Caderno do professor geografia vol1

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8a SRIE 9oANOENSINO FUNDAMENTAL ANOS FINAISCaderno do ProfessorVolume 1GEOGRAFIACincias HumanasMATERIAL DE APOIO AOCURRCULO DO ESTADO DE SO PAULOCADERNO DO PROFESSOR GEOGRAFIAENSINO FUNDAMENTAL ANOS FINAIS8a SRIE/9o ANOVOLUME 1Nova edio2014-2017GOVERNO DO ESTADO DE SO PAULOSECRETARIA DA EDUCAOSo PauloGoverno do Estado de So PauloGovernadorGeraldo AlckminVice-GovernadorGuilherme Afif DomingosSecretrio da EducaoHerman VoorwaldSecretrio-AdjuntoJoo Cardoso Palma FilhoChefe de GabineteFernando Padula NovaesSubsecretria de Articulao RegionalRosania Morales MorroniCoordenadora da Escola de Formao e Aperfeioamento dos Professores EFAPSilvia Andrade da Cunha Galletta Coordenadora de Gesto da Educao BsicaMaria Elizabete da CostaCoordenadora de Gesto de Recursos HumanosCleide Bauab Eid BochixioCoordenadora de Informao, Monitoramento e Avaliao EducacionalIone Cristina Ribeiro de AssunoCoordenadora de Infraestrutura e Servios EscolaresAna Leonor Sala AlonsoCoordenadora de Oramento e FinanasClaudia Chiaroni AfusoPresidente da Fundao para o Desenvolvimento da Educao FDEBarjas NegriSenhoras e senhores docentes,A Secretaria da Educao do Estado de So Paulo sente-se honrada em t-los como colabo-radores nesta nova edio do Caderno do Professor, realizada a partir dos estudos e anlises que permitiram consolidar a articulao do currculo proposto com aquele em ao nas salas de aula de todo o Estado de So Paulo. Para isso, o trabalho realizado em parceria com os PCNP e com os professores da rede de ensino tem sido basal para o aprofundamento analtico e crtico da abor-dagem dos materiais de apoio ao currculo. Essa ao, efetivada por meio do programa Educao Compromisso de So Paulo, de fundamental importncia para a Pasta, que despende, neste programa, seus maiores esforos ao intensificar aes de avaliao e monitoramento da utilizao dos diferentes materiais de apoio implementao do currculo e ao empregar o Caderno nas aes de formao de professores e gestores da rede de ensino. Alm disso, firma seu dever com a busca por uma educao paulista de qualidade ao promover estudos sobre os impactos gerados pelo uso do material do So Paulo Faz Escola nos resultados da rede, por meio do Saresp e do Ideb. Enfim, o Caderno do Professor, criado pelo programa So Paulo Faz Escola, apresenta orien-taes didtico-pedaggicas e traz como base o contedo do Currculo Oficial do Estado de So Paulo, que pode ser utilizado como complemento Matriz Curricular. Observem que as atividades ora propostas podem ser complementadas por outras que julgarem pertinentes ou necessrias, dependendo do seu planejamento e da adequao da proposta de ensino deste material realidade da sua escola e de seus alunos. O Caderno tem a proposio de apoi-los no planejamento de suas aulas para que explorem em seus alunos as competncias e habilidades necessrias que comportam a construo do saber e a apropriao dos contedos das disciplinas, alm de permitir uma avalia-o constante, por parte dos docentes, das prticas metodolgicas em sala de aula, objetivando a diversificao do ensino e a melhoria da qualidade do fazer pedaggico. Revigoram-se assim os esforos desta Secretaria no sentido de apoi-los e mobiliz-los em seu trabalho e esperamos que o Caderno, ora apresentado, contribua para valorizar o ofcio de ensinar e elevar nossos discentes categoria de protagonistas de sua histria. Contamos com nosso Magistrio para a efetiva, contnua e renovada implementao do currculo.Bom trabalho!Herman VoorwaldSecretrio da Educao do Estado de So PauloSUMRIOOrientao sobre os contedos do volume 5Situaes de Aprendizagem 12Situao de Aprendizagem 1 Relaes entre espao geogrfico e globalizao 12Situao de Aprendizagem 2 Diferenas regionais na era da globalizao 23Situao de Aprendizagem 3 As possibilidades de regionalizao do mundo contemporneo 31Situao de Aprendizagem 4 Os principais blocos econmicos supranacionais 43Situao de Aprendizagem 5 A Declarao Universal dos Direitos Humanos 61Situao de Aprendizagem 6 A Organizao das Naes Unidas (ONU) 68Situao de Aprendizagem 7 A Organizao Mundial do Comrcio 79Situao de Aprendizagem 8 O Frum Social Mundial 86Propostas de Situaes de Recuperao 93Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreenso do tema 93Consideraes finais 100Quadro de contedos do Ensino Fundamental - Anos Finais 101Gabarito 1025Geografia 8 srie/9ano Volume 1Prezado(a) professor(a),A 8a srie/9o ano do Ensino Fundamental um momento muito importante na vida do aluno, pois representa o trmino de uma etapa carregada de significados e simbologias. O En-sino Fundamental o acompanhou da infncia ao incio da adolescncia. Agora, o estudante vislumbra outros caminhos e novas possibili-dades ao terminar mais uma fase de sua for-mao para ingressar no Ensino Mdio ou em algum curso tcnico. O contedo de Geografia nesta srie abre os horizontes do aluno para que desvende a realidade em que vive, plena de novas informaes e que vai bem alm da di-menso do seu lugar, da sua regio.Iniciamos, portanto, com o estudo da amplia-o, em escala global, das relaes humanas, que pode vir a resultar na construo de um mundo de fato e de um espao geogrfico global. O obje-tivo conduzir o aluno a uma aprendizagem que lhe permita descobrir quais so suas possibilida-des, e que elas so produtos da ao de diversas naes, sociedades, instituies e indivduos.A chamada globalizao o ponto em que se encontra esse processo. Nunca os fenme-nos da escala mundial estiveram to prximos e presentes em nossa vida quanto atualmente. Desse modo, nossa relao com os espaos e o tempo mudou significativamente. Por exem-plo: qual o real significado de prximo e de distante, considerando-se os avanos dos transportes e das telecomunicaes? Apesar de apresentar-se como um evento com fortes ca-ractersticas econmicas, a globalizao tem, evidentemente, uma dimenso geogrfica (es-pacial) decisiva, que se manifesta em especial, como j foi dito, na multiplicao das relaes entre os povos, o que por certo implicar cada vez mais processos de padronizao cultural e, eventualmente, acirramento dos conflitos.Neste volume, tambm ser retomado o estu-do da produo do espao geogrfico global, desta vez a partir da trajetria das organizaes multila-terais surgidas no contexto do final da Segunda Guerra Mundial e do Frum Social Mundial. Trata-se de um percurso necessrio compreen-so da organizao poltica e econmica das so-ciedades contemporneas e de suas principais instituies. A Organizao das Naes Unidas (ONU), criada com o intuito de promover a paz e garantir a segurana coletiva, e o Acordo Geral de Tarifas e Comrcio (mais tarde rebatizado de Or-ganizao Mundial do Comrcio OMC), encar-regado de zelar pelo livre intercmbio comercial entre os pases do mundo, foram as instituies escolhidas para esse trabalho. O Frum Social Mundial, concebido como alternativa popular e democrtica s institui-es oficiais, tambm ser debatido com os alunos. Como sabemos, em 1991, aps a de-sagregao da Unio das Repblicas Socialis-tas Soviticas, o ento presidente dos Estados Unidos da Amrica, George H. W. Bush, pro-clamou a existncia de uma Nova Ordem Mundial, que estaria fundamentada no poder da hiperpotncia que se tornara global. Entre-tanto, a persistncia dos conflitos nacionais em diversos pontos do planeta e o aprofunda-mento das desigualdades entre povos e pases parecem apontar para a existncia de uma ver-dadeira desordem mundial, tanto no plano da segurana quanto no da economia. ORIENTAO SOBRE OS CONTEDOS DO VOLUME 6Em muitos sentidos, os impasses contempo-rneos se refletem nos mecanismos de funcio-namento da ONU e da OMC e na realizao do Frum Social Mundial. A Segunda Guerra do Golfo, por exemplo, foi deflagrada revelia do Conselho de Segurana da ONU, enquanto a OMC se mostra impotente para fazer frente aos subsdios diretos e indiretos que protegem os mercados nacionais dos pases mais ricos, sobretudo no setor agrcola. Por outro lado, o surgimento do Frum Social Mundial sinaliza um movimento de resistncia de parcelas da so-ciedade civil de todo o mundo contra os efeitos perversos do processo de globalizao em sua forma atual. As Situaes de Aprendizagem 5, 6, 7 e 8 propostas neste Caderno pretendem le-var o aluno a refletir sobre tais impasses e a se posicionar criticamente a respeito de aspectos fundamentais da realidade contempornea.Compreender a complexidade desse momen-to, dessa construo geogrfica na escala glo-bal, um dos desafios que ns, professores de Geografia, devemos enfrentar. E voc, prezado colega, que vivencia situaes concretas e reais relacionadas ao modo como os jovens enxer-gam, vivem e processam essas mudanas e infor-maes, tem uma contribuio decisiva a dar na construo dessa aprendizagem, especialmente importante, para a emancipao dos estudantes.Conhecimentos priorizadosOs conhecimentos priorizados neste volume so inicialmente aqueles que permitem obser-var o processo de globalizao por intermdio de um olhar geogrfico, olhar esse orientado pelo conceito de espao geogrfico e outros que da derivam, como lugar, regio, territrio, mundo, escala geogrfica etc. Alm disso, pre-tende-se tambm desenvolver conhecimentos relacionados compreenso da globalizao em suas dimenses econmica e poltica.O objetivo trabalhar com o aluno as ma-nifestaes da globalizao nas diferentes escalas geogrficas para que o processo seja percebido e compreendido nas dimenses do lu-gar, da regio e do mundo. Isso vai auxili-lo na compreen so das distintas formas de insero do lugar no mundo e do mundo no lugar, bem como a perceber a expanso dos meios (que so geogrficos), como os transportes e as teleco-municaes, base desse processo que caracteriza o perodo contemporneo.Para entender a globalizao, ser preciso ex-plicitar a importncia do desenvolvimento das tcnicas humanas, que, entre outras maneiras, pode ser apreendido por meio de trs revolues:1. tcnica (mquina a vapor e mtodos fabris de manufatura);2. tcnico-cientfica (eletricidade e ligas me-tlicas);3. tecnolgica (com a automao: computa-dores, controle e comunicaes).Finalmente, como introduo ao tema des-te volume, trabalharemos como se processou a reorganizao da ordem mundial aps a queda do Muro de Berlim (1989) e de que maneira as novas configuraes geogrficas, como os blo-cos econmicos supranacionais e de poder, re-percurtiram no processo geral da globalizao.A seguir, em busca dos desdobramentos da globalizao, sero estudadas as diversida-des e desigualdades regionais confrontadas tendncia padronizadora desse processo. Para isso, preciso retomar o conceito de regio desenvolvido na 6a srie/7o ano e identificar e analisar os processos que atuam de forma in-terligada e indissocivel para a diferenciao das realidades geogrficas. Sero trabalhadas, ainda, as noes de desenvolvimento diferen-ciado e desigual, no tempo e no espao, e de divises social e territorial do trabalho.7Geografia 8 srie/9ano Volume 1Os conhecimentos anteriores so funda-mentais para que o aluno consiga compreen-der as atuais divises regionais na escala mundial com base em um retrospecto hist-rico, trabalhando com as noes de mundo bipolar (URSS EUA) e de mundo multi-polar vinculado aos atuais blocos supranacio-nais de poder (uma Nova Ordem Mundial).Os contedos trabalhados envolvem direta-mente os acordos econmicos entre as naes e seus significados estratgicos e polticos, alm da reflexo sobre as consequncias da amplia-o da escala das relaes econmicas, vincu-ladas maior concorrncia entre empresas, naes e blocos supranacionais.A Situao de Aprendizagem 1 tem por obje-tivo contribuir para que o aluno consiga relacio-nar o conceito de espao geogrfico ao processo de globalizao. O que a globalizao? Pode ser explicada simplesmente pela dimenso econmi-ca, como muitos alegam? Com certeza, discutir esses aspectos muito importante. Eles se rela-cionam diretamente s diferentes formas de hege-monia poltico-econmica exercidas por alguns pases em relao a outros, bem como presena fundamental das empresas e corporaes trans-nacionais. Notoriamente, a ao dessas ltimas manifesta-se em diferentes escalas geogrficas.Porm, a globalizao no teria ocorrido sem um grande avano tecnolgico que se incorporou ao espao geogrfico. As fases anteriores de am-pliao das relaes na escala mundial iniciam--se com a revoluo tcnica, ocorrida a partir de meados do sculo XIV e incio do XV, caracteri-zada pela mecanizao do espao. Mas foi com a revoluo tecnolgica, desencadeada aps a Segunda Guerra Mundial, que a globalizao se configurou. Por isso, importante discutir com os estudantes que o desenvolvimento tecnolgico conhecido, embora nem sempre absorvido por todos os povos, resulta da sucesso e do acmulo de conhecimentos de toda a humanidade, e que essa apropriao desigual dos benefcios do de-senvolvimento tecnolgico pode ser explicada, em certa medida, pela lgica de mercado.As propostas da Situao de Aprendiza-gem 1, portanto, tm por objetivo concretizar os conhecimentos acerca da globalizao, por meio da anlise de grficos, da elaborao de quadros conceituais, do desenvolvimento de pesquisa a respeito dos fluxos de mercadorias e da sua representao cartogrfica, bem como da localizao das matrizes ou das sedes de em-presas ou corporaes transnacionais.O contraponto ao processo de globalizao tambm fundamental, por isso apresentamos uma atividade em que os alunos possam loca-lizar, em um mapa do Brasil ou do Estado de So Paulo, comunidades ou grupos no atingi-dos da mesma maneira pela globalizao.A Situao de Aprendizagem 2 refere-se aos processos de globalizao e de regionalizao. O objetivo identificar os efeitos da globaliza-o na economia e no cotidiano dos indivduos, alm de analisar situaes reais em que se constatam as diversidades e desigualdades re-gionais, apesar da tendncia padronizao. importante que se trabalhe com comparaes entre reas com desenvolvimento diferenciado e desigual, e que o aluno identifique a existn-cia de divises de trabalho tanto no processo produtivo diviso social do trabalho como entre atividades econmicas, que se territoriali-zam a diviso territorial do trabalho.Aliada ao contedo conceitual, considera-mos fundamental a aprendizagem de contedos procedimentais responsveis por desenvolver as habilidades de leitura, de escrita e de comu-nicao verbal (apresentao oral). Assim, dis-8ponibilizamos neste Caderno um conjunto de atividades para priorizar o desenvolvimento da capacidade leitora em todas as suas dimenses, que poder ser facilmente adaptvel s condi-es de trabalho de cada um.O tema da Situao de Aprendizagem 3 a interligao econmica e financeira e suas rela-es com a diviso regional na escala mundial. Trata-se de um pr-requisito necessrio para o desenvolvimento do prximo contedo do pro-grama: os blocos econmicos supranacionais.Com base em um retrospecto histrico-espa-cial, busca-se levar o aluno a identificar o atual panorama da regionalizao mundial. Nessa Situao de Aprendizagem, o papel do profes-sor estimular o desenvolvimento de habilida-des dos alunos a fim de lhes permitir identificar e comparar diversas formas de interpretar as di-ferenas regionais percebidas na escala mundial.Iniciamos o estudo das divises regionais pela mais tradicional de todas: a diviso por continentes. Depois, nossa abordagem vai con-templar outros recortes, como a diviso que tem como critrio os sistemas econmicos: pases capitalistas e socialistas; posteriormente analisaremos a diviso por critrios de desen-volvimento e subdesenvolvimento, incluindo tambm uma forma clebre de ler as diferenas regionais na escala mundial que aglutinou os pases em trs grupos: Primeiro Mundo, Se-gundo Mundo e Terceiro Mundo.A ideia de um mundo bipolar, referida ao perodo da Guerra Fria, ser contraposta ideia de um mundo multipolar, marcado por uma nova configurao de poder, que se mani-festou aps a queda do Muro de Berlim. Dessa maneira, sugerimos que se introduza a discus-so sobre a Nova Ordem Mundial e os blocos de poder no mundo contemporneo, preparan-do o aluno para compreender de que forma as mudanas so historicamente produzidas.Por intermdio de aulas dialogadas, discus-so de filmes, estudo de situaes-problema, leituras e interpretaes de mapas com as dife-rentes propostas de diviso regional na escala mundial, espera-se que os alunos desenvolvam as competncias intelectuais para a compreen-so dos respectivos significados.A Situao de Aprendizagem 4 prope um estudo mais aprofundado e tambm comparati-vo entre os principais blocos econmicos, inter-pretando no apenas a localizao destes, mas seus interesses e suas formas de funcionamento. Esperamos que os alunos sejam estimulados a perceber que tais informaes e conceitos no so meramente pontuais. Eles tm significado estra-tgico e poltico, relacionado ao processo de glo-balizao. Isso porque h quem entenda que os blocos econmicos so a manifestao do poder das naes em parceria com grandes corporaes globalizadas que, ao se unirem, buscam uma pos-sibilidade para ampliar sua hegemonia econmi-ca e poltica no cenrio internacional.As Situaes de Aprendizagem 5, 6, 7 e 8 esto focadas no estudo das instituies pbli-cas multilaterais que ajudaram a consolidar a ordem mundial que emergiu aps a Segunda Guerra Mundial, alm de abordar o Frum So-cial Mundial. Em um contexto de crescente inte-grao entre pases e povos do mundo, conhecer o funcionamento e os limites dessas instituies se torna particularmente importante. Afinal, muitos dos principais desafios do atual perodo histrico, tais como a problemtica energtica e ambiental, o terrorismo e mesmo a dissemina-o da pobreza, no so solucionveis apenas no mbito das realidades nacionais. Essas ques-tes envolvem decises e polticas que exigem a cooperao internacional, tanto no mbito das 9Geografia 8 srie/9ano Volume 1instituies oficiais como no da sociedade civil organizada. Nesse contexto, a multilateralidade ou seja, o trabalho das naes ao lado umas das outras aparece como uma necessidade.Competncias e habilidades Construir e aplicar conceitos como os de espao geogrfico, lugar, regio , fazendo uso da linguagem cientfica de forma ade-quada ao nvel de estudo. Observar fatos, situaes, fenmenos e lu-gares representativos do processo de glo-balizao nas suas diferentes dimenses: econmicas, culturais, espaciais etc. Identificar, reconhecer, localizar, descrever, discriminar, ordenar, medir, classificar, re-lacionar e comparar fatos, problemas, fe-nmenos, situaes e lugares abordando as diversidades e desigualdades regionais na escala global como meio para com-preender as disparidades que os envolvem. Explicar e compreender causas e efeitos que permitam reconhecer a globalizao como produto do funcionamento do regi-me capitalista, assim como analisar as con-dies para sua reproduo. Interpretar fatos, dados, situaes, proble-mas ou fenmenos apresentados em forma de textos, grficos e mapas, para compreen-der os diferentes modos de expresso e mani-festao social na escala global. Apontar possveis solues para situaes-pro-blema representativas de situaes de con-flito e desigualdades resultantes da ao de foras hegemnicas globais. Construir argumentaes consistentes a res-peito de situaes, fatos e problemas apre-sentados, assim como identificar e distinguir argumentaes expressas de diferentes for-mas nos textos. Comparar organizaes polticas, econ-micas e sociais no mundo contemporneo. Compreender o significado histrico das instituies sociais, considerando as rela-es de poder. Discutir situaes em que os direitos dos cidados foram conquistados, mas no usufrudos por todos os segmentos sociais. Comparar propostas e aes das institui-es sociais e polticas no enfrentamento de problemas de ordem socioeconmica. Ler e interpretar mapas, grficos e tabelas para compreender e comparar a situao socioeconmica de diferentes pases. Analisar a situao do comrcio internacio-nal por meio de mapas de fluxos econmicos. Ler, interpretar e produzir textos com o intuito de demonstrar as diferenas de de-senvolvimento econmico entre os diversos pases do mundo.Metodologia e estratgiasPara o desenvolvimento dos contedos e das atividades propostas, seria bom incentivar um ambiente que propicie a integrao e o envol-vimento de toda a sala, por meio de aulas dia-logadas, nas quais podem ser criadas situaes concretas de troca de ideias e/ou levantamento de questes. Essa estratgia produtiva para avaliar o repertrio dos alunos sobre o tema abordado, confrontando ideias diferentes. Num segundo momento, os contedos podem ser aprofunda-dos, em grupos de discusso, com base no levan-tamento de problemas e propostas de estudos comparativos. A sntese das discusses coletivas pode ser feita mediante exposio oral. A mes-ma estratgia de trabalho em grupo poder ser utilizada para a discusso de filmes, para a elabo-rao de quadros conceituais, relatrios, painis, para a construo de tabelas e a leitura e inter-pretao de textos, grficos e mapas.10Uma estratgia que envolve a atitude de comprometimento e ampla participao refere--se criao de monitorias. Por meio delas, o professor solicitar a colaborao de um aluno, auxiliando-o na sistematizao das discusses ou dos trabalhos em grupo. As monitorias ofe-recem formas de avaliao de habilidades muito ricas e variadas, bem como auxiliam no desen-volvimento de contedos atitudinais pertinentes. Para que todos os alunos tenham a oportunida-de de exercitar a monitoria, sugere-se um rodzio entre eles, de modo que, ao concluir o ano letivo, toda a classe tenha participado do processo e vi-venciado essa experincia enriquecedora. importante considerar tambm que os contedos apresentados nas Situaes de Aprendizagem so assuntos presentes cotidia-namente nos meios de comunicao e envolvem aspectos relevantes da realidade contempo-rnea, sobretudo na escala global. Dessa ma-neira, as atividades utilizam notcias de jornal, bem como solicitam que os alunos pesquisem e busquem informaes em diferentes fontes. Em termos gerais, a estratgia proposta pretende trazer a riqueza e a complexidade da realida-de geogrfica contempornea para a sala de aula, visando despertar o interesse dos alunos e incentiv-los a acompanhar as dinmicas que produzem e transformam o espao geogrfico.AvaliaoA participao e o envolvimento dos alu-nos devem-se constituir em importante item de avaliao. Isso estimula o desenvolvimento de diversas habilidades, como a participao oral, por intermdio da qual o professor examinar a capacidade de verbalizao e argumentao de cada aluno, assim como suas atitudes durante o desenvolvimento das atividades individuais ou coletivas, por exemplo: adequao, organizao, envolvimento, senso de responsabilidade, espri-to de cooperao.Os relatrios sobre as atividades individu-ais e coletivas, os textos produzidos pelos alu-nos (redaes, dissertaes sobre determinado tema, questo ou problema), as interpretaes de textos, mapas, grficos e filmes so, tambm, itens importantes na avaliao do professor, por meio dos quais se poder verificar a capa-cidade interpretativa, argumentativa, leitora e escritora dos alunos.A realizao de provas, com questes abertas e de mltipla escolha, deve ser considerada como pea importante do processo ensino-aprendiza-gem. Trata-se de um momento de avaliao for-mal, por meio da qual o professor conseguir perceber em que medida cada um dos estudan-tes efetivamente apresentou mudanas, quais contedos se transformaram em conhecimento e quais devero ser retomados ou mesmo redire-cionados. Esse um momento de suma relevn-cia, devendo se transformar tambm em uma ocasio para a autoavaliao dos alunos. Para eles, desenvolver formas de autoavaliao possui grande densidade educativa, pois lhes permite aprimorar a capacidade de autoconhecimento e de redefinio de caminhos.A seguir, sugerimos um quadro de critrios de avaliao com o intuito de estabelecer um rol de conceitos que permita responder ao que se espera do aluno. Nesse sentido, o professor poder estabelecer o que espera de cada Situa-o de Aprendizagem e, a partir dos resulta-dos obtidos em sala e fora dela, identificar em quais condies o aluno se encontra diante do esperado. Propomos que o quadro seja utilizado para avaliar as condies de ensino- -aprendizagem dos alunos em todas as ativi-dades que se encontram neste volume.11Geografia 8 srie/9ano Volume 1Avaliao das atividades Objetivos atingidos1. Muito bom Atingiu plenamente os objetivos propostos2. Bom Atingiu grande parte dos objetivos propostos3. Regular Atingiu os objetivos essenciais4. Insuficiente No atingiu os objetivos essenciaisPrope-se que o estudante preencha uma fi-cha de autoavaliao relacionada habilidade de leitura sempre que concluir atividades que traba-lhem com textos, conforme sugerido a seguir.No final do volume, apresentamos propostas para Situaes de Recuperao que retomam os conhecimen tos necessrios compreenso dos conceitos e temas trabalhados. MODELO DE FICHA DE AUTOAVALIAOCritrios relacionados ao uso de estratgias de leituraRealizeiRealizei parcialmenteNo realizeiComentriosFiz anotaes no texto durante a leituraGrifei as informaes mais relevantes para res-ponder ao que foi perguntado antes do incio da leitura do textoRedigi a resposta procurando, assim, compreender melhor o significado das informaes do textoQuando utilizei, em minha resposta, trechos copiados do texto, coloquei-os entre aspasOrganizei as informaes que coletei do texto em forma de texto e tpicosCom base na avaliao anterior, preencha os campos a seguir sobre:Aquilo que voc acha que precisa aprender, pois ainda no sabe fazerAquilo que voc acha que precisa melhorar em relao s estratgias de leituraAquilo que voc acha que faz muito bemOutros comentrios do alunoComentrios do professor12Nesta primeira Situao de Aprendiza-gem, os alunos iniciaro seus estudos sobre globalizao analisando a multiplicao das relaes sociais de todos os tipos na escala global. Para isso, sero desenvolvidos diver-sos contedos que abordam noes e fatos relacionados globalizao em suas dimen-ses econmica e poltica e em suas mani-festaes nas diferentes escalas geogrficas. Alm disso, dever ser retomado o conceito de espao geogrfico e alguns outros subor-dinados a ele, tais como lugar, regio, terri-trio e escala geogrfica das relaes (local, regional, mundial).SITUAES DE APRENDIZAGEMSITUAO DE APRENDIZAGEM 1 RELAES ENTRE ESPAO GEOGRFICO E GLOBALIZAOContedos: a produo de relaes na escala geogrfica mundial; conceito de globalizao e suas ma-nifestaes econmicas e polticas nas diversas escalas geogrficas; conceito de espao geogrfico e das noes de lugar, regio, territrio e escalas geogrficas (local, regional e mundial); as revolues tcnicas (da revoluo tcnica tecnolgica) e a globalizao.Competncias e habilidades: encontrar as ideias principais por meio de leitura de textos e da participao nas discusses coletivas em sala; relacionar conceitos; expressar o pensamento pela redao de textos; estabelecer relaes a partir de diferentes escalas geogrficas; ler, interpretar textos e mapas; elaborar mapas; desenvolver habilidades relativas participao coletiva.Sugesto de estratgias: aulas dialogadas para a sistematizao inicial dos contedos; elaborao de quadros a partir das noes trazidas pelos alunos; pesquisa de produtos consumidos/utilizados no co-tidiano; construo de tabela; mapeamento; pesquisa a respeito das comunidades no inseridas no pro-cesso de globalizao.Sugesto de recursos: textos; fotos; charges; mapas; grficos; filmes.Sugesto de avaliao: compreenso e anlise de textos; relatrios; elaborao de textos, tabelas e mapas; compreenso e anlise de mapas, grficos e tabelas; envolvimento e participao nas atividades propos-tas, individuais e coletivas.Etapa prvia Sondagem inicial e sensibilizaoComo estratgia inicial, o professor poder conduzir a aula de forma dialogada, para que surjam manifestaes de aspectos da globaliza-o no cotidiano de cada aluno. Esse aqueci-mento permite uma sondagem do repertrio dos estudantes no tocante temtica e possibi-lita diagnosticar pr-requisitos necessrios para o desenvolvimento da atividade, assim como d ao professor uma percepo sobre a maneira de 13Geografia 8 srie/9ano Volume 1os alunos se envolverem com o tema e manifes-tarem vises de senso comum a esse respeito. Caber ao professor problematizar as situaes de senso comum para direcionar o aprofunda-mento da atividade.Sugerimos que um monitor seja escolhido para auxiliar o professor nas anotaes na lou-sa, por meio das quais se far a sntese do que foi discutido. A estratgia da monitoria deve ser considerada como estmulo para o desenvolvi-mento de habilidades e competncias, como ca-pacidade de sntese, autonomia na elaborao do quadro, organizao de ideias, segurana e senso de responsabilidade.Inicialmente, o professor dever trabalhar com os alunos a compreenso da globaliza-o. Poder perguntar: O que a globalizao? Quais as implicaes desse processo em nosso cotidiano? H vantagens? Quais? H proble-mas? Quais? Etapa 1 Globalizao: escalas e tecnologiasLeitura e anlise de textoApresentamos a seguir uma sugesto de leitura, disponvel no Caderno do Aluno.[...] O cidado norte-americano desperta num leito construdo segundo padro origi-nrio do Oriente Prximo, mas modificado na Europa setentrional, antes de ser trans-mitido Amrica. Sai debaixo de cobertas feitas de algodo, cuja planta se tornou domstica na ndia; ou de linho ou de l de carneiro, um e outro domesticados no Orien-te Prximo; ou de seda cujo emprego foi descoberto na China. Todos esses materiais fo-ram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Prximo. Ao levantar da cama faz uso dos mocassins que foram inventados pelos ndios das florestas do leste dos EUA e entra no quarto de banho cujos aparelhos so uma mistura de invenes europeias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que vesturio inventado na ndia, e lava-se com sabo que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que um rito masoquista que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito. [...][...] l notcias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for um bom cidado conservador, agrade-cer a uma divindade hebraica, numa lngua indo-europeia, o fato de ser cem por cento americano. [...]LINTON, Ralph. O homem: uma introduo antropologia. 