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BILOGO ASEFE

Mario Tessari

do texto de Mario Tessari Texto em construo. Jos Halley Winckler idealizou esse projeto de divulgao da meliponicultura. Mario Tessari escreveu o texto e diagramou o livro. Maria Elisa Ghisi incentivou, apoiou e revisou o texto. Mauro Tessari (CRB-14/002) elaborou a FICHA CATALOGRFICA

Tessari, Mario.

Bilogo Asefe / Mario Tessari. Jaguaruna : Edio do Autor, 2016.

72p.

ISBN 1. Abelha-sem-ferro - Literatura infanto-juvenil. 2. Melpona Literatura infanto-juvenil. I. Ttulo.

CDD 028.5 595.799 638.1

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Mario Tessari

INSECTOLOGIA

O interesse pelas abelhas-sem-ferro cresceu com o corpo adolescente. Asefe aprendeu muito com os mestres meliponicultores, dominava as tcnicas de manejo e, observando o comportamento dos enxames, procurava adaptar, o melhor possvel, as colmeias e os calendrios de reproduo dos enxames. Conhecia a maioria das variedades de ocorrncia local e arriscava introduzir outras que poderiam se adaptar ao clima e s floradas.

Aos poucos, alcanou os limites das possibilidades imediatas e sentia falta de informaes sobre a biologia dos insetos. A fronteira do conhecimento prtico da organizao eussocial esbarrava no funcionamento dos organismos individuais.

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Para poder melhorar a vida das amigas midas, Asefe precisava saber como elas eram por dentro, entender como funcionava o organismo de operrias, zanges e rainhas. Para ampliar o conhecimento prtico, teria que compreender a fisiologia de cada indivduo; deveria estudar teorias que pudessem esclarecer os comportamentos das abelhas e dos enxames.

Aos poucos, a tendncia foi se consolidando em vocao que determinou a escolha da profisso que exerceria na idade adulta: queria ser bilogo e especialista em insetos. Antes mesmo de surgirem as primeiras penugens de barba, Asefe j procurava o melhor Curso de Biologia, para iniciar logo depois do Ensino Mdio.

O entusiasmo pela meliponicultura contribuiu bastante para o sucesso no vestibular. Assim, o menino que havia visto uma formiga carregando outra formiga pode ingressar no Curso de Biologia.

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NA UNIVERSIDADE

No Ensino Superior, novamente, Asefe se sentia diferente no meio daquela galera de fones nos ouvidos e de olhos nos monitores. Chegava com objetivo definido; sabia at a rea de especializao que queria seguir. Os colegas riam da escolha dele, da deciso de querer cuidar de insetos.

Alm de professores experientes e abertos ao dilogo, na Universidade, havia um museu de insetos e uma biblioteca enorme, com milhares de opes de pesquisa. Asefe aproveitava todas as oportunidades para aprofundar o conhecimento sobre as abelhas-sem-ferro e sobre os polinizadores em geral.

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J nas primeiras aulas, os professores lembravam aos alunos que a nutrio dos seres humanos depende diretamente dos demais seres vivos; alm de produtos de origem animal, comemos verduras, legumes, frutas, cereais. E a produo de frutas e de cereais depende, na grande maioria das vezes, da polinizao realizada por animais ou pelo vento.

Se todos tivessem conscincia de que os insetos so fundamentais para a produo de alimentos, seriam valorizados os procedimentos naturais, os estudos cientficos e as experincias para melhorar a produtividade agrcola e para controlar as pragas.

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STIO VOZ

Voz tinha realizado o sonho de morar na cidade, bem juntinho da filha. A casa dos pais de Asefe estava velha e precisava de reformas radicais. Alm do que, no terreno, caberia um condomnio. Ento, trocaram o imvel por dois apartamentos no edifcio que foi construdo no local.

Com o stio desativado, a casa permanecia fechada e os bichos do mato ocuparam o lugar das galinhas, patos, marrecos, porcos, bois e vacas. Dava d de ver tudo abandonado. Ento, Asefe props aos avs maternos colocar vida nova naquelas paisagens.

Andando por l, ele se sentia um legtimo ruralide, com os gostos e com as espertezas prprias de um

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matuto. Porm, estava estudando e, ainda, sem condies de morar na roa e de cultivar a terra.

Assim, pensando, analisando e planejando, concluiu que poderia estabelecer parcerias com quem pudesse fixar residncia no stio, aproveitar a gua boa para criar peixes e as terras frteis para produzir alimentos.

Conversando com os familiares, obteve autorizao para pr em prtica as ideias, contanto que evitasse prejuzos e preservasse o meio ambiente.

