cad1 2001 2 - .prior, havia a do raul, gratuita e pacífica, ministrada numa voz quente e húmida,

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INSTRUES

Para a realizao destas provas, voc recebeu este Caderno de Questes, uma Folha de Respostas destinada s questes objetivas e uma Folha de Resposta destinada questo de Redao. NO AMASSE, NO DOBRE, NO SUJE, NO RASURE ESTE MATERIAL. 1. CADERNO DE QUESTES

Verifique se este Caderno de Questes contm as seguintes provas: PORTUGUS 10 questes objetivas e 1 questo de Redao; QUMICA 10 questes objetivas.

Registre seu nmero de inscrio no espao reservado para esse fim, na capa des te Caderno. Qualquer irregularidade constatada neste Caderno deve ser imediatamente comunicada ao fiscal de sala. Neste Caderno, voc encontra trs tipos de questo:

Objetiva de proposies mltiplas questo contendo 5, 6 ou 7 proposies, indicada s pelos nmeros 01, 02, 04, 08, 16, 32 e 64. Para responder a esse tipo de questo, voc deve identificar as proposies verdadeiras; somar os nmeros a elas correspondentes; marcar, na Folha de Respostas, os dois algarismos que representam o nmero resu ltante da soma das

proposies verdadeiras. UMA PROPOSIO FALSA, SE CONSIDERADA VERDADEIRA, ANULA TODA A QUESTO. Objetiva aberta com resposta numrica questo constituda por problema. Admite resposta numrica, em valor inteiro compreendido entre 00 e 99 inclusive, que deve ser marcado na Folha de Respostas. De Redao questo de resposta livre, que visa avaliar a capacidade de expresso escrita do candidato, com base em tema proposto.

2. FOLHA DE RESPOSTA DESTINADA QUESTO DE REDAO

Essa Folha de Resposta pr-identificada; confira os dados registrados no cabealho e assine -o com caneta esferogrfica de TINTA AZUL-ESCURO, no espao indicado.

Nessa Folha de Resposta, voc s deve utilizar o espao destinado Redao, o suficiente para desenvolver o tema (entre 25 e 30 linhas).

O rascunho deve ser feito apenas no espao a ele destinado, neste Cade rno. 3. FOLHA DE RESPOSTAS DESTINADA S QUESTES OBJETIVAS

Essa Folha de Respostas pr-identificada; confira os dados registrados no cabealho e assine -o com caneta esferogrfica de TINTA ZUL-ESCURO. NO ultrapasse o espao reservado para esse fim.

Nessa Folha de Respostas, cada questo est representada por um nmero, abaixo do qual se encontram colunas paralelas com

nmeros de 0 a 9, que possibilitam a marcao de qualquer

resposta numrica inteira de 00 a 99.

Faa a marcao, preenchendo os espaos correspondentes aos algarismos da resposta encontrada, com caneta esferogrfica de

TINTA AZUL-ESCURO, de ponta grossa. No ultrapasse os limites

dos espaos.

Para registrar a resposta a cada questo, marque, na coluna da direita, o algarismo correspondente unidade e, na coluna da

esquerda, o correspondente dezena. Quando a resposta for um

nmero menor que dez , marque zero na coluna da esquerda

(Ex.: 03). Se a resposta for zero, marque zero nas duas

colunas (Ex.: 00).

A Folha de Respostas com marcaes indevidas ou feitas a lpis no ser processada.

Marque o horrio de trmino da prova no espao indicado.

Exemplo da Marcao

na Folha de Respostas:

ESTAS PROVAS DEVEM SER RESPONDIDAS PELOS CANDIDATOS AOS CURSOS DO GRUPO A.

GRUPO A

Arquitetura e Urbanismo Engenharia Sanitria e Ambiental Cincia da Computao Estatstica Engenharia Civil Fsica Engenharia de Minas Geofsica Engenharia Eltrica Geologia Engenharia Mecnica Matemtica Engenharia Qumica Qumica

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UFBA 2001 2 etapa Port - 2

PORTUGUS QUESTES de 01 a 10 INSTRUO: Assinale as proposies verdadeiras, some os nmeros a elas

associados e marque o resultado na Folha de Respostas. QUESTES de 01 a 03

O Ssamo

5- 10- 15- 20- 25- 30- 35- 40-

Abre-te, Ssamo! Gritava o Raul, no meio do silncio pasmado da assistncia. A fiada estava apinhada naquela noite. Mulheres, homens e crianas. As mulheres

a fiar, a dobar ou a fazer meia, os homens a fumar e a conversar, e a canalhada a dormitar ou nas diabruras do costume. Mas chegou a hora do Raul e, como sempre, todos arrebitaram a orelha s histrias do seu grande livro. Em Urros, ao lado da instruo da escola e da igreja, a primeira dada a palmatoadas pelo mestre e a segunda a bofetes pelo prior, havia a do Raul, gratuita e pacfica, ministrada numa voz quente e hmida, que ao sair da boca lhe deixava cantarinhas no bigode.

Abre-te, Ssamo! e o antro, com seu deslumbrante recheio, escancarou-se em sedutor convite...

