brecht, bertolt - a peça didática de baden-baden sobre o acordo

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Baden Baden de Brecht

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  • 186

    Vocs ouviroO relato do prirneiro vo sobre o oceano,Em maio de 1927. UIn jovemo realizou. Ele triunfouSobre a tempesrnde, o gelo e as guas vorazes.treranto,

    Que seu nome seja apagado; poisEle, que se orientou por sobre guas extraviadoras,Perdeu-se no pntano de nossas cidades.geloNo o venceram, mas seu semelhante

    venceu. Uma dcadaDe glria e de riqueza e o m.ise rve]Ensinou os carrascos de Hitleri\ pilotar bombardeiros nlOrtiferos. PorSeja apagado seu nome, MasLernbrern-se : nem a coragern nem o conhecinlento00$ motores e das cartas nuticas inscrevem oN"ta epopia.

    No caderno I dos Versucbc (Ensaios), () sobreoceano termina com o "'Relato do inatingvel", ondel no final: "Sem nos deixar esquecer o .Num.a nota de rodap no incio da Pea didticaden-Baden sobre o acordo. Brechr recomenda: "Nomeiro Ensaio) a colocao da palavra 'inatingvel'est correta. Deve-se corrigi-la para: ~O que ainda nofoi alcanado' H. De acordo com esta nota de Brechr, alinha em questo e o ttulo correspondente foram alte-rados. Portanto a nota de rodap da Pea did tica deBaden-Baclen pode ser dispensada.

    A pea didtica de Baden-Badensobre o acordo

    Das Badener Lchrst iick vorn Einverstindnis

    Escrito em 1929E"'. ""8 7 19')9 em Baden-Badcnstrera: s: (. .....

    Traduo: Fernando Peixoto

  • C ola boradores: S. Dudow, E. HaUptn1ann

    PERSONAGENS:O AVIADOROs TRS MEC~NICOSO LDER DO C O RO ( C H A NTRE)O NARRADORTRS PALHAOSo CORO

  • .. w.u.w ~

    191

    DO v oQUATRO i\.VIADORES rernpo ern que a

    manidadeComeava a se conhecer,Ns construmos avies,Com macieira, ferro e vidro,E atravessamos os ares voando;Por sinal, com uma velocidadeSuperiorenl mais do dobro do furaco.E na verdade nossos motores eramMais fortes que cem cavalos,masMenores que cada um deles.Durante mil anos tudo caiu de cima para baixo,Com exceo dos pssaros.Nem mesmo nas mais anrigas pedrasEncontramos qualquer testemunhoDe que algum homemTenha atravessado os ares voando.?vlas ns 110S erguemos.Prximo ao fim do segundo milnio de nossa eraErgueu-se nossaIngenuidade de a(),

    fundo de um estrado, cujo tamanho depende do nmeroparticijJanfes, cstd o Coro. Li esquerda, a orquestra; iim-

    111 esquerda, em, prinleiro Plt:U10, uma mesa, na qua] estoo regente dos msicos c dos cantores, o Lder do

    (cban Ire) e o Narrador. ()s canlores que in tcrp reIamQuatro itt'iadores Acidentados esto sentados nu m bancoescola, no primeiro plano ti direita. Para maior clareza de

    possiue] colocar, no estrado ou ao lado deste, os es-de li m avio.

  • iVIost rando o que possi velSem nos deix ar esq uece r:O q ue ainda no foi alc an ado .

    2

    A Q UEDA

    O LDER DO C ORO [ala aos Aciden tados - No voemagora ,J no ne cessri o que se tornem m ais velozes.O nvel do soloPara vocs, agora , sufic ienternen te ~1 1 to.BastaQ u e permaneam im veis,No m ais em cim a, sobre ns,No mais longe, a nossa f ren te ,No mais em sua carreira ,1-1a5 sim imveis,Digam-nos qu em so.

