Cabelo bom cabelo ruim

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Contra o preconceito

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<ul><li> 1. COLEO4 4 VOLUME PERCEPESDADIFERENA N EGROS E B RANCOS NA E SCOLA CABELO BOM. CABELO RUIMRUIM - Rosangela MalachiasCABELOBOM .C ABELORosangela Malachias</li></ul><p> 2. APRESENTAOAcoleo Percepes da Diferena. Negros e brancos na escola destinada a professores da educao infantil e do ensino fundamental.Seu intuito discutir de maneira direta e com profundidade alguns temas queconstituem verdadeiros dilemas para professores diante das discriminaessofridas por crianas negras de diferentes idades em seu cotidiano nasescolas.Diferenciar uma caracterstica de todos os animais. Tambm umacaracterstica humana muito forte e muito importante entre as crianas,mesmo quando so bem pequenas, na idade em que freqentam crechese pr-escolas e comeam a conviver com outras observando que no sotodas iguais.Mas como lidar com o exerccio humano de diferenciar sem que ele setorne discriminatrio? O que fazer quando as crianas se do conta dadiferena entre a cor e a textura dos cabelos, os traos dos rostos, a corda pele? Como evitar que esse processo se transforme em algo negativo eexcludente? Como sugerir que as crianas brinquem com as diferenas nolugar de brigarem em funo delas?Os 10 volumes que compem a coleo Percepes da Diferena chamama ateno para momentos em que a diferenciao ocorre, quando se tornadiscriminatria, e sugerem formas para lidar com esses atos de modoa colaborar para que a auto-estima e o respeito entre crianas sejamconstrudos.Os autores discutem conceitos e questionam preconceitos. Fazem sugestesde como explorar as diferenas de maneira positiva, por meio de brincadeirase histrias, e de leituras que possam auxili-los a aprofundar a reexosobre os temas, caso desejem faz-lo.Para compor a coleo convidamos especialistas e educadores de diferentesreas. Cada volume reete o ponto de vista do autor ou da autora de modoa assegurar a diversidade de pensamentos e abordagens sobre os assuntostratados.Desejamos que a leitura seja prazerosa e instrutiva.Gislene Santos 3. COLEO PERCEPES DA DIFERENA.NEGROS E BRANCOS NA ESCOLAVOLUME 4CABELO BOM.CABELO RUIM!Agradeo pesquisa realizada porEllis Regina Feitosa do Vale.4 corrigido_falta_ok_autor- Cabelo bom Cabelo ruim.indd 3 8/11/2007 04:39:49 4. Presidente da RepblicaLuiz Incio Lula da SIlvaMinistro da EducaoFernando HaddadSecretrio-ExecutivoJos Henrique Paim FernandesSecretrio de Educao Continuada,Alfabetizao e DiversidadeAndr Luiz Figueiredo LzaroCOLEO PERCEPES DA DIFERENA.NEGROS E BRANCOS NA ESCOLA.Apoio:Ministrio da Educao - Secretaria de EducaoContinuada, Alfabetizao e Diversidade (SECAD)Programa UNIAFRO.Realizao:NEINB - Ncleo de Apoio Pesquisas emEstudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro,da Universidade de So Paulo - USP.Coordenao da coleo: Gislene Aparecida dos SantosProjeto grco: Jorge KawasakiPinturas das capas: Zulmira Gomes LeiteIlustraes: Marcelo dSaleteEditorao: Nove&amp;Dez Criao e ArteReviso: Lara MilaniISBN 978-85-296-0082-6 (Obra completa)ISBN 978-85-296-0086-4 (Volume 4)Impresso no Brasil20074 corrigido_falta_ok_autor- Cabelo bom Cabelo ruim.indd 48/11/2007 04:40:18 5. Sumrio Introduo .................................................................................................... 11 Parte 1 - Algumas histrias. Aprendendo a conhecer o cotidiano escolar........ 11 Parte 2 Aprendendo a fazer ....................................................................... 24 Parte 3 Aprendendo a conviver com as diferenas ................................... 31 Parte 4 - Aprender a ser ............................................................................... 42 5. Curiosidades para saber mais ................................................................ 