BR GAAP, US GAAP E IFRS: ANLISE DAS DIVERGNCIAS ...

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  • UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPRITO SANTO UFES CENTRO DE CINCIAS JURDICAS E ECONMICAS

    DEPARTAMENTO DE CINCIAS CONTBEIS

    MAURO MIRANDA LOUREIRO JNIOR ROGRIO PAIM DIAS

    BR GAAP, US GAAP E IFRS: ANLISE DAS DIVERGNCIAS ENTRE OS

    RESULTADOS DA CST NO EXERCCIO DE 2003

    VITRIA 2005

  • MAURO MIRANDA LOUREIRO JNIOR ROGRIO PAIM DIAS

    BR GAAP, US GAAP E IFRS: ANLISE DAS DIVERGNCIAS ENTRE OS

    RESULTADOS DA CST NO EXERCCIO DE 2003

    Trabalho de Concluso de Curso apresentado ao curso de Graduao em Cincias Contbeis da Universidade Federal do Esprito Santo, como requisito parcial para obteno do Grau de Bacharel em Cincias Contbeis. Orientador: Prof. Leonardo de Resende Dutra

    Vitria 2005

  • Dias, Rogrio Paim; Loureiro Jnior, Mauro Miranda. D541b BR GAAP, US GAAP e IFRS : anlise das divergncias entre os

    resultados da CST no exerccio de 2003 / Rogrio Paim Dias, Mauro Miranda Loureiro Jnior. 2005.

    173 f. Orientador: Leonardo de Resende Dutra. Trabalho de concluso de curso (graduao) Universidade Federal

    do Esprito Santo, Centro de Cincias Jurdicas e Econmicas, Departamento de Cincias Contbeis.

    1. Contabilidade - Normas. 2 .Contabilidade - Normas - (Estados

    Unidos). 3. Contabilidade - Normas - (Internacionais). 4. Companhia Siderrgica de Tubaro. I. Dias, Rogrio Paim. II. Loureiro Jnior, Mauro Miranda. III. Dutra, Leonardo de Resende. IV. Universidade Federal do Esprito Santo. Centro de Cincias Jurdicas e Econmicas. Departamento de Cincias Contbeis. V. Ttulo.

    CDU: 657

  • MAURO MIRANDA LOUREIRO JNIOR ROGRIO PAIM DIAS

    BR GAAP, US GAAP E IFRS: ANLISE DAS DIVERGNCIAS ENTRE OS

    RESULTADOS DA CST NO EXERCCIO DE 2003

    Trabalho de Concluso de Curso apresentado ao curso de Graduao em Cincias Contbeis da Universidade Federal do Esprito Santo, como requisito parcial para obteno do Grau de Bacharel em Cincias Contbeis.

    Aprovado em 07 de maro de 2005.

    COMISSO EXAMINADORA

    ____________________________________

    Prof. Leonardo de Resende Dutra Universidade Federal do Esprito Santo Orientador

    ____________________________________

    Prof. Geraldo Antnio Moreira de Oliveira Universidade Federal do Esprito Santo

    ____________________________________

    Prof. Cludio Simes Salim Universidade Federal do Esprito Santo

  • RESUMO Como a credibilidade da informao contbil no cenrio internacional pode ser

    afetada pela falta de comparabilidade entre os relatrios, o presente estudo visa

    analisar as divergncias entre os resultados apurados nas demonstraes

    financeiras publicadas pela Companhia Siderrgica de Tubaro (CST) referentes ao

    exerccio de 2003, elaboradas segundo os critrios contbeis da Legislao

    Societria Brasileira - Lei n 6.404/76 (BR GAAP), dos Princpios Contbeis

    Geralmente Aceitos nos Estados Unidos da Amrica (US GAAP) e das Normas

    Internacionais de Contabilidade (IFRS). A evidenciao dos principais fatores

    causadores das distores e a demonstrao da conciliao entre os resultados

    apurados demonstra, para o caso da CST no exerccio de 2003, que as atuais

    demandas pela padronizao e harmonizao das prticas contbeis a nvel

    internacional esbarra em barreiras relacionadas s caractersticas macroeconmicas

    inerentes a cada pas, relacionadas principalmente equivalncia entre as bases

    monetrias.

  • LISTA DE TABELAS

    Tabela 1 Maiores empresas exportadoras brasileiras............................................11

    Tabela 2 Usurios da contabilidade e informaes teis .......................................16

    Tabela 3 Critrios bsicos para aplicao da governana corporativa ..................20

    Tabela 4 Posio acionria da CST em 31/12/2004 ..............................................28

    Tabela 5 ndices de rentabilidade da CST 2003..................................................31

    Tabela 6 Conciliao entre o lucro lquido da CST 2003 ....................................35

  • LISTA DE SIGLAS

    ADENE Agncia de Desenvolvimento do Nordeste AICPA American Institute of Certified Public Accountants BOVESPA Bolsa de Valores de So Paulo BR GAAP Legislao Societria Brasileira - Lei n 6.404/76 CFC Conselho Federal de Contabilidade CST Companhia Siderrgica de Tubaro CVM Comisso de Valores Mobilirios DFC Demonstrao do Fluxo de Caixa DMPL Demonstrao das Mutaes do Patrimnio Lquido DOAR Demonstrao das Origens e Aplicaes de Recursos DRE Demonstrao do Resultado do Exerccio DVA Demonstrao do Valor Adicionado FASB Financial Accounting Standards Board FUNSSEST Fundao de Seguridade Social dos Empregados da Companhia Siderrgica de Tubaro IAS International Accounting Standard IASB International Accounting Standards Board IASC International Accounting Standards Committee IBGC Instituto Brasileiro de Governana Corporativa IBRACON Instituto dos Auditores Independentes do Brasil IFAC International Federation of Accountants IFRS Standard International Financial Reporting (Normas Internacionais de Contabilidade) ONU Organizao das Naes Unidas PEPS Primeiro que entra, primeiro que sai SEC Securities and Exchange Commission UEPS ltimo que entra, primeiro que sai US GAAP United States Generally Accepted Accounting Principles (Princpios Contbeis Geralmente Aceitos nos Estados Unidos da Amrica)

  • SUMRIO

    1 INTRODUO......................................................................................8 1.1 CONTEXTUALIZAO ......................................................................8 1.2 CARACTERIZAO DO PROBLEMA..............................................10 1.3 OBJETIVOS......................................................................................10 1.3.1 Objetivo Geral ..............................................................................10 1.3.2 Objetivos Especficos .................................................................10 1.4 JUSTIFICATIVAS .............................................................................11 1.5 ORGANIZAO DO TRABALHO .....................................................13 2 REVISO DA LITERATURA..............................................................15 2.1 OBJETIVO DA CONTABILIDADE.....................................................15 2.2 AS DEMONSTRAES FINANCEIRAS NA TOMADA DE DECISO................................................................................................................16 2.3 GOVERNANA CORPORATIVA .....................................................18 2.4 MODELOS DE DEMONSTRAES FINANCEIRAS ANALISADOS20 2.4.1 BR GAAP ......................................................................................20 2.4.2 US GAAP ......................................................................................21 2.4.3 IFRS...............................................................................................21 2.5 COMPARATIVO DAS PRINCIPAIS PRTICAS CONTBEIS..........22 3 METODOLOGIA DE PESQUISA .......................................................27 3.1 ABORDAGEM GERAL......................................................................27 3.2 COMPANHIA SIDERRGICA DE TUBARO...................................27 3.3 COLETA DE DADOS ........................................................................29 4 ANLISE E INTERPRETAO DAS INFORMAES.....................30

    5 CONCLUSES...................................................................................37

    REFERNCIAS......................................................................................39

    ANEXOS ..............................................................................................42 ANEXO A: BR GAAP DEMONSTRAES FINANCEIRAS DA CST 2003....43 ANEXO B: US GAAP DEMONSTRAES FINANCEIRAS DA CST 2003....62 ANEXO C: IFRS DEMONSTRAES FINANCEIRAS DA CST 2003 .........118

  • 8

    1 INTRODUO

    1.1 CONTEXTUALIZAO

    O nvel de desenvolvimento, eficincia e especializao de determinados setores da

    economia nos diversos pases tm motivado a busca por novos mercados a fim de

    dar vazo produo de suas mercadorias e servios e promover o crescimento

    econmico desses pases e a competitividade das empresas. Essa interao entre

    os mercados, denominada Globalizao, tem se mostrado ser irreversvel e

    fundamental para o equilbrio da economia e a sobrevivncia das empresas.

