Boletim Informativo - 15ª edição

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15 Edio do Boletim Infomativo da Ordem dos Advogados de Moambique

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  • Boletim INFORMATIVOORDEM DOS ADVOGADOS DE MOAMBIQUE

    15JULHO 2013

    Edio

    ou facebook.com/ordemdosadvogadosdemocambiquewww.oam.org.mz CANAIS DE INFORMAO:

    MATERNIDADE E PARTERNIDADE NA LEI DE TRABALHO MOAMBICANA: O CASO DA MORTE DA MEPAG 6

    PAG 13

    CONVENES SOBRE A DUPLA TRIBUTAO EM VIGOR EM MOAMBIQUE TRIBUTAO DE RENDIMENTOS INDIVIDUAIS

    PAG 4

    OAM PREPARA A NOMEAO DOS

    DELEGADOS DE GAZA E CABO-DELGADO

    CABO

    DELGADOGAZA

    EXECUO ESPECFICA VERSUS DIREITOS REAIS ; EXECUO ESPECFICA VERSUS TRIBUNAL ARBITRAL ESTRANGEIRO; EXECUO ESPECFICA VERSUS REGISTO PREDIAL

    PAG 9

    A OBRIGATORIEDADE DE NOTIFICAO DAS PARTES PARA PAGAMENTO DE CUSTAS E PREPAROS NOS PROCESSOS JUDICIAISPAG 11

  • 1-OI

    R

    NO

    TS

    AB

    ONEABMIT SMOT

    EDITORIAL

    exerccio da advocacia em Moambique h muito tempo est regulado e s podem Opraticar actos prprios da profisso, os

    advogados e advogados estagirios inscritos, sejam eles nacionais ou estrangeiros e, em pequena medida, os tcnicos e assistentes jurdicos. Para a dimenso e necessidades do pas, o nmero de advogados inscritos ainda insignificante, pelo que justifica-se que a Ordem aposte na formao no s para aumentar o nmero de advogados, mas, sobretudo, para que os que prestam servio jurdico o faam com a qualidade que o cidado merece. Entretanto, apesar das medidas que a anterior Direco da Ordem tomou, o exerccio da advocacia fora do estabelecido na lei continua a florescer. Se, em 2008, no incio do mandato dos anteriores rgos sociais, o grande problema era o exerccio da advocacia pelas auditoras e consultoras, no final do mandato o grande problema era o da procuradoria ilcita, do exerccio da advocacia por estrangeiros e das parcerias entre escritrios e/ou advogados nacionais e estrangeiros. O combate procuradoria no pode ser feito apenas pelos rgos sociais ou pela Comisso de Combate Procuradoria ilcita, mas por todos os advogados. Diariamente chegam-nos informaes dispersas da existncia em quartos de hotis, escritrios de consultoria, empresas imobilirias e no s, de advogados estrangeiros que prestam, de forma ilcita, a advocacia. At ao presente momento, nenhuma denncia concreta foi apresentada, apesar de ser evidente que trata-se de uma situao conhecida por muitos e acobertada por alguns. Mesmo assim, a Ordem no deixar, com os meios e informaes de que dispe, de continuar a lutar para combater este mal, em estreita coordenao com as autoridades migratrias. Hoje em dia verifica-se, porm, um fenmeno novo. Se h dois ou trs anos, as grandes sociedades de advogados que estavam no mercado moambicano eram as portuguesas, hoje em dia nota-se, de forma crescente, a presena de

    Por uma Ordem forte, credvel e coesa

    escritrios sul-africanos, ingleses, americanos, canadianos, franceses, muitos dos quais j tem presena firme em Johannesburg, o que lhes facilita o contacto com clientes em Moambique. importante tirar ilaes desta crescente procura do mercado moambicano por parte de escritrios internacionais. As regras para a inscrio de advogados estrangeiros vigentes em Moambique, no regulam a advocacia prestada por advogados estrangeiros que acompanham, de forma espordica, clientes em Moambique, muito menos permitem, de forma ef icaz , combater a procuradoria ilcita. O mais importante no perdermos de vista que muitas entidades, incluindo o Estado e empresas pblicas, contratam, de forma sistemtica, e fora da lei, advogados ou escritrios estrangeiros para as mais diversas actividades, muitas vezes, alegam, por falta de capacidade interna de prestao de servios jurdicos. Se a isso acrescermos as deficincias do controlo da prtica d e a c t o s i l c i t o s , a l i a d o a o c r e s c e n t e desenvolvimento da economia nacional e s necessidades que os beneficirios dos servios jurdicos necessitam, fcil concluir que o desafio que temos enorme. Felizmente a nossa profisso auto-regula-se, pelo que sem prejuzo do nosso importante papel na edificao do Estado de Direito Democrtico e defesa dos Direitos e Liberdades Fundamentais, h-que estruturar melhor a nossa actuao. Mais do que estruturar formas de actuao eficazes perante estas novas realidades, a formao do advogado revela-se determinante. Nenhum cliente, por nacionalismo, optar por contratar um advogado apenas porque est inscrito na Ordem dos Advogados de Moambique; f-lo- porque nele reconhece capacidade tcnica, honestidade e dignidade no exerccio da profisso. A soluo para o problema est nas nossas mos. Como est nas nossas mos a defesa do Estado de Direito e dos Direitos e Liberdades Fundamentais. Ultimamente, o nosso papel como defensores dos

    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

  • concretizada, de impedir a circulao de pessoas e bens na Estrada Nacional nmero 1, mostra-nos que chegamos a um estgio que no nos pode deixar indiferentes. A ausncia de resultados nas negociaes entre o Governo e a Renamo e o ciclo eleitoral que se aproxima, exigem da advocacia um papel mais interventivo na defesa da paz, segurana e tranquilidade pblica. Se muitos advogados reclamam dificuldades no exerccio da profisso, por falta de trabalho de qualidade e bem remunerado, a actual situao do pas vai, certamente, retrair o investimento no pas e, com isso, a reduo dos servios jurdicos. Lutemos pela defesa do Estado de Direito Democrtico e dos Direitos e Liberdades Fundamentais.

