Bioética: comunicação científica e realidade ?· Qual que é o sentido de publicar revistas indexadas?…

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<ul><li><p>1111</p><p>rev.latinoam.bioet. / ISSN 1657-4702 / e-ISSN 2462-859X / Vol. 17 / No. 1 / Edicin 32 / Enero-Junio / pp. 11-13 / 2017 </p><p>Biotica: comunicao cientfica e realidade social</p><p>Juan Mara Cuevas Silva*Giovane Mendieta Izquierdo**</p><p>doi: http://dx.doi.org/10.18359/rlbi.2730 </p><p>Cmo citar:Cuevas Silva J. M., Mendieta Izquierdo G. (2016). Biotica: comunicao cientfica e realidade social.Revista Lati-</p><p>noamericana de Biotica 17(1), 11-13. doi: http://dx.doi.org/10.18359/rlbi.2730 1</p><p>Qual que o sentido de publicar revistas indexadas? Esta questo tornou-se mais contundente e crtica na Colmbia, tendo em conta a poltica estabelecida pelo Colciencias,1 atravs de Publindex,2 a agncia responsvel pela fixao dos critrios e as polticas do sistema nacional de indexao de revistas cientficas, onde se centra a preocupao pela visibilidade e o impacto das publicaes, com prioridade para os ndices de citao que tem recebido as revistas, bem como aos acadmicos e pesquisadores envolvidos no processo editorial, seja como autores, avaliadores ou membros dos comits editorial ou cientfico. As novas exigncias para que uma revista cientfica seja indexada na Colmbia so outro sinal da letargia dos processos editoriais cientficos da nossa nao, realizados h mais de 20 anos. Publicar hoje traz consigo uma srie de exigncias que vo desde o artesanal at o mais tecnolgico, mas na Colmbia temos ficado no artesanal, na era da imprensa de Gtemberg. Apesar da prolfica produo literria cientfica, existente em nosso pas nos ltimos 20 anos, apresentam-se para ns trs problemas: uma relativa qualidade cientfica da publicao; dois, a contribuio para a realidade social, e trs, o sentido tico da publicao cientfica.</p><p>* Mestre em Educao e doutorante em Processos Polticos e Sociais na Amrica Latina. Professor assistente, Faculdade de Educao e Cincias Humanas, Universidade Militar Nueva Granada. Editor da Revista Latino-Americana de Biotica. E-mail: juan.cuevass@unimilitar.edu.co; revista.bioetica@unimilitar.edu.co; ORCID: http://orcid.org/0000-0002-1680-6223, Bogot, Colmbia.</p><p>** Mestre em Educao e Doutor em Cincias da Sade Pblica. Professor assistente, Faculdade de Educao e Cincias Humanas, Universidade Militar Nova Granada; coeditor da Revista La-tino-Americana de Biotica. E-mail: giovane.mendieta@unimilitar.edu.co; ORCID:http://orcid.org/0000-0002-5085-3242, Bogot, Colmbia.</p><p>1 Entidade pblica que conduz, dirige e coordena a poltica nacional de cincia, tecnologia e inovao, e do Sistema Nacional de Cincia, Tecnologia e Inovao para gerar e integrar o con-hecimento para o desenvolvimento social, econmico, cultural e territorial do pas tirado de http://www.colciencias.gov.co/colciencias/sobre_colciencias/mision-vision</p><p>2 o ndice Bibliogrfico Nacional de Colmbia, que indexa e homologa as revistas cientficas.</p></li><li><p>12</p><p>Juan Mara Cuevas Silva Giovanne Mendieta Izquierdo</p><p>rev.latinoam.bioet. / ISSN 1657-4702 / e-ISSN 2462-859X / Vol. 17 / No. 1 / Edicin 32 / Enero-Junio / pp. 11-13 / 2017 </p><p>O que a qualidade cientfica? Quem determina que um artigo seja cientfico? O que a cultura de qualidade cientfica? Fazer esses tipos de perguntas, bvias para alguns setores acadmicos, exige uma anlise do que significa a comunicao cientfica, aspecto que no contexto colombiano muito pouco tem sido analisado e discutido, j que a preocupao tem sido centrada em publicar no importando o que, o im-portante publicar. Este desconhecimento da qualidade cientfica, substituda no contexto colombiano -em alguns autores- pelo af de publicar, no permite fazer uma abordagem a o valor de publicar com qualidade cientfica; ou seja, que se pu-blica aquilo que contribui para o conhecimento, que, alm disso, pela sua natureza, oferece elementos para a transformao ou mudanas sociais. Em outras palavras, o desejo de publicar na Colmbia nos levou a considerar que todo era cientfico, mas a rever a sua relevncia social perde o seu valor. curioso que, quando se analisa a histria das publicaes cientficas na Colmbia, tem sido observado que estas ltimas foram caracterizadas por ignorar o sentido da comunicao cientfica; ou seja, tem sido esquecido que requer-se- um emissor, receptor, mensagem, canal, cdigo, contexto. Ainda mais curioso, quando com estas publicaes o Estado e as universidades pblicas tm reconhecido por lei pontuaes salariais; mas ao ava-liar essas publicaes, o decantar cientfica do pas est cada vez mais para trs. O mercado dos rankings est-nos submetendo s falcias das publicaes cientficas: a visibilidade e o impacto, caractersticas prprias de uma sociedade selvagem do mercado do conhecimento, nas quais esto emergindo e, ao mesmo tempo, esto a ser reforados imprios de indexao custa de uma cincia desligada da realidade e os seus contextos.