As crianas arregalavam os olhos de espanto. Os homens estavam indecisos entre acreditar e sorrir. As mulheres sentiam todas o que a Lamega exprimiu num comentrio:

O mundo tem cousas!... Urros, em plena montanha, uma terra de ovelhas. Ao romper de alva, ainda o dia

vem longe, cada corte parece um saco sem fundo donde vo saindo movedios novelos de l. Quem olha as suas ruelas a essa hora, v apenas um tapete fofo, ondulante, pardo do lusco-fusco, a cobrir os lajedos. Depois o sol levanta-se e ilumina os montes. E todos eles mostram amorosamente nas encostas os brancos e mansos rebanhos que tosam o panasco macio. A riqueza da aldeia so as crias, o leite e aquelas nuvens merinas que se lavam, enxugam e cardam pelo dia fora, e nas fiadas se acabam de ordenar. Numa loja de gado, ao quente bafo animal, junta-se o povo. Todos os moradores se cotizam para a luz de carboneto ou de petrleo, e o sero comea. no inverno, nas grandes noites sem-fim, que se goza na aldeia essa fraternidade. H sempre novidades a discutir, namoriscos a tentar, apagadas fogueiras que preciso reacender, e, sobretudo, h o Raul a descobrir cartapcios ningum sabe como e a l-los com tal sentimento ou com tanta graa que ou faz chorar as pedras ou rebentar um morto de riso.

Daquela feita tratava-se de uma histria bonita, que metia uma grande fortuna escondida na barriga de um monte. E o rapazio, principalmente, abria a boca de deslumbramento. Todos guardavam gado na serra. E a todos ocorrera j que bem podia qualquer penedo dos que pisavam estar prenhe de tesouros imensos. Mas que uma simples palavra os pudesse abrir isso que no lembrara a nenhum.

Da gente mida que escutava, o mais pequeno era o Rodrigo, guicho, imaginativo, e por isso com fama de amalucado. (...)

(...) E de manhzinha, o Rodrigo, contra o costume, esgueirou-se sozinho para a serra da Forca atrs do rebanho. A histria do Raul tinha-lhe encandescido os miolos. Necessitava por isso de solido e de apagar o incndio sem testemunhas.

A serra da Forca longe e feia. Tem pasto, mas de que vale?! O passado deixou ali tanto grito perdido, tanto cadver insepulto, tanta alma penada, que at mesmo as ladainhas da primavera se desviam e passam de largo. Mas nos stios assim amaldioados que o povo, talvez para as preservar da coscuvilhice da razo, gosta de plantar lendas bonitas e aliciantes. E v de inventar que havia um tesoiro escondido naquele ermo de maldio. Encontr-lo que era difcil. Enterrado entre penedias, guardado por mil fantasmas, quem teria coragem de tentar a empresa? Ningum. E o monte escomungado l continuava azulado na distncia, agreste e assombrado.

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UFBA 2001 2 etapa Port - 3

45- 50- 55- 60- 65- 70- 75- 80-

O Rodrigo, porm, resolvera quebrar o encanto. E, s pedradas ao gado, ao nascer do sol tinha-o na frente.

Ia simplesmente rasgar o vu do mistrio. Ia imitar o ladro da histria, com a diferena apenas de que uma vez dentro da caverna no se esqueceria, como o outro, das palavras mgicas que lhe assegurariam a retirada. ...................................................................................................................................................

E de alma tranqila, mas a tremer de emoo, solenemente, o pequeno feiticeiro ergueu a mo e gritou:

Abre-te, Monte da Forca! A sua imaginao ardente acreditava em todos os impossveis. Tinha certeza de

que o Ssamo da histria do Raul existira realmente. Por isso ouviu com serenidade e confiana o eco da prpria voz a regressar ferido das encostas. Tudo requeria o seu tempo.

Irreais, os horizontes perdiam-se ao longe esfumados e frios. Vago, o rebanho, volta, tosava a erva mansamente. Impreciso, o gemido da ovelha queixosa no conseguia transpor o limiar da conscincia do pastor. Transfigurado, o Rodrigo estava entregue ao milagre. Ordenara-o e esperava por ele.

Abre-te, Monte da Forca! gritou de novo, j enfadado de uma espera que no cabia na iluso.

Qualquer coisa volta pareceu tremer, e o corao do pequeno saltou. Abre-te! reforou angustiado. Mas os horizontes comearam a tomar crueza e sentido, o rebanho avolumou-se, e

o balido da ovelha aflita subiu mais. Era mentira! e pelo seu rosto infantil e desiludido uma lgrima desceu

desesperada. Era mentira... repetiu, debruado sobre a alta fraga, a soluar. Tudo nele tinha a verdade da inocncia. (...) E a primeira vez que tirava a prova quela confiana, que tentara ver de perto a

miragem, acordava cruamente trado! Valeu-lhe a feliz condio de criana. Ele ainda a chorar e j a mo do

esquecimento a enxugar-lhe os olhos. Breve como vem, breve se vai o pranto dos dez anos. A ovelha chamava sempre. E o balido insistente acabou por acord-lo para a realidade simples da sua vida de pastor.

Ergueu-se, desceu da alta fraga enganadora, e, de ouvido atento, foi direto ao queixume.

Olha, era a Rola... Um cordeiro acabara de nascer e a me lambia-o. O outro estava ainda l dentro,

no mist