    Segundo Franco (1999, p. 23), a globalizao da economia e das relaes de

    negcios internacionais determinar o progresso ou o retrocesso das naes,

    influindo no somente na economia, mas tambm na prpria cultura dos povos.

    Neste cenrio, a formao de grandes blocos econmicos entre os pases de uma

    mesma regio geogrfica, que estabelecem relaes comerciais privilegiadas entre

    si e atuam de forma conjunta no mercado internacional, torna-se essencial para

    facilitar o fluxo de produtos e servios necessrios vida da populao e ao

    desenvolvimento econmico. Assim,

    [...] um dos aspectos mais marcantes da evoluo da economia internacional nos ltimos tempos tem sido a aglutinao de pases em blocos ou superblocos. Verifica-se uma tendncia acelerada de formao de blocos comerciais regionais e bilaterais, dirias de livre comrcio e de unies aduaneiras (MELLO, apud BEUREN; BRANDO, 2001, p. 19).

    Alm disso, visando a otimizao de custos e a facilidade de penetrao nos

    mercados, surgem os grandes grupos econmicos, atravs de fuses e

    incorporaes de empresas, com abrangncia de negcios a nvel internacional.

    Os investidores, dada a sua importncia neste novo cenrio econmico e a

    necessidade de avaliao e acompanhamento de seus negcios, cada vez mais

    requerem a publicao de demonstraes financeiras que traduzam a realidade das

    empresas segundo seus prprios critrios ou do local de sua origem. Como

    investidor podemos considerar tambm as empresas que possuem subsidirias fora

  • 9

    de sua regio, o que obriga estas subsidirias a publicarem demonstraes de

    acordo com as normas e procedimentos contbeis aplicados pela matriz, visto que

    esta deve consolidar seus dados considerando a avaliao de seus investimentos.

    Portanto,

    [...] as informaes contbeis divulgadas ao mercado interessam tanto a segmentos de negcios de um mesmo grupo econmico que realiza operaes estrangeiras, como tambm a outros usurios interessados nessas informaes, que se encontram domiciliadas em distintos pases em relao ao pas da companhia que as divulgou (LEITE, 2005, p. 6).

    Segundo Bonnin (2004), cada pas tem as suas prprias prticas contbeis, que no

    seu contexto no diferem to substancialmente entre si. No Brasil estas prticas so

    estabelecidas pela Lei das Sociedades por Aes (Lei n 6.404/76), Comisso de

    Valores Mobilirios (CVM), Instituto dos Auditores Independentes do Brasil

    (IBRACON) e Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

    No mbito internacional destacam-se os padres contbeis adotados pelos Estados

    Unidos da Amrica, que so estabelecidos pelo Financial Accounting Standards

    Board (FASB) e os adotados pelos pases da Unio Europia, estabelecidos pelo

    International Accounting Standards Board (IASB).

    A anlise destes fatores tem demonstrado que

    [...] a diversidade de padres contbeis afeta a mensurao das transaes e a forma de divulgao das informaes das empresas, podendo dificultar o entendimento das demonstraes contbeis pelos usurios localizados em outras culturas (CASTRO NETO, apud BEUREN; BRANDO, 2001, p. 1).

    Partindo deste contexto, pretende-se realizar um estudo de caso sobre as

    divergncias entre os resultados das demonstraes financeiras elaboradas

    segundo a Legislao Societria Brasileira Lei n 6.404/76 (BR GAAP), os

    Princpios Contbeis Geralmente Aceitos nos Estados Unidos da Amrica (US

    GAAP) e as Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS).

  • 10

    1.2 CARACTERIZAO DO PROBLEMA

    De acordo com o contexto explanado e com os dados apresentados, a pesquisa se

    direciona ao seguinte problema: Quais so os principais pontos de divergncia observados entre os resultados apurados nas demonstraes financeiras da Companhia Siderrgica de Tubaro (CST) referentes ao exerccio de 2003, elaboradas conforme o BR GAAP, US GAAP e IFRS?

    1.3 OBJETIVOS

    1.3.1 Objetivo Geral

    O objetivo geral desta pesquisa analisar as divergncias observadas entre os

    resultados apurados nas demonstraes financeiras da CST referentes ao exerccio

    de 2003, elaboradas com base nos critrios contbeis do BR GAAP, US GAAP e

    IFRS.

    1.3.2 Objetivos Especficos

    Como objetivos especficos prope-se:

    Destacar os fatos contbeis ocorridos na CST que provocaram divergncias

    entre os resultados obtidos pelos diferentes critrios contbeis de elaborao de

    demonstraes financeiras no exerccio de 2003;

    Conciliar os resultados apurados pelos diferentes modelos de demonstraes

    financeiras.

  • 11

    1.4 JUSTIFICATIVAS

    O presente estudo de caso foi escolhido pelo fato da CST estar inserida de forma

    expressiva no cenrio econmico nacional, como mostrado na Tabela 1, e por se

    situar no contexto da globalizao atravs de sua atuao como grande exportadora

    de produtos siderrgicos para diversos pases.

    TABELA1 MAIORES EMPRESAS EXPORTADORAS BRASILEIRAS

    RANKING 1999 2000 2001 2002 2003

    1 Embraer Embraer Embraer Petrobrs Petrobrs

    2 CVRD CVRD Petrobrs Embraer CVRD

    3 Ceval Petrobrs CVRD CVRD Embraer

    4 Fiat Volkswagen Volkswagen Bunge Alimentos

    Bunge Alimentos

    5 CST Bunge Alimentos

    Bunge Alimentos

    Volkswagen Volkswagen

    6 Petrobrs CST CST Cargill Cargill

    7 Ford Fiat Cargill CST General Motors

    8 Volkswagen Motorola Motorola General Motors CST

    9 Aracruz Celulose

    Aracruz Celulose

    General Motors Motorola Aracruz Celulose

    10 General Motors General Motors Coinbra Ford Ford Fonte: CST, 2004 Alm disso, a CST controlada pelo segundo maior grupo siderrgico do mundo, o

    Grupo Arcelor, sediado na Europa, que tambm detm no Brasil o controle da

    Acesita S.A., da Companhia Siderrgica Belgo Mineira e da Vega do Sul S.A., alm

    de diversas outras grandes empresas espalhadas por mais de 60 pases, como

    mostra a Figura 1.

  • 12

    FIGURA 1 Grupo Arcelor no Mundo Fonte: Arcelor, 2004.

    A CST uma empresa de capital aberto e possui quase 4.000 acionistas. Tem como

    principal mercado a Amrica do Norte, que demanda cerca de 40% de sua produo

    de placas de ao.

    Tais fatores, aliados sua poltica de relaes com investidores, implica na

    necessidade de elaborao de demonstraes financeiras que se traduzam em

    informaes teis ao seu diverso pblico. Para tanto, a CST opta pela elaborao de

    demonstraes financeiras segundo os critrios contbeis do US GAAP e IFRS,

    alm daquelas exigidas pela legislao societria brasileira (BR GAAP).

    A universalizao das demonstraes financeiras uma questo que vem sendo

    abordada em vrios congressos de profissionais contbeis, visto a necessidade e

    preocupao por parte dos rgos reguladores de vrios pases na padronizao

    das demonstraes financeiras, uma conseqncia da globalizao.

    Baseado nesse aspecto,

    [...] ascenso cada vez maior de blocos econmicos e das empresas transnacionais, vem-se consolidando a necessidade de comparabilidade das informaes contbeis divulgadas internacionalmente pelos profissionais dessa rea. Evidenciam-se, dessa forma, a importncia da harmonizao de normas e tcnicas, bem como o interesse de profissionais comprometidos e dispostos a contribuir para o desenvolvimento da contabilidade e sua utilidade para os usurios (BEUREN; BRANDO, 2001 p. 122).

    O grande interesse pelo tema norteia os profissionais da rea contbil a se

    especializarem e a procurarem por esse novo nicho de mercado, que requer um

    profissional cada vez mais qualificado e que tem motivado a adoo de currculos

    voltados formao de contadores globais pelas instituies de ensino, de acordo

  • 13

    com as recomendaes das Organizaes das Naes Unidas (ONU). Para Franco

    (1999, p. 23), a harmonizao das normas internacionais de contabilidade e

    auditoria uma das condies para a profisso contbil enfrentar os desafios da

    globalizao. Segundo ele, ser necessrio que a contabilidade seja a linguagem

    internacional dos negcios e da economia.

    Alm disso,

    [...] as constantes mutaes no mercado e a globalizao trouxeram um novo desafio: exigem do contabilista um perfil cada vez mais sincronizado com os tempos globais. Com a competitividade e a conseqente reduo de custos pelas organizaes, os sistemas contbeis sero mais interativos e automticos, requerendo do contador uma viso holstica da dinmica empresarial e de seus reflexos patrimoniais (JUNGBECK; WESCHENFELDER, 2001, p. 50).

