Boletim Informativo - 15ª edição

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15 Edio do Boletim Infomativo da Ordem dos Advogados de Moambique

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<ul><li><p>Boletim INFORMATIVOORDEM DOS ADVOGADOS DE MOAMBIQUE</p><p>15JULHO 2013</p><p>Edio</p><p>ou facebook.com/ordemdosadvogadosdemocambiquewww.oam.org.mz CANAIS DE INFORMAO:</p><p>MATERNIDADE E PARTERNIDADE NA LEI DE TRABALHO MOAMBICANA: O CASO DA MORTE DA MEPAG 6</p><p>PAG 13</p><p>CONVENES SOBRE A DUPLA TRIBUTAO EM VIGOR EM MOAMBIQUE TRIBUTAO DE RENDIMENTOS INDIVIDUAIS</p><p>PAG 4</p><p>OAM PREPARA A NOMEAO DOS</p><p>DELEGADOS DE GAZA E CABO-DELGADO</p><p>CABO</p><p>DELGADOGAZA</p><p>EXECUO ESPECFICA VERSUS DIREITOS REAIS ; EXECUO ESPECFICA VERSUS TRIBUNAL ARBITRAL ESTRANGEIRO; EXECUO ESPECFICA VERSUS REGISTO PREDIAL</p><p>PAG 9</p><p>A OBRIGATORIEDADE DE NOTIFICAO DAS PARTES PARA PAGAMENTO DE CUSTAS E PREPAROS NOS PROCESSOS JUDICIAISPAG 11</p></li><li><p>1-OI</p><p>R</p><p>NO</p><p>TS</p><p>AB </p><p>ONEABMIT SMOT</p><p>EDITORIAL </p><p> exerccio da advocacia em Moambique h muito tempo est regulado e s podem Opraticar actos prprios da profisso, os </p><p>advogados e advogados estagirios inscritos, sejam eles nacionais ou estrangeiros e, em pequena medida, os tcnicos e assistentes jurdicos. Para a dimenso e necessidades do pas, o nmero de advogados inscritos ainda insignificante, pelo que justifica-se que a Ordem aposte na formao no s para aumentar o nmero de advogados, mas, sobretudo, para que os que prestam servio jurdico o faam com a qualidade que o cidado merece. Entretanto, apesar das medidas que a anterior Direco da Ordem tomou, o exerccio da advocacia fora do estabelecido na lei continua a florescer. Se, em 2008, no incio do mandato dos anteriores rgos sociais, o grande problema era o exerccio da advocacia pelas auditoras e consultoras, no final do mandato o grande problema era o da procuradoria ilcita, do exerccio da advocacia por estrangeiros e das parcerias entre escritrios e/ou advogados nacionais e estrangeiros. O combate procuradoria no pode ser feito apenas pelos rgos sociais ou pela Comisso de Combate Procuradoria ilcita, mas por todos os advogados. Diariamente chegam-nos informaes dispersas da existncia em quartos de hotis, escritrios de consultoria, empresas imobilirias e no s, de advogados estrangeiros que prestam, de forma ilcita, a advocacia. At ao presente momento, nenhuma denncia concreta foi apresentada, apesar de ser evidente que trata-se de uma situao conhecida por muitos e acobertada por alguns. Mesmo assim, a Ordem no deixar, com os meios e informaes de que dispe, de continuar a lutar para combater este mal, em estreita coordenao com as autoridades migratrias. Hoje em dia verifica-se, porm, um fenmeno novo. Se h dois ou trs anos, as grandes sociedades de advogados que estavam no mercado moambicano eram as portuguesas, hoje em dia nota-se, de forma crescente, a presena de </p><p>Por uma Ordem forte, credvel e coesa</p><p>escritrios sul-africanos, ingleses, americanos, canadianos, franceses, muitos dos quais j tem presena firme em Johannesburg, o que lhes facilita o contacto com clientes em Moambique. importante tirar ilaes desta crescente procura do mercado moambicano por parte de escritrios internacionais. As regras para a inscrio de advogados estrangeiros vigentes em Moambique, no regulam a advocacia prestada por advogados estrangeiros que acompanham, de forma espordica, clientes em Moambique, muito menos permitem, de forma ef icaz , combater a procuradoria ilcita. O mais importante no perdermos de vista que muitas entidades, incluindo o Estado e empresas pblicas, contratam, de forma sistemtica, e fora da lei, advogados ou escritrios estrangeiros para as mais diversas actividades, muitas vezes, alegam, por falta de capacidade interna de prestao de servios jurdicos. Se a isso acrescermos as deficincias do controlo da prtica d e a c t o s i l c i t o