47 Referencias bibliogrcas ............................................................................ 53 Glossrio da coleo .................................................................................... 564 corrigido_falta_ok_autor- Cabelo bom Cabelo ruim.indd 5 8/11/2007 04:40:18 6. PLANO DA OBRA A coleo Percepes da Diferena. Negros e brancos na escola compostapelos seguintes volumes:1 - Percepes da diferena. Autora: Gislene Aparecida dos Santos Neste volume so discutidos aspectos tericos gerais sobre a forma comopercebemos o outro. Para alm de todas as diretrizes pedaggicas, lidar com asdiferenas implica uma predisposio interna para repensarmos nossos valorese possveis preconceitos. Implica o desejo de reetir sobre a especicidade dasrelaes entre brancos e negros e sobre as diculdades que podem marcar essaaproximao. Por isso importante saber como, ao longo da histria, construiu-sea ideologia de que ser diferente pode ser igual a ser inferior.2 - Maternagem. Quando o beb pelo colo. Autoras: Maria AparecidaMiranda e Marilza de Souza Martins Este volume discute o conceito de maternagem e mostra sua importncia paraa construo da identidade positiva dos bebs e das crianas negras. Esse processo,iniciado na famlia, continua na escola por meio da forma como professores eeducadores da educao infantil tratam as crianas negras, oferecendo-lhes carinhoe ateno.3 - Moreninho, neguinho, pretinho. Autor: Luiz Silva - CutiEste volume mostra como os nomes so importantes e fundamentais noprocesso de construo e de apropriao da identidade de cada um. Discute comoas alcunhas e os xingamentos so tentativas de desconstruo/desqualicao dooutro, e apresenta as razes pelas quais os professores devem decorar os nomesde seus alunos.4 - Cabelo bom. Cabelo ruim. Autora: Rosangela Malachias Muitas vezes, no cotidiano escolar, as crianas negras so discriminadasnegativamente por causa de seu cabelo. Chamamentos pejorativos como cabeafu, cabelo pixaim, carapinha so naturalmente proferidos pelos prprioseducadores, que tambm assimilaram esteretipos relativos beleza. Neste volumediscute-se a esttica negra, principalmente no que se refere ao cabelo e s formascomo os professores podem descobrir e assumir a diversidade tnico-cultural dascrianas brasileiras. 5 - Professora, no quero brincar com aquela negrinha! Autoras: RoseliFigueiredo Martins e Maria Letcia Puglisi Munhoz Este volume trata das maneiras como os professores podem lidar como preconceito das crianas que se isolam e se afastam das outras por causada cor/raa.6 - Por que riem da frica? Autora: Dilma Melo SilvaMuitas vezes crianas bem pequenas j demonstram preconceito em relao4 corrigido_falta_ok_autor- Cabelo bom Cabelo ruim.indd 6 8/11/2007 04:40:18 7. a tudo que associado frica: msica, literatura, cincia, indumentria, culinria, arte... culturas. Neste volume discute-se o que pode haver de preconceituoso em rir desses contedos. Apresentam-se ainda elementos que permitem uma nova abordagem do tema artes e africanidades em sala de aula.7 - Tmidos ou indisciplinados? Autor: Lcio OliveiraAlguns professores estabelecem uma verdadeira dade no que diz respeito forma como enxergam seus alunos negros. Ora os consideram tmidos demais, ora indisciplinados demais. Neste volume discute-se o que h por trs da suposta timidez e da pretensa indisciplina das crianas negras.8 - Professora, existem santos negros? Histrias de identidade religiosa negra. Autora: Antonia Aparecida QuintoNeste volume se discutem aspectos do universo religioso dos africanos da dispora mostrando a forma como a religio negra, transportada para a Amrica, foi reconstituda de modo a estabelecer conexes entre a identidade negra de origem e a sociedade qual esse povo deveria se adaptar. So apresentadas as formas como a