    Devido sua extrema relevncia, a pesquisa visa identificar as principais distores

    observadas nos resultados obtidos pela elaborao das demonstraes financeiras

    do exerccio de 2003 segundo as diferentes metodologias adotadas pela CST,

    alertando os profissionais da rea contbil sobre a necessidade e importncia de

    uma contabilidade atrelada cada vez mais realidade da empresa, visto ser ela uma

    ferramenta indispensvel para a avaliao de investimentos e controle do patrimnio

    das empresas.

    1.5 ORGANIZAO DO TRABALHO

    O presente trabalho de pesquisa est dividido em cinco captulos, alm das

    referncias bibliogrficas, conforme segue:

    O capitulo 1 faz a introduo ao trabalho apresentando o tema, a contextualizao, o

    problema, os objetivos gerais e especficos, a justificativa do estudo e a organizao

    do trabalho.

    O embasamento terico relativo ao assunto pesquisado nesta monografia, Reviso

    da Literatura, est descrito no captulo 2. Este captulo contempla uma abordagem

    sobre os objetivos da contabilidade e a utilidade da informao contbil na tomada

  • 14

    de decises, traz um breve histrico sobre os trs mtodos de elaborao de

    demonstraes financeiras analisados, conceitua de forma clara e objetiva o sistema

    de governana corporativa, alm de estabelecer um comparativo entre as principais

    prticas contbeis adotadas pelo BR GAAP, US GAAP e IFRS.

    No captulo 3 est apresentada a Metodologia da Pesquisa, com uma abordagem

    geral sobre o assunto pesquisado e sobre a CST e sua importncia no cenrio

    nacional e internacional.

    A anlise e interpretao das informaes utilizadas como base para a pesquisa

    encontram-se no captulo 4, onde so destacadas as principais fontes de

    divergncia observadas entre os resultados do exerccio de 2003 da CST apurados

    pelos diferentes critrios contbeis do BR GAAP, US GAAP e IFRS, alm da

    conciliao entre tais resultados.

    A concluso a respeito deste estudo de caso apresentada no captulo 5.

    Nas referncias esto apresentadas as obras efetivamente utilizadas para a

    elaborao deste estudo.

    Por fim so apresentados os Anexos utilizados para extrair os dados utilizados na

    pesquisa.

  • 15

    2 REVISO DA LITERATURA

    2.1 OBJETIVO DA CONTABILIDADE

    A contabilidade como cincia social tem sua histria associada s primeiras

    manifestaes humanas de necessidade de proteo posse e de perpetuao e

    interpretao dos fatos ocorridos com o objeto material de que o homem sempre

    disps para alcanar a determinados fins propostos.

    O desenvolvimento inicial do mtodo contbil est relacionado ao surgimento do

    Capitalismo, servindo como ferramenta quantitativa de mensurao dos acrscimos

    ou decrscimos dos investimentos efetuados em determinado negcio.

    No entanto,

    [...] o mtodo tem aplicao a qualquer tipo de pessoa, fsica ou jurdica, com finalidades lucrativas ou no, que tenha necessidade de exercer atividades econmicas para alcanar suas finalidades, mesmo que tais atividades econmicas no sejam atividades-fim (IUDCIBUS, 1998, P. 21).

    Em sua concepo, a contabilidade serve para captar, registrar, acumular, resumir e

    interpretar os fenmenos que afetam as situaes patrimoniais, financeiras e

    econmicas das entidades. A Tabela 2 mostra de forma resumida os principais

    usurios da informao contbil com a natureza bsica das informaes mais

    requisitadas.

  • 16

    TABELA 2 USURIOS DA CONTABILIDADE E INFORMAES TEIS

    Usurio da informao contbil Meta que desejaria maximizar ou tipo de informao mais Importante

    Acionista minoritrio fluxo regular de dividendos.

    Acionista majoritrio ou com grande participao

    fluxo de dividendos, valor de mercado de ao, lucro por ao.

    Acionista preferencial fluxo de dividendos mnimos ou fixos.

    Emprestadores em geral gerao de fluxos de caixa futuros suficientes para receber de volta por capital mais os juros, com segurana.

    Entidades governamentais valor adicionado, produtividade, lucro tributvel.

    Empregados em geral, como assalariados

    fluxo de caixa futuro capaz de assegurar bons aumentos ou manuteno de salrios, com segurana; liquidez.

    Mdia e alta administrao retorno sobre o ativo, retorno sobre o patrimnio lquido; situao de liquidez e endividamento confortveis.

    Fonte: Iudcibus (2000, p. 21)

    Pela anlise das informaes apresentadas pode-se concluir que a contabilidade

    apresenta como seu principal objetivo o fornecimento de informaes teis aos

    vrios tipos de usurios, de forma que propiciem decises racionais.

    2.2 AS DEMONSTRAES FINANCEIRAS NA TOMADA DE DECISO

    Para que possa atender ao seu objetivo fundamental, a contabilidade utiliza-se de

    mtodos de elaborao de demonstraes financeiras que proporcionem aos seus

    usurios as informaes teis necessrias s tomadas de decises.

    O objetivo das demonstraes financeiras dar informaes sobre a posio

    financeira, os resultados e as mudanas na posio financeira de uma entidade. Sua

    anlise de forma isolada, no entanto, no fornece todas as informaes que o

    usurio possa necessitar, uma vez que elas retratam os efeitos financeiros de

    acontecimentos passados e no incluem necessariamente informaes no-

  • 17

    financeiras. So ferramentas importantes tambm para refletir o desempenho da

    administrao na gesto dos recursos a ela confiados.

    As decises econmicas tomadas pelos usurios da informao contbil so

    baseadas na capacidade de gerao de recursos pela entidade. Essa informao

    pode refletir, por exemplo, a capacidade de pagamento aos empregados e

    fornecedores, pagamento de juros, amortizao de emprstimos e distribuies aos

    acionistas. Para tanto, informaes sobre a posio financeira, resultados e

    mutaes na posio financeira da entidade so essenciais.

    As informaes sobre a posio financeira da empresa podem ser obtidas

    basicamente atravs da anlise do balano patrimonial (BP). Nele podem ser

    evidenciados fatores como recursos econmicos que a entidade controla, sua

    estrutura financeira, sua liquidez e solvncia e adaptao s mudanas no ambiente

    em que opera, que afetam a posio financeira da entidade.

    A demonstrao dos resultados do exerccio (DRE) fornece informaes sobre a

    rentabilidade da entidade, proporcionando anlise sobre as variaes no

    desempenho e previsibilidade da capacidade de gerao de recursos futuros a partir

    dos recursos originais investidos no negcio. Alm disso, essa anlise pode orientar

    a viabilidade da aplicao de recursos adicionais.

    A avaliao das atividades de investimento, financeiras e operacionais podem ser

    obtidas a partir de informaes sobre as mutaes da posio financeira da

    entidade. Essas informaes, que podem ser extradas da demonstrao das

    origens e aplicaes de recursos (DOAR), so teis para a avaliao da capacidade

    de gerao de recursos e de sua aplicao.

    As demonstraes financeiras exercem uma forte inter-relao pois refletem

    aspectos distintos dos mesmos eventos. Informaes obtidas a partir de

    determinada fonte devem ser complementadas com a anlise das demais fontes

    disponveis, ou seja, as demonstraes financeiras devem ser analisadas em

    conjunto. Tambm importante que se analise o contedo das notas explicativas

    complementares, pois fornecem informaes adicionais e relevantes s

    necessidades dos usurios.

  • 18

    A elaborao das demonstraes financeiras uma forma de assegurar aos

    interessados que a entidade esteja atingindo seus objetivos e propsitos e para que

    seja garantido o acesso s informaes, alm da questo tributria. A Legislao

    Societria Brasileira (Lei n 6.404/76 art. 176) determina que sejam elaboradas pelas

    empresas as seguintes demonstraes financeiras:

    I - balano patrimonial;

    II - demonstrao dos lucros ou prejuzos acumulados;

    III - demonstrao do resultado do exerccio; e

    IV - demonstrao das origens e aplicaes de recursos.

    Apesar de a legislao determinar quais demonstraes financeiras devem ser

    publicadas, as entidades tm interesses prprios que as motivam a elaborar outros

    tipos de demonstrativos de interesse gerencial, social e/ou societrio, dentre as

    quais destacam-se a Demonstrao do Valor adicionado (DVA), o Balano Social, a

    Demonstrao de Fluxo de Caixa (DFC) e a Demonstrao das Mutaes do

    Patrimnio Lquido (DMPL).

