desengonado e alto diretor e ator francs, que deformava a criao de um sobrinho, fi lho de sua irm, dona de uma casa aparatosa, cheia de modernidades. A irm e me era casada com bem sucedido marido que, alm da casa, comprara emergentes equipa-mentos domsticos.

    A ideia mal copiada era uma laje de con-creto no linear sem telhado, pois im-permeabilizada - sobre a rea da varanda e um dispositivo mecnico que baixava e subia a porta horizontal da garagem em forma de alapo. O tal dispositivo era uma caixa cheia de concreto, como con-trapeso, roldanas guiadas por cabos de ao que o acionavam.

    Depois de muita luta, meu pai conse-guiu puxar uma linha e muitos postes -

    da Rua Conselheiro Tristo, quase na Rua Antnio Pompeu. Sob palmas, o 5127 tilintou e pudemos falar com parentes e amigos. Ele, afi xado em um suporte de madeira na parede, tinha cor preta e era feito de um antepassado do plstico, ga-lalite. Ficava na sala de jantar, perto do janelo envidraado com suportes para abrir e fechar, como se fosse veneziana.

    Posteriormente, quando completei 18 anos, j com dinheiro poupado, sabe Deus como, resolvi fazer um quarto s para mim no amplo quintal. Contratei o Dico, diminutivo de Raimundo, um faz tudo, para constru-lo com o meu proje-to. Uma gua s e telhas vs em linhas, caibros e ripas de madeiras comprados aos poucos. Esse quarto, pintado a cal, em seguida, foi enriquecido com um ar--condicionado de segunda mo, marca Feeders. Faltava o telefone s para mim, pois no consegui fazer a extenso. Era longe. Ainda no havia lido o livro Lon-ge um pas que no existe, de Ferno Capelo Gaivota. Passa-se o tempo e al-cano a proeza de colocar uma linha in-dependente da casa dos meus pais.

    O colega de vestibular de direito e jor-nalista, Francisco Newton Quezado Ca-valcante, depois Lcio Brasileiro e, em se-guida, Paco, at me fez uma visita, qui para conferir como eu vivia. Deve ter sido a que ele intuiu que eu era um rapaz de futuro, pois havia livros e mquina de es-crever sobre o bir.

    O acesso ao quarto era independente, na lateral direita da casa. Fazia limite com fundos de residncias na Rua Saldanha Marinho, onde moravam as famlias do Sr. Pascoal, dono da fbrica Lord, de tem-peros; Dona Mariinha Furtado, av da V-nia que viera de Baturit para estudar em Fortaleza; e o Sr. Pinheiro, funcionrio do Banco do Brasil que s tinha uma agn-cia, na Praa Waldemar Falco, ao lado do velho Mercado. Corto o tempo. Chega-mos ao hoje, muitos lustros ou dcadas d