    2Por uma Ordem forte, credvel e coesa

    O Bastonrio

    Toms Timbane

    direitos e liberdades fundamentais deve no s olhar para aquilo que primeira vista nos preocupa o exerccio da advocacia fora da lei mas sobretudo pelo teste porque o nosso Estado de Direito Democrtico est a passar. Os ataques armados ocorridos na Estrada Nacional nmero 1 devem-nos fazer pensar melhor no nosso papel na sociedade moambicana. Todos os moambicanos de boa vontade esperavam que as conversaes entre o Governo e a Renamo, que j duram h 8 (oito) longas rondas, tivessem j concludas e restabelecida a normalidade constitucional. A defesa do Estado de Direito Democrtico e dos Direitos e Liberdades Fundamentais no , apenas, tarefa dos rgos sociais da Ordem, mas de todos os advogados, pelo que contamos com todos para que, nas suas mais diversas actividades, no deixem de levantar a sua voz quando o Estado de Direito Democrtico, os Direitos e as Liberdades Fundamentais estiverem em causa. A ameaa,

    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

    QUER ESTAR A PAR DAS ACTIVIDADES DA ORDEM, QUER PARTILHAR IDEIAS E PENSAMENTOS?

    facebook.com/ordemdosadvogadosdemocambique

  • Ao abrigo das disposies conjugadas dos artigos 29 n. 2 e 31 dos Estatutos da

    Ordem dos Advogados de Moambique, aprovados pela Lei n 28/2009 de 29 de

    Setembro, convoco uma Assembleia Geral Extraordinria para o dia 27 de Julho de

    2013, 9 horas, em local a anunciar oportunamente, com a seguinte ordem de

    trabalhos:

    Proposta de actualizao do Plano e Oramento 2013.

    Proposta de reviso do valor das quotas.

    Ponto de situao sobre a proposta de reviso dos Estatutos da OAM.

    Diversos.

    Caso hora marcada no esteja reunido o qurum previsto nos estatutos, a

    assembleia-geral funcionar 30 minutos depois, com a mesma ordem de trabalhos,

    com o nmero de membros presentes.

    Por uma Ordem forte, credvel e coesa

    Maputo, aos 26 de Junho de 2013

    O BASTONRIO

    Toms Timbane

    ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINRIA

    CONVOCATRIA

    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

  • 4om a globalizao e a internacionalizao da economia, notvel nos ltimos tempos o Cnmero crescente de entidades estrangeiras

    que vem desenvolver as suas actividades econmicas no territrio Moambicano. Tal situao, traz naturalmente algumas consequncias a nvel fiscal, pois os rendimentos auferidos por tais entidades ficam sujeitas a situaes de dupla tributao internacional, pois o mesmo rendimento pode estar sujeito tributao em diferentes Estados.Porque tal situao no desejvel, como forma de evitar ou reduzir a dupla tributao internacional, os Estados tem celebrado entre si Acordos sobre a Dupla Tributao. Moambique no est alheio s situaes de dupla tributao internacional e ao longo dos anos, o Pas tem assinado alguns Acordos de Dupla Tributao. Actualmente, o Pas tem Convenes sobre a Dupla Tributao assinadas com 9 pases, nomeadamente, Portugal, Itlia, Maurcias, Macau, ndia, frica do Sul, Botswana, Vietname e Emiratos rabes Unidos.No geral as convenes versam sobre o mesmo tema, pois o principal objectivo evitar a dupla tributao e prevenir a evaso fiscal em matria de impostos sobre o rendimento.Os acordos aplicam-se aos impostos sobre o rendimento e sobre o capital exigidos por cada um dos Estados Contratantes, suas subdivises polticas e suas autarquias locais.Impostos sobre o rendimento e impostos sobre o capital so definidos como os impostos incidentes sobre o rendimento total, sobre a totalidade do capital ou sobre parcelas do rendimento ou do capital, incluindo os impostos sobre os ganhos derivados da alienao de bens mobilirios e imobilirios, bem como os impostos sobre as mais-valias.No geral, todos acordos de dupla tributao em vigor em Moambique, so similares e aplicam-se

    aos impostos abaixo indicados:(i) O Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS); e(ii) O Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC).No presente artigo, propomo-nos debruar, apenas, sobre a forma de tributao dos rendimentos das pessoas singulares.Neste sentido, importa indicar a definio de alguns conceitos essenciais para efeitos de determinao da tributao dos rendimentos das pessoas singulares.

    Profissional liberalO conceito de profissional liberal abrange, em especial, as actividades independentes de carcter cientfico, literrio, artstico, educativo ou p e d a g gi co, b e m co m o, a s a c t i v i d a d e s independentes de mdicos, dentistas, advogados, engenheiros, arquitectos, contabilistas.

    ResidenteO termo residente significa qualquer pessoa que, por virtude da legislao de um dos Estados contratantes, esta sujeita a imposto devido ao seu domiclio, sua residncia, ao local de direco, ao lugar de registo, ou a qualquer outro critrio de natureza similar, aplicando se igualmente s subdivises polticas ou autarquias locais desses Estados.

    Passaremos de seguida anlise das formas de tributao, as quais so determinadas de acordo com o tipo de profisso exercida pelos beneficirios.

    (i) Profissionais independentesOs rendimentos obtidos por um residente de um dos estados pelo exerccio de uma profisso liberal ou de outras actividades de carcter independente

    1

    CONVENES SOBRE A DUPLA TRIBUTAO EM VIGOR EM MOAMBIQUE TRIBUTAO DE RENDIMENTOS INDIVIDUAIS

    Por uma Ordem forte, credvel e coesa

    ETALAB

    ANI

    LO

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    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

  • 5s podem ser tributados nesse mesmo Estado, excepto no caso de o residente dispor, de forma habitual, no outro Estado Contratante, de um estabelecimento estvel para o exerccio das suas actividades. Assim sendo, os rendimentos podem ser tributados no Estado onde o residente tenha o estabelecimento estvel, mas somente em relao aos rendimentos imputveis instalao fixa.

    (ii) Profissionais dependentesOs salrios, ordenados e remuneraes similares obtidos de um emprego, por um residente de um Estado Contratante, exercido no outro Estado Contratante s podem ser tributados nesse Estado, excepto se o emprego for exercido no outro Estado Contratante. No entanto, as remuneraes obtidas por um residente de um Estado Contratante pelo emprego exercido no outro Estado Contratante, s podem ser tributadas naquele Estado Contratante se o beneficirio dos rendimentos permanecer no outro Estado Contratante durante um perodo ou perodos que no excedam os 183 dias do ano fiscal em causa.

    (iii) Pesquisadores e ProfessoresUm professor que ou foi imediatamente antes residente de um Estado Contratante, e que se desloca a um outro Estado Contratante com o objectivo nico e exclusivo de ensinar ou/e fazer investigao cientfica, numa universidade, colgio, escola ou outra instituio de ensino ou de pesquisa cientfica, reconhecida pelo Governo desse Estado Contratante, durante um perodo no excedente a dois anos desde a data da sua chegada nesse outro Estado Contratante, estar isento de impostos nesse outro Estado Contratante pelas remuneraes obtidas em consequncia desse ensino ou investigao.Contudo, a situao acima descrita no se verifica caso os rendimentos obtidos na realizao da pesquisa sejam para benefcio privado, de uma ou vrias pessoas, especficas.

    (iv) Estudantes e EstagiriosAs importncias que um estudante ou estagirio que ou foi, imediatamente antes da sua permanncia num Estado Contratante, residente do outro Estado Contratante, e cuja permanncia no Estado primeiramente mencionado tem como objectivo exclusivo a prossecuo dos seus estudos

    ou da sua formao, receba para fazer face s despesas com a sua manuteno, estudos ou formao, desde que provenham de fontes situados fora desse Estado estaro isentas de impostos nesse outro Estado Contratante.