8. ed. So Paulo: Martins, 1971. p. 331-2.14Em seguida, o professor poder orientar uma discusso sobre os contedos do texto, para que os alunos possam interpret-lo e re-lacion-lo com a globalizao. Para isso, po-der solicitar que os alunos: grifem as ideias principais; pesquisem o significado das palavras e ex-presses que esto destacadas no Caderno do Aluno o professor poder con sult-las no final deste Caderno; sintetizem as ideias principais.O texto permite uma reflexo sobre o sig-nificado das relaes que se desenvolvem na escala mundial. Refere-se a uma longa his-tria de trocas culturais entre diversos gru-pos sociais e diversas naes. Considerando que as trocas atuais so muito mais volu-mosas e aceleradas, at onde tero chegado as influncias entre os povos? Isso no dar condies para se percebe que, na atualida-de, a escala mundial est bem mais plena de relaes? Pode-se notar que, em dias atuais, as relaes entre as culturas so mais inten-sas e ocorrem em escala mundial.Aps a anlise do texto, o professor po-der abordar o conceito de espao geogrfi-co, levando aos alunos uma questo objetiva: O que o espao geogrfico?No uma resposta fcil, e muitos, pro-vavelmente, iro fazer coincidir espao geo-grfico com superfcie terrestre. A partir de exemplos e aproximaes, essas duas noes podero ser bem diferenciadas. Assim, o professor construir com os alunos, de maneira concreta, a ideia de que o espao geogrfico uma construo humana sobre uma superfcie natural transformada uma construo composta por um conjunto de edificaes, barragens, cidades, estradas, plantaes, unidades de conservao e obras diversas, que esto ali dispostas para pos-sibilitar a constante interao dos homens entre si e entre os bens que eles produzem e os bens naturais. Por tudo isso, o espao geogrfico parte integrante da sociedade.Tendo esse entendimento de espao geo-grfico em mente, pode-se retornar an-lise do processo de globalizao em curso. Teria a globalizao uma dimenso espacial clara na sua constituio? Foi preciso que o espao geogrfico se transformasse para que a globalizao, ou seja, o aumento ex-traordinrio das relaes na escala mundial, pudesse se realizar.Pode-se, nesse momento, solicitar que os prprios alunos exemplifiquem o que percebem da globalizao com situaes observadas no prprio cotidiano. Para tanto, o conceito de es-cala (local, regional e mundial) fundamental. Isso porque algo que o estudante pode notar que a escala global passa pelo seu lugar, e seu lugar est nesse mundo que est se construin-do. Identificar o global no local algo que pode ser realizado pelos estudantes.Como o lugar se insere no mundo? Em um primeiro momento, ficar mais fcil entender como a escala global se insere no 15Geografia 8 srie/9ano Volume 1lugar, na escala local. Mas o aluno deve per-ceber que essas duas possibilidades so inse-parveis devido sua articulao. medida que o global vai se inserindo no lugar e trans-formando-o, o lugar tambm transforma o mundo. Entretanto, vrios fatores condicio-nam as possibilidades concretas de insero do lugar no mundo. Como isso acontece?Pode-se trabalhar com os trs grandes n-veis de escala:1. local;2. regional, que aqui ser trabalhado no pla-no nacional;3. global.Alm de solicitar exemplos aos alunos, o professor pode apresentar complementos para que se perceba a ao dos dois ltimos nveis (o nacional e o global) sobre o primeiro (o local) sem, no entanto, substitu-lo.Para aprofundar o que foi estudado, suge-rimos que seja indicada aos alunos a leitura extraclasse de um texto sugestivo que pode-r ser encontrado no livro didtico adotado pelo professor. Os alunos poderiam tambm redigir uma pequena dissertao (ou mesmo um relato) sintetizando suas observaes ini-ciais sobre o tema.A turma j deve ter tido os primeiros con-tatos com o tema globalizao: o encurtamento das distncias em razo dos avanos tecnolgi-cos. Na 5a srie/6o ano foi estudado o lugar no mundo e, na 6a srie/7o ano, o Brasil no mundo. Esses contedos devem ser retomados e pode-se pedir aos alunos exemplos concretos de como ocorre a insero do lugar em que vivem no Brasil e no mundo e como o Brasil e o mundo se inserem no lugar em que vivem.Outra possibilidade o professor propor uma pesquisa para identi-ficar a origem de bens de consu-mo que usamos no dia a dia. Deve-se pedir que o aluno elabore uma lista considerando o tipo de produto e procure nas embalagens o nome da empresa e o pas de ori-gem desses produtos. Depois eles devero pre-encher os dados da pesquisa na tabela presente no Caderno do Aluno, na seo Pesquisa indivi-dual. Esses dados permitiro que seja construda uma tabela discriminando os produtos e respec-tiva origem, para que em seguida seja feita uma classificao, considerando os seguintes tipos de bens: durveis (eletrodomsticos, eletroeletrni-cos, automveis) e no durveis (alimentcios, higiene, vesturio, limpeza, calados). Por exem-plo: a maioria das peas de vesturio produzida na China e em outros pases do Sudeste Asiti-co, enquanto a maioria dos automveis, embora fabricados em parte no pas, so provenientes de empresas com sedes originais em outros pases (Alemanha, Frana, Itlia, EUA e Japo). Considerando os diferentes ramos de ativida-des econmicas, espera-se que os alunos coletem materiais representativos de empresas transna-cionais e que tambm consigam perceber o au-mento da participao de produtos importados no cotidiano das famlias brasileiras. 16Tais alteraes so representativas das mu-danas ocorridas aps a abertura do mercado in-terno brasileiro em meados dos anos 1990. Antes, havia uma poltica de incentivo industrializao fundamentada no modelo de substituio de im-portaes. A reduo dos impostos que incidiam sobre as mercadorias fabricadas no exterior im-primiu profundas alteraes no modelo industrial brasileiro, consolidando a presena de capitais transnacionais em setores ento protegidos. Em geral, os bens no durveis (como os ramos ali-mentcio, de higiene e limpeza, txtil e caladista) eram representativos do capital industrial de base nacional. Atualmente, as empresas transnacio-nais tambm esto presentes nesses segmentos, pois adquiriram o controle de inmeras marcas nacionais, ratificando sua participao na econo-mia brasileira do sculo XXI. Quanto s empresas produtoras de bens durveis, estas historicamente pertencem a empresas transnacionais, em funo dos altos investimentos para sua instalao e produo, como ocorre nos setores de eletrodomsticos e automveis. Mesmo assim, na maior parte dos casos, as empresas transnacionais instala-ram unidades produtivas no Brasil. A pesqui-sa realizada pelos alunos pode abordar esses aspectos, como tambm contemplar questes relacionadas aos produtos culturais, como msica e cinema, por exemplo.Com base na coleta individual de dados, os alunos devero se orga-nizar em grupos para elaborar uma tabela nica (disponvel no Caderno do Aluno), que ter duas colunas e ser utilizada como banco de dados para a confeco de um mapa de fluxos. 1. Uma coluna listar os objetos (produtos)usados no dia a dia. Se forem muitos objetos, talvez seja caso de agrup-los. Por exemplo: celulares, tablets e computadores: eletrnicos; tnis, roupas diversas: vesturio, e assim por diante. Um mapa no comporta uma grande quantidade de informaes, por isso as infor-maes precisam ser reunidas e sintetizadas.2. A segunda coluna relacionar o local de origem de cada objeto. Para realizar essa atividade, os alunos devem ser orientados quanto aos seguintes passos: observao atenta de um mapa de fluxos como o Comrcio mundial de mercadorias (Figura 5, Situao de Aprendizagem 3); ter mo um atlas geogrfico escolar para ser consultado no momento da aplicao das informaes em suas localizaes corretas; cartografar os dados extrados da tabela, indicando a origem e o destino dos objetos (produtos), no mapa mudo do Caderno do Aluno. Isso deve ser feito por meio de setas, como ilustra o mapa de fluxos da Figura 5. Essas setas criam a imagem de fluxos. Como cada seta representa um grupo de objetos, instrua os grupos a atribuir uma cor diferente para cada uma delas (ateno: esclarea aos estudantes que as setas devem ser da mesma espessura para no criar a impresso de que uma mais importante que outra, j que a tabela no tratou de quantidades);17Geografia 8 srie/9ano Volume 1 o destino de todas as setas (dos fluxos) ser o Brasil, mas as origens dos fluxos esto em diversos pases que devem ser nomea-dos no mapa; deve-se depois criar na base do mapa uma legenda que indique como as cores foram atribudas a cada fluxo de mercadorias; por fim, pea aos alunos que atribuam um ttulo ao mapa produzido.Embora isso ainda no seja suficiente para a construo da ideia de configurao geogr-fica da escala global, deve ser suficiente para sugerir algumas caractersticas da globaliza-o, tais como: certa homogeneizao dos lugares a partir da uniformizao dos processos produti-vos, do consumo, dos hbitos; a expanso das corporaes para alm de seus pases de origem. As Grandes Navegaes transocenicas que se iniciaram no sculo XV e o consequente processo de colonizao de novos continentes (novos espaos) pelos europeus decorreram de um conjunto de avanos tcnicos que se de-senvolveu, anteriormente, na navegao cos-teira, em especial no Mar Mediterrneo.Exemplos desses avanos tcnicos so os portulanos (mapas nuticos que registram as rotas marinhas e as direes segundo os pontos cardeais) e a bssola. As Grandes Navegaes inauguraram um perodo na histria do mundo ocidental que, a despeito de vrias oscilaes em seu ritmo, caracterizou-se pela incorpora-o de diversos outros avanos tcnicos, como a mquina a vapor, o telgrafo e muitos outros.Esses aparatos tcnicos possibilitaram a cer-tos pases atuar em escala global, acelerar os contatos e as trocas, ter acesso a novos bens e outras culturas, expandindo assim sua fora econmica, que j se construa como um regi-me capitalista. Mas era possvel nesse momen-to falar em globalizao? Tendo em vista o que acontece atualmente, provvel que no.A globalizao no presente tem intensida-de e qualidade distintas. Sobretudo, fruto de uma revoluo tecnolgica nas comunicaes e na eletrnica, que encurtou distncias e criou novas formas de comunicao e organizao. Tais alteraes tambm podem ser conside-radas como responsveis pelas grandes mu-danas no cenrio geopoltico do sculo XX, alimentando novas formas de organizao eco-nmica ao aproximar mercados e reorient-los em blocos comerciais.Essa reorganizao diferente da ocorrida durante o perodo da Guerra Fria, quando o mundo era polarizado por foras hegemnicas lideradas pelos Estados Unidos e pela extinta URSS, que utilizaram seus sistemas econmi-cos capitalismo e socialismo como foras de presso internacional.Nos ltimos tempos, os progressos tcni-cos esto intimamente ligados acelerao do tempo, caracterstica-chave do processo de globalizao. A acelerao algo que muda nossas relaes com a distncia geogrfica, 18agora mais facilmente transposta. Trata-se da compresso do tempo-espao, como pode ser observada na Figura 1, j clssica: o encolhi-mento do mapa do mundo graas a inovaes nos transportes, que encolhem o espao por meio do tempo.Figura 1 O encolhimento do mapa do mundo. Fonte: HARVEY, David. A condio ps-moderna. So Paulo: Loyola, 1992. p. 220.O encolhimento do mapa do mundo19Geografia 8 srie/9ano Volume 1Para trabalhar a Figura 1 (dispon-vel no Caderno do Aluno, na seo Lio de casa) em sala de aula, necessrio seguir alguns procedimentos. A in-terpretao deve ser efetuada com o objetivo de retirar o mximo de informaes da imagem, e sua anlise pode nos ajudar a estabelecer im-portantes relaes entre teoria e prtica. O primeiro passo comear a observao pela expresso visual da figura, sem se preocupar com as informaes escritas: O que se v? O passo seguinte perguntar: O que posso saber por meio da observao completa des-sa fonte de informao? Devem-se observar as variveis que envol-vem a informao. A Figura 1 apresenta, por exemplo, a variao de um certo ele-mento no tempo, o que nos permite obter concluses a respeito do crescimento ou da diminuio de tal indicador. Nesse caso, a pergunta : possvel identificar crescimento ou variao de algum elemento? Finalmente, deve-se buscar relacionar as informaes com algum aspecto terico pertinente, com a eventual formulao de hipteses. A pergunta-chave nesse caso : Por que determinada observao acontece?A Figura 1 pode, assim, ser trabalhada para demonstrar de que maneira, na perspectiva do ser humano, o mundo encolheu, ou seja, alterou-se a relao das sociedades com a distncia geogrfica por conta do desenvolvimento tcnico dos trans-portes e da comunicao. Por isso, no descabi-do dizer que o mundo ficou menor, uma vez que o significado das distncias, dos tamanhos, so sempre relativos. Isso se comprova com a eviden-te presena dos lugares antes distantes em nossa vida: mercadorias e informaes de diversas loca-lidades hoje se integram ao nosso cotidiano.Logo, o que permite compreender o proces-so de globalizao a incorporao de novas tecnologias no espao, ou seja, o advento da revoluo tecnolgica, ainda em andamento e responsvel, tambm, pela integrao de eco-nomias, sociedades e mercados. No entanto, possvel fazer os alunos perceberem que se trata de um fenmeno que vai muito alm da integrao econmica e de mercados que, por si s, j um evento de grande complexidade.As empresas multinacionais transforma-ram-se em transnacionais e atualmente so empresas globais. Os mercados no so mais apenas locais, mas planetrios. Temos a glo-balizao do sistema produtivo, do sistema financeiro e das formas de comunicao. Essa universalizao, no entanto, no engloba to-dos os segmentos da sociedade e no h, por exemplo, uma universalizao da poltica. Mesmo a existncia de um espao global no possvel de ser afirmada. O que na verdade existe um conjunto de espaos nacionais e algumas redes que atuam na escala global.1. Finalmente, com base na Figura 1, os alu-nos devero respon der s questes a seguir. a) Em sua opinio, o que a imagem repre-senta?A imagem representa o encolhimento do mapa do mundo em virtude do avano nas tecnologias de transporte, permi-20tindo que a mesma distncia seja percorrida em muito menos tempo. A imagem retrata o processo ocorrido desde 1500, com os barcos a vela, at 1960, com os jatos de passageiros. Por meio da metfora do encolhimento, pode-se compreender a rela-tivizao das distncias, que no so impedimentos para os con-tatos desde que os meios tcnicos possam super-las. Espera-se que os alunos identifiquem que o formato em funil representa o encurtamento das distncias em funo das sucessivas altera-es nos meios de transporte realizadas no decorrer da histria.b) Identifique a variao de tempo em cada um dos estgios apresentados na figura.Espera-se que os alunos extraiam da Figura 1 os dados corres-pondentes ao encurtamento das distncias provocado pelas al-teraes ocorridas no sistema de transportes ao longo da histria humana. Entre os sculos XVI e XIX, as carruagens e as embar-caes a vela deslocavam-se a 16 km/h. J com as locomotivas e as embarcaes a vapor, transportes popularizados nos sculos XIX e XX, o deslocamento passou a ser bem mais gil, chegando, respectivamente, a 100 km/h e 57 km/h. Com a introduo dos avies a propulso e a jato, popularizados na segunda metade do sculo XX, as velocidades tornaram-se muito acentuadas (480 a 640 km/h e 800 a 1 100 km/h, respectivamente), diminuindo o tempo de deslocamento de um lugar a outro do planeta.c) Quais hipteses poderiam ser levantadas para explicar a relao entre tempo e es-pao proposta pelo autor? Por que ele escolheu esse ttulo para a imagem? D exemplos representativos dessa situao em seu cotidiano.Espera-se que os alunos identifiquem que, com a insero de novos meios de transporte, houve encurtamento das distncias. Nesse sentido, o espao ganha novas dimenses, pois pessoas e mercadorias chegam em menor tempo a seu destino, mo-dificando as relaes sociais e econmicas entre os povos. Es-pera-se tambm que eles identifiquem novas formas de encur-tamento das distncias, tais como a popularizao da aviao comercial e o surgimento do trem-bala, podendo at mesmo destacar a velocidade da transmisso de informaes por meio de cabos de fibra ptica, TV a cabo e internet.d) Com base na imagem, quais elementos podem ser considerados responsveis pelo processo de globalizao? Justifi-que sua resposta.Espera-se que os alunos destaquem a evoluo do sistema de transportes, responsvel pelo encurtamento das distncias e pela aproximao dos mercados.Leitura e anlise de mapaConsiderando que a globalizao no atin-ge todos os lugares com a mesma intensidade, o professor pode sugerir aos alunos que pen-sem em exemplos de localidades e povos no territrio brasileiro, ou mesmo no Estado de So Paulo, que no foram atingidos da mesma maneira pela globalizao. Alguns exemplos podem ser apresentados caso eles no surjam na participao dos estudantes: so as comu-nidades indgenas, as quilombolas, as campo-nesas, as famlias que vivem da agricultura de subsistncia ou os pescadores e povos caiaras. Sugere-se identificar em um mapa do Brasil (Figura 2) ou do Estado de So Paulo os locais de concentrao das comunidades quilombo-las, ou seja, grupos humanos remanescentes dos antigos quilombos povoados de escravos fugidos poca da escravido no Brasil.De 2004 at agosto de 2013, foram emiti-das pela Fundao Palmares 1 904 certides de reconhecimento de quilombos, sendo que h 2 278 comunidades remanescentes no Brasil. Temos algumas sugestes de links 21Geografia 8 srie/9ano Volume 1Figura 2 Comunidades quilombolas no Brasil, maio de 2007. Fonte: Fundao Palmares/Agncia Brasil. Mapa de quilombos no Brasil, maio de 2007. Licena Creative Commons Atribuio 3.0 Brasil.para auxiliar na ampliao de sua pesqui-sa a respeito da localizao desses povos no Brasil e tambm no Estado de So Paulo: Incra, disponvel em: (acesso em: 22 out. 2013); Comunidades Quilombolas Comisso Pr--ndio de So Paulo, disponvel em: (acesso em: 22 out. 2013); Itesp/SP, disponvel em: (acesso em: 22 out. 2013).1. O mapa Comunidades quilombolas (Figu-ra 2) poder ser trabalhado no Caderno do Aluno a partir das questes:a) Identifique em quais Estados brasileiros h maior nmero de comunidades qui-lombolas reconhecidas.Espera-se que os alunos extraiam do mapa os seguintes da-dos: o maior nmero de comunidades quilombolas con-centra-se nos Estados do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, da Bahia, do Maranho e do Par.b) Que fatores podem explicar a menor par-ticipao dessas comunidades no proces-so de globalizao? Justifique. Comunidades quilombolas no Brasil, maio de 200722Como grande parte dessas comunidades encontra-se iso-lada, pois resultam das antigas reas de abrigo de escravos, espera-se que os alunos identifiquem dificuldades relativas circulao de produtos e servios caractersticos de reas mais urbanizadas e, portanto, disponibilizados pelas redes globalizadas. Podemos tambm destacar o fato de que a in-ternet se tornou um meio adequado para a difuso dos di-reitos dessas comunidades, principalmente no que concerne ao direito terra e ao reconhecimento da identidade parti-cular desses grupos.Por mais contraditria que seja essa afir-mao, a globalizao no universal. Mas pode-se afirmar que ela implica maior inter-dependncia dos pases entre si e das pessoas sob certos aspectos, alm de uma articulao instantnea entre os diferentes lugares do mundo (conexo on-line) e de uma certa ten-dncia uniformizao de padres culturais.Pode-se dizer que a multiplicao dos espaos de lucro (domnio de mercados, locais de investimento e fontes de mat-rias-primas) foi uma fora que conduziu o mundo globalizao. Entretanto, at este momento, h limitaes para a amplifica-o do fenmeno: o progresso tcnico atin-ge poucos pases e regies e, ainda assim, de forma circunscrita e com efeitos que no vo se generalizar.Est em construo uma nova cartografia do mundo com redefinies do espao geo-grfico. O professor poder trabalhar com diferentes mapas de diferentes tempos, como veremos nas prximas Situaes de Aprendi-zagem, para que os alunos consigam visuali-zar essas transformaes espaciais.Para finalizar esta Situao de Aprendizagem, no Caderno do Aluno, na seo Voc apren-deu?, est disponvel a seguinte atividade.Analise a tabela apresentada e discuta a frase a seguir:Quantidade de internautas em todo o mundo1. frica 6,31 milhes2. sia/Pacfico 187,24 milhes3. Europa 190,91 milhes4. Oriente Mdio 5,12 milhes5. Canad e EUA 182,67 milhes6. Amrica Latina 33,35 milhesTotal mundial 605,60 milhesQuadro 1 Quantidade de internautas em todo o mundo. Fonte: Nua Internet Surveys. Disponvel em: . Acesso em: 21 maio 2013.23Geografia 8 srie/9ano Volume 1Um dos principais efeitos e causas da globa-lizao a instantaneidade da comunicao, pelo uso da internet, que pode atingir todos os lugares.A tabela (Quadro 1) demonstra a desigualdade entre os continen-tes em relao ao uso da internet. A disparidade entre o mundo desenvolvido (Europa, Amrica do Norte, parte da sia e Japo) e o restante dele (pases emergentes e subdesenvolvidos) muito grande, notadamente na frica e no Oriente Mdio. Portanto, a frase relata apenas a existncia da possibilidade, tecnicamente fa-lando, uma vez que evidencia que a globalizao seletiva.Contedos: globalizao e regionalizao; impactos sociais; tendncia homogeneizao: diferenciao de reas; disparidades e desigualdades regionais.Competncias e habilidades: extrair ideias principais por meio da leitura e interpretao de textos e das ideias resultantes da discusso coletiva em sala; expressar o pensamento pela redao de textos; elaborar relatrios de leitura; relacionar conceitos; estabelecer relaes a partir de diferentes escalas geogrficas; desenvolver habilidades relativas participao coletiva.Sugesto de estratgias: leitura de textos e levantamento de dvidas sobre eles; estudo dirigido e relatrio em grupo; socializao dos relatrios; discusses coletivas; aprofundamento no grupo; sntese e comple-mentao pelo professor.Sugesto de recursos: textos; atlas; livros.Sugesto de avaliao: relatrios das discusses coletivas; participao e envolvimento nas discusses; compreenso e anlise de textos; elaborao de textos individuais e coletivos; envolvimento e participa-o nas atividades propostas, em grupo e individuais.Etapa prvia Sondagem inicial e sensibilizaoPara as atividades aqui propostas, inicial-mente o professor poder problematizar ex-perincias do cotidiano apresentadas pelos alunos. A classe deve ser estimulada a iden-tificar e comparar as experincias individuais. Isso vai ajud-los a construir conjuntamente o sentido de pluralidade de ideias, alm de ad-quirirem a predisposio ou prontido neces-srias para a nova etapa de estudos.Na Situao de Aprendizagem 2, os alunos podero aprofundar seus conhecimentos sobre o conceito de globalizao. O professor ir orien-t-los para que identifiquem elementos da globa-lizao por meio de seu efeito na economia, no cotidiano dos indivduos e na produo das di-versidades e desigualdades regionais, decorrentes da tendncia de homogeneizao desencadeada por esse processo. Para tal, o aluno dever desen-volver a capacidade de estabelecer comparaes entre reas que apresentem desenvolvimento di-ferenciado e desigual, identificando a existncia de divises de trabalho tanto no processo pro-dutivo diviso social do trabalho como entre atividades econmicas, que se territorializam a diviso territorial do trabalho.SITUAO DE APRENDIZAGEM 2 DIFERENAS REGIONAIS NA ERA DA GLOBALIZAO24Etapa 1 Globalizao: regionalizao e identidades locaisLeitura e anlise de textoComo os alunos j perceberam que h uma crescente interligao econmica no plano da escala mundial, podemos aprofundar esse entendimento com a leitura em classe do tex-to de Nstor Garca Canclini, Globalizar-se ou defender a identidade: como escapar desta opo. Essa atividade pode e deve ser com-plementada com a leitura do livro didtico adotado, alm de alguns paradidticos que versem sobre a temtica. 1. Os alunos devero ler o texto no Caderno do Aluno e, individualmente, acompanhar o roteiro a seguir: pesquisar as palavras desconhecidas no di-cionrio; grifar e destacar as ideias principais do tex-to e as dvidas; elaborar sntese individual das ideias prin-cipais do texto.Em seguida, os alunos devero formar gru-pos para: compartilhar com os colegas sua sntese individual; discutir as dvidas e as tentativas de reso-luo dentro do grupo; levantar de forma coletiva as ideias princi-pais do texto; elaborar um pequeno relatrio do grupo, sin-tetizando essa primeira discusso. Para isso, existem duas possibilidades de encaminha-mento: os alunos podero fazer um relato sobre a resoluo das questes levantadas no grupo, justificando-as; ou um relato sinttico da discusso realizada, mas que no foi sufi-ciente para a resoluo dos problemas; socializar o relatrio com os outros colegas da turma. O professor far as anotaes ne-cessrias na lousa para a sistematizao das dvidas, agrupando-as por semelhana e hie-rarquizando a importncia de cada uma delas; discusso coletiva tentativa de resoluo das dvidas com a participao de toda a classe; sntese final por parte do professor, destacan-do as principais concluses.Globalizar-se ou defender a identidade: como escapar desta opoQuando escutamos as diversas vozes que falam da globalizao, surgem os problemas, ou os contrassensos. Ao mesmo tempo em que concebida como expanso dos mercados e, portanto, da potencialidade econmica das sociedades, a globalizao reduz a capacidade de ao dos Estados nacionais, dos partidos, dos sindicatos e dos atores polticos clssicos em geral. Produz maior intercmbio transnacional, mas enfraquece a segurana de 25Geografia 8 srie/9ano Volume 1se pertencer a uma nao, porque as tarefas de deciso da poltica nacional parece que so transferidas para as empresas ou as corporaes em uma economia mundializada. Os governos nacionais ficam reduzidos a simples administradores de decises alheias.Falar de globalizao falar de integrao supranacional, isto , uma integrao que no depende das barreiras ou das fronteiras nacionais. Um dos principais obstculos para que os cidados acreditem nestes projetos de integrao supranacional so os efeitos negativos dessas transformaes nas sociedades nacionais e locais. difcil obter consenso popular para mudan-as nas relaes de produo, comrcio e consumo que tendem a enfraquecer os vnculos das pessoas com o seu territrio nativo, a suprimir postos de trabalho, aumentando o desemprego, e a achatar os preos dos produtos locais.Os cidados se sentem impotentes quando a referncia de poder uma empresa transnacio-nal que fabrica peas de um automvel ou de um televisor em quatro pases, monta o produto em um quinto e tem os seus escritrios em outros dois ou trs. Essa distncia equivale, s vezes, quela que experimentamos ao receber mensagens pela televiso, pelo cinema, pela internet, vindas de lugares no identificveis. A pergunta que surge se, perante esses poderes annimos ou translocalizados, pode haver sujeitos na produo e no consumo. Cada vez mais, trabalha-se para outros, mas no patres ou chefes identificveis, e sim empresas transnacionais annimas que ditam, a partir de lugares obscuros e tambm no identificveis, regras indiscutveis e ina-pelveis.As relaes estabelecidas entre cidados e entidades supranacionais so distantes. A globa-lizao estimula a concorrncia internacional e desestrutura a produo local ou nacional. Em relao cultura, favorece a expanso de indstrias culturais com capacidade de homogeneizar os gostos e os costumes. Destri ou enfraquece os produtores locais pouco eficientes. Em uns poucos casos, d a essas culturas a possibilidade de estilizar-se e difundir sua msica, suas festas e sua gastronomia por meio de empresas transnacionais.A concentrao nos Estados Unidos, na Europa e no Japo da pesquisa cientfica e das inovaes em informao e entretenimento aumentam a distncia entre o que se produz nos pases desenvolvidos e a produo raqutica e desatualizada das naes perifricas. O poder dos sindicatos cada vez mais limitado, e o nome que as empresas sem rosto com marca, mas sem nome do a isso flexibilizao da produo e do trabalho. Na verdade, o que se torna instvel, mais do que flexvel, so as condies de trabalho; o trabalho rgido porque incerto, o trabalhador deve cumprir risca os horrios, os rituais de submisso, a adeso a uma ordem alheia que acaba sendo interiorizada para no perder o salrio.26Exemplo de como isso acontece: so 21h10; no aeroporto berlinense de Tegel, uma voz corriqueira e amvel comunica aos exaustos passageiros que podem afinal embarcar com destino a Hamburgo. A voz pertence a Angelika B., que est sentada diante de seu painel eletrnico na Califrnia!Depois das 16h, hora local em Berlim, a locuo do aeroporto feita na Califrnia, por razes to simples como inteligentes. Em primeiro lugar, ali no necessrio pagar mais por servios fora do horrio comercial. Em segundo lugar, os custos salariais para a mesma ativi-dade so consideravelmente mais baixos na Califrnia do que na Alemanha.De maneira semelhante, as peas de entretenimento (programas de TV, videoclipes, teleno-velas...) so produzidas por outros agentes distantes, tambm sem nome, como as logomarcas [...] cujo ttulo completo a maioria muitas vezes desconhece. Em que lugar so produzidos esses thrillers, telenovelas, noticirios e seriados? Em Los Angeles, na Cidade do Mxico, em Buenos Aires, Nova Iorque ou, quem sabe, num estdio disfarado em certa baa dos Estados Unidos? Afinal, a Sony no era japonesa? Que que ela faz, ento, transmitindo de Miami?GARCA CANCLINI, Nstor. A globalizao imaginada. So Paulo: Iluminuras, 2003. p. 19-25. Adaptado.GlossrioIntercmbio transnacional: so duas as condies que podem caracterizar algo que recebe essa denominao. 1. A formao de unies regionais de naes, como no caso da Unio Europeia. Nesse exemplo, os intercmbios transcendem as naes, e as limitaes impostas pelas fronteiras nacionais, sobretudo alfandegrias, so removidas. Mas, isso ocorre apenas dentro dos pases da Unio. Os que esto de fora desse tipo de bloco regional encontraro as restries tradicionais para o ingresso de seus bens. 2. O comrcio ou a troca de bens no interior das redes das corporaes transnacionais, redes essas estruturadas na escala mundial. Esses bens circulam por vrios pases sem sair dos domnios dessas empresas, nesse sentido no so nacionais e sim transnacionais. A despeito dessa condio, esses fluxos no esto totalmente livres das regras que regulam o comrcio internacional tradicional, embora essas empresas tenham conseguido modificar cada vez mais essa regulamentao.Supranacional: o mesmo que transnacional. Refere-se a tudo que ultrapassa, ou transcende, o conceito de nao.Translocalizao: diz-se de uma empresa localizada em diferentes pases, produzindo os componentes de um mesmo produto em vrios pases.27Geografia 8 srie/9ano Volume 1Regio e a regionalizaoTanto no senso comum quanto como conceito geogrfico, o termo regio apresenta sig-nificados muito prximos: expressa a noo de que, na superfcie terrestre, existem reas que apresentam diferenas entre si.O texto prope ao leitor uma anlise geral dos efeitos da globalizao em diferentes nveis e se-tores da vida em sociedade. Sugere-se, portanto, que os alunos considerem desde situaes locais como a questo das demisses em alguma em-presa importante na cidade ou na regio; um setor produtivo que empregue muitas pessoas e dependa das exportaes para garantir empregos e salrios; as situaes que estejam na mdia e que possam ser utilizadas como contexto para exemplificar os efeitos da globalizao em diferentes escalas. Alm disso, importante que voc pondere com a turma, na discusso desse texto, que a formao dos blocos econmicos supranacio-nais (Unio Europeia, por exemplo) obedece lgica do capitalismo e responde ao princpio neoliberal de reduo de custos, aumento da produtividade e maximizao dos lucros. Por-tanto, a globalizao da economia, apoiada na eficincia cada vez maior dos sistemas produti-vos e dos meios de transporte e de comunicao, contribui para a ampliao dos mercados e o encurtamento das distncias, tornando esse pro-cesso uma tendncia em escala planetria.Para finalizar esta atividade, os alunos de-vero responder s seguintes questes, dispo-nveis no Caderno do Aluno.a) De que maneira a globalizao reduz o po-der dos Estados nacionais? Cite exemplos.A globalizao, ao facilitar a expanso das empresas transna-cionais e ampliar o comrcio mundial, auxilia no aumento do poder dessas empresas sobre as ofertas de emprego e a fixao dos salrios, por exemplo.b) A globalizao estimula a concorrncia internacional e desestrutura a produo local ou nacional. Voc concorda com essa opinio do autor? Por qu?Espera-se que os alunos, a partir da leitura e da anlise do texto, faam uma reflexo sobre as consequncias da globalizao na dinmica econmica e, especificamen-te, no mercado de trabalho. A tendncia que os alunos concordem com a afirmao do autor, mas podem surgir opinies diferentes. O importante, professor, que voc estimule a argumentao dos alunos para justificarem suas posies.Os alunos j estudaram na 6a srie/7o ano a regionalizao brasileira, portanto j es-to familiarizados com estes termos: regio-nalizao; regio e problemtica regional. Agora, na 8a srie/9o ano, convm trabalhar de forma mais aprofundada os conceitos de regio e regionalizao. O ponto de partida poder ser a leitura do seguinte texto, pre-sente tambm no Caderno do Aluno.28Essas diferenas resultam de processos histricos peculiares e podem ser mais bem percebi-das quando se estudam as comunidades primitivas. Nelas, a manifestao do trabalho humano foi responsvel por imprimir marcas e formas de ocupao prprias que as caracterizaram como nicas. Alm disso, as singularidades ocorreram em funo das formas de apropriao e descoberta das tcnicas, responsveis pela produo de artefatos sociais diferenciados.Esse processo fez que cada comunidade deixasse impressas na paisagem marcas e formas de apropriao prprias e singulares.No decorrer da histria humana, com o desenvolvimento do comrcio e em funo de pro-cessos migratrios muitas vezes impulsionados por condies naturais adversas, o contato en-tre distintas sociedades deixou aparente as marcas que as diferenciavam. Com o estabelecimento do sistema capitalista e principalmente em decorrncia da intensifi-cao do processo de globalizao, desencadeado a partir do sculo XV, as diferenas entre as regies do planeta acentuaram-se de maneira notvel, o que provocou profundas transforma-es nos modos de produo e nas formas de contato entre povos e naes. Para melhor com-preendermos como esse processo se instalou, fundamental analisarmos os seguintes pontos:a) A diviso territorial do trabalho, intensificada aps as Grandes Navegaes, foi responsvel pela definio de modos de produo diferenciados em reas diversificadas. A distino dos papis socioeconmicos entre metrpole e colnia foi responsvel, de um lado, pela criao de reas de produo manufatureira e, de outro, pela produo agroexportadora.b) A expanso das tcnicas e dos modos de produo capitalista, associada s intencionalida-des do capitalismo, criou condies para que novas formas de relaes de produo fossem incorporadas s sociedades modernas, de modo a definir o que, como e onde produzir.c) As alteraes polticas responsveis pelo surgimento dos Estados-naes e a forma como os pases se organizaram, tanto do ponto de vista da sua estrutura interna como em funo de alianas e posicionamentos ideolgicos, provocaram uma desigual ocupao espacial, assim como uma irregular distribuio das riquezas.d) Os enormes avanos no sistema de transportes e nos meios de comunicao, resultantes da incorporao de novas tecnologias, foram responsveis pelo encurtamento das distncias e pelo maior contato entre povos e naes.Elaborado por Jaime Tadeu Oliva especialmente para o So Paulo faz escola. 