    2.3 GOVERNANA CORPORATIVA

    Para um bom gerenciamento empresarial so indispensveis a transparncia,

    informao, integrao de interesses diversos e prestao de contas. O

    estabelecimento desses critrios de administrao contribuem para que os negcios

    sejam bem-sucedidos atravs da sustentao da perenidade e preservao dos

    objetivos das corporaes. Esta metodologia define a governana corporativa, cada

    vez mais difundida entre os administradores em funo da nova realidade do

    mercado mundial. A Figura 2 ilustra os princpios bsicos da governana corporativa.

  • 19

    GOVERNANA CORPORATIVAGOVERNANA CORPORATIVA

    TransparnciaTransparncia Prestao de contasPrestao de contas EquidadeEquidade

    um dos principais fatores na deciso de comprar ou no aes de uma empresa, logo, pea fundamental no processo de governana corporativa. Para garantir sua transparncia, a empresa deve divulgar informaes sejam boas ou ruins tanto para o pblico interno (como empregados), quanto externo (como mercado, sociedade e governos).

    um dos principais fatores na deciso de comprar ou no aes de uma empresa, logo, pea fundamental no processo de governana corporativa. Para garantir sua transparncia, a empresa deve divulgar informaes sejam boas ou ruins tanto para o pblico interno (como empregados), quanto externo (como mercado, sociedade e governos).

    A empresa deve ser clara em suas demonstraes contbeis.

    A empresa deve ser clara em suas demonstraes contbeis.

    A prtica de governana corporativa exige que se d um bom tratamento aos acionistas minoritrios, isto , que eles sejam tratados com igualdade, tendo participao maior nas tomadas de deciso da empresa, na definio de estratgias e nos lucros.

    A prtica de governana corporativa exige que se d um bom tratamento aos acionistas minoritrios, isto , que eles sejam tratados com igualdade, tendo participao maior nas tomadas de deciso da empresa, na definio de estratgias e nos lucros.

    GOVERNANA CORPORATIVAGOVERNANA CORPORATIVA

    TransparnciaTransparncia Prestao de contasPrestao de contas EquidadeEquidade

    um dos principais fatores na deciso de comprar ou no aes de uma empresa, logo, pea fundamental no processo de governana corporativa. Para garantir sua transparncia, a empresa deve divulgar informaes sejam boas ou ruins tanto para o pblico interno (como empregados), quanto externo (como mercado, sociedade e governos).

    um dos principais fatores na deciso de comprar ou no aes de uma empresa, logo, pea fundamental no processo de governana corporativa. Para garantir sua transparncia, a empresa deve divulgar informaes sejam boas ou ruins tanto para o pblico interno (como empregados), quanto externo (como mercado, sociedade e governos).

    A empresa deve ser clara em suas demonstraes contbeis.

    A empresa deve ser clara em suas demonstraes contbeis.

    A prtica de governana corporativa exige que se d um bom tratamento aos acionistas minoritrios, isto , que eles sejam tratados com igualdade, tendo participao maior nas tomadas de deciso da empresa, na definio de estratgias e nos lucros.

    A prtica de governana corporativa exige que se d um bom tratamento aos acionistas minoritrios, isto , que eles sejam tratados com igualdade, tendo participao maior nas tomadas de deciso da empresa, na definio de estratgias e nos lucros.

    FIGURA 2 Princpios bsicos da governana corporativa Fonte: Jornal da CST, 2005.

    Atravs de um modelo bem implementado de governana corporativa possvel

    dirigir e monitorar as empresas atravs da integrao entre os executivos,

    acionistas, cotistas, conselhos, diretoria, auditoria, empregados e governo.

    Segundo Wanick (apud Jornal da CST, 2005),

    [...] um bom sistema de governana corporativa ajuda a fortalecer as empresas, refora competncias para enfrentar novos nveis de complexidade, amplia as bases estratgicas de criao de valor, fator de harmonizao de interesses. Alm disso, ao contribuir para que os resultados corporativos se tornem menos volteis, aumenta a confiana dos investidores, fortalece o mercado de capitais e fator coadjuvante do crescimento econmico.

    No Brasil a prtica da governana corporativa conta com o Instituto Brasileiro de

    Governana Corporativa (IBGC) para contribuio melhoria de sua aplicao e

    difuso entre as empresas.

    Os critrios bsicos para a aplicao do sistema de governana corporativa em uma

    empresa so mostrados na Tabela 3.

  • 20

    TABELA 3 CRITRIOS BSICOS PARA APLICAO DA GOVERNANA CORPORATIVA

    Critrio Conceito

    Relacionamento estratgico Diz respeito s relaes entre acionistas e suas representaes na empresa (conselho de administrao e diretoria) para a elaborao de estratgias, atribuies e regras de atuao.

    Relacionamento com o mercado Interao da empresa com investidores, governo e sociedade. So feitas por meio dos relatrios anual (dados econmicos), social e ambiental, demonstraes contbeis, entre outros.

    Relacionamento com a gesto Visa s relaes internas incorporadas aos processos de gesto, ou seja, a elementos ligados a um processo de desenvolvimento organizacional. Destacam-se os relacionamentos com os empregados, as polticas e normas, programas de desenvolvimentos e avaliao de desempenho, gesto do clima organizacional, comunicao interna, entre outros.

    Fonte: Jornal da CST (2005)

    2.4 MODELOS DE DEMONSTRAES FINANCEIRAS ANALISADOS

    2.4.1 BR GAAP

    A elaborao das demonstraes financeiras no Brasil regida pela Lei n 6.404, de

    15 de dezembro de 1976, que dispe sobre as Sociedades por Aes. Os resultados

    apurados na elaborao das demonstraes financeiras so funo tambm dos

    critrios definidos pela Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que dispe sobre a

    legislao tributria federal, e pelo regulamento do imposto de renda, Decreto n

    3.000, de 26 de maro de 1999.

    A denominao BR GAAP empregada pela CST, no tendo carter formal, e

    tambm adotada neste trabalho de pesquisa a fim de manter a correspondncia com

    o tratamento dado pela empresa objeto do estudo.

  • 21

    2.4.2 US GAAP

    O Financial Accounting Standards Board (FASB) a organizao designada para

    estabelecer os padres de contabilidade financeira e de elaborao das

    demonstraes financeiras para as empresas do setor privado dos Estados Unidos,

    cujos procedimentos so denominados de US GAAP (United States Generally

    Accepted Accounting Principles).

    O FASB parte de uma estrutura independente de qualquer tipo de negcio ou

    organizao profissional. Antes da atual estrutura ser criada, em 1973, as normas

    financeiras de contabilidade e sua publicao eram estabelecidas por um comit de

    procedimentos contbeis do American Institute of Certified Public Accountants

    (AICPA).

    A edio de normas pelo FASB para a elaborao das demonstraes financeiras

    autorizada e reconhecida oficialmente pelo Securities and Exchange Commission

    (SEC), organismo do governo americano responsvel pela proteo dos investidores

    e manuteno da integridade do mercado. Estas normas so consideradas pelo

    SEC como essenciais para o eficiente funcionamento da economia porque os

    investidores, credores, auditores e outras partes interessadas necessitam que as

    informaes financeiras possuam credibilidade, transparncia e comparabilidade.

    2.4.3 IFRS

    As Normas Internacionais de Contabilidade so elaboradas pelo International

    Accounting Standards Board (IASB), entidade sem fins lucrativos sediada em

    Londres, responsvel pela padronizao das normas contbeis cujos procedimentos

    so denominados de IFRS (Standard International Financial Reporting). O IASB foi

    criado em 1 de abril de 2001 para promover ajustes nas normas contbeis

    internacionais elaboradas pelo seu precedente, o International Accounting Standards

    Committee (IASC), denominadas de IAS (International Accounting Standard).

  • 22

    O IASC foi fundado em 29 de junho de 1973 como resultado do consenso entre um

    grupo internacional de profissionais de contabilidade formado por representantes da

    Austrlia, Canad, Frana, Alemanha, Japo, Mxico, Holanda, Reino Unido, Irlanda

    e Estados Unidos. O grupo de profissionais foi organizado pelo International

    Federation of Accountants (IFAC) em 1977. Em 1981 o IASC e o IFAC acordaram

    que o IASC assumiria completa autonomia sobre a elaborao e publicao das

    normas internacionais de contabilidade.