    (V) Artistas e DesportistasOs rendimentos obtidos por um residente de um Estado Contratante na qualidade de profissional de espectculos, artista de teatro, cinema, rdio ou televiso, ou msico, bem como desportistas, provenientes das suas actividades pessoais exercidas, na qualidade de artista ou desportista, no outro Estado Contratante, podem ser tributadas nesse outro Estado.No que se refere ao mtodo de eliminao da dupla tributao, de uma forma geral, todos Acordos sobre Dupla Tributao em vigor em Moambique, so unnimes quanto forma de tributao das pessoas singulares, uma vez que todos estabelecem que, quando um residente do Estado Moambicano obtm rendimentos que, de acordo com o estipulado na conveno, possam ser tributados nos Estados com os quais Moambique celebrou o Acordo de Dupla Tributao, Moambique proceder deduo do imposto sobre os rendimentos desse residente na importncia igual ao imposto sobre o rendimento pago no outro Estado parte do Acordo.

    Contudo, a importncia deduzida por Moambique, no poder exceder a fraco do imposto calculado antes da deduo correspondente aos rendimentos auferidos nos outros Estados parte do Acordo de Dupla Tributao.

    Em jeito de concluso podemos referir que os Acordos de Dupla Tributao entre Moambique e os Estados acima referidos, seguem a mesma linha de abordagem.

    No entanto, e apesar dos Acordos em vigor servirem para elucidar sobre vrias matrias e clarificar sobre o regime aplicvel aos pases abrangidos, so ainda persistentes lacunas no que se refere sua abordagem e resoluo da problemtica da dupla tributao.

    Por uma Ordem forte, credvel e coesa

    Advogada CP n 328

    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

    Licenciada em DireitoEscritrio - PwC, Legal

  • 6 maternidade e a paternidade constituem valores sociais universais eminentes. AA lei regula a atribuio s mes e aos pais de

    direitos inerentes a maternidade e paternidade. s mulheres so garantidos direitos especiais relacionados com o ciclo biolgico da maternidade, tendo uma especial proteco durante a gravidez e aps o parto.No direito moambicano, a legislao laboral garante a proteo da mulher empregada, especialmente, em trs esferas:

    licena de maternidade, sem perda de remunerao,

    dispensa de aleitamento, sem perda de remunerao e

    estabilidade provisria da gestante no emprego. A licena de maternidade , segundo o n. 1 do artigo 12 da Lei do Trabalho (LT), o direito que a trabalhadora tem de alm das frias normais, de uma licena de 60 dias consecutivos, a qual pode ter incio vinte dias antes da data provvel do parto. Em caso de internamento hospitalar da me ou da criana durante o perodo da licena a seguir ao parto, este perodo suspenso, mediante a comunicao da trabalhadora ao empregador, pelo tempo de durao de internamento.A despensa de aleitamento, segundo a alnea c) do n. 1 do artigo 11 da LT, o direito de interromper o trabalho dirio para aleitamento da criana, em dois perodos de meia hora, ou num s perodo de uma hora, em caso de horrio de trabalho contnuo.Estabilidade provisria da gestante no emprego consiste na proibio, por lei, do despedimento da trabalhadora, sem justa causa, durante a gravidez e at um ano aps o parto, conforme o disposto na alnea d) do n. 1 do artigo 11 da LT.Importa realar que, de uma forma acertada quanto a ns, o legislador moambicano previu no n. 2 do

    artigo 12 da LT a manuteno do direito a licena de maternidade independentemente de ter sido um nado vivo ou um nado morto ou ainda se a criana vier a falecer nos dias seguintes ao parto. O factor gerador do direito o parto e no a sobrevivncia da criana. Pretende-se com esta norma garantir a recuperao da mulher do desgaste da gravidez e do parto. No que se refere aos direitos de paternidade notrio que, a lei pouco diz, sendo de destacar a licena de paternidade de um dia de dois em dois anos, prevista no n. 5 do artigo 12 da LT, que deve ser gozada no dia imediatamente a seguir ao nascimento do filho.Compreende-se que assim seja, por razes histricas e da prpria natureza, em que a mulher necessria e esteve sempre presente nos primeiros cuidados da vida do recm nascido. Porm, como se sabe, no cabe s ao direito prever apenas situaes ordinrias, devendo amparar tambm situaes que fogem do esperado.Pode ocorrer que a me venha a falecer durante o parto ou ainda durante o gozo da licena de maternidade. Nestes casos levanta-se uma grande questo: Podem os direitos garantidos a trabalhadora passar para o cnjuge sobrevivo? Isto , pode o trabalhador vir a ter direito a licena de paternidade ou de maternidade de 60 dias, dispensa de aleitamento, e o direito a estabilidade de emprego? No se trata de uma situao ordinria, mas pode ocorrer com maior frequncia do que se possa imaginar e uma situao dramtica para um homem. Depara-se diante de 3 problemas crassos: a perda da sua querida, a responsabilidade de cuidar de uma criana recm - nascida e a falta de amparo na lei.Pode ser que h algum tempo no houvesse necessidade de proteger, por lei, esse evento, na medida em que quando tal ocorresse a av materna

    1

    MATERNIDADE E PARTERNIDADE NA LEI DE TRABALHO MOAMBICANA: O CASO DA MORTE DA ME

    Por uma Ordem forte, credvel e coesa

    in memoriam Jlia Munhara Mauia, minha me

    OLASSUMAH

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    AIM

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    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

  • 7ou paterna aparecia em socorro. Actualmente essas avs tambm encontram-se empregadas ou numa outra frente de afirmao da mulher na sociedade, sendo que o cnjuge sobrevivo homem a pessoa que deve cuidar do seu filho.Somos da opinio que os direitos de maternidade previstos na lei para a mulher trabalhadora, deviam ser transferidos para o cnjuge sobrevivo em caso

    da morte daquela.Esperamos ter deixado um alerta aos aplicadores da lei e ao legislador, sobre um assunto que de uma forma isolada, com tendncia a crescer, comea a preocupar a nossa sociedade e merece ser legislado.

    Por uma Ordem forte, credvel e coesa

    Advogado CP n 853

    FOTOS DO WORKSHOP EM DIREITOS HUMANOS, EM JOHANNESBURG FRICA DE SUL

    OAM representada pelos Advogados Hlder Matlaba e Tnia Waty (Conselheiro e Directora Executiva) participou (dias 13-15 de Junho) num Workshop em Direitos Humanos, em Joanesburgo frica de Sul.

