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Boletim orcamento 2

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  • Publicao do Instituto de Estudos Socioeconmicos - Inesc Ano I n 2 novembro de 2002

    Novo governo,velhos cortes

    O projeto de Lei Oramentria Anual para2003, em discusso no Congresso, no dmargem dvida: o novo governo enfrentardificuldade para executar as polticas pblicasreclamadas pela sociedade brasileira.O PLOA, que tem a funo de projetar areceita e fixar a despesa da Unio, prev parao ano que vem a reduo dos gastos pblicossociais - como por exemplo, nas reas desade, educao, saneamento e habitao. Ocorte no oramento ocorre para que o governopossa honrar os compromissos assumidos juntoao FMI, especialmente a gerao de supervitprimrio.O momento exige mobilizao. O Inesc, emparceria com mais 27 entidades da sociedadecivil, criou recentemente o Frum Brasil deOramento: um espao para a discusso sobreo controle social do oramento federal. Jest na pauta de debate o plano plurianualpara o perodo de 2004 a 2007. Suaelaborao ser no prximo ano, mas j hora de apresentar as emendas ao Congresso.Uma oportunidade para que cada setor seesforce no sentido de incluir suas demandasno futuro plano de governo!

    Iara PietricovskyColegiado de gesto

    O

    E D I T O R I A LO projeto de LeiOramentria e o acordocom o FMI

    Dois documentos importantes foram encaminha-dos por autoridades pblicas brasileiras no ltimodia 29 de agosto. De um lado, o presidenteFernando Henrique Cardoso enviava ao Congresso Nacional amensagem presidencial n 764, solicitando a apreciao do pro-jeto de Lei Oramentria Anual para 2003. De outro, foi enca-minhada carta assinada pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan,e pelo presidente do Banco Central do Brasil, Armnio Fraga,ao Fundo Monetrio Internacional, tendo como anexos o Me-morando de Poltica Econmica e o Memorando Tcnico deEntendimentos, que justificavam e estabeleciam parmetros paraum acordo stand-by no valor de US$ 30 bilhes.

    A Lei Oramentria Anual o instrumento onde se esti-ma a receita e fixa a despesa da Unio para o exerccio finan-ceiro do ano seguinte. elaborada tendo como referncia oPlano Plurianual e a Lei de Diretrizes Oramentrias -LDO.Desde o acordo com o Fundo, em 1998, o governo federalvem desenvolvendo uma poltica de propor medidas pre-vistas no acordo como determinaes nos projetos de LDOque encaminha ao Congresso Nacional. A principal delas a gerao de supervits primrios (receitas menos despesas,sem considerar os juros, encargos e as amortizaes das dvi-das pblicas). Aprovada e sancionada a lei, ocorrem doisfatos: a) os termos do acordo terminam sendoinstitucionalizados, e b) o Poder Legislativo passa a ser res-ponsvel pelas determinaes, numa espcie de cumplicida-

    2

  • 2 novembro de 2002

    do PIB, cabendo 2,25% ao governo central (no inclui asempresas estatais). As metas para esses exerccios so ape-nas indicativas e correspondem a supervits de, respecti-vamente, R$ 43 bilhes e R$ 46,3 bilhes. Resumida-mente, se impem ao novo governo medidas que difi-cultam sobremaneira a execuo de outras polticas go-vernamentais, principalmente aquelas relacionadas comas reas sociais.

    Mas a carta enviada ao FMI pelo ministro da Fazen-da e pelo presidente do Banco Central destoa, mesmodas imposies j listadas e que constam da LDO, umavez que determina revises trimestrais das metas desupervits primrios, como alerta um documento daRede Brasil sobre Instituies Financeiras Multilaterais:Assim, de uma s tacada o Acordo torna irrelevante alegislao oramentria do Pas - a Lei das Diretrizes Or-amentrias (LDOs) e as Leis Oramentrias (LOs) queanualmente fixam as metas de supervit -, j que a cadatrs meses o FMI poder exigir novos supervits primriose assim, a no-execuo oramentria e cortes em progra-mas sociais e de investimentos.1 Assim, ou cumprem-seas metas ou o Congresso Nacional ter de aprovar acada trs meses alteraes na LDO

    de que permite ao Poder Executivo afirmar, quandoquestionado, que estas medidas foram aprovadas peloCongresso Nacional.