29Geografia 8 srie/9ano Volume 1O economista e Prmio Nobel de Econo-mia Paul Krugman, em seu livro Globalizao e Globobagens (1999), exemplifica a globalizao dos mercados ao analisar como se caracterizam as relaes comerciais atuais entre alguns pa-ses africanos e seus parceiros da comunidade europeia. Agricultores do Zimbbue fornecem hortalias frescas para o mercado ingls valen-do-se da disponibilizao de voos noturnos que as transportam para esse pas sem que ocorra perda da qualidade de seus produtos. Para o autor, essa atividade possvel por-que, na atualidade, os voos realizados por velhos Boeing entre Zimbbue e Londres esto muito mais baratos, transformando-se nos atuais na-vios cargueiros do comrcio mundial. Alm dis-so, possvel contar com a maior eficincia da rede de telecomunicaes, o que permite contato telefnico e via internet entre vendedores e com-pradores, facilitando a relao comercial entre eles. Por fim, essa relao comercial s se tornou possvel aps a aprovao de polticas de abertura dos mercados e da reduo das tarifas de impor-tao para o mercado ingls.Elaborado especialmente para o So Paulo faz escola.O texto procura aprofundar o tema estabe-lecendo relaes entre as diferentes escalas do espao mundial. Na discusso, pode-se ressal-tar a importncia do meio na formao do es-pao, assim como a influncia exercida pelos sistemas tcnicos na diviso territorial do tra-balho. Assim, pode-se dizer, por exemplo, que a cultura do habitante da Amaznia muito influenciada pelas guas e pela floresta; ou que os sistemas coloniais influenciaram na di-viso do trabalho entre metrpoles e colnias. 2. Aps a leitura, os alunos tambm devero ser orientados a seguir o mesmo roteiro proposto para o texto anterior, disponvel no Caderno do Aluno.Finalmente, o professor poder aprofundar as discusses desen-volvidas nesta Situao de Apren-dizagem pedindo aos alunos que faam as seguintes atividades propostas no Caderno do Aluno, na seo Lio de casa.1. Apresente exemplos de seu cotidiano nos quais seja possvel constatar como as ino-vaes tecnolgicas, responsveis pelo atu al estgio da globalizao, interferem na vida das pessoas de sua comunidade.Espera-se que os alunos indiquem formas de acesso s notcias e aos fatos facilitadas pela diversidade dos meios de comunicao e informao, como o uso da internet, o acesso TV a cabo, o uso de caixas eletrnicos, a rapidez na emisso de documentos (Poupatempo) etc. Alm disso, possvel constatar a grande expanso do comrcio de bens durveis e no durveis vendidos em lojas popularizadas como lojas de 1,99.a) Quais elementos citados pelo autor repre-sentam de forma concreta a globalizao dos mercados? Justifique sua resposta.Espera-se que os alunos identifiquem no desenvolvimento dos meios de transporte (aumento de velocidade, bara-teamento de custos) e no desenvolvimento dos meios de 2. Leia o texto a seguir.30comunicao (telefonia mais disseminada, acesso inter-net) as condies para ampliao geogrfica das transa-es mercantis, que podem, como no exemplo, envolver bens alimentcios no durveis (hortalias) que circulam de um continente ao outro.b) Em um de seus discursos sobre a glo-balizao, Thabo Mbeki, ex-presidente da frica do Sul, afirmou que h mais telefones na ilha de Manhattan, locali-zada na cidade de Nova Iorque, do que em toda a frica ao sul do Saara. Isso impede a insero da frica Subsaaria-na na globalizao? Justifique.S impediria se houvesse a inexistncia absoluta, o que no o caso. Alm disso, a disparidade notada na questo diz respeito ao acesso individual ao telefone. Organiza-es, empresas e rgos estatais esto inteiramente co-nectados na rede mundial, o que viabiliza a integrao nos negcios globais. E, mesmo no que diz respeito ao aces-so individual, ele crescente e tambm se d por vrios meios que no exigem necessariamente a posse de telefo-nes ou computadores.c) Em sua opinio, a realidade apontada pelo ex-presidente sul-africano tambm ocorre no Brasil? Justifique sua resposta.Espera-se que os alunos percebam que a realidade brasileira relativamente diferente da observada no continente africano. Apesar de o Brasil apresentar nveis diferenciados de desen-volvimento regional, o setor de telecomunicaes estende-se por quase todo o territrio nacional. Mas, a distribuio irre-gular da renda torna problemtico o acesso individual. A dife-rena fundamental que no Brasil as aes se do na escala de um pas e a questo da conexo pode ser melhor equaciona-da. O grande desafio eliminarmos nossa desigualdade social que semelhante africana.Para encerrar esta Situao de Aprendizagem, no Caderno do Aluno, na seo Voc aprendeu?, est disponvel a atividade a seguir. A concentrao nos Estados Unidos, na Europa e no Japo da pesquisa cientfica e das inovaes em informao e entre-tenimento aumenta a distncia entre o que se produz nos pases desenvolvidos e a produo raqutica e desatualizada das naes perifricas. Com base no trecho destacado de Garca Canclini, escreva um pequeno texto explican-do as consequncias disso para as chamadas naes perifricas.O objetivo que o aluno desenvolva e justifique as se-guintes ideias: dependncia tecnolgica, financeira, pol-tica, cultural etc. e suas consequncias: aumento das dis-paridades, fosso quase intransponvel sem investimentos e desenvolvimento de tecnologias.31Geografia 8 srie/9ano Volume 1Contedos: interligao econmica e financeira; regionalizao mundial.Competncias e habilidades: identificar as questes principais por meio de leitura e interpretao de textos, de mapas, de grficos e das ideias resultantes da participao nas discusses coletivas em sala; expressar o pensamento pela redao de textos; relacionar conceitos; estabelecer relaes a partir de diferentes escalas geogrficas; elaborar mapas; desenvolver habilidades relativas participao coletiva.Sugesto de estratgias: retrospectiva histrico-espacial, tendo o mundo atual como ponto de partida; dilogo para diagnosticar a compreenso ou o entendimento do mundo contemporneo; levantamento das fontes para as informaes trazidas, como filmes assistidos, o uso da internet, contedos anteriores de Histria e Geografia; retomada do texto lido na Situao de Aprendizagem 2; anlise e interpretao de mapas: estudo comparativo; comparao dos agrupamentos realizados na primeira atividade com a regionalizao produzida por meio do exerccio do poder poltico-econmico; aulas dialogadas.Sugesto de recursos: textos; mapas; filmes.Sugesto de avaliao: compreenso e anlise de textos; compreenso e anlise de mapas, grficos e tabelas; produo de textos; fichamentos, resumos ou comentrios a respeito de leitura indicada; envol-vimento e participao nas atividades propostas no grupo e individualmente.SITUAO DE APRENDIZAGEM 3 AS POSSIBILIDADES DE REGIONALIZAO DO MUNDO CONTEMPORNEONesta Situao de Aprendizagem, o aluno dever se preparar para elaborar o desenho atual da regionalizao mundial. Para isso preciso estimular, por meio de uma retrospec-tiva histrico-geogrfica, a compreenso do mundo contemporneo de modo a possibili-tar que se construa a caracterizao da globa-lizao para que, em seguida, seja introduzida a nova problemtica: as diversas interpreta-es e classificaes das diferenas regionais na escala mundial (regionalizaes). O aluno dever desenvolver habilidades que lhe permi-tam comparar as diferentes propostas de re-gionalizao.Etapa prvia Sondagem inicial e sensibilizaoO ponto de partida o mundo real e, por-tanto, na aula, o professor poder diagnosti-car o repertrio de cada aluno a respeito do mundo contemporneo. Seria bom centrar as questes sobre as diferenas existentes na comparao entre regies do mundo, consi-derando a origem das ideias e tambm as fon-tes das informaes. Outra boa iniciativa seria propiciar a discusso para a verificao de que as situaes so historicamente produzidas.Etapa 1 Os modos de ver a ordem mundialPara o desenvolvimento desta etapa, sero solicitadas aos alunos a leitura e a interpreta-o de diversos mapas. Essa uma das habi-lidades mais importantes da Geografia, e sua aprendizagem possibilita ao aluno aplic-la sis-tematicamente a todos os contedos da Geo-grafia, alm de contribuir para a solidificao do aprendido. Com a Cartografia, podem-se expressar graficamente relaes espaciais entre fenmenos que tenham expresso geogrfica.32A leitura cartogrfica envolve, necessa-riamente, comparao, diferenciao e clas-sificao dos objetos, alm da anlise das relaes entre eles. Mapas e grficos comple-mentam as ideias expressas pelos conceitos estudados, permitindo aos alunos observar diversos aspectos da realidade sintetizados no mapa ou mesmo no grfico, tornando os estudantes aptos a compreender, interpretar e analisar a realidade que os cerca e o mundo em sua complexidade.Para a compreenso da viso dominante sobre como a diviso regional atual do mundo, poderemos comear com a abor-dagem mais tradicional de todas: a diviso por continentes. Em seguida, apresentare-mos a regionalizao de acordo com os sis-temas econmicos vigentes na maior parte do sculo XX pases capitalistas e socia-listas; depois, a proposta de regionalizar o mundo com base no desenvolvimento e no subdesenvolvimento para, ento, conside-rar as propostas de subdividi-lo em Primei-ro, Segundo e Terceiro Mundos.O professor poderia comear contrapon-do a ideia de mundo bipolar (o da Guerra Fria) com a de mundo multipolar, lembran-do que essa ltima expresso est relacio-nada discusso de uma suposta Nova Ordem Mundial e aos blocos de poder no mundo contemporneo. O que se pretende demonstrar ao estudante que as vrias e possveis classificaes regionais resultam de situaes historicamente produzidas e, por conta disso, no rgidas.Inicialmente, o professor poder inventariar o repertrio dos alunos sobre o mundo con-temporneo e suas diferenciaes. A atividade ser desenvolvida pela interpretao de dife-rentes mapas-mndi, com diferentes propostas de regionalizao. Enfim, esse estudo poder ser encerrado com a apresentao de um fil-me ou mesmo pela indicao de filmografia relacionada temtica estudada, para que os alunos tenham contato com o tema a partir de outra linguagem e do trabalho ficcional.O prximo passo consistir em orientar o estudo dos alunos para a compreenso do de-senho atual da regionalizao mundial. Para isso, importante uma retrospectiva histri-co-espacial.Nosso ponto de partida pode ser uma con-versa com os alunos para diagnosticar qual a compreenso ou o entendimento que tm desse mundo contemporneo. J trabalhamos, no item anterior, a globalizao; agora, vamos retomar algumas caractersticas do mundo globalizado para a introduo do nosso pro-blema atual a regionalizao do mundo (os modos de apreender as diferenas regionais).O professor dever indicar como atividade extraclasse a leitura de um texto, como sugeri-do na Situao de Aprendizagem 2, que pode constar do livro didtico ou ser um paradid-tico que aborde a temtica aqui estudada. Em relao ltima possibilidade, o aluno dever ser orientado a produzir um fichamento, re-sumo ou comentrio crtico sobre a leitura, a critrio do professor.33Geografia 8 srie/9ano Volume 1Leitura e anlise de mapa1. Como ponto de partida, sugerimos uma atividade do Caderno do Aluno na qual usaremos o mapa mudo da seo Pesquisa em grupo Situao de Aprendizagem 1, que assinala a posio geogrfica dos produtos consumidos em nosso cotidiano. a) Os alunos devero observar atentamen-te apenas a base cartogrfica (mapa mudo) para responder: qual regionali-zao do mundo est representada nes-sa base cartogrfica? Explique.Espera-se que os alunos apontem que no mapa-mndi j con-tm uma primeira regionalizao natural do mundo: a diviso por continentes baseada em fatores naturais, pois apresenta a diviso entre terras emersas (continentais e ilhas) e oceanos e mares.b) Posteriormente, os alunos devero obser-var o mapa de fluxos produzido pelo grupo e verificar quais continentes e pases apre-sentam os maiores fluxos para o Brasil.O sentido dos fluxos identificados nos mapas produzidos na Situao de Aprendizagem 1 deve auxiliar na identificao de uma outra regionalizao, assinalada por pases e regies mais dinmicos economicamente e vice-versa. Isso permite esboar uma primeira regionalizao com base nesses fluxos.Agora, todos os alunos j tm uma noo do que o mundo contemporneo. Podemos, por-tanto, continuar com essa questo e orientar o debate ou a conversa para uma caracterizao inicial desse mundo. Quais os pases ou regies mais desenvolvidos e que apresentam empresas mais poderosas?Provavelmente os pases e as regies lembrados sero: Esta-dos Unidos, Canad, Japo, Europa ou pases da Europa Oci-dental, ou ainda a Austrlia. O que os alunos pensam desses pases e continentes?Provavelmente as referncias sero relativas riqueza da economia e das pessoas, bem como tecnologia avanada. Como se estabelecem as relaes entre os dife-rentes pases e/ou continentes do mundo?Novamente a tecnologia, em especial as de transporte e co-municaes, poder ser a resposta, e alguns podem mencio-nar a proximidade.Filmes assistidos, o uso da internet, con-tedos anteriores de Histria e Geografia po-dem auxiliar tambm.Provavelmente, nesse levantamento inicial, os olhares dos alunos estaro voltados para as questes relacionadas a hbitos, modos de vida, esporte, itens de consumo (vesturio, auto-mveis, eletroeletrnicos), alm de produtos da indstria cultural e de entretenimento, princi-palmente msica e cinema dos Estados Unidos. Afinal, estamos inseridos na sociedade de con-sumo, e os apelos publicitrios so muito efi-cazes. O professor pode, novamente, recordar o texto de Garca Canclini, lido na Situao de Aprendizagem 2.Essas informaes so importantes para uma primeira caracterizao. O aluno dever ser auxiliado a completar esse rol de informa-es, que permitem a identificao dos pases, e, depois, o professor deve propor que pensem em possibilidades de agrupamentos de pases em funo dessa caracterizao inicial.34Etapa 2 Principais processos de integrao regional, 2010Leitura e anlise de mapaAgora, os alunos iro trabalhar com o mapa da Figura 3, tambm disponvel no Caderno do Aluno, que apresenta os principais processos de integrao regional no mundo contemporneo.Figura 3 Integraes regionais com objetivo econmico, situao em 1o de novembro de 2012. Ensembles regionaux vocation conomique, situation au 1er novembre 2012. Atelier de Cartographie de Sciences Po. Mapa original (base cartogrfica com generalizao; algumas feies do territrio no esto representadas em detalhe; sem escala; sem indicao de norte geogrfico). Traduo: Benjamin Potet.Os processos de integrao regional re-presentados so a expresso de uma nova ordem, que multipolar, visto que alguns desses novos blocos esto polarizando for-CCG Conselho de Cooperao do GolfoCEDEAO Comunidade Econmica dos Estados da frica OcidentalCEEAC Comunidade Econmica dos Estados da frica CentralCEMAC Comunidade Econmica e Monetria da frica CentralCEMB Conselho dos Estados do Mar BlticoCEN-SAD Comunidade dos Estados Sahelo-saarianosCOI Comisso do Oceano ndicoCOMESA Mercado Comum da frica Oriental e AustralEAC Comunidade da frica OrientalEURASEC Comunidade Econmica EurasiticaIGAD Autoridade Intergovernamental para o DesenvolvimentoIOR-ARC Associao dos Pases da Orla do Oceano ndico para a Cooperao RegionalMCCA Mercado Comum Centro-americanoMERCOSUL Mercado Comum do SulNAFTA Tratado Norte-americano de Livre ComrcioOECO Organizao dos Estados do Caribe Orientalas econmicas e polticas (e interferindo at mesmo na ordem geopoltica, que envolve a fora militar de pases e blocos) suficientes para substituir a ordem mundial anterior.A S E A NCCGCCGS A A RCS A A RCI G A DI G A DN A F T AP I FU N A S U LA L BAA E CC A R I CO MC A NM CC AM CC AA L A D IA P E CU EU M AC E N - S A DC E D E AOC E M ACS AC US AC UC E E ACC E E ACC E M BU E M OAS A D CI O R -A RCM E RCO S U LE U R A S E CE ACCOICOICOM E S AA S E A N + 3O E COAteli de Cartografia da Sciences Po, 2012Integraes regionais com objetivo econmico, situao em 1 de novembro de 2012Fonte: compilao dos sites oficiais das organizaes.AEC Associao dos Estados do CaribeALADI Associao Latino-americana de IntegraoALBA Aliana Bolivariana para os Povos da Nossa AmricaAPEC Cooperao Econmica da sia e do PacficoASEAN Associao de Naes do Sudeste AsiticoASEAN +3 Asean e China, Japo e Coreia do SulCAN Comunidade Andina de NaesCARICOM Comunidade do CaribePIF Frum das Ilhas do PacficoSAARC Associao Sul-asitica para a Cooperao RegionalSACU Unio Aduaneira da frica AustralSADC Comunidade para o Desenvolvimento da frica AustralUE Unio EuropeiaUEMOA Unio Econmica e Monetria do Oeste AfricanoUMA Unio do Magreb rabeUNASUL Unio de Naes Sul-americanas35Geografia 8 srie/9ano Volume 12. Os alunos devero observar o mapa da Fi-gura 3 e responder s seguintes questes do Caderno do Aluno. a) As regies com maiores fluxos, identifi-cadas na questo anterior, relacionam--se a qual(ais) bloco(s) regional(ais) representado(s) no mapa? Na sua opi-nio, por que isso acontece?Espera-se que os alunos comparem os agrupamentos por eles realizados sobre os pases mais desenvolvidos (aqueles que registram o maior nmero de empresas e marcas que con-sumimos) com os agrupamentos regionais que aparecem no mapa. Certamente identificaro as coincidncias entre os agrupamentos, j que o mundo contemporneo muito in-fluenciado por pases com economias mais dinmicas.b) Considerando o dinamismo das econo-mias mundiais, esto ocorrendo mudan-as regionais significativas na sia? Qual pas encontra-se em plena expanso eco-nmica, transformando-se em possvel li-derana regional? E qual pas localizado na mesma regio o mais ameaado por essa liderana? Justifique sua resposta. A atual configurao encontrada j est mudando, o que de-monstra a mudana constante das regionalizaes. A China, por exemplo, com seu dinamismo econmico, destaca-se no bloco do Pacfico, colocando em xeque a liderana do Japo na regio.O NAFTA, Tratado Norte-Americano de Livre Comrcio (North American Free Trade Agreement), bloco composto pelos pases norte americanos, tendo o dlar como refe-rncia monetria, est sob a liderana dos Estados Unidos. fundamental ressaltar que os EUA exercem incontestvel influncia re-gional, mas, sobretudo, na escala global.O segundo bloco o europeu, cuja refern-cia monetria o euro, sob comando dos pases que compem a Unio Europeia e com rea de influncia que abrange o Norte da frica e par-te do Oriente Mdio. Esse bloco tambm exerce poderosa influncia na escala global.Por fim, temos a APEC (Cooperao Eco-nmica da sia e do Pacfico, em ingls Asia--Pacific Economic Cooperation). A referncia monetria ainda o iene (japons) e a rea de projeo econmica compreende o chamado Cinturo do Pacfico, a China, a Austrlia e a Nova Zelndia. No podemos nos esquecer de que, nesse bloco, a influncia dos Estados Uni-dos , tambm, muito significativa.As relaes de poder, como j dito, vm se al-terando, mas no apenas no interior dos blocos. Novos laos se estabelecem entre as regies e os agrupamentos de pases. O Brasil, por exemplo, tem procurado, estrategicamente, incrementar o intercmbio comercial com a China, firmando acordos comerciais e, assim, reduzindo sua de-pendncia (e a do restante da Amrica do Sul) em relao aos EUA. Atualmente, j somos o prin-cipal parceiro econmico da China na Amrica Latina. Empresas brasileiras tm ampliado seus negcios naquele pas, exportando, por exemplo, as turbinas geradoras para a hidreltrica de Trs Gargantas. A cooperao estende-se para o setor aeroespacial, com o desenvolvimento conjunto de satlites para meteorologia e telecomunicaes.Para confrontar essa complexidade de dife-renas regionais que se constri nos dias atuais, importante trabalhar com outros mapas que re-produzam regionalizaes de demais momentos 36histricos, porm que ainda exercem influncia no mundo atual, ao mesmo tempo que auxiliam no seu entendimento. Por exemplo: mapa do perodo da Guerra Fria, com o mundo bipolarizado entre o bloco capitalis-ta (sob a liderana dos Estados Unidos da Amrica) e o bloco socialista (Unio das Re-pblicas Socialistas Soviticas); mapa que representa o mundo dividido entre pases desenvolvidos e subdesenvolvidos; mapa que representa um mundo dividido em trs segmentos: Primeiro Mundo, ou pases capitalistas desenvolvidos; Segundo Mundo, ou pases de economia planificada ou socialista; e Terceiro Mundo, que cor-responderia aos pases subdesenvolvidos.O mapa da Figura 4, tambm disponvel no Caderno do Aluno, representa e exempli-fica uma regionalizao de acordo com os sis-temas econmicos vigentes na maior parte do sculo XX, isto , o grupo de pases capitalis-tas e o grupo de pases socialistas.Figura 4 A bipolaridade e a ordem westfaliana - 1950-1980. La bipolarit et lordre westphalien (1950-1980). Atelier de Cartographie de Sciences Po. Disponvel em: . Acesso em: 21 out. 2013. Mapa original (base cartogrfica com generalizao; algumas feies do territrio no esto representadas em detalhe; sem escala; sem indicao de norte geogrfico). Traduo: Rene Zicman.A Nova Ordem Mundial surgiu aps a crise e dissoluo da URSS. Depois de um pero do de crescimento econmico marcado por intensa industrializao e posteriormente pela corrida Projeo de J. Bertin, 1950A BIPOLARIDADE E A ORDEM WESTFALIANA - 1950-1980Os territriosA bipolaridadePases ligados aos EUA por um acordo militar, como a OtanFronteiras fechadaspela Guerra FriaImplante do EstadoConflitos ligados definio das identidades territoriais ou separatistasOutros pases ligados ao bloco do Oeste (1980)Outros pases ligados ao bloco do Leste (em torno de 1980)Conflitos ou crises ligadosao enfrentamento Leste-OestePases ligados URSSpor um acordo militar, como o Pacto de VarsviaCoreia, 1950-53Cuba 1962Nicargua1979-90IrlandaPas BascoSaara Ocid.Ex-IugoslviaCurdistoNigria 1970-75EtipiaSomliaSri LankaGrandes Lagosanos 1960 e 1990Indochina, Vietn1945-75Oficina de cartografia da Sciences Po,R. GIMENO, C. GOIRAND, outubro de 199837Geografia 8 srie/9ano Volume 1espacial (URSS EUA), a economia soviti-ca perdeu terreno em relao aos pases capi-talistas, tendo seu PIB superado, por exemplo, pelo do Japo. No interior da crise ficou claro o quanto o pas estava defasado no desenvol-vimento tecnolgico, em especial no segmento das tecnologias de informao e comunicao (TICs). Esse foi um dos fatores responsveis pela desintegrao do imprio sovitico. Num primeiro momento, para enfrentar a crise, dimi-nuiu-se o investimento em armas e ampliaram--se os aportes na agricultura e na indstria de bens de consumo. Ao mesmo tempo, tentou-se uma aproximao com os EUA. A mesma po-ltica estendeu-se aos pases socialistas que esta-vam sob a esfera de dominao da URSS, em especial no Leste Europeu.Dois acontecimentos marcaram esse perodo:1. A queda do Muro de Berlim (1989), o prin-cipal smbolo da Guerra Fria, e a reunifica-o da Alemanha.2. A independncia de vrias das repblicas que compunham a URSS. Em 1991, 10 repblicas das 15 anteriores que compunham a URSS fundaram a Comunidade de Estados Indepen-dentes (CEI) (Armnia, Belarus, Casaquisto, Federao Russa, Moldvia, Quirguisto, Tadjiquisto, Turcomenisto, Ucrnia, Uz-bequisto). Em 1993, mais duas repblicas ingressaram na CEI: Gergia e Azerbaijo. Ficaram de fora a Estnia, a Letnia e a Li-tunia, que se incorporaram Unio Euro-peia. Assim, a URSS desagregou-se e chegou ao fim, e, com ela, a ordem mundial bipolar (EUA URSS) tambm desmoronou. Leitura e anlise de mapaO professor poder desenvolver o tema por meio da seguinte atividade do Caderno do Aluno.1. Com base no mapa da Figura 4, os alunos devero observar a forma de regionaliza-o e preencher o quadro a seguir.Sistema bipolarPases lderes Estados Unidos Unio das Repblicas Socialistas SoviticasPases aliadosPases capitalistas como Reino Unido, Frana, Ale-manha Ocidental ou Repblica Federativa da Ale-manha (RFA), Canad, Austrlia e outros ligados aos EUA por acordos como a OtanPases socialistas localizados no Leste Europeu: Tche-coslovquia, Hungria, Romnia, Bulgria, Polnia, Alemanha Oriental ou Repblica Democrtica da Alemanha (RDA) e outros ligados URSS por acordo militar como o Pacto de VarsviaOutras alianasAmrica Latina (inclusive Mxico, com exceo de Nicargua e Cuba), Marrocos, Arbia Saudita, SomliaArglia, Lbia, Etipia, Moambique, Angola, Nigria (durante certo perodo: Imen, Om)Quadro 2.Para maior envolvimento dos alunos no es-tudo desse tema, o professor poder sugerir que assistam ao filme Adeus, Lnin! (direo de Wolf-gang Becker, 2003). Partes do filme, selecionadas pelo professor, podem ser exibidas na escola, mas o professor poder sugerir tambm que os alunos 38se organizem em grupos para assistirem juntos em uma atividade extraclasse. Trata-se de um fil-me leve, divertido, ideal para a faixa etria com a qual trabalhamos, que conta a histria de uma famlia que vive na Alemanha aps a queda do Muro de Berlim. A me do protagonista, uma so-cialista conservadora, entra em coma quando o Muro de Berlim cai. Ela acorda oito meses depois e no poder sofrer nenhuma emoo forte, o que faz o filho tentar esconder das maneiras mais inusitadas as transformaes sofridas pelo pas.Aps a sugesto do filme, o professor pode prosseguir com as explicaes sobre o assunto tratado. Com a dissoluo do bloco socialis-ta do Leste Europeu, comea um novo pero-do. Para alguns, trata-se de uma Nova Ordem Mundial, com um mundo multipolarizado; para outros, um mundo subordinado ao sistema capitalista, sob a hegemonia dos Estados Uni-dos e das grandes corporaes internacionais.E quanto s demais classificaes: mundo de-senvolvido/mundo subdesenvolvido, centro/peri-feria: at que ponto estariam tambm superadas?A contraposio desenvolvimento x subde-senvolvimento e escala mundial corresponde a um processo histrico, de interdependncia en-tre pases e marcado por relaes comerciais (de troca) desiguais, que produzem estruturas eco-nmicas, sociais e espaciais diferenciadas.Trata-se tambm de uma forma de dividir o mundo resultante da posio ocupada pelas regies no interior do sistema mundial e em cada momento histrico.Leitura e anlise de mapa2. Para a compreenso dessa condio de de-sigualdade, pode-se pedir aos alunos que analisem, no Caderno do Aluno, o mapa da Figura 5 e, depois, que respondam s ques-tes propostas.a) Alm das setas h tambm crculos de diversos tamanhos. Observe a legenda e indique o que eles significam. Depois, mencione as reas onde o comrcio nes-sa escala mais intenso.Espera-se que o aluno perceba que esses crculos de tamanhos diversos representam as dimenses do comrcio na escala intrar-regional e que ele identifique a Unio Europeia, a sia e a Amrica do Norte como os protagonistas de maior relevncia nesse caso.b) Por que as setas possuem espessuras distintas?Espera-se que o aluno perceba que as espessuras distintas correspondem ao tamanho do fluxo do comrcio na escala mundial.c) Preencha o quadro indicando os maio-res polos de comrcio mundial de mer-cadorias e tambm as reas de maior fragilidade nas trocas mundiais. Note que, nesse caso, estamos nos referindo ao conjunto representado pelas setas.Maiores polos de comrcio mundialUnio Europeia, sia, Amrica do Norte, Oriente Mdio (em razo de sua produo petrolfera)Polos menores nas trocas mundiaisfrica, Amrica do Sul e Central, CEIQuadro 3.39Geografia 8 srie/9ano Volume 1Figura 5 Comrcio mundial de mercadorias, 2010. Atelier de Cartographie de Sciences Po. Disponvel em: . Acesso em: 21 out. 2013. Mapa original (base cartogrfica com generalizao; algumas feies do territrio no esto representadas em detalhe; sem escala). 