BOTNICA. MORFOLOGIA E DESCRiO FENOTPICA

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  • BOTNICA. MORFOLOGIA EDESCRiO FENOTPICA 2

    Pedra Luiz Scheeren'

    Ricardo Lima de Castro'

    Eduardo Caiero'

    Este captulo est dividido em duas partes. Na primeira,apresentam-se a classificao botnica do trigo, sua origem, suascaractersticas botnicas e fisiolgicas, alm de seus estdios dedesenvolvimento, e, na segunda, as instrues para a descrio denovos cultivares de trigo.

    Classificao BotnicaFamlia: Poaceae (= Gramineae)Subfamlia: Pooideae (= Festucoideae)

    Tribo: Triticeae Dumort. (= Hordeae)

    Subtribo: Triticinae

    Gnero: Triticum (Lineu, 1753)Espcie: Triticum aestivum (L.) THELL

    I Engenheiro-Agrnomo, Dr., Pesquisador da Embrapa Trigo. E-mail:pedro.scheeren@embrapa.br

    2 Engenheiro-Agrnomo, Dr., Pesquisador da Embrapa Trigo. E-mail:ricardo.castro@embrapa.br

    3 Engenheiro-Agrnomo, M.S., Pesquisador da Embrapa Trigo. E-mail:eduardo.caierao@embrapa.br

  • 36 Scheeren, Castro e Caiero

    Origem, nmero de cromossomos e genomas

    Acredita-se que o trigo [Triticum aestivum (L.) THELL], como conhecido hoje, seja originrio de gramneas silvestres que sedesenvolviam nas proximidades dos rios Tigre e Eufrates (sia), porvolta dos anos 10.000 a 15.000 a. C. Contudo, os primeiros registrosencontrados datam do ano 550 a. C., o que leva a concluir que a maioriadas caractersticas da planta so conhecidas h mais de 2.000 anos.

    A espcie Triticum aestivum L. hexaploide (2n = 42). Umahibridao natural entre um tetraploide (Triticum turgidum; 2n = 28)e uma gramnea selvagem (Aegilops squarrosa; 2n = 14) deuorigem ao T. aestivum e outros trigos hexaploides menosconhecidos (Figura 2.1).

    Tetrapodesln=./x=24

    Turgidumvaro durum

    ~ar.turgidumvar. polncum

    var. carthlicumgenomaAABB

    SELVAGENSCULTIVADOS

    CI casca Debulhalivre

    Figura 2.1 - Relaes evolutivas do trigo - Triticum.Fonte: FELDMAN, 1977, citado por FUNDAO CARGIL, 1982.

    Os trigos primitivos tinham espigas muito frgeis, que quebravamcom facilidade quando maduras. As sementes eram aderidas s partesflorais. Foram necessrios milhares de anos de seleo natural eartificial para chegar aos tipos de trigo cultivados atualmente (sculosXXeXXI).

  • Botnica, morfologia e descrio feno tpica 37

    No passado, cultivavam-se Triticum spelta, Triticum dicoccum,Triticum polonicum e Triticum turgidum, mas, atualmente, essas espciesso utilizadas apenas em estudos cientficos e, ocasionalmente, emmelhoramento e investigaes genticas.

    Caractersticas botnicas e fisiolgicas

    o trigo (Triticum sp.) apresenta caractersticas morfolgicasmuito semelhantes s dos demais cereais de inverno que tm a mesmafrnalidade de produo de gros (cevada, aveia, centeio e triticale). Aplanta de trigo estruturada em razes, colmo, folhas e inflorescncia(Figura 2.2).

    Espiga

    /---+- Folha bandeira

    Pednculo

    5 entren

    4 entren

    3 entren

    2 entren1 entren

    Figura 2.2 - Componentes da planta de trigo.

  • 38 Scheeren, Castro e Caiero

    Sistema radicular do trigo

    Trs grupos de razes formam o sistema radicular do trigo (Figura2.3 a, b e c): a) razes seminais; b) razes permanentes (coroa); e c)razes adventcias.

    As razes seminais, originadas diretamente da semente, soparticularmente importantes at o incio do estdio de afilhamento,pois tm como funo principal o estabelecimento da plntula.Inicialmente, a nutrio da planta obtida do endosperma da semente.Posteriormente, quando as razes seminais se tomam funcionais, osnutrientes e a gua provm do solo ao redor.