    A Lei n 10.524 (LDO), de 25 de julho de 2002,que dispe sobre as diretrizes para a elaborao da leioramentria de 2003 e d outras providncias, trouxeno seu Anexo de Metas Fiscais um levantamento des-sas determinaes e de seus resultados nos ltimos doisanos, conforme pode ser observado na tabela 1.

    No mesmo anexo de Metas Fiscais, encontram-se asdeterminaes para o ano de 2003 e as previses para2004 e 2005: As metas fiscais para o governo federal aseguir definidas so consistentes com a obteno da metade supervit primrio definida para o setor pblico conso-lidado de 3,75% do PIB em 2003 e, no mnimo, 3,5%nos prximos anos; sendo que: prope-se a alcanar em2003 um supervit primrio do governo federal de R$39,8 bilhes, equivalentes a 2,80% do PIB, consideran-do-se o valor estimado para o PIB de R$ 1.422,1 bilhes.A diferena de 0,95% do PIB deve ser executada pelosgovernos estaduais e municipais. Na mesma linha, otexto afirma: Para os anos de 2004 e 2005, prev-se amanuteno do esforo fiscal do governo federal em 2,80%

    Oramento: uma publicao do INESC Instituto de Estudos Socioeconmicos, Tiragem: 3 mil exemplares - End: SCS quadra08, bl B-50 - salas 431/441 Ed. Venncio 2000 cep: 70.333-970 Braslia/DF Brasil Fone: (61) 226 8093 Fax: (61) 2268042 E-mail: inesc@inesc.org.br Site: www.inesc.org.br Conselho Diretor: Jackson Machado presidente; RonaldoGarcia vice-presidente; Elisabeth Barros 1 secretria; Paulo Pires 2 secretrio; Gilda Cabral 1 tesoureira; AugustinoVeit 2 tesoureiro Colegiado de gesto: Jos Moroni, Iara Pietricovsky Assessoria: Adriana de Almeida, Austregsilo deMelo, Edlcio Vigna, Hlcio de Souza, Jair Barbosa Jnior, Jussara de Gois, Luciana Costa - Jornalista responsvel: LucianaCosta Ilustrao: Cerino Projeto grfico e diagramao: DataCerta Comunicao Impresso: Vangraf

    abela 1

    2000 2001 Reprogramado 2002

    Discriminao Valor % PIB Valor % PIB Valor % PIB

    I. Meta de resultado primrio fixada 36.286,8 2,8 31.653,1 2,5 36.673,0 2,8

    II. Resultado primrio obtido 36.411,7 2,8 31.853,4 2,5 36.673,0 2,8

    Fiscal e Seguridade Social 24.307,4 1,9 23.692,4 1,8 29.213,0 2,2

    Estatais 12.104,3 0,9 8.160,9 0,6 7.460,0 0,6

    III. Diferena entre a meta e o resultado 124,9 0,0 200,3 0,0 - -

    IV. Resultado nominal obtido -29.763,5 -2,3 -27.242,2 -2,1 - -

    IX. Dvida lquida Governo Central 419.935,4 31,0 443.792,1 33,1 - -Fonte: Anexo de Metas Fiscais da Lei n 10.524/2002Elaborao: Inesc

    Lei de Diretrizes Oramentrias - 2003Anexo de Metas Fiscais - Metas e Projees Fiscais(Art. 4, 1, da Lei Complementar n 101, de 2000)