403. Considerando os mapas das Figuras 4 e 5, por que se pode considerar superada a re-gionalizao bipolar do mundo?O primeiro mapa representa a diviso bipolar do mundo entre capitalismo, sob a hegemonia dos Estados Unidos, e socialismo, sob a liderana da extinta URSS, alm das re-gies perifricas dominadas por esses pases polarizadores. Essa diviso, tpica do perodo da Guerra Fria, foi superada com o fim da URSS e o domnio do capitalismo, sob a forte liderana dos EUA. Nessa nova configurao, surgem novos centros econmicos no mundo que polarizam suas regies, ampliando as relaes de influncia regional e global, como mostra o segundo mapa.4. Considerando as discusses j feitas, assi-nale a alternativa correta:a) Os pases da Unio Europeia, diferente-mente dos Estados Unidos e do Japo, so os mais dinmicos economicamen-te, porque so os nicos a se organizar em blocos regionais.b) No so somente os pases que se orga-nizam em blocos regionais que atuam no comrcio em escala mundial. Esse o caso da China, que de forma indepen-dente uma potncia comercial.c) Com a constituio do Mercosul, a Amrica do Sul est se isolando do pro-cesso de globalizao, visto que essa organizao restringe as relaes com a escala mundial.d) Os pases que esto se organizando em blocos regionais veem diminuir os in-vestimentos internacionais em seus ter-ritrios. Isso se d inclusive na Europa.e) Considerando que os Estados Unidos tm a hegemonia do quadro mundial, correto falar em mundo multipolar.O agrupamento dos pases em blocos econmicos regio-nais no corresponde a todas as dinmicas importantes que ocorrem na ordem mundial contempornea, organizada de modo multipolar. Um pas como a China, com imensa popu-lao e grande produo e potencial de crescimento con-ta sozinho como uma fora importante nessa Nova Ordem Mundial.Como prxima atividade, os alunos devero analisar o mapa Comrcio mundial de mercado-rias, 2010 (Figura 5) e os Quadros 4a e 4b para, com base neles, produzir um relatrio que discuta as questes a seguir. A atividade encontra-se no Caderno do Aluno, na seo Pesquisa em grupo.O que os pases centrais recebem dos pases perifricos1. Matrias-primas e bens manufaturados simples2. Mo de obra no qualificada ou semi-qualificada, alm da altamente especia-lizada3. Subordinao e dependncia nas deci-ses 4. Pagamento de juros de dvidas, paga-mento de royaltiesQuadro 4a O que os pases centrais recebem dos pases pe-rifricos. Elaborado por Jaime Tadeu Oliva especialmente para o So Paulo faz escola.41Geografia 8 srie/9ano Volume 1O que os pases perifricos recebem dos pases centrais1. Manufaturas de alto valor agregado, tecnologia, servios sofisticados2. Quadros tcnicos especializados, turis-tas3. Decises estratgicas, impacto das deci-ses polticas4. Investimentos de capitais, emprstimos, autorizao para uso de patentesQuadro 4b O que os pases perifricos recebem dos pases centrais. Elaborado por Jaime Tadeu Oliva especialmente para o So Paulo faz escola. Quais pases do mundo podem ser conside-rados centrais? E quais so representativos da periferia? Considerando que a atual ordem mundial multipolar, como explicar a contradio resultante da diviso do mundo entre cen-tro e periferia? Qual a relao existente entre a fragi-lidade econmica e social de alguns pa-ses e sua condio perifrica na ordem mundial?Resumidamente: possvel ainda enxergar nesse mundo agora multipolar um centro e uma periferia?No texto dos alunos, espera-se que eles percebam e com-preendam a existncia de desigualdades, contemplando a indicao de que os EUA, o Canad, os pases da Europa Ocidental, o Japo e a Austrlia so representativos dos pases centrais, enquanto os pases africanos, parte dos asiticos e dos latino-americanos representam os pases perifricos. Vale assinalar que a condio marginal de par-ticipao na troca mundial de mercadorias de certas reas do planeta (Amrica do Sul e Central, frica e partes da sia) revela, entre outros aspectos, a condio de subde-senvolvimento (ou de atraso econmico) de alguns pases. Isso indica a validade de uma possvel perspectiva que as-sinale uma diviso do mundo entre pases desenvolvidos e subdesenvolvidos. Essa condio margem dos grandes fluxos comerciais do mundo no significa que os pases da periferia no se relacionam com os dos centros, mas sim que suas relaes so marcadas por desigualdades e desvantagens no valor econmico das transaes e no poder de decises.O Caderno do Aluno prope uma atividade de palavras cruzadas na seo Lio de casa, a fim de fixar os contedos apresentados.Palavras cruzadas1. Nova Ordem Mundial.2. Unio das Repblicas Socialistas Soviti-cas.3. Ordem mundial ps-Segunda Guerra Mundial.4. Pases ricos.5. Capital da Alemanha.6. Pases perifricos.7. Moeda adotada pela maioria dos pases da Unio Europeia.8. rea de livre comrcio entre Canad, EUA e Mxico.9. Moeda dos EUA.10. rea de livre comrcio da sia/Pacfico.11. Bloco regional sul-americano.12. Moeda japonesa.426P1 M U L T I P O L A R I D A D E2 U R S S 7E E 11S U 9 M3 B I P O L A R I D A D EO O RB L CR 8 A 10 O4 P A S E S C E N T R A I SS A P U 12F 5 B E R L I MT C EA NEE, finalmente, na seo Voc aprendeu?, os alunos podero responder s questes seguintes.1. A globalizao no aplainou o mundo, no internacionalizou as riquezas, os sa-beres e os valores previstos, no extinguiu todas as fronteiras (AUGUSTO, Srgio. E no que deu tudo errado? O Estado de S. Paulo, 29 out. 2007). Em relao a essa afirmao pode-se dizer que ela :a) incorreta, porque a revoluo tecnolgica permite uma melhor distribuio da ri-queza e do acesso informao.b) correta, porque a globalizao surge com a derrocada do socialismo e o fim da Guerra Fria, responsveis pelo empobrecimento de grandes extenses do planeta.c) incorreta, porque com a globalizao te-mos a aproximao dos mercados, que faz que os fluxos de mercadorias aconte-am em escala global.d) correta, porque a aplicao de inves-timentos, a distribuio da riqueza e o poderio poltico-militar encon-tram-se ainda altamente concentra-dos.e) correta, porque a insegurana poltico--militar do mundo contemporneo inibe as relaes comerciais e culturais entre as naes mais distantes.Diferentemente do senso comum, que costuma afirmar sobre uma situao de integrao geral no mundo, de eliminao das desigualdades, de ampliao do desenvol-vimento, o processo de globalizao no d ainda essas indicaes; ao contrrio: so novas as desigualdades.43Geografia 8 srie/9ano Volume 12. Assinale a alternativa correta, relaciona-da chamada Nova Ordem Mundial, que apresentaria os seguintes fenmenos dos novos blocos de poder.a) No perodo da Guerra Fria, o poderio econmico e poltico era disputado pe-los Estados Unidos e pela Alemanha.b) A Alemanha Ocidental aderiu ao capi-talismo nos anos 1990, gerando a crise que levou desintegrao do imprio sovitico.c) O rompimento com a bipolarizao fa-voreceu o desenvolvimento do capitalis-mo de Estado.d) A multipolarizao que muitos obser-vam no mundo se deve aos novos n-cleos de poder econmico que concor-rem com os EUA, tais como o Extremo Oriente (China, Japo e Coreia do Sul) e a Unio Europeia.e) Os pases considerados emergentes (Brasil, Rssia, ndia, Argentina) disputam uma vaga no mundo multipolarizado.No faz mais sentido olhar o mundo a partir da oposio capitalismo e socialismo uma ordem bipolar. Parece mais real pensar a ordem mundial com base na polarizao eco-nmica (e no mais ideolgica) e, nesse caso, nota-se uma multipolarizao dada pela organizao de blocos econ-micos (como no caso da Unio Europeia) e pela ascenso econmica dos pases do Extremo Oriente.SITUAO DE APRENDIZAGEM 4 OS PRINCIPAIS BLOCOS ECONMICOS SUPRANACIONAISNesta Situao de Aprendizagem, os alu-nos realizaro um estudo comparativo sobre os principais blocos econmicos suprana-cionais, para compreender as consequncias de seu funcionamento na escala regional e mundial, assim como dos impactos sobre os pases-membros. Sero utilizados elementos de interpretao para que os alunos desen-volvam relaes com o processo de globali-zao, ou seja, para que identifiquem essas estratgias de agrupamento como parte do processo de integrao econmica na escala mundial, que acirra a concorrncia entre em-presas e naes, sendo os blocos econmicos uma possibilidade para a afirmao econ-mica e poltica dos pases envolvidos.Um trabalho de pesquisa, sugerido no de-correr da atividade, permitir ao professor avaliar a produo individual e coletiva dos alunos. Eles devero ser estimulados a apre-sentar a concluso dos trabalhos para toda a sala por meio de exposio oral, na qual se avalia a preparao individual e a capacida-de de sintetizar ideias, alm da organizao e criatividade do grupo.44Contedos: blocos econmicos supranacionais.Competncias e habilidades: identificar as ideias principais resultantes da leitura e interpretao de tex-tos, bem como da participao em discusses em grupo; organizar, sistematizar e sintetizar informaes; relacionar conceitos; estabelecer relaes; fazer comparaes com base em diferentes escalas geogrfi-cas; ler e interpretar mapas; desenvolver habilidades relativas participao coletiva.Sugesto de estratgias: aulas dialogadas; identificao das potencialidades de aes produzidas por atividades realizadas em grupo e com planejamento; identificao dos blocos econmicos a partir de pesquisas em grupo; relacionar e comparar os diferentes agrupamentos econmicos; concluir sobre o significado desse processo; leitura e interpretao de textos, mapas, grficos e tabelas; atividades em grupo.Sugesto de recursos: internet; livros; revistas; mapas.Sugesto de avaliao: compreenso e anlise de textos, mapas, grficos e tabelas; elaborao de pes-quisa e de painel-sntese; apresentao oral; envolvimento e participao nas atividades propostas em grupo e individuais.Etapa prvia Sondagem inicial e sensibilizaoO professor poder questionar o que os alunos conhecem sobre alguns blocos econ-micos supranacionais, como a Unio Euro-peia ou o Mercosul. Eles saberiam dizer se, por exemplo, os EUA estimulam e participam de algum bloco supranacional?As etapas desta Situao de Aprendizagem sero baseadas na leitura de textos. Assim, su-gerimos um roteiro para auxiliar a atividade de leitura:A anlise temtica implica a compreenso da mensagem geral expressa no texto, com o in-tuito de apreender o contedo da mensagem do autor sem intervir nela. Nessa etapa, o leitor dever fazer ao texto uma srie de perguntas: De que assunto o texto trata? Qual o tema ou o assunto da unidade relacionado perspec-tiva de abordagem do autor (o mbito dentro do qual o tema tratado)? Como o assunto apresentado? A formulao do problema em geral implcita, cabendo ao leitor explicit-la. O que o autor fala sobre o tema? Que posio assume? Que ideia defende? O que quer demonstrar? A resposta a essas questes revela a ideia central, proposio fundamental ou tese. Trata-se da ideia principal defendida pelo autor naquela unidade.A ideia central caracteriza-se como hiptese geral da unidade, que ser demonstrada me-diante o raciocnio do autor.45Geografia 8 srie/9ano Volume 1 Quais argumentos o autor defende? Qual o seu raciocnio? mediante o raciocnio que o autor compe a estrutura lgica do texto e demonstra a tese que pretende apresentar.A anlise temtica serve de base para o resumo do texto: a sntese das ideias do raciocnio, e no a mera reproduo de pargrafos. O resumo pode ser escrito com outras palavras, desde que as ideias sejam as mesmas do texto.Essa anlise fornece as condies para construir tecnicamente um roteiro de leitura, para orientar estudos, seminrios e estudos dirigidos.SEVERINO, Antnio Joaquim. Metodologia do trabalho cientfico. So Paulo: Cortez, 1998. Adaptado.Etapa 1 A formao dos blocos supranacionaisPara esta etapa, os alunos podero iniciar o estudo com uma atividade cartogrfica, por meio da qual devero procurar indivi-dualmente no mapa-mndi a localizao dos pa ses que compem o Mercosul. Em segui-da, em grupo, podero identificar no mapa a localizao dos pases que compem a Unio Europeia. Depois disso, o professor poder pedir que os grupos comparem os dois blocos, avaliando e ressaltando as diferenas socioe-conmicas dos pases que os integram.Aps a apresentao dos comentrios, o professor pode provocar os alunos, estimulan-do-os a levantar hipteses sobre os motivos que levaram esses pases a se unir em vez de agir solitariamente no mercado internacional. A partir dessas reflexes, poder propor o es-tudo a respeito da rea de abrangncia dos di-versos blocos econmicos supranacionais. Far parte desse estudo, tambm, a compreenso dos impactos territoriais, ou seja, das consequncias para os pases-membros e os demais.Uma estratgia interessante introduzir o tema, relacionando-o ao processo de globaliza-o. Os alunos, ao interpretarem esses blocos, podero aprender que essas localizaes no so dados meramente pontuais, mas que tm, de fato, um significado estratgico e poltico.Para a realizao das atividades desta Situao de Aprendizagem, o professor po-der solicitar aos alunos uma pesquisa so-bre um bloco econmico escolhido em uma lista apresentada por ele, destacando o sig-nificado da sigla, o histrico de expanso, os fatores de aglutinao e o perfil tcnico de cada bloco.Caber ao professor explicar aos alunos que um bloco econmico uma associao de pases com vistas a defender interesses comuns na rea do comrcio ou mesmo de outros en-volvimentos de carter econmico e poltico. A 46intensificao das relaes econmicas na esca-la mundial estimulou os pases a se agruparem para fazer frente nova configurao econmi-ca aps o fim da Guerra Fria. Pases que fazem parte de um bloco disputam a hegemonia em funo da concorrncia comercial por meio de iseno de tarifas alfandegrias ou mesmo a partir de unies mais abrangentes.So vrios os modos de organizao dos blo-cos supranacionais. Alguns so unies mais pro-fundas, e outros, mais parciais. Alguns exemplos: reas de livre comrcio (Nafta); unio aduaneira (Mercosul); mercado comum (Unio Europeia).H diferenas significativas entre eles, e essas diferenas devero ser destacadas na pesquisa a ser feita pelos alunos. Caber ao professor orientar a atividade, assinalando o caminho a ser percorrido.Alguns blocos se organizaram j h algum tempo buscando maior integrao, como o caso da Unio Europeia, enquanto outros de-senvolveram integraes de carter apenas co-mercial, como o Nafta, e outros ainda almejam ampliaes de carter aduaneiro, como o Mer-cosul. Cabe ressaltar, assim, que esses blocos apresentam distines tcnicas importantes.O mercado comum apresenta um proces-so de integrao que leva em considerao a livre circulao de mercadorias, pessoas, ca-pitais e moeda. Alm disso, promove a for-mao de rgos integrados em diferentes nveis, como o Parlamento Comum e o Ban-co Central Comum, almejando ainda uma poltica militar comum.A unio aduaneira, como o caso do Mer-cosul, abrange uma rea de livre comrcio e uma unio aduaneira, ou seja, as tarifas de importao para pases fora do bloco devem ser combinadas e aceitas por todos os seus membros. Nesse sentido, o Mercosul apresen-ta formas de integrao um pouco mais sofis-ticadas do que o Nafta.A rea de livre comrcio estabelece a isen-o total de tarifas apenas para mercadorias produzidas e comercializadas entre os seus membros. Esse o caso do Nafta e do bloco da Bacia do Pacfico (Apec). Nesse caso, cada pas estabelece o imposto de importao para os produtos dos pases no signatrios do acordo, assim como apresentam moeda pr-pria. Com relao s reas de livre comrcio, a Organizao Mundial do Comrcio (OMC) define que uma regio desse tipo s se consti-tui como tal quando 85% ou mais do comr-cio livre.A seguir, recomendando que o mapa da Figura 3 seja novamente examinado, apre-sentaremos algumas informaes sobre as principais organizaes econmicas supra-nacionais, para auxiliar na realizao da prxima atividade, que tem o objetivo de trabalhar comparativamente esses diferen-tes blocos econmicos.47Geografia 8 srie/9ano Volume 1Leitura e anlise de textoIniciaremos a atividade com base na leitura do texto sobre a Unio Europeia.Unio EuropeiaA ideia de uma organizao que congregasse as economias de vrios pases europeus se tornou mais forte com o final da Segunda Guerra Mundial, em decorrncia da desestruturao econmica provocada pelo conflito. Em 1947, pelo Tratado de Haia, Blgica, Luxemburgo e Holanda criaram uma rea de livre comrcio denominada Benelux nome que rene as ini-ciais de cada um dos pases-membros: BE de Blgica, NE de Netherlands (Holanda) e LUX de Luxemburgo.Em 1951, pelo Tratado de Paris, seis pases europeus uniram-se, formando outra entidade econmica denominada Comunidade Europeia do Carvo e do Ao (Ceca), com o intuito de reorganizarem sua base industrial. Essa pode ser considerada a base inicial de uma nova orga-nizao, o Mercado Comum Europeu (MCE), nascido em 1957, pelo Tratado de Roma. Surgiu naquele momento a Europa dos 6: Blgica, Luxemburgo, Holanda, Alemanha Ocidental, Frana e Itlia.O Tratado de Roma pode ser considerado responsvel pelo nascedouro da Unio Eu-ropeia. Em 1973, mais trs pases solicitaram o ingresso na organizao, e Reino Unido, Irlanda e Dinamarca passaram a fazer parte do primeiro grande bloco de livre comrcio do mundo. Na dcada de 1980, aps o fim das ditaduras em seus pases, ingressaram Portugal, Espanha e Grcia.Com a desintegrao da URSS, responsvel pelo fim da Guerra Fria, e o fim da influncia sovitica no Leste Europeu, os 12 pases do MCE ampliaram seus objetivos com o claro intuito de fortalecer a Europa diante da Nova Ordem Mundial, agora mais econmica e menos milita-rizada. Em 1992, aconteceu na Holanda o encontro dessas naes para assinatura do Tratado de Maastrich, por meio do qual foi criada a Unio Europeia, ampliando as alianas econmicas e polticas entre os pases-membros. Com isso, estabeleceu-se uma rea de livre circulao de mercadorias, pessoas, servios e capitais.Em 1995, a nova conjuntura mundial atraiu mais trs pases para a organizao: Sucia, Finlndia e ustria, formando a Europa dos 15. Com a assinatura do Tratado de Amsterd, em 1997, os pases da Unio Europeia instituram o passaporte nico e a moeda nica, o euro 48 que comeou a ser utilizado em 1999 somente em transaes comerciais e financeiras, entran-do definitivamente em circulao em 2002. No entanto, o uso do euro ainda no se generalizou na UE, por isso, se fala em zona do euro.Em 2001, a assinatura do Tratado de Nice ampliou ainda mais o nmero de membros da Unio Europeia, pois entraram nesse momento muitos dos antigos pases socialistas que viviam sob a influncia direta da URSS Hungria, Repblica Tcheca, Eslovquia, Po-lnia, Estnia, Litunia, Letnia e Eslovnia , alm de Malta e Chipre. Como resultado desse tratado, em 2004 nascia a Europa dos 25. Em 2007, ingressaram ainda Bulgria e Romnia, formando a Europa dos 27.Para fazer valer todos os compromissos assumidos em 1957 com o Tratado de Roma, ainda sero necessrios a consolidao de uma poltica militar comum e um maior empenho dos pases-membros em relao s questes internacionais.RefernciasEuropa Unio Europeia. Disponvel em: . Acesso em: 21 maio 2013.VICENTE, Paulo. O Tratado de Roma: nos cinquenta anos da Europa.Elaborado por Jaime Tadeu Oliva especialmente para o So Paulo faz escola.3. Por que pases como a Polnia e a Eslovnia s ingressaram na Unio Europeia aps a as-sinatura do Tratado de Nice, em 2001?Esses pases eram socialistas e s comearam a se aproximar da economia capitalista da Europa Ocidental depois da crise da URSS e do fim da Guerra Fria, o que possibilitou a transi-o para o capitalismo e a busca de fortalecimento regional. Esse processo resultou na assinatura do Tratado de Nice, em 2001, e no efetivo ingresso na Unio Europeia.Leitura e anlise de mapaPara completar o estudo sobre a Unio Eu-ropeia, os alunos devero analisar o mapa da Figura 6 e desenvolver as atividades a seguir no Caderno do Aluno.Aps a leitura do texto, os alunos devero responder s questes seguintes, no Caderno do Aluno.1. De que assunto o texto trata?O texto apresenta uma sntese histrica da Unio Europeia, da sua formao at a atualidade. Espera-se que os alunos iden-tifiquem no apenas o assunto, mas percebam que o texto apresenta um panorama histrico desde a fundao da Unio Europeia, em 1957, considerando o perodo ps-guerra e a necessidade de reorganizao das economias mundiais.2. Que fatores levaram os primeiros pases a for-mar uma rea de livre comrcio na Europa? A necessidade de reorganizao no perodo ps-Segunda Guerra Mundial, que havia desestruturado a economia.49Geografia 8 srie/9ano Volume 1Figura 6 Ampliaes sucessivas da Unio Europeia, outubro de 2012. largissements sucessifs de lUnion Europenne, octobre 2012. In: DURAND, Marie-Franoise et al. Atlas de la mondialisation: comprendre lespace mondial contemporain. Dossier spcial tats-Unis. Paris: Presses de Sciences Po, 2013, p. 98. Mapa original (base cartogrfica com generalizao; algumas feies dos territrios no esto representadas em detalhe; sem indicao de norte geogrfico). Traduo: Rene Zicman. FranaEspanha ItliaEslovniaAlemanhaLuxemburgoBlgica PasesBaixosIrlandaMaltaGrciaChipreHungriaustriaRep. TchecaPolniaDinamarcaSuciaFinlndiaEstniaLetniaLituniaEslovquiaPortugalBulgriaRomniaNoruegaTurquiaSuaIslndia*Belarus(Bielorrssia)UcrniaMoldvia RssiaMacedniaAlbniaBsnia-Herz.SrviaMont.Crocia**Kaliningrado(Rssia)Kosovo312Presidncia rotativa do Conselho da UE1234455Fontes: Portais Unio Europeia (http://europa.eu) e Toda a Europa (www.touteleurope.fr)CEE(1957)UE(1992)19571973198119861990199520042007Pases candidatosPases que se negarama entrar na UEPases que a UE reconheceucom vocao para setornarem membros500 kmAteli de Cartografia da Sciences Po, 2012Reino UnidoAmpliaes sucessivas*At 2008, a Islndia recusou-se a se tornar membro da Unio Europeia.** A Crocia ser membro da UE em julho de 2013.Irlanda (1 semestre de 2013)Litunia (2 semestre de 2013)Grcia (1 semestre de 2014)Itlia (2 semestre de 2014)Letnia (1 semestre de 2015)AMPLIAES SUCESSIVAS DA UNIO EUROPEIA, outubro de 2012501. O mapa da Figura 6 representa o proces-so, ainda em andamento, de estrutura-o da Unio Europeia. Nele possvel identificar os pases que originalmente formaram esse bloco, assim como os in-gressantes posteriores e os que desejam entrar. Como podemos visualizar essas informaes no mapa?Espera-se que o aluno perceba que, usando as tonalidades de azul (com alguns hachuriamentos), so mostrados des-de os fundadores (azulescuro) aos mais novos ingressantes (azul mais claro).2. Considerando a representao do processo de estruturao da Unio Europeia, vale observar a geografia desse processo:a) Quais so as naes fundadoras e onde elas se localizam?As naes fundadoras so aquelas representadas em azul-es-curo: Frana, Itlia, Blgica, Luxemburgo, Pases Baixos e Ale-manha Ocidental. Elas formam o ncleo da chamada Europa Ocidental e situam-se mais ou menos no centro da Europa.b) Qual a geografia da expanso da Unio Europeia?Do ncleo original ela se expandiu inicialmente para o norte contguo (vizinho), incorporando alguns pases nrdicos (Dinamarca, por exemplo), o Reino Unido e a Irlanda. Em sua primeira etapa de expanso foram incor-porados pases de desenvolvimento socioeconmico equivalente. Em seguida, o bloco avanou para a regio do Mediterrneo, mas ento sem contiguidade (sem vizi-nhana territorial) em todos os casos. Entre a Grcia e os pases fundadores h um hiato territorial, com vrios pases que atualmente desejam entrar na Unio Europeia. Nesse momento, incorporaram-se Unio Europeia pases mais pobres como Portugal e Espanha, e a prpria Grcia. Num terceiro momento, mais alguns pases do norte da Europa chegaram ao bloco (Sucia e Finlndia). Num quarto mo-mento, vrios pases da Europa mais ao leste comearam a ser incorporados. So os integrantes mais recentes repre-sentados com azul mais claro.3) Agora propomos uma pequena pesquisa com dois itens:a) Por que os pases do Leste Europeu esto sendo os ltimos a serem incorporados na Unio Europeia (h os que foram incor-porados recentemente e h os que dese-jam ser incorporados)? No caso, o professor pode voltar a explorar a questo do fim da ordem bipolar (contraposio capitalismo x socia-lismo), afinal, os pases do Leste Europeu eram aliados da ex-URSS (ver mapa da Figura 4) e no tinham como pleite-ar seu ingresso na Unio Europeia que se estruturava, visto a forma antagnica (economia de mercado) dessa Unio. Essa uma boa oportunidade para integrar os conhecimen-tos que esto sendo desenvolvidos nas diversas Situaes de Aprendizagem.b) Pode-se chamar ateno dos estudantes para a seguinte questo: todos os pases que esto pleiteando nesse momento o in-gresso na Unio Europeia so realmente europeus, conforme a diviso tradicional dos continentes?Essa a oportunidade para se destacar o caso da Turquia e propor ao estudante que pesquise qual a base do pedido desse pas, sua histria, suas relaes com a Europa, e tam-bm se, realmente, faz sentido essa diviso Europa-sia com a qual nos acostumamos. Costume esse que ir sofrer um abalo quando (e se) a Turquia ingressar na Unio Europeia.51Geografia 8 srie/9ano Volume 1MercosulO Mercosul passou a vigorar oficialmente em janeiro de 1991, quando os presidentes do Brasil, do Uruguai, do Paraguai e da Argentina consolidaram as bases que deram origem ao Tratado de Cons-tituio do Mercado Comum do Sul, em Assuno, capital do Paraguai.O Mercosul nasceu da aproximao geopoltica entre o Brasil e a Argentina e dos acordos prvios de integrao econmica bilateral firmados entre os dois pases. A precondio para a cooperao diplomtica e econmica foi a redemocratizao poltica: em meados da dcada de 1980, ambos transitaram de ditaduras militares para regimes civis baseados em eleies livres. Aps as mudanas polticas ocorridas nos dois pases e a intensificao do processo de globalizao, o empenho em transformar o rompimento com esses regimes autoritrios em fronteiras comerciais abertas teve como ponto de partida o fato de a Amrica do Sul constituir uma unidade fsica contnua, propiciadora de oportunidades de cooperao. No mundo ps--Guerra Fria, no qual atuam simultaneamente foras antagnicas, tanto se globaliza quanto se regionaliza. Portanto, a Amrica do Sul apresenta um novo potencial: o de aprofundar a cooperao em um projeto de integrao voltado para organizar em outro patamar a convi-vncia no espao sul-americano. O Mercosul, assim, tem como objetivo ampliar a capacidade dos pases da regio no trato dos desafios e oportunidades da globalizao. A organizao aprofundada da convivncia no espao sul-americano pode ampliar vantagens comparativas em um processo de insero competitiva na economia mundial, na medida em que os vetores logstica/transporte e telecomunicao/energia forem desenvolvidos para adicionar valor e re-duzir custos, estimulando, num clima de paz, os elos do comrcio e do investimento.Na seo Lio de casa, os alunos so orientados a elaborar, com base no texto Unio Europeia, um qua-dro-sntese com as principais aes de integrao entre os pases que vieram a constituir esse bloco. Nesse caso, os alunos podero completar a atividade com o que foi discutido em sala. Espera-se que eles citem os prin-cipais tratados e acordos fundamentais para a constituio da Unio Europeia, bem como a ampliao no nmero de pases-membros. Por exemplo: Tratado de Haia (1947): Blgica, Luxemburgo e Holanda (Benelux); Tratado de Paris (1948): uniram-se aos pases anteriores a Alemanha Ocidental, a Frana e a Itlia (Ceca); esses pa-ses deram origem ao Mercado Comum Europeu (1957).A seguir, apresentaremos informaes ini-ciais sobre o Mercosul, que devero ser apro-fundadas aps a concluso da pesquisa que ser proposta aos alunos.52Seguindo a tendncia que vigorou como forma de reorganizao econmica dos Estados ps-Guerra Fria, o Mercosul, a partir de 1994, definiu como metas a im-plantao de uma rea de integrao dos mercados, consolidando o livre comrcio entre os quatro pases com a eliminao completa das tarifas de importao. Tam-bm props uma Tarifa Externa Comum (TEC), por meio da qual produtos impor-tados de pases no pertencentes ao bloco s podem circular no interior destes se as normas tarifrias atenderem aos interes-ses de cada um dos pases do bloco.Hoje composto por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela (Estados--membros), o Mercosul responde por 71,8% (12.789.558 km2) do territrio da Amrica do Sul. Somada, a populao do bloco chega a 275 milhes de habitantes, 69,78% da populao da regio. Possui um PIB nominal de US$ 3,32 trilhes (dados de 2011) e ocuparia a posio de quinta economia mundial se fosse considerado como um nico pas.Dos quatro membros originais do bloco (ou seja, com exceo da Venezuela), as maiores economias so as do Brasil e da Argentina (juntas, correspondem a 80% das transaes do Mer-cosul). Tambm apresentam diferenciaes quanto aos custos de produo e tipo de setores que recebem os maiores investimentos. Enquanto o Brasil possui um parque industrial bem mais diversificado que o da Argentina, com tecnologia avanada, maior produo e salrios mais baixos, o pas vizinho lidera a produo de gros, frutas e pecuria apresentando custos mais baixos que o brasileiro nesses setores. Dessa forma, a integrao regional entre esses dois pases transformou o Mercosul num eixo prioritrio do comrcio exterior brasileiro. A Argentina, nos primeiros anos de funcionamento do bloco, tornou-se, isoladamente, o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrs apenas dos Estados Unidos. S para exemplificar, em 1997, o bloco do Cone Sul respondeu por mais de 16% da corrente de intercmbio internacional brasileira. Contudo, no incio do ano 2000, a crise financeira argentina abalou fortemente a estabilidade da UNASUL (Unio deNaes Sul-americanas)Figura 7 O Brasil no seu contexto regional. Le Brsil dans son contexte rgional. Atelier de Cartographie de Sciences Po. Dis-ponvel em: . Acesso em: 22 out. 2013. Mapa original (base cartogrfica com generalizao; algumas feies do territrio no esto representadas em detalhe; sem escala; sem indicao de norte geogrfico). Traduo: Rene Zicman.53Geografia 8 srie/9ano Volume 1integrao econmica e, em 2003, o bloco representou apenas 9,4% do total de intercmbio com o Brasil, tendo a China se tornado o nosso segundo maior parceiro comercial.De certa forma, o Mercosul tem importncia comercial maior para a Argentina do que para o Brasil. Isso ocorre porque, apesar de a Argentina tambm ser considerada um global trader, ou seja, possuir relaes comerciais com a maioria dos pases do mundo, a sua situao de dependncia com o Mercosul muito maior do que a brasileira. Enquanto o Brasil tem como benefcio o acesso ao mercado argentino, com cerca de 40 milhes de pessoas, a Argen-tina tornou-se dependente do mercado brasileiro, que corresponde a mais de 190 milhes de consumidores. Como consequncia, o Mercosul o destino de mais de um quarto das expor-taes argentinas e a origem de quase 30% de suas importaes.Uruguai e Paraguai, pases com populao e economia diminutas, exibem forte dependn-cia comercial em relao ao bloco do Cone Sul. Os dois vizinhos maiores so os principais par-ceiros comerciais dos dois pases. A economia brasileira funciona como um m, orientando os fluxos de intercmbio externo de ambos no conjunto do Mercosul.Em funo do compromisso do bloco com a intensificao das relaes com os demais pases do continente, Bolvia, Chile, Colmbia, Equador e Peru so Estados Associados ao Mercosul. Anteriormente na categoria de Estado Associado, a Repblica Bolivariana da Venezuela se tor-nou membro em 2012. O processo de adeso foi iniciado com a assinatura, em julho de 2006, em Caracas, do Protocolo de Adeso da Venezuela ao Mercosul. Tambm em 2012 foi formalizado o protocolo de adeso da Bolvia, e o pas poder estar integrado em um prazo de quatro anos ao bloco. Em junho de 2012, o Mercosul e a Unasul aprovaram a suspenso temporria do Paraguai por discordar da forma como foi conduzido o processo de impeachment do presidente do pas.Elaborado por Angela Corra da Silva especialmente para o So Paulo faz escola.No site oficial do bloco, disponvel em: (acesso em: 22 out. 2013), possvel consultar os dados gerais, como populao, PIB, comrcio, exportaes, produo industrial e agrcola, energia e tambm cronologia do bloco.Leitura e anlise de textoO professor deve solicitar que os alunos leiam o texto Mercosul no Caderno do Aluno. Sugeri-mos que apresente um mapa da Amrica do Sul identificando os pases que fazem parte do bloco.1. Aps a leitura, os alunos devero identificar o papel de cada um dos membros do Mer-cosul, considerando o contexto econmico e geopoltico do continente sul-americano.Espera-se que os alunos percebam que o Mercosul s passou a existir aps a unio de seus maiores membros, ou seja, Bra-54sil e Argentina. O bloco nasceu da aproximao geopoltica entre as duas naes e dos acordos prvios de integrao econmica bilateral firmados entre elas. A precondio para a cooperao diplomtica e econmica foi a redemocrati-zao poltica: em meados da dcada de 1980, ambos transi-taram de ditaduras militares para regimes civis baseados em eleies livres. Aps as mudanas polticas e a intensificao do processo de globalizao, o empenho em transformar o rompimento com os regimes autoritrios em fronteiras comerciais abertas tem como ponto de partida o fato de a Amrica do Sul constituir uma unidade fsica contnua, pro-piciadora de oportunidades de cooperao.A seguir, apresentaremos informaes iniciais sobre o Nafta, a partir de um texto que tambm est disponvel no Caderno do Aluno.NaftaAps a Segunda Guerra Mundial, os EUA consolidaram-se como a principal potn-cia mundial. Entretanto, a partir da