s , a l i a d o a o c r e s c e n t e desenvolvimento da economia nacional e s necessidades que os beneficirios dos servios jurdicos necessitam, fcil concluir que o desafio que temos enorme. Felizmente a nossa profisso auto-regula-se, pelo que sem prejuzo do nosso importante papel na edificao do Estado de Direito Democrtico e defesa dos Direitos e Liberdades Fundamentais, h-que estruturar melhor a nossa actuao. Mais do que estruturar formas de actuao eficazes perante estas novas realidades, a formao do advogado revela-se determinante. Nenhum cliente, por nacionalismo, optar por contratar um advogado apenas porque est inscrito na Ordem dos Advogados de Moambique; f-lo- porque nele reconhece capacidade tcnica, honestidade e dignidade no exerccio da profisso. A soluo para o problema est nas nossas mos. Como est nas nossas mos a defesa do Estado de Direito e dos Direitos e Liberdades Fundamentais. Ultimamente, o nosso papel como defensores dos </p><p>OAM | EDIO 15 | JULHO 2013</p></li><li><p>concretizada, de impedir a circulao de pessoas e bens na Estrada Nacional nmero 1, mostra-nos que chegamos a um estgio que no nos pode deixar indiferentes. A ausncia de resultados nas negociaes entre o Governo e a Renamo e o ciclo eleitoral que se aproxima, exigem da advocacia um papel mais interventivo na defesa da paz, segurana e tranquilidade pblica. Se muitos advogados reclamam dificuldades no exerccio da profisso, por falta de trabalho de qualidade e bem remunerado, a actual situao do pas vai, certamente, retrair o investimento no pas e, com isso, a reduo dos servios jurdicos. Lutemos pela defesa do Estado de Direito Democrtico e dos Direitos e Liberdades Fundamentais.</p><p>2Por uma Ordem forte, credvel e coesa</p><p>O Bastonrio</p><p>Toms Timbane</p><p>direitos e liberdades fundamentais deve no s olhar para aquilo que primeira vista nos preocupa o exerccio da advocacia fora da lei mas sobretudo pelo teste porque o nosso Estado de Direito Democrtico est a passar. Os ataques armados ocorridos na Estrada Nacional nmero 1 devem-nos fazer pensar melhor no nosso papel na sociedade moambicana. Todos os moambicanos de boa vontade esperavam que as conversaes entre o Governo e a Renamo, que j duram h 8 (oito) longas rondas, tivessem j concludas e restabelecida a normalidade constitucional. A defesa do Estado de Direito Democrtico e dos Direitos e Liberdades Fundamentais no , apenas, tarefa dos rgos sociais da Ordem, mas de todos os advogados, pelo que contamos com todos para que, nas suas mais diversas actividades, no deixem de levantar a sua voz quando o Estado de Direito Democrtico, os Direitos e as Liberdades Fundamentais estiverem em causa. A ameaa, </p><p>OAM | EDIO 15 | JULHO 2013</p><p>QUER ESTAR A PAR DAS ACTIVIDADES DA ORDEM, QUER PARTILHAR IDEIAS E PENSAMENTOS? </p><p>facebook.com/ordemdosadvogadosdemocambique</p></li><li><p>Ao abrigo das disposies conjugadas dos artigos 29 n. 2 e 31 dos Estatutos da </p><p>Ordem dos Advogados de Moambique, aprovados pela Lei n 28/2009 de 29 de </p><p>Setembro, convoco uma Assembleia Geral Extraordinria para o dia 27 de Julho de </p><p>2013, 9 horas, em local a anunciar oportunamente, com a seguinte ordem de </p><p>trabalhos:</p><p>Proposta de actualizao do Plano e Oramento 2013.</p><p> Proposta de reviso do valor das quotas. </p><p> Ponto de situao sobre a proposta de reviso dos Estatutos da OAM. </p><p>Diversos.</p><p>Caso hora marcada no esteja reunido o qurum previsto nos estatutos, a </p><p>assembleia-geral funcionar 30 minutos depois, com a mesma ordem de trabalhos, </p><p>com o nmero de membros presentes.