boletim comemorativo 2010

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Boletim Comemorativo do 83º aniversário do Regimento de Artilharia N.º 4, correspondente ao ano de 2010, sob a direcção do Coronel de Artilharia José da Silva Rodrigues.

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  • Regimento de Artilharia N. 4Regimento de Artilharia N. 4

    Boletim10Boletim10

  • 3BOLETIM 2010

    MENSAGEM DO COMANDANTE DA BRIGRR

    EDITORIAL

    LEIRIA E O REGIMENTO DE ARTILHARIA N. 4

    UMA VISO

    AFEGANISTO - A PRIMEIRA MISSO

    MISSO NO LBANO

    M119 105MM LIGHT GUN/30/M98

    LIES APRENDIDAS

    INVESTIR

    RETROSPECTIVA ANUAL DE ACTIVIDADES

    4

    5

    6

    8

    14

    19

    23

    30

    36

    43

    Boletim Comemorativo 2010Propriedade do Regimento

    de Artilharia N. 4

    Direco, Redaco e AdministraoRua D. Jos Alves Correia da Silva

    Cruz DAreia2410-120 Leiria

    Telefone: 244822026/434400 ra4@mail.exercito.pt

    DirectorCOR ART Jos da Silva Rodrigues

    Coordenao 1SAR ART Anjos Das Neves

    Articulistas TCOR ART Norberto SerraTCOR ART Octvio Avelar

    CAP ART Sandro GeraldesCAP ART lvaro Santos

    1SAR ART Rui Fernandes1SAR ADMIL Robert Branco

    SOLD RC Filipe Brilhante

    Reviso de TextoDR.a Sara Sofia Gonalves

    Projecto Grfico e PaginaoCarlos Neves, IDEA

    Marta Silvrio, Jornal de Leiria1SAR ART Anjos Das Neves, RA4

    FotografiaRicardo Graa

    SOIS, RA4

    Impresso e AcabamentoMX3 - Artes Grficas, Lda

    EdioJorlis, Edies e Publicaes, Lda

    Depsito Legal278676/08

    Tiragem400 Exemplares

    SUMRIOSUMRIO

  • 4 REGIMENTO DE ARTILHARIA N. 4

    Brigada de Reaco Rpida (BrigRR) uma das mais recentes Grandes Unidades doExrcito Portugus e teve como sua antecessora a Brigada Aerotransportada Independente(BAI), a qual por sua vez tinha sido criada em 01 de Janeiro de 1994, resultante da extino

    do Corpo de Tropas Pra-Quedistas, ento na Fora Area, e do Regimento de Comandos, no Exrcito.Desde logo, aquando da sua gnese, foi equacionado dotar a BAI com uma valncia de apoio de fogos

    condizente com o carcter expedicionrio da Brigada e assim, em simultneo, surgiu o Grupo de Artilhariade Campanha (GAC), equipado com o Obus M119 105mm Light Gun/30/m98. A presena da Artilhariana BrigRR foi todavia interrompida, tendo esta valncia sido transferida para a Brigada Interveno.Entretanto, o Exrcito iniciou um processo de anlise das implicaes operacionais de tal deciso e, em boahora, reverteu novamente para a BrigRR esta capacidade, essencial para o seu possvel empenhamento.

    A misso do Regimento de Artilharia N. 4 (RA4) no se esgota. Porm, com a tarefa de garantira prontido do GAC, misso que cumpre de forma exemplar conforme foi testemunhado quando doaprontamento da NATO Response Force 14 (NRF14), em que o Regimento participou activamente, coma dinmica adequada de uma Unidade da Estrutura Base, atravs de um calendrio operacional exigentee conferindo quela sub-unidade um carcter assumidamente expedicionrio.

    A forma expedita, sria e rigorosa como se empenha, quando lhe so cometidas misses, constituipara mim um indicador de excelncia, consubstanciado recentemente em pblico reconhecimentoatravs da condecorao do seu Estandarte Nacional com a Medalha de Ouro de Servios Distintos e pelaatribuio da Medalha de Ouro da Cidade de Leiria.

    Contudo, os desafios so constantes e, neste momento, o RA4 constitui-se como uma unidade devanguarda ao introduzir no seu planeamento anual a gesto por objectivos. a primeira unidade doExrcito Portugus a utilizar no seu encargo operacional o sistema AFATDS (Advanced Field ArtilleryTactical Data System), que constitui uma ferramenta de comando e controlo relevante para uma respostaeficaz aos desafios do moderno Campo de Batalha.

    Importa, por fim, identificar os objectivos a alcanar no futuro. Estes passam por acompanhar econtribuir afincadamente para os estudos em curso no Exrcito e que avisadamente apontam no sentidode dotar uma das Baterias do GAC com uma dupla valncia de armas Obus/Morteiros Pesados,permitindo, assim, uma maior flexibilidade de utilizao do apoio de fogos, consoante as caractersticasda misso. Passaro, ainda, por qualificar em pra-quedismo todo o efectivo dessa Bateria, emconsonncia com a j corrente e idntica qualificao dos Observadores Avanados do Grupo.

    Termino, evocando a divisa Fortes e Leais deste insigne Regimento, que traduz na perfeio tudoo que anteriormente referi.

