boletim salesiano n.º 536

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Edição n.º 536 de janeiro/fevereiro de 2013 da Revista da Família Salesiana. Propriedade da Província Portuguesa da Sociedade Salesiana

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  • A REVISTA DA FAMLIA SALESIANA

    JANEIRo/ FEVEREIRo 2013

    536

    Janeiro, ms de D. Bosco !No dia 31 de janeiro a Igreja comemora a Solenidade de S. Joo Bosco, fundador dos Salesianos, Pai e Mestre da Juventude.

  • o Boletim Salesiano

    foi fundado por Dom Bosco a 6 de fevereiro

    de 1877. Hoje so

    publicadas em todo o mundo 51 edies em

    diversas lnguas, com tiragem anual

    estimada em mais de 8,5

    milhes de exemplares no

    total.

    Acordo ortogrfico: os

    artigos publicados respeitam o

    novo Acordo ortogrfico

    FICHA TCNICAn. 536 - janeiro/fevereiro 2013Revista da Famlia SalesianaPublicao BimestralRegisto na DGCS n. 100311Depsito Legal 810/94Empresa Editorial n. 202574Diretor: Joaquim Antunes Conselho de Redao: Ana Carvalho, Baslio Gon-alves, Joo de Brito Carvalho, Joaquim Antunes, Pedrosa Ferreira, Raquel Fragata, Simo CruzAdministrador: Orlando Camacho

    Propriedade e edio:Provncia Portuguesa da SociedadeSalesiana, Corporao Missionria Direo e Administrao:Rua Saraiva de Carvalho, 2751399-020 LisboaTel.: 21 090 06 00, Fax: 21 396 64 72boletim.salesiano@salesianos.ptwww.salesianos.pt Contribuio mnima anual de benfeitor: 10 eurosMembro da Associao de Imprensa de Inspirao Crist

    Colaboradores: Ana Carvalho, Antnio Bago Flix, Artur Pereira, Baslio Gonalves, Fernanda Afonso, Jernimo Rocha Monteiro, Joo Ramalho, Joaquim Antunes, Joaquim Raposo, Jos Anbal Mendona, Luciano Miguel, Marcos Gonalves, Maria Gentil Vaz, Miguel Mendes, Nuno Quaresma, Orlando Camacho, Pascoal Chvez, Salom Fonse-ca, Slvio Monteiro, Tiago Bettencourt Execuo grfica: Invulgar Graphic

    8 ENTREvISTA

    Pe. Artur Pereira: Os salesianos so filhos de um grande sonhador

    3 EDITORIAl4 REITOR-MOR/OlHARES6 IgREjA/DESCORTINAR14 EM FOCO

    J passou mais de ano e meio da sua nomeao pelo Reitor-Mor, Pe. Pascoal Chvez, para dirigir a Provncia Portuguesa. o entusiasmo, a alegria, a f e a confiana nas foras, no querer e na boa vontade da maioria dos salesianos, leigos e demais Famlia Salesiana uma constante que percorre transver-salmente toda a entrevista. E tudo, no seu dizer, para bem dos jovens, por-o eleita do corao de Dom Bosco.

    30 FuTuROS Emprego, um conceito com fim vista Crnica de Tiago Bettencourt

    30 A FECHAR Dom Bosco mensageiro da alegriaCrnica de Maria Gentil Pontes Vaz

    20 OPINIO Ainda a solidariedade Antnio Bago Flix

    16 DA vIDA DE D. BOSCO18 ECONOMIA22 MISSES23 FMA

    24 PASTORAl juvENIl 26 FAMlIA SAlESIANA28 MuNDO SAlESIANO31 vOCACIONAl

    JANEIRO/ FEVEREIRO 2013

    536

  • - No janto. (Arranja-se, perfuma-se, embeleza-se para sair.)

    - Onde vais?- Vou sair.- Com quem?- Com amigos; os do costume; algum novo- O que vo fazer?- No sei! Como que posso saber agora?!

