borboletas ameaçadas de extinção em mg 1998

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  • BORBOLETAS (LEPIDOPTERA) AMEAADAS DE EXTINO EM MINAS GERAIS, BRASIL 1

    Mirna M. Casagrande 2 Olaf H.H. Mielke 2

    Keith S. Brown Jr. 3

    ABSTRACT. BUTTERFLlES (LEPIDOPTERA) CONSIDERED AS THR EATENED lN MINAS GERAI S, BRAZIL. The twenty species ofbutterflies (diurnal Lepidoptera) considered as threatened in the Minas Gerais (by statute) are described and di scussed in relation to di stribution, appearance and known records. KEY WORDS. Lepidoptera, butterflies threatened, Brazil

    o presente trabalho visa ilustrar as espcies includas na "Lista de espcies ameaadas de extino do Estado de Minas Gerais" publicada pela COPAM (Conselho Estadual de Poltica Ambiental) (MINAS GERAIS 1996). Detalhes com informaes ecolgicas sero includos no "Livro vermelho das espcies ameaadas do estado de Minas Gerais" a ser editado pela Fundao Biodiversitas.

    As borboletas pertencem ordem Lepidoptera que compreende aproxima-damente 150.000 espcies conhecidas, das quais 19.000 so borboletas (HEPPNER 1991), sendo que no Brasil devem ocorrer ao todo 40.000 espcies, das quais 3.300 espcies de borboletas (BROWN I 996a,b). As borboletas so quase todas diurnas, com algumas poucas excees (Hesperiidae, Lycaenidae e Nymphalidae: Satyrinae) e se diferenciam das mariposas pelas antenas clavadas e nunca terem um frnulo no ngulo umeral da asa posterior acoplado ao retinculo na face ventral da asa anterior (uma s exceo na Austrlia com frnulo - Euschemon rajjl.esia Macleay, 1827, Hesperiidae). As borboletas so mais bem conhecidas que as mariposas e possvel reconhecer algumas espcies como consideradas ameaadas de extino, na maioria dos casos por destruio do seu habitat tpico pelo avano dos sistemas antrpicos que j substituiram mais de 90% dos sistemas naturais e 95% da Floresta Atlntica no estado de Minas Gerais. Tais destruies quase sempre eliminam boa parte das plantas utilizadas como alimento pelas lagartas das borboletas, ou mesmo as flores ou a vegetao preferidas pelos adultos, levando certas espcies de distribuio geogrfica muito restrita, rara ou muito especializadas, a desaparecerem.

    1) Contribuio nmero 1050 do Departamento de Zoologia. Universidade Federal do Paran. 2) Departamento de Zoologia . Universidade Federal do Paran . Caixa Postal 19020.

    81531-990 Curitiba . Paran . Brasil. Bolsista do CNPq. 3) Departamento de Zoologia. Instituto de Biologia. Universidade Estadual de Campinas.

    Caixa postal 6109. 13083-970 Campinas. So Paulo. Brasil.

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  • 242 CASAGRANDE et aI.

    Vinte destas borboletas, entre as mais raras das mais de 1.600 espcies conhecidas em Minas Gerais, foram includas nesta lista, de forma a abranger os principais sistemas de vegetao e climas (biomas) existentes no estado. So sete espcies de Floresta Atlntica pereneflia ou semidecidual de plancie e terras onduladas (principalmente nos vales mdios dos Rios Doce, Mucuri, Muria e Pomba) - Arawacus aethesa, Hypoleriafallens, Heliconius nattereri, Moschoneura methymna, Dasyophthalma verlebralis, Hyalyris fiammetta e Hyalyris leptalina, sete de matas mais frias em altitudes maiores (tambm no bioma da Floresta Atlntica) - Charonias theano, Ortilia polinella, Callicore hydarnis, Dasyophthal-ma geraensis, Prepona deiphile, Tithorea harmonia caissara e Cyanophrys bertha, duas de campos rupestres (refgios de grandes altitudes) - Orobrassolis ornamen-lalis e Nirodia belphegor, e quatro do bioma dos Cerrados (sendo duas de matas ciliares - Parides burchellanus e Parides panthonus jaguarae, uma de matas de cabeceira - Agrias claudina godmani, e uma de cerrado arbustivo - Magnasligma julia). Trs destas espcies no so vistas h mais de 50 anos nas localidades outrora conhecidas - Parides panlhonus jaguarae, Hyalyris fiammetta e Dasyophthalma vertebralis. Se no forem encontradas em outros lugares nos prximos anos pode-riam ser consideradas extintas em Minas Gerais (todas eram conhecidas tambm de estados vizinhos onde existem habitats tpicos preservados, ainda no inventaria-dos) .

    De fato h poucos estudos da fauna de Lepidoptera de Minas Gerais; os mais completos so listas publicadas por HAMBLETON & FORBES (1935; mariposas), BROWN & MIELKE (1967a,b; 1968; borboletas da regio dos cerrados e Belo Horizonte), ZIKN & ZIKN (1968, borboletas da regio do Itatiaia), EBERT (1969; borboletas de Poos de Caldas) e BROWN (I 972a; borboletas de diversos lugares) . Muitos estudos ainda so necessrios para elucidar os aspectos ecolgicos das espcies mencionadas a seguir (FORTUNA TO & RUSZCZYK 1997).