dcada de 1970, com a reestruturao econmica europeia e japonesa, novos eixos de poder econmico se instalaram no mundo, situao que se configurou definitiva aps a desintegrao da URSS em 1991, colocando fim ao perodo da Guerra Fria.Diante desse cenrio, o governo dos EUA props, em 1990, uma reunio entre as lideranas da Amrica, com exceo de Cuba, denominada Iniciativa para as Amricas. No encerramen-to do evento, o ento presidente dos EUA, George Bush, props a criao de uma imensa rea de livre comrcio, que deveria abranger do Alasca ao Cabo Horn. Como parte dessa estratgia, em 1992 foi criada a zona de livre comrcio da Amrica do Norte, o North American Free Trade Agreement (Acordo de Livre Comrcio da Amrica do Norte) Nafta.O principal objetivo do Nafta foi promover a integrao de mercados por meio da livre circulao de mercadorias entre EUA, Canad e Mxico com o intuito de que esse bloco se transformasse no embrio de uma organizao maior denominada rea de Livre Comrcio das Amricas (Alca). Os princpios bsicos que norteiam o Nafta baseiam-se: na eliminao das tarifas alfandegrias de centenas de produtos, criando uma zona de livre comrcio para a atuao das empresas; na livre circulao de mercadorias e dlares entre os pases integrantes; nas restries ao livre trnsito de trabalhadores entre os pases.Ao se analisar o papel de cada um dos membros que compem o Nafta, evidenciam-se os interesses que permeiam o bloco.55Geografia 8 srie/9ano Volume 1O Canad, pas com 9976139 km2, segunda maior rea do mundo e com uma popu-lao de cerca de 35 milhes de habitantes, apresenta uma atividade econmica de gran-de desenvolvimento, porm necessita ampliar o seu mercado consumidor. Dessa forma, participar do Nafta lhe permite escoar sua produo para um mercado de mais de 430 milhes de habitantes.J o Mxico enfrenta alguns problemas mais srios. Se, por um lado, tambm se beneficia da ampliao de mercados, por outro, tem sofrido graves problemas com relao poltica de restrio imigrao. Como o pas de menor desenvolvimento entre os integrantes do Nafta, apresenta uma grande populao, cerca de 107 milhes de habitantes, que vivem mui-tas vezes em condies sociais precrias, sendo, portanto, um reduto de mo de obra barata. Beneficiando-se dessa situao, empresas estadunidenses instalam suas filiais, denominadas maquiladoras, em cidades fronteirias, apenas para montar produtos destinados aos pases do bloco, com o intuito de fixar a populao em seu prprio pas e, com isso, diminuir as cons-tantes migraes de mexicanos para dentro dos EUA.Por outro lado, os EUA tm slidos interesses no Nafta. Inicialmente incorpora ao seu mercado as populaes consumidoras do Canad, com alto poder aquisitivo, e do Mxico, segunda maior populao da Amrica do Norte, ampliando, portanto, o potencial de seu mercado, alm de ter acesso a uma farta mo de obra de custo baixo. Ao incorporar o M-xico numa organizao econmica de peso, a estratgia poltica estadunidense contribuiu para romper com a possibilidade de se criar um bloco unicamente latino-americano, pois o Mxico, importante liderana regional, no mais apresenta interesses em relao a seus pares latinos. Diante das demandas individuais, o grande vitorioso so os EUA, ainda mais quando se imagina o Nafta como balo de ensaio para a consolidao de uma organizao muito maior, denominada Alca.Elaborado por Jaime Tadeu Oliva especialmente para o So Paulo faz escola.2. Aps a leitura do texto, os alunos devero responder s questes a seguir.a) Destaque do texto os principais objetivos do Nafta.Eliminao das tarifas alfandegrias de centenas de produtos, criando uma zona de livre comrcio para a atuao das empresas; livre circulao de mercadorias e dlares entre os pases integran-tes; restries ao livre trnsito de trabalhadores entre os pases, impedidos de migrar em busca de melhores condies de vida.b) Descreva as vantagens e as desvantagens resultantes da adeso ao Nafta para cada um dos pases-membros.56O Canad tem a vantagem de ampliar seu mercado escoan-do sua produo para mais de 430 milhes de habitantes, mas pode, com isso, aumentar ainda mais sua dependncia dos Estados Unidos. O Mxico tambm usufrui da amplia-o do mercado consumidor. Porm, seus srios problemas sociais e sua fragilidade econmica o deixam numa situa-o mais delicada perante os demais integrantes do Nafta, alm de se destacar como fornecedor de mo de obra ba-rata para empresas transnacionais dos Estados Unidos. Estes, AlcaAo analisar os resultados da balana comercial dos Estados Unidos nos ltimos anos, ga-nha sentido o interesse estadunidense em compor uma rea de livre comrcio com toda a Amrica, pois apresenta supervits de exportao somente com a Amrica Latina. Em relao a todos os outros continentes, a balana comercial estadunidense deficitria.Por outro lado, os pases latino-americanos tm em geral certo receio quando se prope uma inte-grao continental porque sabido que os interesses estadunidenses no so convergentes em relao s reais necessidades dos povos latino-americanos, e se pode constatar tal argumento ao analisar as diversas formas de interveno estadunidense em pases da Amrica Latina. Em relao concreti-zao da Alca, a maior resistncia vem do governo brasileiro, que no mediu esforos para, de certo modo, retardar sua efetivao. A posio brasileira vem em defesa do Mercosul, atual mente o quarto maior bloco de mercado do mundo, com um PIB conjunto que j supera 1 trilho de dlares e tem efetuado parcerias de livre mercado com vizinhos, ampliando o seu poder na regio.O crescimento do comrcio regional pode ser explicado pelo fato de as empresas transnacionais que atuam especialmente no Brasil e na Argentina terem ampliado sua escala de produo. Para se ter uma ideia do gigantismo das cifras, no setor automobilstico a produo conjunta entre Brasil e Argentina equivalente da Alemanha. Nesse sentido, para os pases do Cone Sul, e principalmente para o Brasil, o mais industrializado deles, fundamental garantir a consolidao do que se denomina hoje de base Mercosul, ou seja, transformar a regio de atuao do Mercosul em importante ponto geogrfico de convergncia de mercadorias globais. Na Amrica do Sul, o Mercosul representa uma possibilidade ou uma tentativa de organizao de pases para enfrentar esses novos arranjos mundiais.Elaborado por Jaime Tadeu Oliva especialmente para o So Paulo faz escola.por sua vez, levam vantagem com o Nafta, pois ampliaram seu mercado consumidor e tiveram acesso abundante mo de obra barata mexicana. Entretanto, precisam resol-ver o problema social dos milhes de imigrantes ilegais que vivem no pas, principalmente mexicanos. A Alca, por sua vez, representa uma tenta-tiva de criar uma rea de livre comrcio englo-bando as trs Amricas.57Geografia 8 srie/9ano Volume 13. Dando continuidade s atividades, agora os alunos devero ler o texto sobre a Alca e responder no Caderno do Aluno s seguin-tes questes.a) Com base nos textos sobre o Nafta e a Alca, identifique os interesses dos EUA na concretizao de uma rea de livre co-mrcio que envolva a totalidade dos pa-ses americanos.A resposta est logo no incio do segundo texto, sobre a Alca. Es-pera-se que os alunos identifiquem que os Estados Unidos que-rem aprofundar a relao vantajosa que possuem com o res-tante dos pases das Amricas em relao s trocas comerciais.b) De acordo com o texto sobre a Alca, quais motivos levam governos dos pases latino--americanos a recearem a efetivao da Alca?Os pases latino-americanos tm, em geral, receio de uma in-tegrao continental, porque os interesses estadunidenses no so convergentes em relao s reais necessidades dos povos latino-americanos. Isso se comprova nas diversas formas de in-terveno estadunidense em pases da Amrica Latina.4. Finalmente, com base nos textos Mercosul, Alca e no prximo, Mercosul x Alca: h conflito?, os alunos devero refletir sobre quais so os interes-ses regionais do Brasil ao defender a ampliao do Mercosul no contexto sul-americano.Espera-se que os alunos identifiquem nos textos motivaes do governo brasileiro em fortalecer o seu papel comercial na Am-rica do Sul. Nesse sentido, em relao concretizao da Alca, a maior resistncia veio do governo brasileiro, que no mediu esforos para, de certo modo, retardar sua efetivao. A posi-o brasileira foi em defesa do Mercosul, atualmente o quarto maior bloco de mercado do mundo, com um PIB conjunto que j supera 1 trilho de dlares e tem efetuado parcerias de livre mercado com vizinhos, ampliando o seu poder na regio. Para consolidar o contedo trabalhado, os alunos podero utilizar as principais ideias abordadas nos textos sobre os agrupamentos econmicos regionais e mundiais e sua forma de funcionamento para elaborarem um painel. Podero fazer ainda uma apresentao pbli-ca do painel, junto com uma exposio oral, explicando as informaes e anlises expostas.Mercosul x Alca: h conflito?A Alca, tal como proposta, est muito distante de uma integrao econmica. Enquanto os pases latino-americanos devem eliminar todas as barreiras comerciais cumprindo as nor-mas da doutrina de livre comrcio, os EUA se reservam o direito de manter os subsdios sua agricultura; a legislao antidumping para proteger suas indstrias; cotas de importao para os setores em que no so competitivos [...] e uma srie de restries sanitrias [...].A proposta da Alca [...] parece mais uma subordinao de colnias potncia imperial do que uma integrao econmica, que implicaria intercmbio mais ou menos equilibrado de produtos, flu-xos de capitais [...], relaes e benefcios bastante simtricos. A Alca totalmente assimtrica as corporaes transnacionais com sede nos EUA acumulam ativos latino-americanos e determinam o fluxo unilateral de lucros, juros e royalties, do sul para o norte.58[...] o aprofundamento da crise econmica nos EUA e a concorrncia crescente com a Europa e o Japo [...] resulta em dficits enormes e insustentveis. Essa situao fora os EUA a apoderar-se da maior parte do mercado latino-americano, de seus recursos naturais e de suas empresas. A Alca, dando prioridade de acesso s empresas estadunidenses, faci-litaria a supremacia de suas corporaes [...].A persistncia da crise financeira-fiscal-cambial da Argentina leva-a a procurar negociar diretamente com os EUA um eventual acordo bilateral. Tambm o Uruguai est esboando uma poltica para ampliar o comrcio com os EUA, bilateralmente. [...]Mas, segundo as regras do Mercosul, seus pases-membros no podem negociar acordos bilate-rais de livre comrcio com outros governos. Pelas normas do Mercosul, os parceiros so obrigados a respeitar uma tarifa comum nas transaes com o resto do mundo. [...] sem uma prvia integrao da Amrica Latina atravs da ampliao do Mercosul ou outro projeto semelhante no haver possibilidade de negociar em p de igualdade com os EUA ou mesmo com a Unio Europeia. Ambos procuram construir mercados cativos para suas corporaes transnacionais que deslocam suas fbricas para as regies que oferecem, alm de mo de obra relativamente qualificada e barata, tambm condies infraestrutu-rais adequadas [...].Em resumo, o projeto da Alca atende aos interesses econmicos e estratgicos dos Estados Uni-dos na Amrica do Sul, afetando particularmente o Brasil, por seu potencial econmico, popula-o, dimenses territoriais e vocao democrtica. [...]RATTNER, Henrique. Mercosul e Alca: o futuro incerto dos pases sul-americanos. So Paulo: Edusp, 2002. p. 109-19.Na seo Lio de casa, com base nos textos e em seus conhecimentos de Geografia, oriente os alunos a re-digir uma carta para o presidente de algum pas do continente americano, defendendo ou criti-cando o ingresso de seu pas em blocos econmi-cos supranacionais. Pea que considerem no texto as vantagens e desvantagens para a popu-lao local e a economia do pas.Nos textos acerca dos blocos econmicos, h inmeros dados e informaes para auxiliar na elaborao dessa carta. Sugere-se tambm que os alunos sejam instrudos a utilizar todos os procedimentos e normas adequados elaborao de uma carta. Nesse sentido, sugerimos que a atividade seja realizada em parceria com o professor de Lngua Portuguesa, que se encarregaria de desenvolver tais procedimentos, inclusive considerando o trabalho como atividade interdisciplinar.59Geografia 8 srie/9ano Volume 1A integrao de cidados ou lobby empresarialTrabalhadores e consumidores desconfiam quando escutam empresrios e governantes anunciarem a nova via para a modernizao baseada na globalizao e integrao regional.Pesquisas feitas entre as populaes englobadas na Unio Europeia, no Nafta e no Merco-sul revelam que a esmagadora maioria no entende como esses organismos funcionam, o que eles discutem nem por que tomam as decises. E at muitos deputados dos parlamentos nacio-nais parecem no perceber o que est em jogo em deliberaes complexas, cuja informao s acessvel a elites polticas transnacionalizadas ou a tcnicos especializados, nicos possuidores das competncias necessrias para resolver os problemas europeus, norte-americanos ou latino-americanos, e at para estabelecer a prioridade das agendas.Como reagem as sociedades latino-americanas, que nos ltimos 50 anos deslocaram a maioria de sua populao do campo para as cidades, baseando-se no desenvolvimento in-dustrial substitutivo de importaes, ao se defrontar com essa repentina reordenao que, em uma ou duas dcadas, desmonta essa histria de meio sculo? Os pases se desindustrializam, as instncias democrticas nacionais se enfraquecem, acentua-se a dependncia econmica e cultural em relao aos centros globalizadores. Mas, ao mesmo tempo em que as integraes econmicas e os convnios de livre comrcio regionais emitem sinais de esperana, os acordos de integrao intergovernamentais celebram apoios aos setores empresariais e financeiros mais concentrados, tornando a economia mais monopolizada.GARCA CANCLINI, Nstor. A globalizao imaginada. So Paulo: Iluminuras, 2003. p. 19-20. Adaptado.Sugesto de leitura complementarLeia a continuao do texto de Garca Canclini, visto antes na Situao de Aprendizagem 2.O mesmo roteiro realizado para a Situa-o de Aprendizagem 2, com o outro texto de Garca Canclini, pode ser utilizado como tex-to complementar para auxiliar na discusso com os alunos e tambm como subsdio para avaliao.Para finalizar, no Caderno do Aluno, na seo Voc apren-deu?, os alunos podero realizar a seguinte atividade.A globalizao da economia e da sociedade est levando ao desenvolvimento de um novo desenho de ordem mundial. Essa nova or-dem se ergue no final da Guerra Fria (um dos marcos do fim da ordem bipolar), com o cres-cimento dos ncleos econmicos tradicionais 60(Europa e EUA) e com a concorrncia de no-vos ncleos que esto ascendendo no mercado mundial, como a Amrica do Sul e, principal-mente, o Extremo Oriente. Essa nova ordem as-siste, tambm, a organizao de blocos e unies regionais em muitos desses ncleos. Baseado no mapa a seguir (Figura 8), identifique esses ncleos econmicos, des-se novo mundo multipolar, relacionan-do-os na sequncia das maiores para as menores economias, e assinale a alterna-tiva correta:a) Nafta, Mercosul, Unio Europeia e pa-ses do Extremo Oriente.b) Unio Europeia, pases do Extremo Oriente, Nafta e Mercosul.c) Unio Europeia, Nafta, Mercosul e pa-ses do Extremo Oriente.d) Nafta, pases do Extremo Oriente, Unio Europeia e Mercosul.e) Nafta, Mercosul, pases do Extremo Oriente e Unio Europeia.O mapa possui alguns nmeros inseridos nas reas dos ncleos econmicos e a sequncia correta est expressa na alternativa c.Figura 8 Projeo Bertin. Planisphre, projection Bertin1950, 2011. Atelier de Cartographie de Sciences Po. Disponvel em: . Acesso em: 21 out. 2013. Mapa original (base cartogrfica com generalizao; algumas feies do territrio no esto representadas em detalhe; sem escala; sem indicao de norte geogrfico). Adaptado para fins didticos.Projection J. Bertin, 1950132461Geografia 8a srie/9o ano Volume 1Contedos: direitos humanos; cidadania.Competncias e habilidades: desenvolver a compreenso e a valorizao dos fundamentos da cidadania e da democracia; discutir uma situao em que os direitos bsicos dos cidados no so usufrudos por todos os segmentos da sociedade; relacionar os fundamentos da cidadania e da democracia, do presente e do passado, aos valores ticos e morais da vida cotidiana.Sugesto de estratgias: aulas dialogadas; produo de uma exposio de trabalhos realizados em grupo.Sugesto de recursos: recortes de jornais e revistas; lousa.Sugesto de avaliao: trabalhos produzidos pelos grupos.Esta Situao de Aprendizagem prope a interpretao da Declarao Universal dos Direitos Humanos, assinada em 1948, que se tornou um dos documentos bsicos das Na-es Unidas. Como sabemos, nessa declarao esto enumerados os direitos de uma pessoa considerados bsicos, de acordo com os valores ento compartilhados pelas naes signatrias. A ideia contrapor, na forma de desenhos e re-cortes, os direitos expressos na Declarao com a realidade de parcelas da populao brasileira, de forma a propiciar uma reflexo sobre a dis-tncia que ainda separa o Brasil das prticas efetivas de igualdade e cidadania. SITUAO DE APRENDIZAGEM 5A DECLARAO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOSEtapa prvia Sondagem inicial e sensibilizaoSugerimos que, antes do incio da ati-vidade, o professor discuta com os alunos o contexto no qual surgiu a ONU, ainda durante a Segunda Guerra Mundial, e a importncia de uma organizao voltada para a promoo da paz e da segurana coletiva nesse contexto. Lembramos que a histria e o funcionamento da ONU se-ro mais bem problematizados na Situao de Aprendizagem 6. Porm, nesta etapa, importante informar aos alunos que a Declarao Universal dos Direitos Huma-nos foi proclamada pela Assembleia Ge-ral em 1948, tornando-se uma espcie de documento-sntese do iderio das Naes Unidas a ser atingido por todos os povos e todas as naes. Antes de analisar esse documento, seria interessante resgatar a compreenso que os alunos tm acerca dos direitos bsicos da pessoa humana. Para tanto, sugerimos um debate em classe sobre o tema, de acordo com o roteiro a seguir. Depois os alunos podero registrar suas concluses no Caderno do Aluno. O que vocs sabem sobre direitos humanos? Em sua opinio, quais so os direitos b-62sicos que deveriam estar garantidos para todas as pessoas? Voc acredita que todas as pessoas tm es-ses direitos assegurados? Haveria alguma relao entre violao dos direitos e a or-ganizao dos espaos?Sugerimos que o professor faa na lousa uma lista com os direi-tos humanos considerados fundamentais pela turma e estimule os alunos a justificar os motivos dessa seleo e se haveria algum fator geogrfico implicado neles. Por exemplo: haveria mais violaes aos direitos humanos nas zonas afastadas dos grandes centros urbanos? Haveria mais violaes desses mesmos direitos nas zonas perifricas das grandes cidades que so produtos da desigualdade na distribuio da justia? Esse debate impor-tante para propiciar uma reflexo sobre os valores fundamen-tais da dignidade humana, que parecem perdidos em meio ao cotidiano violento de grande parte dos jovens brasileiros. E esse cotidiano violento tem endereo, tem uma lgica geogrfica, afinal, no so todos os jovens que esto envolvidos nessa reali-dade nas grandes metrpoles brasileiras. Aps o debate, os alunos podem ser convidados a pesquisar em jornais, revistas ou na internet imagens que demonstrem o desrespeito aos di-reitos humanos mencionados pela turma.1. Os alunos devero selecionar quatro ima-gens, colar no Caderno do Aluno e criar uma legenda para cada uma delas, descre-vendo-as e explicando por que representam a violao de um direito humano bsico.Resposta pessoal. Espera-se que os alunos selecionem imagens sobre violncia, fome, falta de moradia e de trabalho etc. pos-svel tambm que eles escolham imagens de conflitos armados; nesse caso, importante destacar onde ocorrem esses confli-tos e quais as caractersticas geogrficas das localidades que as imagens mostram (qual a condio urbana, se zona urbana, se zona rural, por exemplo) e que quando ocorrem esses conflitos muito comum que os direitos humanos sejam desrespeitados.2. Aps o trabalho com as imagens, os alu-nos devero produzir um texto que sin-tetize as informaes, para responder s seguintes questes: por que as imagens selecionadas representam a violao de um (ou vrios) direito(s) humano(s) bsico(s)? Que direito(s) (so) esse(s)? O que pode ser feito para que esse(s) direito(s) seja(m) garantido(s)?Cabe ao professor avaliar se as imagens selecionadas ilustram o debate realizado em classe.Posteriormente, reunidos em grupos, os alu-nos podem montar um painel relacionando cada imagem com o direito humano desrespeitado.Etapa 1 Apresentao da Declarao Universal dos Direitos Humanos e discusso de alguns de seus artigosNesta etapa, sugerimos que a classe seja di-vidida em grupos. Cada um deles dever esco-lher como tema de trabalho pelo menos dois entre os artigos que compem a Declarao Universal dos Direitos Humanos que aparecem relacionados a seguir. Portanto, importante que acompanhem com ateno a leitura cole-tiva destes artigos, tirem as possveis dvidas sobre o significado de cada um deles e os re-lacionem com lista elaborada pelo professor, com base na sugesto dos alunos, realizada na etapa de sensibilizao.63Geografia 8a srie/9o ano Volume 1Declarao Universal dos Direitos Humanos[...]A Assembleia Geral proclama a presente Declarao Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as naes, com o objetivo de que cada indivduo e cada rgo da sociedade, tendo sempre em mente esta Declara-o, se esforce, atravs do ensino e da educao, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, [...]Artigo I. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. So dota-dos de razo e conscincia e devem agir em relao uns aos outros com esprito de fraternidade.Artigo II. 1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declarao, sem distino de qualquer espcie, seja de raa, cor, sexo, idioma, religio, opinio poltica ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condio. [...]Artigo III. Todo ser humano tem direito vida, liberdade e segurana pessoal.Artigo IV. Ningum ser mantido em escravido ou servido; a escravido e o trfico de escravos sero proibidos em todas as suas formas.Artigo V. Ningum ser submetido tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante. [...]Artigo XXIII.1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, livre escolha de emprego, a condies jus-tas e favorveis de trabalho e proteo contra o desemprego.2. Todo ser humano, sem qualquer distino, tem direito a igual remunerao por igual trabalho.3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remunerao justa e satisfatria, que lhe assegure, assim como sua famlia, uma existncia compatvel com a dignidade humana, e a que se acrescentaro, se necessrio, outros meios de proteo social.4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteo de seus interesses. Artigo XXIV. Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitao razovel das horas de trabalho e a frias remuneradas peridicas.64Artigo XXV.1. Todo ser humano tem direito a um padro de vida capaz de assegurar-lhe, e sua famlia, sade e bem-estar, inclusive alimentao, vesturio, habitao, cuidados mdicos e os servios so-ciais indispensveis, e direito segurana em caso de desemprego, doena, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistncia em circunstncias fora de seu controle.2. A maternidade e a infncia tm direito a cuidados e assistncia especiais. Todas as crianas, nascidas dentro ou fora do matrimnio, gozaro da mesma proteo social.Artigo XXVI. 1. Toda pessoa tem direito instruo. A instruo ser gratuita, pelo menos nos graus ele mentares e fundamentais. A instruo elementar ser obrigatria. [...] 2. A instruo ser orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instru-o promover a compreenso, a tolerncia e a amizade entre todas as naes e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvar as atividades das Naes Unidas em prol da manuteno da paz. [...]ONU. Declarao Universal dos Direitos Humanos. Nova Iorque: ONU, 1948. Disponvel em: . Acesso em: 22 out. 2013. Leitura e anlise de textoA Declarao Universal dos Direitos Huma-nos foi aprovada pela Organizao das Naes Unidas (ONU) em 1948. Neste momento, o professor deve trabalhar as seguintes questes que constam no Caderno do Aluno:1. O que voc sabe sobre a poca em que foi insti-tuda essa Declarao? Qual foi a importncia dessa Declarao naquele momento histrico?Essa Declarao foi instituda poucos anos aps o trmino da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando o mundo ain-da sofria os impactos da enorme devastao provocada pelo conflito. A Declarao sintetiza os esforos de valorizao da paz e dos direitos humanos, fundamentais nesse contexto.2. Com base nos artigos da Declarao Uni-versal dos Direitos Humanos, os alunos de-vero responder s seguintes questes:a) O que h de diferente entre a listagem de direitos feita pelo professor, com base na sugesto da classe, e os direitos selecionados da Declarao Universal dos Direitos Humanos, apresentados no texto?Resposta pessoal. Sugerimos um debate sobre o tema, rea-lizado com base na contraposio das duas listagens. Caso existam diferenas, os alunos devem analis-las.b) Quais so as principais estratgias in-dicadas para solucionar as situaes de desrespeito aos direitos humanos? Justi-fique sua resposta.Resposta pessoal. Espera-se que os alunos atentem para as estratgias que envolvem os governos, tanto direta (sade e educao, por exemplo) como indiretas (tais como a regula-o do mercado de trabalho).65Geografia 8a srie/9o ano Volume 1Etapa 2 Elaborao de um trabalho em grupo que ilustre o significado dos artigos selecionados e as situaes concretas nas quais eles no so respeitadosNesta etapa, os grupos devero realizar um trabalho com os dois artigos selecionados da De-clarao Universal dos Direitos Humanos. Sugerimos que, em um primeiro momento, os grupos representem por meio de desenhos ou colagens o significado do direito em questo. Em um segundo momento, os grupos podem representar alguma situao real na qual esse direito esteja sendo negado a uma pessoa ou a um grupo. Esse trabalho pode ser feito em folhas de papel branco ou em cartolina. As orientaes para a atividade esto no Caderno do Aluno, na seo Pesqui-sa em grupo.Etapa 3 Discusso final dos resultados e montagem de uma exposio dos trabalhos realizados pela classeNesta etapa, sugerimos a montagem de uma exposio de todos os trabalhos reali-zados pelos grupos, j previamente avaliados pelo professor, de acordo com a ficha de ava-liao do desempenho apresentada a seguir.Ficha de observao do desempenho1. O grupo conseguiu representar corretamente cada um dos artigos selecionados e traduzir seu significado?Espera-se que a produo da classe ilustre os direitos fundamentais da pessoa humana e que os alunos entendam que eles envolvem desde o direito liberdade ao trabalho at o direito sade e habitao dignas.2. A situao escolhida pelo grupo de fato representa uma negao do artigo selecionado?Infelizmente, no faltam exemplos de desrespeito aos direitos fundamentais da pessoa humana no cotidiano brasileiro. Espera-se que os alunos registrem situaes como moradias insalubres, populao carcerria sujeita a maus-tratos, idosos desassistidos, atendimento precrio em hospitais, trabalho infantil etc. e os associem negao de um direito humano aceito e aprovado em conveno internacional.Na sequncia sugerimos que o professor trabalhe com o docu-mento Um mundo para as crianas, aprovado pela Assembleia Geral das Naes Unidas em maio de 2002. O texto tambm est disponvel no Caderno do Aluno. Trata--se de uma nova agenda para as crianas do mundo, pautada nos objetivos apresentados a seguir. Depois de ler, pea aos alunos que res-pondam s questes propostas.661. Colocar as crianas em primeiro lugar. Em todas as medidas relativas infncia ser dada prioridade aos melhores interesses da criana.2. Erradicar a pobreza: investir na infncia. Reafirmamos nossa promessa de romper o ciclo da pobreza em uma s gerao, unidos na convico de que investir na infncia e realizar os direitos da criana esto entre as formas mais efetivas de erradicar a pobreza. Medidas imediatas devem ser tomadas para eliminar as piores formas de trabalho infantil.3. No abandonar nenhuma criana. Todas as meninas e todos os meninos nascem livres e tm a mesma dignidade e os mesmos direitos; portanto, necessrio eliminar todas as formas de discriminao contra as crianas.4. Cuidar de cada criana. As crianas devem ter o melhor incio de vida. Sua sobrevivncia, proteo, crescimento e desenvolvimento com boa sade e uma nutrio adequada so as bases fundamentais do desenvolvimento humano. Faremos um esforo conjunto para lutar contra as doenas infecciosas, combater as principais causas da desnutrio e criar as crian-as em um meio seguro que lhes permita desfrutar de boa sade, estar mentalmente alertas, sentir-se emocionalmente seguras e ser socialmente competentes e capazes de aprender.5. Educar todas as crianas. Todas as meninas e todos os meninos devem ter acesso educao pri-mria obrigatria, totalmente gratuita e de boa qualidade, como base de um ensino fundamental completo. Devem eliminar-se as disparidades de gnero na educao primria e secundria.6. Proteger as crianas da violncia e da explorao. As crianas devem ser protegidas de todo e qualquer ato de violncia, maus-tratos, explorao e discriminao, assim como de todas as formas de terrorismo e de serem mantidas como refns.7. Proteger as crianas da guerra. As crianas devem ser protegidas dos horrores dos conflitos armados. Crianas que esto em territrio sob ocupao estrangeira tambm devem ser protegidas de acordo com as disposies do direito humanitrio internacional.8. Combater o HIV/Aids. necessrio proteger as crianas e suas famlias dos efeitos devasta-dores do HIV/Aids.9. Ouvir as crianas e assegurar sua participao. As crianas e os adolescentes so cidados valiosos que podem ajudar a criar um futuro melhor para todos. Devemos respeitar seus direitos de se expressar e de participar em todos os assuntos que lhes dizem respeito, de acordo com sua idade e maturidade.67Geografia 8a srie/9o ano Volume 11. Esses objetivos seguem princpios comuns queles expressos na Declarao Universal dos Direitos Humanos, aprovada em 1948? Justifique sua resposta.Sim, esses objetivos seguem os mesmos princpios daqueles expressos na Declarao Universal dos Direitos Humanos, ainda que sejam voltados exclusivamente aos direitos das crianas e dos adolescentes. De acordo com ambos os do-cumentos, todos os seres humanos nascem livres e iguais e as crianas tm direito proteo social. Entretanto, Um mundo para as crianas explicita as formas pelas quais deve ocorrer essa proteo e introduz temas novos, ligados, por exemplo, defesa dos ambientes naturais e da biodiversidade.2. Escolha dois objetivos que voc considere mais importantes. Explique a sua escolha.O professor deve incentivar os alunos a justificar as escolhas feitas.3. Voc considera que a realizao desses ob-jetivos pode melhorar a vida das crianas e dos adolescentes brasileiros? De que forma?A realizao desses objetivos certamente melhoraria a vida de uma parcela importante de crianas e adolescentes bra-sileiros, que no tm assegurados direitos bsicos de sade, educao e proteo social. Espera-se que os alunos dimen-sionem o esforo que o pas precisa fazer para garantir que esses objetivos sejam de fato cumpridos.4. Ser que as crianas esto efetivamente pro-tegidas conforme o previsto no documento Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. So do-tados de razo e conscincia e devem agir em relao uns aos outros com esprito de fraternidade. [...] (Artigo 1o)10. Proteger a Terra para as crianas. Devemos defender nosso ambiente natural com sua diversidade biolgica, sua beleza e seus recursos, tudo aquilo que melhora a qualidade de vida para as geraes atuais e futuras. Ser dada toda a assistncia possvel para proteger as crianas e reduzir ao mnimo os impactos nelas provocados pelos desastres naturais e pela degradao do meio ambiente.ONU. Um mundo para as crianas. Nova Iorque: ONU, 2002. p. 13-6. Disponvel em: . Acesso em: 22 out. 2013.Um mundo para as crianas? Como pode-mos relacionar esse documento da ONU e o Estatuto da Criana e do Adolescente (ECA) no Brasil? Justifique sua resposta.No, pois, apesar do documento da ONU, muitas delas vivem em situao de abandono, violncia, explorao, especialmen-te em muitas das metrpoles do mundo (nas brasileiras, em alguma medida), sem acesso ao sistema escolar e de sade, in-seridas em uma realidade precria, seja em zonas urbanas mais pobres, seja em comunidades rurais.Para finalizar, no Caderno do Aluno, os alunos podero fa-zer a seguinte atividade da se-o Voc aprendeu?.Encceja/2005 O desrespeito aos direitos do homem, seja em nosso pas ou em outros lugares do mundo, noticiado pelos meios de comuni-cao com certa frequncia. O texto a seguir foi extrado da Declarao Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela Organizao das Na-es Unidas (ONU) em 1948:68c) priso arbitrria daqueles que fazem oposio aos governos.d) restrio liberdade de pensamento e de ir e vir.SITUAO DE APRENDIZAGEM 6 A ORGANIZAO DAS NAES UNIDAS (ONU)Na primeira etapa, esta Situao de Apren-dizagem investiga o mecanismo de financiamen-to da ONU. Na segunda etapa, aborda a tenso entre o Conselho de Segurana, instncia delibe-rativa maior das Naes Unidas, e o poderio dos Estados Unidos da Amrica, que se tornou ex-plcita em 2003, por ocasio da Segunda Guerra do Golfo. Alm disso, enfoca o significado da proposta de reforma do Conselho de Seguran-a, com destaque para a posio da diploma-cia brasileira nesse processo. Por fim, o aluno convidado a analisar criticamente os resultados dos Objetivos do Milnio, conjunto de metas es-tabelecidas pelas Naes Unidas em 2000, que tinham como horizonte a drstica reduo da pobreza no mundo at 2015.Entende-se que o documento da ONU re-comenda a todos os pases a:a) manuteno da liberdade de comunica-o e informao.b) garantia de direitos, independentemen-te da cor, sexo ou crena.Contedos: a histria da ONU; o Conselho de Segurana; os Objetivos do Milnio.Competncias e habilidades: compreender o significado histrico da Organizao das Naes Unidas, considerando as relaes assimtricas de poder que a caracterizam, bem como analisar criticamente suas principais propostas de melhoria da qualidade de vida da populao mundial.Sugesto de estratgias: aulas dialogadas; interpretao de textos, grficos e mapas.Sugesto de recursos: textos tericos; mapas; grficos.Sugesto de avaliao: ficha de avaliao; roteiro de questes.Etapa prvia Sondagem inicial e sensibilizaoNesta etapa, trata-se principalmente de apre-sentar aos alunos os mecanismos de funciona-mento da ONU e suas principais agncias. Para isso, sugerimos que os tpicos a seguir sejam tra-balhados em uma aula expositiva.1. A ONU foi criada em 1945, aps a ratificao da Conferncia de So Francisco, durante a qual representantes de 50 pases procuravam garantir a paz entre os povos e estabelecer um sistema de segurana coletiva. Atualmen-te, 193 pases fazem parte da organizao. A Assembleia Geral e o Conselho de Segurana so os rgos deliberativos das Naes Unidas. 