    Figura 2.3 - Sistema radicular da planta de trigo.

    Paralelamente ao desenvolvimento das razes seminais,desenvolve-se o coleptilo e, dentro dele, o mesoctilo ou entrensubcoronal. Na maioria das plantas, na profundidade de 1-2 em abaixoda superficie do solo formada a regio denominada coroa, de onde soemitidas as razes permanentes (cerca de 20 dias aps a emergncia).No princpio, o desenvolvimento dessas razes lento e passam peloestdio de alongamento. Por ocasio do espigamento, o sistemaradicular permanente est completamente formado. Eventualmente,surgem algumas razes adventcias acima da superficie do solo, apartir do primeiro e segundo ns da planta.

  • Botnica, morfologia e descrio fenotipica 39

    Folhaso desenvolvimento das folhas iniciado com a emisso de uma

    pseudofolha, denominada coleptilo. Esta estrutura tem a funo deproteger o desenvolvimento do mesoctilo, a regio da coroa e aemisso da plmula, que a primeira folha.

    As plantas de trigo tm, no fmal, 5 a 6 folhas, correspondendo aonmero de ns. Contudo, variaes de 3 a 8 so frequentes. Cada folha(Figura 2.4) composta pela bainha, lmina, lgula e um par deaurculas, normalmente pilosas, na base da lmina. A disposio dasfolhas alternada, formando ngulos de 1800 entre uma folha e outra,at a ltima (comumente chamada de folha bandeira).

    Tamanho, nmero, forma, posio, cerosidade e outrascaractersticas das folhas so fatores importantes para o rendimento degros e para a caracterizao dos cultivares de trigo.

    Figura 2.4 - Folha do trigo e detalhes.

    Colmo

    Colmo

    LgulaAurcula

    o colmo das plantas de trigo normalmente oco, cilndrico e comquatro a sete entrens (Figura 2.2). Os entrens tm comprimentovarivel, aumentando da base ao pice da planta at o pednculo, que a poro do colmo que vai do ltimo n at a base da espiga. A altura

  • 40 Scheeren, Castro e Caiero

    da planta varivel entre gentipos e para um mesmo gentipo emambientes diferentes.

    Na fase de afilhamento (ou perfilhamento), aproximadamente 15dias aps a germinao, so emitidos novos colmos denominados deafilhos (ou perfilhos) envolvidos em estruturas foliares denominadasprfilos (normalmente inseridas nos ns da coroa). Aps o afilhamento,o colmo se alonga rapidamente, pois, na base de cada entren, h umaregio de rpido crescimento, composta por tecido meristemtico.

    Por ocasio do enchimento dos gros, os nutrientes estocados nocolmo e nas folhas so muito importantes, porque grande parte delesso translocados para a espiga contribuindo para o enchimento de gros.

    InflorescnciaA inflorescncia do trigo uma espiga (Figura 2.5) composta,

    distica, formada por espiguetas alternadas e opostas no rquis. Hgrande variao em relao densidade, forma, ao comprimento e largura da espiga. Considerando esses aspectos, podem ser formadoscinco tipos bsicos de espiga: piramidal, oblonga, semiclavada, clavadae fusiforme (Figura 2.6).

    Cada espigueta constituda por flores (2 a 9) dispostasalternadamente e presas rquila. Normalmente, as flores superioresso estreis ou imperfeitas. Na base da espigueta esto duas brcteasque recebem o nome de glumas e que tm a funo de proteger asflores de cada espigueta. A forma, o tamanho e outras caractersticas dagluma so importantes botanicamente, pois auxiliam na diferenciaode cultivares. Cada flor formada por uma lema (com ou sem arista) euma plea, que so as estruturas de proteo da flor. Entre a lema e aplea, esto o gineceu, constitudo pelo ovrio, estilete e estigma(plumoso e bipartido), e o androceu, constitudo por trs estames (trsfiletes e trs anteras). Na antese, aps a fecundao, as flores seabrem e expulsam as anteras ( a chamada extruso das anteras). Apartir dessas estruturas, ocorre a formao dos gros.