    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

  • No mbito do previsto na Alnea do art. 4 do Estatutos da Ordem dos

    Advogados de Moambique e art. 16 do Regulamento de Estgio

    Profissional da Advocacia, o Conselho Nacional da Ordem dos Advogados

    de Moambique, vem por este meio informar aos Advogados Estagirios que

    o Segundo Exame Nacional de Acesso do ano de 2013, Prova Escrita e Prova

    Oral, se realizar no dias 20 de Julho, nos seguintes termos:

    Dos Locais: a anunciar oportunamente.

    Do Horrio e da Identificao:

    Exame escrito decorrer das 8:00 s 11:00 Horas e o exame oral

    iniciar s 14 horas;

    Entrada na sala do exame ser entre s 7h30min e 7h59min da

    data acima indicada;

    obrigatria a apresentao do Bilhete de Identidade.

    Do material de consulta permitido: Legislao sem anotaes pessoais.

    Da Inscrio

    A data limite para inscrio ao ENA, de 5 dias antes do mesmo,

    at as 17 Horas, na sede OAM, ou atravs do email:

    estagio@oam.org.mz ou atravs do FAX 21 41 47 44, com o assunto

    Exame Nacional de Acesso.

    O valor a pagar at 15 dias antes da data designada para a

    realizao da prova de agregao de 1.000,00 MT (mil meticais);

    O valor a pagar depois dos 15 dias at 5 dias antes da data

    designada para a realizao da prova de agregao de 1.500,00 MT

    (mil e quinhentos meticais).

    A inscrio s se considerar efectuada mediante apresentao

    de comprovativo do pagamento da taxa de inscrio.

    Por uma Ordem Forte, Credvel e Coesa.Maputo, 24 de Junho de 2013

    O Presidente do Conselho Nacional

    Toms Timbane

    ANNCIO

    EXAME NACIONAL DE ACESSO - ENA

    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

  • 9 crescimento econmico assinalvel, bem como a descoberta de importantssimos Orecursos minerais, aliado ao processo de

    democratizao poltica e social, tem catapultado o nome de Moambique no mercado internacional, provocando um acrescido interesse de pessoas individuais e colectivas estrangeiras em investir em Moambique. Um dos sectores que tem sofrido maior presso dos investidores estrangeiros o imobilirio, assistindo-se, por conseguinte, construo massiva de imveis diversos, nas cidades, nas praias e nas zonas de desenvolvimento previamente identificadas. Na maioria dos casos e como tem sido evidente, os promotores dos projectos imobilirios recorrem ao financiamento dos prprios interessados, atravs da celebrao de contratos-promessa de compra e venda de imvel, com desembolsos faseados e tendo em conta a evoluo da construo em causa, sendo que finda a construo e efectuado o registo predial e das benfeitorias edificadas na Conservatria do Registo Predial competente, materializa-se o contrato definitivo de compra e venda.Compulsados alguns dos contratos-promessas de compra e venda de imvel, na maioria dos casos celebrados com entidades estrangeiras, constata-se, sem grande esforo, a presena de clusulas relativas execuo especfica e compromissrias, neste caso, em que as partes acordam em submeter ao Tribunal Arbitral, a constituir fora do territrio moambicano, os diferendos e litgios decorrentes da aplicao ou execuo do mencionado contrato. Na verdade, em situaes de incumprimento contratual e demandadas as contrapartes faltosas nos Tribunais Arbitrais Estrangeiros, tem se assistido a uma verdadeira fuga para a frente destes (contrapartes), alegando, por um lado, que s os tribunais moambicanos tm competncia para dirimir e decretar a execuo especfica, por estarem em causa direitos reais, mas por outro lado, os

    prprios Tribunais Arbitrais Estrangeiros tm conhecido dificuldades motivadas pela falta de registo predial dos imveis, que lhes permita decretar a execuo especfica requerida. Assim, trs questes se colocam:1. Qual a natureza das aces de execuo especfica?2. Os Tribunais Arbitrais constitudos fora do territrio nacional tm ou no competncia para decretar a execuo especfica?3. A declarao de execuo especfica depende ou no da existncia de registo predial? O contrato-promessa, tal como resulta da interpretao do artigo 410 n. 1 do Cdigo Civil, tem como objecto a celebrao do contrato definitivo, isto , h uma obrigao, por parte de cada um dos promitentes, de emitir a declarao relativa ao contrato prometido, por isso, comum referir-se que os promitentes tm uma obrigao de prestao de facto positivo, consubstanciado num facere oportere. Relativamente execuo especfica do contrato promessa, esta tem em vista obter a sentena que produza os efeitos da declarao negocial do faltoso, nos termos do disposto no n. 1, do artigo 830, do mesmo diploma legal retro invocado. Como bom de ver, a aco de execuo especfica de um contrato-promessa traduz-se na declarao negocial substitutiva do promitente faltoso, isto , a deciso do tribunal produzir os efeitos do contrato prometido.Do que fica dito, resulta que tanto o contrato-promessa, como a execuo especfica, tm como objecto declaraes negociais (obrigaes), traduzidas na vontade de dar, fazer ou no fazer, por isso, curial referir que a aco de execuo especfica uma aco pessoal, cuja causa de pedir deriva das obrigaes assumidas no contrato-promessa por parte do promitente faltoso, a quem competir a legitimidade passiva na aco em causa. Portanto, desde logo, de afastar que a aco

    EXECUO ESPECFICA VERSUS DIREITOS REAISEXECUO ESPECFICA VERSUS TRIBUNAL ARBITRAL ESTRANGEIROEXECUO ESPECFICA VERSUS REGISTO PREDIAL

    Por uma Ordem forte, credvel e coesa

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    AM

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    LR

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    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

  • 10

    de execuo especfica seja, se relacione ou se confunda com aces reais, at porque Nas aces reais, a causa de pedir o facto jurdico de que deriva o direito real, nos termos da segunda parte do n. 3 do artigo 498 do Cdigo de Processo Civil, isto , o ttulo invocado como aquisio da propriedade (originria ou derivada) que o autor pretende ver reconhecido e tutelado. Rematando. A competncia internacional dos tribunais moambicanos abrange, entre outras circunstncias, as aces relativas a direitos reais ou pessoais de gozo sobre os imveis sitos em territrio moambicano, nos termos consignados no artigo 65 n. 1, alnea f ) do Cdigo de Processo Civil, pelo que esto afastadas do indicado preceito legal, as aces pessoais relativas ao cumprimento de obrigaes decorrentes de contratos-promessa. Mas no tudo. Moambique aderiu Conveno sobre o Reconhecimento e a Execuo de Sentenas Arbitrais Estrangeiras, celebrada em Nova York, em 10 de Junho de 1958, que propugna que podero ser recusados o reconhecimento e a execuo de uma sentena arbitral se a autoridade competente constatar que: Que de acordo com a lei desse pas, o objecto de litgio no susceptvel de ser resolvido por via arbitral, o que claramente no o caso vertente, porque neste e atento a argumentao expedita acima, no se est em presena de matria de competncia internacional exclusiva dos tribunais moambicanos. Portanto, tambm nos casos em que a sentena tenha sido proferida no territrio de um Estado contratante, no h qualquer obstculo ao reconhecimento da deciso no territrio moambicano.Relativamente questo de saber se a declarao de execuo especfica est ou no dependente da existncia de registo predial, h que ter em conta que embora a funo primria do registo seja dar publicidade situao jurdica dos imveis, isto , com funo declarativa e no constitutiva, nos termos e ao abrigo dos artigos 1 e 8 do Cdigo do