69Geografia 8a srie/9o ano Volume 12. Na Assembleia Geral, cada Estado dispe de um voto; as principais decises so tomadas por maioria qualificada de dois teros, en-quanto as decises corriqueiras s necessi-tam de maioria simples. Nas questes de paz e segurana, a Assembleia Geral produz ape-nas recomendaes, pois a tomada de deci-ses atribuio do Conselho de Segurana.3. O Conselho de Segurana composto por cinco membros permanentes e dez rota-tivos, eleitos pela Assembleia Geral. Os membros permanentes so Estados Uni-dos, Federao Russa, China, Reino Uni-do e Frana. Qualquer um deles pode blo-quear uma proposta com a apresentao de um voto negativo, mesmo que os outros quatro membros permanentes e os dez no permanentes tenham votado a favor. Cha-ma-se essa situao de poder de veto. As decises sobre temas de paz e seguran-a dependem de uma maioria de nove vo-tos e da inexistncia de um veto. O mapa Admisses ONU, 1945-2012 (Figura 9) poder contribuir, professor, para que voc aborde a cronologia da organizao.Figura 9 Admisses ONU, 1945-2012. Atelier de Cartographie de Sciences Po. Disponvel em: . Acesso em: 22 out. 2013. Mapa original (base cartogrfica com generalizao; algumas feies do territrio no esto representadas em detalhe; sem escala; sem indicao de norte geogrfico).704. Atualmente, o Sistema das Naes Unidas composto por agncias, fundos e progra-mas especializados que trabalham em reas diversas, como sade, trabalho, agricultura, educao e meio ambiente. Algumas das mais importantes iniciativas so: OMS Organizao Mundial da Sade, que prope e discute novas prticas de erradicao de doenas e de promoo da sade; OIT Organizao Internacional do Traba-lho, que elabora regras internacionais para as-segurar os direitos do trabalhador e combater todas as formas de trabalho escravo; FAO Organizao das Naes Unidas para Agricultura e Alimentao, que desenvolve programas de combate fome e de incremen-to da produtividade agrcola e pecuria; Unesco Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a Cultura, que elabora programas de educao e cultura e es-timula a cooperao cientfica internacional; Unicef Fundo das Naes Unidas para a Infncia, que atua em programas de sade e de bem-estar para crianas; PNUD Programa das Naes Unidas para o Desenvolvimento, que busca combater a po-breza e promover o desenvolvimento; PNUMA Programa das Naes Unidas para o Meio Ambiente, responsvel pela proteo do meio ambiente, cujo objetivo capacitar naes e povos a aumentar sua qualidade de vida sem comprometer a das futuras geraes.Sugerimos encerrar essa etapa inicial ex-plorando com os alunos o sentido de uma organizao multilateral que atue em reas to diversas, conforme o seguinte roteiro: Qual sentido se pode atribuir criao de uma organizao internacional em favor da paz no contexto do final da Segunda Guerra Mundial? O que significa a expresso instituio multilateral? Voc saberia citar algum problema social ou ambiental cuja soluo depende de uma organizao desse tipo? Voc j tomou conhecimento da ao de algu-ma agncia ou programa da ONU no Brasil? Em caso positivo, qual foi essa ao?As respostas so abertas. Entretanto, por meio da reflexo sugeri-da, espera-se que os alunos associem o momento de fundao da ONU e de seus mecanismos em favor da paz com o con-texto da Segunda Guerra Mundial. Espera-se tambm que eles compreendam o sentido e a necessidade de organizaes multi-laterais no contexto de globalizao, marcado pela intensificao dos fluxos de ideias e de mercadorias entre os pases do mundo e pela dimenso igualmente global da problemtica ambiental. Comentrio: para escolas e/ou alunos que te-nham facilidade de acesso internet, seria interes-sante complementar esta etapa com a realizao de uma pesquisa no site oficial da ONU, dispon-vel em: (acesso em: 22 out. 2013). Os alunos devero obter informaes acerca dos objetivos que levaram fundao da organizao e dar exemplos contemporneos da atuao da ONU e de suas agncias, no mundo e no Brasil. O relatrio da pesquisa, que poder ser produzido em grupo ou individualmente, deve servir como primeiro objeto de avaliao desta Si-tuao de Aprendizagem.71Geografia 8a srie/9o ano Volume 1Figura 10 Quem financia a ONU? LAtlas du monde diplomatique. Paris: Armand Colin, 2006. Mapa original (base cartogr-fica com generalizao; algumas feies do territrio no esto representadas em detalhe; sem escala; sem indicao de norte geogrfico). Adaptado (acrscimo de cotas). Traduo: Rene Zicman. Nota da autora do caderno: em 2004, quando o mapa foi elaborado, a Unio Europeia contava com 25 integrantes. Aderiram ao bloco a Romnia e a Bulgria, em 2007, e a Crocia, em 2013. O bloco passou a ter 28 membros. Quem financia a ONU?Cartografia de Philippe Rekacewicz (philippe.rekacewicz@monde-diplomatique.fr), Le Monde diplomatique, Paris.mento das operaes das Naes Unidas. Como sabemos, a ONU composta por 193 pases, mas eles colaboram desigualmente para o oramento da instituio, pois a contribuio calculada conforme a capacidade econmica de cada pas.Entretanto, nem todos os pases cum-prem regularmente suas obrigaes para com a ONU. O grfico da Figura 11 apre-senta esse problema.Etapa 1 Quem financia as atividades da ONU?Os recursos para a manuteno da estrutu-ra da ONU e para o cumprimento das decises do Conselho de Segurana e da Assembleia Ge-ral so provenientes das contribuies anuais dos pases-membros. Inicialmente, sugerimos o trabalho com o mapa da Figura 10, que identifica a contribuio de cada pas ou regio no financia-OCEANO PACFICO OCEANO ATLNTICO OCEANO NDICOOCEANOPACFICOJapo30025 pases-membrosda Unio Europeia585Estados Unidos340CanadMxicoBrasilArgentinafricado SulRssiaChinandiaArbiaSauditaAustrliaCingapura MalsiaCoreiado SulIsraelIrSuaNoruegaChilePas com contribuiosuperior a US$ 1 milho 5853401504020Milhes de dlares2Fonte: Naes Unidas, 2004.Insumos para o oramento ordinrio das Naes Unidas em 2003TailndiaVenezuelaNigriaArglia LbiaColmbiaTurquia72Leitura e anlise de mapa e grficoCom base no mapa (Figura 10) e no grfico (Figura 11), os alunos devero responder s questes propostas no Caderno do Aluno:1. Quais so os maiores financiadores dos programas e agncias da ONU? Por que voc acha que isso ocorre?Os Estados Unidos, os pases da Unio Europeia e o Japo so os principais financiadores dos programas e agncias da ONU. Isso se deve ao fato de serem algumas das maiores economias do mundo.2. No contexto da Amrica do Sul, o Brasil o principal financiador da ONU. Por que isso ocorre?Figura 11 Os atrasos na contribuio da ONU. Fonte: El Atlas de Le Monde Diplomatique. Paris: Armand Colin, 2006. Os atrasos na contribuio da ONU--Philippe Rekacewicz, Le Monde Diplomatique, Paris.Isso ocorre porque a economia brasileira ocupa o primeiro lugar no contexto da Amrica do Sul.3. No continente africano, apenas quatro pases contribuem com somas anuais superiores a 1 milho de dlares. Quais so esses pases? Voc saberia explicar por que isso ocorre?No continente africano, apenas a frica do Sul, a Arglia, a Lbia e a Nigria contribuem com somas anuais superiores a 1 milho de dlares. Isso ocorre porque a esmagadora maioria dos pases afri-canos encontra-se em situao de vulnerabilidade econmica.73Geografia 8a srie/9o ano Volume 14. A partir das informaes contidas no grfico Os atrasos na contribuio da ONU, identifi-que qual pas se destaca como mau pagador de suas contribuies ONU.Os Estados Unidos so responsveis por sucessivos e significa-tivos atrasos de suas contribuies para a ONU. Desde 1986, sua dvida tem sido superior dvida somada de todos os de-mais pases-membros.5. Quais so as consequncias provveis desses atrasos para a comunidade internacional?Os Estados Unidos so a maior economia do mundo e um dos principais financiadores da ONU. Os atrasos sucessivos que o pas acumula com a organizao resultam em escas-sez de recursos materiais para investimento em programas essenciais para a comunidade internacional, tais como os de auxlio ao desenvolvimento (PNUD) e de proteo ao meio ambiente (PNUMA).Ficha de observao do desempenho1. Os alunos conseguiram interpretar corre-tamente as informaes contidas no mapa da Figura 10?No caso do mapa, trata-se de esclarecer o princpio segundo o qual a ONU financiada sobretudo pelos pases ricos e pelas economias mais fortes. Por isso mesmo, ele espelha as desigualdades mundiais, o que deve ser percebido pelos alunos.2. Os alunos conseguiram interpretar corre-tamente as informaes contidas no grfi-co da Figura 11?Neste caso, trata-se de identificar o principal respons-vel pela escassez de recursos que compromete muito os programas em prol da melhoria da qualidade de vida da populao mundial, essencialmente daquela parce-la que vive nos pases mais pobres.Etapa 2 O Conselho de SeguranaPara introduzir a anlise do Conselho de Se-gurana da ONU, sugerimos uma aula expositi-va que explore os tpicos apresentados a seguir. O Conselho de Segurana o rgo da Organizao das Naes Unidas que discute e decide sobre assuntos relacio-nados aos conflitos armados e segu-rana do mundo. Ele composto por 15 membros, sendo que apenas cinco so permanentes e possuem direito a veto: Estados Unidos, Federao Russa, Chi-na, Reino Unido e Frana. Na dcada de 1990 foi lanada uma am-pla discusso sobre a reforma do Con-selho de Segurana das Naes Unidas. Desde ento, em compasso com a nova ordem econmica e poltica do mundo, o Japo e a Alemanha, potncias der-rotadas na Segunda Guerra Mundial, aspiram a se tornar membros permanen-tes, assim como pases subdesenvolvidos de grande expresso econmica e estra-tgica, como a ndia e o Brasil. As propostas de reforma, porm, esbar-ram na resistncia dos Estados Unidos e, tambm, na ausncia de consensos re-gionais. De um lado, os Estados Unidos temem um Conselho de Segurana mais democrtico e ainda mais difcil de con-trolar do que o atual. De outro, pases como o Paquisto e a Argentina no en-xergam com bons olhos a perspectiva de consolidao da liderana regional da ndia e do Brasil, respectivamente. 74 A segunda ofensiva estadunidense ao Iraque, iniciada em 2003, ocorreu re-velia do Conselho de Segurana (apre-sentar a Figura 12). A China, a Frana e a Federao Russa se opuseram ope-rao. Assim, o Conselho de Segurana foi desrespeitado pela maior potncia do mundo. Figura 12 Tropas estadunidenses na invaso do Iraque, 2003. Patrick Robert/Sygma/Corbis/LatinstockA seo Desafio, no Caderno do Aluno, prope a elaborao de um texto baseado na seguinte questo:A operao militar representada na foto pode ser usada como um exemplo de desres-peito ao Conselho de Segurana da ONU? Explique sua resposta.Sim, pois a operao ocorreu revelia do Conselho de Se-gurana da ONU, j que trs de seus membros permanentes (China, Frana e Federao Russa) se manifestaram con-trrios sua realizao. importante lembrar que todos os membros permanentes tm direito ao veto, portanto, a ope-rao s teria o aval do Conselho se aprovada por todos eles.Leitura e anlise de textoPara a prxima atividade, sugerimos a leitura coletiva do texto a seguir e, na se-quencia, os alunos podero responder s questes propostas.75Geografia 8a srie/9o ano Volume 1Em maio de 2005, o Brasil, a Alemanha, a ndia e o Japo apresentaram uma proposta de expanso do Conselho de Segurana (CS) da ONU. Esses quatro pases, que passaram a ser conhecidos como G-4, reivindicavam assento permanente no Conselho de Segurana da ONU, para eles e para mais dois pases do continente africano a serem escolhidos posteriormente. Entretanto, todos os atuais membros do CS, com exceo da Frana, pronunciaram-se contra a proposta. Os Estados Unidos, por exemplo, defendem que a reforma do Conselho de Segu-rana s deve ocorrer se os novos membros, quaisquer que sejam eles, abrirem mo do direito de veto, que continuaria prerrogativa exclusiva dos cinco membros permanentes originais.Tambm a Argentina e o Paquisto se pronunciaram contra a candidatura do G-4, pois no aceitam a liderana regional dos seus vizinhos.Elaborado por Regina Araujo especialmente para o So Paulo faz escola.1. Qual a posio brasileira diante da refor-ma do Conselho de Segurana?O Brasil defende que o Conselho seja ampliado e que, alm do Brasil, o Japo, a Alemanha e a ndia, e dois pases africa-nos ganhem assento permanente no Conselho.2. Por que a Argentina e o Paquisto se posicionaram contra a candidatura do G-4?A Argentina e o Paquisto no aceitam que os seus vizi-nhos (respectivamente, Brasil e ndia) assumam o papel de lderes regionais.3. Em sua opinio, qual a importncia para um pas como o Brasil integrar o Conselho de Segurana da ONU?O Brasil reafirmaria sua posio de importante nao da Amrica Latina, podendo defender de maneira mais efetiva os interesses nacionais e regionais.4. Qual o significado estratgico e geopolti-co do direito de veto no Conselho de Segu-rana da ONU?O direito de veto permite aos pases que o detm uma participa-o mais efetiva na conduo dos assuntos internacionais. Afinal, nenhuma resoluo da ONU pode ser aprovada sem a anuncia dos membros permanentes do Conselho de Segurana, que de-tm o poder de veto.Etapa 3 Os Objetivos de Desenvolvimento do MilnioEm uma reunio histrica, realizada em se-tembro de 2000, a ONU apresentou um amplo programa de metas orientadas para reduzir a pobreza no mundo at 2015. Trata-se dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milnio (ODM). Nesta etapa, sugerimos que os oito objetivos sejam apresentados e discutidos com os alunos, conforme apresentados a seguir. 761. Reduzir a pobreza extrema e a fome.2. Assegurar o Ensino Fundamental para to-das as crianas do mundo.3. Promover a igualdade entre os sexos e a au-tonomia das mulheres.4. Reduzir a mortalidade infantil.5. Melhorar a sade materna.6. Combater as principais doenas epidmicas.7. Assegurar um meio ambiente sustentvel.8. Estabelecer um mecanismo mundial de au-xlio ao desenvolvimento.Espera-se que os alunos identifiquem nos Objetivos de Desenvolvimento do Milnio a proposta de assegurar a sa-tisfao universal das necessidades humanas bsicas, princi-palmente nas reas de sade, educao e ambiente. Nesse sentido, sugerimos que os estudantes sejam convidados a ex-plicar a importncia de cada um dos ODM na promoo da melhoria da qualidade de vida da populao mundial.Leitura e anlise de mapaPara cada um dos sete primeiros ODM foi estabelecido um conjunto de metas especficas. Para avaliar os resultados dos ODM at 2005, sugerimos o trabalho com o mapa da Figura 13, que identifica a situao de cada uma das regies do mundo. A atividade pode ser feita acompanhando um planisfrio poltico, a fim de possibilitar que os alunos identifiquem os pases que perten cem a cada regio. Pea aos alunos que observem o mapa no Caderno do Aluno e respondam s questes propostas.1. Quais regies do mundo j cumpriram a meta de reduzir pela metade o nmero de pessoas extremamente pobres?O Sudeste da sia e a sia Oriental.2. Em quais regies do mundo a situao da pobreza piorou ou permaneceu estagnada? Quais os provveis motivos que justificam essa situao?Nos Estados do Golfo Prsico, no Oriente Mdio e na frica Subsaariana. Os alunos podem levantar hipteses como: falta de investimentos governamentais, problemas econmicos, pouca presso internacional para mudar essa situao, entre outras.3. Em quais regies do mundo a situao do des-matamento piorou ou permaneceu estagnada?Na Amrica Latina e no Caribe, na frica Subsaariana, no Su-deste da sia e na Oceania.4. Quais regies do mundo j conseguiram ou es-to em vias de conseguir universalizar a oferta de Ensino Fundamental? Na sua opinio, o que isso pode representar para essas regies?Amrica Latina e Caribe, frica do Norte, sia Central e sia Orien-tal. Espera-se que os alunos discutam questes relacionadas ao au-mento da incluso social e cultural e da produtividade do trabalho.5. Em qual regio do mundo a situao dos Objetivos de Desenvolvimento do Milnio mais dramtica, ou seja, em qual regio os resultados ficaram mais distantes dos objetivos predeterminados?Na frica Subsaariana, onde nenhum objetivo foi alcanado ou est em vias de s-lo.77Geografia 8a srie/9o ano Volume 1Figura 13 Os Objetivos de Desenvolvimento do Milnio. LAtlas du monde diplomatique. Paris: Armand Colin, 2006. Mapa original (base cartogrfica com gene-ralizao; algumas feies do territrio no esto representadas em detalhe; sem escala; sem indicao de norte geogrfico). Traduo: Rene Zicman.Os Objetivos de Desenvolvimento do MilnioOceaniaAmrica Latinae CaribefricaSubsaarianafricado NorteOriente Mdio eEstados do Golfosia do SulsiaCentralOrientalsia OrientalSudesteda siaCada quadrado representa o avano conquistado com relao a um objetivo do milnioSem melhora ou com retrocessoObjetivo fora de alcance para 2015Dados insuficientesFonte: ONU e Avaliao dos objetivosdo milnio, set. 2005. Mapa editado porHugo Alhenius, PNUE/GRID-Arendal, Noruega.Objetivo em vias de ser alcanadoObjetivo j alcanado ou perto de ser cumpridoObjetivos e metasdo milnioReduzir a pobreza extrema e a fome:1. Diminuir pela metade a quantidade de pessoas extremamente pobres.2. Diminuir pela metade o percentual de pessoas que passam fome. Assegurar o Ensino Fundamental para todas as crianas do mundo:3. Permitir que todas as crianas terminem o ciclo completo da educao bsica. Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres:4. Eliminar as desvantagens das meninas no acessoeducao bsica.5. Promover a igualdade de empregos.6. Promover uma representao equitativa de mulheres nos Parlamentos nacionais.Reduzir a mortalidade infantil:7. Reduzir em dois teros a mortalidade de crianas menores de 5 anos.8. Generalizar a vacinao contra o sarampo.Melhorar a sade materna:9. Reduzir em trs quartos a mortalidade materna.Combater as principais doenas epidmicas:10. Fazer retroceder a epidemia de AIDS.11. Fazer retroceder a epidemia de malria.12. Fazer retroceder a epidemia de tuberculose.Assegurar um meio ambiente sustentvel:13. Frear o desmatamento.14. Reduzir pela metade a quantidade de pessoas sem acesso gua potvel.15. Reduzir pela metade a quantidade de pessoas sem acesso a uma rede de saneamento.16. Melhorar as condies de vida nas zonas marginais (periferias).Cartografia de Philippe Rekacewicz (philippe.rekacewicz@monde-diplomatique.fr), Le Monde diplomatique, Paris786. Em que regio h melhor desempenho em relao aos Objetivos do Desenvolvimento do Milnio?Na frica do Norte, onde a maior parte dos objetivos j foi ou est em vias de ser alcanada. Sugerimos que, durante a discusso, voc apresente aos alunos as razes desse fen-meno, em grande parte associadas concentrao de inves-timentos da Unio Europeia em sade, educao e polticas ambientais nessa regio africana.Leitura e anlise de tabelaNa sequncia, sugerimos que a tabela a seguir (Quadro 5) seja apresentada e dis-cutida com a classe. Ela consta tambm no Caderno do Aluno.Para onde vai o dinheiro do mundo? (em bilhes de dlares)Gastos militares dos pases ricos* 616Gastos mundiais em publicidade* 446Custo anual da Guerra do Iraque** 180Investimento necessrio para que a frica atinja todos os ODM em 201525*Dados de 2003.**Gasto dos Estados Unidos.Quadro 5 Para onde vai o dinheiro do mundo? Philippe Reka-cewicz, Le Monde Diplomatique, Paris. Fonte: El Atlas de le monde diplomatique. Buenos Aires: Capital Intelectual S.A., 2006. p. 105.Logo aps, os estudantes devero respon-der questo a seguir:1. As demandas dos pases ricos dificultaram a concretizao dos Objetivos de Desen-volvimento do Milnio no continente afri-cano. Os dados da tabela reforam ou con-testam essa tese? Explique sua resposta.A partir desses dados, espera-se que os alunos entendam que a persistncia de parcelas da populao mundial que no so atendidas em suas necessidades bsicas no consequncia de falta de recursos, mas das decises tomadas pelos pases ricos sobre como despend-los. Afinal, os gastos com arma-mentos, publicidade e guerras so muitas vezes superiores aos gastos necessrios para melhorar a qualidade de vida das populaes mais pobres do mundo. Para concluir esta etapa, na seo Lio de casa, os alunos podero realizar a atividade seguinte.1. Encceja 2006O presidente americano Franklin D. Roo-sevelt foi o idealizador da ONU. Mas, desde 1943, ele enxergava a futura organizao no como uma liga da paz, fraca e impotente, mas como um instrumento das grandes po-tncias para conservar a paz pela fora.Boletim Mundo, n. 5. So Paulo: Clube Mundo Geo-grafia e Poltica Internacional, set. 2005. p. 7. Disponvel em: . Acesso em: 11 nov. 2013. [...] Em 2000 a ONU lanou os Ob-jetivos de Desenvolvimento do Milnio como um compromisso para diminuir a desigualdade e melhorar o desenvolvi-mento humano no mundo. 79Geografia 8a srie/9o ano Volume 1Esta Situao de Aprendizagem analisa os fluxos de comrcio mundial de forma a ilumi-nar a correspondncia entre desenvolvimento econmico, competitividade e controle sobre os mercados mundiais. Alm disso, sero abordados o sentido e o resultado das rodadas de liberaliza-o do comrcio mundial encabeadas pela Or-ganizao Mundial do Comrcio (OMC).SITUAO DE APRENDIZAGEM 7 A ORGANIZAO MUNDIAL DO COMRCIOContedos: o comrcio mundial; a questo dos subsdios.Competncias e habilidades: compreender aspectos da organizao econmica das sociedades contem-porneas, bem como analisar criticamente as regras que regulam os fluxos internacionais de mercado-rias; ler e interpretar mapas, grficos e tabelas; compreender e comparar a situao socioeconmica de diferentes pases; analisar a situao do comrcio internacional por meio de cartografias temticas de fluxos econmicos; ler, interpretar e produzir textos com o intuito de demonstrar as diferenas de de-senvolvimento econmico entre os diversos pases do mundo; analisar as estratgias protecionistas do comrcio mundial a partir de dados referentes ao mercado mundial do algodo.Sugesto de estratgias:: aulas dialogadas; interpretao de mapas; textos.Sugesto de recursos: textos tericos; mapas; grficos.Sugesto de avaliao: roteiro de questes.A partir da anlise dos textos apresenta-dos, correto afirmar que:a) os dois textos apontam a ONU como uma instituio internacional cujo objetivo promover a paz e o desenvol-vimento mundial.b) os dois textos questionam a representa-tividade mundial da ONU.c) a atuao da ONU est restrita s nego-ciaes para impedir conflitos armados entre os pases.d) os dois textos so contraditrios e retra-tam a atuao da ONU na promoo de intervenes militares.Etapa prvia Sondagem inicial e sensibilizaoEsta etapa apresenta o contexto de surgi-mento e os mecanismos de funcionamento da Organizao Mundial do Comrcio (OMC). Lembramos que o tema do comrcio mundial ser retomado na 1a srie do Ensino Mdio. Neste momento, o importante apenas sensi-bilizar os alunos para o assunto e apresentar 80em traos gerais os principais eixos estrutu-rantes dos fluxos internacionais de merca-dorias. Os aspectos enumerados a seguir so importantes nessa sensibilizao. A Organizao Mundial do Comrcio tem sua origem no Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comrcio (GATT, pela sigla em ingls), assinado por 23 pases em 1947. O objetivo principal era diminuir as barrei-ras que a maior parte dos pases impunha ao comrcio internacional, facilitando os fluxos internacionais. No entanto, os pro-dutos de interesse dos pases pobres, espe-cialmente os dos setores agrcolas e txteis, foram desde logo sujeitos a regras espe-ciais, no sendo liberalizados. Em 1995, o Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comrcio (GATT, que vi-gora desde janeiro de 1948, veja no texto disponvel em: , acesso em: 22 out. 2013) se transformou na Organizao Mundial do Comrcio, que atualmente conta com 159 pases-membros e continua com o propsi-to de zelar pelo livre comrcio, evitando as taxas alfandegrias exageradas e o protecio-nismo. Com a criao da OMC, os setores agrcola e txtil entraram na arena das ro-dadas de liberalizao. Desde a sua criao, a OMC encarregou-se de estabelecer regras para o comrcio inter-nacional e buscar a soluo de controvr-sias entre os pases-membros, mas muita gente considera essas regras injustas, pois elas so iguais para todos, independen-temente de seu grau de desenvolvimento e competitividade. Assim, os pases ricos, detentores das tecnologias mais avanadas e, por isso mesmo, mais competitivos, ten-dem a ampliar o controle que j exercem sobre os mercados mundiais. Um dos sinais mais claros do desenvol-vimento econmico o controle de uma parcela do mercado mundial. A reparti-o desse mercado entre os pases extre-mamente desigual. Os pases industriais centrais controlam mais de 70% das ex-portaes mundiais, deixando, portanto, menos de 30% das exportaes para to-dos os demais pases juntos. Sozinha, a Unio Europeia tem quase a metade das exportaes mundiais e o G-7 (grupo dos sete pases mais ricos do mundo), pouco mais da metade. O comrcio entre as zo-nas subdesenvolvidas muito pequeno.O mapa da Figura 14 (Adeses OMC, 1995-2012) poder contribuir para que voc aborde a recente cronologia da organizao.Ainda na etapa de sensibilizao, os alunos devero ser orientados a responder s ques-tes a seguir no Caderno do Aluno, na seo Para comeo de conversa.1. Explique por que a maior parte do comrcio internacional ocorre entre os pases ricos.Espera-se que os alunos estabeleam associaes entre o controle que os pases ricos exercem sobre as tecnologias avanadas, que garantem maior produtividade s economias, e o controle que tm sobre os mercados mundiais.81Geografia 8a srie/9o ano Volume 12. A maior parte dos pases busca proteger seu mercado interno criando barreiras importao de mercadorias. Quais so es-sas barreiras e como elas funcionam?Espera-se que os alunos entendam o significado das barreiras protecionistas, na forma de regras especficas e tarifas sobre os produtos importados, que buscam di-ficultar a entrada dessas mercadorias. Seria interessante solicitar aos alunos pesquisas sobre esse procedimento, verificando a diferena de preo de um produto impor-tado aqui e no pas de origem. Videogames importados dos Estados Unidos, por exemplo, custam bem mais caro no mercado brasileiro. Em parte, essa diferena pode ser explicada pelas tarifas impostas pelo governo brasileiro para os importadores que desejam comercializar essas mercadorias no pas.Figura 14 Adeses OMC, 1995-2012. Atelier de Cartographie de Sciences Po. Disponvel em: . Acesso em: 22 out. 2013. Mapa original (base cartogrfica com generalizao; algumas feies do territrio no esto representadas em detalhe; sem escala; sem indicao de norte geogrfico).82Etapa 1 As desigualdades no comrcio mundialLeitura e anlise de mapa1. Para demonstrar o domnio que os pases ricos exercem sobre o comrcio, sugerimos que os alunos analisem novamente o mapa da Figura 5 (Situao de Aprendizagem 3), Comrcio mundial de mercadorias, 2010, a partir das questes seguintes.a) Quais so os eixos estruturantes do co-mrcio mundial?O comrcio mundial est estruturado em torno de trs po-los: Europa, Amrica do Norte e sia.b) Como voc avalia a participao das Amricas do Sul e Central e da frica no comrcio internacional?As Amricas do Sul e Central e a frica ocupam posies marginais, com um fluxo relativamente reduzido de impor-taes e exportaes.Etapa 2 O mercado mundial do algodoComo sabemos, a participao dos pases pobres nos fluxos do comrcio internacional em grande parte limitada pela baixa produtivi-dade das economias e pela escassez de tecno-logias disponveis. Entretanto, no mercado de produtos agrcolas, existe um outro fator que pesa fortemente contra o conjunto dos pases pobres exportadores de alimentos: os subsdios agrcolas concedidos aos produtores dos pases ricos. Em conjunto, os pases desenvolvidos, em especial os pases-membros da Unio Europeia e os Estados Unidos, concedem cerca de US$ 315 bilhes anuais em subsdios agrcolas, quase um quarto do PIB brasileiro ou trs quartos do PIB argentino. Isso significa que o governo remunera os agricultores, que assim podem comercializar seus produtos por preos inferiores ao custo de produo. Nessas condies, a concorrncia se torna muito difcil.Com o surgimento da OMC e das rodadas multilaterais de negociao, a reduo dos sub-sdios agrcolas por fim entrou em pauta. Entre-tanto, elas tm fracassado de forma sistemtica, principalmente em virtude da insistncia da Unio Europeia em subsidiar seus produtores. O grfico da Figura 15 pode dar uma ideia aos alunos