    MENSAGEM DO COMANDANTE MENSAGEM DO COMANDANTE DA BRIGADA DE REACO RPIDADA BRIGADA DE REACO RPIDA

    O COMANDANTE DA BRIGRR

    Raul Lus de Morais Lima Ferreira da CunhaMGEN

  • 5BOLETIM 2010

    este ano de 2010 e no mbito das comemoraes do 83 aniversrio do Regimento deArtilharia N. 4, d-se continuidade publicao do seu Boletim, o qual constitui,naturalmente, um reportrio das diversas actividades, motivaes e experincias que

    caracterizam, em termos globais, a actividade de todos aqueles que servem este Regimento ao longodeste ltimo ano.

    De forma a dar corpo a esta publicao, a mesma integra num esprito de partilha, detransmisso do conhecimento e de experincias vividas, um conjunto de artigos. Por um lado,transmitem a actividade, as preocupaes e a procura de solues por parte do Regimento e, poroutro, permitem, com base no enriquecimento intelectual, a disseminao do conhecimento comoelemento decisivo do engrandecimento humano e a transmisso de experincias vividas em missesexteriores ao territrio nacional. Estas referncias constituem s por si motivos fortes, de realce edignos de publicao.

    A continuidade da explorao e rentabilizao do Sistema Automtico de Comando e Controlo,como rea de Excelncia e como elemento potenciador da capacidade operacional do Grupo deArtilharia de Campanha, continua a merecer um cuidado especial e particular por parte do Regimento.Acompanhando de forma persistente a sua integrao com os modernos sistemas de comunicaes,atravs de aces de continuidade na formao dos quadros, numa perspectiva de sustentabilidade efiabilidade do sistema global, sedimenta-se a referncia que continua a ser neste domnio.

    No mbito das outras misses, muitas foram as actividades desenvolvidas, quer no contexto dasua misso primria s actividades militares, quer no apoio comunidade civil, onde o Regimento, noobstante as dificuldades e limitaes existentes, sempre assinou o nome da Artilharia 4 com letramaiscula. Para alm do referido, e objecto do reiterado sentido de misso que ao longo dos anoscaracterizaram os que por aqui tm passado, foi com elevado e sentido orgulho que o Regimento foidistinguido com duas condecoraes: A Medalha de Servios Distintos Grau Ouro e a Medalha deOuro da Cidade de Leiria.

    Assim, ao comemorar-se mais um aniversrio do Regimento, com particular satisfao eregozijo que manifesto o apreo e o reconhecimento pblico pela dedicao, entusiasmo e elevadosentido de misso de todos os militares e civis que nele servem. Neste ano de grande e significativaactividade souberam dar resposta adequada s diversas solicitaes, estando certo que, com adeterminao, esprito de bem servir e a competncia que os caracteriza, continuaremos a afirmar oRegimento e saberemos enfrentar as dificuldades e encarar os novos desafios, com elevado sentido deresponsabilidade, optimismo e confiana no futuro.

    O COMANDANTE

    Jos da Silva RodriguesCOR ART

    EDITORIALEDITORIAL

  • 6 REGIMENTO DE ARTILHARIA N. 4

    onge vo os tempos em que o comum cidado olhava, por vezes com desconfiana, paraaquelas enormes instalaes na Cruz dAreia, que serviam de aquartelamento a vriascentenas de homens que se refugiavam no seu interior e cujas populaes limtrofes

    aprenderam, pelos horrios a que os ouviam, a destrinar o toque da alvorada do toque para formar, paracomer e at para dormir, atravs de um clarim que fazia ecoar com estridncia tais sons.

    Os contactos com as gentes do quartel eram praticamente inexistentes. No longnquo ano de 1926,altura em que foi criado o quartel, ningum ousava enfrentar a sisudez daqueles militares, cuja obrigaoera agir em misso de defesa, alheando-se da chamada sociedade civil. Ainda que sentissem algumaanimosidade em relao aos homens que dirigiam os quartis, tinham a convico de que eram seresautoritrios, cuja preocupao era apenas a guerra.

    E, durante anos e anos, dcadas atrs de dcadas, os militares do Regimento de Artilharia de Leiriaviveram de costas voltadas para as populaes, pois, repete-se, era assim que lhes era ordenado pelahierarquia. Que ningum se abeirasse da Porta de Armas, mesmo sem malvolas intenes, bastandoa mera curiosidade de espreitar para o interior para tentar perceber como seria por dentro aquelecasaro.

    Surge ento a Revoluo dos Cravos, levada a cabo por militares com uma viso que eraantagnica da dos seus antepassados, acabando com um poder ditatorial que estava enraizado nasociedade portuguesa, o que originou injustias, perseguies e at mortes. E foi a partir do glorioso dia25 de Abril de 1974, que entra uma lufada pelas portas dos quartis, varrendo o bafiento odor que at aliestava armazenado, nas instalaes de aspecto sinistro e lgubre.

    O Regimento de Artilharia N. 4 (RA4) de Leiria no foi excepo regra, mas foiinequivocamente um dos que mais sobressaiu, abraando a modernidade, envolvendo-se em constantesaces com as populaes, franqueando as suas portas para as mais dspares actividades, tendo semprecomo lema a aproximao da sociedade civil. Hoje, graas a quem o tem gerido nos ltimos anos, umexemplo com uma panplia de misses que lhe esto adstritas e que so sempre desenvolvidas emesprito de comunho com um objectivo: servir as populaes integradas na sua rea geogrfica comdesvelo, lealdade e prontido.

    E os exemplos so muitos, destacando-se a sua interveno em misses de interesse pblico,participando nos planos de proteco civil. De realar o Plano Vulcano, que consiste em manteroperacional uma equipa de sapadores para a defesa florestal contra incndios na Mata Nacional do Urso,contribuindo para a melhoria das acessibilidades para o combate aos incndios florestais e para o reforodo si