    Registo Predial, o registo predial necessrio e imprescindvel declarao de execuo especfica, na medida em que o artigo 13 n. 1 do mesmo diploma legal, refere que O negcio pelo qual se transmitam direitos ou contraiam encargos sobre bens imveis no pode ser admitido a registo definitivo sem que os direitos transmitidos ou bens onerados se encontrem definitivamente inscritos a favor do transmitente ou de quem os onera. Como bom de alcanar, no pode ser titulada a transmisso de um imvel sem que o transmitente prove o ttulo de aquisio, originria ou derivada, e que a mesma esteja inscrita a favor daquele (transmitente). a consagrao do princpio do trato sucessivo, em que cada titularidade deve apoiar-se na precedente, o que obriga a inscrio prvia do direito de propriedade a favor do transmitente. verdade que a falta de inscrio ou registo predial prvio no tem como consequncia a improcedncia do pedido de execuo especfica, outrossim, conduz a suspenso da instncia, permitindo-se, assim, que a contraparte viabilize o registo predial.

    Concluindo: a) A aco de execuo especfica uma aco pessoal, porque est em causa a obrigao de dar, fazer ou no fazer, isto , obrigao de prestao de facto positivo;b) Os Tribunais Arbitrais Estrangeiros podem conhecer do pedido de execuo especfica, por no estarem em causa matrias de competncia i n t e r n a c i o n a l e x c l u s i v a d o s t r i b u n a i s moambicanos;c) A declarao de execuo especfica est dependente do registo predial prvio do imvel a favor do transmitente, ora promitente vendedor.

    Por uma Ordem forte, credvel e coesa

    Advogado CP n 410

    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

    Directora Executiva e Oficial de Programas participaram de 26 a 28 de Junho no Bilene Gaza numa capacitao subordinada Gesto Baseada em Resultados.

    Oficial de Programas da OAM participou numa formao denominada Integrao de Polticas de Gnero & HIV-SIDA nos Planos Sectoriais. Esta formao decorreu em Maputo, nos dias 10 a 14 de Junho.

    BREVES

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    1. Custas e preparosCustas processuais stricto sensu (ou preparo) so despesas judiciais devidas ao Estado em decorrncia de sua actividade (como aparato do prprio Estado).Custas palavra derivada do verbo latino constare (consta, as, are), que significa ter o preo ou o valor (designa a soma de despesas ou o dispndio). Custas so aquela parte das despesas judiciais que, relativas informao, propulso e terminao do processo, so taxadas por lei; e ho-de ser contadas contra a parte vencida segundo o princpio geral de direito processual Victus victori expensas condemnatur, que susceptvel, em todo caso, de maior ou menor atenuao pela lei. Dizem-se judiciais, se se originam de actos processuais em que tenha agido o juiz ou outro funcionrio pblico, ou pessoa nomeada pelo juiz, que haja de actuar. Dizem-se extrajudiciais quando percebidas pelos advogados (ento honorrios de advogado so custas) ou expendidas fora de juzo, como o transporte, o preo dos telegramas e telefonemas e o papel, ou outros materiais para aposio de selos em bens, cofres e documentos. s vezes, as leis empregam a expresso 'custas' em senso assaz largo, o que se h-de examinar.Ta i s d e s p e s a s s o p r e s u m i v e l m e n t e dimensionadas de modo que os recolhimentos

    fraccionrios feitos pelos litigantes, quando somados, cubram parte significativa do valor das despesas gerais suportadas pelo Estado para exercer a jurisdio investimentos em imveis, remuneraes, material empregado etc..Embora a natureza jurdica das custas processuais stricto sensu ainda seja objecto de discusso doutrinria, parece ser consensual tratar-se de taxa. Vale dizer, de obrigao legal e compulsria exigida dos particulares pela utilizao efectiva de um servio pblico especfico e divisvel, prestado directamente ao contribuinte. Nesse sentido a lio de Arruda Alvim: as custas, no nosso entender, constituem-se juridicamente numa verdadeira taxa. O E s t a d o p r e s t a u m d a d o s e r v i o e proporcionalmente ao valor do litgio e aos actos que venham a ser praticados no processo, cobram-se custas.As custas processuais stricto sensu constituem, portanto, modalidade tributria (renda do Estado), que tem sua cobrana inteiramente submetida ao regime de direito pblico.A disciplina das custas no processo civil est embasada num sistema composto de nus e dever. nus de responder antecipadamente (preparar) pelas custas responsabilidade provisria e dever de pag-las a final responsabilidade definitiva.

    A OBRIGATORIEDADE DE NOTIFICAO DAS PARTES PARA PAGAMENTO DE CUSTAS E PREPAROS NOS PROCESSOS JUDICIAIS

    Por uma Ordem forte, credvel e coesa

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    IntroduoQuem anda nos meandros da actividade judiciria certamente que j se deparou, vrias vezes, com o fenmeno do pagamento de custas processuais, quer voluntria e, em alguns casos, de forma coactiva. Infelizmente em prejuzo dos utentes dos servios dos tribunais as formalidades e o sujeito passivo do cumprimento desta obrigao nem sempre tm sido observadas e responsabilizados, respectivamente.Procuraremos, no presente artigo, demonstrar que da responsabilidade das partes o pagamento das custas, sendo obrigatrio que estas sejam devidamente notificadas para o efeito, sem embargo da notificao dos respectivos mandatrios judiciais.

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    2 Pontes de Miranda. Comentrios ao Cdigo de Processo Civil. 4. ed. Rio de Janeiro, 1995, Tomo I, pg. 385.

    Cndido Rangel Dinamarco. Instituies de Direito Processual Civil. So Paulo: Malheiros, 2001, vol. II, pgs. 634/635.

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    Os nus de adiantar despesas processuais so institudos como requisito para que tenham eficcia certos actos que as partes realizam, ou para que elas obtenham a realizao de certos actos por auxiliares da Justia. (...) Quando o processo termina, uma das partes (em regra, o vencido) ter a obrigao de recolher despesas ainda em aberto e de reembolsar a parte contrria pelas que esta adiantou.