populao negra incorporou os padres do catolicismo sua cultura e como, por meio deles, construiu estratgias de resistncia, de sobrevivncia e de manifestao de sua religiosidade.9 - Brincando e ouvindo histrias. Autora: Sandra SantosEste volume apresenta sugestes de atividades, brincadeiras e histrias que podem ser narradas s crianas da educao infantil e tambm aspectos da Histria da dispora africana em territrio brasileiro, numa viso diferente da abordagem realizada pelos livros didticos tradicionais. Mostra o quanto de contribuio africana existe em cada gesto da populao nacional (descendentes de quaisquer povos que habitam e colaboraram para a construo deste pas multitnico), com exemplos de aes, pensamentos, formas de agir e de observar o mundo. Serve no s a educadores no ambiente escolar, mas tambm ao lazer domstico, no auxlio de pais e familiares interessados em ampliar conhecimentos e tornar mais natural as reaes das crianas que comeam a perceber a sociedade e seu papel dentro dela.10 - Eles tm a cara preta. Vrios autoresEste exemplar apresenta prticas de ensino que foram partilhadas com aproximadamente 300 professores, gestores e agentes escolares da rede municipal de educao infantil da cidade de So Paulo. Trata-se da Formao de Professores intitulada Negras imagens. Educao, mdia e arte: alternativas implementao da Lei 10.639/03, elaborada e coordenada por pesquisadoras do NEINB/USP simultnea e complementarmente ao projeto Percepes da Diferena Negros e brancos na escola.4 corrigido_falta_ok_autor- Cabelo bom Cabelo ruim.indd 7 8/11/2007 04:40:18 8. A Autora: Rosangela Malachias doutora emCincias da Comunicao pela Escola deComunicaes e Artes da Universidadede So Paulo. Fellow Ryoichi Sasakawa(Japo), pesquisadora do NEINB/USP,consultora acadmica do Programa Raa,Desenvolvimento e Desigualdade Social Brasil Estados Unidos (USP-UFBA-Howard University Vanderbilt University)e co-fundadora do Grupo Mdia e Etniaoriundo do CCA-USPProjeto grco: Jorge KawasakiDiretor de Arte e designer grco, iniciou a carreira em 1974, trabalhou emempresas como Editora Abril e Editora Globo. Criou e produziu vrios projetos comocolaborador na Young&amp;Rubican, Salles, H2R MKT, Editora K.K. Shizen Hosoku Gakkai(Tquio, Japo), entre outras.Pinturas das capas: Zulmira Gomes LeiteTeloga, Artista Plastica, Acadmica da Academia de Letras, Cincias e Artes daAssociao dos Funcionrios Pblicos do Estado de So Paulo.Assina as Obras de Artes como Zul+Ilustraes internas: Marcelo dSalete ilustrador e desenhista / roteirista de histrias em quadrinhos. Ele mora em SoPaulo, capital, estudou comunicao visual, graduado em artes plsticas e atualmentemestrando em Histria da Arte. Seu tema de estudo arte afro-brasileira.Ilustrou os livros infantis Ai de t, Tiet de Rogrio Andrade Barbosa; Duas Casas, deClaudia Dragonetti; entre outros.Participou da Exposio Conseqncias do Injuve, Espanha, 2002; da Exposio deoriginais da revista Front no FIQ, MG, 2003; e da Exposio Ilustrando em Revista,Editora Abril, 2005. Foi nalista do Concurso Folha de Ilustrao 2006.4 corrigido_falta_ok_autor- Cabelo bom Cabelo ruim.indd 8 8/11/2007 04:40:19 9. Rosangela MalachiasVOLUME 4CABELO BOM.CABELO RUIM!COLEO PERCEPES DA DIFERENA.NEGROS E BRANCOS NA ESCOLA Organizao Gislene Aparecida dos Santos1a edio So Paulo Ministrio da Educao20074 corrigido_falta_ok_autor- Cabelo bom Cabelo ruim.indd 9 8/11/2007 04:40:19 10. 