  • Botnica, morfologia e descrio feno tpica 41

    \,

    Espiga

    ,/,

    Rquis

    Paleta -.:1>_"'"Ovrio

    ti-DenteOmbr QuilaGluma

    Flor

    Palea (3)Lema (2)

    Gluma(l)

    Flor estril (4)

    Palea (3)Lema (2)

    Gluma(l)

    Espigueta

    ,,~?,I1Q -:~-GrO'-V,. ,~Componentes da espiga

    Figura 2.5 - Espiga de trigo e seus componentes.

    Piramidal Oblonga

    Figura 2.6 - Principais formas da espiga do trigo.

    ClavadaSemiclavada Fusiforme

  • 42 Scheeren, Castro e Caiero

    o gro maduroo gro do trigo, chamado cariopse, pequeno (mede, em mdia,

    6-7 mm), seco e indeiscente. Forma-se apenas um gro a partir de cadaflor. O formato dos gros muito varivel, desde gros curtos earredondados at gros estreitos e compridos, o que causa diferenassignificativas no seu peso especfico. No trigo, o peso especfico medido e expressa na base de 100 litros e, por isso, conhecido como"peso hectoltrico" do trigo (ou PH do trigo). O rendimento de farinha,a qualidade panificativa e a quantidade de protena variamgeneticamente entre os cultivares e podem sofrer, tambm, a influnciado ambiente. Normalmente, o contedo de protena aproximadamente 12%, podendo variar de 6 a 20%. Tambm aqualidade tecnolgica de um cultivar, quando semeado em ambientes(regies tritcolas) diferentes, pode variar, inclusive, quanto aoenquadramento da classe comercial.

    Estdios de desenvolvimento

    Usualmente, os estdios de desenvolvimento mais conhecidos dotrigo so (por ordem cronolgica): plntula, afilhamento,alongamento, emborrachamento, espigamento, florescimento, groem estado leitoso, gro em massa, gro em maturao fisiolgica egro maduro. No entanto, em trabalhos cientficos, foram descritasdiversas escalas de desenvolvimento, sendo mais divulgadas a escalade Feekes (1940), modificada por Large (1954) (Figura 2.7 e Tabela2.1), e a de Zadoks, Chang e Konzac, de 1974 (Tabela 2.2).Comparando as duas, a escala de Feekes (1940) caracteriza osestdios de maneira mais geral. Por outro lado, a escala de Zadoks etal. proporciona uma viso mais detalhada de cada estdio, pois estdividida em 10 etapas e, cada uma, em 10 subetapas.Por isso, pelo seudetalhamento, a mais indicada para trabalhos que exigem maiorpreciso, como trabalhos em que analisada a reao a doenas. Acomparao entre as duas escalas apresentada na Tabela 2.3.

    A temperatura ideal para o pleno desenvolvimento do trigo em tomo de 20C; para o afilhamento, 15 a 20C; e para odesenvolvimento das folhas, entre 20 e 25C. Danos severos, por frioou por calor, podem ser causados ao trigo durante o estdio

  • Botnica, morfologia e descrio fenotipica 43

    reprodutivo, pois a temperatura tima para fertilizao de 18 a 24C.Danos de geada so observados quando a temperatura durante aflorao menor do que -1C. Durante a formao de gros,temperaturas menores do que _2C prejudicam o enchimento. Almdisso, baixas temperaturas tambm podem danificar as plantas detrigo nos pontos de rpida multiplicao celular durante a fase decrescimento, na regio logo acima dos ns, onde se concentra o tecidomeristemtico. Assim, nesses pontos suscetveis pode ocorrer"estrangulamento" e posterior necrose do colmo, causando a morte dostecidos acima.

    Figura 2.7 - Estdios de desenvolvimento de cereais conforme a escalade Feekes (1940).

  • 44 Scheeren, Castro e Caiero

    Tabela 2.1 - Estdios de desenvolvimento pela escala de Feekes (1940),modificada por Large (1954)

    Cdigo Estdio1.

    2.3.

    4.

    5.

    6.7.

    8.

    9.

    10.

    10.1.

    10.2.

    10.3.

    10.4.

    10.5.

    10.5.1.

    10.5.2.

    10.5.3.10.5.4.

    11.1.

    11.2.

    11.3.

    11.4.

    Plantas recm-emergidas, com uma ou mais folhas.

    Incio do afilhamento.

    Afilhos formados. Folhas frequentemente enroladas em espiral.Em algumas variedades de trigo, as plantas podem apresentarhbito prostrado.