    2. Formalidades para pagamento de custas e preparosAssim, uma vez intentada uma aco ou qualquer outra providncia judiciria, por meio da apresentao da respectiva petio inicial ou requerimento a parte e no o mandatrio judicial - deve, no prazo de 5 dias, proceder ao pagamento dos respectivos preparos, nos termos do artigo 127 do Cdigo da Custas Judiciais (CCJ). Se o responsvel pelo pagamento dos preparos o autor, o recorrente ou requerente no pagar no prazo de 5 dias, notificado para no prazo de 5 dias pagar o imposto igual ao preparo, sob pena de o pedido no prosseguir, como prescreve o artigo 134 do CCJ.Entretanto, na prtica, os tribunais tm notificado apenas os mandatrios das partes para os termos do disposto no artigo 134, numa clara preterio das formalidades legais quanto notificao e pagamento de preparos. que tais actos, para alm de serem notificados aos advogados, tm que obrigatoriamente ser igualmente notificados parte. H juzes que tm sustentado que a obrigatoriedade de notificao das partes aplicvel apenas quanto ao pagamento das custas, uma vez, no seu entender, os preparos no se confundem com as custas a serem pagas a final do processo.Porm, no nos revemos neste entendimento, pois nos termos do artigo 134 do Cdigo de Custas Judiciais, se a parte no fizer o pagamento de preparo inicial no prazo legal, ser, nos termos dos artigos 87 e 89, notificado ou avisado para, em cinco dias, pagar o imposto igual ao preparo e depositar o preparo que deixou de fazer se quiser que prossiga o seu pedido.Na verdade, nos termos conjugados dos promios dos artigos 87 e 89 do Cdigo de Custas Judiciais, aplicveis por fora do precedente e citado artigo 134 do mesmo cdigo, no subsistem dvidas que os preparos, para os casos em que devem ser pagos com multa, devem ser notificados tambm parte e

    essa notificao tem que ser feita nos termos dos citados artigos 87 e 89 do CCJ. Contrariamente ao entendimento de certos sectores do judicirio, os preparos so e sempre foram entendidos como parte integrante das custas. que, nos termos do n. 1 do Cdigo de Custas Judiciais, as custas compreendem o imposto de justia, os selos e os encargos. Por sua vez dispe o corpo do artigo 120 do mesmo cdigo que nos processos, sempre que houver lugar ao pagamento de imposto de justia, haver preparos.Ora, daqui decorre que os preparos so parte integrante do imposto de justia, constituindo um adiantamento deste e consequentemente das custas. Sobre o conceito e natureza jurdica de preparo suficientemente esclarecedora a lio de Srgio Bermudes: O preparo o aprestamento, aparelhamento (praeparare: prae, adiante; parare, aprestar), logo, o pagamento das custas necessrias prtica de algum ou alguns actos processuais, diante do sistema brasileiro, no qual a parte remunera o Estado pela prestao jurisdicional. No caso dos recursos, o preparo uma taxa por todos os servios prestados ao recorrente, que incluem do processamento ao julgamento do recurso e o retorno dos autos ao juzo de origem. (...) O preparo dos recursos constitui uma taxa, do ponto de vista tributrio e, processualmente, uma condio procedimental. por isso que, no final do processo, quando so calculados as custas, os preparos pagos em adiantamento, so abatidos da conta, como resulta do disposto no artigo 133 do Cdigo de Custas Judiciais.Por outro lado, nos termos do artigo 124 do Cdigo das Custas Judiciais com a redaco dada pelo Decreto n 43809, de 27 de Julho de 1961 a responsabilidade pelo pagamento dos preparos incumbe parte. Alis, trata-se de um acto pessoal da parte que deve ser directamente notificado a esta, conforme se alcana do n 2 do artigo 253 do Cdigo de Processo Civil (CPC).Por outro lado, este entendimento tambm decorre do acrdo do Tribunal Supremo de 01 de Setembro de 1987, nos autos do processo n. 9/87, que consta das anotaes do artigo 87 do Cdigo de Custas Judiciais.

    ConclusoA falta de notificao parte determina a nulidade dos actos praticados, incluindo os subsequentes,

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    H que fazer distino entre petio inicial nas aces declarativas requerimento inicial nas aces executivas e requerimentos nas restantes situaes.

    Nos termos dos artigos 87 e 89 do CCJ.

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    5Pontes de Miranda. Comentrios ao Cdigo de Processo Civil. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999, Tomo VII, pgs. 128/129.

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    visto que essa irregularidade influencia a deciso que pode ser tomada em face de uma suposta falta de pagamento de preparos, nos termos dos ns 1 e 2 do artigo 201 do CPC. Daqui resulta claro que as notificaes, quer para pagamento de custas, quer para imposto de justia igual ao preparo em conformidade com o artigo 134 do CCJ, tm que ser feitas no s no mandatrio judicial, mas tambm na prpria parte, pelo que sempre que quanto aos preparos apenas seja

    notificado mandatrio judicial, deve considerar-se que a parte no foi devidamente notificada para os pagamentos dos preparos, assim sendo, no se podem aplicar multas sob pena de se incorrer em erro. , pois, esta, a nossa posio sobre a questo que acima se levanta.

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    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

    Licenciado e Mestrando em Direito pela UEMAdvogado CP n 410

    FOTOS DO ENCONTRO DO BASTONRIO COM OS ADVOGADOS DOMICILIADOS EM GAZA

    O Ilustre Bastonrio e o Vice-Presidente do Conselho Nacional visitaram a Cidade de Xai-Xai e reuniram-se com os Advogados e Advogados-Estagirios com domiclio profissional na Provncia de Gaza.

    (dia 21)

  • 1. Requisitos mnimos:a) Pessoas elegveis a publicar no Boletim da OAM: Podem redigir e publicar artigos os advogados, advogados estagirios e sociedades de direito moambicanas que prestam servios jurdicos.b) Identificao do autor: O autor deve identificar-se indicando o seu nome e nmero da carteira profissional. Pode, igualmente, indicar o grau acadmico. No acto de envio deve ainda juntar uma fotografia tipo passe com fundo branco. Quando o artigo for da autoria de uma sociedade, esta deve indicar o seu nome, o endereo fsico/electrnico e, caso possua, o website.c) Padro mnimo de redaco: Os artigos devem respeitar o seguinte: i. possuir um ttulo; ii. conter um mnimo de 400 e um mximo de 1000 palavras; iii. deixar o espaamento entre linhas de 1,5, letra Times NewRoman, espaamento entre pargrafos de uma linha ; iv. formatao do texto em justify;v. apresentados em lngua portuguesa;vi. os nomes das entidades pblicas estrangeiras, quando citados, so traduzidos, mas devem ser acompanhados pela sua designao na lngua original, em itlico e dentro de parnteses e, no caso de designao de pessoas colectivas ou pessoas singulares, no devem ser traduzidos.vii. a citao de obras ou legislao deve conter as referncias padro para a sua fcil localizao pelos leitores, se assim desejarem;viii. no desenvolvimento do artigo deve estar claro o tema abordado, a citao das fontes usadas, se for o caso, e a informao, crtica ou reflexo que se pretende desenvolver em volta do tema em questo.d) Prazo para entrega: O artigo deve ser entregue em ficheiro Word atravs do envio para o email bi@oam.org.mz at ao dia 10 do ms anterior ao da publicao do Boletim da OAM (actualmente o Boletim da OAM tem uma publicao mensal).e) Erros ortogrficos e outros: Para economia de tempo, solicita-se ao autor a reviso prvia do seu artigo, evitando atrasos na publicao do mesmo devido a erros ortogrficos, problemas de formatao e outros erros que possam afectar a boa apresentao e qualidade exigida para os artigos a serem publicados.f ) Aceitao da publicao pela OAM: A equipa tcnica da OAM responsvel por coordenar a publicao dos artigos far a verificao do cumprimento dos requisitos acima indicados, para alm dos referidos no nmero seguinte, reservando-se no direito de no publicar o artigo enviado em caso de no cumprimento das regras em referncia. A avaliao da equipa tcnica poder determinar a rejeio da publicao ou, a necessidade de melhorias e correces para a sua publicao uma vez sanadas as irregularidades detectadas, a serem feitas pelo autor do artigo;g) Remunerao: No h qualquer remunerao pela publicao dos artigos.