    Decidimos depois!- Quando voltas?- No sei! Ainda agora estou a sair!

    No dia seguinte:

    - Ontem noite divertiste-te? Correu tudo bem?

    - Sim!- O que que fizeram?- Nada de especial.- Por onde que andaste?- No me lembro. Levaram-me ao Bairro

    Alto- Quem que l estava?- Quase todos!... V boa noite.Desaparece num pice, em direo ao

    quarto, com o telemvel a chamar.

    Grande dilogo! Magnfica partilha de ideias, de informaes! Profunda conversa familiar! Uma satisfao impagvel!

    E no entanto no se podem deixar os filhos deriva, guiados apenas pelas suas motivaes, interesses, inclinaes e gostos. imperioso abandonar o cetro do pai patro e revestir- -se das vestes de pai e me misericordiosos e generosos, de servidores humildes e atentos.

    Razo tinha Dom Bosco ao dizer: No basta amar. preciso mostrar que se ama.

    Dilogo pobre talvez! (im)possvel tambm!

    Mas presena e interesse manifestados. E isso tudo.

    Era assim que Dom Bosco fazia. E s assim o milagre educativo pode acontecer.

    Dilogo (im)possvel!

    Editorial

    JoAQUIM ANTUNES DIretor

    3

  • no momento da colheita do trigo ou depois da vindima, um Deus gran-de, que admirava olhando para as estrelas noite.

    Pensemos!

    os nossos velhos pronunciavam este verbo em piemonts (ragionia-mo!); e quanta sabedoria eu desco-bria nesta palavra. Era usada para dialogar, explicar-se, chegar a uma deciso comum, tomada sem que algum quisesse impor o seu pr-prio ponto de vista. Depois, farei do termo razo uma das traves-mes-tras do meu mtodo educativo. A palavra razo ser, para mim, sin-nimo de dilogo, acolhimento, con-fiana, compreenso; ser transfor-mada numa atitude de busca para que no haja rivalidade entre edu-cadores e jovens, mas to somente amizade e estima recproca. Para mim, o jovem jamais ser um sujei-to passivo, um simples executor de ordens. Nos meus contactos com os jovens, nunca farei de conta que estou a escutar; escut-los-ei real-mente, discutirei os pontos de vista deles, as suas razes.

    O gosto de trabalhar em conjunto

    Por muitos anos, fui protagonis-ta absoluto entre os meus colegas:

    vens, sempre fui um verdadeiro pai, com gestos concretos de amor sere-no, alegre e contagiante. Eu amava os meus jovens e dava-lhes provas concretas desse afeto, entregando--me completamente causa deles. No aprendi nos livros esse amor forte e viril; herdei-o de minha me e estou-lhe grato por isso.

    O trabalho

    Minha me era a primeira a dar--nos o exemplo Mais tarde, eu gos-tava de insistir: Quem no se habi-tua ao trabalho na juventude, ser sempre preguioso at velhice. Na conversa familiar que tinha com meus jovens depois do jantar e das oraes da noite (a clebre boa--noite), eu insistia que O paraso no feito para os preguiosos.

    O sentido de Deus

    Minha me condensara o catecis-mo inteiro numa frase que repetia a cada instante: Deus v-te!. Eu, na escola de uma catequista completa como era a minha me, cresci sob o olhar de Deus. No um Deus-polcia, frio e implacvel, que me apanha-va em flagrante; mas um Deus bom e providente, que eu descobria no suceder-se das estaes e a quem aprendia a conhecer e a agradecer

    Dom Bosco apresenta-se: falando de mim e da minha histria, devo comear pelos primeiros anos de vida. Anos belos e difceis, anos nos quais aprendi a ser jovem e homem.

