brasil observer #26 - portuguese version

Download Brasil Observer #26 - Portuguese Version

Post on 21-Jul-2016

253 views

Category:

Documents

37 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Em So Paulo e Londres, a transformao urbana est em andamento sobre duas rodas

TRANSCRIPT

  • B R A S I LO B S E R V E R

    WWW.BRASILOBSERVER.CO.UKLONDON EDITION ISSN 2055-4826 # 0 0 2 6APRIL/2015GUILHERME ARANEGA / ESTDIO RUFUS (WWW.RUFUS.ART.BR)

    PEDALADAOS ESFOROS E DESAFIOS DE SO PAULO E LONDRES PARA

    TRANSFORMAR A MOBILIDADE URBANA PELO USO DAS BICICLETAS

    ECONOMIA ESTAGNADA Para voltar a crescer, Brasil precisa recuperar investimentos

    EMICIDA EXCLUSIVORapper brasileiro vem a Londres e fala ao Brasil Observer

    REPRODUO DIVULGAO

  • 2 brasilobserver.co.uk | April 2015

    SUMRIO4

    12

    8

    18

    6

    1416

    10

    21242628

    30

    ANA TOLEDODiretora de Operaes

    ana@brasilobserver.co.uk

    GUILHERME REISDiretor de Redao

    guilherme@brasilobserver.co.uk

    ROBERTA SCHWAMBACHDiretora Financeira

    roberta@brasilobserver.co.uk

    EDITORES EM INGLSKate Rintoul

    Kate@brasilobserver.co.uk Shaun Cumming

    shaun@investwrite.co.uk

    DESIGN E DIAGRAMAOJean Peixe

    peixe@brasilobserver.co.uk

    COLABORADORESAna Beatriz Freccia Rosa, Andressa

    Moreno, Franko Figueiredo, Gabriel Noleto, Gabriela Lobianco, Michael Landon, Pedro

    Ekman, Ricardo Somera, Rmulo Seitenfus, Wagner de Alcntara Arago

    IMPRESSOSt Clements press (1988 ) Ltd,

    Stratford, Londonmohammed.faqir@stclementspress.com

    10.000 cpias

    DISTRIBUIOEmblem Group Ltd.

    PARA ANUNCIAR comercial@brasilobserver.co.uk

    020 3015 5043

    PARA ASSINARcontato@brasiloberver.co.uk

    PARA SUGERIR PAUTA E COLABORAR

    editor@brasilobserver.co.uk

    ONLINEbrasilobserver.co.uk

    issuu.com/brasilobserver

    facebook.com/brasilobserver

    twitter.com/brasilobserver

    EM FOCO O futuro da energia na Amrica Latina

    CONEXO BR-UK Empresas britnicas participam da maior feira de turismo da Amrica Latina

    PERFILEliane Elias e a inspirao que vem do silncio

    CONECTANDODe Tunis, um relato sobre mais uma edio do Frum Social Mundial

    COLUNISTA CONVIDADO Pedro Ekman defende a regulamentao da mdia no Brasil

    BRASILIANCEOs obstculos de Dilma Rousseff para fazer o Brasil voltar a crescer

    BRASILIANCEOs significados dos protestos realizados nos dias 13 e 15 de maro

    BRASIL GLOBALSobre duas rodas: So Paulo e Londres se adquam aos novos tempos

    GUIAEntrevista exclusiva com o rapper brasileiro Emicida

    GUIAClube do Choro UK: De volta ao Brasil sem sair de Londres

    DICAS CULTURAISShows e exposies para curtir Londres com um toque brasileiro

    COLUNISTAS Franko Figueiredo faz uma reflexo sobre o que liberdadeRicardo Somera traz os destaques do Lollapalooza Brasil

    VIAGEM Kerala, o pas de Deus

    LONDON EDITION

    8

    2118

    10

    30

    uma publicao mensal da ANAGU UK UN LIMITED fundada por:

  • 3brasilobserver.co.uk | April 2015

    B R A S I LO B S E R V E R

    E D I T O R I A L

    s vsperas da Eleio Geral de 7 de maio no Reino Unido, a tentao de traar comparaes entre a correlao de foras polticas britnica e a que testemunhamos no Brasil inescapvel. Pois vejamos. Levando-se em conta o debate televisionado entre sete lderes de partidos bri-tnicos, aqui se tem um cenrio mais progres-sista em tese, porque em campanha eleitoral se promete o impossvel.

    Obviamente, o trabalhista Ed Miliband equivale petista Dilma Rousseff e o conser-vador David Cameron, ao tucano Acio Ne-ves. O liberal-democrata Nick Clegg, pelo pa-pel de fiel da balana exercido por seu partido no ltimo Parlamento, poderia ser compara-do a algum figuro do PMDB, mas a julgar pela ltima eleio presidencial no Brasil ele se parece mais com Marina Silva, ento can-didata pelo PSB nem de direita, nem de es-querda, muito pelo contrrio.

    Nas quatro peas restantes, a diferena sutil que faz a conjuntura britnica poder ser con-siderada mais progressista do que a brasileira. Enquanto Nicola Sturgeon (primeira-ministra da Esccia pelo Partido Nacionalista Escocs), Leanne Wood (primeira-ministra do Pas de Gales pelo tambm nacionalista Plaid Cymru) e Natalie Bennett (Green) defendem o fim da austeridade e o desenvolvimento de um novo paradigma poltico-econmico-ambiental, ape-nas Nigel Farage (UKIP) faz papel de bizarro ao culpar exclusivamente os imigrantes pe-los males da nao. No Brasil, a bizarrice tinha dois nomes na eleio passada: Pastor Everaldo, do PSC, e Levy Fidlix, do PRTB. A defesa de temas espinhosos, como legalizao da ma-conha, descriminalizao do aborto e taxao de grandes fortunas, por exemplo, ficou com Luciana Genro (Psol) e Eduardo Jorge (Verde).

