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Sistema Financeiro Nacional: Ponto de Situao e

Anlise dos Principais Riscos

Sumrio Executivo

No decurso do terceiro trimestre do ano assistiu-se ao agravamento dos riscos para a estabilidade

financeira identificados no relatrio anterior, bem como da probabilidade de materializao destas

fontes de risco. Adicionalmente, intensificou-se a interdependncia entre a vulnerabilidade das

finanas pblicas e o setor financeiro e o contgio a outras economias de maior dimenso da rea

do euro. O aprofundamento da crise da dvida soberana e o seu contgio ao sistema bancrio

europeu foi visvel no agravamento das condies de financiamento. De facto, a nvel europeu,

apenas um nmero reduzido de bancos tem acesso ao financiamento de mdio e longo prazo

mesmo suportando custos acima dos custos histricos, com alguns segmentos de mercado,

designadamente o mercado de financiamento garantido (p.e. covered bonds) a permanecer fechado

nas ltimas semanas.

Nos ltimos meses, as diversas agncias de notao de rating efetuaram sucessivos downgrades

das notaes de risco da Repblica Portuguesa, de diversas empresas do setor empresarial do

Estado e, igualmente, da generalidade dos bancos nacionais penalizando ainda mais as condies

de financiamento atuais. Em consonncia com o enquadramento macroeconmico e financeiro o

spread da dvida pblica portuguesa face alem continuou em nveis elevados para os padres

histricos.

Ao longo dos trs primeiros trimestres de 2011, a evoluo da atividade do sistema bancrio tem

evidenciado, por um lado, o enquadramento macroeconmico e financeiro adverso e, por outro, a

continuao da implementao do processo de ajustamento necessrio para o setor.

De facto, o sistema bancrio portugus encontra-se condicionado pela necessidade de cumprimento

das principais medidas estabelecidas no Programa de Assistncia Econmica e Financeira

(Programa), designadamente o ajustamento do desequilbrio estrutural no balano do sistema

(atravs de uma reduo do financiamento obtido junto do BCE, da adoo de uma estrutura de

financiamento mais estvel e da reduo do atualmente elevado funding gap) e o reforo do nvel

mdio de solvabilidade do setor (com o estabelecimento de um nvel mnimo para o rcio Core Tier1

de 9% em 2011 e 10% em 2012).

Os principais grupos bancrios portugueses adotaram, assim, um processo de desalavancagem

equilibrado e gradual, traduzido num decrscimo do total dos ativos do sistema, que resultou,

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essencialmente, da reduo do crdito lquido a clientes1. Contudo, a exposio do setor bancrio

ao setor pblico, considerando a exposio titulada e no titulada, aumentou significativamente.

Este facto tem constitudo um entrave relevante prossecuo do objetivo de desalavancagem do

balano do sistema bancrio, j que tem anulado o impacto da diminuio da exposio ao setor

privado. De qualquer modo, o rcio de transformao do sistema bancrio tem recuado de forma

sustentada. Esta reduo refletiu o esforo desenvolvido pelos oito maiores grupos do setor uma

vez que o conjunto das restantes instituies no sujeitas aos requisitos estabelecidos no Programa

denotam um crescimento do rcio de transformao.

No que se refere componente de passivos e capitais prprios, os primeiros trs trimestres do ano

continuam a refletir as dificuldades de refinanciamento da dvida bancria de mdio e longo prazo e

de financiamento junto do mercado interbancrio. Neste sentido, a reduo observada no total de

dvida titulada emitida no setor foi compensada com o aumento dos recursos de clientes,

nomeadamente atravs da canalizao para depsitos de recursos de particulares anteriormente

aplicados em fundos de investimento ou produtos da rea seguradora, bem como pelo aumento dos

recursos de bancos centrais. Os capitais prprios demonstraram um recuo desde o final de 2010,

refletindo, sobretudo, o aumento das menos valias latentes na carteira de ativos disponveis para

venda, contabilizadas nas reservas de reavaliao. De facto, as menos valias em ttulos de dvida

pblica, embora no repercutidas na solvabilidade das instituies (segundo a definio de rcio

Core Tier1 do Banco de Portugal), tm-se refletido no balano do sistema bancrio.

Relativamente evoluo da qualidade do crdito, assistiu-se a uma deteriorao dos principais

indicadores, com a variao homloga dos rcios de crdito em risco a superar a variao registada

no primeiro semestre do ano e as taxas de cobertura do crdito em risco a reduzirem-se em cerca

de 5 pontos percentuais face ao perodo homlogo. A deteriorao do rcio de crdito em risco

resultou, no apenas do aumento, em termos homlogos, do montante de crdito em risco, mas

tambm de uma reduo do montante de crdito concedido. Esta reduo do montante de crdito

concedido resultou, por um lado do processo de ajustamento necessrio para o setor e por outro, da

conjuntura econmica.