    Os AVIADORES ACIDENTADOS respondem - Ns p art ic ipamosdos t rabalhos dos nossos cam aradas.Nossos avies se t ornaram melhores,'Voam os cada vez m ais alto,O mar foi ven cido,E eis que as m ontanhas j fi caram ba ix as.Fomos dominados pela febreD o petrleo e da construo de c idades.Nossos pensamentos eram mquin as eLuta pela velocidade.Com a luta esqu ecemosO nosso nome e o n osso rosto,E com a pressa da partidaEsquec emos o objetiv o de nossa pa rt ida.Mas n s lhes im plo ra mos

    !92

    Que ve nham ao n osso encon t ro cQ u e nos dem gua) .E um travesseiro p ara apo iarmos nossa cabea)E que nos aj u de m , poisN 5.0 queremos morrer.

    o CORO dirigindo-se A'fultidio - Escutem: quat rohom ensPedem seu socor ro.ElesVoar am atravs dos ares eCa ram ao solo eNo querem morrer,Por isso pedem() seu socorro.Aqui ternosUm clice com gua cU Dl t ravesseiro,Mas digam-nosSe devemos ou no ajud -los.

    A l\1uLT1D.~O responde ao C oro - Sin1.O CORO yf ul tido - Ele s os a juda ran1?A Ivlu LT ID..O _ . N o.( ) NAR RADOR diri gindo-se lvfultido - Sob re est es co rpos,

    que j se esf ria m, investigaremos se o homem cos t urnaaj udar o ho mem.

    3

    IN Q URITO S PA R A SA BER SE O HO:vI EM AJ U DA O I,,{Oi\EM

    Primeiro Inqu rit o,O LDER DO CORO se adian ta - U n1 de n s atravessou o mar e

    Descobriu um novo contine nte.Mas m u itos depo is dele

    19 3

    ::::~: _ _ _ _ _ _ _ ~ ,. ""' ,.diJ .

  • L coris t rui ram grandes cidades comMuito esforo e intelignc ia.

    () CORO retruca - Nem por isso o po ficou mais barato.O L DER DO CORO - Um de ns construi u U111;} m quin .,

    Cujo v apor ac iona urna roda, e essa f o i.A. rne de muitas outras mquinas.Mas muitos trabalham nelasTodos os d ias.

    () CORO retruca - Nenl por isso o po ficou mais barato.() LDER DO C ORO - Muitos de ns med ir a rarn

    Sobre o rno v irnen t o d a T er ra ao redo r do SoL so breO int im o do hom em , as leisG er ais, a com posi o do ar,E so bre os peixes a b issais.E descobrirarnGrandes coisas.

    ( ) CORO retrllca- Nenl por isso o po fic ou rna is bar ato.Pelo contrrio,A m is r ia aumen tou em nossas cidades,E j h muito tempoNingum mais sabe o que u m horne rn .Por exemplo: enquanto vocs voavarn, rastejavaPelo cho algo semelhante a vocs ,No como UOl homem!

    O LDER DO C ORO dirigindo-se lVI ultid o - En r o , o ho-rnem ajuda o homem?

    A M u LTID.~O rcsbonde - N o.

    Segundo Luqucrito.

    O LDER DO CORO dirigindo-se fyf lllti do - ObSerVClTI estasimagens e depois digamQue o homem ajuda o hornern!

    194

    A presen tam-se i.in te fotog rafias que mostram corno, em nossapoctl, os hom ens so m assac rados pelos bo m eu s.

    A !v1ULTID.~O grita - O homem n o ajuda o hornern!

    T erceiro l nq ur r ito.

    O LDE R DO CORO dirigin do- se a l\:fult du - O bservem onosso n rn ero d e palhaos, no qualHomens ajudam uni homem!

    Tr s palhaos de circo sobem ao estrado; u m dele,:, cha madoSr. Scbmitt , um gigan te . Eles falam em UOZ lJlu!fo alta.PRtM E IRO - U rna bela noite esta, 11.10 Sr . Sc h rn itt ?SEGUNDO - O que o senhor d iz da noite, senhor Schm itt ?SR. SCH~lITT - No acho bo n it a.PRI~IEIRO - O senhor no quer se sentar, senhor Schrnit t ?SEGUNDO - Aqui est urna cadeira , sen h o r Schrn itr. Po r que

    o senhor no respon de ?PRIM EIRO - Voc no est vendo ? O senhor Sc h mi tr q uer

    f ic ar o lh a ndo a lua.SEGU N DO - Me diz UlTIa co isa. Por q ue q U voc est sem -

    pre puxando o sa co do Sr. Schmitt? Isso incornodu o se-nhor Schmitt.PRI~fEIRO - Porque o senhor Schmitt muito fo r te . por

    isso que eu fico puxando o sac o dele.SEGUNDO - Eu tamb m.PRIMEIRO - Pea ao senhor Schrnitt para que se sente aqui

    conosco.