    2. Limitao de Responsabilidade e tica:a) Os artigos so da inteira responsabilidade do seu autor e no reflectem a posio da OAM, e nem esta responsvel, individual ou solidariamente, pelo contedo dos artigos.b) exigido dos autores dos artigos o respeito pela tica e deontologia profissional, bem como o cuidado com a linguagem usada e informao disseminada.c) Os artigos no devem ser usados como veculos para publicitaes partidrias, religiosas ou de qualquer outra espcie, nem para incentivar actos de descriminao, revolta ou desestabilizao da ordem pblica e social ou, ainda, como veculo para crticas personalizadas e infundadas.d) Os artigos que reflectem meras opinies dos respectivos autores devem ter o cuidado de frisar este facto, de forma que as informaes transmitidas no sejam entendidas como posicionamentos formais ou consensuais das autoridades pblicas competentes ou outras instituies eventualmente abarcadas pelo mesmo, de modo a no confundir o respectivo pblico-alvo.

    Maputo, 04 de Junho de 2013

    ORDEM DOS ADVOGADOS DE MOAMBIQUE

    14Por uma Ordem forte, credvel e coesa

    NORMAS E ESTRUTURA DO CONTEDO DOS ARTIGOS PARA PUBLICAO NO BOLETIM INFORMATIVO DA OAM

    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

  • Diploma Ministerial n 64/2013 de 12 de Junho de 2013--> Actualiza as Tabelas de Reteno na Fonte do Importo sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS)

    Diploma Ministerial n 56/2013 de 7 de Junho de 2013--> Atinente ao Reajustamento do salrio para trabalhadores que desenvolvem actividades integradas no sector 1. - Agricultura, Pecuria, Caa e Silvicultura

    Diploma Ministerial n 57/2013 de 7 de Junho de 2013--> Atinente ao Reajustamento do salrio para trabalhadores que desenvolvem actividades integradas no sector 2. - Pescas

    Diploma Ministerial n 58/2013 de 7 de Junho de 2013--> Atinente ao Reajustamento do salrio para trabalhadores que desenvolvem actividades integradas no sector 3. - Indstria de Extraco de Minerais

    Diploma Ministerial n 59/2013 de 7 de Junho de 2013--> Atinente ao Reajustamento do salrio para trabalhadores que desenvolvem actividades integradas no sector 4. - Indstria Transformadora

    Diploma Ministerial n 60/2013 de 7 de Junho de 2013--> Atinente ao Reajustamento do salrio para trabalhadores que desenvolvem actividades integradas no sector 5. - Produo, Distribuio de Electricidade, Gs e gua

    Diploma Ministerial n 61/2013 de 7 de Junho de 2013--> Atinente ao Reajustamento do salrio para trabalhadores que desenvolvem actividades integradas no sector 6. - Construo

    Diploma Ministerial n 62/2013 de 7 de Junho de 2013--> Atinente ao Reajustamento do salrio para trabalhadores que desenvolvem actividades integradas no sector 7. - Servios no Financeiros

    Diploma Ministerial n 63/2013 de 7 de Junho de 2013--> Atinente ao Reajustamento do salrio para trabalhadores que desenvolvem actividades integradas no sector 8. - Actividade Financeira

    Decreto n 25/2013 de 6 de Junho de 2013--> Aprova o modelo de licena de explorao de casino e de sala de mquinas automticas de jogos fora dos casinos

    Diploma Ministerial n 47/2013 de 22 de Maio de 2013--> Suspende temporariamente a exigncia prevista na alnea e) do artigo 3 dos requisitos para a explorao em regime de licena simples aprovados pelo Decreto n. 30/2012, de 1 de Agosto

    Diploma Ministerial n 49/2013 de 24 de Maio de 2013--> Aprova frmulas de Reviso de Preos de Empreitada de Obras PblicasResoluo n 34/2013 de 6 de Junho de 2013

    15Por uma Ordem forte, credvel e coesa

    InfoLEGAL

    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

    Seleco de Diplomas publicados na I Srie do Boletim Repblica de Moambique no ltimo ms

    2013-07

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    CONTACTE carina@panbox.co.mz

  • --> Ratifica o Acordo de Crdito celebrado entre o Governo da Repblica de Moambique e o Fundo Africano de Desenvolvimento, assinado no dia 15 de Maro de 2013, em Maputo, no montante de UA 38 650 000,00, destinado ao financiamento do Projecto de Corredor de Estrada de Nacala - Fase III

    Resoluo n 35/2013 de 6 de Junho de 2013--> Ratifica o Acordo de Donativo celebrado entre o Governo da Repblica de Moambique e o Fundo Africano de Desenvolvimento, assinado no dia 15 de Maro de 2013, em Maputo, no montante de UA 180 000,00 destinado ao financiamento do Projecto de Corredor de Estrada de Nacala - Fase III

    Resoluo n 25/2013 de 16 de Maio de 2013--> Autoriza o Ministro das Finanas a proceder a assinatura dos Anexos ao Acordo Bilateral relativo ao Estabelecimento de Posto de Fronteiras de Paragem nica em Ressano Garcia/Lebombo, assinado entre o Governo da Repblica de Moambique e da Repblica da frica do Sul, a 18 de Setembro de 2007, em Pretria

    Diploma Ministerial n 46/2013 de 22 de Maio de 2013--> Concernente distribuio da receita decorrente da cobrana da retribuio inicial e das rendas fixas e variveis das concesses de infra-estruturas ferrovirias e porturias

    Diploma Ministerial n 48/2013 de 24 de Maio de 2013--> Concernente converso do Sistema de Gesto de Quotas por Captura para um Sistema de Gesto da Quota por Esforo de Pesca