Quanto desagregao por setores institucionais e finalidade do crdito concedido, de referir que,

em termos homlogos, se verificou um aumento dos rcios de crdito em risco em todos os

segmentos. Os rcios de crdito em risco mais elevado continuam a corresponder ao segmento de

crdito a particulares para consumo e outros, com um rcio de 12,2%, e ao segmento de crdito a

sociedades no financeiras, com 8,5%. O rcio de crdito em risco para a componente de habitao

j se situa em 4,8% em Setembro de 2011. Em simultneo, com exceo do rcio de cobertura do

crdito concedido a particulares para consumo e outros fins, assistiu-se a uma reduo

generalizada dos rcios de cobertura.

1 Incluindo o crdito titularizado e no desreconhecido

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O resultado lquido contabilizado pelo sistema bancrio portugus nos primeiros nove meses de

2011 evidenciou um substancial decrscimo relativamente ao perodo homlogo de 2010, sendo

praticamente transversal aos maiores grupos do sistema. No que respeita ao terceiro trimestre do

ano, pela primeira vez desde o incio da crise financeira o sistema bancrio gerou um resultado

lquido agregado negativo.

O resultado lquido acumulado no sistema nos primeiros nove meses de 2011 registou um forte

decrscimo anual, sobretudo devido queda registada nos resultados em operaes financeiras e

ao aumento das imparidades totais. Em sentido contrrio destaca-se o acrscimo na margem

financeira e a reduo dos custos operacionais.

Em Setembro de 2011, o rcio Core Tier1 do sistema bancrio portugus elevava-se a 8,5%,

registando uma tnue deteriorao relativamente ao valor de Junho, apesar de ser superior ao valor

observado em Setembro de 2010. Por seu turno, o rcio de solvabilidade registou uma reduo face

ao perodo homlogo.

De referir que, os resultados do Programa Especial de Inspees (SIP) desenvolvido sobre as

carteiras de crdito dos oito principais grupos bancrios nacionais, data de 30 de Junho de 2011,

validam, no essencial, a correo dos dados que suportam a avaliao da sua solvabilidade,

confirmando a resilincia e a solidez financeira do sistema bancrio nacional com referncia a essa

data. O impacto global dos resultados do SIP sobre o rcio agregado de Tier 1 do conjunto dos oito

grupos bancrios traduzir-se-ia, em final de Junho, numa ligeira reviso do valor deste rcio, de

9,1% para 8,8%, mantendo-se acima do mnimo de 8% exigido naquela data.

No que se refere avaliao das carteiras de crdito foi estimada a necessidade de reforo no

valor das imparidades registadas para a carteira de crdito analisada. No que se refere reviso do

clculo de requisitos de fundos prprios para risco de crdito, os trabalhos apontaram para a

necessidade de efetuar correes pontuais. Neste contexto, o Banco de Portugal ir requerer a

adoo de medidas de ajustamento adequadas, com prioridades e prazos claramente definidos para

a sua execuo.

No que concerne ao setor segurador, a produo de seguro direto, entre Janeiro e Setembro de

2011, das empresas sob a superviso do ISP, cifrou-se em cerca de 8 m M., verificando um

decrscimo de 31,4% face ao perodo homlogo do ano transato. Esta variao explicada na sua

totalidade pelo segmento Vida, cuja produo regrediu 41,1%, enquanto os ramos No Vida se

mantiveram, na sua globalidade, relativamente estveis (crescimento de 0,5%).

Em conformidade com o ocorrido no trimestre anterior, o comportamento do ramo Vida foi

determinado pela quebra na produo dos Seguros de Vida e Contratos de Investimento No

Ligados, sendo explicado pela conjugao do efeito do elevado montante registado no perodo

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homlogo de 2010 (aumento de 29,6% face a 2009) e dos esforos comerciais do setor bancrio na

captao e canalizao de poupana para constituio de depsitos a prazo.

Durante o mesmo perodo, os custos com sinistros de seguro direto atingiram os 11,9 m milhes de

euros aumento de 41,2% - influenciados sobretudo pela modalidade Vida que registou um

incremento de 54%, enquanto nos ramos No Vida se observou um decrscimo de 2,8%. Os custos

com sinistros do segmento Vida so, em grande parte, justificados pelo mon

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