    Posso dizer-te com muita sim-plicidade: aquele Dom Bosco que, talvez, j conheas em parte, o Dom Bosco que um dia ser padre, edu-cador e amigo dos jovens aprendeu de muitas coisas que lhe acontece-ram precisamente nos primeiros anos.

    Apresento-te os valores que res-pirei, que aprendi a viver e, mais tarde, transmiti como herana aos meus salesianos. Com o passar dos anos, sero as bases da minha pe-dagogia.

    A presena da me

    Me Margarida tinha apenas 29 anos quando meu pai morreu, v-tima de uma terrvel pneumonia que em poucos dias lhe ceifou a vida. Mulher enrgica e corajosa, no ficou a lamentar-se; arregaou as mangas e assumiu o seu duplo papel. Calma e decidida, fez as ve-zes de pai e de me. Muitos anos depois, feito padre para os jovens, poderei afirmar como fruto da experincia concreta: A primeira felicidade de um jovem saber que amado. Por isso, com os meus jo-

    o Pe. Pascoal Chvez escreve uma fico literria

    assumindo a voz de Dom Bosco a narrar a sua vida.

    Aprendamos com tudo o que nos acontece

    REIToR-MoR

    PASCoAL CHVEz reItor-Mor DoS SaleSIaNoS De DoM BoSco

    4

    BoletIM SaleSIaNojan/fev 2013

  • penso nas primeiras experincias como saltimbanco nos Becchi, naquelas esplndidas tardes de domingo; penso na popularidade adquirida entre os meus colegas de escola em Chieri, a ponto de numa pgina autobiogrfica eu poder afir-mar que era venerado pelos meus colegas como capito de um peque-no exrcito. Mas, depois, compre-endi que o protagonismo era de todos. Surgiu, ento, a Sociedade da Alegria, um grupo simptico de estudantes no qual todos atuavam em p de igualdade. o Regulamen-to era constitudo por trs brevssi-mos artigos: estar sempre alegres, cumprir bem os prprios deveres, evitar tudo que no fosse digno de um bom cristo. Mais tarde, surgi-ro as Companhias, grupos juvenis, verdadeiros laboratrios de apos-tolado e santidade ao alcance de to-dos. Dizia que elas eram coisa de jo-vens para favorecer a sua iniciativa e dar espao criatividade natural.

    O prazer de estar juntos

    Eu queria que os educadores, jo-vens ou idosos que fossem, estives-sem sempre no meio dos jovens, como pais amorosos. No por des-confiana em relao a eles, mas justamente para caminhar com eles, construir e participar com eles. Chegarei a dizer com ntima alegria: Entre vs, sinto-me bem. A minha vida mesmo estar convosco.

    Nos nossos tempos o que mais fcil: falar da alegria ou do descontentamento que de uma forma quase natural se impe? At parece que, se porventura algum quiser afirmar a sua alegria e a esperana num mundo melhor, tomado como estranho, raro, um luntico ou ento nem sequer levado a srio!

    Mas possvel encontrar pessoas que fazem da alegria o seu estado normal de vida, mesmo no meio das dificuldades; da esperana, o alimento dos seus projetos; e da solicitude para com os outros, a expresso da sua grandeza de alma. que, a alegria fruto da luz que inunda o corao e faz ler dentro das situaes, dos acontecimentos, das pessoas; a esperana, uma verdadeira certeza de que j se tem aquilo que ainda se espera; e a solicitude, a conscincia de que a transformao social do mundo em que vivemos depende de quem souber reconhecer a beleza interior dos outros e, ao mesmo tempo, desenvolver com entusiasmo e grande sentido de responsabilidade social as suas prprias qualidades.

    Quem trabalha diariamente e, de corao aberto, acolhe o outro como irmo, no uma testemunha da alegria? Quem v o positivo que as situaes encerram, no d testemunho da alegria? Quem, com otimismo, faz emergir de cada pessoa aquilo que ela tem de melhor, como expresso da sua generosidade, do seu trabalho, do