</p><p>Isto leva a abordar o segundo problema: a contribuio para a realidade social. Noutros tempos a qualidade cientfica, vamos assumir que na poca de Galileu ou do Sbio Caldas, teve a sensao de contribuir para a qualidade de vida dos seres humanos; hoje devemos falar do sentido biotico, ou seja, que a qualidade cient-fica contribua vida em toda a sua complexidade. Mas, infelizmente, a qualidade cientfica esta indo de costas realidade do pas e da vida. Ns somos do sul e ns queremos fazer publicidade cientfica como os do Norte; falamos, lemos e meio nos comunicamos em portugus, e a gente j quer ser lida em Ingls ou qualquer outra lngua implementada pela fracassada globalizao;3 fazemos e investigamos cincia partir de nosso contexto, mas no ns lemos entre ns mesmos, porque acredita-mos que melhor o estrangeiro do que a nosso, o regional. Em algumas reas do conhecimento, como so as cincias sociais e humanas, so publicados mais artigos de reflexo do que de pesquisa, gerando uma dualidade de mundos: o intelectual e o real, ao estilo do pensamento platnico. Em outras palavras, acreditamos que nos </p><p>3 Concepo e conceituao abordada por Joseph E.Stiglitz, Zigmund Bauman, Klaus Bodemer, Peter Sloterdijk, Samir Amin, entre outros.</p></li><li><p>Bio-editorial</p><p>1313</p><p>rev.latinoam.bioet. / ISSN 1657-4702 / e-ISSN 2462-859X / Vol. 17 / No. 1 / Edicin 32 / Enero-Junio / pp. 11-13 / 2017 </p><p>comunicamos cientificamente, mas ficamos como meros transmissores sem receptores; ou seja, foi possvel publicar, mas no se comunicar, nem toda publicao cientfica comunicao cientfica. Neste sentido, mais do que uma poltica para indexar, requer-se- de uma cultura de comunicar cientificamente, pois com uma poltica cultura desconectada da realidade da cincia do pas e da produo de seus pesqui-sadores a nica coisa que consegue agravar o sentido da comunicao cientfica, e isso limita o seu valor para um impacto e visibilidade nos emprios de indexao mundial. Seria interessante que fossemos lidos pelo mundo inteiro, que fossemos citados, mas mais interessante ainda que nossos cdigos de comunicao cientfica sejam acolhidos por sua contribuio significativa ao conhecimento, cincia e vida em geral, isto , pela sua relevncia no contexto nacional e, portanto, mundial, mas no podemos apostar-lhe para ser impactantes no mundo sem s-lo em nossa nao.</p><p>O sentido tico da comunicao cientfica um terceiro problema, entre muitos outros que poderiam ser listados. A visibilidade e o impacto, juntamente com a qualidade cientfica e a pertinncia scio-cientfica, perdem todo seu significado si se desconhecem, ou no so feitos com base nos princpios ticos da comunicao cientfica. O pas do Sagrado Corao,4, catlico por tradio, mas no pela Cons-tituio Politica, preocupado pela formao de valores ticos e de conscincia moral, no tem sido consistente entre seu discurso e sua ao, para o qual no e alheia comunicao cientfica. Estivemos duas dcadas consagrados sob o princpio publi-ca-me, que eu te pblico; agora o convite da poltica cita-me que eu te cito. As prticas perversas na publicao cientfica podem ser evitadas sempre que o emissor da mensagem cientfica tenha conscincia do que est comunicando, para o qual deve ter presente uns princpios, que no se podem limitar originalidade ou a o plgio, a o manuseio adequado de dados e informao, mas tambm deve incluir os princpios relativos ao sentido social da comunicao cientfica a partir do esprito cientfico, que, afinal, o que faz que uma publicao ou revista seja cientfica.</p><p>A comunicao cientfica e a realidade scio-cientfica, tem sentido quando so recebidas nas comunidades acadmicas de conhecimento e atravs delas chegam-se as mudanas e transformao social; nisto resume-se o sentido de uma revista indexada, de tal forma que a sua visibilidade e impacto se daro pela natureza prpria. Uma poltica de indexao nacional no pode ser limitada a um esforo para atender aos padres internacionais que, entre outras coisas, desde muito tempo tem-se trabalhado em outros pases. Glocalizemos nossa comunicao cientfica, sem cair nas redes do fracasso da globalizao e o mito da indexao.</p><p>4 Advocao prpria da Colmbia desde o inicio do sculo xx, popularmente usado para nos referir o pas.</p></li></ul>