</p><p>Por uma Ordem forte, credvel e coesa</p><p>Maputo, aos 26 de Junho de 2013</p><p>O BASTONRIO</p><p>Toms Timbane </p><p>ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINRIA</p><p>CONVOCATRIA</p><p>OAM | EDIO 15 | JULHO 2013</p></li><li><p>4om a globalizao e a internacionalizao da economia, notvel nos ltimos tempos o Cnmero crescente de entidades estrangeiras </p><p>que vem desenvolver as suas actividades econmicas no territrio Moambicano. Tal situao, traz naturalmente algumas consequncias a nvel fiscal, pois os rendimentos auferidos por tais entidades ficam sujeitas a situaes de dupla tributao internacional, pois o mesmo rendimento pode estar sujeito tributao em diferentes Estados.Porque tal situao no desejvel, como forma de evitar ou reduzir a dupla tributao internacional, os Estados tem celebrado entre si Acordos sobre a Dupla Tributao. Moambique no est alheio s situaes de dupla tributao internacional e ao longo dos anos, o Pas tem assinado alguns Acordos de Dupla Tributao. Actualmente, o Pas tem Convenes sobre a Dupla Tributao assinadas com 9 pases, nomeadamente, Portugal, Itlia, Maurcias, Macau, ndia, frica do Sul, Botswana, Vietname e Emiratos rabes Unidos.No geral as convenes versam sobre o mesmo tema, pois o principal objectivo evitar a dupla tributao e prevenir a evaso fiscal em matria de impostos sobre o rendimento.Os acordos aplicam-se aos impostos sobre o rendimento e sobre o capital exigidos por cada um dos Estados Contratantes, suas subdivises polticas e suas autarquias locais.Impostos sobre o rendimento e impostos sobre o capital so definidos como os impostos incidentes sobre o rendimento total, sobre a totalidade do capital ou sobre parcelas do rendimento ou do capital, incluindo os impostos sobre os ganhos derivados da alienao de bens mobilirios e imobilirios, bem como os impostos sobre as mais-valias.No geral, todos acordos de dupla tributao em vigor em Moambique, so similares e aplicam-se </p><p>aos impostos abaixo indicados:(i) O Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS); e(ii) O Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC).No presente artigo, propomo-nos debruar, apenas, sobre a forma de tributao dos rendimentos das pessoas singulares.Neste sentido, importa indicar a definio de alguns conceitos essenciais para efeitos de determinao da tributao dos rendimentos das pessoas singulares.</p><p>Profissional liberalO conceito de profissional liberal abrange, em especial, as actividades independentes de carcter cientfico, literrio, artstico, educativo ou p e d a g gi co, b e m co m o, a s a c t i v i d a d e s independentes de mdicos, dentistas, advogados, engenheiros, arquitectos, contabilistas.</p><p>ResidenteO termo residente significa qualquer pessoa que, por virtude da legislao de um dos Estados contratantes, esta sujeita a imposto devido ao seu domiclio, sua residncia, ao local de direco, ao lugar de registo, ou a qualquer outro critrio de natureza similar, aplicando se igualmente s subdivises polticas ou autarquias locais desses Estados.</p><p>Passaremos de seguida anlise das formas de tributao, as quais so determinadas de acordo com o tipo de profisso exercida pelos beneficirios.</p><p>(i) Profissionais independentesOs rendimentos obtidos por um residente de um dos estados pelo exerccio de uma profisso liberal ou de outras actividades de carcter independente </p><p>1</p><p>CONVENES SOBRE A DUPLA TRIBUTAO EM VIGOR EM MOAMBIQUE TRIBUTAO DE RENDIMENTOS INDIVIDUAIS</p><p>Por uma Ordem forte, credvel e coesa</p><p>ETALAB </p><p>ANI</p><p>LO</p><p>RA</p><p>C</p><p>OAM | EDIO 15 | JULHO 2013</p></li><li><p>5s podem ser tributados nesse mesmo Estado, excepto no caso de o residente dispor, de forma habitual, no outro Estado Contratante, de um estabelecimento estvel para o exerccio das suas actividades. Assim sendo, os rendimentos podem ser tributados no Estado onde o residente tenha o estabelecimento estvel, mas somente em relao aos rendimentos imputveis instalao fixa.</p><p>(ii) Profissionais dependentesOs salrios, ordenados e remuneraes similares obtidos de um emprego, por um residente de um Estado Contratante, exercido no outro Estado Contratante s podem ser tributados nesse Estado, excepto se o emprego for exercido no outro Estado Contratante. No entanto, as remuneraes obtidas por um residente de um Estado Contratante pelo emprego exercido no outro Estado Contratante, s podem ser tributadas naquele Estado Contratante se o beneficirio dos rendimentos permanecer no outro Estado Contratante durante um perodo ou perodos que no excedam os 183 dias do ano fiscal em causa.