    SR. SCHMITT - Eu no me sinto bem hoje.PRIMEIRO - Ento o senhor t ern que se d istrair. sen ho r

    Schrnitt.SR. SCHMITT - Eu acho que eu no posso mais me distrair.

    Pausa.

    195

    --------------_........--_._ -, . ~.;;;.;

  • C orn o que est a minha cara?PRI MEIRO - R osada, sen ho r Schmitr, sem pre rosada.SR. SCHMITT - Olhem, pois eu pensei que estava plido.PRIMEIRO - Isso cur ioso. O sen h o r di z que pensou

    est av a p l ido? Olhando para o senhor ag ora, no possonegar que eu tamb m acho que o senhor est comrosto plido.

    S EG UNDO - J que o senhor est assim, sen ho r .Sc hrni rr , sefosse o sen h or, eu m e sen t av a.

    SR. SCH MITT - H oje cu no quero me sentar.PRL\'1EIRO - N o, no. N o sen t e, de maneira

    mel hor fic ar de p.SR. S CH:\UTT - Por que voc ac h a q u e eu de vo fi car de p?P RIM EIRO parti o Segundo - H o je ele n o pode se sen t ar,

    porque seno ele capaz de n o conseguir se levantarnunca mais.

    SR. S CHMITT - Meu Deus!PRI:iVfEIRO - Ouviu ? Ele m esmo j est en t endendo. Por isso

    o sr . Schmitt prefere fi c ar d e p .S R . SCH~nTT - Sabe, eu acho q ue o meu p esquerdo est me

    doendo um pouco.PRIM EIRO - Di muito?SR. SCH~fITT com dor - Con10?PRIN!EIRO - Di muito?SR. SCHMITT - Sim, di bastante. , .SEGUNDO - de ficar em p.SR. SCH~MITT - Bem, ser que eu devo nle sentar?PRI:\IEIRO - No, de jeito nenhum. Isso ns ternos que evitar.S EGUNDO - Se o seu p esque rdo est doendo, s tem um

    rem dio: fora com o p esquerdo.PRI1\lEIRO - E quanto mais rpido, melhor.SR. SCHMITT - Bem, se vocs acham. . ,SEGUNDO - Claro.

    196

    Serram-lh e () jJ esq uerd o.SR. S CH i\lIT T - U rna beng,tla, por favor.

    Do a ele um" beugalc1 .PRIMEIRO - E ago ra, est conseg u in do fica r de p, senhor

    Schmitt?SR. ScHMtTT - Sim, do lado esquerd,o. tvlas vo~e s tm que

    me d evolver o p. Eu no gos t ar ia de perd e- lo .PRI!'t-1EIRO - Pois no , se o senhor no con f ia, . .SEGU NDO - A gen te tambm podi a ir anda ndo. ' .SR. S CH i\HTT - N o , n o . .A go ra vocs t m que ficar aqui ,

    por q ue eu n o posso m ais andar sozinho.PRIM EIRO - Aqu i est o p.

    O senhor Scb mit t segura o p debaixo do b rao.SR. SCH i\-H TT --Ago ra, a m inha bengala caiu .S E GU N DO - Em cornpcnsa o, o senhor j t em o seu p de

    vo lta .

    O s dois riem ruidosamen te.SR. S CH MIT T - Ago r a cu n o posso fi car de p m esm o. E

    claro q ue agora a outra per n a tambm comea a doer.PRIMEIRO - Sen1 dvida .SR. SCHMITT - Eu no queria in cornod ar vocs mais do ~ue

    o necessrio, mas sem a bengala eu no posso me a r ran ja r .SEGUNDO - En1 vez de pega rrnos a bengala , far i arnos melhor

    ern serrar a o u t ra perna, que lhe di tanto.SR. SCHMITr - . Talvez melhore assim.Serram a outra perna. () sen ho r Scbmit t ca .SR. S CHMITT - Agora eu no consigo m ais me levantar.PRIMEIRO - Is so horrvel. E erajustarnente isso que ns

    quer iarnos evitar: que o senhor se sen t asse.SR . SCHMITT - ( ) qu?

    19 7

    _____________."";...-:>M

  • SEGlJ NDO - O senhor no corisegue 1.... mais se evanrar. senho' r

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