    2.5 COMPARATIVO DAS PRINCIPAIS PRTICAS CONTBEIS

    Os modelos de demonstraes financeiras estudados apresentam pontos de

    divergncia que podem impactar na apurao do resultado das entidades. As

    principais diferenas observadas so explicitadas no Quadro 1.

    Prticas Contbeis

    Internacionais (IFRS) Prticas Contbeis

    Americanas (US GAAP) Prticas Contbeis Brasileiras

    (BR GAAP)

    1) Valorizao de estoques

    Custo histrico ou o valor realizvel lquido, dos dois o menor, pelo mtodo PEPS ou Mdia Ponderada.

    Admite o mtodo UEPS, porm, exige a divulgao em paralelo de um dos mtodos citados anteriormente.

    No obrigatria a alocao de todas as despesas gerais indiretas de produo de estoques.

    O mtodo UEPS admitido.

    Exige a alocao das despesas gerais indiretas de produo aos estoques.

    Estoques de metais preciosos e outros itens aplicados para compra ou venda no mercado de commodities podem ser registrados pelo valor de mercado, com exceo das despesas com venda.

    Adota o custo mdio ponderado, porm, admite a aplicao do mtodo PEPS.

    No exige a alocao das despesas gerais indiretas de produo.

    2) Imposto de Renda

    Os impostos devem ser registrados nas demonstraes financeiras utilizando base de competncia, mtodo de diferimento ou mtodo de passivo. Admite a adoo da base de caixa para diferenas temporais que no devero

    Conforme o IFRS, porm, s admitem o mtodo de passivo.

    Conforme o US GAAP.

    Admite a proviso de passivos com pouca chance de realizao.

    comum o registro de ativo de prejuzos fiscais em empresas sem perspectiva imediata de

  • 23

    Prticas Contbeis Internacionais (IFRS)

    Prticas Contbeis Americanas (US GAAP)

    Prticas Contbeis Brasileiras (BR GAAP)

    reverter num futuro previsvel.

    Saldo de crdito fiscal produzido em funo de diferenas temporais s pode ser contabilizado se existir perspectiva razovel de realizao.

    lucro.

    3) Depreciao

    Deve ser alocada numa base sistemtica a cada um dos perodos contbeis durante a vida til dos ativos. Escolhido um determinado mtodo de depreciao este deve ser aplicado consistentemente.

    Conforme o IFRS Conforme o IFRS, porm, adota-se na prtica os critrios definidos na legislao tributria.

    4) Despesas de pesquisa e desenvolvimento

    Devem ser registrados como despesa, exceto quando:

    - o produto/processo esteja definido claramente e os custos atribuveis a ele possam ser identificados separadamente;

    - a viabilidade tcnica do produto j tenha sido demonstrada;

    - exista uma indicao clara de mercado futuro para o produto/processo[...]; etc.

    Os custos de desenvolvimento diferidos devem ser limitados ao que se espera recuperar em termos razoveis das receitas futuras relacionadas[...].

    Debitados a lucros e perdas quando incorridos.

    Admite o diferimento de quase todas as despesas para as quais algum benefcio futuro possa ocorrer, porm, adota-se na prtica os critrios definidos na legislao tributria.

    5) Contratos de longo prazo

    Contratos de longo prazo devem ser registrados pelo mtodo do percentual de acabamento ou pelo mtodo do contrato acabado.

    O mtodo do percentual de acabamento deve ser utilizado quando o resultado do contrato pode ser previsto com razovel

    Conforme o IFRS. O reconhecimento de receita tambm pode ser efetuado em proporo s condies de pagamento do contrato.

  • 24

    Prticas Contbeis Internacionais (IFRS)

    Prticas Contbeis Americanas (US GAAP)

    Prticas Contbeis Brasileiras (BR GAAP)

    segurana.

    A perda relacionada a um contrato deve ser provisionada assim que for identificada, abrangendo as perdas incorridas at a data e as perdas futuras at o fim do contrato.

    6) Imobilizado

    Registro pelo custo histrico. Custos de financiamento atribuveis diretamente construo de imobilizado so capitalizados.

    Admite a reavaliao do imobilizado, porm, exige que seja includa a categoria inteira dos ativos.

    Supervits de reavaliao so creditados a uma reserva de reavaliao, a menos que estes revertam numa deficincia previamente debitada na demonstrao do resultado[...]

    O supervit da reavaliao deve ser transferido para lucros acumulados quando da baixa de ativos.

    No admite a reavaliao do imobilizado.

    Existem salvaguardas para evitar o reconhecimento do lucro (todo ou parte) em situaes nas quais o vendedor possa incorrer custos futuros ou assine opo de recompra por preo fixo, quando da venda ou baixa de bens mveis.

    Conforme o IFRS.

    O passivo fiscal diferido, resultado de reavaliao, deve ser registrado a menos que seja coberto por prejuzos fiscais existentes. Em IFRS, o efeito do imposto diferido somente precisa ser divulgado.

    7) Incentivos Governamentais

    Os incentivos fiscais relacionados com ativos podem ser apresentados no balano como receita diferida ou deduzidos do valor registrado do ativo.

    Caso este incentivo figure como compensao para despesas ou perdas j incorridas [...], deve-se creditar o valor demonstrao de resultado.

    [...] O repagamento de um incentivo relacionado com um ativo deve ser registrado aumentando-se o valor existente do ativo ou reduzindo-se o saldo da receita diferida. A depreciao cumulativa adicional, que teria sido debitada se o incentivo no

    Conforme o IFRS. Os incentivos governamentais devem ser registrados quando recebidos e no so associados com a vida do projeto ou ativo.

    O incentivo mais comum, o incentivo fiscal do imposto de renda, no transita por lucros e perdas.

  • 25

    Prticas Contbeis Internacionais (IFRS)

    Prticas Contbeis Americanas (US GAAP)

    Prticas Contbeis Brasileiras (BR GAAP)

    existisse, deve ser debitada a lucros e perdas imediatamente.

    8) Arrendamento Leasing

    - Arrendatrio:

    Deve ser refletido no balano do arrendatrio pelo registro de um ativo e um passivo em valores iguais no incio do lease, no valor de mercado do ativo arrendado ou, se menor, no valor presente das prestaes.

    As prestaes do bem arrendado devem ser alocadas entre a despesa financeira e a reduo do passivo em aberto [...]

    O dbito nos resultados num leasing operacional deve ser despesa de aluguel para o perodo contbil.

    Existe distino entre leasing financeiro e leasing operacional, sendo a prtica contbil a ser adotada diferente em cada caso.

    - Arrendador:

    Leasing financeiro - registrado em Contas a receber [...];

    Leasing operacional - contabilizado como ativo imobilizado deprecivel [...].

    Conforme o IFRS. - Arrendatrio:

    Todos os leases so considerados operacionais. A receita de venda numa transao de leaseback registrada pelo valor nominal, no importando as circunstncias.

    - Arrendador:

    Todos os leases so considerados operacionais. O modelo de contabilizao est definido na Portaria n. 140 do Ministrio da Fazenda*.

    *Instituda em 27 de julho de 1984 estabelecendo normas s contraprestaes de arrendamento mercantil no tocante computao no lucro lquido do perodo-base em que foram exigveis.

    9) Consolidao e Investimentos em Subsidirias e Afiliadas

    Uma controladora, que no em si uma subsidiria, deve preparar demonstraes financeiras consolidadas.

    Todas as subsidirias devem ser consolidadas, exceto quando:

    a) o controle seja temporrio (subsidiria adquirida e controlada exclusivamente para venda subseqente no futuro prximo); ou

    b) a subsidiria opere sobre

    Conforme o IFRS, exceto:

    - subsidirias so definidas como o controle majoritrio de direito de voto; e

    - uma influncia significativa presumida quando uma empresa dona de 20% a 50% das aes com direito a voto.

    Conforme o IFRS, exceto:

    - a consolidao mandatria somente se mais de 30% do patrimnio lquido da controladora foram representados pelos investimentos em subsidirias; e

    - a equivalncia patrimonial utilizada para todas as afiliadas e subsidirias no consolidadas. Uma afiliada definida normalmente

  • 26

    Prticas Contbeis Internacionais (IFRS)

    Prticas Contbeis Americanas (US GAAP)

    Prticas Contbeis Brasileiras (BR GAAP)

    restries severas a longo prazo, as quais afetem significativamente sua capacidade de transferir recursos controladora.

    Subsidirias excludas devem ser registradas como investimentos a longo prazo.

    Nas demonstraes financeiras separadas da controladora, as subsidirias so registradas como investimentos a longo prazo ou como afiliadas pelo mtodo de equivalncia patrimonial.

