cabeças feitas luis sayao

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  • 1. SumrioSumrio........................................................................................... 3Apresentao.................................................................................... 5Captulo /-O que filosofia ........................................................... 7Capitulo 2S questes filosficas ................................................. 13A questo da lgica............................................................... 13A questo da teoria do conhecimento ..................................... 14A questo da metafsica e da cosmologia ................................ 16A questo da tica ................................................................. 18A questo da linguagem......................................................... 20A questo esttica ................................................................. 21A questo religiosa................................................................. 21A questo histrica ............................................................... 25Captulo 3 - Esboo histrico da filosofia ...................................... 29Quadro Geral......................................................................... 30Filosofia Antiga ..................................................................... 31Filosofia Medieval ................................................................. 33Filosofia Modem a ................................................................. 36Filosofia Contempornea........................................................ 38Captula 4O esprito do tempo: o mundo hoje ................................. 41Pluralismo............................................................................. 41Irracionalismo ....................................................................... 42Determinismo......................................................................... 43Misticismo............................................................................. 44Alienao ertica.................................................................... 45Individualismo ....................................................................... 47Alienao do prazer: consumismo ............................................ 48Cinismo ................................................................................. 49Captulo 5 - O que fazer? Algumas propostas prticas....................... 51Captulo 6-Eles disseram ... mas voc sabia? ..................................... 55Apndice: Perguntas para grupos de estudo......................................... 61Bibliografia ...................................................................................... 62

2. ApresentaoUma das qualidades mais ntidas da natureza humana a curiosi-dade. A criana, logo que inicia sua comunicao verbal, desfila per-guntas incansveis que pretendem desvendar o porqu dos mistriosdo mundo sua volta. Essa atitude o embrio da filosofia. O serhumano tem por natureza o desejo de entender a razo daquilo que ocerca. Desejamos saber como explicar o mundo, a existncia huma-na, a razo do sofrimento e at a prpria capacidade inquiridora dohomem. Isso significa que, num sentido mais abrangente, somos to-dos filsofos. Ainda que no de modo consciente s sistemtico, todosns queremos entender o realidade com a qual convivemos.Mas, afinal de contas, o que 6 filosofia? diferente de cincia? Se 6, como se distinguem?Em que medida a filosofia distinta da teologia. As duas dlscipllnas fazem as mesmas perguntas?Como se divide o estudo da filosofia? Qual o seu objeto do estudo?Quais foram os principais filsofos da histria da civilizao? Es-sas e algumas outras perguntas sero consideradas nesse pequeno li-vro que pretende dar uma ideia do que vem a ser filosofia e definirqual o seu valor e o seu significado para um cristo do nosso tempo.De fato, muitos so os cristos que desconhecem por completo asquestes filosficas; outros no entendem qual seja o seu valor, e hainda alguns que at acreditam que o simples estudo da filosofiades-tri a f de um cristo piedoso.Pretendemos aqui tentar esclarecer o assunto e auxiliar especial-mente aqueles cristos que tm enfrentando srias dificuldades quan-do tentam conciliar a realidade da cultura universitria com a culturabblico-teolgica de nossas igrejas evanglicas.Alm disso, precisamos reconhecer que h aspectos prticos quedecorrem dretamente dessa questo. O importante no apenas sa-tisfazer nossa curiosidade filosfica natural e relacion-la com a f.H ainda dois desafios inescapveis: O primeiro aponta para a dura 3. realidade de que a ignorncia torna-se fator cmplice da exploraodo homem pelo homem. A falta de reflexo, lgica, crtica c de bomsenso tm mantido muitos cristos e no-cristos numa verdadeirasituao de misria intelectual-espiritual. Seres humanos so mani-pulados e repetem comportamentos irrefletidamente para sua prpriadesgraa. O segundo aspecto diz respeito ao nosso testemunho perantea gerao em