    Catorze espcies foram, aps examinao criteriosa dos dados e discusso, foram excludas desta lista, ou de outras listas de espcies ameaadas (BERNARDES el. aI. 1990; BROWN 1991, 1993, I 996a,b; CASAGRANDE & MIELKE 1993, 1995) por uma de duas razes: (1) no so seguramente reconhecidas em Minas Gerais -Heraclides himeros himeros (Hopffer, 1865) - Papilionidae, Papilioninae; Hespe-rocharis emeris (Boisduval, 1836) (= calasticla Rber, 1909), Pyrrhybris flava Oberthr, 1896 - Pieridae, Pierinae; Melinaea mnasias lhera C. Felder & R. Felder, 1865 - Nymphalidae, Ithomiinae e Doxocopa zalmunna (Butler, 1869) - Nympha-lidae, Apaturinae; ou (2) as populaes em Minas Gerais so vigorosas e protegidas - Cunizza hirlanda planasia Fruhstorfer, 1910 - Pieridae, Pierinae; Doxocopa laurona (Schaus, 1902) - Nymphalidae, Apaturinae; Ac/inole morio Oberthr, 1917, Actinote quadra Schaus, 1902 - Nympha1idae, Heliconiinae; Arcas ducalis (Westwood, 1851) - Lycaenidae, Theclinae; A lesa prema (Godart, 1824), Eucorna sanarita Schaus, 1902, Synargis ethelinda (Hewitson, 1870, Mesenopsis albivitta (Lathy, 1904) - Riodinidae, Riodininae. Em contrapartida, diversas espcies no contempladas na "Lista Oficial do lBAMA" ou de seu "Anexo" (espcies em estudo) (BERNARDES et.a!. 1990) foram includas na lista do estado de Minas Gerais por serem de interesse especial para a proteo nesta unidade da federao (Cyanophrys

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  • Borboletas (Lepidoptera) ameaadas de extino ... 243

    bertha, Magnastigma julia, Ortilia polinella) . Inevitavelmente esta lista estadual necessitar de uma reviso, provavelmente para acrescentar espcies a medida que os estudos lepidopterolgicos se tomarem mais consistentes, e o estudo das espcies mais raras, ou restritas, em seu habitat seja feito.

    ESPCIES INCLUDAS NA LISTA

    Parides burchellanus (Westwood, 1872) Papilioninae, Papilionidae

    Fig . 1

    Situao no Brasil definida pelo IBAMA (Portaria 1522/89): no consta da portaria.

    Situao em Minas Gerais (deliberao COPAM 041-95): ameaada, em perigo. Distribuio em Minas Gerais: transio entre os biomas Cerrado e Floresta

    Atlntica. Carmo do Rio Claro, Matozinhos (Fazenda Jaguara), regio de Uberaba (Farinha Podre, localidade do tipo).

    Ocorrncia em outros Estados: Distrito Federal (Braslia), Gois e So Paulo. Parides burchellanlls uma borboleta grande (asa anterior 45mm) de asas

    negras com cinco a seis manchas pequenas, submarginais, ovaladas e vermelhas na asa posterior; escova androconial do macho na margem interna da asa posterior de um pardo acinzentado e franjas da margem externa da asa posterior brancas.

    Parides panthonus jaguarae (Foetterle, 1902) Papilioninae, Papilionidae

    Fig . 2

    Situao no Brasil definida pelo IBAMA (Portaria 1522/89): no consta da portaria.

    Situao em Minas Gerais (deliberao COPAM 041-95): ameaada, critica-mente em perigo.

    Distribuio em Minas Gerais: transio entre os biomas Floresta Atlntica e Cerrado, a norte de Belo Horizonte. Matozinhos (Fazenda Jaguara, maro: FOETTERLE 1902).

    Ocorrncia em outros Estados: So Paulo (Batatais, Casabranca). Parides panthonusjaguarae uma borboleta grande (asa anterior 45mm) de

    asas negras e com cinco a sete manchas pequenas, submarginais, romboidais e vermelhas na asa posterior; escova androconial do macho na margem interna da asa posterior de um pardo acinzentado e franjas da margem externa da asa posterior rosas . A subespcie muito semelhante Parides burchellanus, anteriormente mencionada, da qual se diferencia pela cor das franjas, entre as veias, e pela forma dos pontos vermelhos normalmente mais romboidais em jaguarae (TYLER et aI. 1994), enquanto so mais ovalados em burchellanus; carter mais facilmente observvel na face ventral da asa.

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  • 244 CASAGRANDE et ai.

    Figs 1-2. (1) Parides burchellanus; (2) Parides panthonusjaguarae. Machos dorsal (d) e ventral (v).

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  • Borboletas (Lepidoptera) ameaadas de extino ...

    Charonias theano (Boisduval, 1836) Pierinae, Pieridae

    Figs 3, 4

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    Situao no Brasil definida pelo lBAMA (Portaria 1522/89): no consta da portaria.

    Situao em Minas Gerais (deliberao COPAM 041-95): ameaada, critica-mente em perigo .

    Distribuio em Minas Gerais: mata estacionai semidecidual de altitude da Floresta Atlntica. Poos de Caldas (EBERT 1969), Cambuquira, Passa Quatro (ZIKN & ZIKN 1968), Caxambu e Coneio dos Ouros.

    Ocorrncia em outros Estados: So Paulo (Amparo, Guarulhos - Serra da Cantareira, Avar), Paran (Candido de Abreu, Ponta Grossa) e Santa Catarina (Joinville) (CASAGRANDE & MIELKE 1993, 1995).

    Charonias theano uma borboleta de tamanho mdio (asa anterior 27mm no macho e 30mm na fmea) e de asas alongadas. O dimorfismo sexual acentuado, sendo que o macho possui as asas negras, na face dorsal da asa anterior com manchas brancas, semidifusas, no limite distal da clula discai , no centro da asa, acima e abaixo da veia 2A e trs ou quatro manchas apicais; na face dorsal da asa posterior com manchas semelhantes na clula discai , na base do espao entre as veias M1-M2 e M2-M3 e na rea anal; na face ventral da asa anterior co