    Incio do aparecimento do pseudocaule. Bainhas foliares comeama alongar-se.

    Pseudocaule (formado por bainhas foliares) fortementedesenvolvido.

    Primeiro n do colmo visvel na base da gema.

    Segundo n do colmo j formado.

    Folha bandeira visvel, mas ainda enrolada. Incio do periodo deemborrachamento.

    Lgula da folha bandeira j visvel.

    Bainha da folha bandeira completamente desenvolvida, mas asespigas ainda no so visveis.

    Primeiras espigas apenas visveis.

    Um quarto do processo de espigamento completo.

    Metade do processo completo.

    Trs quartos do processo de espigamento completo.

    Todas as espigas esto fora da bainha.

    Incio do florescimento.

    Florescimento completo na parte apical da espiga.

    Florescimento completo na parte basal da espiga.

    Final de florescimento, gro no estdio aquoso.

    Gros no estdio leitoso.

    Gros no estdio de massa (contedo macio e seco).

    Gros duros (dificeis de serem rompidos com a unha do polegar).

    Maturao de colheita. Palhas secas.

  • Botnica, morfologia e descrio fenotpica 45

    Tabela 2.2 - Escala decimal de desenvolvimento dos cereais segundoZadoks et al. (1974)

    Cdigo Estdio

    o00

    01

    02

    03

    0405

    06

    0708

    09110

    11121314

    151617

    1819

    220

    21

    22

    Germinao

    Semente seca

    Incio da embebio

    Embebio completa

    Emergncia da radcula da cariopse

    Coleptilo emergido

    Folha no pice do coleptilo ~ _ H _ _

    Crescimento da plntulaPrimeira folha atravs do coleptiloPrimeira folha aberta

    Duas folhas abertas

    Trs folhas abertasQuatro folhas abertasCinco folhas abertasSeis folhas abertas

    Sete folhas abertasOito folhas abertasNove ou mais folhas abertas

    AfilhamentoSomente o colmo principal

    Colmo principal e um afilho

    Colmo principal e dois afilhosContinua ...

  • 46 Scheeren, Castro e Caiero

    Tabela 2.2 - Cont.

    Cdigo Estdio

    23 Colmo principal e trs afilbos

    24 Colmo principal e quatro afilbos

    25 Colmo principal e cinco afilbos

    26 Colmo principal e seis afilbos

    27 Colmo principal e sete afilbos

    28 Colmo principal e oito afilhos

    29 Colmo principal e nove ou mais afilhos, _- _ .

    3 Alongamento30 Pseudocolmo ereto

    31 Primeiro n visvel

    32 Segundo n visvel

    33 Terceiro n visvel

    34 Quarto n visvel

    35 Quinto n visvel

    36 Sexto n visvel

    37 Folha bandeira recm-visvel

    38

    39 Lgula da folha bandeira recm-visvel _ _-_ _ __ _ - - __ _ H

    4 Emborrachamento40

    41 Bainha da folha bandeira em extenso

    42

    43 Incio do emborracbamento

    44

    45 Emborracbamento completo

    46Continua ...

  • Botnica, morfologia e descrio feno tpica 47

    Tabela 2.2 - Cont.

    Cdigo Estdio

    47 Abertura da bainha da folha bandeira

    48

    49550

    51

    52

    5354

    55

    56

    57

    58

    59

    66061

    6263

    6465

    66

    676869

    Primeiras aristas visveis

    Emergncia da inflorescnciaPrimeira espigueta da inflorescncia recm-visvel

    Um quarto das inflorescncias emergidas

    Metade das inflorescncias emergi das

    Trs quartos das inflorescncias emergidas

    Emergncia completa da inflorescncia

    AnteseIncio da antese

    Metade da antese completa

    Antese completa

    Continua ...

  • 48 Scheeren, Castro e Caiero

    Tabela 2.2 - Cont.

    Cdigo Estdio

    7 Desenvolvimentodo gro leitoso7071

    72

    73

    7475

    7677

    78

    79............................... _ _ .._ - __ - _ .._ _ ..- -8 Desenvolvimento do gro em massa80818283

    84

    85

    8687

    88

    89......................... -

    99091

    92

    Cariopse aquosa

    Incio do estado leitoso

    Estado leitoso

    Final do estado leitoso

    Incio do estado de massa

    Estado de massa mole

    Estado de massa dura

    ........... _- ......... _- ....._.-Maturao

    Cariopse dura (dificil dividir com a unha)

    Cariopse dura (no pode ser dividida com a unha)Continua ...