que vivemos. Se no compreendermos o homem dehoje e no soubermos relacionar a f crist com a cultura e a maneirade entender a realidade perderemos a batalha que Deus tem nos ciado.O meu desejo que Deus nos d sua beno para que venhamos a terum Brasil "chacoalhado" por cristos, que exeram a mordomia detodos os dons naturais e espirituais dados pelo Criador, e tambmuma igreja evanglica pensante, capaz de refletir, crescer e atuar ade-quadamente em sua poca, alcanando a gerao atoai.Pr. Luiz Sayo 4. Captulo 1O QUE FILOSOFAAntes de encontrarmos uma boa definio de filosofia, ser muitotil tentar abordar algumas ideias incorretas muito difundidas a res-peito do assunto para podermos esclarecer certas concepes popula-res e comuns, que infelizmente, so bastante distorcidas. A verdade que o assunto pouco conhecido e, portanto, mal interpretado. Porisso, procuraremos relacionar algumas ideias incorretas sobre o co-nhecimento filosfico para o bem do leitor cristo.Filosofia no heresiaA palavra filosofia aparece no Novo Testamento, em Colossenses2.8 (NVI), onde lemos "Tenham cuidado para que ningum os escra-vize a filosofias vs e enganosas, que se fundamentam nas tradieshumanas e nos princpios elementares deste mundo, e no em. Cris-to," Essa a nica ocorrncia da palavra filosofia em toda a Bblia.Evidentemente o contexto onde o termo aparece negativo. Todavia,torna-se necessrio compreender que um estudo srio e bem funda-mentado mostrar que Paulo estava atacando um determinado tipo defilosofia especfica, a heresia gnstica da cidade de Colossos. Ele usouo termo filosofia para se referir quele tipo de filosofia hertica, con-trria f crist. Isso no significa, de modo nenhum, que ele estives-se se referindo filosofia no sentido geral do termo. De fato, Paulonunca se refere filosofia propriamente dita em nenhuma parte doNovo Testamento. Seu nico contato com filsofos gregos registradonas Escrituras aparece cm Atos 17.18 (NVI): "Alguns filsofosepicu-reus e esticos comearam, a discutir com ele. Algunsperguntavam: O que est tentando dizer esse tagarela?". Nessecaso, em Atenas, Paulo no condena a filosofia como essencialmentenociva, antes responde de maneira contextuaiizada, demonstrandoconhecimento e capacidade de lidar com a cultura especulativa dosantigos gregos. 5. 8 Cabeas FeitasH uma outra razo porque geralmente se acredita que a filosofia essencialmente anti-crist. Trata-se da ideia comum de que todos osfilsofos, ou pelo menos a grande maioria deles, hostil ao cristianis-mo e nem sequer acredita em Deus. Conhecimento terico torna-sesinnimo de incredulidade. Tal argumento ainda muitas vezes es-tendido aos cientistas. Se, porm, refletirmos um pouco no assunto,no muito difcil entender que ainda que isso fosse verdade, a vali-dade da filosofia no estaria necessariamente ameaada. bem pos-svel, por exemplo, que a maioria dos mdicos brasileiros no sejacrist, e, apesar disso, a medicina por eles praticada no merece des-crdito por esse motivo. Cremos que Deus fez o homem com capaci-dades e talentos que mostram a glria de Deus e a maravilha da cria-o, ainda que esse ser humano no reconhea que seus dons vm deDeus. Todavia, no bem verdade que filsofo c sinnimo de incre-dulidade. fato que alguns filsofos mais conhecidos como LudwgFeuerbach, Sigmund Freud, KarI Marx, Friedrich Nietzsche, BertrandRusselJ, Jean Paul Sartre e Voltaire foram incrdulos convictos, mui-to hostis para com a religio, e especialmente para com o cristianis-mo. Mas, por outro lado, nomes destacados da filosofia medieval comoAgostinho, Alberto Magno, Anselmo e Toms de Aquino acredita-vam piamente nas verdades crists; outros filsofos mais modernosmostraram um cristianismo tambm surpreendente. Blaise Pascal,famoso filsofo e matemtico do sc. XVII chegou a afirmar: "SemJesus Cristo o homem permanece no vcio e na misria; com JesusCristo o homem est imune ao vcio e misria. Nele est nossa vir-tude e toda a nossa felicidade. Fora dele h apenas vcio, misria,erros, trevas, morte e desespero"1; Hegel, telogo e filsofo idealistaalemo, afirmou que o contedo da religio crist corresponde aomais alto grau de desenvolvimento da religio e coincide perfeita-mente com o contedo da verdadeira filosofia2. Entre os diversos fi-lsofos de atitude positiva com relao religio c f crist esto osnomes famosos de John Locke, empirista ingls, William James, paido pragmatismo americano, Henri Bergson, filsofo judeu que reco-nheceu no cristianismo a religio superior, Max Scheller, MauriceBlondel, Rudolph Otto, fenomenlogo da religio, Martin Buber, ju-deu religioso, Sren Kierkegaard (telogo e pastor luterano, pai doexistencialismo moderno, apaixonado pelo cristianismo).3Como podemos observar no que foi dito nas linhas acima, fato 6. O que filosofia 9indubitvel que um bom filsofo pode muito bem ser um cristo muitopiedoso. Ao contrrio do que muita gente possa pensar, o contatocom a Bblia tem at mesmo permitido e provocado reflexo profun-da e conhecimento perspicaz. Quem se der ao trabalho de investigar ahistria da filosofi