    Investimentos em afiliadas em demonstraes financeiras consolidadas devem ser valorizados pelo mtodo de equivalncia patrimonial, a menos que as circunstncias (a) e (b) acima sejam aplicveis subsidiria, ou se o investidor deixar de ter influncia significativa, embora continue com o investimento. Nestes casos, registra-se a afiliada como investimento de longo prazo.

    Uma subsidiria definida como um empreendimento ou empresa controlada pela controladora. Uma afiliada definida como uma empresa sobre a qual a controladora tem influncia significativa.

    quando 20% a 50% do capital social controlado (com ou sem direito a voto). Esta definio tambm pode ser aplicada para participaes entre 10% e 20% do capital da afiliada.

    10) Empreendimentos em fase pr-operacional

    Despesas incorridas por um empreendimento em fase pr-operacional devem ser registradas imediatamente no resultado, a menos que sejam despesas de natureza que possa ser capitalizada como ativos fixos.

    Conforme o IFRS. Todos os custos de um empreendimento em fase pr-operacional, alm daqueles capitalizados normalmente como ativos fixos, so capitalizados como ativos diferidos, a serem amortizados a partir da data de incio das atividades. No existe um perodo de amortizao predeterminado.

    QUADRO 1 ANLISE COMPARARTIVA ENTRE AS PRTICAS CONTBEIS Fonte: CRC-SP (apud GRAZZIOTTI, 2004, p. 15).

  • 27

    3 METODOLOGIA DE PESQUISA

    3.1 ABORDAGEM GERAL

    O desenvolvimento deste trabalho de pesquisa utilizou-se de literatura especfica

    voltada ao tema, bem como artigos, instrues normativas e legislao aplicveis

    elaborao das demonstraes financeiras.

    O trabalho de pesquisa tem foco delimitado aos resultados da CST e por isso trata-

    se de um estudo de caso, abordando um contexto especfico a partir das

    demonstraes financeiras elaboradas e publicadas pela empresa referentes ao

    exerccio de 2003.

    3.2 COMPANHIA SIDERRGICA DE TUBARO

    A CST est localizada no municpio de Serra, no Esprito Santo, a cerca de 20

    quilmetros da Capital, Vitria. Encontra-se instalada numa rea de 13,5 milhes de

    metros quadrados beira do oceano, onde opera o Terminal de Produtos

    Siderrgicos do Porto de Praia Mole.

    A Empresa foi constituda em 1976 atravs de uma parceria entre o Governo Federal

    e grupos empresariais do Japo e da Itlia, tendo entrado efetivamente em operao

    em 1983, com capacidade de produo de 3 milhes de toneladas de ao por ano.

    A CST teve controle estatal at o ano de 1992, quando participou do programa de

    desestatizao promovido pelo Governo Federal e foi privatizada, passando ao

    controle de grupos da iniciativa privada nacional e estrangeira.

    Nos 10 primeiros anos aps a privatizao a CST recebeu investimentos da ordem

    de 2 bilhes de dlares, utilizados na atualizao tecnolgica do parque industrial e

  • 28

    no aumento da capacidade de produo para 4,5 milhes de toneladas de ao por

    ano.

    Em 2002 a CST passou a fazer parte do segundo maior grupo produtor de ao do

    mundo, o Grupo Arcelor, sediado em Luxemburgo. Sua capacidade instalada atingiu

    5 milhes de toneladas de ao por ano e a inaugurao de uma unidade de

    laminao a quente diversificou sua produo, o que fez com que a CST passasse

    tambm a atender ao mercado interno.

    Com participao da ordem de 20% no mercado internacional de semi-acabados de

    ao, a CST possui mais de 60 clientes em carteira, distribudos em todos os

    continentes. Seu mercado, entretanto, concentra-se sobretudo na sia e Amrica do

    Norte.

    A CST uma Sociedade Annima de capital aberto e possui aes negociadas na

    Bolsa de Valores de So Paulo (Bovespa). Seu capital est dividido em

    19.666.329.000 de aes com direito a voto (aes ordinrias) e 31.310.111.030 de

    aes sem direito a voto (aes preferenciais), conforme divulgado em seu site

    (CST, 2004).

    Em dezembro de 2004 a CST apresentava um quadro com cerca de 4.000

    acionistas, sendo que as aes com direito a voto estavam concentradas nas mos

    de 2 acionistas principais: Grupo Arcelor (Luxemburgo) e Grupo JFE (Japo). A

    Tabela 4 mostra o detalhamento da posio acionria da CST.

    TABELA 4 POSIO ACIONRIA DA CST EM 31/12/2004

    Acionista Ordinrias Preferenciais Total

    Acionistas Japoneses 20,51 0 7,91

    California Steel 4 0 1,54

    Ciest / Funssest 0 1,07 0,7

    Grupo Arcelor 70,19 58,98 63,3

    Outros 5,3 39,95 26,58

    Fonte: CST, 2004

    A CST controladora, com 100% do capital, das empresas CST Corporation BV,

    com sede em Rotterdam Holanda, Skaden Consultoria e Servios Lda., sediada

  • 29

    em Madeira Portugal e CST Overseas Ltd., com sede em Cayman Island. Possui

    ainda participao na empresa Vega do Sul, com sede em Santa Catarina, da qual

    detm 25% do capital.

    3.3 COLETA DE DADOS

    Para a anlise das divergncias entre os resultados apurados pelos diferentes

    modelos de demonstraes financeiras do exerccio de 2003 foram utilizados os

    Balanos Patrimoniais e Demonstraes dos Resultados do Exerccio publicados

    pela CST.

    Alm da consulta aos diferentes padres de demonstraes financeiras BR GAAP,

    US GAAP e IFRS foram feitas consultas informais a profissionais da rea contbil,

    empregados da CST ligados ao seu Departamento de Controladoria, quando se

    verificou a viabilidade da realizao do presente estudo.

    Os dados coletados nas demonstraes financeiras foram organizados em planilhas

    eletrnicas a fim de condensar as informaes e facilitar a anlise e tratamento das

    mesmas, alm de possibilitar a criao de tabelas e grficos.

  • 30

    4 ANLISE E INTERPRETAO DAS INFORMAES

    Baseados na pesquisa desenvolvida e no estudo das demonstraes financeiras do

    exerccio de 2003 divulgadas pela CST, foram analisados os resultados

    apresentados pelos diferentes mtodos de elaborao utilizados pela empresa (BR

    GAAP, US GAAP e IFRS) e os fatores que apresentaram maior impacto sobre as

    divergncias observadas. Antes porm, torna-se necessria uma breve explanao

    sobre algumas prticas adotadas pela CST.

    Apesar de operar no Brasil com a moeda local, o real (R$), a CST utiliza o dlar dos

    Estados Unidos (US$) como moeda funcional porque considera que seja a moeda

    que melhor reflete o cenrio econmico dos eventos e das circunstncias

    subjacentes de suas operaes. Alm disso, parte de suas vendas destina-se

    exportao com preo de venda cotado na moeda funcional. Tambm h grande

    incidncia de financiamentos em dlar e parcela considervel de seus custos so

    expressos tambm nesta moeda.

    As converses de moeda para o dlar, a partir dos montantes em real, foram feitas

    pela CST da seguinte forma:

    estoques, imobilizado, depreciao acumulada, e patrimnio lquido

    remensurados s taxas cambiais histricas;

    demais ativos e passivos taxa do dlar no final do exerccio;

    resultado taxa cambial mdia prevalecente no ms de dbito ou crdito,

    com exceo das contas relacionadas aos ativos remensurados s taxas

    cambiais histricas.

    Na anlise dos resultados, podemos notar no Grfico 1 uma ilustrao das

    divergncias observadas entre os resultados apurados pelos diferentes modelos de

    demonstrao financeira divulgados pela CST. Os resultados apresentados pelo BR

    GAAP (lucro lquido de R$ 910.248 mil) e IFRS (lucro lquido de R$ 887.401 mil) so

    bastante semelhantes, porm, divergem bastante daquele observado pelo US GAAP

    (lucro lquido de R$ 515.847 mil). A semelhana entre resultados neste ponto do

    estudo no indica, necessariamente, que as prticas contbeis adotadas pelas

    diferentes metodologias sejam as mesmas, visto que a anlise detalhada de cada

  • 31

    fator de influncia sobre o resultado fundamental para se chegar a uma concluso

    sobre a equivalncia entre os procedimentos.

    LUCRO (PREJUZO) DO EXERCCIO

    500.000

    550.000

    600.000

    650.000

    700.000

    750.000

    800.000

    850.000

    900.000

    950.000

    R$

    x 1.