  • Botnica, morfologia e descrio feno tpica 49

    Tabela 2.2 - Cont.

    Cdigo Estdio

    93 Cariopse soltando-se durante o dia

    94 Sobre maturao, palha seca e quebradia

    95 Semente dormente

    96 Semente vivel com 50% de germinao

    97 Semente no dormente

    98 Dormncia secundria induzida

    99 Dormncia secundria perdida

    Tabela 2.3 - Estdios de desenvolvimento pela escala de Feekes eLarge (1954) e seu valor correspondente na escala deZadoks et al. (1974)

    Escala de Feekes e Large Escala de Zadoks et al.

    Estdio 1

    Estdio 2

    Estdio 3

    Estdio 4 e 5

    Estdio 6

    Estdio 7

    Estdio 8

    Estdio 9

    Estdio 10Estdio 10.1

    Estdio 10.2

    Estdio 10.3

    Estdio 10.4

    Estdio 10.5

    Estdios 10 e 11

    Estdios 20 e 21

    Estdios 22 a 29

    Estdio 30

    Estdio 31

    Estdio 32

    Estdio 37

    Estdio 39

    Estdios 43 a 45

    Estdios 50 e 51

    Estdios 52 e 53

    Estdios 54 e 55

    Estdios 56 e 57

    Estdios 58 e 59Continua ...

  • 50 Scheeren, Castro e Caiero

    Tabela 2.3 - Cont.

    Escala de Feekes e Large Escala de Zadoks et al.Estdio 10.5.1Estdio 10.5.2Estdio 10.5.3Estdio 10.5.4Estdio 11.1Estdio 11.2Estdio 11.3Estdio 11.4

    Estdios 60 e 61Estdios 64 e 65Estdios 68 e 69

    Estdio 71Estdios 73 a 77Estdios 83 a 87

    Estdio 91Estdio 92

    Descritores para Registro e Proteo deCultivares de Trigo (Triticum spp.)

    Introduo

    As normas oficiais completas para registro, proteo ecomercializao de sementes de novos cultivares de trigo geradaspelos obtentores esto descritas no site do Ministrio daAgricultura, Pecuria e Abastecimento (MAPA),http://www.agricultura.gov.br/vegetal/registros-autorizacoes/registro/registro-nacional-cultivares e em http://www.agricultura.gov.br/vegetal/registros-autorizacoes/protecao-cultivares/jormularios-protecao-cultivares. Para registro e proteo de cultivares so importantes asinformaes botnicas do cultivar. Alm da descrio dascaractersticas vegetativas, morfolgicas e agronmicas, devem serinformadas, a entidade responsvel pela proposta de recomendao e,ou, criao do cultivar; o cruzamento e a genealogia, o histrico deseleo com resumo da metodologia utilizada na obteno do cultivar;a reao a doenas; as caractersticas de qualidade tecnolgica; e orendimento de gros obtido nos ensaios de Valor de Cultivo e Usopara indicao e recomendao comercial do cultivar.

  • Botnica, morfologia e descrio feno tpica 51

    Descritores mnimos de trigo

    Para a descrio das caractersticas morfolgicas e biolgicas,as linhagens ou os cultivares devem ser observados onde h cultivo nadensidade de semeadura indicada pela pesquisa, com tratamentofitossanitrio (aplicao de fungicidas e inseticidas) e outras prticascomuns na regio, para que a planta expresse o seu potencial gentico.Assim procedendo, a descrio do novo cultivar corresponder suareal expresso fenotpica para determinado ambiente, facilitandoidentificaes e comparaes em caso de dvida sobre a identidade domaterial. Alm disso, sempre que possvel, as observaes devem serrepetidas em anos diferentes (no mnimo dois anos), com, no mnimo,2.000 plantas, divididas em duas ou mais repeties em cada ano. Asplantas atpicas (fora do padro descrito para o cultivar) devem serdescritas e contadas, estabelecendo qual o ndice percentual mximode ocorrncia, o qual deve ser conferido com a porcentagem deplantas atpicas permitida em cada categoria de sementes, conformeInstruo Normativa n 45, de 17 de setembro de 2013, do DirioOficial da Unio (DOU). Exemplo: em um lote de semente bsica,devem ser avaliadas seis subamostras de 1.000 plantas, formando umaamostra completa de 6.000 plantas, com no mximo trs plantasatpicas de ciclos semelhantes, sem plantas atpicas de ciclosdiferentes.