da dimenso desses subsdios:Subsdios agrcolas na Europa e nos Estados Unidos, 1999-2004 Figura 15 Subsdios agrcolas na Europa e nos Estados Uni-dos, 1999-2004. Fonte: El Atlas de Le Monde Diplomatique. Paris: Armand Colin, 2006. p. 101. Adaptado para fins didti-cos (supresso de informaes). Philippe Rekacewicz, Le Monde Diplomatique, Paris.83Geografia 8a srie/9o ano Volume 1Na sequncia, sero abordados os subsdios agrcolas e seus efeitos perversos para os pases pobres, que dependem das exportaes de uma parte reduzida de produtos da agricultura. Para isso, recomendamos a leitura coletiva da carta aberta reproduzida a seguir, tambm disponvel no Caderno do Aluno, assinada em conjunto pelos presidentes de dois dos pases mais pobres da frica Mali e Burkina Faso , que devero ser localizados em um mapa--mndi antes do incio da leitura. Os subsdios a seus produtores esto nos estrangulandoDepois de muitos anos sendo empurrada para o segundo plano global, encorajador ver a ateno do mundo focalizar em nosso continente. Apoio internacional tanto financeiro como de outro tipo cer-tamente necessrio para ajudar no combate pobreza extrema e doenas que afetam nossas naes. Mas, primeiro e mais importante, a frica precisa poder tomar seu destino em suas prprias mos. Somente autoconfiana e crescimento e desenvolvimento econmicos permitiro que a frica se torne um membro pleno da comunidade mundial. Com a criao da Nova Parceria Econmica para o Desenvolvimento Africano, em 2001, os lderes africa-nos assumiram o compromisso de seguir os princpios da boa governana e da economia de mercado. Nada mais central para essa meta do que participar do comrcio mundial. Como presidentes dos dois pases menos desenvolvidos da frica Burkina Faso e Mali estamos ansiosos para participar no sistema de comrcio multilateral e assumir seus direitos e obrigaes.A cultura do algodo nosso bilhete de entrada para o mercado mundial. Sua produo cru-cial para o desenvolvimento econmico da frica Central e Ocidental, assim como para o susten-to de milhes de pessoas na regio. O algodo responde por at 40% das receitas de exportao e 10% do Produto Interno Bruto em nossos pases, assim como no Benin e no Chade. Mais do que isso, o algodo de fundamental importncia para a infraestrutura social da frica, assim como para a manuteno de suas reas rurais.Esse setor econmico vital em nossos pases est sendo seriamente ameaado pelos subsdios agrcolas ofe-recidos pelos pases ricos a seus produtores de algodo. De acordo com o Comit do Conselho Internacional do Algodo, os subsdios ao algodo somaram cerca de 5,8 bilhes de dlares na produo dos anos de 2001 a 2002, quase igualando a quantidade de algodo comercializado nesse mesmo perodo. Tais subsdios levam a um excedente de produo mundial e distorcem os preos do algodo, privando os pases africanos da sua nica vantagem comparativa no comrcio internacional.84O algodo no apenas crucial para nossas economias, ele o nico produto agrcola que nossos pases podem comercializar. Apesar de o algodo africano ser da mais alta qualidade, nossos custos de produo so cerca de 50% menores do que nos pases desenvolvidos, ainda que dependamos de trabalho manual. Em pases mais ricos, ao contrrio, o algodo de baixa quali-dade produzido em grandes unidades mecanizadas, gerando menos empregos e causando um impacto duvidoso no meio ambiente. O algodo nesses pases poderia ser substitudo por outras culturas, de maior valor.No perodo de 2001 a 2002, os 25mil produtores de algodo da Amrica receberam mais em subsdios algo em torno de 3 bilhes de dlares do que a totalidade da produo econmica de Burkina Faso, onde 2 milhes de pessoas dependem do algodo. Alm disso, os subsdios dos Esta-dos Unidos esto concentrados em apenas 10% dos seus produtores de algodo. Assim, o pagamen-to feito para aproximadamente 2 500 produtores relativamente ricos tem o efeito no intencional, porm no menos real, de empobrecer cerca de 10 milhes de pessoas pobres nas zonas rurais da frica Ocidental e Central.Algo precisa ser feito. Juntamente com pases do Benin e do Chade, submetemos uma proposta Organizao Mundial do Comrcio que se encontrar em Cancn, Mxico, em setembro, para discutir questes agrcolas que pede um fim aos subsdios injustos concedidos por pases desenvolvi-dos para seus produtores de algodo. Como medida intermediria, propusemos que os pases menos desenvolvidos recebam compensao financeira por perdas nas receitas de exportao decorrentes desses subsdios. Nosso pedido simples: aplicao de regras justas de livre comrcio no apenas para aque-les produtos que so do interesse dos ricos e poderosos, mas tambm para aqueles produtos nos quais os pases mais pobres levam uma comprovada vantagem comparativa. Sabemos que o mundo no ir ignorar nosso apelo por um jogo leal. A Organizao Mundial do Comrcio vem afirmando que est comprometida a tratar dos problemas dos pases em desenvolvimento. Os Estados Unidos nos convenceram de que uma economia de mercado fornece as melhores oportu-nidades para todos os membros da comunidade mundial. hora de traduzir esses princpios em aes em Cancn.Amadou Toumani Tour e Blaise Compaor so os presidentes, respectivamente, do Mali e de Burkina Faso.The New York Times, 11 jul. 2003. The NYTimes Syndicate. Traduo: Maria do Carmo Martins Fontes-Davis.85Geografia 8a srie/9o ano Volume 1Aps a leitura do texto, os alunos devero res-ponder s questes a seguir no Caderno do Aluno.1. Com base no texto, explique a importncia do algodo para as economias do Mali e de Burkina Faso.O algodo responsvel por uma parte significativa das re-ceitas de exportao desses dois pases, alm de gerar em-prego e renda nas reas rurais.2. Os produtores de algodo dos Estados Unidos recebem em subsdios um valor quase equivalente ao total gerado pelo co-mrcio mundial de algodo. O que isso sig-nifica e quais so as consequncias para o mercado desse produto?Isso significa que o dinheiro que o governo dos Estados Unidos repassa aos produtores de algodo seria suficiente para comprar quase todo o algodo comercializado no mercado mundial. Como consequncia, os produtores dos demais pases encon-tram dificuldades para se inserir no mercado mundial. Isso uma forma de protecionismo.3. Qual a principal crtica dos autores, presidentes de dois pases africanos, Organizao Mundial do Comrcio? Que propostas eles fazem para solucionar os problemas identificados?Os presidentes criticam a OMC porque ela permite que os produ-tores de algodo dos Estados Unidos recebam subsdios. Por isso, eles propem a eliminao dos subsdios, de forma a fazer com que os produtores passem a cultivar produtos mais rentveis nos pases ricos e a aumentar a competitividade dos pases africanos.No Caderno do Aluno, na seo Li-o de casa, esto disponveis duas atividades sobre os temas tratados.1. Os alunos iro observar o grfico da Figu-ra 15 e responder s questes seguintes.a) Quais relaes podem ser estabelecidas entre o grfico e o domnio que os pa-ses ricos exercem sobre o mercado inter-nacional de alimentos?Os subsdios agrcolas concedidos aos produtores dos pases ricos limitam a participao dos pases pobres no mercado internacional, na medida em que permitem que os alimen-tos e as matrias-primas de origem agrcola sejam comer-cializados por preos inferiores ao custo de produo. Des-sa forma, os preos agrcolas so em parte determinados pelos subsdios, e a concorrncia se torna desleal.b) Que relaes podemos estabelecer entre a Renda Nacional Bruta do Mali e os montantes dos subsdios agrcolas na Europa e nos Estados Unidos?A Renda Nacional Bruta do Mali muito menor que o mon-tante de subsdios.2. Os pases desenvolvidos possuem polti-cas de proteo e incentivo sua agricul-tura. Uma das polticas mais importantes a concesso de subsdios aos produtores agrcolas. A respeito das consequncias dessa poltica, correto afirmar que:a) os subsdios incentivam o aumento da produo, o que acarreta a queda dos preos nos mercados internacionais.b) os subsdios no impedem nem interferem nas condies competitivas do comrcio da produo agrcola dos vrios pases do mundo.86c) os pases produtores que subsidiam seus agricultores no o fazem para torn-los mais competitivos em relao aos pro-dutos agrcolas importados.d) os subsdios ampliam o mercado inter-nacional, o que estimula os agricultores dos pases subdesenvolvidos.e) os subsdios aumentam as exportaes dos produtos agrcolas, ampliando o acesso dos pases pobres ao mercado in-ternacional.A questo tem como objetivo identificar as relaes entre os subsdios e a formao dos preos das mercadorias agrcolas.Contedos: o Frum Social Mundial.Competncias e habilidades: desenvolver a compreenso sobre as formas de organizao poltica e eco-nmica das sociedades contemporneas, bem como capacitar o aluno para recorrer aos conhecimen-tos desenvolvidos para elaborar propostas de interveno solidria na realidade; a partir da leitura de textos, extrair conceitos fundamentais para a compreenso do significado e das intencionalidades de diferentes fruns mundiais; pesquisar em jornais e revistas iconografias e textos que expressem os obje-tivos do Frum Social Mundial; identificar aes solidrias propostas nas discusses do Frum Social Mundial e elaborar aes solidrias de acordo com as necessidades locais.Sugesto de estratgias: aulas dialogadas; interpretao de textos; trabalho com fotografias.Sugesto de recursos: jornais; revistas; internet.Sugesto de avaliao: roteiro de questes; trabalho em grupo.SITUAO DE APRENDIZAGEM 8 O FRUM SOCIAL MUNDIALEsta Situao de Aprendizagem busca apresentar aos alunos as concepes que embasam o Frum Social Mundial e o sen-tido das prticas sociais que sustentam a ideia de que um outro mundo possvel. Espera-se que os alunos dialoguem com as propostas que defendem a democratizao da informao e a participao da socieda-de civil como pilares para a construo des-te outro mundo.Etapa prvia Sondagem inicial e sensibilizaoNesta etapa inicial, deve-se apresentar o Frum Social Mundial para os alunos. Reco-menda-se que os tpicos a seguir sejam traba-lhados em aula expositiva. O Frum Social Mundial, cuja primeira edio ocorreu em 2001, em Porto Ale-gre, no uma entidade ou uma institui-o, mas um espao de debate e de troca de experincias que articula movimentos sociais, organizaes no governamen-tais e representantes da sociedade civil do 87Geografia 8a srie/9o ano Volume 1mundo todo para propor alternativas s formas dominantes do processo de globa-lizao (por exemplo, o peso excessivo das corporaes transnacionais) que causam impactos sobre a vida dos pases e povos do mundo. Trata-se, portanto, de uma proposta intei-ramente nova de articulao da sociedade civil, organizando-se na escala mundial, que independe das instncias governa-mentais tradicionais e proclama a ideia de que um outro mundo possvel, social-mente mais justo, ambientalmente sus-tentvel e menos atrelado aos interesses hegemnicos que comandam a globaliza-o contempornea. O Frum prope que a integrao global no se d apenas pelo interesse econmico, mas sim a partir das necessidades dos povos, aproveitando-se das mesmas potencialidades da globaliza-o, como o encurtamento das distncias e o avano das comunicaes.Sugerimos a exposio das Figuras 16 e 17 e recomendamos encerrar esta etapa inicial re-cuperando o entendimento prvio dos alunos acerca do tema, com base nas questes a seguir. Os alunos devero respond-las no Caderno do Aluno, na seo Para comeo de conversa.1. Voc j ouviu falar do Frum Social Mun-dial? Em caso positivo, o que sabe a respeito? Em caso negativo, o que voc acredita que ocorra em um evento com esse nome?2. Em janeiro de 2012 ocorreu uma edio do Frum Social Mundial em Porto Ale-gre, no Rio Grande do Sul. Voc sabe quais assuntos mereceram destaque nes-se evento? D exemplos.3. Em maro de 2013 ocorreu uma edio do Frum Social Mundial em Tnis, na Tunsia. Voc sabe quais assuntos foram abordados nesse evento? D exemplos.Respostas pessoais. Espera-se que os alunos relatem o que leram, viram ou ouviram na mdia sobre o Frum Social Mundial e troquem informaes e impresses com o conjunto da classe. Entretanto, para estimular a discusso, sugerimos que voc leve sala de aula algum material sobre alguma das edies do evento (como uma manchete de jornal ou imagens da edio 2012 do FSM ou mesmo da edio 2013, que ocorreu em Tnis, na Tunsia) e analise com os alunos as imagens das edies anteriores (Figuras 16 e 17). A partir desses materiais possvel se aproximar do universo temtico do Frum Social Mundial, cujo sentido geral uma postura contra esse modelo de globalizao identificada com o chama-do neoliberalismo (alguns grupos chegam mesmo a ser contra a globalizao em si). Essa postura inclui a valori-zao da diversidade cultural, a defesa da participao da sociedade civil nos rumos da globalizao e o avano dos direitos bsicos da cidadania.Leitura e anlise de imagemPropomos agora duas atividades que pode-ro ser trabalhadas com os alunos no Cader-no do Aluno.1. As Figuras 16 e 17 retratam alguns mo-mentos de diferentes fruns. Oriente os alunos a observarem cada foto para poste-riormente responder s questes a seguir.88a) Que tipos de reivindicao esto sendo representadas nas imagens?O direito liberdade, sade e paz.b) Quais temas as imagens tm em co-mum? Justifique.Todas elas mostram a populao organizada para expressar suas ideias e reivindicaes.2. Com base na anlise das imagens, produ-za em seu caderno um texto sobre as te-mticas e as discusses que tm ocorrido em diferentes Fruns Sociais Mundiais.Resposta pessoal. Entretanto, as imagens certamente suge-rem diversas temticas, tais como as reivindicaes apresen-tadas na primeira questo e a luta contra o lado perverso da globalizao.Figura 17 Frum Social Mundial. frica, janeiro/2007. a) Cartaz denuncia o apoio da Frana s ditaduras. b) Ativistas antiglobalizao contra os Acordos de Parceria Econmica (EPAs) europeus; os ativistas pediam a abolio dos EPAs. c) Fitas vermelhas em memria das 40 milhes de mortes decor-rentes da Aids na frica.A)B)C) Emmanuel Dunand/AFP/ Getty Images Emmanuel Dunand/AFP/ Getty Images Sebastian DSouza/AFP/Getty ImagesFigura 16 Frum Social Mundial. ndia, janeiro/2004. a) Bailari-nos indianos ensaiam uma tradicional dana na vspera da abertura do frum; na faixa l-se Outro mundo possvel. b) Membros da casta mais baixa hindusta, a etnia indiana dalit, acendem 100 velas de liberdade exigindo direitos em um pas onde so considerados intocveis. c) Ativistas antiglobalizao se manifestam pelas ruas de Mumbai, defendendo que Nosso mundo no est venda. A)B)C) Jean-Philippe Ksiazek/AFP/ Getty Images Tony Karumba/AFP/Getty Images Valter Campanato/ABr 89Geografia 8a srie/9o ano Volume 1Etapa 1 O significado do Frum Social MundialLeitura e anlise de textoAntnio Martins, jornalista, editor do site do Le Monde Diplomatique Brasil e um dos muitos organizadores do Frum So-cial Mundial 2009, concedeu uma entrevista para este Caderno, explicando os significa-dos, os objetivos e as formas de organizao do FSM. Sugerimos na sequncia algumas questes para facilitar a interpretao da entrevista, que devem ser respondidas indi-vidualmente pelos alunos e, depois, debati-da em conjunto com a classe.Regina Araujo: Quais so os objetivos principais do Frum Social Mundial?Antnio Martins: Eu diria que, em primeiro lugar, afirmar a possibilidade de construirmos nosso futu-ro coletivo. No Ocidente, os anos 1980 e 1990 foram marcados pela ascenso de uma corrente ideolgica chamada neoliberalismo. Ela tornou-se avassaladora quando a maior parte dos regimes burocrticos que se denominavam socialistas caiu, entre 1989 e 1991. O mundo passou a viver sob uma espcie de pensamento nico. Segundo essa corrente, as sociedades deveriam abandonar a tentativa de alcanar princpios como a distribuio de riquezas ou a justia social. Em vez disso, o correto seria deixar que as relaes entre os seres humanos fossem regidas pelos mecanismos de mercado. Se h trabalhadores dispostos a trabalhar 15 horas por dia por um prato de comida ou se h consumidores prontos a adqui-rir um carro novo a cada ano, ento o Estado no deve interferir nessa relao.As consequncias desastrosas desse tipo de lgica no demoraram a aparecer, no aumento das desigual-dades h, hoje, milhes de pobres e sem-teto nos prprios Estados Unidos , na destruio acelerada da natureza e no reaparecimento de grandes crises financeiras. Na virada do sculo, o sentimento de crena no mercado foi substitudo por inquietaes e incertezas crescentes. Entre 1999 e 2002, elas resultaram, por exemplo, em gigantescas manifestaes de protesto (principalmente fortes entre a juventude), sempre que se reuniam instituies internacionais como a Organizao Mundial do Comrcio (OMC).O Frum Social Mundial fruto desse novo sentimento. Mas ele introduz um elemento novo. No se limita a protestar: quer buscar alternativas. Ou seja: ao contrrio do que pregava o pensamento nico, o frum diz que o futuro pode e precisa ser construdo por meio da conscincia e do planejamento humanos e que valores como os direitos humanos, a distribuio de riquezas, a paz e a reinveno da democracia devem prevalecer sobre os lucros, a desigualdade e o impulso dos pases mais fortes para a guerra. Em cada edio do Frum So-cial Mundial, esses valores se traduzem em centenas de atividades, nas quais se debatem milhares de propostas: da proteo das florestas tropicais ao ensino do esperanto; do direito diversidade sexual ao cancelamento da dvida dos pases mais pobres. Mas o ponto em comum , certamente, a reinveno da utopia, do direito que temos a no reproduzir, no futuro, as relaes sociais injustas do presente.90R.A.: De que forma o Frum organizado?A.M.: O princpio essencial a diversidade. O Frum foi criado por oito organizaes brasileiras e conta hoje com um Conselho Internacional composto de mais de 150 entidades, dos cinco continentes. Mas nem os fundadores nem este conselho tm controle sobre o que se debater em cada edio do evento.R.A.: Quem pode participar da organizao? E das discusses?A.M.: A programao inteiramente construda pelos prprios participantes. A inscrio feita pela internet, alguns meses antes de cada edio do frum. E, ao se registrar para o encontro, cada organizao participante pode inscrever at quatro atividades quaisquer que sejam elas, desde que respeitada a Carta de Princpios do FSM. Um grmio de uma escola, por exemplo, pode organizar atividades. O papel dos orga-nizadores apenas assegurar condies (alm de espao e logstica) para que todas as propostas se realizem.Esses princpios de autonomia e diversidade tm levado alguns crticos a afirmar que as edies do frum so ineficazes, j que no se propem a unificar o conjunto de participantes em torno de propostas e lutas comuns. A resposta a esse questionamento est na prpria realidade. A batalha para transformar a gua num bem pblico mundial, no privatizvel, hoje presente em dezenas de pases, foi lanada no Frum Social. As redes de economia solidria e de comrcio justo, que ocupam grande espao na programao do FSM, tambm tm se espalhado pelo mundo.1. O autor afirma que os anos 1980 e 1990 foram marcados pela ascenso de uma cor-rente ideolgica chamada neoliberalismo e que o mundo passou a viver sob uma es-pcie de pensamento nico. Alm da as-censo, houve expanso dessas ideias pelo mundo. O que possibilitou essa expanso?Espera-se que o aluno perceba que a proliferao dessas ideias somente aconteceria numa realidade em que est se produzin-do um mundo (afinal, isso que a globalizao), com meios de circulao das mercadorias, das finanas e das ideias.2. O autor tambm se refere a um certo fra-casso social das ideias neoliberais e ao sur-gimento de vrios protestos at chegar-se ao Frum Mundial. Como essas ocorrncias se enquadram no processo de globalizao?Espera-se que o aluno note que as mesmas condies que fa-cilitaram a expanso do neoliberalismo geram condies para que se proteste contra os rumos da globalizao neoliberal. Os protestos contra eventos de entidades smbolos da globalizao (a OMC, por exemplo) contaram com jovens e organizaes do mundo inteiro, assim como o Frum Mundial. Assim, pode--se afirmar que a prpria resistncia aos rumos da globalizao participa da construo de um mundo, logo, tambm participa da globalizao com outras condies.3. Algo que se relata sobre as discusses e rei-vindicaes do Frum Mundial a batalha para transformar a gua num bem pblico 91Geografia 8a srie/9o ano Volume 1mundial, no privatizvel. Como o aces-so gua potvel (as regras) em nossos dias? E o que significa tratar a gua como bem pblico mundial? As regras de acesso gua esto circunscritas na esfe-ra nacional. Os pases dispem da gua que possuem segundo regras prprias, muitos permitindo que ela se transforme em mercadoria, logo o contrrio de bem pblico. A proposta do Frum mudar a jurisdio do controle da gua para uma esfera de governana global e tambm impedir que ela seja mercadoria. Fica claro, nesse caso, uma proposio que est acima dos pases. E isso tambm se constitui como um dos aspectos da glo-balizao.4. De acordo com o texto, o FSM procura afirmar a possibilidade de construirmos nosso futuro coletivo. Em sua opinio, o que isso significa?Resposta aberta. Mas se espera que o aluno identifique no texto a ideia de que o futuro pode e deve ser constru-do coletivamente, de forma a garantir que todos tenham acesso a uma vida digna e liberdade para expressar suas ideias e opinies. Assim, o futuro visto como pleno de novas possibilidades, e no como um destino j traado pelas foras do mercado.5. O texto faz referncia ao impulso dos pa-ses mais fortes para a guerra. Por que isso ocorre?Resposta aberta. Entretanto, o material contido neste Ca-derno dimensiona a importncia da indstria de arma-mentos e dos gastos com segurana nos pases ricos. Alm disso, oferece um exemplo concreto: a ofensiva estadunidense no Iraque em 2003, que ocorreu revelia do Conselho de Segurana da ONU.6. Quem determina a programao do FSM?Todos os participantes, j que a organizao no tem o poder de decidir quais assuntos so prioritrios. Por isso, os mais di-versos temas so debatidos.Etapa 2 O Frum Social Mundial na mdiaPara esta etapa, conforme pro-posto na seo Pesquisa em grupo, sugerimos que os alunos pesquisem em jornais, revistas e, se possvel, na internet sobre o Frum Social Mundial realizado na cidade de Tnis, capital da Tun-sia, em 2013. Feito isso, eles produziro um relatrio coletivo que responder s questes seguintes. Quais temas estiveram em discusso no Frum Social Mundial em 2013? Vocs consideram que esses temas so de fato importantes? Por qu? Qual dos temas o grupo acha mais impor-tante? Justifiquem. Vocs consideram que esses temas pos-suem relao com a sua vida cotidiana? Justifiquem.A crise capitalista, o combate pobreza e excluso so-cial e a busca por um modelo de desenvolvimento so-cialmente justo e ambientalmente responsvel estiveram na pauta dos ltimos Fruns. Com base nisso, sugerimos que os alunos sejam incentivados a refletir sobre a impor-tncia da organizao da sociedade civil e a estabelecer relaes entre as situaes que enfrentam em seu dia a dia e os temas discutidos no evento.92Etapa 3 Participando do Frum Social MundialNesta etapa, dando continuidade ativida-de Pesquisa em grupo, sugerimos que os alunos assumam a posio de participantes do Frum Social Mundial e proponham temas para se-rem debatidos em uma reunio dessa natureza. Para tanto, cada grupo deve elaborar uma lista de temas que seriam pertinentes para alimentar a discusso do Frum, argumentando sobre a importncia de cada um deles. fundamental que os alunos considerem que se trata de uma reunio da qual participam milhares de pessoas vindas de todas as partes do mundo, interessadas em trocar experincias e ideias sobre como promover a justia e a in-cluso social, democratizar a informao e agir de maneira no predatria com relao ao meio ambiente. A lista de objetivos produzida em cada um dos grupos dever ser submetida ao debate e apreciao de todos os colegas. A democratizao da informao, o combate pobreza e excluso social, a busca por um modelo de desenvolvimento socialmente jus-to e ambientalmente responsvel e a dignidade dos povos estiveram na pauta do FSM de 2013. Entretanto, as estratgias de superao da crise econmica global ocuparam lugar de destaque, a oposio ao imperialismo e neoliberalismo, o papel da China e os novos grupos imperialistas. Sugerimos que os alunos escolham um desses temas e reflitam sobre sua importncia na cons-truo de um futuro socialmente justo e am-bientalmente sustentvel. Os estudantes podem escolher qualquer tema, mas importante que fundamentem os motivos que os levaram a fazer tal escolha. Eles devem ser estimulados a esta-belecer relaes entre as discusses realizadas no evento e as situa es que enfrentam em seu dia a dia, de forma a dimensionar a importncia da organizao da sociedade civil para o enfren-tamento de problemas cotidianos, tais como a violncia, a intolerncia e a degradao do pa-trimnio ambiental. Assim, cabe enfatizar aos grupos que trabalhem com questes que os afe-tam cotidianamente. Formas de democratizar o acesso informao, assim como a participao mais ativa dos jovens no destino da comunida-de, por exemplo, podero figurar na lista elabo-rada pelos alunos.No final desta etapa, sugerimos que o resul-tado seja encaminhado aos organizadores do Frum Social Mundial. possvel encontrar o site do evento na Internet.Ficha de observao do desempenho1. Os alunos realizaram o roteiro de interpretao da entrevista e participaram da discusso em classe?2. Os grupos se empenharam em sugerir um conjunto de temas para a discusso no FSM e em argu-mentar em favor dele?Espera-se que os grupos retomem o que aprenderam sobre direitos humanos e necessidades humanas bsicas, relacionem o contedo com as ideias apresentadas na entrevista e apresentem sob a forma de temas para a discusso no Frum. Temas como a adoo de prticas ambientalmente sustentveis, eliminao da pobreza, universalizao do acesso educao e informao, por exemplo, podero figurar nessa lista.93Geografia 8a srie/9o ano Volume 1Para finalizar, na seo Lio de casa, do Caderno do Aluno, h uma orientao para que os estu-dantes faam uma redao com o ttulo O Frum Social Mundial Um outro mundo possvel.Essa proposta de redao tem como objetivo incentivar os alunos a recuperarem e sintetizarem os diversos aspectos do FSM abordados nesta Situao de Aprendizagem, em especial os que tratam de sua organizao e relao com o processo de globalizao. Alm disso, esperamos que a proposta os estimule a refletir sobre os valores que pautam sua prpria atuao na sociedade.PROPOSTAS DE SITUAES DE RECUPERAOPara as atividades de recuperao, necess-rio ter claro os contedos essenciais da unidade, para poder definir quais so os contedos mni-mos indispensveis que o aluno deva dominar.Propomos, para as quatro primeiras Situa es de Aprendizagem, a avaliao de contedos cognitivos e conceituais relaciona-dos s habilidades e competncias, lembran-do, entretanto, que os conceitos muitas vezes so difceis de ser definidos e trabalhados pelo aluno. O importante saber aplic-los. Assim, a avaliao dos conceitos dever ser elaborada de maneira que o aluno os aplique. A observao do uso correto dos conceitos de trabalhos em grupo, apresentao, deba-tes torna-se uma forma adequada de avalia-o. Os conceitos e contedos fundamentais relacionados s habilidades que se espera que o aluno tenha desenvolvido so: construir conceitos e noes como espao geogrfico, lugar, regio, territrio e escala mundial das relaes humanas, em especial as econmicas; identificar e caracterizar a globalizao, a mundializao da economia, da hegemo-nia poltico-econmica e do exerccio do poder, localizando esse processo nas dife-rentes escalas geogrficas; aplicar os conceitos na anlise de situaes representativas da interao entre socieda-de e espao geogrfico; identificar a reorganizao geopoltica do mundo em blocos comerciais e de poder; identificar e interpretar as limitaes para a amplificao do fenmeno de globalizao; caracterizar a regionalizao contempor-nea e identificar os impactos sociais; discriminar as reas e as disparidades e de-sigualdades regionais; compreender a interligao econmica e financeira e a regionalizao mundial; discriminar os blocos econmicos supra-nacionais. importante ainda avaliar os contedos procedimentais e atitudinais, que so funda-mentais para definir as possibilidades de o 94aluno dar continuidade aos seus estudos. Muitas vezes, certa defasagem em relao a contedos especficos ou cognitivos (fac-tuais e mesmo conceituais) pode ser facilmen-te superada se o aluno desenvolver atitudes adequadas em relao ao mtodo e aos proce-dimentos: o saber fazer, o compromisso com o trabalho, com as pesquisas previstas, com a leitura dos textos recomendados, o exerc-cio da escrita, a capacidade e o gosto para a elaborao de um texto, a autonomia para a busca de novos textos e novas fontes. O conhe-cimento sobre o domnio desses saberes deve ser observado em situaes de aplicao des-ses contedos. Alm disso, o desenvolvimento de atitudes adequadas, como participao, or-ganizao, prontido e concentrao, tambm deve ser valorizado pelo professor na avalia-o das possibilidades do prosseguimento dos estudos por parte do aluno.Sugerimos agora algumas questes que podero ser empregadas para verificar se os alunos dominam essas habilidades:1. Blocos econmicos so associaes de pases que estabelecem relaes econ-micas privilegiadas entre si, por meio de tratados que podem ser classificados, segundo o grau de complexidade, em zona de livre comrcio, unio aduaneira e mercado comum. De acordo com o que foi proposto ante-riormente, a Unio Europeia, o Nafta e o Mercosul podem ser classificados res-pectivamente como:a) Mercado comum, rea de livre comrcio e unio aduaneira.b) Unio aduaneira, rea de livre comrcio e mercado comum.c) rea de livre comrcio, mercado co-mum e unio aduaneira.d) Unio aduaneira, mercado comum e rea de livre comrcio.e) rea de livre comrcio, unio aduaneira e mercado comum.2. Desorganizao da produo, Estado na-cional e instituies democrticas enfra-quecidas, dependncia econmica e cul-tural em relao aos centros hegemnicos so as consequncias em muitos pases de-nunciadas pelos crticos do chamado neoli-beralismo. Esses autores identificam como a causa dessas ocorrncias:a) o processo de globalizao.b) o enfraquecimento da organizao sindical.c) o crescimento demogrfico.d) a desintegrao do socialismo.e) a insegurana poltica.3. Analise as informaes do mapa a seguir e escreva um pequeno texto relacionando-o ao processo de globalizao.95Geografia 8a srie/9o ano Volume 1Integraes regionais com objetivo econmico, situao em 1o de novembro de 2012. Ensembles regionaux vocation conomique, situation au 1er novembre 2012. Atelier de Cartographie de Sciences Po. Mapa original (base cartogrfica com generalizao; algumas feies do territrio no esto representadas em detalhe; sem escala; sem indicao de norte geogrfico). Traduo: Benjamin Potet.O mapa representa os principais processos de integrao regional que ocorrem no mundo contemporneo. Apa-recem em destaque: 1) o Nafta, que corresponde a uma integrao comercial entre EUA, Mxico e Canad. No caso, o poder dos EUA tamanho que, de fato, como blo-co regional, o Nafta no tem destaque maior que esse pas; 2) o Mercosul, que inclui vrios pases da Amrica do Sul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela), alm de outros associados. Esse bloco busca integrar a vida econ-mica dessas naes, mas ainda tmido, com integrao muito difcil em funo da desigualdade econmica enor-me entre os seus integrantes; 3) o mapa tambm indica a possibilidade de integrao mais ampla das Amricas (que incluiria o Nafta e o Mercosul). Trata-se da Alca, proposi-o de integrao regional