</p><p>(iii) Pesquisadores e ProfessoresUm professor que ou foi imediatamente antes residente de um Estado Contratante, e que se desloca a um outro Estado Contratante com o objectivo nico e exclusivo de ensinar ou/e fazer investigao cientfica, numa universidade, colgio, escola ou outra instituio de ensino ou de pesquisa cientfica, reconhecida pelo Governo desse Estado Contratante, durante um perodo no excedente a dois anos desde a data da sua chegada nesse outro Estado Contratante, estar isento de impostos nesse outro Estado Contratante pelas remuneraes obtidas em consequncia desse ensino ou investigao.Contudo, a situao acima descrita no se verifica caso os rendimentos obtidos na realizao da pesquisa sejam para benefcio privado, de uma ou vrias pessoas, especficas.</p><p>(iv) Estudantes e EstagiriosAs importncias que um estudante ou estagirio que ou foi, imediatamente antes da sua permanncia num Estado Contratante, residente do outro Estado Contratante, e cuja permanncia no Estado primeiramente mencionado tem como objectivo exclusivo a prossecuo dos seus estudos </p><p>ou da sua formao, receba para fazer face s despesas com a sua manuteno, estudos ou formao, desde que provenham de fontes situados fora desse Estado estaro isentas de impostos nesse outro Estado Contratante.</p><p>(V) Artistas e DesportistasOs rendimentos obtidos por um residente de um Estado Contratante na qualidade de profissional de espectculos, artista de teatro, cinema, rdio ou televiso, ou msico, bem como desportistas, provenientes das suas actividades pessoais exercidas, na qualidade de artista ou desportista, no outro Estado Contratante, podem ser tributadas nesse outro Estado.No que se refere ao mtodo de eliminao da dupla tributao, de uma forma geral, todos Acordos sobre Dupla Tributao em vigor em Moambique, so unnimes quanto forma de tributao das pessoas singulares, uma vez que todos estabelecem que, quando um residente do Estado Moambicano obtm rendimentos que, de acordo com o estipulado na conveno, possam ser tributados nos Estados com os quais Moambique celebrou o Acordo de Dupla Tributao, Moambique proceder deduo do imposto sobre os rendimentos desse residente na importncia igual ao imposto sobre o rendimento pago no outro Estado parte do Acordo.</p><p>Contudo, a importncia deduzida por Moambique, no poder exceder a fraco do imposto calculado antes da deduo correspondente aos rendimentos auferidos nos outros Estados parte do Acordo de Dupla Tributao.</p><p>Em jeito de concluso podemos referir que os Acordos de Dupla Tributao entre Moambique e os Estados acima referidos, seguem a mesma linha de abordagem.</p><p>No entanto, e apesar dos Acordos em vigor servirem para elucidar sobre vrias matrias e clarificar sobre o regime aplicvel aos pases abrangidos, so ainda persistentes lacunas no que se refere sua abordagem e resoluo da problemtica da dupla tributao. </p><p>Por uma Ordem forte, credvel e coesa</p><p>Advogada CP n 328</p><p>OAM | EDIO 15 | JULHO 2013</p><p>Licenciada em DireitoEscritrio - PwC, Legal</p></li><li><p>6 maternidade e a paternidade constituem valores sociais universais eminentes. AA lei regula a atribuio s mes e aos pais de </p><p>direitos inerentes a maternidade e paternidade. s mulheres so garantidos direitos especiais relacionados com o ciclo biolgico da maternidade, tendo uma especial proteco durante a gravidez e aps o parto.No direito moambicano, a legislao laboral garante a proteo da mulher empregada, especialmente, em trs esferas: </p><p>licena de maternidade, sem perda de remunerao,</p><p>dispensa de aleitamento, sem perda de remunerao...</p></li></ul>

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