4 corrigido_falta_ok_autor- Cabelo bom Cabelo ruim.indd 10 8/11/2007 04:40:19 11. Cabelo bom. Cabelo ruim.INTRODUO Este livro apresenta reexes, anlises e extratos de histrias relatadas por professoras(es), gestoras(es), mes e crianas sobre a questo do cabelo. A narrativa tenta exercitar um olhar sobre o cotidiano da escola e das pessoas na sociedade. Alguns relatos podem parecer engraados, mas so tristes para alguns de seus personagens. Por isso, a narrativa prope alguns desaos. O primeiro deles aprender a conhecer o real signicado dos conceitos que estruturam a desigualdade preconceito, racismo e discriminao. A partir desse aprendizado, buscaremos estruturar as aes didtico-pedaggicas nos demais pilares da educao aprendendo a conviver, a fazer e a ser. Esperamos contribuir para que a percepo das diferenas seja um passo inicial dos educadores rumo s prticas efetivas do respeito diversidade tnica e cultural. PARTE 1 - ALGUMAS HISTRIAS. APRENDENDO ACONHECER O COTIDIANO ESCOLAR 1.1 - Conversa entre amigas Duas professoras se encontram no corredor da escola e conversam sobre o nal de semana. Ambas saram. Foram a lugares distintos. Uma foi a uma festa de casamento que obrigava o uso de traje social. A outra professora tinha ido ao clube com os lhos. Tomou muito sol, banho de piscina e uma cervejinha para refrescar.As amigas iniciaram um rpido dilogo sobre os programas de cada uma: Voc teve coragem de molhar seu cabelo na piscina?A colega que fora ao clube respondeu: Em anos de sofrimento eu desenvolvi algumas estratgias. Prendi o cabelo bem apertado e depois que sa da piscina passei bastante gel para abaixar a juba. E voc? O que fez com seu cabelo? Ele est bem bonito! Ah, fui ao salo de beleza e paguei bem caro por uma escova progressiva. Durante um bom tempo no vou mais precisar me preocupar. De repente, passa por ambas a supervisora da escola sorrindo e cumpri- mentando-as. As duas amigas retribuem o sorriso olhando para ela com admi- rao e um certo qu de inveja. Depois que ela entra na diretoria, comentam: Que cabelo bom que ela tem, no ? Quem me dera ter um cabelo desses!A amiga concorda suspirando. Coleo Percepes da Diferena - Negros e brancos na escola114 corrigido_falta_ok_autor- Cabelo bom Cabelo ruim.indd 11 8/11/2007 04:40:19 12. Cabelo bom. Cabelo ruim.Cada uma segue para a sua sala de aula. As crianas acabaram de chegare a diversidade tnica das classes da escola se apresenta num painel de ros-tos em tons de pele dgrad, da criana mais clara mais escura. Os cabelostm tambm texturas diversas. As assistentes, responsveis pelo cuidar, queinclui dar banho e pentear, apelidaram algumas cabeas de fu, provavel-mente porque, para elas, esta palavra dene o embarao dos cabelos des-penteados. Mas, na realidade, a palavra fu apresenta vrios signicados:intriga, fuxico, caspa, doena de pele produzida por piolhos, p nssimoque se desprende da pele arranhada... Estes signicados no so positivos ereforam pejorativa e negativamente a idia de que as crianas afro-descen-dentes tm cabelo ruim.Outro chamamento preconceituoso utilizado por agentes escolares, educa-dores e at mesmo pelos prprios familiares das crianas cabelo pixaim.A denio deprecia o cabelo crespo, encarapinhado (tipo carapinha), ca-racterstico dos negros, pelo fato de no ser naturalmente liso. Porm, essaspessoas desconhecem que, no Brasil, o emprego desses termos pode ser con-siderado racista e, portanto, criminoso.Sem saber, as duas professoras repetem, em suas salas, as mesmasaes. Passam a mo na cabea das meninas mais branquinhas, porqueelas tm um cabelo lindo, nunca precisaro de escova progressivanem de gel em excesso. As crianas negras e mestias observam, sem fala, o carinho demonstradopela tia quela criana. Talvez estejam ansiosas, esperando a sua vez dereceber carinho semelhante, mas ele no ocorre.Durante as reunies pedaggicas, ambas as professoras armam no exis-12 Coleo Percepes da Diferena - Negros e brancos na escola4 corrigido_falta_ok_autor- Cabelo bom Cabelo ruim.indd 128/11/2007 04:40:19 13. Cabelo bom. Cabelo ruim. tir preconceito na escola, pois no conseguem captar esses sinais subjetivos e no menos relevantes....</p>

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