    000

    2003 910.248 515.847 887.401

    BR GAAP US GAAP IFRS

    GRFICO 1 Comparativo dos resultados da CST em 2003

    As divergncias entre os resultados chegam a patamares da ordem de 43% na

    comparao entre o BR GAAP e o US GAAP. Quando comparado o BR GAAP com

    o IFRS esta diferena cai para 2,5%.

    A Tabela 5 ilustra um modelo de avaliao da empresa atravs da apurao de

    indicadores de rentabilidade. Os ndices so divergentes e indicam graus de xito

    econmico diferentes, principalmente se comparados o BR GAAP e o IFRS com o

    US GAAP em funo, como mencionado, do menor lucro lquido apurado. Neste

    ltimo nota-se que o desempenho da empresa muito inferior ao dos demais.

    TABELA 5 NDICES DE RENTABILIDADE DA CST 2003

    NDICE FRMULA MELHOR BR GAAP US GAAP IFRS

    Giro do Ativo (%) (Vendas / Ativo) x 100 38,9 37,4 37,8

    Rentabilidade do Ativo (%) (Lucro Lquido / Ativo) x 100 9,5 4,9 8,7

    Rentabilidade das Vendas (%) (Lucro Lquido / Vendas) x 100 24,4 13,2 22,9

    Rentabilidade do PL (%) (Lucro Lquido / PL) x 100 16,1 7,0 14,6

  • 32

    A anlise das demonstraes financeiras da CST referentes ao exerccio de 2003

    permite observar que os principais fatores causadores de distores entre os

    resultados esto relacionados depreciao, aos investimentos, aos ganhos ou

    perdas relacionados aos saldos monetrios em reais, aos incentivos fiscais, aos

    impostos diferidos, variao cambial sobre saldo em dlar e, finalmente, ao plano

    de penso da CST. Estes casos sero tratados isoladamente na seqncia deste

    trabalho, fazendo-se a correlao de cada um deles com as prticas contbeis

    adotadas pelos modelos de demonstraes financeiras estudados.

    A primeira fonte de distoro entre as demonstraes financeiras a ser considerada

    a depreciao. Sua aplicao sobre o imobilizado da CST segundo a metodologia

    adotada pelos BR GAAP gera um efeito positivo de R$ 202.048 mil sobre os

    resultados em comparao com a prtica adotada pelo IFRS e pelo US GAAP.

    Apesar das normas preverem os mesmos critrios para tratamento desse tema, no

    Brasil adotam-se na prtica as determinaes da legislao fiscal (Decreto n

    3.000/99) que define os percentuais a serem depreciados ao longo dos anos em

    funo de uma vida til estimada e definida para os diversos itens do imobilizado. A

    diferena observada, no entanto, ocorre em funo das bases de clculo utilizadas

    para o BR GAAP serem diferentes daquelas adotadas para o IFRS e US GAAP.

    Como o imobilizado registrado pelo valor histrico, em real pelo BR GAAP e em

    dlar pelo IFRS e US GAAP, a correspondncia entre esses valores se perde

    medida em que ocorrem as variaes cambiais. Alm disso, a no capitalizao pelo

    BR GAAP das variaes cambiais dos financiamentos relacionados aquisio do

    imobilizado contribui para a distoro entre os valores registrados por ele e pelo

    IFRS e US GAAP ao longo do tempo.

    Outro ponto a ser destacado na anlise das divergncias entre as demonstraes

    o efeito dos investimentos. Conforme mencionado anteriormente, a CST adquiriu em

    2001 uma participao de 25% no capital com direito a voto da Vega do Sul S.A.,

    localizada no Estado de Santa Catarina. A empresa uma relaminadora de aos a

    frio, cuja matria-prima ser fornecida pela CST, para aplicao principalmente na

    indstria automotiva e de eletrodomsticos. Esses investimentos da CST na Vega do

    Sul S.A. so responsveis por uma distoro positiva de R$ 14.109 mil sobre os

    resultados em BR GAAP da CST, em comparao com o IFRS e o US GAAP. Esse

    efeito sobre os resultados se d em funo de trs fatores principais a serem

  • 33

    analisados. O primeiro deles se refere ao registro do investimento pelo valor histrico

    em ambos os modelos de demonstraes, que so expressos em moedas diferentes

    (real no BR GAAP e dlar no IFRS e US GAAP) e sujeitas a variaes cambiais que

    culminam com a perda da equivalncia entre eles ao longo do tempo. O segundo

    fator que influencia na distoro entre os resultados das demonstraes financeiras

    tambm est relacionado a este investimento e se refere ao diferimento das

    despesas pr-operacionais, cujos procedimentos so admitidos pelo BR GAAP. Pelo

    IFRS e US GAAP estas despesas devem ser imediatamente reconhecidas no

    resultado do exerccio a que se referem, o que provoca uma forte reduo em seus

    resultados. O terceiro ponto a ser destacado tambm se refere ao diferimento de

    ativos. Os gastos pr-operacionais relativos ao investimento em Vega do Sul tm

    uma previso de amortizao pela CST de dez anos. Durante este perodo tal

    amortizao dos valores registrados em BR GAAP iro provocar um efeito negativo

    sobre os resultados, quando comparados ao IFRS e US GAAP que, como

    mencionado, no admite o diferimento dessas despesas, salvo em casos

    especficos. O impacto das despesas pr-operacionais sobre os resultados em IFRS

    e US GAAP se do numa nica vez quando do reconhecimento das mesmas no

    exerccio em que ocorrem.

    A CST, como mencionado anteriormente, adota o dlar como moeda funcional, no

    entanto, o real a moeda adotada para o registro oficial e apresentao de suas

    demonstraes financeiras pelo BR GAAP. Este aspecto representa a terceira fonte

    de inconsistncia entre os resultados de suas demonstraes financeiras. Tal efeito

    provoca uma diferena positiva de R$ 45.487 mil entre os resultados na comparao

    do BR GAAP com o IFRS e o US GAAP em funo de ganhos na converso da

    moeda devido a variaes cambiais ativas sobre os saldos monetrios em reais,

    visto que em ambos os modelos de demonstrao os saldos monetrios devem ser

    remensurados s taxas correntes do fim do exerccio. Vale ressaltar que estes

    ganhos so apurados quando da converso dos valores para o dlar visando a

    elaborao das demonstraes financeiras em IFRS e US GAAP.

    Os incentivos fiscais representam a quarta fonte de distoro observada entre os

    resultados das demonstraes financeiras da CST. Tais incentivos se referem ao

    direito de reduo do imposto sobre a renda das pessoas jurdicas apurado sobre o

    lucro de empresas localizadas na rea de abrangncia da Agncia de

  • 34

    Desenvolvimento do Nordeste (ADENE). A CST obteve o direito ao benefcio por

    estar localizada nesta rea e por ser uma empresa cuja atividade exerce forte

    impacto sobre o desenvolvimento regional. Pelos critrios do BR GAAP esses fatos

    devem ser reconhecidos diretamente no patrimnio lquido, o que no caso da CST

    foi feito atravs da constituio de reservas de capital, o que no impacta nos

    resultados apurados segundo esta metodologia. J pelos critrios do IFRS e do US

    GAAP tais benefcios devem ser reconhecidos diretamente na apurao dos

    resultados referentes ao exerccio em que ocorrem, o que produziu um efeito

    positivo de R$ 97.564 mil sobre os resultados do exerccio de 2003 em comparao

    com o BR GAAP.

    O imposto de renda e a contribuio social diferidos representam a quinta fonte de

    divergncia observada entre os resultados das demonstraes financeiras da CST e

    referem-se a benefcios decorrentes de prejuzos fiscais, bases negativas de

    contribuio social e diferenas temporrias (diferenas entre a base fiscal de um

    ativo ou passivo e o saldo registrado no balano patrimonial). A CST, de acordo com

    os critrios estabelecidos pelo BR GAAP, faz a amortizao destes impostos em

    funo da anlise dos resultados futuros projetados com base na produo, venda e

    atuais cenrios macroeconmicos e tributrios, dos saldos acumulados destes

    impostos e do histrico de lucratividade dos exerccios anteriores. A anlise deste

    fator revela um cenrio muito interessante, visto que impacta de forma diferente os

    trs modelos de demonstraes financeiras. Tomando como referncia o BR GAAP,

    os impostos diferidos geram uma diferena negativa de R$ 381.250 mil em relao

    ao IFRS e uma diferena positiva de R$ 14.410 mil em relao ao US GAAP. A

    diferena em relao ao IFRS se explica pelo fato desta metodologia exigir o

    reconhecimento total das diferenas entre os seus saldos e aqueles apurados pelo

    BR GAAP, que neste caso se traduziram em ganhos. Os critrios adotados pelo US

    GAAP so semelhantes aos do IFRS, porm, existe uma exceo com relao s

    diferenas geradas pela remensurao de determinados ativos e passivos em

    funo de taxas de cmbio, o que impactou na forma de perda os resultados.