    Preos Mdios 2002 IGP-DI

    T

  • novembro de 2002 3

    Oramento

    A previso de recursos para o pagamento dos juros, en-cargos e amortizaes das dvidas de R$ 141,9 bilhes,sendo R$ 113,3 bilhes relativos dvida interna e R$30,6 bilhes dvida externa. Saliente-se que trata-se deuma estimativa quase 10% superior ao volume de recur-sos previstos para 2002, em termos reais. A previso deque 33,8% dos recursos oramentrios relativos dispo-nibilidade lquida do Poder Executivo2 estaro orientadospara este tipo de dispndio. At o dia 26 de julho de 2002,este gasto situava-se em 35,5%. Tal fato pode ser observa-

    do na tabela 2, que trata dos recursos para a dvida interna.Os pagamentos previstos com a Fonte 144 so os T-tulos de Responsabilidade do Tesouro Nacional.

    Para os pagamentos da dvida externa, a situao des-sas mesmas despesas pode ser avaliada na tabela 3.

    Como o governo federal no tem capacidade de ar-recadao para honrar compromissos desta magnitude,ele se v obrigado a emitir ttulos da dvida pblica paracompensar a diferena. O resultado desta operao aampliao da dvida.

    abela 2

    COD FONTE REC Fontes Juros e Encargos Amortizaes Total

    100 Rec. ordinrios 12.360.953.328,00 12.360.953.328,00

    111 Contribuio s/ combustveis 47.743.361,00 59.766.389,00 107.509.750,00

    129 Rec. de conces. e permis. 851.096.683,00 851.096.683,00

    144 Ttulos.Responsabilidade.Tes.Nac - Out. aplic. 56.723.110.744,00 56.723.110.744,00

    152 Result. Bacen 6.448.000.000,00 6.448.000.000,00

    159 Op.crd.- Ret.Ref.Div.Md L.P. 177.214.467,00 4.766.518.696,00 4.943.733.163,00

    163 Ref. Patrim. - Privatizao 1.412.422.999,00 1.412.422.999,00

    173 Op.Crd.-Ret.O.C.-Est. e Munic 1.278.196.273,00 10.125.506.965,00 11.403.703.238,00

    186 Outras receitas originrias 81.019.356,00 81.019.356,00

    187 Alienao de ttulos e valores mobilirios 587.583.833,00 587.583.833,00

    188 Remunerao Disponibilidades do Tesouro Nacional 10.908.663.766,00 10.908.663.766,00

    197 Dividendos - Unio 3.889.655.000,00 3.889.655.000,00

    250 Rec. prprios no-financeiros 989.279,00 1.283.986.321,00 1.284.975.600,00

    900 Recursos ordinrios 4.999.996,00 4.999.996,00

    997 Dividendos- Unio 267.105.000,00 267.105.000,00

    Total 69.135.917.890,00 42.138.614.566,00 111.274.532.456,00Fonte: SIAFI/STN/COFF- Cmara dos DeputadosElaborao: Inesc

    Projeto de Lei Oramentria para 2003Juros, encargos e amortizaes da Dvida Interna

    T

    abela 3

    COD FONTE REC Fontes Juros e Encargos Amortizaes Total

    100 Rec. ordinrios 2.405.339.090,00 2.405.339.090,00

    111 Contribuio s/ combustveis 446.454.261,00 609.963.132,00 1.056.417.393,00

    144 Tt.Responsabilidade Tes.Nac - Out. aplic. 22.033.975.428,00 22.033.975.428,00

    148 Oper.crd.ext. - em moeda 2.937.000.000,00 2.937.000.000,00

    158 Mult.inc.s/ rec.adm pela SRF 13.316.301,00 14.175.723,00 27.492.024,00

    159 Op.crd.- Ret.Ref.Div.Md L.P. 23.937.692,00 229.888.792,00 253.826.484,00

    171 Op. crd. Bea/bib 843.394.607,00 567.917.859,00 1.411.312.466,00

    174 Taxas pelo Poder de Polcia 849.529,00 849.529,00

    189 Op.cred.-Ret.Ref.Div.C. Paris 74.800.068,00 259.875.964,00 334.676.032,00

    250 Rec. prprios no-financeiros 182.657,00 1.299.499,00 1.482.156,00

    900 Re