Um dos professores dele trabalhava para uma empresa agropecuria que mantinha um projeto de pesquisa com o objetivo de substituir fungicidas, inseticidas e herbicidas por hormnios vegetais que fizessem o controle biolgico das pragas sem deixar agrotxicos nos alimentos.

Asefe procurou esse professor e contou que tinha um bom espao para testar a eficincia dos mtodos pesquisados. O mestre demonstrou vivo

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interesse pela possibilidade de ter um trabalho de campo, mas a efetivao do laboratrio a cu aberto dependeria da vigilncia permanente de algum que morasse nas proximidades.

Ento, o aluno saiu procura de interessados no arrendamento do stio, para cultivar as terras arveis, aproveitar as aguadas para criar peixes e retomar a criao de animais domsticos.

Logo, encontrou, no cinturo verde da cidade, um casal de horticultores que explorava a produo orgnica de alimentos. A rea em que eles plantavam estava sendo absorvida pela expanso urbana e eles procuravam solos adequados para continuar produzindo alimentos e, assim, garantir a sobrevivncia da famlia.

De comum acordo, estabeleceram uma parceria, com vantagens para todos. Asefe confiava em Antnio e em Maria e contava com o capricho deles para manter o stio em atividade produtiva. Do

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ponto de vista econmico-financeiro, os empreendimentos deveriam, ao menos, ser autossustentveis ou at gerarem pequenos lucros.

O funcionamento da trplice aliana transformou o Stio Voz em um modelo de desenvolvimento agropecurio, referncia em prticas integradas.

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JUVENTUDE DE VOMELO

Vomelo continuava inventando novas tcnicas e novos abrigos para as amigas midas que fazem mel sem ferroar. Vcema se dedicava elaborao de refeies saborosas e cultivava flores e folhagens em seus jardins. As filhas estavam morando no estrangeiro e, pelas redes sociais, eles acompanhavam o desenvolvimento dos netos.

Ele ainda ajudava a todos os que manifestavam interesse pela meliponicultura. Explicava os mnimos detalhes com uma sbia pacincia.

Para os iniciantes, Vomelo dava a primeira colmeia e se colocava disposio para orientaes, ali mesmo no meliponrio, em uma ida do mestre

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casa do aprendiz ou em consultas por telefone ou pela internet.

Alm dos criadores tradicionais, que produziam mel, prpolis e enxames, surgiam muitos interessados em ter essas belas e laboriosas amigas para polinizar as lavouras e as matas, preservar as espcies, colher um pouco de mel para acalmar a tosse, dar um toque especial aos pes e aos bolos ou, simplesmente, para poder admirar o voo e o trabalho das lindas abelhas.

Vomelo continuava mantendo intercmbio com meliponicultores de outras regies e recebia muitas turmas de alunos, aos quais incentivava a conservarem as fontes de gua e as matas nativas e a protegerem os polinizadores. Palestrava nas escolas e nos seminrios sobre meliponicultura.

Asefe aproveitava todas as oportunidades para conversar com o mestre e tirar dvidas.

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Vomelo, estou decepcionado com as manduris amarelas. As ltimas multiplicaes de enxames fracassaram aps alguns meses. Surgem rainhas bonitas, bem amarelas, as operrias trabalham muito e armazenam bastante mel. Depois, as abelhas comeam a se amontoar nos cantos ou dentro de um pote vazio e retiram o plen dos potes, deixando como lixo no fundo da caixa.

Problema com a rainha. Isso acontece quando a rainha cruza com um irmo dela. No comeo, a postura parece normal. Depois, passam a nascer muitos machos, filhos dela mesma ou de operrias que se esforam para substituir a rainha falhada. O que voc viu pelos cantos so zanges aos montes. E, quando cessa a postura, as poucas operrias que restam retiram o plen que comea a fermentar nos potes esclareceu Vomelo.

Algumas dificuldades dependiam de conhecer melhor as abelhas e de treinar mais os olhos.

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Preciso identificar o que princesa, zango e operria. A rainha fcil de ver brincou Asefe.

Reconhecer cada uma no tarefa das mais fceis; requer ateno, experincia. Com o tempo, voc vai perceber as pequenas diferenas visveis entre abelhas de uma mesma famlia.

Vomelo falava com serenidade e segurana, pois lidava com meliponicultura e apicultura h muito tempo. Assim, desenvolveu uma pequena palestra:

Nas colnias de abelhas nativas sem ferro, existem trs tipos de indivduos: as rainhas e as operrias que so as fmeas e os machos que fazem a fecundao das rainhas.

Cabe rainha a postura de ovos frteis que daro origem aos machos e s operrias.

A rainha, quando nasce, menor que todos os membros da famlia. So mais finas e tm abdmen pequeno, mais estreito e levemente alongado.

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So extremamente geis,

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