    A seguir, so apresentadas as principais caractersticas para adescrio de um cultivar de trigo (conforme os descritores mnimos detrigo publicados no Dirio Oficial da Unio, de 16 de julho de 1998,em vigor em fevereiro de 2014).

    Descritores morfolgicos - planta

    - Hbito vegetativo da planta: identificado no InICIOdoafilhamento com densidade de semeadura normal; pode ser ereto,serniereto, intermedirio, serniprostrado e prostrado.

    - Altura mdia da planta: deve ser verificada aps as plantasalcanarem a altura mxima, ou seja, aproximadamente 30 dias depoisdo espigamento. A classificao feita em comparao comcultivares-padro, considerando a altura mdia das plantas desde o

  • 52 Scheeren, Castro e Caiero

    solo at o pice das espigas, excluindo as aristas. A planta pode sermuito baixa, baixa, mdia, alta, muito alta.

    Descritores morfolgicos - folha

    As avaliaes devem ser feitas no incio do espigamento.

    - Posio da lmina da folha bandeira em relao ao colmo:ereta, intermediria, pendente.

    - Cerosidade da bainha da folha bandeira: ausente, fraca, forte.

    - Colorao das aurculas (observar a cor predominante noespigamento): incolor; pouco colorida; colorida; heterognea.

    Descritores morfolgicos - colmo

    As avaliaes devem ser feitas em plantas no estdio dematurao.

    - Forma do n superior: largo, quadrado, comprido.

    - Cerosidade do pednculo: ausente, fraca, forte.

    - Espessura das paredes do colmo: delgada, mdia, espessa.

    - Dimetro do colmo: fino, mdio, grosso.

    Descritores morfolgicos - espiga

    As avaliaes devem ser feitas em plantas no estdio dematurao.

    - Forma da espiga: piramidal, oblonga, semiclavada, clavada,fusiforme.

    - Comprimento da espiga: curta 75 mm), semicurta (2: 75 mme < 85 mm), serni-longa (2:85 mm e < 95 mm), longa (2:95 mm).

    - Densidade da espiga: laxa, semilaxa, semidensa, densa.

    - Arista: mtica, apical, aristada.

    - Colorao da espiga: clara, escura, outra.

  • Botnica, morfologia e descrio feno tpica 53

    Descritores morfolgicos - gluma

    As avaliaes devem ser feitas sempre na gluma superior dastima espigueta, contando-se as espiguetas frteis a partir da base,considerando os dois lados da espiga.

    - Pilosidade da gluma: glabra (ausente), pilosa (presente).

    - Comprimento da gluma: curta 7 mm), mdia (~ 7 mm e< 9 mm), longa (~ 9 mm).

    - Largura da gluma: estreita 3 mm), mdia (~ 3 mm e< 4 mm), larga (~ 4 mm).

    - Forma do ombro da gluma: inclinado, reto, elevado.

    - Comprimento do dente: curto 3 mm), mdio (~ 3 mm e< 7 mm), longo (~ 7 mm).

    Descritores morfolgicos - gro

    As avaliaes devem ser feitas em amostras de, no mnimo,100 gros primrios, maduros, do tero mdio das espigas.

    - Forma do gro: ovalado, alongado, truncado.

    - Comprimento do gro: curto 6 mm), mdio (~ 6 mm e< 7 mm), longo (~ 7 mm).

    - Colorao do gro: branco, vermelho, outros.

    - Textura do gro: mole, semiduro, duro.

    Descritores biolgicos

    - Grupo bioclimtico: trigo de primavera; trigo de inverno,trigo alternativo.

    - Subperodo dias da emergncia do espigamento (quando50% das espigas esto visveis): superprecoce, precoce, mdio, tardio,supertardio.

    - Ciclo em dias da emergncia maturao: superprecoce,precoce, mdio, tardio, supertardio.

  • 54 Scheeren, Castro e Caiero

    - Crestamento (suscetibilidade da planta ao alumnio txico dosolo) suscetvel, moderadamente suscetvel, moderadamenteresistente, resistente.

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