ainda um pouco vaga e mui-to contestada, sem, por enquanto, resultados efetivos; 4) Unio Europeia o bloco regional que levou mais longe a integrao regional e que se constitui numa nova forma de organizao que supera a organizao nacional (o pas) em alguma medida; 5) Asean: organizao que visa inte-grao regional dos pases do Sudeste Asitico e, seme-lhana do Mercosul, progride timidamente. De um modo geral, pode-se afirmar que esses blocos regionais no so incompatveis com a globalizao, como se fossem uma espcie de reao regional ao global. Ao contrrio, trata--se de uma das formas que a globalizao toma, com as foras regionais se estruturando para atuar com mais lastro nas relaes econmicas de escala mundial.A S E A NCCGCCGS A A RCS A A RCI G A DI G A DN A F T AP I FU N A S U LA L BAA E CC A R I CO MC A NM CC AM CC AA L A D IA P E CU EU M AC E N - S A DC E D E AOC E M ACS AC US AC UC E E ACC E E ACC E M BU E M OAS A D CI O R -A RCM E RCO S U LE U R A S E CE ACCOICOICOM E S AA S E A N + 3O E COAteli de Cartografia da Sciences Po, 2012Integraes regionais com objetivo econmico, situao em 1 de novembro de 2012Fonte: compilao dos sites oficiais das organizaes.PIF Frum das Ilhas do PacficoSAARC Associao Sul-asitica para a Cooperao RegionalSACU Unio Aduaneira da frica AustralSADC Comunidade para o Desenvolvimento da frica AustralUE Unio EuropeiaUEMOA Unio Econmica e Monetria do Oeste AfricanoUMA Unio do Magreb rabeUNASUL Unio de Naes Sul-americanasAEC Associao dos Estados do CaribeALADI Associao Latino-americana de IntegraoALBA Aliana Bolivariana para os Povos da Nossa AmricaAPEC Cooperao Econmica da sia e do PacficoASEAN Associao de Naes do Sudeste AsiticoASEAN +3 Asean e China, Japo e Coreia do SulCAN Comunidade Andina de NaesCARICOM Comunidade do CaribeCCG Conselho de Cooperao do GolfoCEDEAO Comunidade Econmica dos Estados da frica OcidentalCEEAC Comunidade Econmica dos Estados da frica CentralCEMAC Comunidade Econmica e Monetria da frica CentralCEMB Conselho dos Estados do Mar BlticoCEN-SAD Comunidade dos Estados Sahelo-saarianosCOI Comisso do Oceano ndicoCOMESA Mercado Comum da frica Oriental e AustralEAC Comunidade da frica OrientalEURASEC Comunidade Econmica EurasiticaIGAD Autoridade Intergovernamental para o DesenvolvimentoIOR-ARC Associao dos Pases da Orla do Oceano ndico para a Cooperao RegionalMCCA Mercado Comum Centro-americanoMERCOSUL Mercado Comum do SulNAFTA Tratado Norte-americano de Livre ComrcioOECO Organizao dos Estados do Caribe Oriental96Para as quatro ltimas situaes de Apren-dizagem, sugerimos que o material iconogrfi-co seja reapresentado e analisado junto com os alunos. Depois, propomos a produo de trs pequenos textos dissertativos, a partir dos eixos temticos apresentados a seguir. A Organizao das Naes Unidas: fun-cionamento e importncia.Os alunos devero ser orientados a incluir em seu trabalho um resumo dos mecanismos de funcionamento da ONU e de suas reas de atuao, bem como uma discusso sobre a importncia dessa organizao na resoluo dos problemas que afetam o mundo contemporneo. O comrcio mundial e o papel da OMC.Os alunos devero ser orientados a incluir em seu traba-lho referncias ao controle que os pases ricos exercem sobre os mercados mundiais e a explicar a importncia de um canal de arbitragem que dite as regras do comr-cio mundial. O Frum Social Mundial: um outro mun-do possvel.Os alunos devero ser orientados a incluir em seu trabalho as principais caractersticas do Frum, bem como a explicar o slogan do evento. Aps a produo dos textos, sugerimos que os alunos respondam s questes a seguir:1. Qual o rgo deliberativo mximo da ONU? Como ele funciona?O rgo deliberativo mximo da ONU o Conselho de Se-gurana, composto por 15 membros, sendo 10 rotativos e 5 permanentes. Apenas os membros permanentes possuem direito a veto.2. Por que a invaso dos Estados Unidos ao Iraque, ocorrida em 2003, representou uma crise no sistema das Naes Unidas?Porque a invaso ocorreu contra a vontade do Conselho de Segurana da ONU e significou um claro desrespeito ao r-go mximo das Naes Unidas.3. Um especialista em comrcio mundial afir-mou que:[...] Existe um conjunto de regras que relati-vamente frgil; o juiz muitas vezes no v todas as trapaas que so feitas pelos jogadores. Mas imagine um jogo de futebol Brasil Argentina sem juiz e sem regras. Seria muito pior. [...]Fonte: Marcos Jank, presidente do Instituto de Estudos do Comrcio e Negociaes Internacionais (Icone), citado por Mylena Fiori na matria Juiz mope, OMC ainda o frum mais amplo de negociao comercial, da Agncia Brasil. Disponvel em: . Acesso em: 22 out. 2013.a) Quem o juiz citado no texto?Vrias questes conflituosas que ocorrem no mbito do co-mrcio mundial so discutidas no interior da Organizao Mundial do Comrcio (OMC), que, nesse caso, seria o juiz. b) Seguindo a metfora do texto, quem so os jogadores?So os pases que participam do comrcio mundial e esto organizados na OMC.c) Quais so as trapaas que podem ocorrer no mbito do comrcio mun-dial?O bsico encontra-se no seguinte fato, que pode ser explica-do em dois momentos:97Geografia 8a srie/9o ano Volume 1 os pases no querem restries quanto circulao dos bens que exportam; no querem que esses bens sejam ta-xados por impostos excessivos quando entram em outros pases (pois assim eles ficam muito caros e perdem com-petitividade); no querem que eles sejam desfavorecidos frente aos bens produzidos internamente nos pases; os pases (os mesmos) no querem que produtos de outros pases entrem em seus mercados com as mesmas condi-es que os bens produzidos internamente e, por isso, impem impostos elevados, restries de vrias ordens e subsidiam os produtores internos para eles terem mais competitividade. Em suma, querem facilidades para seus produtos serem comercializados livremente e querem que o concorrente tenha dificuldades. Ora, isso no possvel. Apenas pases que no mbito da OMC tm mais fora al-canam esses objetivos, pois conseguem manobrar e inibir o juiz. Como exemplo, temos a questo do subsdio ao algodo (e de outros bens agrcolas), que prejudica pases (em geral pobres) produtores e que exportam esses bens.d) Por que o juiz importante?De acordo com o texto, a existncia de um juiz impor-tante na tentativa de fazer cumprir as regras e arbitrar as controvrsias, mesmo que no seja capaz de enxergar ou controlar todas as trapaas feitas pelos jogadores.4. Sintetize os efeitos dos subsdios agrcolas ao algodo para as economias da frica Ocidental e Central.Por causa dos subsdios, os pases africanos no conseguem vender seu algodo no mercado mundial, prejudicando mi-lhes de famlias camponesas.5. O que o Frum Social Mundial?O Frum Social Mundial um espao de discusso e troca de experincias que rene representantes da sociedade civil para propor caminhos que conduzam construo de um mundo socialmente mais justo e ambientalmente sustentvel.RECURSOS PARA AMPLIAR A PERSPECTIVA DO PROFESSOR E DO ALUNO PARA A COMPREENSO DO TEMASugesto de livros para o professorANDRADE, Manuel Correia de. Imperialismo e fragmentao do espao. So Paulo: Contexto, 1988. Nesse livro, o autor descreve a expanso co-lonial, o imperialismo e a independncia da Am-rica, sia e frica, alm de trabalhar de forma clara com os conceitos de tempo e de espao para chegar ao mundo contemporneo, seus contor-nos polticos e sua realidade social.CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. So Paulo: Paz e Terra, 2000. v. 1. Nessa obra, Castells analisa a sociedade e o espa-o geogrfico contemporneos na perspecti-va das redes, ou seja, das mltiplas conexes que integram os sistemas polticos, econ-micos, sociais e territoriais. A discusso sobre as instituies multilaterais pode ser bastante til no trabalho didtico.CEVASCO, Maria Elisa et al. O esprito de Por-to Alegre. So Paulo: Paz e Terra, 2002. Trata--se de uma coletnea de artigos que buscam traduzir o esprito do Frum Social Mun-dial, desvendando o significado do movimento antiglobalizao, propondo alternativas para a ampliao do controle da sociedade civil sobre 98os processos globais e apresentando um balan-o de suas duas primeiras edies.CORRA, Roberto Lobato. Regio e organi-zao espacial. So Paulo: tica, 1986. Regio e organizao do espao so conceitos funda-mentais para a Geografia. O autor examina a forma como so tratados nas diversas corren-tes de pensamento geogrfico, indicando sua importncia. Demonstra que eles so tambm materialidades sociais, expresses concretas da Histria, isto , resultam das relaes entre os homens e a sociedade, incluindo a natureza. Portanto, so dimenses da sociedade e contri-buem para a reproduo social.GARCA CANCLINI, Nstor. A globaliza-o imaginada. So Paulo: Iluminuras, 2003. O autor prope estudar a variedade de intercm-bios, desencontros e desigualdades produzidos pela globalizao. Junto homogeneidade ge-rada pela circulao de capitais e bens, emer-gem as diferenas culturais que no so meras resistncias ao global. O autor mostra como mudaram as aproximaes e discrepncias en-tre Europa, Estados Unidos e Amrica Latina. Compara os modos distintos em que se globa-lizam as finanas, a cidadania, as artes. Exa-mina tambm as ambiguidades que escondem as metforas empregadas no discurso sobre os conflitos de fronteira e desloca a discusso para a esfera pblica, na perspectiva de construo de uma cidadania mundial.HAESBAERT, Rogrio; PORTO-GONAL-VES, Carlos Walter. A nova desordem mundial. So Paulo: Unesp, 2006.HAESBAERT, Rogrio. Blocos internacionais de poder. So Paulo: Contexto, 1997.HARVEY, David. A condio ps-moderna. So Paulo: Loyola, 1992. Nesse livro, o autor procu-ra demonstrar o que significa o termo ps-mo-derno em seus diferentes contextos e identificar seu grau de preciso e utilidade como descrio da experincia contempornea, alm de fazer um retrospecto do lluminismo at o presente e da expresso do modernismo em ideias e mo-vimentos polticos e sociais. O significado e as percepes de tempo e de espao variam, afe-tando valores individuais e processos sociais.MAGNOLI, Demtrio. Globalizao: Estado nacional e espao mundial. So Paulo: Mo-derna, 2004. Nesse livro, Magnoli desvenda o significado da chamada globalizao e sobre os novos significados assumidos pelos Estados e fronteiras nacionais do meio tcni-co-cientfico e informacional.MARTIN, Andr Roberto. Geopoltica e poder mundial. So Paulo: SEESO/USP/ CENP, 2004.MENDZ, Ricardo. El Espacio de la Geo-grafia Humana. In: Puyol et al. Geografia hu-mana. Madrid: Ctedra, 1995. p. 29.SANTOS, Milton. Espao e mtodo. So Pau-lo: Nobel, 1984.______. Tcnica, espao e tempo. So Paulo: Hucitec, 1994. A posio do autor, nesse li-vro, tratar o presente perodo histrico como algo que pode ser definido como um sistema 99Geografia 8a srie/9o ano Volume 1desenvolvimento humano, em especial para os pases mais pobres do mundo.Sugesto de paradidticosMAGNOLI, Demtrio. Unio Europeia: hist-ria e geopoltica. So Paulo: Moderna, 2003.______. Globalizao: Estado nacional e es-pao mundial. So Paulo: Moderna, 2003.______. O projeto Alca O hemisfrio ameri-cano e Mercosul na tica do Brasil. So Paulo: Moderna, 2003.Sugesto de sitesFrum Social Mundial 2013. Disponvel em: . Acesso em: 22 out. 2013.Frum Social Mundial Temtico de Porto Alegre. Disponvel em: . Acesso em: 22 out. 2013. Os sites sugeridos abrigam um rico material de anlise sobre os movimentos sociais que atuam no mundo contemporneo, bem como sobre as estratgias e expectativas dos participantes do frum. Organizao das Naes Unidas no Brasil. Disponvel em: . Acesso em: 22 out. 2013. O site apresenta um enorme acervo de documentos e relatrios produzidos pela ONU, alm de destacar as aes da organizao em territrio brasileiro.temporal coerente, cuja explicao exige que sejam levadas em conta as caractersticas atuais dos sistemas tcnicos e suas relaes com a realizao histrica. Para ele, a elaborao da realidade espacial tem estreita dependncia com as tcnicas. Por isso denomina, nesse livro, o atual perodo como tcnico-cientfico. E diz que o meio tcnico-cientfico a resposta geo-grfica globalizao.______. A natureza do espao. So Paulo: Huci-tec, 1996. Nessa obra, o autor d um tratamento pioneiro s relaes entre a tcnica e o espao e entre o espao e o tempo, base para a construo de um sistema de conceitos para definir o espao geogrfico e seu papel na dinmica social.SEVERINO, Antnio Joaquim. Metodolo-gia do trabalho cientfico. So Paulo: Cortez, 1998. O autor, nesse livro, considera o termo trabalho cientfico em dois sentidos. Primeiro como o conjunto de processos de estudo, de pesquisa e de reflexo na vida intelectual e, de modo mais restrito, como a monografia cientfica. Apresenta tambm diretrizes para a criao de hbitos de estudo, de leitura e de pesquisa.STIGLITZ, Joseph E. Globalizao: como dar certo. So Paulo: Companhia das Letras, 2007. O autor, que j foi vice-presidente do Banco Mundial e ganhou o Nobel de Economia em 2001, disseca o funcionamento das organizaes multilaterais e apresenta propostas no sentido de fazer a globalizao funcionar em favor do 100Caro(a) colega professor(a),Ao chegarmos ao final deste volume podemos considerar que este momento re-presenta, na verdade, o incio de uma jor-nada de partilhas, na qual nos colocamos como interlocutores. Nossa proposta foi a de sugerir algumas atividades relacionadas ao desenvolvimento de certos contedos do programa da 8a srie/9o ano do Ensino Fundamental. So apenas sugestes a res-peito do processo de globalizao, das pos-sibilidades de regionalizao do mundo contemporneo, da formao dos blocos supranacionais e estudo das organizaes multilaterais. Desenvolvemos algumas pos-sibilidades didtico-pedaggicas relaciona-das a conceitos e noes necessrios para a compreenso da complexidade do mun-do contemporneo. Trata-se de um enorme desafio, sem dvida, trazer a complexidade dessas relaes para a sala de aula, de forma que ganhe significado junto aos alunos. Isso requer um trabalho incessante em busca de caminhos que se transformem em vias aber-tas para a ampliao do conhecimento. Gostaramos de reforar que o que apresen-tamos aqui se trata de uma proposta. E nesse sentido convidamos voc para adapt-la, se for o caso. Voc, professor, quem conhece seus alunos, sua realidade, sua escola, as condies de trabalho de que dispe e, sobretudo, tem o domnio intelectual e prtico do seu fazer peda-ggico. Estas propostas podem e devem mudar, sendo constantemente aprimoradas a partir do processo de ao/reflexo/ao. Sugerimos que voc aproveite este material e compare nossas sugestes didticas com as que utiliza em seu cotidiano escolar. Faa adapta-es, releituras e, se for o caso, redirecione-as para que atendam a sua realidade. S assim poderemos trilhar o mesmo caminho, que o de contribuir para que a escola haja como for-madora de uma gerao participativa, atuante e engajada, e que tenha novas possibilidades de crescimento pessoal e profissional.CONSIDERAES FINAIS101Geografia 8a srie/9o ano Volume 1QUADRO DE CONTEDOS DOENSINO FUNDAMENTAL ANOS FINAIS5a srie/6o ano 6a srie/7o ano 7a srie/8o ano 8a srie/9o anoVolume 1PaisagemO tempo da natureza Os objetos naturais O tempo histrico Os objetos sociais A leitura de paisagens Escalas da GeografiaAs paisagens captadas pelos satlites Extenso e desigualdades Memria e paisagensAs paisagens da Terra O mundo e suas representaesExemplos de representaes Arte e fotografia Introduo histria da cartografiaA linguagem dos mapas Orientao relativa A rosa dos ventos Coordenadas geogrficas Os atributos dos mapas Mapas de base e mapas temticos Representao cartogrfica Qualitativa e quantitativaO territrio brasileiroA formao territorial do Brasil Limites e fronteiras A federao brasileira Organizao poltica e administrativaA regionalizao do territrio brasileiro Critrios de diviso regional As regies do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), os complexos regionais e a Regio ConcentradaRepresentao cartogrficaViso de mundo e suas tecnologiasGlobalizao em trs tempos O meio tcnico e o encurtamento das distncias O meio tcnico-cientfico- -informacional e a globalizao O processo de globalizao e as desigualdades internacionaisProduo e consumo de energiaAs fontes e as formas de energiaMatrizes energticas Da lenha ao tomo Perspectivas energticasA matriz energtica mundialA matriz energtica brasileiraA produo do espaogeogrfico globalGlobalizao e regionalizaoAs doutrinas do poderio dos Estados Unidos da AmricaOs blocos econmicos supranacionaisA nova desordem mundialA Organizao das Naes Unidas (ONU)A Organizao Mundial do Comrcio (OMC)O Frum Social Mundial Um outro mundo possvel?Volume 2Os ciclos da natureza e asociedadeA histria da Terra e os recursos mineraisA gua e os assentamentos humanosNatureza e sociedade na modelagem do relevo O clima, o tempo e a vida humanaAs atividades econmicas e o espao geogrficoOs setores da economia e as cadeias produtivasA agropecuria e os circuitos do agronegcioA sociedade de consumoDomnios naturais doBrasil Biomas e domnios morfoclimticos do Brasil O patrimnio ambiental e a sua conservaoPolticas ambientais no BrasilO Sistema Nacional de Unidades de Conservao (SNUC)Brasil: populao e economiaA populao e os fluxos migratriosA revoluo da informao e a rede de cidades O espao industrial Concentrao e descentralizao O espao agrrio e a questo da terraA crise ambiental A apropriao desigual dos recursos naturais Poluio ambiental e efeito estufaDo Clube de Roma ao desenvolvimento sustentvel Alteraes climticas e desenvolvimentoConsumo sustentvel Geografia comparada da AmricaPeru e Mxico A herana pr-colombianaBrasil e Argentina As correntes de povoamento Colmbia e Venezuela Entre os Andes e o Caribe Haiti e Cuba As revoluesGeografia das populaesDemografia e fragmentao Estrutura e padres populacionais As migraes internacionais Populaes e cultura Mundo rabe e mundo islmicoRedes urbanas e sociaisCidades Espaos relacionais e espaos de conexoAs cidades e a irradiao do consumoTurismo e consumo do lugarAs redes da ilegalidade102SITUAO DE APRENDIZAGEM 1RELAES ENTRE ESPAO GEOGRFICO E GLOBALIZAOLeitura e anlise de texto (CA, p. 5)Significado dos termos presentes no texto: Oriente Prximo: refere-se regio do Oriente Mdio. O termo Oriente Prximo utilizado quando se tem como re-ferncia a Europa.Europa setentrional: o mesmo que norte da Europa.Fiados: qualquer filamento ou fibra txtil que se reduziu a fio.Mocassins: tipo de calado criado pelos indgenas norte--americanos, feito de couro cru, que envolvia o p, sem sola dura nem salto. Na atualidade, corresponde ao tipo de sapato de couro, baixo e confortvel.Gauleses: povo celta conquistado pelos romanos e que ha-bitava a Glia, antiga regio que pertence hoje ao territrio da Frana.Masoquista: diz-se de pessoa que busca o sofrimento. No texto, o autor emprega ironicamente o termo referindo-se ao sofrimento resultante do ato de se barbear.Sumerianos: povo originrio da Sumria, uma das mais anti-gas civilizaes da Mesopotmia (sia).Semitas: grupo tnico e lingustico que compreende os he-breus, os assrios, os aramaicos, os fencios e os rabes.Narrativas: no texto corresponde exposio de um aconte-cimento ou de uma srie de acontecimentos mais ou menos encadeada, real ou imaginria, por meio de palavras ou de imagens.Divindade hebraica: deus hebreu.Indo-europeia: ramo lingustico correspondente maioria das lnguas ocidentais.GABARITOCONCEPO E COORDENAO GERALNOVA EDIO 2014-2017COORDENADORIA DE GESTO DA EDUCAO BSICA CGEBCoordenadora Maria Elizabete da CostaDiretor do Departamento de Desenvolvimento Curricular de Gesto da Educao Bsica Joo Freitas da SilvaDiretora do Centro de Ensino Fundamental dos Anos Finais, Ensino Mdio e Educao Profissional CEFAF Valria Tarantello de GeorgelCoordenadora Geral do Programa So Paulo faz escolaValria Tarantello de GeorgelCoordenao Tcnica Roberto Canossa Roberto Liberato S el Cristina de lb er e oEQUIPES CURRICULARESrea de Linguagens Arte: Ana Cristina dos Santos Siqueira, Carlos Eduardo Povinha, Ktia Lucila Bueno e Roseli Ventrela.Educao Fsica: Marcelo Ortega Amorim, Maria Elisa Kobs Zacarias, Mirna Leia Violin Brandt, Rosngela Aparecida de Paiva e Sergio Roberto Silveira.Lngua Estrangeira Moderna (Ingls e Espanhol): Ana Paula de Oliveira Lopes, Jucimeire de Souza Bispo, Marina Tsunokawa Shimabukuro, Neide Ferreira Gaspar e Slvia Cristina Gomes Nogueira.Lngua Portuguesa e Literatura: Angela Maria Baltieri Souza, Claricia Akemi Eguti, Id Moraes dos Santos, Joo Mrio Santana, Ktia Regina Pessoa, Mara Lcia David, Marcos Rodrigues Ferreira, Roseli Cordeiro Cardoso e Rozeli Frasca Bueno Alves.rea de Matemtica Matemtica: Carlos Tadeu da Graa Barros, Ivan Castilho, Joo dos Santos, Otavio Yoshio Yamanaka, Rodrigo Soares de S, Rosana Jorge Monteiro, Sandra Maira Zen Zacarias e Vanderley Aparecido Cornatione. rea de Cincias da Natureza Biologia: Aparecida Kida Sanches, Elizabeth Reymi Rodrigues, Juliana Pavani de Paula Bueno e Rodrigo Ponce. Cincias: Eleuza Vania Maria Lagos Guazzelli, Gisele Nanini Mathias, Herbert Gomes da Silva e Maria da Graa de Jesus Mendes. Fsica: Carolina dos Santos Batista, Fbio Bresighello Beig, Renata Cristina de Andrade Oliveira e Tatiana Souza da Luz Stroeymeyte.Qumica: Ana Joaquina Simes S. de Matos Carvalho, Jeronimo da Silva Barbosa Filho, Joo Batista Santos Junior e Natalina de Ftima Mateus.rea de Cincias Humanas Filosofia: Emerson Costa, Tnia Gonalves e Tenia de Abreu Ferreira.Geografia: Andria Cristina Barroso Cardoso, Dbora Regina Aversan e Srgio Luiz Damiati.Histria: Cynthia Moreira Marcucci, Maria Margarete dos Santos e Walter Nicolas Otheguy Fernandez.Sociologia: Alan Vitor Corra, Carlos Fernando de Almeida e Tony Shigueki Nakatani.PROFESSORES COORDENADORES DO NCLEO PEDAGGICOrea de Linguagens Educao Fsica: Ana Lucia Steidle, Eliana Cristine Budisk de Lima, Fabiana Oliveira da Silva, Isabel Cristina Albergoni, Karina Xavier, Katia Mendes e Silva, Liliane Renata Tank Gullo, Marcia Magali Rodrigues dos Santos, Mnica Antonia Cucatto da Silva, Patrcia Pinto Santiago, Regina Maria Lopes, Sandra Pereira Mendes, Sebastiana Gonalves Ferreira Viscardi, Silvana Alves Muniz.Lngua Estrangeira Moderna (Ingls): Clia Regina Teixeira da Costa, Cleide Antunes Silva, Edna Boso, Edney Couto de Souza, Elana Simone Schiavo Caramano, Eliane Graciela dos Santos Santana, Elisabeth Pacheco Lomba Kozokoski, Fabiola Maciel Saldo, Isabel Cristina dos Santos Dias, Juliana Munhoz dos Santos, Ktia Vitorian Gellers, Ldia Maria Batista Bom m, Lindomar Alves de Oliveira, Lcia Aparecida Arantes, Mauro Celso de Souza, Neusa A. Abrunhosa Tpias, Patrcia Helena Passos, Renata Motta Chicoli Belchior, Renato Jos de Souza, Sandra Regina Teixeira Batista de Campos e Silmara Santade Masiero.Lngua Portuguesa: Andrea Righeto, Edilene Bachega R. Viveiros, Eliane Cristina Gonalves Ramos, Graciana B. Ignacio Cunha, Letcia M. de Barros L. Viviani, Luciana de Paula Diniz, Mrcia Regina Xavier Gardenal, Maria Cristina Cunha Riondet Costa, Maria Jos de Miranda Nascimento, Maria Mrcia Zamprnio Pedroso, Patrcia Fernanda Morande Roveri, Ronaldo Cesar Alexandre Formici, Selma Rodrigues e Slvia Regina Peres.rea de Matemtica Matemtica: Carlos Alexandre Emdio, Clvis Antonio de Lima, Delizabeth Evanir Malavazzi, Edinei Pereira de Sousa, Eduardo Granado Garcia, Evaristo Glria, Everaldo Jos Machado de Lima, Fabio Augusto Trevisan, Ins Chiarelli Dias, Ivan Castilho, Jos Maria Sales Jnior, Luciana Moraes Funada, Luciana Vanessa de Almeida Buranello, Mrio Jos Pagotto, Paula Pereira Guanais, Regina Helena de Oliveira Rodrigues, Robson Rossi, Rodrigo Soares de S, Rosana Jorge Monteiro, Rosngela Teodoro Gonalves, Roseli Soares Jacomini, Silvia Igns Peruquetti Bortolatto e Zilda Meira de Aguiar Gomes. rea de Cincias da Natureza Biologia: Aureli Martins Sartori de Toledo, Evandro Rodrigues Vargas Silvrio, Fernanda Rezende Pedroza, Regiani Braguim Chioderoli e Rosimara Santana da Silva Alves.Cincias: Davi Andrade Pacheco, Franklin Julio de Melo, Liamara P. Rocha da Silva, Marceline de Lima, Paulo Garcez Fernandes, Paulo Roberto Orlandi Valdastri, Rosimeire da Cunha e Wilson Lus Prati. Fsica: Ana Claudia Cossini Martins, Ana Paula Vieira Costa, Andr Henrique Ghel Ru no, Cristiane Gislene Bezerra, Fabiana Hernandes M. Garcia, Leandro dos Reis Marques, Marcio Bortoletto Fessel, Marta Ferreira Mafra, Rafael Plana Simes e Rui Buosi. Qumica: Armenak Bolean, Ctia Lunardi, Cirila Tacconi, Daniel B. Nascimento, Elizandra C. S. Lopes, Gerson N. Silva, Idma A. C. Ferreira, Laura C. A. Xavier, Marcos Antnio Gimenes, Massuko S. Warigoda, Roza K. Morikawa, Slvia H. M. Fernandes, Valdir P. Berti e Willian G. Jesus. rea de Cincias Humanas Filosofia: lex Roberto Genelhu Soares, Anderson Gomes de Paiva, Anderson Luiz Pereira, Claudio Nitsch Medeiros e Jos Aparecido Vidal.Geografia: Ana Helena Veneziani Vitor, Clio Batista da Silva, Edison Luiz Barbosa de Souza, Edivaldo Bezerra Viana, Elizete Buranello Perez, Mrcio Luiz Verni, Milton Paulo dos Santos, Mnica Estevan, Regina Clia Batista, Rita de Cssia Araujo, Rosinei Aparecida Ribeiro Librio, Sandra Raquel Scassola Dias, Selma Marli Trivellato e Sonia Maria M. Romano.Histria: Aparecida de Ftima dos Santos Pereira, Carla Flaitt Valentini, Claudia Elisabete Silva, Cristiane Gonalves de Campos, Cristina de Lima Cardoso Leme, Ellen Claudia Cardoso Doretto, Ester Galesi Gryga, Karin SantAna Kossling, Marcia Aparecida Ferrari Salgado de Barros, Mercia Albertina de Lima Camargo, Priscila Loureno, Rogerio Sicchieri, Sandra Maria Fodra e Walter Garcia de Carvalho Vilas Boas. Sociologia: Anselmo Luis Fernandes Gonalves, Celso Francisco do , Lucila Conceio Pereira e Tnia Fetchir.Apoio:Fundao para o Desenvolvimento da Educao - FDECTP, Impresso e acabamentoEsdeva Indstria Gr ca Ltda.Filosofia: Paulo Miceli, Luiza Christov, Adilton Lus Martins e Ren Jos Trentin Silveira. Geografia: Angela Corra da Silva, Jaime Tadeu Oliva, Raul Borges Guimares, Regina Araujo e Srgio Adas.Histria: Paulo Miceli, Diego Lpez Silva, Glaydson Jos da Silva, Mnica Lungov Bugelli e Raquel dos Santos Funari.Sociologia: Heloisa Helena Teixeira de Souza Martins, Marcelo Santos Masset Lacombe, Melissa de Mattos Pimenta e Stella Christina Schrijnemaekers.Cincias da Natureza Coordenador de rea: Luis Carlos de Menezes. Biologia: Ghisleine Trigo Silveira, Fabola Bovo Mendona, Felipe Bandoni de Oliveira, Lucilene Aparecida Esperante Limp, Maria Augusta Querubim Rodrigues Pereira, Olga Aguilar Santana, Paulo Roberto da Cunha, Rodrigo Venturoso Mendes da Silveira e Solange Soares de Camargo.Cincias: Ghisleine Trigo Silveira, Cristina Leite, Joo Carlos Miguel Tomaz Micheletti Neto, Julio Czar Foschini Lisba, Lucilene Aparecida Esperante Limp, Mara Batistoni e Silva, Maria Augusta Querubim Rodrigues Pereira, Paulo Rogrio Miranda Correia, Renata Alves Ribeiro, Ricardo Rechi Aguiar, Rosana dos Santos Jordo, Simone Jaconetti Ydi e Yassuko Hosoume.Fsica: Luis Carlos de Menezes, Estevam Rouxinol, Guilherme Brockington, Iv Gurgel, Lus Paulo de Carvalho Piassi, Marcelo de Carvalho Bonetti, Maurcio Pietrocola Pinto de Oliveira, Maxwell Roger da Puri cao Siqueira, Sonia Salem e Yassuko Hosoume. Qumica: Maria Eunice Ribeiro Marcondes, Denilse Morais Zambom, Fabio Luiz de Souza, Hebe Ribeiro da Cruz Peixoto, Isis Valena de Sousa Santos, Luciane Hiromi Akahoshi, Maria Fernanda Penteado Lamas e Yvone Mussa Esperidio.Caderno do Gestor Lino de Macedo, Maria Eliza Fini e Zuleika de Felice Murrie.GESTO DO PROCESSO DE PRODUO EDITORIAL 2014-2017FUNDAO CARLOS ALBERTO VANZOLINIPresidente da Diretoria Executiva Antonio Rafael Namur MuscatVice-presidente da Diretoria Executiva Alberto Wunderler RamosGESTO DE TECNOLOGIAS APLICADAS EDUCAODireo da rea Guilherme Ary PlonskiCoordenao Executiva do Projeto Angela Sprenger e Beatriz ScavazzaGesto Editorial Denise BlanesEquipe de ProduoEditorial: Amarilis L. Maciel, Anglica dos Santos Angelo, Bris Fatigati da Silva, Bruno Reis, Carina Carvalho, Carla Fernanda Nascimento, Carolina H. Mestriner, Carolina Pedro Soares, Cntia Leito, Eloiza Lopes, rika Domingues do Nascimento, Flvia Medeiros, Gisele Manoel, Jean Xavier, Karinna Alessandra Carvalho Taddeo, Leandro Calbente Cmara, Leslie Sandes, Main Greeb Vicente, Marina Murphy, Michelangelo Russo, Natlia S. Moreira, Olivia Frade Zambone, Paula Felix Palma, Priscila Risso, Regiane Monteiro Pimentel Barboza, Rodolfo Marinho, Stella Assumpo Mendes Mesquita, Tatiana F. Souza e Tiago Jonas de Almeida.Direitos autorais e iconografia: Beatriz Fonseca Micsik, rica Marques, Jos Carlos Augusto, Juliana Prado da Silva, Marcus Ecclissi, Maria Aparecida Acunzo Forli, Maria Magalhes de Alencastro e Vanessa Leite Rios.Edio e Produo editorial: R2 Editorial, Jairo Souza Design Gr co e Occy Design projeto gr co .* Nos Cadernos do Programa So Paulo faz escola so indicados sites para o aprofundamento de conhecimen-tos, como fonte de consulta dos contedos apresentados e como referncias bibliogrficas. Todos esses endereos eletrnicos foram checados. No entanto, como a internet um meio dinmico e sujeito a mudanas, a Secretaria da Educao do Estado de So Paulo no garante que os sites indicados permaneam acessveis ou inalterados.* Os mapas reproduzidos no material so de autoria de terceiros e mantm as caractersticas dos originais, no que diz respeito grafia adotada e incluso e composio dos elementos cartogrficos (escala, legenda e rosa dos ventos).* Os cones do Caderno do Aluno so reproduzidos no Caderno do Professor para apoiar na identificao das atividades.Material de apoio ao currculo do Estado de So Paulo: caderno do professor geogra a, ensino fundamental anos nais, a srie/9o ano / Secretaria da Educao; coordenao geral, Maria Ins Fini; equipe, Angela Corra da Silva, Jaime Tadeu Oliva, Raul Borges Guimares, Regina Arajo, Regina Clia Bega dos Santos, Srgio Adas. - So Paulo : SE, 2014. v. 1, 104 p.Edio atualizada pela equipe curricular do Centro de Ensino Fundamental dos Anos Finais, Ensino Mdio e Educao Pro ssional CEFAF, da Coordenadoria de Gesto da Educao Bsica - CGEB.ISBN 97 - -7 49- 00-1. Ensino fundamental anos nais 2. Geogra a . Atividade pedaggica I. Fini, Maria Ins. II. Silva, Angela Corra da. III. Oliva, Jaime Tadeu. IV. Guimares, Raul Borges. V. Arajo, Regina. VI. Santos, Regina Clia Bega. VII. Adas, Srgio. VIII. Ttulo.CDU: 71. : 0 .90S2 9mCONCEPO DO PROGRAMA E ELABORAO DOS CONTEDOS ORIGINAISCOORDENAO DO DESENVOLVIMENTO DOS CONTEDOS PROGRAMTICOS DOS CADERNOS DOS PROFESSORES E DOS CADERNOS DOS ALUNOS Ghisleine Trigo SilveiraCONCEPO Guiomar Namo de Mello, Lino de Macedo, Luis Carlos de Menezes, Maria Ins Fini coordenadora e Ruy Berger em memria .AUTORESLinguagens Coordenador de rea: Alice Vieira. Arte: Gisa Picosque, Mirian Celeste Martins, Geraldo de Oliveira Suzigan, Jssica Mami Makino e Sayonara Pereira.Educao Fsica: Adalberto dos Santos Souza, Carla de Meira Leite, Jocimar Daolio, Luciana Venncio, Luiz Sanches Neto, Mauro Betti, Renata Elsa Stark e Srgio Roberto Silveira.LEM Ingls: Adriana Ranelli Weigel Borges, Alzira da Silva Shimoura, Lvia de Arajo Donnini Rodrigues, Priscila Mayumi Hayama e Sueli Salles Fidalgo.LEM Espanhol: Ana Maria Lpez Ramrez, Isabel Gretel Mara Eres Fernndez, Ivan Rodrigues Martin, Margareth dos Santos e Neide T. Maia Gonzlez.Lngua Portuguesa: Alice Vieira, Dbora Mallet Pezarim de Angelo, Eliane Aparecida de Aguiar, Jos Lus Marques Lpez Landeira e Joo Henrique Nogueira Mateos.Matemtica Coordenador de rea: Nlson Jos Machado. Matemtica: Nlson Jos Machado, Carlos Eduardo de Souza Campos Granja, Jos Luiz Pastore Mello, Roberto Perides Moiss, Rogrio Ferreira da Fonseca, Ruy Csar Pietropaolo e Walter Spinelli.Cincias Humanas Coordenador de rea: Paulo Miceli.Catalogao na Fonte: Centro de Referncia em Educao Mario CovasValidade: 2014 2017