    O penltimo fator que provoca a heterogeneidade entre os resultados das

    demonstraes financeiras da CST no exerccio de 2003 a ser considerado neste

    estudo est relacionado s variaes cambiais sobre os saldos em dlar. Conforme

    relatado anteriormente, a moeda de apresentao adotada segundo os critrios do

  • 35

    BR GAAP o real. Quando da converso dos valores referentes aos saldos em

    dlar para o real a CST apurou um ganho de R$ 237.612 mil, o que impacta

    fortemente os resultados apurados pela empresa segundo o BR GAAP. Para a

    elaborao das demonstraes financeiras conforme os critrios do IFRS e do US

    GAAP estes valores devem ser expurgados j que a moeda de apresentao

    adotada o prprio dlar, ou seja, no h ganho de converso a ser reconhecido.

    Por ltimo, h que se considerar os efeitos proporcionados pelo plano de penso da

    CST atravs da Fundao de Seguridade Social dos Empregados da Companhia

    Siderrgica de Tubaro (FUNSSEST). O tratamento dado a esta questo pelo BR

    GAAP e IFRS igual e no contribui para a gerao de divergncias entre seus

    resultados. Porm, na comparao do BR GAAP com o US GAAP nota-se uma

    perda de R$ 23.890 mil no resultado devido ao US GAAP determinar a

    contabilizao das perdas (ou ganhos) atuariais dos planos de penso de forma

    diferida, com reconhecimento ao longo do tempo. Pelos critrios do BR GAAP e do

    IFRS facultado o reconhecimento imediato dessas perdas (ou ganhos) diretamente

    nos resultados do exerccio, o que foi feito pela CST.

    A conciliao entre o resultado da CST apurado pelo BR GAAP e os resultados

    apurados pela US GAAP e IFRS mostrada na Tabela 6. Nesta tabela-resumo

    foram depurados os efeitos responsveis pelas distores observadas entre os

    resultados, conforme destacado anteriormente.

    TABELA 6 CONCILIAO ENTRE O LUCRO LQUIDO DA CST 2003

    R$ x 1.000 US GAAP IFRS

    Lucro (prejuzo) lquido conforme BR GAAP 910.248 910.248 Depreciao (202.048) (202.048)

    Investimentos (14.109) (14.109)

    Ganho (perda) nos saldos monetrios em reais (45.487) (45.487)

    Incentivo fiscal 97.564 97.564

    Impostos diferidos (14.410) 381.250

    Variao cambial sobre saldo em dlar (237.612) (237.612)

    Plano de penso 23.890 -

    Outros (2.189) (2.405)

    Lucro (prejuzo) lquido conforme US GAAP e IFRS 515.847 887.401

  • 36

    Os Grficos 2 e 3 mostram a evoluo dos resultados da CST na conciliao BR

    GAAP x IFRS e BR GAAP x US GAAP, em funo dos aumentos ou redues

    provocados pelos fatores analisados.

    EVOLUO DOS RESULTADOS - BR GAAP x IFRS

    (260.000)

    (60.000)

    140.000

    340.000

    540.000

    740.000

    940.000

    1.140.000

    R$

    x 1.

    000

    Aumento(reduo)

    910.248 (202.048) (14.109) (45.487) 97.564 381.250 (237.612) 0 (2.405) 887.401

    Lucro acumulado 708.200 694.091 648.604 746.168 1.127.418 889.806 889.806 887.401

    Lucro BR GAAP

    Depreciao Investimentos Perda saldos R$

    Incent ivo f iscal Impostos diferidos

    Perda saldos US$

    Plano de penso

    Outros Lucro IFRS

    GRFICO 2 Evoluo dos resultados na conciliao entre BR GAAP e IFRS

    EVOLUO DOS RESULTADOS - BR GAAP x US GAAP

    (260.000)

    (60.000)

    140.000

    340.000

    540.000

    740.000

    940.000

    R$

    x 1.

    000

    Aumento(reduo)

    910.248 (202.048) (14.109) (45.487) 97.564 (14.410) (237.612) 23.890 (2.189) 515.847

    Lucro acumulado 708.200 694.091 648.604 746.168 731.758 494.146 518.036 515.847

    Lucro BR GAAP

    Depreciao Investimentos Perda saldos R$

    Incent ivo f iscal Impostos diferidos

    Perda saldos US$

    Plano de penso

    Outros Lucro US GAAP

    GRFICO 3 Evoluo dos resultados na conciliao entre BR GAAP e US GAAP

  • 37

    5 CONCLUSES

    O objetivo geral desta pesquisa foi analisar as divergncias observadas entre os

    resultados apurados nas demonstraes financeiras da CST elaboradas com base

    nos critrios da Legislao Societria Brasileira (BR GAAP), Princpios Contbeis

    Geralmente Aceitos nos Estados Unidos da Amrica (US GAAP) e Normas

    Internacionais de Contabilidade (IFRS), atravs da anlise dos fatos contbeis

    causadores dessas divergncias e da conciliao dos mesmos.

    O mtodo de pesquisa adotado foi um estudo de caso emprico e um levantamento

    bibliogrfico, no qual buscou-se fundamentar os temas abordados e suas relaes

    com as prticas contbeis e os critrios de elaborao de demonstraes financeiras

    segundo o BR GAAP, US GAAP e IFRS.

    No decorrer do trabalho conclui-se que as distores observadas entre os resultados

    das demonstraes financeiras da CST referentes ao exerccio de 2003 esto

    relacionadas s diferenas entre as prticas contbeis adotadas pelo BR GAAP, US

    GAAP e IFRS e aos efeitos da converso de moeda (de real para dlar ou vice-

    versa) em funo das variaes das taxas de cmbio.

    As distores observadas entre os resultados obtidos pelo BR GAAP e IFRS

    aparentam ser numericamente pequenas por mero acaso. Isto ocorre quando da

    conciliao entre os acrscimos e redues nos resultados, que se equivalem,

    oriundos das diferenas de prticas contbeis entre estas metodologias e das

    remensuraes de valores bases monetrias equivalentes.

    As divergncias observadas entre os resultados em BR GAAP e US GAAP ocorrem

    tambm em funo das diferenas entre as prticas contbeis e converses de

    moeda, porm, na conciliao dos resultados no h equivalncia entre os

    acrscimos e redues, j que alguns critrios contbeis do US GAAP se diferem

    dos critrios adotados pelo IFRS, o que torna a disperso entre seus resultados e

    aqueles obtidos pelo BR GAAP bastante relevante. Os critrios contbeis adotados

    pelo US GAAP e IFRS, para os fatores analisados, so bastante similares, com

    exceo ao tratamento dado s questes referentes ao diferimento de impostos e ao

    reconhecimento de ganhos e perdas atuariais dos planos de penso.

  • 38

    No estudo pode-se observar ainda que boa parte das distores entre os resultados

    da CST em 2003 est associada converso de moeda. Tal fato se deve ao

    reconhecimento de perdas e ganhos pelo BR GAAP nos resultados do exerccio, ao

    contrrio dos critrios adotados pelas demais metodologias que atribuem estas

    diferenas ao patrimnio lquido.

    A partir das concluses tiradas nas anlises e interpretaes das informaes

    contbeis da CST foi possvel observar tambm que a grande questo a ser

    considerada para a evoluo dos estudos em relao harmonizao e

    padronizao das normas contbeis a nvel internacional o efeito dos diferentes

    aspectos econmicos de cada pas sobre a mensurao de valores, o que torna

    impossvel a aplicao de alguns critrios contbeis de forma padronizada na

    economia de muitos pases.

    O resultado da pesquisa foi limitado ao contedo das demonstraes financeiras

    publicadas pela CST em BR GAAP, US GAAP e IFRS referentes ao exerccio de

    2003. A dificuldade de acesso aos registros contbeis da empresa no permitiu uma

    avaliao e detalhamento mais minuciosos dos fatos contbeis relacionados aos

    itens destacados na anlise e interpretao das informaes.

  • 39

    REFERNCIAS

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  • 42

    ANEXOS

  • 43

    ANEXO A: BR GAAP Demonstraes Financeiras da CST 2003

  • 62

    ANEXO B: US GAAP Demonstraes Financeiras da CST 2003

  • 118

    ANEXO C: IFRS Demonstraes Financeiras da CST 2003

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