    Diploma Ministerial n 50/2013 de 24 de Maio de 2013--> Concernente nomeao dos Membros da Comisso Instaladora do Parque Ecolgico de MalhazineResoluo n 11/2013 de 16 de Maio de 2013--> Elege membros da Comisso Nacional de Eleies, provenientes das organizaes da sociedade civilComunicado de 16 de Maio de 2013--> Relativo vaga deixada pelo Deputado Crisanto Joo Naiti na Comisso das Relaes Internacionais

    Decreto n 20/2013 de 15 de Maio de 2013--> Cria alguns grupos salariais nas carreiras de regime especial, do Sistema de Carreiras e Remunerao, altera a tabela indiciria do Grupo Salarial 15, constante do Anexo II do Decreto n. 54/2009, de 8 de Setembro, e a tabela do Anexo III, do Decreto n. 22/2011, de 1 de Junho

    Decreto n 21/2013 de 15 de Maio de 2013--> Actualiza o valor do ndice 100 das Tabelas das carreiras de regime geral, regime especial e especficas e das funes de direco, chefia e confiana do Sistema de Carreiras e Remunerao em vigor no aparelho do Estado

    Decreto n 22/2013 de 15 de Maio de 2013--> Actualiza o valor do ndice 100 das Tabelas de Salrios e Remuneraes a aplicar aos militares dos quadros permanentes das Foras Armadas de Defesa de Moambique (FADM)

    Decreto n 23/2013 de 15 de Maio de 2013--> Actualiza o valor do ndice 100 das Tabelas de Salrios e Remuneraes a aplicar aos membros da Polcia da Repblica de Moambique (PRM)

    Decreto n 24/2013 de 15 de Maio de 2013--> Aprova o subsdio de reinsero social especial dos desvinculados das Foras de Defesa e Segurana, concentrados na Escola de Conduo Militar de Maputo

    Resoluo n 24/2013 de 3 de Maio de 2013--> Autoriza o Ministro que superintende a rea Penitenciria a constituir uma Equipa Tcnica para negociar

    16Por uma Ordem forte, credvel e coesa

    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

  • os termos da concesso a ser estabelecida pelo Governo da Repblica de Moambique e a sociedade concessionria, bem como a celebrar o respectivo contrato, em nome e representao do Governo da Repblica de Moambique

    Resoluo n 23/2013 de 3 de Maio de 2013--> Ratifica o Protocolo Facultativo Conveno Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruis, Desumanos ou Degradantes e atribui Comisso Nacional de Direitos Humanos a responsabilidade de exercer o mandato do mecanismo nacional que deve ser estabelecido nos termos do artigo 17 do Protocolo

    Decreto n 18/2013 de 3 de Maio de 2013--> Aprova o Regulamento do Estatuto dos Membros do Servio de Informaes e Segurana do Estado, aprovado pela Lei n. 13/2012, de 8 de Fevereiro

    Decreto n 19/2013 de 3 de Maio de 2013--> Aprova o Regulamento da Lei n. 12/2012, de 8 de Fevereiro, de reviso da Lei n. 20/91, de 23 de Agosto, que cria o Servio de Informao e Segurana do Estado (SISE)

    Rectificao--> Rectifica a numerao repetida das Resolues n.s 6, 7 e 8/2013, do Conselho de Ministros, publicadas no Boletim da Repblica n. 21, 1. Srie, de 13 de Maro

    Determina que Afonso Sande Cuinhane cessa as funes de Presidente do Conselho de Administrao do Instituto de Aviao Civil de Moambique

    Nomeia Joo Martins de Abreu, para o cargo de Presidente do Conselho de Administrao do Instituto de Aviao Civil de Moambique

    Renova o mandato de Tayob Abdul Carimo Adamo, no cargo de Presidente do Conselho de Administrao da Empresa Moambicana de Dragagem, E.P.

    Resoluo n 6/2013 de 13 de Maro de 2013 -

    Resoluo n 7/2013 de 13 de Maro de 2013 -

    Resoluo n 8/2013 de 13 de Maro de 2013 -

    OAM | EDIO 15 | JULHO 2013

    Um produto gentilmente cedido OAM - Ordem dos Advogados de Moambique pela

    Av. Emlia Dasse, n 872 2 andar Maputo Moambique - www.panbox.co.mzTelefones: +258 213080/1 Fax: +258 21308041 - Cel.: +258 823146330 - +258 848997399

  • 1. Para consulta de acrdos:a) Conselho Constitucional: www.cconstitucional.org.mz/Jurisprudenciab) Tribunal Supremo: www.ts.gov.mz/Jurisprudencia

    2. Para consulta de Projectos de Lei (Assembleia da Repblica) www.parlamento.org.mz/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=1&Itemid=233

    3. Para consulta de legislao laboral (Ministrio do Trabalho) www.mitrab.gov.mz/IndexLegislacao.html

    4. Para consulta de legislao fiscal (Ministrio das Finanas e Autoridade Tributria de Moambique) www.mf.gov.mz/web/guest/legislacao1

    www.at.gov.mz

    5. Para consulta da legislao ambiental, ordenamento territorial, terras e florestas (Ministrio para Coordenao do Ambiente)

    www.legisambiente.gov.mz/

    6. Para consulta da legislao sobre os recursos minerais (Ministrio dos Recursos Minerais)www.mirem.gov.mz/index.php?option=com_content&view=section&layout=blog&id=10&Itemid=54

    7. Para consulta da legislao sobre o Ministrio Pblico (Procuradoria-Geral da Repblica)www.pgr.gov.mz/index.php/legislacao

    8. Para consulta da publicao de estatutos, despachos e atribuio de licenas, etc (Portal do Governo)

    www.portaldogoverno.gov.mz/Legisla/boletinRep

    9. Para consulta de legislao oramental, patrimonial, seguro, jogos, mercado mobilirio, participao de Estado (Ministrio das Finanas)

    www.mf.gov.mz/web/guest/legislacao1

    10. Para consulta de legislao financeira (Banco de Moambique)www.bancomoc.mz/LFinanceira.aspx?id=L&ling=pt

    1. Dicionrio Priberam da Lngua Portuguesa(online), que permite a consulta de palavras e obteno do significado, utilizando ou no o Novo Acordo Ortogrfico de Lngua Portuguesa.

    www.priberam.pt

    15Por uma Ordem forte, credvel e coesa

    SITES NACIONAIS RELEVANTES

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    FICHA TCNICAEdio: OAMDirector: Toms TimbaneDirector Adjunto: Nelson JequeCoordenao: Vnia Xavier e Tnia WatyMaquetizao: Ramalho Nhacubangane

    PARA MAIS INFORMAES CONTACTE:Av.: Vladimir Lenine, nr 1935 R/C

    Tel.: +258 21 4147743Fax: +258 21 4147744Cel: +258 82 3038218

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