    Fora isso, por conta das diferenas decor-rentes do sistema poltico de cada pas (parla-mentarismo no Reino Unido, presidencialismo no Brasil) e dos diferentes graus de desenvol-vimento de cada um deles, qualquer outra comparao seria mero exerccio de achismo. Impossvel no notar, porm, outro fator em comum e que, alis, facilmente identific-vel em quase todos os sistemas democrticos ocidentais. Trata-se daquele velho receio a tudo que questione e possa modificar, ainda que de maneira superficial, o status quo.

    Nicola Sturgeon quem melhor represen-ta o ponto fora da curva. Foi quem melhor apontou, no debate, a irresponsabilidade do discurso de Nigel Farage; as contradies do Partido Trabalhista; a hipocrisia de Nick Cle-gg; e a falta de competncia de David Came-ron. E por agir baseada em nada mais alm da sacrossanta verdade factual, apontada por alguns setores como a pessoa mais perigosa do Reino Unido. Resta saber o que diro as urnas no incio do ms que vem.

    Enquanto isso, no Brasil, aqueles que espa-lham o medo quando surge a possibilidade de

    qualquer msero avano na direo de uma de-mocracia social soberana, capaz de desarmar as estruturas seculares do atraso nacional, seguem falando alto e cada vez mais alto, diga-se. Esperar o que, afinal? Se nem mesmo aqueles escolhidos para representar o desejo emancipa-trio da sociedade conseguem por incompe-tncia ou m f exercer aquilo para que fo-ram eleitos, quem mais o far? Resignado seja, ento, o compasso da desiluso, como diria o mestre navegante Paulinho da Viola.

    Tivessem Dilma Rousseff e o PT o capital poltico necessrio para seguir a pauta com a qual alcanaram democraticamente, pela quar-ta vez consecutiva, a maioria dos votos brasilei-ros, o pas estaria debatendo seriamente, no m-nimo, duas questes elementares para superar os problemas centrais dos dias que correm: a formao de uma Assembleia Constituinte Ex-clusiva para conduzir a reforma poltica, sendo que um dos pontos principais seria o fim do fi-nanciamento empresarial de campanhas eleito-rais; e uma reforma tributria que corrigisse as distores primrias de um sistema regressivo que pune os mais pobres. O combate corrup-o e o ajuste fiscal que o pas tanto necessita passam por esses dois debates. Ou se no de que forma o governo conseguir economizar mais de 60 bilhes de reais sem afetar o direito das classes mdias? Como far isso sem preju-dicar os investimentos e o emprego?

    Quando Dilma prometeu que no faria tudo aquilo que est fazendo agora, adiou er-roneamente o debate sobre essas perguntas, que so, afinal, inerentes s transies de ci-clo. O modelo onde todos ganham que foi to bem sucedido nos anos Lula no funciona mais. O mundo outro. No basta um ajuste meramente econmico. Falta, essencialmente, um ajuste poltico. Mas quem est no coman-do? A pauta do retrocesso caminha a passos largos no Congresso Nacional liderado por Eduardo Cunha e Renan Calheiros, enquanto a base de apoio ao governo petista se esfarela, nos gabinetes e nas ruas.

    pertinente a anlise de que o PT falhou ao no politizar os milhes de brasileiros que ascenderam socialmente graas s polticas p-blicas colocadas em prtica pelos governos Lula e Dilma. Mas foi o mnimo. O cidado tem o di-reito de achar que ascendeu por conta prpria afinal, sem vontade individual no se vai longe e se sentir lesado quando v que seus direitos esto em risco nas mos justamente daqueles que prometeram assegurar suas conquistas. E ningum suporta mais os casos de corrupo envolvendo o partido, por mais que os maus hbitos no sejam exclusividade petista.

    Quando o medo do avano impossibilita a ao de quem sempre representou o questiona-mento do status quo, no h maquiagem que resista. Quem no poder defende o establish-ment, v a sociedade como inimiga. Isso vale para o Brasil. Isso vale para o Reino Unido.

    VALE AO BRASIL, VALE AO REINO UNIDO

  • 4 brasilobserver.co.uk | April 2015

    O

    EM FOCO

    No haver integrao latino-americana plena enquanto o Brasil e o Mxico no se aproximarem comercial e economicamente.

    O Vice-Presidente de Energia da CAF (Ban-co de Desenvolvimento da Amrica Latina), Hamilton Moss de Souza, participou em Londres de evento organizado pela Canning House, The Future of Energy in Latin Ameri-ca bright prospects for the renewables sec-tor?, em maro.

    Em seu discurso, Moss de Souza fez ques-to de defender a Amrica Latina, uma re-gio confivel para investidores, mesmo diante de uma conjuntura econmica desfa-vorvel (principalmente pela queda no preo das commodities e pela falta de certeza sobre as condies financeiras globais), e reconhe-ceu que ainda so necessrios muitos inves-timentos para darmos incio a um novo ciclo de desenvolvimento. De acordo com dados apresentados por ele, s no setor de energia a regio precisar de ao menos 71 bilhes de dlares por ano na prxima dcada, diante de uma realidade em que 30 milhes de latino-a-mericanos no tm acesso energia eltrica.

    Aps o evento, Moss de Souza, que chegou ao CAF depois de uma importante carreira no Ministrio de Minas e Energia (MME) no Brasil, onde chefiou o Departamento de Desenvolvimento Energtico e coordenou a elaborao do Plano Nacional de Eficincia Energtica, respondeu algumas perguntas co-locadas pelo Brasil Observer.

    Qual a posio do Brasil no seto